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O filho eterno no Palco Giratório

Às vezes deixo de noticiar umas coisas aqui no blogue para deixar para dizer algo mais perto, sobretudo em se tratando de agenda cultural. É o tempo que eu tenho de, às vezes, falar com alguém envolvido com a produção, levantar uma informação a mais, enfim, preparar algo digno dos poucos mas fieis leitores deste modesto espaço.

Vez em quando acontece de eu não conseguir levantar maiores ou melhores informações. Ou de, por motivos de viagem ou da correria cotidiana, já que este é um blogue feito às próprias custas s. a., do jeito e na hora que dá e eu e Deus queremos, eu não conseguir sentar e escrever ou mesmo colar uma imagem/anúncio por aqui (evitamos releases, embora eu vá fazer uso dele neste post). Aí o evento passa e já era, fica pra próxima.

Para não correr esse risco com a encenação de O filho eterno, baseada no romance homônimo de Cristóvão Tezza, antecipo seu anúncio por aqui. A peça, conforme o release, “mostra a luta diária de um homem (…) que precisa lidar com as decepções que um filho pode trazer, focando no desafio de nossas limitações, sem perder o olhar elegante. Frases de impacto e inesperadas dão o tom poético dessa trama, em que vem à tona muitas questões que pensamos, mas que jamais teríamos coragem de dizer em voz alta. A chegada do primeiro filho com síndrome de down é apenas uma das diversas reflexões que envolvem a paternidade e são abordadas nessa já premiada história”.

Ficha técnica: adaptação: Bruno Lara Resende > direção: Daniel Herz > elenco: Charles Fricks > duração: 80 minutos > classificação indicativa: 12 anos.

Os ingressos serão trocados por um quilo de alimento não perecível, na bilheteria do teatro, uma hora antes do início do espetáculo, que integra o projeto Palco Giratório, do SESC, que está acontecendo em todo o Brasil.

Não é mentira!: bang-bang hoje a noite

A quem conhece a obra de Ademir Assunção, preciso dizer nada. Aos que conhecem (apenas) seu primeiro disco, o excelente Rebelião na Zona Fantasma, talvez deva dizer umas palavrinhas: conheçam o blogue, os livros, o disco, o trabalho nas imprensas, alternativa e “grande”, donde se auto-exilou, para não se mediocrizar & mercantilizar, como vem ocorrendo.

A boa notícia do dia da mentira é que um de nossos mais talentosos poetas e jornalistas lança hoje a noite videoclipe de poemúsica do próximo disco, que já começou a gravar e deve lançar ainda este ano. Por aqui já ficamos na torcida.

Temporada Paulo Leminski 5

UM INÉDITO DA BESTA DOS PINHEIRAIS

O “auge” de Leminski, publicado em 14 de setembro de 1986 (clique para ampliar)

Via Cassiano Elek Machado.

As idas e vindas deste blogue

Blogo há oito anos e meio, o que faz de mim um dos mais antigos blogueiros em atividade ininterrupta no Maranhão. De abril de 2004 para cá, praticamente não parei. Outros blogueiros que ou me influenciaram ou foram por mim influenciados, modéstia à parte, ou ambas as coisas, deram paradas, foram fazer coisas mais importantes. Uns voltaram a blogar, outros não. Poderia citar rapidamente nomes como Bruno Barata, Carolina Libério, Gisele Brasil, Jane Maciel, José Patrício Neto, Márcio Jerry, Reuben da Cunha Rocha e Rogério Tomaz Jr., entre outros, correndo o óbvio risco de esquecer o de alguém.

São mais de oito anos sem ganhar um centavo, blogando pelo prazer de blogar e vez em quando ganhar algum estresse, alguma dor nos braços (a tendinite que combato com dorflex e teimosia) etc. Algumas passagens por jornais, na condição de colunista ou eventual colaborador, quase sempre sem ganhar um centavo, alguns até hoje me devendo (destes prefiro nem citar nomes), outros sequer falam comigo e quer saber? Não faço questão!

Uma vez ganhei dinheiro com meu blogue. Um dinheiro pífio, ridículo, quase nada. Um site de vendas me solicitou a inclusão de um link e me pagaria cem reais por ano. O link pago ficou no ar exatamente por um ano e eu faturei estes menos de dez reais por mês. Não tive trabalho nenhum além de linkar o endereço que me foi passado (hoje nem lembro qual) e deixá-lo ali por um ano (o dinheiro saiu logo que pendurei o link), isto é, nunca influíram no que publiquei ou deixei de publicar, um dinheiro, portanto, honesto.

Faço tudo no blogue: escrevo, edito, reviso, mexo no layout (com as limitações que me impõe a plataforma que utilizo). Não há equipe. É o bloco do eu sozinho mesmo. Por isso às vezes critico tanto certos blogueiros que sequer aprenderam a escrever, que ganham tubos de dinheiro para publicar apenas o que os patrocinadores determinam.

Mas não quero ser ranzinza. Deixa isso para a hora de criticá-los, uns certamente acusando-me de “invejoso”, outros de “otário” e eu pouco me importando com isso, nem uma coisa nem outra. Se quero ganhar dinheiro com o blogue? Gostaria, mas desde que quem me pagasse, pessoa física ou jurídica, não interferisse em meu ritmo (publicar quando quiser), conteúdo (o que quiser) e estilo (como quiser), ou seja: para este blogueiro aqui é quase impossível ganhar dinheiro, numa terra/blogosfera em que dinheiro e honestidade são, infelizmente, quase antagônicos.

Uns já devem estar se perguntando o que tem a ver tudo isso que digo com o título deste post. Quem andou por aqui desde o post Blogue em manutenção, aí por baixo, viu-o de cara diferente. Era minha ideia para colocar o anúncio de uma rede de livrarias, uma forma simples, prática e honesta de ganhar algum dinheiro com o blogue: o leitor acessa o site da rede através de um banner pendurado neste blogue e a cada compra finalizada eu receberia 5% do valor vendido. Não hesitei em comprar um modelo pago, pensando que ia poder incluir o banner; comprado o layout, descobri que teria que comprar mais umas ferramentas. Já tinha gasto mais de cem reais no tal layout e as ferramentas me custariam mais coisa de 99 dólares ao ano.

O conteúdo do citado post, em que eu afirmava estar “pensando (sempre) em melhor atender seus poucos mas fieis leitores” é verdadeiro. Por isso resolvi amargar o prejuízo decorrente da aquisição de um novo layout, inútil para minhas pretensões, e desistir de ganhar dinheiro com blogue. A não ser que você tenha alguma proposta interessante – e honesta, nunca é demais repetir – para me fazer.

Um blogueiro na biblioteca

Há quase um ano, salvo melhor juízo, tomei conhecimento do Cândido, jornal que a Biblioteca Pública do Paraná estava lançando à época. Fã confesso de Paulo Leminski, não resisti, ao ver uma caricatura sua na capa de estreia, a ligar para a BPP e ser simpaticamente atendido por um homem cujo nome não lembro agora.

Disse-lhe que era de São Luís, Maranhão, e que gostaria de receber o jornal. Ele anotou meu endereço e disse que meu nome não era estranho, que já havia lido meu blogue. Li o primeiro número do Cândido pela internet e este cuja capa é estampada pelo Leminski é o único que não tenho em minha coleção. O 2 demoraria a chegar e cheguei mesmo a pensar que aquela simpatia toda ao telefone havia sido apenas educação. O que não seria pouco.

Enganei-me, ainda bem. Mês após mês tenho recebido em minha casa um dos 5.000 exemplares de sua tiragem. Pode parecer bobagem, mas sinto-me honrado. Um jornal bonito, de capas coloridas e miolo em p&b, com conteúdo de primeira. Dedicado quase exclusivamente à literatura, já passaram por suas páginas nomes como Marçal Aquino, João Paulo Cuenca, Cadão Volpato, Sérgio Sant’Anna, Fernando Morais, André Dahmer, Joca Reiners Terron, Luiz Vilela, Luiz Alfredo Garcia-Roza e Reinaldo Moraes, entre muitos outros, para citar apenas alguns que me vêm à cabeça imediatamente, sem eu correr ali à bagunça das estantes para relembrar.

Cândido, o nome do jornal, é homenagem a “Cândido Lopes, que hoje dá nome à rua em que está localizada a Biblioteca Pública do Paraná. Lopes fundou o jornal Dezenove de Dezembro, em 1854, o primeiro impresso paranaense”, aspas extraídas de Pelas calçadas da literatura, texto assinado por Guilherme Magalhães no nº. 10 (maio de 2012, p. 13) do citado jornal literário.

19 de dezembro é a data em que nasci, quase século e meio depois, coincidência que eu só viria a descobrir ao ter em mãos aquele número do jornal. Mas não seria a primeira: em maio passado minha esposa viajou à capital paranaense para apresentar um trabalho em um seminário de Direitos Humanos. Dois dias depois, às próprias custas s/a, juntei-me a ela para um turismo na cidade em que, para meu confesso espanto, Leminski é pouco lembrado. Antes da outra coincidência, volto a Guilherme Magalhães, no citado texto: “Por outro lado, figuras de proa da literatura paranaense dos últimos 50 anos também ainda não tiveram a honra de virar logradouro, o que pode denotar o distanciamento do tempo como um critério para as homenagens. Jamil Snege, Paulo Leminski (que virou nome de pedreira e de escola, mas não de rua) e Manoel Carlos Karam (que dá nome a uma casa de leitura) ainda não foram lembrados pelos políticos curitibanos, responsáveis por propor nomes a logradouros” (p. 13). Visitei a belíssima Pedreira Paulo Leminski e sua Ópera de Arame, além de ter comido e bebido na Manoel Carlos Karam, praça de alimentação do encantador Mercado Público Municipal, passeio que recomendo a qualquer turista, com pouca grana como eu ou não.

A outra coincidência conto agora. Chegando em Curitiba, calhou de o ônibus que me levou até o hotel parar justo em frente à BPP – hospedei-me bastante perto dela –; uma visita ao órgão público já estava planejada, ao menos em minha cabeça. Num sábado de maio pela manhã – sim, em Curitiba a Biblioteca Pública funciona aos sábados de manhã – apareci por lá e pedi para falar com alguém responsável pelo Cândido. A recepção me encaminhou a Tatijane Albach, que me dispensou enorme atenção e simpatia, levou-me para conhecer parte das dependências da BPP, que passava por reforma e tinha alguns setores fechados, e ainda me deu alguns presentinhos, além de apresentar-me alguns projetos.

O Um escritor na biblioteca, a plateia conversa com um escritor, com moderação de um jornalista, é uma reedição de projeto da década de 1980; os melhores momentos dos debate-papos têm sido reproduzidos Cândido após Cândido, devendo virar livro em breve; assim como deve ganhar reedição um livro já publicado com os participantes de há 20 e poucos, 30 anos.

Tatijane brindou-me ainda com um exemplar de Helena (ano 1, número zero, junho de 2012), revistão colorido de 114 páginas, anunciada na contracapa como “um pouco de muito da nossa cultura”, o nome, uma homenagem à poeta Helena Kolody. “A gente tem uma tradição de publicações com nome de homens, o Cândido, a Joaquim [revista editada há tempos por Dalton Trevisan]”, ela deve ter citado outros, “agora a Helena, uma mulher”, explicou anunciando a publicação trimestral da BPP.

Voltei ao hotel para guardar o pacote com Helena e alguns exemplares do Cândido antes de prosseguir o passeio com a esposa; Tatijane desceu as escadas e foi comprar pão de queijo para um café com que ajudaria a espantar o frio nem tão rigoroso assim que fazia aquela manhã em Curitiba.

Tatijane e o blogueiro, quando este visitou a BPP

Relendo Tião Carvalho

Curtindo uma praia, Tião Carvalho conversou com o blogueiro há quase seis anos

Memória – Há quase seis anos Tião Carvalho baixou na Ilha para lançar Tião canta João. Na ocasião, após o show no Teatro Arthur Azevedo, marquei uma entrevista com ele. Para um domingo. Sem mais compromissos, o artista curtia uma praia e me mandei para lá. Não lembro ao certo quanto tempo durou a conversa, mas foram quase duas horas, pois lembro que gravei duas fitas k7.

Transcrevi-a inteira e a vontade era publicá-la com nada de edição. Ou o mínimo. O resultado final acabou extrapolando o limite de caracteres para artigos no Overmundo, onde publiquei a primeira parte da entrevista, deixando as “sobras”, chamemos assim, para o blogue.

A entrevista vai além do lançamento do disco na ocasião, vai além da música. Vale relê-la. Tião faz show amanhã no Papoético.

Homem comum

O poeta Fernando Abreu agora tem um blogue: Homem comum.

E o mundo não se acabou

Nem vai se acabar antes de Rosa Secular II. Abaixo, palhinha da composição de Assis Valente, interpretada por Chico Saldanha, durante ensaio para o show de amanhã (10) no Daquele Jeito (Vinhais).

Os pouco mais de dois minutos foram gravados na manhã de hoje, na casa de Arlindo Carvalho por Lena Machado (sim, este é o link pro blogue da moça, que, como se cantasse, estreia na blogosfera em grande estilo).

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E hoje é aniversário de Ricarte Almeida Santos, a quem o blogue deseja tudo de bom e muita música!