conforme prometido aqui, escrevo agora sobre o “cenas da favela“. primeira classe, jp turismo, jornal pequeno, ontem.
Letras da favela
Entre o lírico e o trágico, Nelson de Oliveira acerta em mais uma antologia literária.
por Zema Ribeiro*
“Cenas da favela – As melhores histórias da periferia brasileira” [Geração Editorial/Ediouro, 2007, 228 páginas, R$ 39,90 no site da editora] bem poderia ser mera – mais uma – (tentativa de) glamourização dos morros, cariocas ou não.
Reside, no livro, mais um acerto de Nelson de Oliveira, organizador da antologia, que reúne 24 nomes (incluindo o seu), sem preconceitos: estão lá, entre contos, trechos de romances e poemas, escritores e(m) textos clássicos e contemporâneos (embora estes não sejam conceitos necessariamente opostos): Antônio Fraga, Marcelino Freire, Ferréz, João Antônio, Ronaldo Bressane, João Paulo Cuenca, Joca Reiners Terron, Rubem Fonseca e Carlos Drummond de Andrade, entre outros. Este último comparece com o poema “Favelário Nacional”, de 1984.
Curioso, por exemplo, ler “Quarto de despejo”, excertos do livro homônimo – um diário – de Carolina Maria de Jesus, publicado em 1960; em “Cenas da favela”, são preservados os “erros” gramaticais da autora – mineira, neta de escravos, favelada, catadora de papel e escritora.
Entre o lírico e o trágico, o belo, para além de estereótipos. Balas perdidas, bailes funk, bocas-de-fumo, pagodes, a linguagem ligeira, “inculta” e sincera das ruas, becos, vielas – a favela na literatura, a literatura na favela.
*correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

