As Tribunas Culturais que ainda não havia re-publicado aqui.
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4 de outubro
TRIBUNA CULTURAL
por Zema Ribeiro*
(C)OBRA(NÇA)S COMPLETAS
Aos 20 anos da subida de Paulo Leminski já não é hora de alguma editora devolver sua obra (fora de catálogo) ao público?
[Leminski em clique de Julio Covello]
“Leminski,/ ei, psiu, sou eu Beleléu/ não fui no enterro teu/ porque você não irá no meu/ estamos quites, adeus”. Poema de Itamar Assumpção publicado na edição de 8 de junho de 1989, um dia após a subida do poeta samurai, do londrinense Jornal da Tarde, era uma forma de o amigo homenageá-lo.
Boêmio inveterado, tudo em Paulo Leminski (24/8/1944-7/6/1989) eram extremos. Ele mesmo se definia: “o pauloleminski/ é um cachorro louco/ que deve ser morto/ a pau a pedra/ a fogo a pique/ se não é bem capaz/ o filhadaputa/ de fazer chover/ em nosso piquenique”.
20 anos após “pedir a conta” – expressão que ele mesmo usava para definir a morte – reli sofregamente Paulo Leminski – O bandido que sabia latim (2001), sua biografia assinada pelo jornalista e amigo Toninho Vaz – cujo título é tirado de outra expressão que Leminski, poliglota autodidata, usava para se definir.
Em São Paulo, o Itaú Cultural, com curadoria do também jornalista e amigo Ademir Assunção, coloca em cartaz (estreou dia 1º.) a exposição Ocupação Leminski: 20 anos em outras esferas, que reúne obras, fotografias, (ampliações de) poemas, objetos pessoais e guardanapos – verdadeira usina humana de poesia, o paranaense usava o que tivesse a mão para registrar o que depois ganharia forma final em frente à máquina de escrever.
Em minha cabeça não para nem silencia o eco de seus versos, vistos e ouvidos na tevê – saudade: “moinho de versos/ movido a vento/ em noites de boemia/ vai vir o dia quando tudo que eu diga/ seja poesia”. Já é mais que hora de alguma editora reunir e lançar em um volume suas obras completas. Espero escrever sobre por aqui em breve.
*Zema Ribeiro escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com
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27 de setembro
TRIBUNA CULTURAL
por Zema Ribeiro*
MPB: MÚSICA PROFUNDAMENTE BRASILEIRA
Primeiro disco completamente inédito do Garganta Profunda tem primorosas execuções de obras de novos nomes da MPB.
[Garganta Profunda, risos largos]
Garganta Profunda é um conjunto vocal muito preocupado com o instrumental, o que lhe garante um diferencial – perdão das rimas pobres – entre seus pares. As letras também merecem atenção especial – de novo.
Em Quando a esquina bifurca [Rob Digital, 2008, R$ 22,20, no site http://www.robdigital.com.br] o quinteto se divide entre os solos vocais, arranjos, composições, execuções e produção. Marcelo Caldi (voz, teclado, piano, sanfona, direção musical e concepção), Maurício Detoni (voz, violão), Kátia Lemos (voz), Fabiano Salek (voz, bateria e percussão) e Regina Lucatto (voz) dão conta do recado. Salek e Lucatto, respectivamente, filho e viúva do maestro Marcos Leite (1953-2002), fundador do grupo. As mulheres são as únicas remanescentes da formação original, que já chegou a congregar 23 cantores.

[Quando a esquina bifurca. Capa. Reprodução]
O grupo conta com participações especiais de Edu Krieger (baixo, violão sete cordas), Nilze Carvalho (cavaquinho), PC Castilho (flauta) e Nicolas Krassik (violino) e se vira bem entre samba (Motivo para sorrir, de Fabiano Salek e Nilze Carvalho), Xote (de Marcelo Caldi), a melancolia da faixa-título (de Thiago Amud) e o pop-ficção de O contador de estórias (de Edu Kneip).
Quando a esquina bifurca é nono disco da carreira – o primeiro de repertório completamente inédito – do Garganta Profunda, que já conta mais de vinte anos. Há dez anos recebiam o Prêmio Sharp de melhor grupo de MPB.
*Zema Ribeiro escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com
