A gosto do freguês (de bom gosto):
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ainda compra discos, livros e jornais. Blogue de Zema Ribeiro. Afiliado ao Farofafá
Doc de Doty Luz e Humberto Capucci realizado por encomenda do Comitê de Monitoramento das Políticas Voltadas às Vítimas das Enchentes no Maranhão, formado por diversas organizações de direitos humanos do estado, Aperreio cumpriu as expectativas de denunciar as mazelas causadas pelas águas, “quando a seca não mata/ a chuva arrasa” (Joãozinho Ribeiro), e foi além. Tendo participado de diversos festivais desde seu lançamento, há quase um ano, acaba de ser selecionado para mais um: o Curta Kinoforum, o Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, que em 2011 chega a sua 22ª. edição.
O festival acontece na terra da garoa entre 25 de agosto e 2 de setembro e os filmes que integram a mostra competitiva poderão, antes, ser vistos, baixados e votados pela internet, fiquem ligados.
Este blogue já pendurou Aperreio acá em duas partes.
Comparada com o passado, a época atual lida melhor com o choque e as quebras de convenção. Tanto que a ideia de algo maldito, renegado, uma constante na história da literatura, hoje parece bem mais rara – mesmo as obras que rompem com a moral, com as convenções estéticas e com os paradigmas do tempo atual são facilmente aceitas, concorrem a prêmios disputadíssimos e recebem críticas elogiosas até mesmo de acadêmicos respeitados. Apesar disso, a Companhia das Letras decidiu agora lançar uma coleção, a Má Companhia, apenas com livros polêmicos, politicamente incorretos e “malditos”. Algo estranho, quando o controverso parece cada vez mais aceito.
Não que o “maldito” não exista mais. Na verdade, escolher o que merece o adjetivo parece ser algo como tachar algum autor de “poeta marginal”. Nos dois casos, é claro que existem traços que levam leitores, crítica ou mercado a fazerem a relação entre os vagos conceitos e a obra. O problema é que o termo acaba funcionando como uma prisão tautológica, uma definição e um limite que o escritor vai passar a carreira tentando superar. Uns parecem conformados e até satisfeitos com a alcunha, mas, mesmo para esses, ela normalmente não passa mais do que um recurso preguiçoso para estabelecer a imagem contracultural de sua produção.

Até agora, o selo da editora paulista possui três títulos lançados, além da confirmação de lançamentos futuros. A coleção começou com Tanto faz e Abacaxi, obras de Reinaldo Moraes da década de 1980 reunidas em um único volume, e O invasor, de Marçal Aquino, que completou dez anos de sua primeira publicação. Os dois livros, como propõe a coleção, saíram em formato pocket, com um belo projeto gráfico do Estúdio Retina 78.
Em julho, mais um título: Sonetos Luxuriosos, de Pietro Aretino, com tradução e apresentação do falecido poeta José Paulo Paes. A obra, escrita originalmente no século 19, mostra bem o movimento da coleção de referir-se a livros que se marcam como polêmicos e malditos em relação a um contexto específico, mas que conseguem carregar essa fama até os dias atuais.
Isso parece evidente mesmo nos lançamentos mais recentes, como O invasor e Não há nada lá (2001), de Joca Reiners Terron, que deve sair neste último semestre do ano. Eles se reportam sempre ao seu momento histórico e à reação da crítica e do público daquele instante, ao que se convencionava como status quo literário da época.
Segundo Joca Reiners, a ideia da coleção da Companhia das Letras veio de um jantar com o fundador da editora, Luiz Schwarcz, e Marçal Aquino. “Eu vinha fazendo a piada de que criaria uma nova editora chamada de Má Companhia das Letras desde uma conversa que tive com o escritor Paulo Sandrini no Encontros de Interrogação, evento no Itaú Cultural em 2004”, lembra Joca Reiners. A brincadeira incluía imaginar versões “maléficas” dos elegantes logos da casa, com aviões explodindo e carros colidindo. “No jantar, depois de uns goles, arrisquei contar a piada ao Luiz. Para minha surpresa, ele a levou a sério”.
Maldições Literárias – Em entrevista ao Pernambuco de fevereiro, Reinaldo Moraes comentou parte do processo de releitura e re-edição de suas duas obras. Ambas contam com o mesmo personagem, o jornalista Ricardo de Melo, narrando suas vivências com mulheres, porres e escatologias – como o próprio autor descreve, “um Ulisses avacalhado que vive atrás de umas nereidas”. “Só dei umas garibadas pontuais no texto, sem mexer na estrutura das frases nem nos coloquialismos ‘de épóca’. Mexi onde achei legal mexer pro texto fluir e ‘dizer’ melhor. Como dizia o Murilo Mendes, outro grande mexedor de obras relançadas, posso mexer à vontade, pois não sou meu sobrevivente, sou meu contemporâneo”, revelou o escritor na ocasião.
Já o primeiro lançamento de O invasor, de Marçal Aquino, se deu simultaneamente à finalização do filme do seu parceiro Beto Brant. Com a edição anterior esgotada, o livro volta às prateleiras acompanhado do roteiro da película e de fotos da filmagem. A obra é descrita pelo escritor como um “policial puro-sangue”, tratando, com um ponto de vista pessoal, dos planos de dois engenheiros paulistas para matar seu sócio.
Não há nada lá, de Joca Reiners, traz em seu próprio enredo as marcas do adjetivo “maldito”. William Burroughs, Rimbaud, Raymond Roussel, Aleister Crowley e Torquato Neto são alguns dos interlocutores da obra, marcada por uma prosa ousada e experimental . “O livro trata de preocupações muito em pauta na virada do século, como a do fim do mundo, a da extinção do livro etc. Foi escrito sob essas condições”, descreve. Segundo ele, a obra ainda faz a defesa de uma literatura imaginativa, em detrimentos dos valores jornalísticos e naturalistas – para a nova versão, recebeu uma apresentação bastante elogiosa assinada pelo escritor catalão Enrique Vila-Matas.
Como é de se imaginar, republicar o texto finalizado há dez anos trouxe alguns incômodos. “É muito difícil. Sinto grande dificuldade em reler coisas antigas. É como se ver numa foto na qual você não se reconhece mais”, revela Joca Reiners. O livro, segundo ele, traz as marcas de uma época em que ele levava sua “tendência à pompa” a sério, o que levou ao corte de alguns excessos e à revisão de frases, buscando uma maior clareza.
Sobre o selo que ajudou involuntariamente a criar, o escritor diz não conseguir enxergar o que há de exatamente em comum entre sua obra e os demais títulos da coleção. Para ele, na verdade, há pouco em comum em quaisquer dos livros seus. “No Não há nada lá eu ainda tinha cabelos, e talvez por isso o texto fosse mais barroco e as ideias mais complicadas. Hoje sou completamente careca e busco ser mais direto”, reflete bem-humorado.
Incluído no rótulo, Joca Reiners se reporta às origens do adjetivo para aceitar a alcunha. “Existe aquela literatura designada ‘maldita’ por Paul Verlaine, que organizou uma antologia de poetas do século 19 com esse título. Na época, esses poetas (Rimbaud e Corbiére entre eles) não tinham recebido a atenção que mereciam”, conta. “Nos dias de hoje, creio que quase toda a ficção literária é maldita, pois merece pouca atenção do público leitor, cada vez mais adepto da não-ficção. A única maldição a ser evitada é aquela que o escritor cria para si próprio”.
Assim, para ele, além da temática, a restrita primeira edição de Não há nada lá, com apenas 500 exemplares, que saiu pela Ciência do Acidente, é o seu próprio atestado de marginalidade e maldição. Já Reinaldo Moraes, um dos autores no Brasil que mais recebe a adjetivação de “maldito”, conta que se vê, por meio de resenhas de jornalistas, acadêmicos e blogueiros, “perigosamente próximo ao mainstream literário, não mais estacionado na margem”. Mas se diz ciente do perigo: “Sei que isso é momentâneo e pode mudar a qualquer momento”.
Como amigo de André Conti, responsável pelo selo, Joca Reiners promete, depois de ter um papel importante no surgimento da coleção, continuar participando dela, ao menos como opinante. “Fico enchendo o saco do André Conti, o editor, com sugestões”, confessa. A atitude é completamente compreensível. Afinal, no fundo, os leitores parecem saber que a literatura que marca verdadeiramente a vida pessoal é aquela suja, sem amarras, tanto comprada como lida de forma escondida e obscura. Talvez só através dos malditos é possível ser contaminado pela maldição da literatura.
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Estou re-devorando os dois primeiros volumes lançados pelo Má Companhia. Pesquei o texto acima, do Suplemento Cultural do Diário Oficial do Estado de Pernambuco, nº. 66, páginas 8 e 9 (leia e/ou baixe a íntegra), do tuiter do Joca Reiners Terron, onde soube também que está sendo lançado em Curitiba/PR o jornal literário Cândido, que eu adoraria receber.
Jean Marie Van Damme, da Associação de Saúde da Periferia (ASP/MA), é mais conhecido por João Maria, o aportugueesamento ou, antes, abrasileiramento do nome do padre belga que já conta décadas de Maranhão e é um dos grandes conhecedores de suas realidades social, política e econômica, que ele mesmo, ao longo de tantos anos de trabalho, tem buscado modificar/melhorar.
Batiza este post título de artigo assinado por ele, que tem tido, de ontem pra cá, boa repercussão em listas de e-mails, redes sociais e na tribuna da Assembleia Legislativa, evocado pelo deputado estadual Bira do Pindaré (PT).
Lúcido, oportuno e esclarecedor o texto de João Maria. Leia a íntegra no blogue do Tribunal Popular do Judiciário.
Em determinada altura do dia de ontem, em que aniversariaram meu tio Sérgio Tadeu e meu amigo “presida” Vicente Mesquita (a quem desejo muitos anos de vida e alegrias, mesmo sem ter ligado para nenhum dos dois na data), André Sales, meu amigo editor do caderno Alternativo do jornal O Estado do Maranhão, alcançou-me nalgum desses bate-papos a que pass(am)o(s) (quase) o dia inteiro conectado(s). Perguntava se eu tinha alguma boa foto feita durante o show Bandeira de Aço, sobre o que já escrevi aqui. Eu não tinha. Indiquei o fotógrafo Paulo Socha, a quem vi por entre a plateia. Quando o jornalista perguntou-me se eu não tinha uma caricatura, também foi negativa minha resposta. E perguntei: “Salomão não faz?”.
Não perguntei a ele do que se tratava, mas imaginei que algum comentário sobre o show seria publicado na edição de hoje do jornal. Chegando ao trabalho, o exemplar hodierno não fora recebido por nenhum dos colegas. Acessando o site do jornal, li o belíssimo texto abaixo, que tomo a liberdade de copiar, compartilhando-o com meus poucos mas fieis leitores.
Aliás, tem sido uma delícia ler com relativa constância e constante emoção os textos que Alberto Jr. tem publicado recentemente (por exemplo sobre o show de Marcelo Camelo, sobre o disco novo de Chico Buarque, e mesmo o texto que colo abaixo, que André Sales já havia postado em seu Diário do André; o link original n’O Estado do Maranhão é exclusivo para assinantes).
Alô, Salomão Jr., vou pendurar essa caricatura no peito!
Alô, Alberto Jr., nós merecemos mais que uma atualização mensal do Emepebistas!
PARA ENTENDER CESAR TEIXEIRA
Alberto Júnior
Especial para o Alternativo

Acesse agora o oráculo digital contemporâneo, o Google, e digite o verbete “Cesar Teixeira”. Você vai constatar que existe pouca informação disponível em contraponto à importância que este compositor maranhense tem para a música popular brasileira.
Nem mesmo o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira registra algum tipo de conteúdo ou breve biografia sobre Cesar, apenas o cita em composições dele gravadas por outros maranhenses que ultrapassaram o Estreito dos Mosquitos na difusão de suas músicas, como Flávia Bittencourt, Glad Azevedo, Antônio Vieira e Rita Ribeiro.
Contudo, é possível fazer o download do único disco gravado por Cesar, Shopping Brazil (2004), pelo blogue Música Maranhense, uma iniciativa do estudante universitário Victor Hugo, que reúne um bom acervo sobre a música popular do Maranhão, além de encontrar algumas informações esparsas sobre o artista, como um “release” e algumas entrevistas.
A constatação da ausência do nome de Cesar Teixeira nos meios massivos reforça a aura mítica do compositor no Maranhão. Representante de um movimento musical, que gerou uma estética própria da música produzida no Estado, ele não cedeu aos apelos da voz do dono tornando-se o dono da própria voz. Em vez de aprisioná-la em material de acetato, deixou-a livre para fazer coro junto aos seus pares e para ser registrada na memória coletiva de todos nós, tatuada com as cores e as palavras do afeto, da luta e da identidade de uma comunidade.
Um momento – O show Bandeira de Aço, realizado sábado passado (30), no Circo Cultural Nelson Brito (Circo da Cidade), foi a prova de que ele está mais vivo do que nunca. No repertório, novas composições foram apresentadas, além das obras-primas da carreira, como Ray Ban, Parangolé, Flor do Mal, Dolores, entre outras.
Iniciativa da produtora cultural Ópera Night que reuniu os músicos Moisés Profeta (contrabaixo, guitarra), Ribão (percussão), Quintino Neto (bateria), Rui Mário (sanfona, teclados), Wendell Cosme (bandolim, cavaquinho, percussão), Hugo Barbosa (trompete), Daniel Miranda (trombone), Regina Oliveira (vocal) e Mayrla Oliveira (vocal) para apresentar os diversos ritmos da obra de Cesar e o que ele tem de melhor: a música em formato canção. Como convidado especial, subiu ao palco também o compositor Joãozinho Ribeiro, com quem dividiu a apresentação do divertido Samba do Capiroto.
Mais do que a tentativa de entender a obra de Cesar Teixeira pelo viés da crítica ou da pesquisa – tão necessárias e importantes – está a experiência com o artista em cena e na interação com seu público. A resposta está na pureza das crianças que abriram o show cantando a toada Boi da Lua, na urgência do corpo em rejeitar o comportamento disciplinado pelas cadeiras de plástico levantando-se para a dança, na delicadeza de quem se emocionou com canções do ‘tempo da janambura’ que ressuscitam personagens e cenários de velhos tempos e na força da palavra de ordem repetida em coro por todos no bis: “E diga sim a quem nos quer acolher, mas se for pra nos prender diga não”.
A força de uma poesia que põe em xeque qualquer pretensão buarquiana.
Alberto Júnior é radialista e pesquisador musical.
Amanhã (3):

O show terá participações especiais de Erivaldo Gomes, Didã e Cris Campos. O Odeon fica na Rua da Palma, 217, Centro.
Depois (4):
O Restaurante do Senac fica na Rua de Nazaré, 242, Centro.
E a quinta-feira (4) marca ainda o encontro das bandas Canelas Preta e Gallo Azhuu:
O Novo Armazém fica na Rua da Estrela, Praia Grande.
Em wma, aqui o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto blocos do Chorinhos e Chorões de 24 de julho (Rádio Universidade FM, 9h). Na ocasião, Ricarte Almeida Santos e este que vos perturba entrevistamos Cesar Teixeira. Para quem perdeu baixar, ouvir e guardar. Idem para quem ouviu no rádio: os quatro primeiros links do post trazem a íntegra do programa, que gravado foi ao ar com pequenas edições pelas mãos competentes e talentosas de Marcos Belfort. Apreciem sem moderação!
Breve memória do ótimo show apresentado por Cesar Teixeira e banda no último sábado (30/7), no Circo Cultural Nelson Brito (Circo da Cidade).
Não escrevi sobre a morte de Amy Winehouse, abundantemente coberta pela mídia. Sem dúvidas uma grande perda para a música mundial. Mas é de vida que quero falar e não podia deixar de comentar, ainda que brevemente, o show Bandeira de Aço, de Cesar Teixeira, sublime artista.
Acompanhado por Moisés Profeta (contrabaixo, guitarra), Ribão (percussão), Quintino Neto (bateria), Rui Mário (sanfona, teclados), Wendell Cosme (bandolim, cavaquinho, percussão), Hugo Barbosa (trompete), Daniel Miranda (trombone), Regina Oliveira (vocal) e Mayrla Oliveira (vocal), Cesar Teixeira (voz, violão) desfilou sua música, pura poesia, por cerca de duas horas em um show impecável.
Uma cena superfofa deu início ao espetáculo: qual cantiga de ninar com a qual certamente já foram embaladas, Júlia Andresa, filha de Cesar, e Vitória, filha da produtora Ópera Night, cantaram Boi da Lua, inicialmente à capela, em seguida acompanhadas pela sanfona de Rui Mário – as crianças voltariam ao palco para dançar La Cubanita, salsa inédita de Teixeira, que repetiria Boi da Lua no roteiro do espetáculo.
Ao qual não faltariam clássicos, cuja ordem o repórter relapso não lembra por falta de bloquinho, caneta e máquina fotográfica (por isso este texto desilustrado) no bolso, fui lá para embriagar-me da poesia do mestre: Ray Ban, Vestindo a Zebra, Flanelinha de Avião, Flor do Mal, Bandeira de Aço, Parangolé, Mutuca, Namorada do Cangaço, Dolores e o Samba do Capiroto – parceria com Joãozinho Ribeiro, convidado com que dividiu o belo momento. Cesar Teixeira e Lena Machado são seus convidados na edição de 11 de agosto da série Outros 400 [Novo Armazém, Praia Grande, 21h].
Entre as inéditas, Samba pra Dedê (homenagem à médica e militante comunista Maria Aragão), Forró do Corta Jaca, Boi de Medonho (homenagem a um cantador das antigas, de um grupamento do Areal, hoje Monte Castelo), além de outra toada mais um baião cujos títulos não sei ou não recordo, e a citada La Cubanita, em cujas paisagens está o Circo Garcia que vi na infância.
Cesar Teixeira é o artista de quem mais vi shows na vida e o de sábado foi irretocável: sua melhor apresentação presenciada por este que lhes conta o que viu, ainda que nem de longe isso aqui supra o que perdeu quem não foi ao Circo. Oxalá Bandeira de Aço se repita em palcos outros, na Ilha e fora dela.
O bom público pediu e o poeta atendeu: o bis trouxe Oração Latina, cantada em uníssono pelos presentes antes dos tímidos e sinceros agradecimentos finais de Cesar Teixeira, contente com a plateia, nós contentes com ele.