SER OU NÃO SER? GAYS A QUESTÃO

“Se as pessoas discutissem política como discutem futebol, talvez vivêssemos num país melhor”. Quando minha namorada disse-me isso, dias atrás, concordei discordando: o que ia mudar seria somente a freqüência, mas as discussões continuariam rasas. Em geral – em geral, repito – as pessoas discutem futebol de forma apaixonada, se ligando apenas em torcer pelo time A ou B, X ou Y. E discutem política assim também: se o político – na verdade, geralmente discutem o “candidato”, não o “político” ou “a política” – A é melhor que o B e fico por aqui para não baixar a outro nível do debate: se A pode lhes dar algo mais que B etc.

Um ouvido no rádio, o resto dos sentidos no trabalho, hoje pela manhã eu ouvia uma entrevista com o candidato Flávio Dino (Coligação Unidade Popular – PC do B/PT). Soube, não pelo rádio, que andaram plantando boatos de que o candidato que tem meu apoio nestas eleições – não tem meu voto só por eu não votar em São Luís – é/seria gay. Questão irrelevante, ao menos para mim.

Aí vai um ouvinte, por telefone, e tasca a pergunta, algo assim, cito de memória: “o senhor é a favor ou contra o casamento entre homossexuais?” É o raso debate, seja em se tratando de futebol ou política: um prefeito municipal – seja lá de capital ou interior, fique lá onde fique a cidade por ele capitaneada – não tem que ser a favor ou contra casamentos, dê-se entre quem se dê (perdão dos trocadilhos infames não-intencionais): isso deve ser preocupação de padres e juízes (vá lá, Flávio Dino foi juiz um dia). E se o prefeito – ou o candidato – é gay ou não, não creio que isso seja problema da população, sequer é de quem vota/votou nele: aí reacende-se o debate entre as linhas tênues entre vida pública e privada: é interessante saber, por exemplo, das festas de aniversário da filha da Xuxa? Sacam?

Bom, em São Paulo, provavelmente em maior escala, acontece o mesmo. “Debate” da hora: Kassab é ou não gay? Questão irrelevante, ao menos para mim. Não vou fazer carnaval só por se tratar de candidato do DEM, partido que tem minha ojeriza em tempo integral (ponham aí nesse anti-altar o PSDB também). Sobre o assunto, recomendo a leitura do sempre lúcido Pedro Alexandre Sanches. E boas risadas com o sempre genial Paulo Stocker:

2 respostas para “SER OU NÃO SER? GAYS A QUESTÃO”

  1. Alguém perguntou à Flávio, dia desses, se ele era/é gay. Ele respondeu: “Não sou. Se fosse, assumiria. Não tenho problemas com isso, respeito que é e acredito quetodos têm suas opções. Entretanto, gostaria de dizer que sou hetero e hetero praticante!” Gostei tanto de “hetero praticante” que já usei no meu blog tb.heh.

diga lá! não precisa concordar com o blogue. comentários grosseiros e/ou anônimos serão apagados