este artigo inspirou-me este texto. josé teles, em sua coluna “toques“, no jornal do commercio, publicou, hoje (27), o que segue abaixo, que eu não poderia deixar de (re-)publicar aqui:
Forró não é para tirar pé do chão
Dois anos atrás vi Marinês no Sítio da Trindade, cantando para uma platéia apática. Achei que aquilo se devesse ao fato de Marinês ter feito sucesso nos anos 60 e a maioria do público ser formado por pessoas com menos de 30 anos. Ela desfiava uma série de clássicos, Peba na pimenta, Balanceiro da usina, Ouricuri, Pisa na fulô, Siriri sirirá, e o povo nem aí. Um ou outro casal arriscava um arrasta-pé. Este ano vi Dominguinhos, no mesmo Sítio da Trindade. Choveram aplausos quando ele apareceu no palco. Mas durante o show, novamente, pouquíssimos casais dançavam. E olha que Dominguinhos tem mais espaço na mídia do que o que se dedicava a Marinês em seus últimos anos de vida. Tenho sede, Só quero um xodó, Sala de reboco, participação de Jorge de Altinho, músicas de Luiz Gonzaga, e nada, o público permanecia apático.
A razão? Os mais jovens estão condicionados a só dançar se tiver um cantor/professor no palco, comandando a aeróbica. Sem um “Tira o pé do chão, Recife!”, “Quero ver os bracinhos no ar!”, ninguém se mexe. É preciso recondicionar o pessoal a responder a outros estímulos e distinguir música de qualidade de volume de som. É a síndrome da axé music. As bandas de fuleiragem music, as bandas de calypso e zouk do Pará valem-se dos mesmos artifícios das bandas baianas. Precisa o povo aprender, pois que forró não é para tirar o pé do chão. Pelo contrário, é para arrastar o pé no chão, na base da chinela!
José Teles
