Lenine desplugado
Artista pernambucano revisa carreira em inspirado disco acústico.
por Zema Ribeiro*
Reconhecido como um dos nomes da nova emepebê, surgida em meados da década de 90 – apesar de ter estreado em disco ainda em 1983 –, ao lado de nomes como Zeca Baleiro, Chico César e Pedro Luís, Lenine é um dos grandes trabalhadores da música brasileira contemporânea.
Cantor, compositor, arranjador e produtor incansável, é homem de vasto currículo. Produziu discos de Chico César e Elba Ramalho, trilha para balé do Grupo Corpo (ainda sem título e em fase de ensaios), participou de trilhas de cinema (“O diabo a quatro”), novela (“Vila Madalena”, Rede Globo) e carnaval (“Monobloco ao vivo”, o mais recente registro do time de batuqueiros capitaneado por Pedro Luís e Sérgio Loroza), entre outras.
23 anos após sua estréia em disco [Baque Solto, dividido com Lula Queiroga], o pernambucano Lenine chega ao sétimo álbum: “Acústico MTV” [Sony-BMG, 2006, R$ 32,90]. Sua carreira inclui, entre outros, o hoje raro “Olho de Peixe” [1993], dividido com o percussionista Marcos Suzano e o trabalho anterior, “In Cité”, gravado ao vivo na França em 2004.
Em seu “Acústico”, Lenine passeia por grandes sucessos de carreira – “Hoje eu quero sair só”, “Dois olhos negros” e “Jack soul brasileiro”, entre outros – e participações especiais: Richard Boná (baixista camaronês que canta, em francês, trechos de “A medida da paixão”), Julieta Venegas (voz e acordeom mexicanos em “Miedo”), Gog (voz e força do rap brasiliense em “A ponte”) e Iggor Cavalera (bateria em “Dois olhos negros”).
A música traduzindo o artista e vice-versa, ponte para o mundo, já conquistado. Pegada plural e de fôlego, este “Acústico MTV” de Lenine.
*correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com
