AULA DE EMOÇÃO

 

Sábado: uma farra “do tamanho do mundo”, que reuniu, no quintal de minha casa figuras como Gutemberg Bogéa, Marco Pólo Haickel, Eduardo Júlio, Erivaldo Gomes, Didã, Cesar Teixeira, Kelly Campos, Marcos Fábio, Marla Silveira, Uimar Cavalcante, entre outros, além de alguns familiares meus. Tudo regado à cerveja e delícias preparadas por D. Solange (minha mãe), Luziana (irmã) e Silvandira (tia): caranguejada, creme de camarão, cuxá…

Domingo: encontro Cesar Teixeira logo cedo. Rumo: Bar do Natinho, esquina de São Pantaleão com Beco das Minas. Daqui a pouco chega Cacau Amaral, percussionista, neto de Rozeno Amaral, do bloco Fuzileiros da Fuzarca, falecido semana passada. Cesar pega um papel de cigarro e com um lápis achado na rua por Cacau, anota a letra do samba que compôs em homenagem à Rozeno. Ligo pra casa, a uma esquina. Minha irmã chega com meu gravador (Cacau viaja hoje de volta ao Rio e levará o samba gravado). Logo mais, chega Joãozinho Ribeiro. Está formada a roda de samba: ele no violão, Cacau no pandeiro e Cesar Teixeira no cavaquinho (“presente de Chico Maranhão há vinte anos”, como ele mesmo frisou). Cantamos a plenos pulmões o samba infinitas vezes. Todos os que estavam presentes no bar aprenderam a letra (pode até ser que não lembrem hoje). De lá descemos até a sede dos Fuzileiros, onde integrantes do bloco, vizinhos e D. Rosita (a viúva) emocionaram-se e cantaram também.

Abaixo, a letra do samba:

NA BATUCADA DO CÉU

Cesar Teixeira

Morreu na Madre Deus
mais um sambista
no meu peito
o cavaquinho chora
aquela ritinta de ouro
parou de bater
disse adeus e foi embora

Morre um sambista
porém nasce uma flor
e em louvor
até Deus tira o chapéu
leva o estandarte derradeiro
pra saudar os Fuzileiros
na batucada do céu.

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