Arquivo do mês: abril 2006

Deu n’O Imparcial

Eduardo Júlio escreveu o texto abaixo, sobre o lançamento de Paisagem Feita de Tempo, n’O Imparcial de hoje.

O primogênito de Joãozinho Ribeiro

Poeta e compositor lança “Paisagem Feita de Tempo”, seu primeiro livro, composto de um poema distribuído por 100 páginas em que discorre sobre a cidade e suas pessoas

por Eduardo Júlio
da equipe de O Imparcial

Um dos mais importantes criadores e ativistas culturais de São Luís, o poeta e compositor Joãozinho Ribeiro, 51, lança o seu primeiro livro hoje, às 20h, na Casa do Maranhão (Praia Grande).

A obra é composta de um único poema, no qual o autor discorre sobre a sua experiência com as pessoas e a cidade. “É sobre a São Luís que passou por dentro de mim e a que permanece”, explica.

Ele acrescenta que a maior parte do texto foi concluída nos anos 80. “Eu nunca estava satisfeito. Tinha muita relutância em exteriorizá-lo, mas fui convencido por alguns amigos a mudar de idéia. Neste intervalo, aproveitei para acrescentar novos trechos e arrematá-lo”, diz, justificando o longo tempo de gestação do poema.

Joãozinho Ribeiro cita uma frase do poeta alemão Goethe, que trata do início e do fim da atividade literária, para sintetizar e definir o teor da obra: “É a reprodução do mundo que me cerca, por meio do mundo que está em mim”.

Com 100 páginas, Paisagem Feita de Tempo tem apresentação do também poeta e compositor Cesar Teixeira e foi prefaciado pelo renomado poeta curitibano, radicado em São Paulo, Hamilton Faria, que recentemente recebeu um prêmio literário na França.

“O livro é um poema-vida feito fundamentalmente de teor humano. A vida, em suas múltiplas dimensões: a tragédia e o desencanto. No entanto, é preciso esclarecer que é uma obra sobre o reencantamento. Fala muito da morte, mas no fundo, celebra a vida”. Sobre o reencantamento, ele reflete: “É dever de todo poeta, de todo artista, reencantar o mundo. Salvar o sonho”.

Trecho do Poema

Cidade és minha paisagem
Feita de tempo e de mim
Feita de tudo que somos
E do que seremos, enfim

O que já não me cabe
Está de fora
Assim como um pedaço repartido
Do coração que trago dividido
Que embora tu não saibas
Está contigo

O que já não me cabe
Está nas ruas,
Assim como a paisagem que me habita
Feito a vontade infinita
Do teu sorriso
Em minhas mãos aflitas

O que já não me cabe
Está exposto,
Assim como uma culpa, um estandarte,
Que faz da minha vida a minha arte,
E da tua vida
A minha outra parte

O autor

Advogado e professor universitário, Joãozinho Ribeiro tem uma longa trajetória na cena cultural de São Luís. Tem músicas gravadas por dezenas de intérpretes maranhenses e idealizou, recentemente, os projetos Samba da Minha Terra e Serenata dos Amores. No próximo mês, ele coordenará o curso de pós-graduação em Gestão Cultural, pela Faculdade São Luís, na qual leciona. Paisagem Feita de Tempo é o primeiro livro do autor.

Finalmente!

Vencidas todas as tentativas de boicote, sabotagem ou coisa parecida, o Colunão está nas bancas. Nesta primeira edição, uma modesta colaboração deste blogueiro, na seção intitulada Senadinho; conforme a definição do jornal, “idéias & toques sem muita formalidade”. Na primeira edição do semanário em vôo solo, aparecem por lá nomes como Rogério Tomaz Jr., Celso Borges, Ed Wilson Araújo e Guilherme Zagallo, entre outros, além, é claro, do editor Walter Rodrigues (link ao lado).

Vida de azougue

por Zema Ribeiro*

Se ser poeta no Brasil é difícil, ser editor de poesia é tanto quanto ou ainda mais. Utopia? Sonho? Sabe-se lá. O paulista Sergio Cohn – que vive no Rio desde 2000 – conhece os dois lados da moeda – ou do balcão?: editou, entre 1994 e 2004, a revista Azougue, e em 2001, fundou a Azougue Editorial, responsável por publicar escritores como o poeta português Herberto Helder (Os Passos em Volta) e o jornalista/contista/poeta brasileiro Ronaldo Bressane (Céu de Lúcifer). Sergio Cohn escreveu Lábio dos Afogados (Nankin, 1999) e Horizonte de Eventos (Azougue, 2002), e acaba de publicar O Sonhador Insone (Azougue, 2006), título que talvez traduza seu ofício: um poeta tem que sonhar acordado já que “o dever de todo artista é salvar o sonho”, como bem disse Joãozinho Ribeiro, que, por aqui lança sua Paisagem Feita de Tempo sexta-feira que vem [hoje, no caso]. Para comprar livros da Azougue: http://www.azougue.com.br

Convite em forma de breve memória

[Diário Cultural de hoje; a diagramação do Diário da Manhã acabou incluindo trechos de minha coluna anterior, entre o fim do texto e o "Serviço". Aqui vai, reproduzido como deveria ter sido publicado]

Ao completar 51 anos de idade, Joãozinho Ribeiro bota no mundo um filho já maior: nesta sexta-feira autografa Paisagem Feita de Tempo, longo poema-lembrança dos logradouros ludovicenses de sua infância/adolescência. Como já dito anteriormente pelo colunista: “Escrito em 1985, ‘Paisagem Feita de Tempo’ insere-se, de já, no panteão sagrado da poesia capaz de fotografar locais de um modo peculiar. Nada deve a um ‘Poema Sujo’ de Gullar, a‘O Cão Sem Plumas’ de João Cabral, ou ao Nauro do ‘Pão Maligno Com Miolo de Rosas’. É, por isso, desde sempre, um poema universal”.

Posso lembrar o dia em que conheci Joãozinho Ribeiro pessoalmente. Foi em março ou abril de 2003, no auditório do Sindicato dos Bancários. Ele, capitaneando um grupo para reivindicar algo pela cultura do Maranhão. Coisa que faz até hoje, incansável. Lembro também da ligação que fiz para Chico Saldanha, dias antes, que me deu o telefone de Joãozinho. Eu precisava de alguma informação para o jornalismo informal que eu cometia à época – nesse aspecto, pouca coisa mudou.

À época, Joãozinho estava envolvido com o projeto Samba da Minha Terra, que tentava democratizar o acesso à boa música comunidades ludovicenses afora. Dezoito locais foram contemplados com o melhor show daquele ano. Ao menos foi o que atestou a Rádio Universidade FM, no maior prêmio da música do Maranhão. O quixotesco projeto levou ainda os prêmios de melhor músico violonista (Celson Mendes, diretor musical do espetáculo, e Francisco Solano) e melhor produção (Vanessa Serra). O escriba aqui, dada a empatia imediata – pelo sobrenome há quem pense que somos parentes biológicos; mais que isso, somos parceiros de copo e alma, um brinde, João! –, assumiu o posto de Assessor de Imprensa do projeto e deu suas modestas contribuições para estampar o “Samba” nas páginas dos cadernos culturais dos jornais de São Luís.

O circuito musical alternativo, que teve o patrocínio da Caixa Econômica Federal, foi um dos raros momentos em que Joãozinho Ribeiro mostrava-se artista para a Ilha pela qual, de certa forma, deixou a carreira artística em segundo plano. Por uma boa causa, é claro: a militância cultural. Militância esta que permitiu que João visse artistas repartindo o pão e a poesia, seja enquanto presidente da Fundação Municipal de Cultura, seja enquanto cidadão comum, “rapaz latino-americano sem dinheiro no banco”, como diria outro compositor.

Para termos uma idéia da importância de discussões sobre cultura e política cultural na vida do poeta Joãozinho – o mesmo moleque do Desterro, técnico da Receita Federal e Professor Universitário: ele agora está à frente da Coordenação de uma pós-graduação em Gestão Cultural, na Faculdade São Luís, onde dá aulas no curso de Direito. Por essas e outras, seu livro Paisagem Feita de Tempo, escrito em 1985 e, portanto, já maior de idade, somente será lançado agora.

Um longo poema, bonito, sincero, relato da infância e adolescência do poeta por logradouros – outrora mais inocentes – da Ilha de São Luís, capital do Maranhão, cidade que pariu o poeta pro mundo, que Joãozinho é isso tudo, sem restrições geográficas.

Nesta sexta-feira, 28 de abril, às vésperas de completar 51 anos – idade emblemática para amantes da boemia – Joãozinho Ribeiro autografa sua Paisagem Feita de Tempo. A festa tem início às 20h, na Casa do Maranhão (Praia Grande) e espera ter o caro leitor como personagem nesta vasta e bonita paisagem.

Com a palavra, o próprio João, em versos do livro: “O que já não me cabe / Está exposto, / Assim como uma culpa, um estandarte, / Que faz da minha vida a minha arte, / E da tua vida / A minha outra parte”.

Serviço

O quê: Noite de autógrafos do livro Paisagem Feita de Tempo
Quem: Joãozinho Ribeiro
Onde: Casa do Maranhão (Praia Grande)
Quando: sexta-feira, 28 de abril, às 20h

Boletim Famaliá

Marcelo Manzatti edita o boletim Famaliá, distribuido via e-mail; para solicitar cutuque em cima do nome do moço. Na edição 30, recebida hoje por este blogueiro, a nota abaixo.

4 – Bumba Boi de Guimarães, sotaque de zabumba, originário do Quilombo de Damásio (MA) no Copa da cultura.

A brincadeira, selecionada para fazer parte das apresentações brasileiras na Alemanha, irá representar a presença negro africana tão marcante no nosso Nordeste…

Estaremos em Munique entre os dias 24 e 29 de maio, com apresentações do Bumba Boi e Tambor de Crioula do Quilombo de Damásio. Serão oferecidas oficinas de música e mesas redondas sobre literatura oral e etnomusicologia, com mediação da profª. Dra. Ana Stela Cunha, lingüista, africanista, atualmente pesquisadora e professora visitante da Universidade de Havana (Cuba) e Centro Cubano de Antropologia.
Muito obrigada!!!
Ana Stela

três, rapidim

1. talvez eu já esteja até ficando enjoado de tanto encher o saco de vocês com isso. mas não é culpa minha, nem do incansável walter rodrigues (link ao lado). o colunão finalmente, depois de tantos atropelos, sai hoje. detalhes (sobre os atropelos), conto pra vocês em breve. assine! saiba como no blogue de wr.

2. sexta-feira, 28, é o lançamento de paisagem feita de tempo, livro-poema belo de joãozinho ribeiro. o convite, aí abaixo. apareçam!

3. meu espaço no uol encheu. ou eu teria que assinar ou apagar posts. como não queria nem uma coisa, nem outra, tou aqui. ainda tive que apagar duas mensagens, reproduzidas aqui, mas enfim…

Diário Cultural de ontem

Entre feriados

Quatro tópicos ligeiros para a terça que inicia a semana do colunista no Diário, após o feriado de sexta e já esperando o feriado da próxima segunda. O colunista tem aproveitado bem – “ótimo!”, ele diz – seus feriados.

Labô no Rio

A turma do Laborarte vai pro Rio. De 27 a 30 de abril, o Tambor de Crioula do Laborarte e o Cacuriá de Dona Teté se apresentam e ministram oficinas no Teatro Cacilda Becker. Os ingressos para as apresentações – 27, 28 e 29, às 20h30min e 30 às 19h – custam R$ 15,00; as oficinas – 28 e 29; Tambor de Crioula às 14h e Cacuriá às 15h30min – custam R$ 30,00. Maiores informações: (21) 2265-9933.

Carioca

Já pode ser comprado no site da gravadora Biscoito Fino, o disco “Carioca”, de Chico Buarque. “Carioca” era o apelido de Chico nos tempos da Faculdade de Arquitetura em São Paulo, onde foi contemporâneo de nosso Chico Maranhão. Trata-se, na verdade, da pré-venda do disco (com entregas a partir do dia 4 de maio), primeiro de inéditas do compositor desde “As Cidades” (1998). No site há a informação de que em breve será vendido um kit, com cd e dvd, sobre o processo de composição de carioca. O preço – do cd simples – faz jus ao nome da gravadora: biscoito fino não é para qualquer um. R$ 36,90. O site da gravadora: http://www.biscoitofino.com.br

Prêmio ABA

A Associação Brasileira de Antropologia (ABA) recebe até 1º de maio inscrições de trabalhos monográficos para o seu 4º prêmio. O tema é “Antropologia e Direitos Humanos: direitos culturais, desigualdades e discriminações”. Os trabalhos devem ter no máximo cinqüenta páginas de texto corrido em fonte times new roman, com espaçamento 1,5. O resultado será divulgado em 14 de junho, e o prêmio pode chegar a até cinco mil reais. Os trabalhos podem ser enviados por e-mail (abaford@ims.uerj.br) ou para Presidência do Prêmio ABA, aos cuidados da professora Maria Luiza Heilborn, Concurso ABA/Ford, Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rua São Francisco Xavier, 524, 6º andar, Bloco E, CEP 20.550-013, Rio de Janeiro/RJ. Editais e maiores informações em http://www.antropologias.com.br

Navegar é preciso!

Volto hoje à série “Navegar é Preciso!”, capítulo perdi as contas. Isso, antes d’eu inventar aqui, e iniciar, a série “Resenha fora de hora”, onde escreverei sobre obras que não acabaram de ser lançadas/publicadas. Hoje recomendo o blogue do Ronaldo Robson, o Naldo. Poesia, opinião, crítica. Eu comentando com um amigo, ao lê-lo: “o legal de blogues é que a gente já não precisa tanto da ‘mídia convencional’”. Ao lerem As Vírgulas de Lilipute (http://asvirgulasdelilipute.zip.net) vocês vão entender o que estou falando.

Diário Cultural de domingo

Elegia Cesariana: o parto poético do músico

O arriscado e destemido mergulho do paraibano Chico César na praia profunda da poesia de fôlego. Em “Cantáteis – Cantos Elegíacos de Amozade”, a declaração de amor por uma amiga, a declaração de amizade pela mulher amada, a declaração de amor e amizade por São Paulo, cidade que adotou o “paraíba” que ganhou o mundo.

Um “paraíba” perante a imponência da arquitetura dos prédios e sentimentos de São Paulo. Sem estranhamento. Admiração mútua, talvez não num primeiro instante. Um sentimento de amor, em vez de platônico, correspondido, enquanto amozade (soma de amor e amizade). Que a amizade não exclui o amor e vice-versa, versa o verso, declaração de amor para uma mulher. E a cidade. A cidade mulher. A mulher que representa a cidade.

1.551 versos, divididos em 141 estrofes compõem “Cantáteis – Cantos Elegíacos de Amozade” (Editora Garamond, 2005, preço sob consulta em http://www.garamond.com.br), poema que Chico César dedica à amiga e parceira Tata Fernandes, ela a representação da mulher paulista/paulistana, o tipo. A mulher que freqüenta o círculo intelectual boêmio da cidade grande, que tem bom gosto literário, musical e – por que não? – etílico.

“Escrevi “Cantáteis” como um canto de amor e amizade a uma mulher, uma musa paulistana. Escrevi movido por esse sentimento híbrido (amozade) e que muitas vezes julgamos formados por partes que se negam: o amor e a amizade.”, conta Chico César, numa espécie de posfácio, no livro. “Escrevi (…) estimulado pela existência e consistência de poemas longos como “Os Cantos” de Erza Pound, “Morte e Vida Severina” de João Cabral de Melo Neto, “Altazor” de Vicente Huidobro. Ou ainda “O Guesa”, de Souzândrade e “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri. Sei que o fato desses poemas existirem e pesarem decididamente na balança da literatura universal deveria me silenciar em definitivo. Mas deu-se o contrário. E cometi “Cantáteis”. Atribuo hoje à falta de juízo que acomete os apaixonados. Era como eu me encontrava. E me encontro”, completa.

Escrito em 1993, “Não num só fôlego, como seria mais heróico” – como diz o próprio Chico –, “Cantáteis” foi publicado ano passado, o mesmo 2005 em que o paraibano de Catolé do Rocha pôs na rua o disco mais lírico de sua carreira – “De Uns Tempos Pra Cá”, (Biscoito Fino, 2005, produzido por ele e Lenine) –, iniciada em 1994 com o ao vivo “Aos Vivos”.

Que Chico César é dos mais talentosos e competentes compositores que despontaram no cenário musical nacional – e internacional – nos fins do século passado, é notório e sabido por todos: dos que escarafuncham novidades em busca de coisas boas aos que o conheceram em trilha sonora de novela. Agora, (com)prova “Cantáteis”, que o jornalista de formação – o autor de “À Primeira Vista” e “Mama África” é graduado pela Universidade Federal da Paraíba – é também um erudito poeta popular, dada a facilidade com que parece brincar de pular corda com a tênue linha que separa estas “duas culturas”. Ainda bem que o músico não matou ou silenciou o poeta.

“Cantáteis” é o mergulho visceral e destemido de se cantar o amor por uma amiga, ou a amizade pela mulher amada. É um Chico César que não vai tocar no rádio nem na novela, e talvez por isso não vá fazer sucesso. Mas deveria, alinhado que está, de já, com os poemas citados pelo autor em sua opção por não silenciar.

Serviço

O quê: “Cantáteis – Cantos Elegíacos de Amozade”
Quem: Chico César
Onde: Editora Garamond
Quanto: preço sob consulta no site http://www.garamond.com.br

do outro lado…

…o mundo livre!