CAPITOSO TALENTO

As primeiras coisas que me ocorrem procurar, por exemplo, em um shopping center qualquer, são livrarias e lojas de discos. Sinto saudades de um tempo em que existiam lojas que vendiam “apenas” discos. Livrarias ainda existem umas poucas em São Luís – sebos também.

Já não é a mesma coisa, mas as seções de discos de lojas de departamentos às vezes me quebram um galho. Além de umas promoções vez por outra interessantes, dá pra sentir o gostinho de procurar algo e esbarrar em outra coisa, ou que você não procura ou de que você nunca tinha ouvido falar.


[Reprodução]

Foi assim que conheci Ceumar. Dindinha [capa acima], seu disco de estreia, produzido por Zeca Baleiro, já tinha certo tempo de lançado. Passava eu pela Rua de Santana quando adentrei uma loja, especializada na verdade em brega, forró, pagode e quetais. Tipos de música de que em geral não gosto – sempre há exceções.

Entrei por já ter achado, na mesma loja, em outras visitas, verdadeiras raridades naquelas caixas de promoção, com “qualquer disco a R$ 5,99”, por exemplo – foi lá, e por esse preço, que antes ou depois de levar a mineira para casa, já não lembro, adquiri o História antiga, do Renato Braz, disco (e cantor) de que também gosto bastante.

Mas voltemos a Ceumar e a primeira vez em que me deparei com ela. O disco não estava numa das promoções – era até caro para os padrões da época. Não resisti ao ver, na contracapa, os nomes de Itamar Assumpção, Josias Sobrinho e Zeca Baleiro, além de outros por quem já nutria admiração. Além do belo sorriso da moça. Além do belo desenho – dela mesma, descobriria depois – da capa.

“Divinha o que primeiro/ vem amor ou vem dindim/ Dindinha, dê dinheiro,/ carinho e calor pra mim”. Corto para já em casa, botando o disco pra rodar, a Dindinha de Zeca Baleiro tão bem imortalizada por Ceumar. Depois Itamar Assumpção e seu Banzo, dos versos “Às margens do rio Sena/ me lembro do Amazonas/ da minha raça morena” e saudades outras (Itamar, hoje uma saudade, apareceria com sua “voz de preto velho”, como creditado no encarte, na Rosa Maria de Josias Sobrinho).

Tive a certeza imediata de ter feito uma belíssima aquisição. E ainda não havíamos chegado a interpretações da musa de Itanhandu para Josias Sobrinho, Sinhô, Zé Ramalho, Chico César, Luiz Gonzaga, Jacinto Silva, Onildo Almeida, Luiz Gonzaga e outras de Zeca Baleiro, entre outras.

Ao fim do disco, uma certeza, uma vontade: ouvi-lo novamente. Não para confirmar o talento de Ceumar. Mas para repetir a dose de prazer. O canto dela “é um capitoso vinho/ que nos embriaga com um só pinguinho”, como diz, sobre o amor, a letra de Maldito costume (Sinhô).

Dali por diante, acompanho com especial atenção sua carreira: saiu disco novo – dela ou com sua participação no disco de outro artista – já mando buscar (em faltando lojas de discos em São Luís, a internet me salva). Shows na Ilha, não perco um. E tendem a rarear, com a moça agora morando na Holanda. Por isso, também, vou a (mais) este:

SERVIÇO

O quê: show de Ceumar. Participação especial de Tássia Campos.
Quando: dia 31 de julho (sábado), 20h.
Onde: Teatro João do Vale (Rua da Estrela, Praia Grande)
Quanto: R$ 25,00 (metade para estudantes. Ingressos à venda na Lima Dias Turismo, Rua Cândido Ribeiro, 134, sala 205, Centro).
Produção: Musikália Produções.
Maiores informações: (98) 3221-3364, 8858-3641, 8189-4447.

2 respostas para “CAPITOSO TALENTO”

  1. Olá Zema,

    Conheci a tal loja de discos, na Rua de Santana, inclusive, escrevi um texto muito parecido com o seu, no momento da passagem de Jards Macalé por aqui em 2002.

    Naquela lojinha comprei por um precinho bem bacana CDs de Jards Macalé, Jorge Mautner, Itamar Assunção, Paulinho da Viola, entre outros belos e malditos.

    Abraços

  2. acho que meu “beleléu” e meu “o q faço é música” comprei lá. li outro dia teu texto sobre lobo n'o estado. mas não consegui encontrar o imparcial com o texto sobre o show da plebe. vais ver/ouvir ceumar? abraço!

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