Com destaque para os ritmos populares do Maranhão, o Sarau de Bailados reúne diversas expressões, como mostra o cartaz acima. Confira a programação de hoje, que acontece na sede do Laborarte (Rua Jansen Müller, 42, Centro): 19h: Roda de Capoeira com os mestres Patinho e Nelsinho, na Sala Cecílio Sá > 20h: Exposição de fotos e cartazes, vídeos sobre a Ilha de São Luís e estórias e casos sobre a cidade > 21h: Performance Inversões(de Gonçalves Dias a Nauro Machado), com Keyla Santana; Roda de Cacuriá com Cecé Ferreira; grupo de BBoys Cidade Operária Crew > 22h: DJ Pedro Sobrinho; grupo Bambaê de Saias e show Bailados com Rosa Reis e a Quadrilha do Vai Quem Quer.
Faleceu na manhã de hoje (31), em decorrência de um câncer (dado como curado há alguns anos), o músico Nelson Jacobina. Coadjuvante, mas não menos importante, Jacobina talvez estivesse para Jorge Mautner como Vadico para Noel Rosa, para dar apenas um exemplo. Atualmente era também integrante da Orquestra Imperial.
Topei com ele há alguns anos no camarim de um show que fez com o parceiro no Circo da Cidade, produção de Ópera Night. Entre nomes como Tom Zé, Elomar, Jards Macalé e tantas outros que só Ópera opera a vinda à Ilha, a plateia para Jorge Mautner (voz e violino) e Nelson Jacobina (violino) foi uma das menores em que já estive. O que não os impediu de fazer um grande show.
No encontro no camarim após o show, Mautner sem camisa no calor de São Luís exibia no peito uma profunda marca de anos de instrumento. Não tirei foto nem peguei autógrafo. Contei uma história ouvida dias antes, que lembrava uma passagem deles (ou só de Mautner?) por Imperatriz, ocasião em que Neném Bragança sentou em cima (e obviamente quebrou) os óculos de Mautner. Este lembrava do episódio e os dois riram um bocado.
Os vídeos abaixo dão uma ideia da importância de Nelson Jacobina para a música brasileira, quer como compositor quer como músico, embora seu nome quase nunca seja lembrado de imediato, de tão atrelado a Mautner. É a melhor forma de lembrá-lo e homenageá-lo.
Por exemplo, quando Mautner (violino) e Jacobina (violão) acompanham Jards Macalé nesta magistral execução ao vivo de Vapor Barato (Jards Macalé/ Wally Salomão):
Ou nessa versão dos autores para o clássico Maracatu Atômico (Jorge Mautner/ Nelson Jacobina), em que louvam Renato Russo, Cazuza, Raul Seixas e, claro, Chico Science, que com sua Nação Zumbi gravou a versão mais conhecida da música (também gravada por Gilberto Gil):
Agora a versão dos malungos:
Suas Lágrimas negras (Jorge Mautner/ Nelson Jacobina) por Nina Becker, sua companheira de Orquestra Imperial, a música também já gravada por Gal Costa, Olívia Byington, e em dueto por Otto e Julieta Venegas:
And last but not least sua Ela rebola (Jorge Mautner/ Nelson Jacobina), com sua Orquestra Imperial:
Chico Saldanha e Josias Sobrinho reapresentam, em São Luís, show que estrearam em Brasília mês passado. A causa é boa: um concurso de fotografia que em breve será anunciado pelos teimosos, graças a Deus!, organizadores do Papoético, os mesmos que realizaram seu I Festival de Poesia, cuja final acontece amanhã (31), no Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande), de graça, às 19h.
A renda do show será revertida para o citado concurso de fotografia. Faça parte dessa história e ajude a realizá-lo. O show acontece no Bar Chico Discos, onde cabem confortavelmente 60 pessoas. Garanta o seu antecipadamente, detalhes na imagem que ilustra este post.
[antes, dois avisos: um: isso não é jornalismo; e outro: o blogueiro viajou às próprias expensas]
A plateia cantou junto o show inteiro. No repertório, várias fases da carreira
Há coisa de 10 anos, eu, menino recém-entrado na boemia, assisti a um maravilhoso show de Tom Zé no Circo da Cidade, em São Luís. A abertura ficou por conta de Cesar Teixeira e na plateia, lotada, estava o saudoso Mestre Antonio Vieira, cuja obra o baiano elogiaria durante o show.
Passei o espetáculo inteiro entre assisti-lo e conversar com dona Neusa Santana Martins, esposa e memória do gênio de Irará. Lembro que, ao saber de sua apresentação na Ilha, fiz contato com o escritório do tropicalista em São Paulo e consegui comprar alguns discos que me faltavam na coleção.
Eufórico, furei a fila dos autógrafos, levado por dona Neusa: apertei a mão da banda inteira, abracei Tom Zé, lembrei de Caetano Veloso, em seu Verdade Tropical, escrevendo algo sobre o brilho dos olhos daquele homem miúdo na estatura, gigante no que faz – pude comprová-lo pessoalmente. Peguei autógrafo em Jogos de armar – Faça você mesmo, então seu disco mais novo, cuja turnê chegava ali por 2002 ou 3 em São Luís. Algum fotógrafo, no camarim, fez um retrato nosso, eu, o fã, e Tom Zé, o ídolo – jornalismo era algo em que eu apenas engatinhava ainda e, como não ia resenhar o show, não primei pelo “distanciamento”. Na ocasião eu era tiete mesmo. O fotógrafo pegou meu telefone. Deveria me cobrar no trabalho, dias depois, e entregar a foto. Nunca cobrou. Nunca vi a foto (se ela existir e o fotógrafo por acaso estiver lendo isto aqui, ainda estou disposto a pagar).
10 anos depois ou quase isso, estou a passeio em Curitiba e, conhecendo a urbe num ônibus de turismo, próprio para tal, descemos, eu e minha esposa, no Museu Oscar Niemeyer, também conhecido como Museu do Olho, por causa de uma das formas extravagantes da arquitetura do gênio centenário e damos de cara com a programação do Fito, o Festival Internacional de Teatro de Objetos, invenção do Sesi.
O público era enorme em uma área montada ao lado do museu, com várias salas onde aconteciam os espetáculos, em que, pelos anúncios que vimos espalhados pela cidade, um saca-rolhas se transformava em uma bailarina, uma chaleira vermelha virava uma senhora irada e assim sucessivamente. Éramos turistas, minha esposa já havia concluído as obrigações de trabalho que a haviam levado à capital paranaense e agora curtíamos a cidade. Adentrando o recinto do Fito, Naná Vasconcelos encerrava um show e um locutor anunciava outras atrações. A última do dia (sábado, 26) seria Tom Zé. Em meio ao “teatro de objetos”, ele era anunciado como “música/contramúsica”, eu leria depois, no programa. “Vamos terminar o passeio e voltar para cá”, decidi sozinho pelo casal. A jardineira, um ônibus aberto que de meia em meia hora circula por nem lembro quantos pontos turísticos curitibanos, ainda nos levaria à Ópera de Arame e Pedreira Paulo Leminski – o poeta mereceria um capítulo à parte, que talvez eu escreva por aqui em breve – e em Santa Felicidade, onde degustamos lasanha e vinho artesanal deliciosos. Antes, já havíamos passado pelo Passeio Público.
Niemeyer sempre me interessa, mas, qual “os barzinhos do Largo da Ordem”, o Museu Oscar Niemeyer estava entre as dicas do amigo Ademir Assunção. “Grande Ademir!”, eu repetia enquanto passeávamos, por lá, na noite anterior, entre bonitos botecos como o Bar do Alemão e o Sal Grosso. Ali ainda voltaríamos no domingo, para comprar lembranças para as sobrinhas e uns poucos parentes, a grana era curta. “Só nós mesmo para fazermos turismo assim”, eu dizia. Felisos. Lisos, mas felizes.
Tom Zé apresentou um show bastante interessante, passeando por diversas fases da carreira: músicas compostas no período da ditadura militar, como Todos os olhos (primeiro verso: “de vez em quando todos os olhos se voltam pra mim”; último verso: “eu sou inocente”) e Augusta, Angélica e Consolação aos estudos de samba, Hein?, e pagode, O amor é um rock e ElaEu – esta, abriu o show e foi repetida no meio, a pedido de uma fã mais próxima ao palco. Em Menina, amanhã de manhã, ele lembrou, generoso mas não modesto, da gravação de Mônica Salmaso, talvez definitiva, para a canção. “Eu sou a Mônica, ele é o Salmaso”, disse apontando para Jarbas Mariz, com quem dividiu os vocais, “uma dupla caipira”, prosseguiu, “menina amanhã de manhã quando a gente acordar quero te dizer que a felicidade vai desabar sobre os homens”.
O baiano ri e faz rir, conta histórias, diverte-se divertindo. Tira sons percussivos de agogôs e esmeris – com as luzes apagadas, as faíscas-estilhaços iluminam aquela espécie de galpão, completamente lotado. Em O jingle do disco, faixa pouco conhecida de The hips of tradition, do período de sua redescoberta a partir do interesse de David Byrne por sua música na década de 1990, ele exibe réplicas de vinis, cujos cds eram vendidos por dona Neusa, além de esposa e memória, assistente, secretária, produtora, empresária e quantos ofícios ela puder dar conta, sempre simpática.
Cumprimentei-a, antes do show, comprei dois discos que ainda não tinha. Depois acompanhei, cantando, grande parte do show, gratuito. Em Xique-xique foi até possível arriscar uns passinhos de dança, ou balançar o corpo cansado, algo próximo de, o que o espaço permitia, talvez nem dois pra lá, dois pra cá, no galpão entupido de adultos e crianças, remanescentes da programação que teve início à tarde. No bis, 2001, “parceria com Rita Lee”, com a plateia cantando junto, Jimmy renda-se e Moeda falsa: Tom Zé, que já havia tirado onda com os curitibanos, mudou a letra, lembrando-se das colônias germânicas e europeias em geral que ajudaram a formar e ainda habitam a cidade. O show não terminaria com o “eles vão tomar no fiofó”, verso final de Moeda falsa. Educado, “Mister Tom Zí” – a pronúncia de seu nome pelos americanos que o (re)descobririam há algum tempo – agradeceria o carinho dos paranaenses que tão atentamente prestaram atenção em sua música e performance. Aliás, que fique o registro: não é qualquer um que faz aquilo aos quase 80. Muito pulo e jogo de perna que eu, aos 30, não arrisco.
Do Maranhão, estando ali por mera sorte, senti-me contemplado nos agradecimentos. Depois de mais ou menos hora e meia de show preferi não enfrentar a fila do camarim e arriscar finalmente ter minha foto com Tom Zé, embora tenha anunciado a vontade à dona Neusa, antes dele subir ao palco. Mas era preciso acordar cedo no domingo, data em que estava marcado nosso retorno à São Luís: no espaço de tempo que ainda sobrava, ainda havia turismo a fazer.
O dj Franklin Santos continua a sua temporada Radiola Muderna no Cumidinha di Buteko nesta sexta (25). Os ingressos custam R$ 10,00. Nesta edição, ele conta com a participação especial de Tássia Campos. O que será que este par aprontará no palco?
Emocionantes, cada qual a seu modo, os dois vídeos abaixo, A cara do Brasil, a música de Celso Viáfora e Vicente Barreto, interpretada pelos mesmos, e o Pé na rua, programa de tevê, o personagem Ezequiel Souza e Silva, catador:
Postei ontem, cá en el blogue, notícia sobre apropriação que o Clube do Choro de Brasília fez de marca do Clube do Choro do Maranhão, mais precisamente de seu saudoso projeto Clube do Choro Recebe.
Para definir o ocorrido não hesitei em usar o termo ‘plágio’: ato ou efeito de plagiar; imitação ou cópia fraudulenta.
Nem de longe era intenção do blogue, no entanto, qualquer entrevero diplomático-musical entre as capitais federal e maranhense, sobretudo em se tratando de “instituições” irmãs, os clubes do choro daqui e de lá.
Nomes do Maranhão já se apresentaram no Clube do Choro de Brasília; nomes da terra do Liga-Tripa já se apresentaram na de Cesar Teixeira. Oxalá tão logo o local retome suas atividades se continue esse saudável e necessário intercâmbio.
Não tardaram a se manifestar os chorófilos Ruy Godinho e Rudolfo Magalhães, além de um perfil institucional do Clube do Choro de Brasília, por e-mail e na caixa de comentários deste blogue.
Segundo eles, este link, no site Sai do Sofá, seria o causador do mal-entendido todo: lá aparece a logomarca do Clube do Choro daqui como sendo do de lá, usada pelo artista que assina o layout do e-flyer que deu origem a este blá-blá-blá todo.
O ocorrido não é a coisa mais importante do mundo, como também não é a mais desimportante, a menos importante, a menos desimportante. Ao blogue cabe apontá-lo, o que fizemos prontamente.
Depois torcer pelo sucesso das empreitadas dos chorões em Brasília e pelo retorno das dos chorões ilhéus, hoje espalhados por aí, sem um projeto-espaço agregador e permanente.
Alguns poucos mas fieis leitores, à menção do saudoso projeto semanal produzidapresentado por Ricarte Almeida Santos, pensarão em sua volta. Ou sentirão um fremir desejando-lhe.
Mas na verdade, acontece outra coisa: a cantoramiga Lena Machado recebeu por e-mail o e-flyer abaixo:
Ora, ora, dirão aqueles mesmo poucos mas fieis leitores, se não é a logomarca do Clube do Choro Recebe, capitaneado, repita-se, por Ricarte, entre 2007 e 2010?
Sim, é. E vem com a assinatura escondidinha aí no canto inferior esquerdo de Adelson Carvalho, se a vista míope e astigmática não me falha, que o nome de tão pequenininho (quase) não consigo ler.
Então, agora o respeitadíssimo Clube do Choro de Brasília tem nome de projeto e logomarca iguaizinhos ao Clube do Choro do Maranhão? Noutras plagas a isso chamamos plágio.
Para termos uma ideia, post de Ricarte em 7 de outubro de 2009 anunciava o “novo banner de fundo de palco do Clube do Choro Recebe“.
O Maranhão tem jeito? Nesse momento de saúde frágil (dele), que pensamentos dedica ao ex-presidente José Sarney?
Anseio muito por uma virada política do Maranhão. É um estado soterrado por corrupção, miséria e usura. Mas é também lindo, rico e culturalmente abençoado. Não posso desejar a morte do Sarney, porque isso contraria meus princípios, afinal fui criado em família católica, não fui ensinado a torcer pela morte de ninguém, nem mesmo do inimigo. Mas a única perspectiva de mudança que vislumbro pro Maranhão depende da morte política de seu legado tirano.
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Zeca Baleiro a Pedro Só na Billboard Brasil nº. 30 [maio/2012, capa: Keith Richards e Mick Jagger]. Sobre seu O disco do ano, um dos temas da entrevista de que catei o trecho acima, escrevo em breve por aqui.
A foto é em preto e branco, mas a vida e a festa são coloridas
Apresentação multicultural semanal capitaneada desde maio de 2002 pelo poetamúsico ZéMaria Medeiros (foto), A vida é uma festa! irá comemorar a primeira década de vida e de festa nesta quinta-feira (17), a partir das 17h30min, em frente à Companhia Circense de Teatro de Bonecos, na Praia Grande, seu palco costumeiro, desde que deixou o extinto Bar de Seu Adalberto, onde tudo começou.
Além das apresentações musicais do anfitrião, sempre acompanhado pela Banda Casca de Banana, a programação incluirá ainda discotecagem de Maguelo e Ganja Man, além de shows de Omar Cutrim e Saci Teleleu, além de muito improviso, uma das características do palco livre. Outra é que é grátis!
Eu tinha uns 13 anos quando Agnaldo Timóteo lançou o disco que ilustra este vídeo, de onde foi tirada a faixa que você, leitor, leitora, acabou de ouvir.
É um álbum cujo repertório trata exclusivamente do tema “mãe”, um caça-níqueis para o dia das mães de 1995. Não lembro se, àquele ano, algum de nós presenteou dona Solange com ele.
Lembro sim da intensa campanha publicitária da Globo para o disco, com muitas, muitas mesmo, inserções diárias em sua programação.
Numa das músicas havia um refrão chato em que o cantor repetia a palavra “mamãe” três vezes, repetido, a cada intervalo, por Netto, meu irmão ano e meio mais novo que eu (a prole de dona Solange se completa com Luziana, quase três anos mais nova que o blogueiro).
À época eu achava aquilo tudo muito chato e tenho quase certeza de que se nossa genitora ganhou o disco, certamente não fui eu quem o deu (e desde sempre livros e discos são meus presentes prediletos, para dar ou receber).
Menos por Agnaldo Timóteo que por meu irmão, que sobrepunha sua voz à do cantor na televisão, a cada comercial do disco. E eram muitos, repito.
Era mais ou menos como conta o Arrigo Barnabé: “em nossa família, entre as crianças, cada um tinha sua preferência como uma marca de identidade. Quase como uma afirmação de virilidade. Era assim com os refrigerantes, as cores, os times de futebol, os animais, os instrumentos musicais, tudo que oferecesse opção de escolha”.
Logo, à época, se meu irmão adorava o Agnaldo Timóteo, ou particularmente aquele disco ou aquela música ou seu refrão veiculado nas propagandas, ainda que fosse apenas para me chatear, eu, obviamente, detestava o Agnaldo Timóteo, ou particularmente aquele disco ou aquela música ou seu refrão veiculado nas propagandas ou ainda a voz de meu irmão sobre a do cantor, comercial após comercial, mesmo sabendo que, no fundo, ele talvez nem gostasse tanto assim e quisesse apenas, para meu desespero, me chatear.
Bom, lembro dessa historinha para homenagear todas as mamães com quem convivo. Viva vocês, meninas!
RIO DE JANEIRO – Mês sim, mês não, o caso volta ao noticiário: o processo movido há 20 anos por João Gilberto contra a gravadora EMI por esta ter espremido seus três LPs da Odeon num LP duplo (“O Mito”) e num CD simples (“The Legendary João Gilberto”), “apressando” algumas faixas para encurtá-las, adulterando sua sonoridade e alterando a ordem original para caberem naqueles formatos. Músicos foram chamados a ouvir esses discos e deram razão a João Gilberto.
Enquanto o processo não se resolve, os três discos -“Chega de Saudade”, 1959, “O Amor, o Sorriso e a Flor”, 1960, e “João Gilberto”, 1961- ficam impedidos de sair no Brasil, em CD ou no que for. Com isso, o país da bossa nova é o único proibido de ouvir os discos que formam o seu cânone. Equivale a proibir os meninos brasileiros de ler o Machado de “Dom Casmurro”, “Brás Cubas” e “Quincas Borba”.
Já na Europa qualquer selo se sente à vontade para lançá-los em qualquer suporte. O Él/Cherry, por exemplo, soltou os três LPs em CDs individuais, com as capas originais e enriquecendo-os com gravações raras da época, por outros cantores, todas do acervo da EMI.
É uma edição boa, mas não se compara à da Doxy, que os relançou em LPs mesmo, só que em vinil de 180 gramas (ou seja, virgem). O som é melhor que o dos próprios LPs originais (que a Odeon, na época, certamente prensou em vinil reciclado). E cada LP traz uma cópia-bônus em CD.
Os três discos de João Gilberto estão proibidos no Brasil, mas isso não se aplica ao seu conteúdo. Suas faixas podem ser “baixadas”, avulsas, por quem quiser -tanto as legítimas, que mudaram a história da música brasileira, quanto as adulteradas pela gravadora. Um dia já não se saberá qual é qual, e -isso é que é triste- talvez não faça muita diferença. João Gilberto terá lutado em vão.