Mané Rabo

Há alguns dias convidei os poucos mas fieis leitores deste blogue para os lançamentos dos documentários Mané Rabo, de Beto Matuck, e Reisado Careta Encanto da Terra, de Paloma Sá.

Suas exibições aconteceram na Casa de Nhozinho (Rua Portugal, Praia Grande) para uma grande plateia. O fundo daquele museu de cultura popular fica na Rua de Nazaré, onde imaginei que aconteceria a sessão. Ao chegar e me deparar com as cadeiras dispostas para a banda da Rua Portugal, suspeitei que algo não seria bacana. Não pelos filmes, obviamente. Explico: o pré-carnaval comia solto do lado de fora e, por vezes, o desfile de blocos atrapalhou (impediu) os presentes de ouvir determinadas passagens. Uma luz refletia na tela, o que prejudicava mesmo as imagens.

Estávamos eu e meu professor-amigo-irmão Francisco Colombo e resistimos até coisa de 10, quinze minutos do segundo filme. Saímos pela metade por conta desses atrapalhos, não sei se falhas da produção ou da Secretaria de Estado da Cultura, a quem pertence o prédio-palco dos lançamentos, que organiza o (pré-)carnaval de rua na área e de quem o primeiro doc recebeu recursos através de edital.

O lance é o seguinte: a quem não (alô, Fabreu!), e a quem como eu, estava na plateia prejudicada pelo barulho, o Papoético oferece nova chance, ao menos em se tratando do primeiro curta-metragem (tomara que Paulão organize numa outra quinta a re-exibição do filme de Paloma, que joga luzes sobre uma manifestação cultural de Caxias, município do interior do Maranhão).

Mané Rabo ganha nova sessão amanhã (2), às 19h, no Chico Discos, charmosíssimo misto de bar e sebo nos altos das esquinas de Treze de Maio e Afogados, no centro da capital maranhense.

Após a exibição haverá debate-papo com o cineasta Beto Matuck.

“Mané Rabo era amo do bumba boi de Costa de Mão de Cururupu. Beto Matuck conviveu com o brincante dede a infância, tornando-se amigo do mestre, recentemente falecido. O filme é tocante, em razão da amizade que envolvia o cineasta e Mané Rabo, uma personalidade fascinante, homem simples e dotado de grande talento poético, como fica evidenciado através de suas emocionantes toadas, que permeiam o filme. Trabalho sensível e profundo, com nuances de grande sensibilidade estética”, afirma Paulo Melo Sousa, o Paulão, no e-mail de divulgação da tertúlia.

Com o prejuízo do barulho externo que marcou a sessão inaugural do belo trabalho, é o que posso dizer em relação a Mané Rabo: belas imagens em um belo trabalho de edição. Vale ver e rever.

Em tempo: no Papoético do dia 16 de fevereiro Flávio Reis lança Guerrilhas, seu novo livro, coletânea de artigos publicados ao longo dos últimos 10 anos na imprensa maranhense com uns inéditos de bônus, antologia de bombons venenosos por que passeia por diversos temas, o que merece um post só para tratar do assunto, vocês não perdem por esperar. Anotem nas agendas!

Docs lançam olhares sobre cultura popular do Maranhão

Serão lançados hoje, na Casa de Nhozinho, os documentários Mané Rabo, de Beto Matuck, e Reisado Careta Encanto da Terra, de Paloma Sá

Com 25 minutos de duração, o documentário Mané Rabo, do produtor e cineasta Beto Matuck, mostra passagens da vida do mestre de Boi de Costa de Mão, já falecido, que viveu em Cururupu, no litoral norte do Maranhão. O trabalho tem o patrocínio de Microprojetos da Amazônia Legal (Fundação Nacional de Arte – Funarte) e da Secretaria de Estado de Cultura (Secma).

Matuck viveu parte da sua carreira profissional em São Paulo e atualmente mora em São Luís desenvolvendo projetos de documentários artísticos e educacionais. Lá, fez trabalhos como produtor e diretor na área educacional, juntamente com o cineasta Joel Yamaji, e criou os Núcleos de Produção Cinematográfica do SENAC-SP e as Oficinas Culturais do Governo de São Paulo.

Dirigido por Paloma Sá, Reisado Careta Encanto da Terra registra saberes tradicionais de uma comunidade localizada no bairro Campos de Belém, em Caxias/MA, em especial o Reisado Careta. O documentário tem apoio da Secretaria de Cultura e Turismo de Caxias.

A diretora é mestre em Antropologia pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), professora da rede pública estadual e pesquisadora das culturas populares brasileiras.

Durante o lançamento dos docs, que tem início às 19h30min, haverá uma apresentação do Grupo Reisado Encanto da Terra, de Caxias. A entrada é gratuita.

As informações são da assessoria do evento.

Curta Sampaio!

Quem acompanha este blogue sabe o quanto sou fã de Sérgio Sampaio.

Nem preciso dizer nada. A não ser agradecer a Ademir Assunção, que já disse.

Cultura em 2011

Aos 45 do segundo tempo, às vésperas do fechamento da edição de dezembro do Vias de Fato (nº. 27, capa acima, ora nas melhores bancas da Ilha), inventei de fazer uma retrospectiva cultural. No último dia 12 encaminhei a uma pá de agentes culturais um e-mail com a seguinte pergunta: “Para o bem ou para o mal, no campo cultural, o que você destacaria numa retrospectiva particular do ano que se encerra?”.

Alguns responderam, outros não; outros ainda o fizeram depois do fechamento do jornal. O blogue traz abaixo um mix do que saiu na edição impressa do mensal com respostas que chegaram depois à caixa de e-mails do blogueiro (os depoimentos em itálico só aparecem acá).

RETROSPECTIVA CULTURAL

O jornal Vias de Fato traz aos leitores uma retrospectiva construída a muitas mãos – a coletividade uma característica da publicação. Veja o que diversos agentes culturais destacaram entre os acontecimentos do ano que se encerra

ZEMA RIBEIRO

Ano em que o mensal Vias de Fato completou dois de circulação ininterrupta – apesar de todas as dificuldades – e véspera do quarto centenário da capital maranhense – há controvérsias – 2011 foi marcado por diversos acontecimentos na área cultural.

Em vez de fazer uma retrospectiva certamente incompleta, resolvemos ouvir gente da área, que entende do assunto. Maranhenses ligados ao setor, residentes ou não aqui ou mesmo nem nascidos, mas com alguma ligação com o estado, destacaram o que de bom e ruim aconteceu no ano que se encerra.

“Para o bem ou para o mal, no campo cultural, o que você destacaria numa retrospectiva particular do ano que se encerra?” foi a pergunta feita pelo Vias de Fato. Leia abaixo as respostas.

O crítico Alberto Jr.: otimismo

“A primeira coisa que me vem à cabeça ao pensar em cultura neste ano de 2011 é a palavra ‘otimismo’, sobretudo em relação ao trabalho que muitos artistas vêm desenvolvendo de forma independente na busca de uma cena cultural cada vez mais urbana e ‘conectada’ com as experiências desenvolvidas em outros estados.

Um exemplo disso é o pessoal do gênero pop/rock, que, neste ano, conseguiu produzir shows e eventos fazendo circular pela ilha bandas alternativas com trabalho autoral e promovendo esse diálogo musical dentro dos circuitos nacionais de festivais de música independente. Cito aqui o Coletivo Velga, Garibaldo e o Resto do Mundo, Gallo Azzuu, Megazines, Nova Bossa, entre outros.

Beto Ehongue, Dicy Rocha, Tássia Campos, Milla Camões, Bruno Batista e Djalma Lúcio me fizeram bater muitas palmas em todos os projetos que estiveram envolvidos.

Algumas casas noturnas também me ofereceram bons encontros e boas experiências sonoras. Salve o Odeon Sabor e Arte que voltou com boas energias e a novidade regueira que é o Porto da Gabi. Experiências transcendentais.

No difícil campo das artes cênicas, a Pequena Companhia de Teatro, a Santa Ignorância Cia. de Teatro e o talento do dramaturgo Igor Nascimento não deixaram eu me acomodar na confortável resignação de fruir de espetáculos simples. Foram geniais!

Tivemos quatro festivais de cinema com programação de qualidade e algumas com caráter popular que me fizeram chorar com a vida e arte de grandes artistas e inclusive com alguns filmes que serviram bem mais do que ter pago qualquer valor para um analista ou psicólogo. Quando a ficção ajuda até a tua subjetividade.

Enfim, pelos exemplos que citei, percebe-se a pouca referência a instituições ou órgãos públicos como apoiadores desses projetos. O otimismo está aí: essa sensação de testemunhar experiências culturais contemporâneas que nos afastam de qualquer saudosismo ou nostalgia com outras décadas e colocam nossos sentidos para viver o presente, sem vícios, sem dependências e com a coragem de quem confia na autoestima de nossa produção cultural contemporânea.

E o próximo ano será bem melhor!”

Alberto Júnior, radialista e crítico musical

“O fato mais marcante foi a grande quantidade de shows em São Luís no início do ano. Foi uma verdadeira explosão de bons shows e shows inéditos ou quase inéditos em São Luís. Infelizmente o ano de 2011 não prosseguiu com a grande “leva” de shows, talvez por acanhamento de muitos produtores, mas os primeiros meses do ano foram realmente surpreendentes. Só para lembrar, tivemos apenas em abril, Pitty, Marcelo D2, Lobão, Richie Spice, Doro Pesch e outros. O primeiro semestre de 2011 também nos agraciou com shows de Jason Mraz, Adriana Calcanhotto, Marcelo Camelo, Blues Etílicos, Arnaldo Antunes e muitos outros. O segundo semestre também pode ser lembrado com shows do Teatro Mágico e os internacionais Blind Guardian e Flo Rida. Dezembro será fechado com chave de ouro com show de Paulinho Moska, em mais uma edição do Prêmio da Rádio Universidade. Com certeza esqueci de mencionar vários outros shows, mas todos esses shows provaram que São Luís pode sim receber grandes nomes da música brasileira e exportações da música pop”.

Andréa Barros, jornalista, ex-assessora de comunicação da Lima Dias Turismo, agência responsável pela vinda de muitos dos shows citados à capital maranhense

Ehongue lembra a dinheirama despejada no carnaval carioca em detrimento dos artistas que produzem no Maranhão

“Queria tanto estar agora escrevendo algo de bom sobre os rumos culturais de nossa cidade/estado em 2011, sério mesmo. Queria poder dizer que grandes eventos aconteceram e melhor ainda acreditar que o ano seguinte mostra uma luz clara no fim do túnel, mas não dá. Ficamos carentes de políticas culturais onde ainda prevalecem as decadentes e assistencialistas programações de São João e Carnaval.

Os milhões dedicados à escola de samba Beija Flor, a Praia Grande abandonada e outros milhões dispersados em uma árvore de natal são só algumas das aberrações que indicam que nossa terra anda completamente na contramão das necessidades. Isso tudo merece um DELETE.

Fora da esfera oficial aconteceram coisas boas, como por exemplo o Prêmio Nacional de Música recebido pela dupla Alê Muniz e Luciana Simões. Isso serve de inspiração para toda uma geração de músicos maranhenses que mesmo sem o apoio ou a lembrança dos órgãos que trabalham com cultura continuam teimando com talento e criatividade.

Em 2012 desejo a todos um ano mais sincero e promissor.”

“Beto Ehongue, compositor e produtor musical, homem à frente das bandas Negoka’apor e Canelas Preta

“Destacaríamos, em 2011, o Papoético como uma ideia que germinou e está criando raízes no panorama cultural da cidade. Apesar de ainda não ter a visibilidade necessária na mídia, está se expandindo entre as pessoas que pensam e se preocupam com a cultura em São Luís e no Maranhão. Como evento, São Luís, Outros 400 [temporada de nove shows apresentada pelo compositor Joãozinho Ribeiro e convidados no Novo Armazém] foi um acontecimento que reuniu a nata da música e da cultura maranhenses nos últimos meses do ano.

Também citaríamos o Café Literário, promovido no [Centro de Criatividade] Odylo Costa, filho, organizado pela professora Ceres Fernandes e, finalmente lembramos, para lamentar, o pouco caso que a Prefeitura de São Luís dedicou à Feira do Livro, um evento agregador e com grande potencial econômico, turístico e cultural, mas que está sendo continuamente esvaziado devido à miopia dos atuais administradores da cidade”.

Beto Nicácio, arte-educador, publicitário e quadrinhista, e Iramir Araújo, historiador, publicitário e quadrinhista, a Dupla Criação

Para Mesito, Feira do Livro foi decepcionante

“A decepcionante 5ª. Feira do Livro de São Luís (Felis). Para mim foi a maior decepção cultural nos últimos tempos”.

Bioque Mesito, poeta

Para o editor da Pitomba!: "De mal (...) quase tudo que tenha (...) alguma oficialidade"

“O Papoético é um lance massa! É o que vejo de mais interessante, por ser um lance coletivo e agregador, sem falar na pinga. De mal houve quase tudo que tenha as mãos de alguma oficialidade: tombamento do boi, feira do livro, essas coisas”.

Bruno Azevêdo, escritor, autor de Breganejo Blues e O Monstro Souza, editor da revista Pitomba! e, a partir deste número, colunista do Vias de Fato

“Na música eu destacaria a trajetória de sucesso de Cine Tropical, que deu o Prêmio da Música Brasileira ao Criolina. Na literatura, o lançamento de aliado involuntário, novo livro de poemas de Fernando Abreu”

Celso Borges, poeta e jornalista, parceiro da Alê Muniz e Luciana Simões em São Luís-Havana, faixa que levou o troféu de melhor música no Prêmio Universidade FM 2010

Prêmio do Criolina e livro de Fabreu foram os destaques para CB, aqui visto em uma de suas elogiadas performances

“Vamos logo para o bem.
Mesmo não sendo lá essas coisas, difícil não destacar no ano de 2011, no campo cultural e longe dos afagos oficiais, os lançamentos primorosos dos CDs de Bruno Batista e de Nosly, o amadurecimento  da dupla Criolina, a garra e a beleza das performances de Celso Borges, o Papoético do Paulão [o poeta e jornalista Paulo Melo Sousa], o Café Literário, o livro do Fernando Abreu, os Outros 400, projeto de Joãozinho [Ribeiro] etc . Saldo positivo.

De tristeza: a continuada  favelização da Praia Grande e a perda de D. Teté.”

Chico Saldanha, compositor, lançou Emaranhado em 2007 e, ao lado de Cesar Teixeira, Joãozinho Ribeiro e Josias Sobrinho, levou o troféu de melhor show do ano no prêmio Universidade FM 2011

Memória cinemetográfica

“Como a minha área de atuação é o cinema, acho que é importante destacar que em 2011 tivemos várias mostras e festivais. Isso é uma importante conquista para o público, que certamente teve acesso a produções destacadas no cenário nacional e no internacional.

Não podemos esquecer também esse maravilhoso trabalho do cineasta Murilo Santos de devolver às comunidades aquilo que a sua câmera registrou com o passar dos anos, tanto na forma de sessões como na de belos painéis fotográficos, além dos novos vídeos gerados nesses encontros.”

Francisco Colombo, cineasta e professor universitário, curador das mostras de Cinema Infantil e Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, realizadas em São Luís em 2011

Gildomar Marinho entra em estúdio em janeiro para gravar sucessor de Olho de Boi (2009) e Pedra de Cantaria (2010)

“O destaque é o próprio jornal, com sua linha editorial que se configura um contraponto à cultura vivenciada no Maranhão atualmente, eivada de vícios, paternalismos e extremamente violenta contra qualquer perspectiva de emancipação cultural. Vias vai às veias, às tripas, aos fatos. Um soco no estômago de uma elite autocrática. Um sopro de vida à verdadeira imprensa livre”.

Gildomar Marinho, compositor

Para Lena Machado, destaque foi o show de Cesar Teixeira

“O show Bandeira de Aço de Cesar Teixeira em julho, no Circo da Cidade. Ver o nosso querido poeta feliz e à vontade no palco, cantando clássicos, além de apresentar inéditas como Cubanita e Boi de Medonho foi maravilhoso. Tão bom que não canso de perguntar: e aí, Cesar, quando seremos presenteados com o segundo?!!”

Lena Machado, cantora

Descaso com artistas entre as lembranças de Milla Camões, que estreia em disco ano que vem

“O que me marcou de forma positiva foi o Lençóis Jazz e Blues Festival. Claro, houve a minha participação, mas muito mais pelo fato de São Luís ter entrado, definitivamente, na rota comercial deste tipo de música, no Brasil. Além de, por falar em rota, termos tido também, bons shows (apesar de, às vezes, a preços exorbitantes, por conta da falta de espaço adequado para as apresentações ou mesmo falta de compromisso dos contratantes), boas peças de teatro, enfim. Vi um suspiro de qualidade entrando nas veias da cidade e isso me deixa feliz. Dois fatos me deixam extremamente triste: a falta de responsabilidade e compromisso de donos de bares, casas noturnas e governantes com a música em geral (não pensem que calotes, prejuízos etc., acontecem só com uma fatia: inclua aí TODOS os estilos), e, embora redundante, a pergunta anual, que continua sem resposta: “Até quando?”; e a perda de figuras importantes de nossa cultura, a exemplo de Dona Teté. Seu cacuriá continuará vivo, por que existem pessoas dispostas a se comprometer com seu legado. Mas quantos mestres morreram, esquecidos em interiores deste Estado, quantas culturas, quantas danças estão entrando em extinção, por não haver interessados em repassar ao próximo seu conhecimento? Aulas de cultura popular, de arte em geral, nas escolas; a aprovação e inclusão definitivamente dessa Lei [que torna obrigatório o ensino de música nas escolas], seria de grande valia. E que 2012 nos traga felicidade, poesia, música e arte ao cubo!”

Milla Camões, cantora

Falecimentos de Carlos de Lima e Dona Teté entre os maus momentos lembrados por Moema

“Tivemos bons e maus momentos, alegres e tristes. Com certeza a morte de D. Teté e a do Sr. Carlos Lima foram nossas grandes perdas. Alegres foram os outros momentos, incluindo (para quem gosta): o carnaval, as festas juninas, as feiras, principalmente a de livros e a de artigos de vários paises. O lançamento do livro de Aymoré Alvim, meu irmão, foi um dos melhores momentos da nossa Academia. Lamentáveis os fatos que envolveram o Prof. Saraiva [acusado de racismo por estudantes da UFMA], manchando uma reputação construida com muito sacrifício, ao longo de muitos anos”

Moema de Castro Alvim, sebista, proprietária do Papiros do Egito

Papoético de Paulão entre os mais lembrados na retrospectiva

“Acompanhei pouco as agitações culturais este ano. Só estive mesmo ligado no Papoético, mas, acho que a revista Pitomba! fez a diferença. Fazer literatura, no Maranhão, hoje em dia, é ato de heroísmo e publicar é altruísmo puro. A Pitomba! deu uma importante contribuição, aliando agitação literária com um material de qualidade, gerando, inclusive, polêmica, o que serviu para oxigenar o cenário da cultura local”.

Paulo Melo Sousa, jornalista e poeta, coordenador do Papoético, tertúlia semanal realizada no Chico Discos (Rua 13 de Maio, Centro)

“Eu destacaria o filme A alegria, de Felipe Bragança e Marina Meliande, bem como a Trilogia Coração no Fogo, da qual o filme faz parte, pelas razões que já expus aqui. É um cinema que produz, com suas imagens oxigenadas, outras maneiras de ver. Munição pesada para a imaginação, o sonho e a coragem”.

Reuben da Cunha Rocha, jornalista e poeta

Ricarte Almeida Santos lembra bons momentos, apesar da ausência de política cultural, objeto de seu estudo no mestrado em Cultura e Sociedade (UFMA)

“Para o bem: o projeto Outros 400 [temporada capitaneada pelo compositor Joãozinho Ribeiro, no Novo Armazém]; o show Rosa Secular II [com Chico Saldanha, Joãozinho Ribeiro, Josias Sobrinho e convidados, Bar Daquele Jeito, 10/12]; o lançamento do cd Eu não sei sofrer em inglês, o segundo de Bruno Batista;  o show Bandeira de Aço, de Cesar Teixeira [Circo da Cidade, junho]; a Mostra de Cinema Infantil [Cine Praia Grande, 12 e 13/10]; o Festival Guarnicê de Cinema; as várias rodas de choro em vários locais da Ilha (de shoppings a botequins); o lançamento do cd A Canção de Cartola na voz de Léo Spirro. Para o mal: nem um passo dado no sentido de uma política cultural para o Maranhão; o governo de Roseana Sarney financiando o carnaval da Beija Flor carioca; a morte de Dona Teté; a cultura de eventos que ainda prevalece; e o abandono da Praia Grande”.

Ricarte Almeida Santos, sociólogo e radialista, apresentador do dominical Chorinhos & Chorões, às 9h, na Rádio Universidade FM (106,9MHz)

Urias critica parte da classe artística

“São Luís, 400.000 lamentos. Um povo é o reflexo de seu governo ou o governo é reflexo do seu povo? Estamos no ápice da mediocridade no nosso fazer cultural (talvez com exceção para as “brincadeiras” populares). Uma secretaria medíocre, cercada de nós, artistas ainda mais medíocres, que sempre pensamos que nosso trabalho é a maravilha. A miséria que vem nos cercando, sem dúvida, vai sendo refletida na qualidade de nossos produtinhos “inventados” e não criados com um debruçar sobre si mesmo para por em prática um processo que venha alterar e complementar a consciência de quem somos nós. Ouvi outro dia de um amigo “artista”: “Ah!, esse negócio de processo (!!!!), de treino e ensaio pesado me enche o saco. Agora tudo é processo! Eu quero mais é fazer!”. Acho que todos nós realmente temos o direito de fazer o que nos dá na telha e nos desejos, mas na minha liberdade de pensar, penso também que esse papo é de “artista” que não tem que batalhar para viver da arte que faz e tem casa, comida e roupa lavada, além de não dar a mínima pro seu crescimento pessoal, o que por si só justifica a busca de um processo de trabalho..”

Urias Oliveira, ator premiado internacionalmente, botando o dedo na ferida

Wilson Marques é outro que destaca o cinema em 2011

“Destaco o primeiro Festival Internacional de Cinema, da Lume, evento de alto nível que infelizmente foi pouquíssimo prestigiado pelo público de São Luís”.

Wilson Marques, escritor, lançou em 2011 A Lenda do Rei Sebastião e o Touro Encantado em Cordel

ZéMaria Medeiros destaca evento próprio e descaso com artistas pelo poder público

“Os 9,7 anos de A Vida é uma Festa, os lançamentos dos cds Onde tá o coro, de ZéMaria Medeiros & A Casca de Banana, e Arriba Saia, de Omar Cutrim, os falecimentos de Mundica e Dona Teté, os atrasos entre seis meses e um ano para pagamento de cachês de artistas, um absurdo!, o carnaval 400 anos da Beija Flor, ridículo!, o desprezo da produção musical do Maranhão pelos maranhenses, em valorização do axé, breganejo, pornoforró e tchans!”

ZéMaria Medeiros, poeta e músico, comanda há mais de nove anos o happening A Vida é uma Festa, que acontece semanalmente às quintas-feiras na Praia Grande

Maré Memória

MURILO SANTOS
ESPECIAL PARA O BLOGUE

Já me perguntaram se essa foto é de minha autoria. Acho que sim. Coordenei o Departamento de Cinema e Fotografia do Laboratório de Expressões Artísticas (Laborarte), desde a sua fundação até meados de 1975. Antes disso, fiz parte do grupo que deu origem ao Laborarte, o Tefema, Teatro de Férias do Maranhão, fundado por Tácito Borralho em 1971. Desde então passei a fotografar e fazer iluminação de espetáculos. No Laborarte fiz fotos durante nossas pesquisas de campo e de espetáculos. A iluminação das peças também ficava a cargo do Departamento de Fotografia e Cinema. Lembro de ter feito uma foto semelhante a essa, desse mesmo ângulo. Lembro de ter aproveitado a placa de “proibido fumar” do Teatro Arthur Azevedo, enquadrando somente a palavra “proibido”, para sublinhar o tom de protesto do espetáculo e das músicas de Cesar Teixeira e Josias Sobrinho. Coisas da época. Se de fato a foto é de minha autoria, ela certamente foi feita durante um ensaio no Arthur Azevedo, momento em que eu aproveitava para sair da cabine de iluminação e fazer fotos para registro interno e divulgação dos espetáculos.

Com a adaptação da obra de José Chagas, Maré Memória, o Laborarte concretiza o sonho de integrar as diferentes linguagens desenvolvidas pelos chamados departamentos: Cênicas; Dança; Música; Fotografia e Cinema; Artes Plásticas e Artesanato; Propaganda; Imprensa.

O mastro que se vê na foto representa uma festa de São Benedito. Além das músicas compostas especialmente para o espetáculo, era cantado o tradicional bendito de São Benedito. Lembro que nesse momento os atores aceleravam progressivamente o cântico e o andamento de uma procissão em torno do mastro, até tornar-se uma correria. Geniais coisas do Tácito!

Para esse espetáculo, realizei dois filmes curtos em Super-8 filmados nas palafitas do bairro da Liberdade. Um documentário e outro que poderíamos chamar de experimental. A exemplo das músicas que eram cantadas e tocadas pelos músicos protagonistas da foto, assumindo personagens na cena, como forma de integrar também, o cinema ao espetáculo teatral, os filmes eram projetados num lençol estendido num momento determinado em um varal dessa palafita cenográfica que aparece na imagem. A ideia era fazer com que as imagens externas e reais compusessem a encenação no palco. Algo inédito para aquela época. Portanto, é em 1974, quando experimentamos de fato um laboratório de expressões artísticas integradas com Maré Memória é que se inicia o ciclo do Super-8 no Maranhão. Um início que tem na projeção desses filmes talvez as primeiras e únicas exibições para um público pagante

O curta experimental, se assim podemos classificá-lo, durava menos de três minutos. Neste filme, as imagens, quase sempre em closes, associavam estacas de palafitas aos buracos de caranguejos na lama, banhados pelo leve vai e vem das ondas da maré. O filme era projetado no instante em que o casal protagonista do espetáculo entrava em casa e se recolhia às suas intimidades. O público da peça pode ver o que podemos considerar talvez o único filme erótico do ciclo Super 8.

Guardo esta foto que registra as filmagens dos curtas para o espetáculo Maré Memória. No cenário de mangue e lama, a câmera Super-8 (uma Canon 1014 recém doada ao Laborarte) acha-se protegida por um saco plástico.

De pé no mangue (e lama) filmando para Maré Memória, o cineasta Murilo Santos fotografado por um palafitado

Péla na tela

Cineasta, professor universitário e fotógrafo, Murilo Santos está hoje em Rosário, mais precisamente no povoado São Simão, palco original da dança do lelê, também conhecida como péla-porco. Hoje (7) à noite, durante os festejos de Nossa Senhora da Conceição, ele exibe um documentário que realizou ainda na década de 1970 sobre a citada manifestação cultural.

Às próprias custas s. a., como diria Itamar Assumpção, Murilo Santos tem feito um trabalho importante de devolução de suas obras (filmes e fotografias) às comunidades que lhe serviram de cenário. Exemplo recente é A festa de Santa Tereza, exibido em Itamatatiua, comunidade alcantarense que lhe serve de palco (à festa e ao filme, que teve trechos usados em No fiel da balança, de Francisco Colombo).

Documentário permaneceu inédito por 35 anos

O doc, de 1976, integrou a pesquisa A dança do lelê na cidade de Rosário, no Maranhão, projeto coordenado pelo antropólogo Sérgio Ferretti. Junto dele, também participaram dos trabalhos a pesquisadora Joila Moraes e o poeta Valdelino Cécio, à época do Departamento de Assuntos Culturais da Fundação Cultural do Maranhão.

Em algumas viagens ao povoado rosariense, a pesquisa foi acompanhada pelo folclorista Domingos Vieira Filho, então presidente da Fundação Cultural do Maranhão – em algumas fotos, ele aparece realizando pesquisa de campo. Os resultados do importante trabalho viraram livro em 1977, com fotografias de Murilo Santos – ele era fotógrafo da trupe e aproveitou as ocasiões para filmar, por conta própria. No ano seguinte a Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, da Fundação Nacional de Arte (Funarte) do Ministério da Educação e Cultura (MEC), realizou uma nova publicação da pesquisa, na série Cadernos de Folclore, nº. 22.

No filme, um curta-metragem de 12 minutos, rodado em película 16mm, Domingos Vieira Filho aparece rapidamente – é sua única imagem filmada.

Nesta sexta-feira (9), às 19h30min, Murilo Santos exibe este documentário e, após, (de)bate papo com os presentes ao Papoético, evento semanal capitaneado pelo poeta e jornalista Paulo Melo Sousa, o Paulão, que já conta um ano de atividades ininterruptas.

O Papoético acontece no Chico Discos (Rua 13 de Maio, 389, esquina com Rua dos Afogados, sobre o Banco Bonsucesso). A entrada é gratuita.

Balanço da Mostra

Produtor local da 6ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, o cineasta Francisco Colombo analisa a realização da etapa ludovicense do maior evento do gênero no continente

POR ZEMA RIBEIRO

A cantilena de que São Luís padece de falta de espaços para a fruição de cinema de qualidade parece perder o sentido, em parte, se observarmos a quantidade de festivais que a capital maranhense tem recebido nos últimos tempos: Festival Lume, Maranhão na Tela, Guarnicê, Mostra de Cinema Infantil e, mais recentemente, a 6ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, encerrada domingo passado (6 de novembro). Em parte, frise-se: fora um ou outro cineclube, o Cine Praia Grande ainda é a única sala a exibir produções fora do circuito comercial, o que o torna palco natural e privilegiado para eventos do porte, não fossem os problemas que veremos a seguir.

Realização da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR) com produção da Cinemateca Brasileira e patrocínio da Petrobras, através da Lei Rouanet, a Mostra chegou pela segunda vez à São Luís, trazendo 47 filmes – 46 de dez países da América do Sul, mais Morango e chocolate, coprodução de Cuba e México – em 25 sessões, durante sete dias, tendo início em 31 de outubro.

Pela segunda vez entrevistado pelo Vias de Fato – a primeira há um ano, em novembro passado, sobre a quinta edição da Mostra –, o cineasta Francisco Colombo, produtor local, concedeu, via msn messenger, a entrevista a seguir.

ENTREVISTA: FRANCISCO COLOMBO

Vias de FatoQual o seu balanço após a realização da etapa São Luís da 6ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul?
Francisco Colombo – Acho que deu tudo certo apesar de algumas variáveis que não estavam sob controle, digamos, da produção: a sequência de feriados – interpretada de modo diferenciado pelos poderes executivos estadual e municipal, judiciário e Ministério Público. Isso influiu na mobilização de públicos e na disponibilização, por exemplo, de transporte para entidades ou grupos. No Odylo Costa, filho, a Mostra era a única coisa que funcionava em alguns dias. Além disso, o ar-condicionado do cinema estava muito ruim. Quando vamos ao cinema queremos conforto, queremos nos desligar um pouco do mundo. E fica difícil no calor.

É a segunda vez que a Mostra chega à São Luís. Qual o comparativo entre as duas edições recebidas pela capital maranhense? Houve uma pequena, mínima, queda de público. Mas como disse anteriormente, isso se deveu às variáveis mencionadas. Vi muita gente diferente nessa edição da Mostra. Acho que conseguimos cativar mais gente. A cobertura da imprensa também foi muito boa. A expectativa gerada para a abertura, por parte dessa cobertura toda, em particular da televisiva, foi excelente.

A grande concorrência gerada pela sessão de abertura tem também a ver, ainda que minimamente, com a distribuição dos kits-brindes da Mostra. A sessão de O céu sem eternidade [sexta-feira, 4/11, 19h], no entanto, superou, a de abertura [segunda-feira, 31/10, 19h]. O filme foi rodado em Alcântara/MA e trata do embate dos quilombolas com a base espacial. Você recebeu isso com surpresa ou esperava? A distribuição de kits é uma ferramenta importante na promoção da Mostra. Ao contrário de muita gente que questiona sobre o interesse em parcela significativa do público na ida à Mostra, pra mim tudo é positivo. Imagino que, mesmo que alguns queiram apenas o kit, ainda assim terão contato com os filmes da Mostra e, é claro, serão tocados, ainda que minimamente, pela questão dos Direitos Humanos. Quanto à sessão de O céu sem eternidade, havia sim a expectativa por um público numeroso. Não dava pra imaginar é que superaria ao da abertura.

Ainda é cedo ou já é possível falar em perspectivas para a 7ª. Mostra? A produção local continuará em tuas mãos? O Cine Praia Grande continuará sendo o palco? Aprendemos muita coisa nessas duas edições da Mostra em São Luís. Creio não ser cedo pra falar na próxima. Acho que continuo com a produção, que alia certo conhecimento de cinema, de produção e um trânsito junto à imprensa, ao poder público, à iniciativa privada, às instituições e aos movimentos sociais. Quanto ao Cine Praia Grande, apesar da boa vontade de Frederico Machado e da Lume Filmes, não sei se será possível mantermos a Mostra por lá. Acho que é preciso um lugar um pouco maior, porque assim as pessoas se sentirão, inclusive, mais seguras para arriscar prestigiar a sessão de abertura ou a de exemplos como O céu sem eternidade, e que agregue conforto, boa localização e acessibilidade. Acho que a Mostra tem potencial pra crescer e isso estará, irremediavelmente, associado ao local de realização.

A programação da 6ª. Mostra trouxe 46 filmes de 10 países, incluindo o clássico Morango e Chocolate, coprodução de Cuba e México. Não se faz, por exemplo, entre os filmes brasileiros, uma divisão por estado. O céu sem eternidade foi rodado aqui, com colaboração de gente daqui, mas não é um filme “maranhense”. Cabe perguntar: a que se deve a não participação de produções maranhenses? Existe uma convocatória nacional para a Mostra. Isso equivale a uma abertura de seleção, como em qualquer outro festival. Infelizmente, apesar de eu ter repassado a alguns realizadores, e mesmo de algum jornal ter publicado nota sobre essa convocatória, não houve inscrições de obras maranhenses. Na verdade tenho a impressão de que os realizadores locais, com algumas exceções (pouquíssimas mesmo), fazem filmes ou vídeos para serem vistos apenas em um ou outro festival maranhense. Além da convocatória, há também um trabalho de curadoria, realizado pelo Francisco César Filho, o Chiquinho, lá em São Paulo. O céu sem eternidade, de fato, foi rodado no Maranhão, tendo sido dirigido por Eliane Café, mas não é uma produção maranhense.

Outro problema encontrado pela produção local foi com as constantes quedas de energia no Centro Histórico, sobretudo no último dia da Mostra, quando as sessões chegaram a ter um atraso de até uma hora e meia. Aliado ao abandono do Centro Histórico e a questões estruturais, como falta de transporte e segurança pública, isso certamente também ajudou a diminuir o público. A Mostra é uma realização de um órgão público, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que envolve vários outros parceiros, públicos e privados. Falta sintonia por parte dos poderes públicos locais para um maior sucesso da Mostra? A falta de energia é um problema, a meu ver, inaceitável. Não falo isso apenas por causa da Mostra. Ali é o Centro Histórico. Apesar do número de turistas ser reduzido, a Praia Grande é também frequentada por maranhenses que querem, simplesmente, dar uma volta, passear. Como se não bastasse a falta de segurança, o acúmulo de lixo, o mau odor, o abandono generalizado… falta também energia. É demais mesmo! Houve uma articulação e parcerias para a Mostra, mas não creio que tenha faltado sintonia. Acho apenas que a Secretaria de Estado da Cultura podia ter um tipo de envolvimento um pouco maior. A nossa equipe tratava de captar público pra Mostra e eu me perguntava: por que a Secma não se preocupa em captar público pros equipamentos do estado?

A questão dos direitos humanos está em voga atualmente, sobretudo com relação à temática do Direito à Memória e à Verdade, assunto abordado em diversos filmes da 6ª. Mostra. O que você tem a dizer sobre o assunto? A história do Brasil é muito mal contada. Particularmente, temos um grande problema com o período da ditadura militar que começou em 1964 e da qual o atual presidente do Senado foi colaborador contumaz. Aqui não se buscou responsabilizar os culpados pelas torturas, pelos assassinatos, pelos desaparecimentos… Creio que o cinema ajude um pouco a preencher essa lacuna. Veja que, quando me refiro à história brasileira, não falo apenas no período ditatorial. Outro exemplo: quem sabe alguma coisa sobre a Balaiada? Uma das maiores revoltas populares da América Latina e talvez do mundo! As pessoas que estão no poder não querem que saibamos de história! Talvez tenham medo de que aprendamos com os exemplos e, portanto, preferem nos manter na ignorância.

Em a Mostra, em São Luís, deixando o Cine Praia Grande, certamente irá para uma sala maior. No entanto, cidades maiores, como Brasília e Rio de Janeiro, atualmente, realizam suas etapas da Mostra em salas menores que o Cine Praia Grande. Qual a tua opinião sobre isso? Às vezes é difícil conseguir um bom espaço. Não sei se é essa a questão. Mas acredito que aqui, onde as violações de direitos humanos são extremas, quero alcançar o maior número possível de pessoas. E isso é, de fato, uma posição pessoal.

[Vias de Fato, novembro/2011]

Deu bode no Papoético

Acima, primeira parte (de cinco, todas disponíveis no YouTube) do documentário Bode rei, cabra rainha [Brasil, 2008, 52min.], de Helena Tassara. O filme será exibido e debatido no Papoético de amanhã (24), às 19h30min, no Chico Discos (Rua de São João, 389, esquina com Afogados, sobre o banco Bonsucesso), com a presença da cineasta.

Conforme e-mail de Paulo Melo Sousa, vulgo Paulão, organizador e coordenador da tertúlia, o doc “prioriza como personagens o bode e a cabra, e inclui a fala de criadores, artistas populares, comerciantes e outras figuras cuja vida está profundamente ligada a esses animais, como o escritor Ariano Suassuna e Manelito Dantas, com participação de Zeca Baleiro, dentre outros artistas, na leitura e interpretação de textos. A música original é de Fabio Tagliaferri e Paulo Tatit”.

“A proposta da diretora, Helena Tassara, foi a de realizar um documentário divertido e rico, pontuado por histórias reais ou imaginárias, para ilustrar a essência da personalidade de seus protagonistas e a sua relação com os homens e mulheres nordestinos”, ainda segundo o e-mail.

Bode rei, cabra rainha, uma co-produção Fundação Padre Anchieta/ TV Cultura e Sesc TV, com produção da Cinematográfica Superfilmes, foi um dos vencedores do concurso Doc TV – Janela Brasil 2007 e já abocanhou diversos outros prêmios: melhor média metragem na 32ª. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (2008); melhor longa/média de temática nordestina na 36ª. Jornada Internacional de Cinema da Bahia (2009, Prêmio Especial do Banco do Nordeste); Troféu Nêgo Chico para o melhor filme/vídeo do 12º. Concurso Refestança concedido pelo Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho da Superintendência de Cultura Popular da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão no 32º. Festival Guarnicê de Cinema e Vídeo (2009); menção honrosa para melhor filme de média metragem no 11º. Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA) de Goiás (2009); melhor filme, melhor documentário e melhor trilha sonora no III Festival de Vídeo e Cinema Rural de Piratuba/SC (2011).

O Papoético tem entrada franca e é o único lugar em São Luís (fora sua própria casa) em que se podem ver filmes tomando cerveja. Faltou só uma carninha de bode de tira-gosto…

Hoje, em São Luís: últimas sessões da 6ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul

Seis filmes em quatro sessões marcam o último dia da 6ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul em São Luís. De graça, no Cine Praia Grande (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande), serão exibidos:

13h: Sobra uma lei (Daiana Di Candia/ Denisse Legrand, Uruguai, 36min., 2011, doc) e Pequenas vozes (Óscar Andrade/ Jairo Eduardo Carrillo, Colômbia, 76min., 2010, doc). Ambos os filmes tratam dos direitos da criança e do adolescente e à integridade física e têm classificação indicativa: 10 anos, clica sobre o horário para ver detalhes do programa.

15h: Chuvas de verão (Carlos Diegues, Brasil, 93min., 1977, ficção), direito do idoso, classificação indicativa: 16 anos.

17h: Morango e chocolate (Tomás Gutierrez Alea/ Juan Carlos Tabío, Cuba/ México, 110min., 1993, ficção), cidadania LGBT, democracia e direitos humanos, classificação indicativa: 14 anos.

19h: A terra a gastar (Cássia Mary Itamoto/ Celina Kurihara, Brasil, 6min., 2009, animação) e Os inquilinos (Os incomodados que se mudem) (Sérgio Bianchi, Brasil, 103min., 2010, ficção), o primeiro abordando economia e direitos humanos, o segundo, segurança pública cidadã, ambos com classificação indicativa: 14 anos, clica no horário para mais detalhes sobre o programa.

CuriosidadeO céu sem eternidade (Eliane Caffé, Brasil, 70min., 2011, doc), rodado em Alcântara/MA, e exibido sexta-feira (4), às 19h, teve a sessão mais concorrida da Mostra: aproximadamente 180 pessoas se espremeram entre as 120 poltronas do CPG, os corredores e o chão; superou mesmo a sessão de abertura, que contou 160 presentes.

Aposta do blogue – O filme mais concorrido de hoje deve ser Morango e chocolate, a conferir.

Uma falta de energia anunciada deverá atrasar um pouco as sessões. Mas é bom não contar muito com isso, chegar cedo e garantir os ingressos. Depois dessas, só ano que vem ou se você visitar uma das capitais por onde a Mostra ainda vai passar.

Murilo Santos no Papoético

O cineasta Murilo Santos posa com uma Kodak Rio 400, presente de seu pai

Fotógrafo, cineasta e professor, Murilo Santos (foto) é o convidado de hoje (20) do Papoético, que acontece a partir das 19h30min no Chico Discos (esquina das ruas Treze de Maio e Afogados, entrada pela primeira, sobre o banco Bonsucesso), de graça.

Sob mediação do poeta Paulo Melo Sousa, vulgo Paulão, Murilo conversará com o público presente sobre seus ofícios e exibirá o documentário francês Le bonheur est là-bas, en face, de Jean-Pierre Beaurenaut, cujo estilo influenciou o trabalho do maranhense.

O doc foi filmado no Maranhão (na capital São Luís e na comunidade quilombola de Ariquipá, Bequimão), na década de 70, e discute temas como comunidades quilombolas, migrações, cidade e urbanização, entre outros.

Cinemúsica

Três curtas-metragens com nomes de música compõem a sessão de abertura da Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, que em sua sexta edição chega pela segunda vez à São Luís.

Os filmes (todos ficções brasileiras de 2010, com classificação indicativa 14 anos) Doce de coco (20min.), de Allan Deberton, Tempo de criança (12min.), de Wagner Novais, e Máscara negra (15min.), de Rene Brasil, embora não necessariamente tenham sido inspirados nas músicas e/ou as mesmas não estejam em suas trilhas sonoras (aqui um palpite de quem ainda não viu os filmes), repetem os títulos Doce de coco, de Jacob do Bandolim, Meus tempos de criança, de Ataulfo Alves, e Máscara negra, de Zé Ketti e Hildebrando Pereira Matos.

Na capital maranhense a sessão de abertura da Mostra acontece dia 31/10 (segunda-feira), às 19h, no Cine Praia Grande (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande), com entrada franca, como todas as outras sessões do evento cinematográfico, conforme o e-flyer abaixo:

Cineminha com as crianças, pra curtir o feriado de meio de semana

O feriado cai numa quarta-feira e você acha isso “uó”: não dá para fazer aquela viagem emendando com o fim de semana. Fosse amanhã o dia da padroeira, sexta-feira era Tiradentes: enforcar e ser feliz.

O jeito é curtir a ressaca (ontem foi “sexta”, lembra?) e aproveitar. A dica é pegar os filhos, sobrinhos, netos ou qualquer outra criança, que hoje é dia delas, e levar ao Cine Praia Grande (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande). Lá, hoje (a partir das 16h) e amanhã (a partir das 17h), de graça, acontece a I Mostra de Cinema Infantil de São Luís, que exibirá, em seis programas, os 33 filmes que integram um box comemorativo de 10 anos da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis.

Além dos filmes, brincadeiras e guloseimas para as crianças. A programação completa você acessa aqui.

Cinema de qualidade em dose dupla

Em sua 6ª. edição, Mostra de Cinema e Direitos Humanos na América do Sul chega pela segunda vez à capital maranhense. De 31/10 a 6/11.

Antes, São Luís e o Cine Praia Grande recebem, dias 12 e 13 de outubro, a Mostra de Cinema Infantil.