meu espírito de rato
putrefato
roendo os restos da feira
sexta-feira
andando pelos porões
e paralelepípedos
tropeçando em bêbados,
prostitutas
e tropeçando em mim mesmo
meu espírito de homem
um tanto já gasto
pela fé que eu perdi
de tanto remar contra a maré
(maré de merda, pus, sangue e lama)
que me guiou até a cama
de um bordel qualquer
em uma ladeira qualquer
para uma noite de pegue (peque!) e pague
que meu espírito se apague
que a minha voz se cale
que o amor que eu acreditava devotar
se acabe
já que eu mesmo estou acabado
que eu cruze as mãos sobre o peito
desista de buscar esse tal de amor perfeito
vendo que não há mais jeito
que venha a dar jeito em mim
[poema cometido em algum momento de 2003]
