O Quinteto da Paraíba virou sexteto e com a estrela principal da noite, Chico César, vimos e ouvimos sete – conta de mentiroso, é o que se diz no Nordeste – homens quebrando as linhas tênues que se impõem entre música “erudita” e a música “popular”. Ouvimos simplesmente música. Mas não música simples.
Sem caneta e bloquinho à mão – tenho procurado relaxar fora de ambientes de trabalho – não anotei nomes da metade do sexteto (e para não ser deselegante com a outra metade, não cito quem lembro “de cabeça”), agora com percuteria (lembro da piada, mas se não for o próprio Chico contando, não tem graça), modificado desde o disco que dá nome ao show: De uns tempos pra cá, música belíssima que ofereci ao casal amigo, ao lado, Andréia e Salim, que dividiu mais este agradável momento conosco, a quem meio que auto-ofereci Por que você não vem morar comigo?, brega que eu já tinha dedicado a Graziela numa coletânea que gravei por ocasião de algum aniversário de namoro.
Por demais asséptico, o ambiente do Centro de Convenções Governador Pedro Neiva de Santana, climatizado até, não permitia cervejas e fiquei imaginando como seria tomar umas com Chico César, ele de humor sutil e refinado no palco, contando causos, cantando e recitando versos de seu Cantáteis – Cantos elegíacos de amozade, longo poema lançado em livro (e depois em disco, com o próprio declamando) mais ou menos na mesma época do disco que batiza o show do Projeto MPB Petrobrás, ontem (27) aberto pelo maranhense Daffé.
O repertório variou entre músicas de De uns tempos pra cá, de seus discos anteriores e do próximo – já à venda no sudeste do país: “A semente é aqui no Nordeste, mas o fruto é lá”, disse o compositor criticando a dinâmica mercadológica. Em Outono aqui (sua versão para Autumn leaves, de Joseph Kosma, Jaques Prevert e Johnny Mercer), ele jogou o chapéu no chão, feito flor ou folha que cai, como manda a estação. Em Mama África – música que seria novamente cantada no bis, de pé, por todas as almas que lotavam o espaço – girou o pé por sobre o chapéu, feito um pedalante Robinho. Em Mulher eu sei, fez ouvir o coro: “Agora só os rapazes”. Depois de Pensar em você, contou a história de mais uma música feita para – e não gravada por – Roberto Carlos. “Mas uma grande cantora daqui, chamada Rita Ribeiro, gravou e fiquei muito contente”, confessou. Sozinho ao violão, desfilou ainda, entre outras, Onde estará o meu amor?, já gravada por Maria Bethânia. Sem se importar com a ausência de uma sanfona ou pandeiro, ainda mandou forrós, cocos e passeou pelos repertórios de Djavan e dos Gonzagas, Luiz e Carlos, sim, o da versão brega em português de Diana (versão de Fred Jorge para a música de Paul Anka). Quase ao final, mandou Pelado, do a ser lançado em breve Francisco Forró y Frevo, música que tira uma onda com freqüentadores de micaretas e “usuários” de abadás em geral.
No bis, Filme triste (versão de Romeu Nunes para música de John D. Lourdermilk) – clássico jovem-guardesco gravado por Chico César nalgum tributo ao “movimento” que tornou conhecido o “rei” – e Odeio rodeio, parceria sua com Rita Lee. A depender da letra da primeira faixa de seu Compacto e Simples, o paraibano nunca irá à Paraibano/MA.
[*Por causa de um ingresso de um festival matou roqueira de 15 anos é título de uma das faixas de De uns tempos pra cá. O blogueiro faltou aula ontem para ver o show]

Não fui ao show, mas a sua boa narrativa a respeito me fez pensar que perdí algo muito bom e belo.>Abs>Lena
meu texto é fichinha perto do que vi/ouvi. sim, você perdeu algo muito, muito bom e muito, muito belo. abração!
Enquanto isso na sala do 3º período de jornalismo…>eu, tentando ser responsável,emburrada,fazendo caretas, olhando pro relógio e imaginando como o show seria um milhão de vezes melhor do que a aula de ciências políticas.>>Já disse que te odeio por isso,né?>kkkk
pô, paulo rios que me perdoe, risos… abração!
toda essa riqueza de detalhes porque você estava sem o bloco. Imagina se estivesse…>>;p
compensei a falta de bloquinho com a falta de cerveja. tivesse bebido lá ia embora a memória, risos. abração!
Faltou você falar que ele desfilou por Heitor Vila Lobos no trenzinho do caipira…
mesmo sem álcool, tem hora que a memória falta. valeu, novarck! abração!