CAPÍTULO UM DE ALGO AINDA SEM NOME

1. Não sei se é/será uma novela, um romance, uma coletânea de crônicas ou contos…

2. Eu bem que poderia batizar de “Mulher sem rosto”, (aberto a sugestões pelo e-mail: ainda estou dando um jeito de inserir espaço para comentários nesta modesta casa) mas quando eu conhecer a musa ao vivo e em cores, acho que isso vai perder um pouco o sentido.

3. Prefiro não prever um final feliz; prefiro nem prever final (tomara que seja algo ad infinitum: é assim que se escreve?)

Conheço-a numa sala de bate papo. É madrugada. Conversa vai, conversa vem, dou o endereço deste blog e ela anota meu nome, telefone e e-mail. No dia seguinte eu ainda não sabia seu nome, mas esperei sua ligação. E ela veio, animando-me.

Conversamos. Bela voz. Mulher interessante. Solteiros, nós. Anoto seus telefones. Ela me diz seu nome. Eu solto um “puxa, eu sempre pensei em botar esse nome quando eu tiver uma filha” e ela me responde com um “todo mundo me diz isso”. Mantive a idéia, estava sendo sincero. “Todos se dizem sinceros”. Um pé atrás por conta de outros relacionamentos frustrados. Exatamente como eu. “Temos tantas coisas em comum”, digo. “Isso é relativo”.

Recebo ligações de madrugada e isso me deixa estranhamente feliz. Noutro dia, com isso, fui dormir mais tarde e acordei mais cedo, disposto, dispensando o despertador do celular.

Num dos poemas do livro “Paquito, o Anjo Doido” (eu já o postei aqui), o poeta Cunha Santos diz:

Quem é esta mulher que em mim reclamo

com o brilho eterno e morno de um sol posto

por quem noites inteiras é que eu chamo

como é a sua voz e onde está seu rosto

Estranha a sua paisagem me consome

sufoca o peito e a alma me deforma

quem é esta mulher, qual o seu nome

porque seu corpo é incerto e não tem forma?

Tantos se amam e nos meus sonhos fluo

de amar alguém sem lar, sem endereço

praças abertas, sol, amor, eu suo

De uma tortura que, sei, não mereço

O tempo e os namorados passam, eu continuo

amando esta mulher que eu não conheço!

Belo poema. Coisas de Cunha, gênio. E tenho a mania de, gostando de alguém, ver esse alguém em tudo, mesmo não tendo visto ainda o seu rosto. E quero dar Os Presentes, como na canção homônima de Kléber Albuquerque, no ótimo disco “O centro está em todas as partes”:

Que presentes te daria?

Uma estrela vã do firmamento

Pra iluminar o vão do pensamento

Uma tevê na garantia

Árvores plantadas no cimento

E meu perfume na rosa-dos-ventos

Um novo ritmo da Bahia

Cartas de amor com frente e verso

E meu percurso nesse universo

Nas horas sem fim

Em que a dor não tem mais cabimento

É no teu prumo que eu me oriento

Catedrais de alvenaria

Senhas pra não mais perder a vez

Casa, comida e um milhão por mês

Eu nem sei por que estou escrevendo tudo isso aqui, talvez para compartilhar um pouco de minha felicidade com vocês. O nome da musa? Cenas dos próximos capítulos…



(continua)

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