não tenho ofício
poema pra mim
é vício
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O EXORCISTA INFORMAL
mil vezes maldito
no meu milagre
eu mesmo acredito
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NOCAUTE JACK
O poeta é fútil
a coisa é boa
o poema ba(s)te
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MISHIMA
poeta samurai
fez hara-kiri
em vez de hai-kai
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O QUE POUND DISSE
A ZÉ LIMEIRA NO PURGATÓRIO
– Arre égua!
Teu Paideuma
é paidégua.
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48 HS NOIR
a menos que seja tarde
é só uma noite a mais
trama banal em preto e branco
dessa produção classe b
saxofones desamparados
na hora do prejuízo final
a menos que a manhã tarde
será só mais um lero
último elo escle/rosado
entre a fala morrendo na boca
e a cor do dia nascendo
entre o oco do copo
e o de quem está bebendo
breve
mente
mais
ou
menos
a menos que eu esteja
enganado
ainda é cedo
e nada mais arde
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Poemas de Fernando Abreu, de sua estréia Relatos do Escambau (Exodus, 1998). Quarta-feira baixo com ele em Capinzal do Norte dentro do projeto Conversas Literárias, a convite da queridamiga Marla Silveira (BPBL), que organiza/coordena a parada.
