Em geral Ritchie é um cara subestimado. A vida tem dessas coisas, música que abre este post, é parceria com Bernardo Vilhena, talvez seu parceiro mais constante, com quem assina quase todo o Voo de coração (de 1983, época em que a palavra vôo ainda tinha acento), disco de músicas até hoje assobiadas por aí, como Pelo interfone e Menina veneno, seu maior hit, ambas também parcerias Bernardo Vilhena.
Em algumas faixas do disco aparecem Liminha (contrabaixo), Lulu Santos (guitarra) e Lobão (bateria), entre outros, os dois últimos egressos da Vímana, banda que Richard David Court, nome de pia de Ritchie, formou quando desembarcou no Brasil, ainda na década de 1970, quando era um inglesinho de “20 e poucos anos” (mas isso já é título de música de Fábio Jr.).
Em 1984 Ritchie participaria também de Velô, disco de Caetano Veloso: os dois cantam juntos Shy Moon, composta em inglês pelo baiano.
Ritchie está na ativa e com disco na praça, 60, alusão à sua idade. O sessentão faz show hoje em São Luís, no projeto Gênesis in Concert, que celebra alguma efeméride da boate que já foi febre na capital maranhense. Abre a noite o DJ Salim Lauande, um de seus sócios-fundadores-proprietários.
Músico maranhense radicado em Fortaleza/CE, o compositor Gildomar Marinho está em estúdio gravando seu terceiro disco, Tocantes.
O sucessor de Pedra de Cantaria (2010) e Olho de Boi (2009) traz duas parcerias nossas: Perdão de cônjuge (a seis mãos com Lena Machado) e a faixa-título.
Tocantes será lançado ainda em 2012. Assista um vídeo com Livre (Gildomar Marinho), uma das faixas do disco:
Uma vez fui a uma festa em que as atrações eram o mesmo trio titular de DJs anunciados na filipeta que abre/ilustra este post: Franklin, Pedro Sobrinho e Zod, em ordem alfabética. A eles, nesta, se soma o convidado Jards Zue.
Desta vez o palco é o Odeon, bar que foge à regra quase geral do mau gosto que toma conta da Praia Grande.
O mote da festa é celebrar antecipadamente os controversos 400 anos de São Luís, 400 anos de lendas, doidices e mistérios. É tanta doidice que o Odeon anuncia este grande encontro para 32 de agosto. Doidice? Eles sabem que o negócio vai amanhecer e muita gente nem vai querer saber de “quando entrar setembro”…
A trabalho em Brasília/DF dei de cara com um rosto familiar. A memória funcionou ligeiro e eu gritei, ainda de dentro do carro, “Carrapa!”. Suponho que assustei o senhor que dedilhava um cavaquinho dentro de um Uno Mille, num estacionamento, enquanto Fernando manobrava o carro em que estávamos. Meti a mão na maçaneta e avisei-o que continuasse a manobra, pois eu precisava falar com o músico. Desci antes dele terminar e encarei o sol quente e vento frio da capital federal enquanto me apresentava a Carrapa do Cavaquinho (ao instrumento que lhe dá sobrenome no vídeo que abre este post), músico brasiliense infelizmente ainda pouco conhecido fora dali. Pouco conhecido para alguns muitos; para mim, uma lenda viva.
Ao ouvir meu nome, ele disse não ser estranho, sabe-se lá se por gentileza ou qualquer outro motivo. O fato é que tenho seu em casa, um disco solo autografado, além de um do Liga-Tripa, ouçam o que lhes digo, o melhor grupo surgido em Brasília que já ouvi. Este disco, dividido com o Choro Livre, grupo de choro, como o nome entrega, está autografado a mim pelos membros do Liga-Tripa, de quem também tenho cópia do vinil Informal Ao Vivo, gravado por eles em 1988 em algum teatro da cidade.
Nunca tinha estado com nenhum deles: os autógrafos me foram conseguidos por amigos comuns, Glauco Barreto, também músico, de extremo bom gosto, talvez em articulação com o jornalista-músico Nelson Oliveira, a poeta Noélia Ribeiro e quiçá alguns outros.
Conversei uns poucos minutos com Carrapa do Cavaquinho e ao ser indagado por ele, “você tá no facebook?”, respondi passando todos os meus contatos. “Um dia chegando em São Luís te procuro”, prometeu.
Perguntei se o Liga-Tripa ainda tocava no Café da Rua Oito, onde eu sabia, há alguns anos, que eles se apresentavam mensalmente, se na primeira ou última quinta-feira do mês já não lembro. Ele disse que o café já nem existe mais.
Os três discos acima citados, difíceis de encontrar, recomendo procura e audição aos poucos mas fieis leitores deste blogue. Torço para que o Liga-Tripa volte a gravar, certamente têm coisas novas para mostrar, mas preferi não perguntar isso a Carrapa.
Despedi-me com outro aperto de mão e ainda pude ouvir umas notas do cavaquinho que ele empunhava, gastando o tempo da espera por alguém, o que também fazíamos eu e Fernando, ali, por perto de meio-dia. Do carro em que estava, ainda vi Carrapa guardar no quebra-sol o papel em que lhe dei anotados meus contatos, o blogueiro desleixado nunca carrega cartões de visita ou máquina fotográfica.
Jô e Pedrosa, a quem esperávamos, chegaram. Estacionado imediatamente atrás do de Carrapa, o carro conduzido por Fernando andou e eu ainda acenei para ele num último cumprimento, rumo ao almoço.
Rosa Reis é rainha. Negra da música de todas as cores. O título de seu mais novo disco, Brincos, entrega o som que a moça faz: música para pendurar nos ouvidos.
Rosa Reis é Maranhão, a beleza e a pluralidade de nossa música, um passeio por nossa diversidade rítmica, muita coisa só se vê e ouve por aqui.
“Minha terra tem tambor de crioula, a tua não tem”, dizia, orgulhoso de nossa terra, o saudoso Antonio Vieira. Tem tambor de crioula, tem bumba meu boi, tem lelê, tem cacuriá, tem samba, tem choro, tem baião. Depois do passeio gastronômico, vamos ao passeio musical.
Ao mesmo tempo em que Rosa Reis é guia, é também o prato principal no menu da música, que temos o prazer de servir agora. Apreciem sem moderação. Com vocês, Rosa Reis!
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Textinho que escrevi, às pressas, minutos antes de degustar a cerveja gelada e a deliciosa comida preparada para a comunidade e membros das Cáritas do Nordeste, enquanto esperava o show em que Rosa Reis aprontou tudo o que anunciei, para deleite dos presentes.
As Cáritas visitavam o Vinhais Velho para conhecer uma experiência de resistência, programação que integrou o Encontro Inter-regional Nordeste da Cáritas Brasileira, realizado em São Luís entre os últimos dias 15 e 17 de agosto (a visita e o show de Rosa Reis aconteceram dia 16).
A cantora Lena Machado, com quem trabalho no Secretariado Regional da Cáritas no Maranhão, a quem dei o texto para uma primeira lida após terminá-lo, gostou tanto que se dispôs a lê-lo no palco, apresentando Rosa Reis. Ela guardou o manuscrito e eu resolvi publicar aqui.
Raul Seixas completou 23 anos de saudades no último dia 21 de agosto. Hoje (24), Wilson Zara e banda realizam a 20ª. edição do Tributo que apresentam anualmente. O show, que acontece no Bar do Nelson (Av. Litorânea, Calhau), às 21h, terá as participações especiais de Legião Urbana Cover e Garrincha (Zé Ramalho Cover). Os ingressos custam R$ 15,00 (metade para estudantes com carteira) e podem ser adquiridos no local.
Semana corrida, o blogue acabou não prestando as merecidas homenagens ao carioca Altamiro Carrilho, que subiu aos 87 no último dia 15, vítima de câncer nos pulmões, logo eles, que tanto nos deram alegrias, ao permitirem-no soprar seu instrumento desde a infância, fossem eles de lata ou bambu, fabricados pelo próprio ou, depois, os profissionais, “de verdade”, inicialmente comprados com o dinheiro arrematado com prêmios em programas de calouros.
É conhecida a história em que o flautista Benedito Lacerda, parceiro principal de Pixinguinha, ao ouvir uma flauta no rádio, confundiu-a com seus trinados, chamando a esposa para tirar-lhe a dúvida. Era Altamiro Carrilho, que viria a substituí-lo nalgum regional.
Não seria exagero dizer que Altamiro Carrilho tocou com todo mundo. Sua flauta está em O mundo é um moinho, Sala de recepção, As rosas não falam e Cordas de aço, de Cartola (1976); Pelos olhos, de Caetano Veloso, no disco Jóia (1975); A flor e o espinho, Notícia, Palhaço e outras de Nelson Cavaquinho (1974); Maura, de Luiz Melodia (1991); Pai e mãe, de Gilberto Gil, no disco Refazenda (1975); em Lindo blue, Criaturas e Plenitude, de Walter Franco, no disco Respire fundo (1978); Os cafezais sem fim e Choro de Mãe, de Wagner Tiso (1978); Passo a passo, de Moraes Moreira, no disco Estados (1996); Carimbó do Moura e Dia de comício, de Paulo Moura, em Confusão urbana, suburbana e rural (1976); no disco Pixinguinha de novo (1975), que dividiu com o flautista Carlos Poyares, lançado pela Marcus Pereira (por exemplo o Sarravulho que abre este post); e em vários discos do Palhaço Carequinha, que era acompanhado pela bandinha do flautista.
O parágrafo acima ficou grande, mas poderia ser ainda maior, se citássemos tudo em que Altamiro Carrilho colocou sua flauta e talento, em discos seus ou alheios, tocando choro ou qualquer outro gênero. Para fechar, citemos duas músicas que todo mundo conhece, duas introduções de flauta que todo mundo assobia: Meu caro amigo, de Chico Buarque (1976), e Detalhes, de Roberto Carlos (1971). Inconfundíveis. Puro Altamiro Carrilho.
A julgar por seu vasto legado, os versos de Roberto e Erasmo bem cabem aqui como homenagem ao saudoso mestre: “Não adianta nem tentar me esquecer/ durante muito tempo em sua vida eu vou viver”. Altamiro Carrilho permanece vivo na eternidade de sua divina flauta.
O escritor José Louzeiro tem sua importância na literatura e cinema brasileiros, algo inegável e indiscutível.
Em Um curta de arrepiar [O Estado do Maranhão, 12 de agosto de 2012, Opinião, p. 5], o autor de Pixote – Infância dos Mortos e Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia, para citar apenas dois clássicos de sua autoria, comenta elogiosamente o filme A Ponte, curta de animação produzido pela Guarnicê Produções e Dupla Criação. Os elogios devem ser merecidos, a julgar pelos nomes envolvidos, listados no artigo pelo missivista, sobre cuja competência não há dúvidas, repita-se.
O maranhense, no entanto, erra ao creditar as músicas Carcará e Flor do Mal, trilha sonora do filme, o erro motivação deste post. Na primeira omite José Cândido, parceiro de João do Vale, corretamente creditado. Na segunda, inventa uma parceria inexistente, atribuindo a autoria a Cesar Teixeira e Papete, quando a composição é apenas do primeiro, tendo sido interpretada pelo segundo em Bandeira de Aço (1978), cuja faixa-título também leva a assinatura solitária de Cesar Teixeira.
Como nosso jornalismo diário não é afeito a erratas e quetais, fica o registro.
Grata surpresa ontem, no show dos Paralamas do Sucesso [Nova Batuque, Cohama, em comemoração ao Dia do Advogado, promoção da OAB/MA], foi a abertura da banda Pé de Ginja. Um palco menor reunia pequena parcela do público presente. Outros já enfrentavam a burocrática fila para adquirir bebidas. Dirigi-me a seco, para o palco dos fundos, cujo agradável barulho já tinha ouvido no trajeto entre o estacionamento e a casa de shows.
A banda é grande e tem formação sui generis, ao menos para o padrão pop – que eles extrapolam – a que nos acostumamos por estas plagas. Mil perdões, mas eu só lembro o nome de três integrantes: Sandoval Filho (bateria, nome familiar da banda de Djalma Lúcio), Jéssica (voz, não guardei o sobrenome) e Paulo Linhares (guitarra), que também faz backing vocal e intervenções poéticas, além de, ontem, preocupar-se com não bater a cabeça em uma viga no palco de pé direito baixo. Estudante de direito, lembro-me dele em um vídeo em que o futuro advogado sobe na boca faminta de um trator, enfrentando ordem de despejo em uma ocupação urbana, no interior da ilha. A Pé de Ginja se completa com um guitarrista, um baixista, outro vocalista e um trio de metais que se reveza entre saxofones, trompete e gaita. Nas horas de folga o naipe bate palmas e dança engraçado.
O repertório fica entre o autoral, a poesia de Paulo Linhares e releituras. Do afrossamba Canto de Ossanha de Baden e Vinicius, a Copacabana de Marcelo Camelo, A menina dança imortalizada pela Baby Consuelo dos Novos Baianos e já relida pela devota Marisa Monte, e até mesmo a marchinha carnavalesca Mamãe eu quero, nada soando óbvio.
Faleceu nesta madrugada, aos 48 anos, em decorrência de complicações pulmonares, o sambista Valdinar (foto), do Sindicato de Valdinar.
“São Luís, o Maranhão, enfim, o samba perdeu um grande bamba, sambista este que foi muito importante e que contribuiu de uma maneira incansável para que o movimento do samba chegasse a este patamar, a um nível de valorização que antes não havia, pois Valdinar era do tempo do samba sem grana e sem glória, um dos que resistiu e lutou até seus últimos dias pela bandeira do samba”, declarou o grupo Sindicato do Samba em seu perfil no Facebook, por onde nos alcançou a notícia do falecimento, via Joel Jacinto.
Também na rede social, Leandro Rodrigues afirmou que Valdinar será “eternamente querido pelo público sambista da Ilha”.
O corpo de Valdinar está sendo velado na rua Dagmar Desterro, 453, Bairro de Fátima. O sepultamento acontece amanhã, às 10h, no cemitério J. Câmara, na Estrada de Ribamar.
Faleceu ontem aos 68 anos o músico Antônio José Waghabi Filho, o Magro, do MPB4. Ouça a interpretação do grupo para Descampado verde, de Chico Maranhão, de 1968:
O pianista baiano Rubens Salles, radicado nos Estados Unidos, faz hoje (4) em São Luís sua única apresentação no Brasil, lançando seu segundo disco, Liquid Gravity. O show é também o primeiro realizado no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy), recém-inaugurado.
Em Gravidade Líquida, o show, o pianista será acompanhado por Daniel Santos (clarinete e saxofone), Isaías Alves (bateria), Jayr Torres (guitarra), Luiz Cláudio (percussão) e Mauro Sérgio (contrabaixo), além de contar com as participações especiais de Anna Cláudia e Cláudio Lima (com quem dividiu o disco Cada mesa é um palco).
O espetáculo acontece às 21h e os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do teatro, ao preço de R$ 30,00. A produção é da Crioulas Comunicação & Produção, patrocínio de São Luís 400 Anos, City Luz, Maxtec, Sebrae e Result Consultoria, e apoio de Clara Comunicação, Business Solutions, Cabana do Sol e Caves du Van.
Show de hoje será gravado e imagens irão compor primeiro DVD de Cesar Teixeira, ainda sem data definida de lançamento
Durante o show Shopping Brazil, hoje (3), às 22h, no Trapiche, serão captadas pelo cineasta Frederico Machado imagens para compor o primeiro DVD de Cesar Teixeira. Trata-se, por mais este motivo, de uma apresentação histórica e imperdível.
Ainda sem data prevista de lançamento, anuncia-se um pacote de lançamentos do artista, incluindo DVD, disco novo e a reedição de Shopping Brazil (2004), seu único disco lançado até aqui e há muito esgotado.
Presente no disco, o compromisso do compositor com a defesa dos direitos humanos se fará presente no espetáculo de hoje: a música que lhe empresta o nome trata da questão ambiental, denunciando a situação vivida por quem habita e sobrevive em condições subumanas nos lixões do país. O público poderá doar lixo reciclado, cuja renda será revertida em favor das crianças atendidas pelo Centro Beneficente da Paróquia Nossa Senhora da Glória.
No repertório não faltarão músicas como Bandeira de Aço, Flor do Mal, Boi da Lua e Oração Latina, entre as mais conhecidas, além de inéditas. A apresentação contará com participações especiais do ator Auro Juriciê e do compositor Joãozinho Ribeiro.
Shopping Brazil, o show, tem patrocínio do Banco da Amazônia (BASA) e apoio da Fundação Municipal de Cultura (FUNC), Serviço Social do Comércio (SESC) e Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SESC).