com pequeníssimas variações da cópia impressa para cá, entreguei o texto abaixo, hoje, para andrea sekeff, professora de jornalismo político (comunicação social, jornalismo, 7º. período, faculdade são luís). é meio (?) amargo, sincero e bastante raso.
o tema era livre, respeitando-se o batismo da disciplina. quase é um texto sobre o domingo de ramos; quase é um texto sobre o dia da mentira. quase é um texto ainda sobre o assassinato de gerô; é quase sobre o jornalismo maranhense; é quase um texto. é quase.
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A(s) mentira(s) nossa(s) de todo dia
O primeiro dia do mês de abril trazia em si o Domingo de Ramos do calendário da Igreja Católica, quando a Ilha ficou cercada de missas por todos os lados. A data, em que se “celebra” também o Dia da Mentira, neste aspecto, passou em branco. Nenhuma pegadinha terminou com a rima “quem caiu, caiu, hoje é primeiro de abril” ou coisa parecida. Mudaram os tempos ou, eu, por não ser mais criança, já não percebo, em minha sisudez cotidiana, essas nuances menores de uma vida da qual, de certa forma, tenho saudades.
Outro dia, era Dia da Poesia (14/3), e o poeta Marcelo Sahea afirmava: “A gente não precisa de um dia da poesia, precisa é de poesia todo dia”. No campo da mentira, a coisa se dá naturalmente contrária e talvez já não existam as rimas infantis por terem as mesmas sido transportadas ao mundo adulto, à vida real. Ora, quem quiser mentiras basta abrir os jornais. Estão lá, estampadas nas manchetes, textos, fotografias, em cada milímetro da mancha gráfica. Mentiras ou eufemismos como meias-verdades.
O recente assassinato por espancamento – tortura seguida de morte – do compositor Jeremias Pereira da Silva, o Gerô, traduz(iu) muito bem o que digo aqui. Para os jornais governistas, seus assassinos não ficariam impunes, garantia (d)o Governador; para os jornais da “oposição”, um artista, morto ao ser (por ter sido) confundido com um assaltante, era mero “animador de comícios” do atual govern(ad)o(r). O crime em si, o acontecimento em si, nunca foi foco central das notícias (?) publicadas nos jornais (?) ilhéus.
Quem carece de um primeiro de abril quando/onde todo dia é dia da mentira?
