AINDA RETRATOS

Em setembro de 2006, Tião Carvalho passou por São Luís para lançar Tião (Carvalho) canta João (do Vale), belo disco em que presta merecidas homenagens ao “maranhense do século XX”.

Fez show inspirado (como o disco) no Arthur Azevedo. Aproveitando sua visita à Ilha (de lá para cá, já rolaram outras e a gente se topou em praticamente todas), entrevistei-o para o Overmundo e postei as “sobras” cá no blogue. O descontraído bate-papo se deu em um fim de tarde numa barraca da Avenida Litorânea. Fiz fotos que ilustraram o(s) texto(s) e Carla Modesto, à época produtora do cidadão paulistano nascido em Cururupu, fez o registro “álbum de família”, que recebi por e-mail ontem e penduro abaixo.


[Da esquerda para a direita: o blogueiro, Solange (mamãe), Mayara (sobrinha) e Tião Carvalho, com Luziana (irmã), meio-agachada à frente]

BOAS COMPANHIAS

(OU: MATANDO A CURIOSIDADE)

Eu sempre falo da revista tal, do disco tal, do livro tal, do não-sei-o-quê-tal e prometo mostrar essas tais coisas para Paula Brito. Prometo e nunca levo, nunca cumpro. Não por ruindade ou falta de vontade, ma(i)s por correria, esquecimento, blá blá blá.

Outro dia, quando lhe disse que usava o cabelo não sei de que tamanho, um cavanhaque assim assado, pochete, o escambau, ela não acreditou. Ou acreditou, mas queria ver fotos. Fiquei de levar. Nunca levei.

Hoje, vasculhando uns cds de back-up em busca de imagens para divulgar a apresentação de Joãozinho Ribeiro no Clube do Choro Recebe, sábado que vem, acabei achando as que penduro aí abaixo, e mato duas curiosidades: a de Paulinha e a que o/a leitor/a não tinha.


2004, Bagdad Café: eu converso (e bebo) com Chico Saldanha.


No mesmo 2004, no mesmo Bagdad Café, eu bebo (e converso) com Cesar Teixeira.

Bem penteado, bem barbeado e bem arrumado, nem tanto, mas de uma coisa me orgulho: sempre procurei andar bem acompanhado. Um beijo, Grazi!

SUELY’S SWING

“Conta pra pagar vira lixo”. Pra começar bem a semana, Vira lixo, parceria de Suely Mesquita com Chico César. A bela música, já gravada por Ceumar, ganha interpretação da autora em seu novo disco, Microswing, sobre o que escreverei em breve, aguardem.

O vídeo é da Marisa Porto, que ajudou a cantora na escolha do figurino e capturou as imagens em pocket show de lançamento, em São Paulo. Era aniversário da Suely (7/8), a quem mandamos nosso abraço atrasado. Sucesso, moça!

UM SÁBADO INESQUECÍVEL

Sempre serei suspeito ao emitir qualquer opinião sobre o Clube do Choro Recebe, afinal, sou o assessor de imprensa do projeto. Tarefa, aliás, fácil: dizer que é bom o que é realmente bom somada ao meu entusiasmo com iniciativas dessa natureza, moleza. O grande tr(i)unfo dos saraus semanais, a meu ver, são as surpresas que cada um guarda. Em resumo, é o seguinte: se você perdeu sábado, sábado que vem não será igual ao que passou. Nenhum sábado é igual ao outro. E isso não se dá apenas por mudarem os grupos anfitriões, convidados e canjeiros. Há algo mágico, inexplicável mesmo.

Ontem (9), pela primeira vez, o Choro Pungado apresentou-se inteiro: João Neto (flauta), Luiz Cláudio (percussão), Luiz Jr. (violões de seis e sete cordas), Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho) e Rui Mário (sanfona). Explico: desde que formado, o grupo que mescla choro aos ritmos da cultura popular do Maranhão, por problema de agendas das feras que o compõem, sempre se apresentava, no máximo, como um quarteto. Entre composições próprias, choros clássicos – Jacob, Pixinguinha, Nazareth etc. – baião e tango (o Libertango de Piazzolla), um set memorável.

Depois era a vez do Criolina. Com proposta parecida com a do grupo anfitrião, Alê Muniz e Luciana Simões vêm construindo sua trajetória liquidificando influências. O “quando eu penso no futuro não esqueço do passado” de Paulinho da Viola: um pé na tradição, outro na modernidade, tambor de crioula com rock’n roll, bumba-meu-boi com jazz, blues com “brega”, Maranhão com mundo. No repertório, gotas de Criolina, seu homônimo disco de estréia, João Bosco, Chico Buarque, Josias Sobrinho, sambolero e o gingado da pequena e desinibida Emília (filha-bonequinha de Raquel Noronha), que subiu ao palco e dançou em Veneno, um dos hits d’Alê/Lu.

Simpatia. Energia. Vibração. Alegria. Alê Muniz e Luciana Simões podem ser traduzidos – em parte: se você perdeu, este texto não chega perto do que rolou ontem, é sério! – por estas palavras. Extremamente carinhosos e generosos com o Clube do Choro Recebe, agradeceram o convite. “Que é isso, nós é que agradecemos”, disse-lhes depois. Antes, no palco, Alê soltou: “Eu ‘tava pela Praia Grande quando um amigo me convidou para participar. Disse que o projeto era bacana, mas eu não sabia que era tão legal assim. Valeu, Zema!”. De minha mesa fiz-lhe um sinal de positivo. Ok, nós é que agradecemos, eu repetiria.

Com tanta porcaria que se ouve por aí, Criolina é solvente para higienização de ouvidos mal-educados. Somados ao Choro Pungado, então… Se sete é conta de mentiroso, como somos acostumados a ouvir por aí, digo-lhes uma verdade: a soma de duo + quinteto foi das melhores coisas que já vi no palco do Chico Canhoto. Que, aliás, ontem, ficou no meio do salão, para lembrar uma roda de tambor de crioula. Mas, como disse no início, nenhum sábado é igual a outro.

No próximo, aviso-lhes em segunda mão, que Ricarte já deu minutos antes, logo na abertura do Chorinhos e Chorões especial de dia dos pais (pô, Ricarte, mandar de saída Naquela mesa foi matador: meus olhos se encheram d’água e quase não consigo terminar esse texto…): sábado que vem (16), o Instrumental Pixinguinha recebe Joãozinho Ribeiro. Mais, digo depois.

8/8/8: UM ANO SEM VIANA

Nada evoca de especial, em mim, a data de 8 de 8 de 8, isto é, oito de agosto de dois mil e oito. A não ser o fato de meu avô materno, Antonio Viana, completar um ano de falecido, nada mais há de importante. Quer dizer, talvez até haja, mas não pela data em si, a combinação de três oitos e todo o blá blá blá que a cerca.

Com bastante emoção, li o texto que Ricarte escreveu em homenagem a seu pai, com quem aprendeu a amar o choro e a boa música. Lembro de escarafunchar a coleção de vinis de meus avós e começar a ouvir e gostar de Gal Costa, Nelson Gonçalves, Waldick Soriano e Roberto Carlos. Era até engraçado uma criança ouvindo “música de velho”. Como é engraçado, até hoje, embora eu não seja mais criança – será?

É duro, hoje, ouvir Naquela mesa, que Sérgio Bittencourt compôs quando perdeu seu pai, ninguém menos que Jacob do Bandolim. A canção imortalizada por Nelson Gonçalves é duro golpe. Vovô não tocava bandolim, nem qualquer outro instrumento. Ocorrem-me lembranças daquele senhor me levando ao jardim de infância de bicicleta, fazendo a feira. Depois, a gente bebendo cerveja na cozinha da casa onde hoje vovó ainda mora e onde morei até meus sete anos de idade, em Rosário. O dominó na mesa da cozinha, ele, jogador habilidoso, sempre de “peru”, opinando sobre essa e aquela jogada. De seu corpo magro, lado esquerdo paralisado e a tremenda dificuldade para caminhar em seus últimos dias, prefiro não lembrar.

Vô, que Deus te abençoe aí, para que você me dê a bênção cá.

Aos leitores, um feliz dia dos pais!

COMUNISMO (DE) CONCRETO


[foto: Secom/divulgação]

Pouco, quase nada ou nada entendo de arquitetura. Mas não é preciso muito para achar Niemeyer um gênio e achar bonita essa maquete do Museu de Arte Contemporânea de São Luís, que será anexado à beleza do pássaro-memorial da Praça Maria Aragão.

BLOGUEIRO NA MIRA

O texto Benedito Lacerda resgatado em quatro cds, publicado na edição de 29 de julho em O Estado do Maranhão, foi reproduzido no Portal IMirante. (Re-)Leia aqui.

SOLIDARIEDARTE

Quando uma pá de gente boa se junta por uma boa causa, o resultado só pode ser bom. Por isso ‘tou apostando. Mais aqui ou clicando no cartaz pra ampliar.

PROPAGANDA, SERVIÇO, “BICO”

Nunca ganhei dinheiro com campanha política. Nem com política partidária de forma nenhuma. Nas últimas eleições, fui procurado por um candidato para um trabalho. Fiquei de pensar e dar a resposta no dia seguinte. Dei meu preço. E não fiz o serviço, acho que ele achou caro, sei lá, nunca me disse (ele não foi eleito).

Declaro votos de acordo com convicções. E só. No mais, procuro manter-me afastado. O quanto posso, se é que vocês me entendem. A música que ouço em casa é interrompida constantemente por foguetes ao longe. Carros de som. Ao sair de casa, deparo-me com a sujeira de muros e vias entupidas com panfletos.

Eu, particularmente, preferiria um tempo de campanha menor (assim como um intervalo menor entre o resultado das eleições e a posse dos eleitos). Prefiro não acreditar que alguém vote em fulano ou beltrano por conta da carreata ou caminhada deste ou daquele ser mais bonita ou organizada ou ter mais carros e pessoas. Ou pela música deste ou daquele ser uma paródia do sucesso do momento. Ou por combinarem uma com a outra as cores da bandeira do partido deste ou daquele candidato.

Aguardo ansiosamente o início do horário eleitoral gratuito. Quer programa de humor melhor? Nem bem a propaganda (ainda não a de rádio e tevê) começou e já vemos aberrações por aí (talvez este blogue traga algumas, em breve): declarações em entrevistas, erros grotescos no material de campanha, o escambau.

Ontem, após ler panfleto que recebi enquanto caminhava rumo à merecida cerveja de fim de expediente de sexta-feira, pensei em colocar meus serviços de revisão à disposição de candidatos. É honesto e os créditos do trabalho não apareceriam na folhetaria. E nossas risadas ficariam guardadas para as sessões diárias via rádio e televisão – em tese, já que eu revisaria apenas o texto, não o “conteúdo” do mesmo e, para além, há coisas que o photoshop não resolve.

É isso. Se alguém precisar/quiser (ou conhecer alguém que precisa/quer), é só escrever ou ligar: zemaribeiro@gmail.com, (98) 9153-5194. Em tempo: meu lance é só com a redação – nada mudarei de sua “ideologia”, mesmo quando discorde completamente dela. Adianto que não sei usar photoshop (que, aliás, nem sei se se escreve assim, palavra que você certamente não usará em seu texto “publicitário”). Ah, e só mais uma coisinha: nada de fiado ou “quando eu for eleito a gente acerta”.

PROPAGANDA, SERVIÇO, "BICO"

Nunca ganhei dinheiro com campanha política. Nem com política partidária de forma nenhuma. Nas últimas eleições, fui procurado por um candidato para um trabalho. Fiquei de pensar e dar a resposta no dia seguinte. Dei meu preço. E não fiz o serviço, acho que ele achou caro, sei lá, nunca me disse (ele não foi eleito).

Declaro votos de acordo com convicções. E só. No mais, procuro manter-me afastado. O quanto posso, se é que vocês me entendem. A música que ouço em casa é interrompida constantemente por foguetes ao longe. Carros de som. Ao sair de casa, deparo-me com a sujeira de muros e vias entupidas com panfletos.

Eu, particularmente, preferiria um tempo de campanha menor (assim como um intervalo menor entre o resultado das eleições e a posse dos eleitos). Prefiro não acreditar que alguém vote em fulano ou beltrano por conta da carreata ou caminhada deste ou daquele ser mais bonita ou organizada ou ter mais carros e pessoas. Ou pela música deste ou daquele ser uma paródia do sucesso do momento. Ou por combinarem uma com a outra as cores da bandeira do partido deste ou daquele candidato.

Aguardo ansiosamente o início do horário eleitoral gratuito. Quer programa de humor melhor? Nem bem a propaganda (ainda não a de rádio e tevê) começou e já vemos aberrações por aí (talvez este blogue traga algumas, em breve): declarações em entrevistas, erros grotescos no material de campanha, o escambau.

Ontem, após ler panfleto que recebi enquanto caminhava rumo à merecida cerveja de fim de expediente de sexta-feira, pensei em colocar meus serviços de revisão à disposição de candidatos. É honesto e os créditos do trabalho não apareceriam na folhetaria. E nossas risadas ficariam guardadas para as sessões diárias via rádio e televisão – em tese, já que eu revisaria apenas o texto, não o “conteúdo” do mesmo e, para além, há coisas que o photoshop não resolve.

É isso. Se alguém precisar/quiser (ou conhecer alguém que precisa/quer), é só escrever ou ligar: zemaribeiro@gmail.com, (98) 9153-5194. Em tempo: meu lance é só com a redação – nada mudarei de sua “ideologia”, mesmo quando discorde completamente dela. Adianto que não sei usar photoshop (que, aliás, nem sei se se escreve assim, palavra que você certamente não usará em seu texto “publicitário”). Ah, e só mais uma coisinha: nada de fiado ou “quando eu for eleito a gente acerta”.

AGOSTO (E SETEMBRO) DOS CHORÕES

Choro sábado e domingo, a gosto dos caros leitores. Sobre domingo, mais e melhor aqui.

Tento explicar. “Eu tô te explicando pra te confundir” (como escreve Tom Zé). João Pedro Borges fará participação especial durante a apresentação de Eudes da Madre Deus, na primeira edição de agosto do Projeto Clube do Choro Recebe, sábado. Ainda este mês, já estão confirmadas apresentações de Criolina (Alê Muniz e Luciana Simões), Joãozinho Ribeiro, Lena Machado e Léo Spirro (que comemorará seus 70 anos de vida presenteando-nos com seu belo canto). E mais não digo, ao menos por enquanto, para não estragar-lhes as surpresas.

Domingo, o Chorinhos e Chorões (Rádio Universidade FM, 106,9MHz, 9h) traz gravação inédita de concerto apresentado por João Pedro Borges há sete anos no Teatro Arthur Azevedo, com participação especialíssima de Célia Maria, além do regional formado por Celson Mendes (violão), Paulo Trabulsi (cavaquinho) e Lazico (percussão).

Há um desejo enorme de reapresentar algo parecido, ao vivo: em setembro, mês de aniversário da cidade e do Projeto, o Clube do Choro do Maranhão está buscando viabilizar uma programação especial, de comemoração, durante todo o mês. Num dos sábados reeditará o encontro de um gênio do violão com uma diva do canto (maranhense que gravou um belíssimo disco e nunca fez um show de lançamento. E já se vão cinco anos, se o juízo não me falha…). E mais, vamos dizendo por aqui, “devagar, miudinho, devagarinho” (como canta Paulinho da Viola). E sempre.