Choro poliglota traduzido em “Língua Brasileira”

A música colorida da estreia de André Parisi

POR RICARTE ALMEIDA SANTOS E ZEMA RIBEIRO

Dois amigos, um chega ao escritório de trabalho pabulando de sua mais nova aquisição chorística. Coloca-o para tocar, gabando-se de sua recente descoberta e o outro imediatamente aprova a beleza anunciada pelo primeiro, que havia lido uma belíssima resenha do Tárik de Sousa na CartaCapital e, sem pestanejar, encomendou o disco pela internet, caminho cada vez mais natural hoje em dia, numa São Luís que padece da falta de lojas de discos e livrarias.

Era Língua Brasileira, do jovem clarinetista André Parisi, disco independente lançado em 2011 e distribuído pela Tratore. Os dois amigos, também colegas de trabalho – parece óbvio e/ou redundante, mas são duas coisas diferentes, diga-se –, ficaram ali, no escritório, trabalhando e ouvindo o disco em som ambiente. Ao fim, play novamente e assim até a hora do almoço.

O regional Língua Brasileira, que acompanha André Parisi (em pé) ao tocar a homônima

“Surgiu o nome, a partir da ideia de que não falamos mais a língua portuguesa; e, na música, os lundus, maxixes e polcas também compõem uma nova linguagem musical, a língua brasileira”, explica Filosofando num boteco, curto texto no encarte do disco dando conta da urdidura do mesmo. Por ali também cabem baião, frevo e sambas, tocados em modo choro, tudo ali desde sempre, tudo soando tão novidade.

Conclusões de ambos: fazia tempo que não ouviam um disco inédito e, ainda por cima, de um jovem músico, tão bom, tão arrebatador.

Para o segundo, o primeiro tinha toda razão ao propagandear sua aquisição choro-fonográfica, de fato, um achado da “arqueologia musical contemporânea”, por tudo que esse disco traz de extraordinário. Os dois amigos, o leitor já percebeu faz  tempo, eram os autores deste texto, postado quase simultaneamente em seus blogues. Mas voltemos à Língua Brasileira.

Um repertório autoral e inédito, nos dando a sensação de grandes clássicos; daí ficar bem clara, até aos ouvidos menos atentos, uma pegada moderna, de substância tradicional. Algo raro nos discos de música instrumental brasileira. Coisa que alguns até se arriscam a fazer, mas, ou caem no tradicionalismo repetitivo, sem nada de novo, ou escorregam num vanguardismo sem alma, sem substância, até com certo virtuosismo, mas sem tocar ou revelar a própria identidade. Na maioria das vezes são acometidos, como diria Nelson Rodrigues, de uma síndrome de vira-latas, fuçando acordes em busca de ser algo que não são, ou exibindo-se como maratonistas, narizes empinados, as mãos capazes de tocar não-sei-quantas notas e/ou acordes por segundo.

Definitivamente isso não é o que ocorre em Língua Brasileira. André Parisi, jovem e exímio clarinetista, mostra saber equacionar bem essa natureza da cultura brasileira em permanente e intensa transformação, apresentando- nos um disco com alma e idioma brasileiro, naquilo que ele tem de mais original, a multiculturalidade. Um disco de sonoridade límpida, quase transparente e ao mesmo tempo colorida. Lúdica. Lúcida. Lírica.

A este par dá a impressão de um lindo vitral multicolorido em forma de música – mais precisamente de choro – no qual é possível perceber todas as cores, ou seria todas as sonoridades, tomando os ouvidos de agradável sensação e o coração de aprazível sentimentalidade. A música de André Parisi – ele assina todas as composições e arranjos – é mais colorida que a fotografia e design de Fernando Angulo, que emoldura o rapaz barbado e sua clarineta na capa, contracapa e encarte – ali onde aparecem Léo Nascimento (violão oito cordas), Dado (flauta e saxofone), André Kurchal (pandeiro), Júlio César (cavaquinho) e Marcos Cruz (violão sete cordas), regional que entra em campo sob o comando de nosso clarinetitular. Também falam a Língua Brasileira Osvaldinho da Cuíca (competência e beleza no instrumento que lhe dá sobrenome), Charlie Flesch (pandeiro), Felipe Soares (sanfona) e Ruy Weber (direção musical).

Com o mérito que lhe confere o título informal de “embaixador do Choro no Maranhão”, um dos autores deste texto recebeu, da assessoria do artista, o disco, em sua residência. Muito justo!

Neste domingo (4), às 9h, na Rádio Universidade FM (106,9MHz),  ele compartilha com os ouvintes do Chorinhos e Chorões este Língua Brasileira. Certamente será um excelente programa, pelo talento apurado de quem fala e toca, sem constrangimento algum, a nossa pluralíssima  Língua Brasileira da Música, que também pode se chamar de Choro – ambos assim mesmo, em maiúsculas. E nesse território amplo, Parisi se revela um grande poliglota.

A história de Lucio Dalla

No Brasil esta é, certamente, a música mais conhecida de Lucio Dalla. Parceria dele com Pallottino, Gesù Bambino virou, pelas mãos de Chico Buarque, Minha História, espécie de unanimidade emocional nacional, diz aí quem é que não se arrepia ao ouvir, entremeada de laiá-laiás, a história de uma mãe solteira e seu filho Jesus?

Em terras brasileiras a música tem nas gravações do próprio Chico e de Maria Bethânia suas versões mais famosas. Às vésperas de completar 69 anos (o que aconteceria no próximo dia 4), o autor italiano faleceu hoje em Montreaux, Suíça, vítima de ataque cardíaco.

A data de seu nascimento, aliás, 4/3/1943, acabou por rebatizar este seu clássico quando o mesmo foi censurado em um festival na Itália, em 1971, mesmo ano em que Chico a verteria para o português. É sempre Gesù Bambino (e variações como Gesubambino, entre outras) que aparece logo após o título Minha História em discos dele, Bethânia, Fafá de Belém e outros que a regravaram.

Pelas costas

O cantor João Gilberto em show no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, em 2008

Álbuns embargados por João Gilberto há 20 anos estão disponíveis para venda na internet, em novas edições, produzidas fora do país. Continue Lendo “Pelas costas”

O sol era mais escuro antes da aurora

Parceria de Ligiana e Juliana Kehl, a faixa que batiza o post é amostra do disco novo da primeira, que deve sair este ano, sucessor do excelente De amor e mar (2009). Pra ficar com água na boca. Ou nos ouvidos…

Às mutucas de Cesar Teixeira

Qualquer glossário do bumba meu boi deve traduzir o termo “mutuca” por quem segue fielmente determinado grupamento. É constante ouvirmos, por exemplo, que “fulana é mutuca do boi da Maioba” ou “beltrana é mutuca do boi de Maracanã”.

Mas por que falar em uma manifestação tipicamente junina justo durante o reinado de momo? Por que Cesar Teixeira (foto) é daqueles artistas que têm repertório para o ano inteiro. Não é algo fabricado, pessoa física ou jurídica que se cria (e/ou se faz artista) apenas para catar cachês de secretarias e fundações: ele está acima disso tudo, dono de uma obra autêntica, como poucos.

Mas é carnaval e às suas mutucas, este blogueiro incluso, cabe apenas avisar de sua agenda para o período: hoje (17), às 18h, na Praça Nauro Machado; amanhã (18), às 19h, no Ceprama; domingo (19), às 19h, na Praça Deodoro; e segunda-feira (20), às 23h, no Ceprama.

Rádio Mec foca violão de João Pedro Borges

Hoje (15), às 22h, vai ao ar mais uma edição do semanal Violões em Foco, na Rádio Mec (o programa pode ser ouvido pela internet).

Rádio Mec apresenta um dos maiores nomes do violão brasileiro

Redundância intencional, o Violões em Foco de hoje enfoca o talento de João Pedro Borges, um dos maiores nomes brasileiros do instrumento que dá nome ao programa, que tem apresentação de Luís Carlos Barbieri.

A programação inclui peças como Valsachorando, Valsa da Vida, Abraçando Chico Soares (as três de Paulinho da Viola), Elogio de la Danza (Leo Brouwer) e Tema e variações –  1, 10, 20 e fuga de Folias de Espanha (M. Maria Ponce).

Também conhecido no meio musical como Sinhô, João Pedro Borges bate um papo com Luís Carlos Barbieri, e não executará as peças ao vivo.

Disco brinde em que João Pedro Borges interpreta Paulinho da Viola (com a participação do mesmo nunca teve reedição em cd)

Curiosidade – As três primeiras músicas acima listadas, por exemplo, fazem parte do álbum Brasil Instrumental, um duplo raríssimo, de 1985, que uma empresa deu de brinde a seus clientes. Conta com um time enxuto, porém da pesada: João Pedro Borges (violão), Paulinho da Viola (cavaquinho e violão) e Cesar Faria (violão). O outro disco do brinde trazia o encontro inusitado (com isso refiro-me à formação do quarteto, não ao indiscutível talento de seus integrantes) de Paulo Moura (saxofone), Zé da Velha (trombone), Raphael Rabello (violão) e Jacques Morelembaum (violoncelo). Nunca teve reedição em cd.

Tássia canta Sampaio

Sérgio Sampaio é desde sempre um dos artistas de meu panteão particular. Um de meus preferidos, daqueles que ouço e reouço. Sem cansar. Sempre!

Ainda inédita em disco (por pouco tempo, espero), Tássia Campos é uma das mais talentosas cantoras já surgidas por estas plagas. No que daria a maranhense interpretando o capixaba?

A mistura explosiva poderá ser conferida dia 9 de março, às 22h, no Odeon. No palco Campos receberá ainda uma pá de gente talentosa para, com ela e os presentes, reverenciar o autor de Tem que acontecer.

Simplesmente imperdível!

(Clique para ampliar)

Gildomar Marinho se apresenta em Brasília

BRASÍLIA – Maranhense radicado em Fortaleza/CE, o cantor e compositor Gildomar Marinho se apresenta hoje em Brasília/DF.

A “noite do Maranhão”, como está sendo chamada, terá apresentação do músico, acompanhado de Carlos Pial (percussão) e Rui Mário (sanfona).

No repertório, o trio apresentará canções dos dois discos de Gildomar, Olho de Boi (2009) e Pedra de Cantaria (2010), além de sucessos do cancioneiro do Maranhão: nomes como Cesar Teixeira, João do Vale e Josias Sobrinho.

A apresentação de Gildomar terá início às 21h e integra a programação cultural do Encontro Brasileiro dos Programas de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, que acontece até sexta-feira (10) no Centro de Convenções Israel Pinheiro (Ql 29, Lago Sul, Brasília/DF).

Rosa Reis passa bem após acidente

Cantora chocou seu veículo contra um poste; ela deve sair do hospital ainda hoje

A cantora Rosa Reis (foto) foi vítima de um acidente de carro nesta madrugada (5). O veículo conduzido por ela colidiu com um poste por volta das 4h, nas proximidades da Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão (Av. Jerônimo de Albuquerque, Cohafuma).

Rosa Reis está internada no Hospital UDI (Jaracaty), em observação, mas não sofreu sequer um arranhão. Com o impacto da batida, houve uma pressão sobre seu tórax. A artista já realizou todos os exames necessários e deve ser liberada ainda hoje.

Seus fãs podem ficar tranquilos: em breve ela poderá novamente ser vista e ouvida nos palcos da Ilha, por ocasião da programação carnavalesca, em especial a organizada pelo Laboratório de Expressões Artísticas (Laborarte), que coordena.

Mundo, mundo, vasto mundo/ se eu me chamasse Raimundo…

O blogue dedica este post a Bruno Azevêdo (brega é tu!) e Ricarte Almeida Santos, que outro dia, em meio ao expediente, cantou o trecho da música que vocês lerão na prosa abaixo.

TUDO É RAIMUNDO

Ventania, agitador cultural, botou um bar. No dia sete de setembro, depois do desfile dos colégios, Roberto Baresi sentou-se e pediu uma cerveja. Outros estudantes, vendo que a cerveja estava véu de noiva, super-gelada, imediatamente lotaram o ambiente. Eram vários pedidos ao mesmo tempo:

“Ventania, traz uma cerveja… Ventania, um refrigerante… Ventania, uma água mineral…”

Neste intervalo, alguém gritava…

“Ventania, bota Raimundo Fagner.”

A correria continuava e os estudantes pedindo cervejas, refrigerantes, água mineral e o rapaz cada vez mais alto gritava:

“Ventania, bota Raimundo Fagner.”

Depois de muita insistência do rapaz, Ventania entra no bar e grita:

“Lá vai a música.”

De repente se ouve uma introdução com ritmo brega e uma voz rouca brada nas caixas de som:

“Minha Santa Inês, minha terra querida…”

Raivoso, o rapaz rebate:

“Porra, Ventania, esse aí não é o Raimundo Fagner não, é o Raimundo Soldado!”

E cansado, Ventania finaliza:

“Tudo é Raimundo… e esse aqui é melhor ainda porque ele é soldado e além de tudo é maranhense.”

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Zé Lopes, Bacabal – Cenas de um capítulo passado. São Luís: Edições Secma, 2009

Baleiro, ímpar, íntegro

“Adoraria fazer algo aí, especialmente pra essa ocasião [os 400 anos de São Luís], mas diante do contexto político da cidade e do estado, não posso tomar parte. Confesso que às vezes sinto uma certa vergonha da situação social e politica do Maranhão. Temos vocação para a riqueza e somos miseráveis. Temos uma cultura exuberante e nossos artistas morrem à míngua. Temos um patrimônio arquitetônico único e a cidade de São Luís é só ruínas. Triste!”

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Afiado e certeiro, Zeca Baleiro em entrevista a Samartony Martins nO Imparcial de hoje (28) [Impar, p. 1]. Com participações especiais de Nosly e Criolina (Alê Muniz e Luciana Simões) o cantor e compositor faz show acústico no Teatro Arthur Azevedo na próxima terça-feira (31), às 20h30min. O espetáculo, beneficente, se dá em prol da finalização da construção da Casa da Acolhida Nossa Senhora da Graça (Rua Touro, nº. 10, Recanto dos Signos, Cidade Operária), em São Luís.

Rua da Misericórdia (Rua Lucano dos Reis)

Começa na Rua de São João II, para terminar no largo da Misericórdia, que já se chamou largo da Caridade. Em 1931, a municipalidade deu-lhe o nome de Lucano dos Reis.

O de mais importante nesta curta rua, de apenas três quadras, é que na esquina da rua de São Pantaleão (sen. Costa Rodrigues) existiu por muitos anos a Padaria Macieira, do comerciante Raimundo Antônio Macieira, mais célebre pelos pães que fabricava do que por sua atuação na Câmara Municipal. Todavia, obteve o calçamento da Rua da Misericórdia, merecendo de Tancredo Cordeiro a quadrinha:

“Por que se fez o calçamento
Na rua da Misericórdia?
Só porque o Macieira
É camarista da Concórdia”*

Lucano Duarte dos Reis, nascido em São Luís em 10 de dezembro de 1903, e aqui falecido em 5 de janeiro de 1931, foi poeta e jornalista e deixou o livro de versos Escombros. [*Concórdia: pacificação da família maranhense conseguida após a dualidade do governo – Artur Quadros Colares Moreira x Mariano Martins Lisboa Neto, e obtida depois de muitas demarches junto ao presidente da República Nilo Peçanha. N. do A.]

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Do saudoso Carlos de Lima em Caminhos de São Luís (ruas, logradouros e prédios históricos) (São Paulo: Siciliano, 2002), p. 114-115.

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Hoje chamada Canto da Comunicação, onde não mais há padaria, mas restaurante, funerária, sindicato e praça, é lá na esquina de Misericórdia e São Pantaleão (Centro) que se dará, amanhã (29), o primeiro ensaio aberto (“concentra mas não sai”) do bloco Outros 400, iniciativa de Arlindo Pipiu (morador da segunda) e Joãozinho Ribeiro. Uma pá de músicos e foliões se reunirá para tocar, cantar e beber. Começa às 14h e é grátis (você só paga o que consumir, tirando a música).

Curta Sampaio!

Quem acompanha este blogue sabe o quanto sou fã de Sérgio Sampaio.

Nem preciso dizer nada. A não ser agradecer a Ademir Assunção, que já disse.

Profissão: cantora

ALBERTO JR.*
ESPECIAL PARA ESTE BLOGUE

Dicy Rocha: "ser cantora é um exercício profissional e uma missão espiritual a ser cumprida"

Numa repartição pública como outra qualquer de São Luís, em meio a papéis e burocracias institucionais, o funcionário fez-lhe a pergunta de praxe: “Profissão?”. A resposta soou como novidade e espanto para ele que estava acostumado em carimbar documentos de profissionais dos mais diversos. Nunca tinha lhe aparecido uma cantora. E a cantora, no caso, era Dicy Rocha.

No imaginário daquele funcionário as cantoras são como sereias midiáticas que só se manifestam no palco, no rádio ou na televisão. Quem diria que uma jovem negra, de olhos graúdos e voz doce chegasse num dia de semana qualquer requerendo o reconhecimento de sua atividade profissional, como se fosse uma operária ou artesã no ofício de cantar.

Para ela, ser cantora é um exercício profissional e uma missão espiritual a ser cumprida. Não há grandes sonhos ou fantasias almejadas. O que existe de fato é uma força muito grande e a responsabilidade de que seu canto e sua música promovam encontros e afetos. Sua arte não está a serviço do mercado, passa por ele e o transcende.

Projeto Sexta do Vinil – Para a apresentação de amanhã (6), no Porto da Gabi, Dicy Rocha preparou um repertório pelo Dia de Santos Reis. Além das canções já conhecidas do público, algumas novidades e encontros musicais darão o tom especial da noite. Acompanhando a cantora estarão os músicos João Simas (violão), Davi Oliveira (baixo), Isaías Alves (bateria) e João Neto (flauta e cavaquinho).

Além deles, duas participações especiais: o percussionista moçambicano Jorge Paco, que está de passagem por São Luís, e que apresentará no palco os timbres e ritmos africanos, e também o mestre Josemar Ribeiro, percussionista maranhense dos mais renomados e um dos pioneiros da Companhia Barrica, que volta aos palcos após um hiato de alguns anos sem tocar. Ele é marido da Gabi proprietária da casa.

O show faz parte do projeto Sexta do Vinil, que acontece todas as sextas no Bar Porto da Gabi, localizado no Aterro do Bacanga, sempre com discotecagem da equipe de som da Rádio Zion e Radiola Reggae, na presença dos djs Joaquim Zion, Marcus Vinícius e Neto Myller, e com participação de artistas convidados.

Carreira – No ano que findou, o nome de Dicy provocou muita curiosidade nos ouvidos mais atentos e sensíveis da cidade. Alguns ainda teimam em confundir sua pronúncia inserindo um ‘erre’ ou alterando o som da sílaba tônica. Outros falam no nome como se fosse verbo, sinônimo de quem tem o que dizer (cantar).

Do aparecimento de sua voz para o público, junto com o grupo vocal Flor de Cactos, em festivais de música organizados pelo cantor Wilson Zara, até o seu mais recente projeto, Negra Melodia, nas noites do bar Odeon Sabor e Arte, a cantora vem experimentando um repertório de canções brasileiras que ressaltam a identidade negra e a música do campo, buscando o diálogo entre gerações diferentes de músicos e compositores.

Recentemente, a cantora recebeu o troféu de “talento da noite” pelo Prêmio Universidade FM. Um reconhecimento dado por um público que já é cativo e renovado a cada apresentação. Ela agradeceu dizendo: “Chegou um momento da minha vida que eu tive que fazer duas opções: cantar ou cantar”, reforçando a canção de Caetano que diz: “o certo é ser gente linda e cantar. O certo é fazendo música”.

Dicy está em processo de gravação do seu primeiro álbum, com produção do músico espanhol Javier Sirera León. Contemplada com os editais de 2011 da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (SECMA) e do Banco do Nordeste (BNB), a previsão para que o disco seja finalizado e lançado é até julho deste ano.

Quem tiver ouvidos que ouça o som de Dicy Rocha, amanhã à noite, no Bar Porto da Gabi.

*Alberto Jr. é radialista

SERVIÇO

Projeto Sexta do Vinil | Show de Dicy Rocha e Banda | Discotecagem da Rádio Zion e Radiola Reggae | Dia 6 de janeiro (sexta), 22h | Bar Porto da Gabi, Aterro do Bacanga | Entrada: R$ 10,00 | Maiores informações: (98) 8849-9016.