Letieres Leite. Foto Márcio Lima. Revista Continente. Reprodução
O baiano Letieres Leite (8/12/1959-27/10/2021), homem-música inventor da Orkestra Rumpilezz, é um nome absolutamente fundamental para a música brasileira, ao menos para quem se liga em fichas técnicas, coisa cada vez mais rara, num tempo em que as plataformas digitais mal dizem quem canta determinada música, quanto mais quem compõe, arranja ou toca instrumentos.
Com trajetória acadêmica iniciada nas artes plásticas, Letieres começou a aprender música de forma autodidata, tendo aprofundado seus estudos na área frequentando o Franz Schubert Konservatorium, em Viena.
Daniela Mercury, Davi Moraes, Didá Banda Feminina, Elza Soares, Goma-Laca, Ivete Sangalo, Lenine, Ligiana, Márcia Castro, Marco Lobo, Maria Bethânia, Marilda Santanna, Ná Ozzetti, Orkestra Rumpilezz, Serena Assumpção, Zé Manoel e Zé Miguel Wisnik são alguns dos nomes com quem o maestro t(r)ocou, entre arranjador, compositor e instrumentista (percussão, flautas e saxofones).
Certa feita o maestro passou por São Luís, em companhia da cantora Ligiana. Levei-os ao Bar do Léo. Estavam curtindo férias e não queriam holofotes, tanto que não fiz foto, nem escrevi uma nota sobre a viagem e o encontro. Bebemos juntos e conversamos um bocado. A cantora estava gestando “Floresta”, seu segundo disco, cujo título homenageia sua avó paterna, e tem arranjos e direção musical de Letieres.
Recordo a enorme alegria que foi para ele, ao chegar ao museu da música encravado no hortomercado do Vinhais, pouco após apresentá-lo a Leonildo Peixoto Martins, proprietário do estabelecimento, reverenciando-o merecidamente, como o gigante que era, Léo sacar de sua vastíssima coleção o “disco vermelho” de Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz. Ele jamais imaginaria se ouvir ali.
Mas antes, lembro também que, a caminho do bar, ela reclamou de um lojista que se recusou a repetir uma música de um disco que ouvia. Era o “Bandeira de aço” (Discos Marcus Pereira, 1978), de Papete. Ainda no carro, comentei: “quando chegarmos onde estamos indo, você vai ouvir essa música quantas vezes quiser”; palavra que cumpri com a ajuda da simpatia que Léo devota a quem quer – na verdade, a quem demonstra interesse por boa música.
Nem lembro quantas vezes pedimos e fomos atendidos pelo dj residente, como brincalhonamente refiro-me a Léo – as sequências não têm a mesma graça quando ele não está no bar: a certa altura, Letieres Leite batucava na mesa o “Boi de Catirina” (Ronaldo Mota), já anotando mentalmente, e comentando com Ligiana, ideias para o arranjo da regravação do clássico que ela acabou fazendo em “Floresta” (2013).
Tive a honra de assistir, presencialmente, a uma demonstração da genialidade do maestro.
Lançamento de single e videoclipe de Alexandra Nicolas no próximo dia 5 de novembro marca sua estreia como compositora
A dona do fuxico. Capa. Reprodução
“Nem te conto”, diz um a outro, morto de vontade de contar. O outro não desdenha e quer saber. Mas o suspense faz parte do jogo. Um se prepara, pigarreia, ganha tempo. Quantos sinônimos há para fuxico? Fofoca, burburinho, mexerico, intriga… O povo aumenta mas não inventa.
Esse release, parece, nada acrescerá de novo. Parece que já está todo mundo sabendo. De quê? Como assim, de quê? Em que mundo vocês vivem? Vocês estão falando sério? Estão por fora? Não estão sabendo de nada? Não estão entendendo nada? Juro que quem não entende sou eu. Em tempos de redes sociais, quando a gente vai mostrar alguma coisa pra alguém, a resposta, invariavelmente, é: vi há cinco minutos.
Mas é sério mesmo que vocês não estão sabendo? Pois eu conto, que eu não tenho papas na língua. É o seguinte, sem arrodeio: a cantora Alexandra Nicolas vai fazer sua estreia dia 5 de novembro. Os apressados hão de me corrigir: que estreia? Alexandra Nicolas tem mais de 20 anos de carreira e dois discos lançados, “Festejos” (2013) e “Feita na pimenta” (2018).
Eu não disse que o povo aumenta mas não inventa? Pois é, vou repetir: dia 5 de novembro Alexandra Nicolas estreia. Como compositora. A data marca o lançamento do single e videoclipe “A dona do fuxico”.
A faixa foi gravada entre o Canadá, onde mora atualmente, e o Brasil, com a participação da família Cordeiro, pai e filho, os mestres da guitarrada paraense, Manoel (baixo, pianos, flauta, synths, guitarra solo, arranjos e direção musical) e Felipe (programação eletrônica, guitarra base e arranjos).
Ah, é? Agora ficaram curiosos? Pois agora peguem uma cadeira, botem na calçada e esperem que já já o single chega. E o videoclipe também, rodado em Chelsea, na província do Quebec, e São José de Ribamar, no Maranhão, com direção, roteiro, direção de produção e produção executiva de Thais Lima. Com elenco formado majoritariamente por não atores, o videoclipe consegue captar a essência do recado musical de Alexandra Nicolas, que não guarda segredo: em questão de tempo o fuxico de que é dona estará na boca do povo.
Tudo preparado com muito capricho como é do feitio da artista. Vocês não vão se arrepender do embalo e certamente pularão das cadeiras de balanço de suas calçadas já entrando na dança – como se o vídeo continuasse fora da tela e ganhasse vida.
Agora, se vocês ainda têm dúvida, só digo duas coisas: por favor, não confundam fuxico com fake news. Como dizem por aí pelas redes sociais: “é verdade este bilhete”. E para quem, tal e qual São Tomé, só acredita vendo, deixo que a própria Alexandra Nicolas, a dona do fuxico, conte estas boas novas para vocês. Leiam o que ela me disse – eu não sou o dono, mas ajudo a espalhar.
Lançamentos de single e videoclipe marcam estreia de Alexandra Nicolas como compositora. Foto: Veruskka Oliveira. Divulgação
ENTREVISTA: ALEXANDRA NICOLAS
ZEMA RIBEIRO – Depois de dois discos, pela primeira vez você lança um single e este marca sua estreia como compositora. Qual a sensação? ALEXANDRA NICOLAS – Uma sensação de ter simplificado a minha vida como artista e ao mesmo tempo um apego com a feitura artesanal de todo o processo, falo do olho no olho, corpo a corpo… Isso mesmo, a feitura de um álbum leva uns bons anos de namoro, outro de concepção, até parir o menino todo mundo já virou família. Me considero uma cantora das antigas já, amo o tempo de estúdio, se pudesse morava em um. Aí você imagina como foi fazer um single. O single é aquela rapidinha que faz menino bonito e inteligente, sabe? Eu amo as preliminares de todo o processo, de me familiarizar com todos os envolvidos e principalmente o meu diretor musical, então eu tive essa dificuldade em ter que fazer algo mais rápido, porque desta vez isso não foi possível, mesmo assim, posso não ter demorado os nove meses, mas uns bons quatro pra conseguir o que eu queria. Martin [Messier, marido e diretor geral] fala que não criei tanta intimidade com o diretor musical; porém criei intimidade com a faixa. Nunca tinha passado tanto tempo trabalhando em uma única faixa. A compositora foi uma surpresa até pra mim, que dormi e acordei com um refrão e três estrofes, é meio místico, parece que tem gente falando no seu ouvido… E deve ter mesmo…
Há todo um clima criado com tuas postagens em redes sociais anunciando a música. Há uma grande expectativa do fã-clube. A ideia é essa mesmo, provocar a curiosidade das pessoas? Eu tenho isso desde menina, tudo meu é assim… adoro esse ar de suspense, do “nem te conto”, “tu nem vai acreditar”… sempre fiz surpresa com tudo. Minha equipe sofre, pois não deixo vazar nada até a hora h. E meu fã-clube endoida junto… não é à toa que venho bulindo com eles há mais de 10 anos, dando uma pitada de pimenta ali, outra aqui e tudo no final vira uma festa.
“A dona do fuxico” é o título de tua estreia como compositora. O que você pode adiantar sobre a música? Uma delícia, engraçada, colorida, ritmo fogoso e vai mexer com todo mundo que vive atento pra vida dos outros. É um gênero musical que nunca gravei antes e há anos queria gravar, porque amo demais e danço desde pequena. Com certeza é o ritmo mais quente que gravei até hoje.
Vamos falar um pouco do processo, desde a ideia, até a composição, registro e agora, o lançamento. E também falar em quem está com você nesse registro. Fui dormir com uma ideia que nasceu em 2008, com uma sensação de dívida. Daí dormi com o mote, e acordei às 4h da manhã com o refrão na cabeça. Fui ao banheiro e gravei esse refrão no celular. Quando voltei para o quarto, meu marido estava assustadíssimo e me perguntou: “está tudo bem? Aliás, está dormindo ou sonâmbula?”. Eu respondi: “acordadíssima e super bem”. Ele retrucou: “é impressão minha ou você estava cantando?”. Eu disse: “eu estava cantando sim, foi uma música que chegou pra mim”… Ele assustado, deu um pulo da cama e disse: “você estava compondo?”. Eu disse: “isso mesmo, e vi quem estava tocando”. Ele perguntou: “quem?”. Eu respondi: “Manoel Cordeiro, o herói da guitarra paraense”. Aí já viu… no dia seguinte fui atrás dele e um colega em comum nos apresentou e assim começamos a fuxicar. Ele ficou feliz com ideia e jura que será um novo gênero da música brasileira. Nasceu Fuxico, com a direção musical e arranjos de Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro, porque eu sou dessas, gosto de combo e o combo Cordeiro assina a produção desse trabalho.
A imagem de pessoas sentadas em calçadas, sobretudo no interior do Brasil, evoca, em “A dona do fuxico”, que também ganhou videoclipe, um certo ar romântico e saudosista. A seu ver, o fuxico e a fofoca são ainda bastante atuais? Fuxico é ancestral, antepassado, avoengo, fuxico é presente, é o agora e é o futuro pra além da humanidade. Ele faz parte da natureza humana. É essencial à nossa sobrevivência. Desejamos na nossa essência saber o que se passa com o outro. O fuxico nos permite saber quem é quem, furar o véu da hipocrisia, descobrir em quem podemos confiar… Há até quem diga que a nossa linguagem se desenvolveu com o propósito de fuxicar e fofocar. Fuxico é atual, perpétuo e imortal. Permeia todas as classes econômicas, políticas e intelectuais. Não sei o que seria da humanidade sem ele. Fuxico levanta, fuxico desperta, fuxico derruba e fuxico esmorece. Dependendo do fuxico enriquece ou empobrece. O fuxico é internacional! Aqui no Canadá pode ter certeza de que se fuxica tanto quanto no Brasil e no mundo.
Serviço
O quê: lançamento do single e videoclipe “A dona do fuxico” Quem: a cantora Alexandra Nicolas Quando: dia 5 de novembro (sexta-feira) Onde: nas plataformas digitais Quanto: grátis Faça aqui a pré-save.
Álbum será disponibilizado dia 5 de novembro nas plataformas de streaming e sai pela Biscoito Fino
O cantor e compositor Rommel. Foto: Estúdio 78. Divulgação
Ao longo dos últimos meses o cantor e compositor Rommel antecipou aperitivos de seu novo disco, “Karawara”, que será disponibilizado nas plataformas de streaming no próximo dia 5 de novembro (sexta-feira). O álbum sai pela gravadora Biscoito Fino.
Maranhense de São Luís, radicado no Canadá, Rommel não perdeu um pingo de brasilidade. Seu novo disco, cantado em português, espanhol, francês e inglês, é também marcado pela diversidade rítmica que é sinônimo de música popular brasileira.
A expressão em tupi que dá título ao disco refere-se aos espíritos da floresta e é também uma homenagem aos povos indígenas do mundo, e sua história de luta por direitos humanos básicos e reconhecimento. Nos singles e videoclipes que o artista disponibilizou até aqui, além da pluralidade melódica, o trabalho é marcado também pelo passeio por vários assuntos urgentes: “Karawara” é, com o perdão do clichê, um disco para dançar e pensar.
O sagrado dos terreiros das religiões de matriz africana, o combate ao racismo, as belezas naturais de São Luís e Montreal, a degradação ambiental (que tem arrancado povos e espíritos das florestas de seu habitat natural), a celebração da ancestralidade, através da reverência a grandes mestres comparecem ao temário de “Karawara”.
Um time de músicos de primeira grandeza, entre brasileiros e canadenses acompanha Rommel (voz, violão e guitarra) ao longo das 13 faixas autorais, que ele assina sozinho ou em parceria. Destacamos a banda base: André Galamba (baixo, guitarra e violão), Aquiles Melo (bateria), Carlos Bala (bateria), Dark Brandão (percussão), David Ryshpan (teclados), Debson Silva (trombone), Erivan Duarte (baixo), Márcio Oliveira (trompete), Parrô Mello (saxofone e arranjos de metais), Paulo Bottas (teclados) e Vovô Saramanda (percussão, arranjos e efeitos). A produção musical é de Rommel e Rafael Cunha França.
“Karawara” terá show de lançamento online dia 6 de novembro (sexta-feira), com transmissão pelo canal Rommel Music no youtube. A apresentação acontece às 21h (horário de Brasília).
Videoclipe – A faixa-título do novo disco de Rommel também vai ganhar videoclipe, que será lançado em novembro, após o disco. O clipe de “Karawara” foi rodado no Xingu, bebendo diretamente na fonte ancestral de que se alimenta o disco e a obra de Rommel como um todo. O videoclipe é dirigido por Takumã Kiukuro, cineasta indígena, da aldeia que lhe dá o sobrenome, atualmente residindo na aldeia Ipatsé, no Parque Nacional do Xingu, e Caio Lazaneo.
A música poderosa de Rommel aliada a imagens orgânicas – indígenas captados por seus irmãos – garante ao espectador um mergulho profundo na ancestralidade tão cara ao artista e/m sua coerente trajetória. Kiukuro teve filmes premiados nos festivais de Gramado e Brasília, dois dos mais importantes do país, e no Presence Autochtone de Terres em Vues, em Montreal. Lazaneo tem mestrado e doutorado em Ciências da Comunicação (ECA/USP) e teve seu curta-metragem “Ressuscita-me” premiado na categoria Super Filme do Festival Internacional de Cinema Super8 de Curitiba, em 2017.
“Karawara”. Capa. Reprodução
Serviço
“Karawara”, novo disco de Rommel. Nas plataformas de streaming no dia 5 de novembro (sexta-feira).
Show virtual de lançamento dia 6, no canal Rommel Music no youtube.
O videoclipe da faixa-título será disponibilizado ainda em novembro.
Produtor local da oficina foi seu aluno em cidade vizinha e já colaborou com outras edições da formação
De aluno a produtor: Zeca está prestes a se formar em Licenciatura em Música. Foto: divulgação
José Manoel Lindoso Mendes, o Zeca, como é mais conhecido, participou da oficina “Trilhas e Tons: Teoria musical aplicada à música popular”, quando a formação ministrada por Nosly com coordenação de Wilson Zara e assistência de Mauro Izzy passou pela cidade de Viana, em 2016.
“Eu me sinto honrado e agradeço imensamente por tudo o que aprendi durante o curso, pois através desse conhecimento a mais eu consegui passar no vestibular da UemaNet, onde estou concluindo o curso de Licenciatura em Música”, conta, orgulhoso.
“Sinto-me muito feliz de ter sido um aluno da turma da oficina e poder ajudar a levar a outros municípios”, afirma. Depois de receber o certificado, ele já foi produtor local de Trilhas e Tons em Penalva, onde mora, e assume a tarefa mais uma vez, desta feita em Matinha, onde a oficina aporta semana que vem, de 25 a 29 de outubro.
Em Matinha as inscrições já estão abertas e podem ser feitas na Secretaria Paroquial da Igreja São Sebastião, ao lado da praça, em Matinha. As aulas acontecerão no Salão Paroquial, ao lado da Igreja São Sebastião, das 14h às 18h. Trilhas e Tons tem carga horária de 20 horas aula e as inscrições e material didático utilizados na oficina são gratuitos. A formação tem patrocínio da Equatorial Maranhão através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão.
“Estou à disposição em poder fazer por outras pessoas o que Trihas e Tons fez por mim”, entusiasma-se ele, que trabalha com música em um projeto filantrópico em Viana, juntamente com seu irmão Fernando, outro que frequentou a oficina, em Penalva, no caso.
Zeca desenvolve ainda outros projetos musicais pela região e cita-os: “com a banda marcial, o projeto Eu posso Aprender mais e Música na Escola. E na cidade de Matinha, na Escola Estadual Aniceto, com o projeto Música na Escola”.
“Zeca é um exemplo do poder da música aliado a seu próprio potencial. É um aluno que virou parceiro, que mete a mão na massa, se envolve. Isso tudo dá um gás danado na gente, nos incentiva a continuar, deixa toda equipe de Trilhas e Tons muito contente”, elogia o coordenador Wilson Zara.
SERVIÇO
O quê: oficina “Trilhas e tons – Teoria musical aplicada à música popular” Quem: o instrutor Nosly, o coordenador Wilson Zara e o assistente Mauro Izzy Quando: de 25 a 29 de outubro Inscrições: já abertas Onde: inscrições na Secretaria Paroquial da Igreja São Sebastião, ao lado da praça, em Matinha; aulas no Salão Paroquial, ao lado da Igreja São Sebastião Quanto: grátis (inscrições, aulas e material didático) Patrocínio: Equatorial Maranhão, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão Informações: contatowilsonzara@gmail.com, (98) 999753999, facebook.com/trilhasetons
O baile de debutante da Aldeia Sesc Guajajara de Artes tomou forma no Teatro Sesc Napoleão Ewerton, com o show de cinco artistas e um grupo representativos da música autoral produzida por no Maranhão.
O festival do Sesc Maranhão consolidou-se, ao longo de 15 anos, como o evento mais importante realizado anualmente pela instituição no estado e como um dos mais importantes do calendário cultural maranhense.
Um festival dentro do festival, é como podemos nos referir à noite de ontem, “Uma aldeia nunca é só”, como dizia o título do evento e ainda bem. A única reclamação do público, além de algumas falhas na veiculação de um vídeo com a memória da Aldeia, certamente foi cada artista ter cantado somente duas músicas.
O público estava ávido por algo como aquilo. Aos poucos as coisas tornam à normalidade, ainda que dentro do possível – diante da irresponsabilidade e perversidade de gestores públicos – e ainda que mais lentamente do que gostaríamos.
Tudo era um luxo, da “Armadilha”, de Marcos Ferreira, um painel de crochê, o cenário, à banda base, que acompanhou os cinco primeiros artistas a se apresentarem: Israel Dantas (violão e direção musical), Pedro Henrique (trompete), Lionel Almeida (contrabaixo), Dark Brandão (percussão), Oliveira Neto (bateria) e Rui Mário (teclado e sanfona).
A primeira a subir ao palco foi a rapper Enme Paixão, artista queer empoderada, representando a população LGBTQIA+. Recebida pelo público com imenso carinho, foi a primeira da noite a ouvir pedidos de bis. A plateia gritava “Juçara” repetidas vezes clamando por mais um – não foi atendida. Mas ela levou o público ao delírio ao cantar “Batidão”, lançada ano passado, que estreou hoje na Netflix, na trilha de “Valentina” (2020), de Cássio Pereira dos Santos. Enme é a primeira artista maranhense a ter uma música na plataforma de streaming.
Dicy, com sua habitual elegância, reapresentou ao público seu canto delicado e ao mesmo tempo potente. Cantou “Não há nada em seu lugar” (Ain’t no sunshine when she’s gone) (Bill Withers, versão de André Gabeh) e “Oferenda”, da cearense Cyda Olímpio (um talento que o Brasil precisa conhecer), e eu vi Maria, filha de Thierry Castelo, baterista das Afrôs, e Quilana Viegas, assistindo e dançando entre a beira do palco e os bastidores. O público dançava nos corredores do teatro e marcava com as palmas.
Tudo tinha sabor de saudade e reencontro. Artistas e plateia pareciam parentes em saguões de aeroportos. Pinto no lixo que se diz, não é? Tássia Campos, que lembrou os tempos em que o produtor e guitarrista João Simas acompanhava-a na noite ludovicense, atacou de “Sayonara” (Luís Lima) e troçou de si mesma, “a minha memória já não é tão boa” (e eu espremo a minha para dar conta de tentar traduzir o que aconteceu ontem), pedindo antecipadas desculpas ao público caso errasse a letra de “Flor do mal” (Cesar Teixeira), durante a qual se envergou umas poucas vezes para ler trechos na tela de um celular postado no chão em frente ao retorno por um baixista e roadie que eu sei que vai ler este texto e dizer isso aqui é uma forma de homenageá-lo, seu talento e competência onipresentes aos grandes eventos musicais da cidade de São Luís. Altas doses, Fernando Aquino!
Na sequência era a vez de Beto Ehong, um dos grandes nomes de sua geração, nosso mais representativo elo com o manguebit de Chico Science e seus malungos. Com a cara pintada de vermelho urucum e trajando chapéu de palha, óculos escuros e uma rede de saia com os punhos ao pescoço e peito, entre um traje mangueboy e uma citação ao miolo do bumba meu boi, cantou suas “Na fita”, lançada ano passado, já durante a pandemia, com participação especial de Flávia Bittencourt e seu diálogo entre boi e trap, ontem com o bônus da citação a “Little Johnny” (Chico César/ Jah Marcus), obra-prima cantada em dueto pelos autores em “Bambas dois” (2011), e a antirracista e antifascista “Tribo futurista”, que veio à luz este ano, ainda durante a pandemia, com a poderosa presença de Rita Benneditto.
Vinaa esbanjou o talento habitual: senhor de si é o dono absoluto do palco. Curiosamente desceu dele para cantar e dançar entre a plateia e fazê-la levantar-se das cadeiras. Um rei de verdade faz os súditos aplaudirem-no de pé e não se ajoelhar. Depois de “Três lençóis” (Vinaa), dedicou sua apresentação às famílias que perderam membros para a covid-19 – a plateia irrompeu em gritos de “Fora Bolsonaro!”.
Sei que já me torno repetitivo de tanto falar em saudade. E também saudoso, de tanto insistir nessa repetição. Mas as Afrôs, após o intervalo em que foram exibidos vídeos institucionais do Sesc, tempo necessário para rearrumar o palco, com a saída da banda base e a entrada do sexteto: Fernanda Preta (voz e percussão), Cris Campos (voz e percussão), Jânia Lindoso (percussão e vocal), Melannie Carolina (voz e contrabaixo), Hugo César (guitarra) e Thierry Castelo (bateria e vocal). O grupo contou com a performance da dançarina Tieta Macau, que se encontrou com um bumba meu boi no palco, como a – saudades mais uma vez, dessa vez do futuro – antecipar o próximo São João.
Foram de Mestra Caixeira (Cris Campos), a “Entre o chão e a encantaria” (Afrôs). Antes de, como disseram, serem autorizadas por Isoneth Almeida, coordenadora de cultura do Sesc/MA, a cantarem mais uma, Cris Campos mandou o recado: destacou a importância do Sesc no Brasil, cumprindo o papel que deveria ser do Ministério da Cultura que o país não tem mais. Fecharam a noite com “Maguinha cajuína” (Talita Cavalcante, ex-Afrôs), dividindo em cada presente a alma, satisfeita com o reencontro, do corpo, com um travo de quero mais atravessado na garganta.
Primeiro sarau RicoChoro ComVida na temporada 2021 acontece no jardim do Museu Histórico e Artístico do Maranhão; serão obrigatórios uso de máscara e apresentação da carteira de vacinação contra a covid-19
A pandemia ainda não acabou, mas com o avanço da vacinação, apesar de alguns insistirem em jogar contra, aos poucos atividades em diversos setores vão retomando a normalidade, ou ao menos o que é possível neste contexto de prorrogação indefinida das medidas de segurança sanitária impostas pelo novo coronavírus e suas variantes.
A exemplo de outros importantes festivais e espetáculos, RicoChoro Produções Culturais, Girassol Produções e Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt orgulhosamente anunciam a retomada dos saraus RicoChoro ComVida, evento já consolidado no calendário cultural da capital maranhense que, ano passado, pela primeira vez, teve suas edições realizadas em modo online, com transmissão pela tevê e youtube.
“Algumas atividades foram mais afetadas que outras pela pandemia e sua indefinida prorrogação. O setor cultural foi o primeiro a parar e é um dos últimos a retomar suas atividades, ainda com uma série de restrições. E a gente sabe que a alma da roda de choro, além dos músicos no palco ou ao redor de uma mesa, está na plateia, que vibra com as execuções dos músicos, que aplaude, que se entusiasma com a beleza dessa música tão representativa da cultura brasileira”, comenta o idealizador e produtor do projeto Ricarte Almeida Santos.
A primeira das três edições da temporada 2021 dos saraus RicoChoro ComVida terá como palco os jardins do Museu Histórico e Artístico do Maranhão (MHAM, Rua do Sol, 302, Centro), garantindo ao mesmo tempo um local aberto e ventilado e o controle de acesso ao evento, com aferição de temperatura, uso obrigatório de máscaras, disponibilidade de álcool em gel e indispensável apresentação da carteira comprovando a vacinação contra a covid-19.
A tertúlia musical terá início às 17h30, no sábado, dia 23 de outubro. As atrações são o DJ Franklin, o Regional T.R.A.H.4 e os cantores Célia Maria e Tiago Máci, num inusitado encontro de gêneros e gerações.
O DJ Franklin em edição anterior de RicoChoro ComVida. Foto: Zeqroz Neto. Divulgação
Atrações – O DJ Franklin é um dos mais requisitados e respeitados disc-jóqueis da cena musical da ilha. Sua vasta coleção de vinis, seu minucioso trabalho de pesquisa e sua total entrega ao ofício quando no palco casam perfeitamente com uma das propostas dos saraus RicoChoro ComVida, justamente o estímulo do diálogo do Choro com outras vertentes da tão rica e diversa música popular brasileira.
Henrique Duailibe, Arlindo Carvalho, Rui Mário e Tiago Fernandes, o Regional T.R.A.H.4. Fotos: divulgação
O Regional T.R.A.H.4 recebeu este nome a partir das iniciais de seus quatro integrantes: Tiago Fernandes (violão), Rui Mário (sanfona), Arlindo Carvalho (percussão) e Henrique Duailibe (teclado). Formado especialmente para a ocasião, o quarteto reúne nomes de destaque em seus respectivos instrumentos, além de juntar ao menos três gerações da música popular produzida no Maranhão. Rui Mário é o diretor musical desta temporada dos saraus RicoChoro ComVida.
O sarau e o grupo marcam um retorno mais efetivo de Henrique Duailibe aos palcos, fora eventuais participações especiais que faz em um ou outro evento. Instrumentista, arranjador e produtor, Duailibe perdeu a visão, mas nem um pingo da musicalidade. É um dos nomes mais importantes da produção de música popular no estado do Maranhão, sendo fácil encontrá-lo nos créditos de discos e espetáculos, já tendo tocado com um sem número de artistas locais. Em quase 40 anos de carreira, ele já produziu mais de 300 cds, tendo vencido 10 prêmios Universidade FM, além do prêmio Papete, da Festa da Música do Maranhão. Produziu discos de Alê Muniz, Cláudio Pinheiro, Daffé, Gabriel Melônio, Omar Cutrim e Papete, entre muitos outros.
A cantora Célia Maria volta ao palco de RicoChoro ComVida. Foto: Zeqroz Neto. Divulgação
Invariavelmente recebendo epítetos como “diva” ou “voz de ouro” do Maranhão, Célia Maria tem uma longa trajetória na música, tendo iniciado sua carreira ainda na adolescência, quando inventou seu nome artístico para se apresentar escondida dos pais em programas de auditório em rádios de São Luís. Tentou carreira no Rio de Janeiro, onde morou, e chegou a se apresentar no mítico Zicartola, de propriedade do casal mangueirense Cartola e Dona Zica, palco de bambas como Nelson Cavaquinho, entre outros. Depois da temporada carioca, regressou à terra natal, onde vive. Em 2001 lançou seu único disco até aqui, o homônimo “Célia Maria”, com arranjos e direção musical de Ubiratan Sousa, com um repertório que incluía clássicos de Chico Maranhão, Chico Buarque, Antonio Vieira, Bibi Silva, Edu Lobo e Cesar Teixeira. “Milhões de uns”, composição de Joãozinho Ribeiro tida como destaque do álbum, venceu o Prêmio Universidade FM, na categoria Melhor Choro. Está com um segundo disco gravado, dedicado ao repertório de compositores da Madre Deus, com arranjos e direção musical do violonista Luiz Júnior Maranhão.
O cantor e compositor Tiago Máci. Foto: divulgação
Tiago Máci é um dos compositores mais festejados de uma nova geração que passeia com desenvoltura por diversos estilos, tendo por inspiração desde o folk de Bob Dylan até o samba de Cesar Teixeira, não à toa homenageado em sua composição “Samba do fuleiro”. Lançou o ep “Mete o amor, forte” (o título faz referência a “Met(amor)fose”, de Cesar Teixeira) e o álbum “Amor delivery”. É parceiro de, entre outros, Marcos Magah – que subirá ao palco de RicoChoro ComVida em outra edição do sarau ainda este ano – e Zeca Baleiro.
Acessibilidade cultural – Além da preocupação permanente com a formação de plateia, os saraus RicoChoro ComVida têm também um compromisso com a inclusão cultural. Para tanto, todas as edições do projeto, desde a sua origem, em tempos pré-pandêmicos, são realizados com assentos prioritários próximos ao palco, banheiros acessíveis e tradução simultânea em Libras, a língua brasileira de sinais.
Apoio cultural – As três edições de RicoChoro ComVida em 2021 foram garantidas por meio da emenda parlamentar 39210011 OGU 2021, destinada pelo deputado federal Bira do Pindaré à Prefeitura Municipal de São Luís para a realização dos saraus.
Serviço
O quê: sarau RicoChoro ComVida Quem: DJ Franklin, Regional T.R.A.H.4 e os cantores Célia Maria e Tiago Máci Quando: dia 23 de outubro (sábado), pontualmente às 17h30 Onde: Jardim do Museu Histórico e Artístico do Maranhão (MHAM, Rua do Sol, 302, Centro) Quanto: grátis Apoio cultural: emenda parlamentar nº. 39210011 OGU 2021, do Deputado Bira do Pindaré à Prefeitura de São Luís Informações: facebook: ricochorocomvida; instagram: @ricochoro
O endereço da tertúlia poético-musical é o Ramiro’s Gastrobar; na reestreia Vanessa Serra terá como convidados o Joaquim Zion, Eloy Melônio, Dicy e Marcos Magah
A dj coruja e seu rebento. Foto: Alberto Jr./ Divulgação
É difícil metaforizar a trajetória da dj Vanessa Serra na cena das artes, cultura e entretenimento em São Luís. Dizer meteórica é pouco, por que em geral um meteoro passa ou destrói. E ela, em pouco menos de meia década de atuação, provou que veio para ficar, que nasceu para isso.
Jornalista experimentada, com atuação no segmento cultural, incluindo produções, ela aliou a bagagem acumulada ao longo destes anos de experiência com sua nova paixão, nova é modo de dizer, sua paixão recém-descoberta ou redescoberta, melhor classificar assim. Embora classificar também não seja bem o verbo, já que em seus sets ela passeia por todas as bossas, de boleros da era de ouro do rádio a novidades quentes lançadas após o revival do vinil.
O que é necessário dizer é que Vanessa Serra tem familiaridade com o métier e aqui, sim, a palavra cabe bem: seu envolvimento com a diversidade musical brasileira, mas não só, vem de berço. Das festas nos quintais das casas de família e de suas vastas coleções de discos de vinil – parte ela acabou herdando de gente que foi se desinteressando, fruto dos processos de digitalização, com o avanço do streaming –, duma época nem tão longínqua em que todos os brasileiros esperavam pelo Natal contando também com a chegada do disco novo de Roberto Carlos.
Vanessa Serra foi cavando uns espaços e inventando outros. Havia sentado em outras praças para a tertúlia semanal, com uma premissa bastante simples: ela tocaria seus vinis, animando a noite dos presentes, que poderiam fazer uso do microfone para recitar poemas – autorais, de poetas prediletos e malditos, citados de memória ou lidos em livros que ela também levava para estimular o diálogo com a plateia.
A ideia vingou e evoluiu e logo ela passava a receber um convidado por semana, da música ou da poesia. Então veio a pandemia e o sarau passou a ser online e nisso ela se reinventou também. Sua Alvorada, nas manhãs de domingo, é um dos eventos mais bem sucedidos em termos de audiência (e fidelidade desta) ao longo do confinamento a que ainda estamos parcialmente obrigados.
A cadeia produtiva da cultura foi uma das mais atingidas pela pandemia do novo coronavírus: de repente artistas, técnicos de som, roadies e toda uma fauna de profissionais do setor se viram sem condições e oportunidades de trabalho e sem a possibilidade de contato com o público.
Após muita pressão popular e tensos debates no congresso nacional, foi aprovada a Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural, cujo batismo homenageia um compositor e cronista sempre crítico deste triste estado de coisas, não à toa autor de um sem número de composições que invariavelmente comparecem aos bailes presenciais e virtuais de Vanessinha, como ela é comumente chamada pelos amigos.
Através de seleção em edital da citada lei, Vanessa Serra aprovou o projeto “Vinil & Poesia”, nome do sarau interrompido pela pandemia, e gravou o disco homônimo – também disponível nas plataformas de streaming –, produzido por ela, que reúne uma constelação de astros e estrelas da música e poesia produzidas no Maranhão.
Uma live de lançamento chegou a ser realizada no final do ano passado. Era o possível para o momento. O vinil não havia chegado, por atraso na fábrica, mais um fruto da pandemia, fazer o quê?
“Esperar não precisa mais”, como diz o compositor: é chegada a hora de uma audição presencial de “Vinil & Poesia”, na retomada do sarau que lhe emprestou o nome. Na tarde de hoje (2), haverá edição especial do sarau “Vinil & Poesia”, com os djs Vanessa Serra e Joaquim Zion, e participações do poeta Eloy Melônio e dos cantores Dicy e Marcos Magah. O reencontro acontece no charmoso Ramiro’s Gastrobar (Rua Aziz Heluy, 350, São Marcos), a partir de 16h. O áudio e técnica estão a cargo de Capella Sonorizações.
Serviço
O quê: sarau “Vinil & Poesia”, com audição do vinil homônimo Quem: a dj Vanessa Serra e convidados Quando: sábado (2), às 16h Onde: Ramiro’s Gastrobar (Rua Aziz Heluy, 350, São Marcos) Quanto: R$ 10,00 (couvert artístico individual) Outras informações e reservas: @ramiros.gastrobar/ @vinilepoesia/ @vanessaserrah
Formação em Teoria musical aplicada à música popular será realizada entre os dias 4 e 8 de outubro, na Escola Municipal de Música de São Luís
Wilson Zara, Mauro Izzy e Nosly estão de volta à estrada com a oficina “Trilhas e Tons”. Foto: divulgação
Literalmente na estrada desde 2013, a oficina “Trilhas e Tons: teoria musical aplicada à música popular” teve sua trajetória interrompida ano passado, diante das restrições sanitárias impostas pela pandemia de covid-19. Mesmo ainda em meio à crise, a oficina retomou suas atividades no último dia 27 de setembro, em Vitorino Freire/MA, observando todas as normas de segurança sanitária: uso de máscaras, distanciamento social adequado, uso de álcool em gel.
A próxima parada da formação ministrada por Nosly com coordenação de Wilson Zara e assistência de Mauro Izzy é a capital maranhense. Em São Luís, “Trilhas e Tons” será realizada entre os próximos dias 4 e 8 de outubro, na Escola Municipal de Música de São Luís (Emmus, Rua do Giz, 53, Praia Grande), no turno vespertino (das 14h às 18h), para interessados/as em geral, a partir de 14 anos – as inscrições são gratuitas e podem ser realizadas no local; o material didático utilizado na oficina também é distribuído gratuitamente.
“Essa oficina vem como um presente para a Escola Municipal de Música de São Luís, para que a gente, dentro da nossa proposta de formação e linguagem musical, possa levar, não só para os profissionais da rede pública municipal, mas também para a comunidade esse contato com a música, tons, melodia, com a construção dessa poesia que a gente com certeza também vai trabalhar. Vai ser um momento muito legal para nós da Emmus, principalmente para aquelas pessoas que estão no exercício da atividade musical e que não têm esse conhecimento”, declara a diretora da Emmus Maria Alice Bogéa.
“Acho que vai ser um aprendizado muito expressivo. Liderada por Nosly, que aqui dentro de nosso estado e no país, é um nome que a gente tem muito apreço, é uma pessoa que tem uma expressão dentro da música muito forte, tanto na questão da composição quanto na parte de produção, além de Wilson Zara e Mauro Izzy, que também dispensam apresentações. Isso nos enche de alegria, é meu sentimento enquanto gestora da Emmus”, continua.
“Trilhas e tons: Teoria musical aplicada à música popular” tem patrocínio da Equatorial Maranhão, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão.
Serviço
O quê: oficina “Trilhas e tons – Teoria musical aplicada à música popular” Quem: o instrutor Nosly, o coordenador Wilson Zara e o assistente Mauro Izzy Quando: de 4 a 8 de outubro Inscrições: já abertas Onde (inscrições e aulas): Escola Municipal de Música de São Luís (Emmus, Rua do Giz, 53, Praia Grande) Quanto: grátis (inscrições, aulas e material didático) Patrocínio: Equatorial Maranhão, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão Informações: contatowilsonzara@gmail.com, (98) 999753999, facebook.com/trilhasetons
Uma das edições de Trilhas e Tons, realizada no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho. Foto: Acervo Trilhas e Tons. Divulgação
Após certificar mais de 1.000 cursistas em mais de 50 municípios maranhenses, a oficina “Trilhas e tons: Teoria musical aplicada à música popular” chega este ano a sua sexta temporada, mais uma vez com patrocínio da Equatorial Maranhão, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão.
Desta vez serão sete municípios maranhenses contemplados e o roteiro desta edição do projeto inicia seu trajeto pelo município de Vitorino Freire, onde a oficina acontece entre os próximos dias 27 de setembro e 1º. de outubro – as inscrições estão abertas e podem ser feitas na Escola de Música Maestro Zé Mitonho, onde também acontecerão as aulas. São oferecidas 30 vagas por turma, com inscrições e material didático gratuito.
“Trilhas e tons” tem carga horária de 20 horas aula, distribuídas em cinco dias de formação. A oficina de teoria musical aplicada à música popular é ministrada pelo cantor e compositor Nosly, com coordenação de Wilson Zara e assistência de Mauro Izzy, todos nomes reconhecidos por sua atuação de longa data na cena da música popular brasileira produzida no Maranhão.
Em Vitorino Freire, “Trilhas e tons” conta com parcerias locais, estabelecidas com o Coletivo Cultural de Vitorino Freire, Feeling Assessoria de Comunicação e Marketing, Secretaria Municipal de Cultura, Mulher e Turismo, além da própria Escola de Música Maestro Zé Mitonho.
Morador de Lago da Pedra, por onde a oficina já passou em edição anterior do projeto, foi o carioca Hugo Lima quem colocou o Coletivo Cultural e a produção em contato. “Fazer a ponte entre o projeto “Trilhas e Tons” e o Coletivo Cultural de Vitorino Freire foi apenas uma forma de contribuir para o fomento da cultura e expansão de apresentação de um estilo musical que vem sendo esquecido no nosso país”, declara.
Ele relembrou a passagem da oficina pelo município em que mora: “O acontecimento movimentou positivamente a cidade. “Trilhas e Tons” deixou mais que conhecimento musical na cidade: o projeto fomentou escola de música e loja de instrumentos musicais também; os frutos dessa iniciativa linda são colhidos até hoje em Lago da Pedra”.
“É a primeira vez que Vitorino Freire tem a honra de receber um projeto de música, teórico e prático, com direito a dar certificado aos participantes. É muito grandioso para nós, fazedores de cultura, e para nós, vitorinenses, recebermos o projeto que já tem uma visibilidade nacional. Nós conhecemos o trabalho do Wilson Zara e entendemos que ele tem muito a colaborar com todos nós. É um abraço, é um apoio a mais que Wilson Zara e o projeto “Trilhas e tons” estão trazendo para a juventude de Vitorino Freire alavancar um pouco mais nas suas ideias de músicos. Nós temos certeza que em Vitorino Freire há muitos músicos em potencial, que precisam apenas de um empurrão, de um incentivo, como esse que o projeto “Trilhas e tons” está trazendo ao município. Nós ficamos muito gratos”, afirmou o jornalista Salis Chagas, membro do Coletivo Cultural de Vitorino Freire e articulador local do projeto.
A oficina chega ao município logo após as comemorações do aniversário da cidade, dia 25 de setembro. “Vai ser também um presente para o município”, continua Salis, bastante entusiasmado com a iniciativa.
Serviço
O quê: oficina “Trilhas e tons – Teoria musical aplicada à música popular” Quem: o instrutor Nosly, o coordenador Wilson Zara e o assistente Mauro Izzy Quando: de 27 de setembro a 1º. de outubro Inscrições: já abertas Onde (inscrições e aulas): Escola de Música Maestro Zé Mitonho Quanto: grátis (inscrições, aulas e material didático) Patrocínio: Equatorial Maranhão, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão Informações: contatowilsonzara@gmail.com, (98) 999753999, facebook.com/trilhasetons
Essência é uma palavra que cabe bem para definir a musicalidade de Rommel. Cidadão do mundo, o artista tem alinhado em seu trabalho influências do pop e da diversidade da cultura popular do Brasil.
No próximo sábado, 25 de setembro, chega às plataformas digitais o segundo single de “Karawara”, disco que Rommel lança em novembro pela Biscoito Fino. Trata-se de “In essence”, faixa que tem influências do budismo, procurando enxergar para além do que se vê.
No videoclipe, Rommel vê e é visto por pares, num jogo de reflexão – literalmente –, de perceber o outro como uma extensão de si próprio. Em tempos de intolerância e individualismo, o artista passa uma mensagem altruísta. A música é um afrobeat com a rítmica inspirada nos Batás, tambores usados em ritos religiosos da cultura iorubá na Nigéria, mas também em Cuba, no Haiti e no Tambor de Mina do Maranhão.
O videoclipe de “In essence” foi rodado no Canadá, onde Rommel reside, e conta com a participação da dançarina Jade Maya, cujo bailado traduz o jogo da diversidade de que fala a música: “vozes múltiplas, cores, nuances do arco-íris”, diz a letra, cantada em inglês, em tradução livre.
O primeiro single de “Karawara”, “Agô”, lançado no último dia 4 de setembro, teve boa receptividade do público e foi destaque nos principais aplicativos e plataformas de streaming.
Serviço:
O quê: lançamento do single e videoclipe de “In essence” Onde: plataformas digitais e canal do artista no youtube (Rommel Music) Quando: sábado, 25 de setembro, às 23h Quanto: grátis
Faixa chega às plataformas de streaming 3 de setembro; álbum sai em novembro
O cantor e compositor Rommel. Foto: divulgação
No próximo dia 3 de setembro (sexta-feira), chega a todas as plataformas de streaming a música “Agô”, primeiro single (pré-save aqui) de “Karawara”, álbum que o cantor e compositor Rommel lança em novembro, pela gravadora Biscoito Fino. O videoclipe de “Agô” será lançado no dia seguinte (4 de setembro, sábado) e no dia 5 de setembro será disponibilizado o mini-documentário “Agô – Até o sopro derradeiro”.
Composta por Rommel, em parceria com Enrico Lima e Orlando Macedo, “Agô” é um ijexá, ritmo pelo qual o artista sempre foi apaixonado. A música passeia pela cultura afro-brasileira, em diálogo com a sonoridade dos terreiros das religiões de matriz africana.
“Pedindo a paz de Oxalá/ dizendo agô aos Orixás/ Agô/ Levando flores para ofertar/ e as pegadas vão pro mar/ Amor”, diz um trecho da letra, que também reforça a importância da arte como uma forma de resistência, o que se manifesta em outras faixas de “Karawara”.
O videoclipe de “Agô” foi rodado no Rio de Janeiro, com a presença de Aline Valentim, professora de danças afro-brasileiras, e é dedicado ao centenário de Mercedes Baptista, bailarina e coreógrafa brasileira, pioneira no combate ao racismo.
“Karawara” tem canções em português, inglês e francês e conta com a participação de músicos do Brasil e do Canadá, onde o maranhense Rommel mora atualmente.
Em “Agô”, Rommel (voz e violão) é acompanhado por Carlos Bala (bateria), André Galamba (baixo e guitarra), Vovô Saramanda (percussão), David Ryshpan (teclado), Parrô Mello (saxofone), Márcio Oliveira (trompete), Debson Silva (trombone), Jordan Zalis e Pryia Shah (backing vocals).
Ijexá repica e retumba no fim da tarde Um sonho que passa e o tempo corre ligeiro Levada que arde ao sol da eternidade Subindo a ladeira até o sopro derradeiro
Ijexá repica e retumba no fim da tarde Um sonho que passa e o tempo corre ligeiro Levada que arde ao sol da eterna Arte Subindo a ladeira até o sopro derradeiro
Pedindo a paz de Oxalá Dizendo agô aos Orixás Agô Levando flores para ofertar E as pegadas vão pro mar Amor
O quê: lançamento do single e videoclipe “Agô” e mini-documentário “Agô – Até o sopro derradeiro” Quem: o cantor e compositor Rommel Quando: dias 3 (single), 4 (videoclipe) e 5 de setembro (mini-documentário) Onde: nas plataformas digitais Quanto: grátis
Cansado de telas, com a vida se resumindo a lives e que tais, acabo esquecendo de ver shows, debates, peças, filmes, olimpíadas, seja de gente amiga, seja de artistas de minha admiração, quando não as duas coisas juntas.
Tela, tela, tela sobre tela: a prorrogação indefinida do isolamento social decorrente da pandemia de covid-19 acabou, em certa medida, resumindo a vida a aparelhos de televisão, computadores e smartphones. É por ali que você fica sabendo de tudo, do noticiário sobre o novo (velho?) coronavírus, política, olimpíadas etc.
Até mesmo o chope após essas lives (isto quando não as perdemos), para aquela aguardada e merecida resenha com os amigos, tem sido mediado por uma tela: em geral, trocam-se mensagens comentando tal coisa, um amigo de um lado, outro de outro, cada qual bebericando o que mais lhe agrada no conforto de suas residências.
Já já – sei que escrevo em cima da hora –, às 15h, tem o lendário Otávio Rodrigues, vulgo Doctor Reggae, um de meus professores, de rádio, mas não só, no que eu chamaria de “aula-espetáculo”, sem nenhum receio de exagerar. A masterclass de Doc acontece na twitch @centroculturalolido, com acesso gratuito.
Para quem não conhece, Otávio Rodrigues é um dos pioneiros na divulgação e consolidação da música jamaicana no Brasil. Criou e apresentou programas como “Disco reggae” e “Bumba beat”, além do pioneiro “Roots rock reggae”, em 1982, o primeiro no dial brasileiro dedicado ao gênero from Jamaica, que foi ao ar pela Excelsior FM, de São Paulo, com direção de Maurício Kubrusly.
Foi Otávio Rodrigues quem grafou pela primeira vez na imprensa do Brasil a expressão “Jamaica brasileira”, com que São Luís viria a se tornar conhecida; em 1988 ele veio pela primeira vez ao Maranhão, onde acabaria morando uma época, escrever uma reportagem sobre o reggae por estas bandas para a revista Trip.
Na live de daqui a pouco, Doc vai rolar o fino, com alguns sons que ajudaram a escrever a história de quase cinco décadas de reggae no Brasil.
Que a pandemia seja superada e logo possamos voltar a frequentar os clubes de reggae como estávamos acostumados – até por que, aqui no Maranhão, se dança reggae agarradinho, algo que as regras de segurança sanitária ainda não permitem.
Jah bless!
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Divulgação
p.s.: em tempo: por falar em reggae (e cultura negra), hoje, às 19h, no Giro Nordeste, estarei na bancada, representando a Rádio Timbira AM, integro a bancada do programa, que entrevista Lazzo Matumbi, que amanhã disponibiliza, nas plataformas de streaming, seu novo disco, “Àjò” (lê-se “Ajô”), com que celebra seus 40 anos de carreira. A transmissão do Giro Nordeste acontece pela TVE Bahia e um pool de emissoras públicas nordestinas.
Rita Benneditto e Beto Ehong em colagem sobre fotos de Márcio Vasconcelos e Emílio Sagaz. Divulgação
A “Tribo futurista” em que Beto Ehong e Rita Benneditto se encontram é, na verdade, uma tribo do presente, ou, antes disso, uma tribo da urgência. Mais que a soma de dois enormes talentos, o encontro de dois artistas compromissados com a arte para além de mero entretenimento. Que não se eximem de suas responsabilidades de artistas enquanto formadores de opinião e tocam os dedos nas feridas. A sonoridade de mina eletrônica dando voz a minorias e rebelando-se contra discursos de ódio que se tornaram corriqueiros em nossos tristes tempos precisa reverberar entre as paredes das cidades atravessando as cabeças ocas de quem insiste em negar o óbvio. Som para dançar com a cabeça e pensar com o corpo inteiro. Tambores que batem dentro do peito e eriçam cada pelo: arrepio de quem não perdeu a capacidade de se emocionar diante do belo – apesar de toda tragédia que nos cerca. Coisas de que somente são capazes aqueles que realmente manjam dos paranauês.
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Escrevi o textinho acima a pedido do cantor, compositor e produtor Beto Ehong. O single “Tribo futurista” pode ser ouvido nas plataformas de streaming.
O videoclipe será lançado no próximo dia 22 de abril e você poderá assistir abaixo, na data:
O cantor e compositor Betto Pereira acaba de lançar o videoclipe de “Maldito amor”, single composto em parceria com o poeta Félix Alberto Lima – música que ele canta em dueto com Zeca Baleiro. Para além da participação especial o clipe conta com as ilustres presenças, entre outros, do dj Ademar Danilo, das cantoras e cantores Alcione, Beto Ehong, Flávia Bittencourt, Glad Azevedo, do torcedor boliviano Fumaça e de bailarinos do Grupo de Dança Afro Malungos (GDAM).
“Maldito amor”, o clipe, tem direção de Vicente Simão Jr. (Fábrika) e seu ritmo caliente é envolvido pela beleza das paisagens ludovicenses – o Centro Histórico visto da Avenida Ferreira Gullar ou passeado pela praça João Lisboa e a Feira da Praia Grande, a Escadaria do Beco do Silva, recém-repintada pelo artista Gil Leros, e o Point Magno Roots, no Bairro de Fátima.
“No toca-fitas do meu carro/ uma canção me faz lembrar você”, diz a famosa canção hoje tida por cafona, a que nos remete o ar vintage garantido por uma fita cassete – quando a música começa no videoclipe. Um elemento tragicômico é a cereja do bolo.
Ano passado o público não pode fazer o que estava acostumado ao longo do segundo semestre: ir para as praças de São Luís prestigiar o projeto RicoChoro ComVida na Praça, já consolidado no calendário cultural ludovicense, que há quatro temporadas estimula o diálogo entre o Choro e a riqueza da música popular brasileira, passando, obviamente, pela diversidade da cultura popular do Maranhão.
A RicoChoro Produções Culturais, no entanto, gravou três saraus em formato online. As gravações aconteceram nos estúdios da TV Guará, em formato talk show, com edições apresentadas por Ricarte Almeida Santos.
Serviço – A transmissão dos saraus pela TV Guará (canal 23.1 na tevê aberta; 21 na TVN; 323 na Sky HD; e 23 na Net) acontecerá dias 5 (às 22h30), 6 (às 18h) e 7 de fevereiro (também às 18h).
Veja a seguir uma pequena amostra do que vem por aí: Regiane Araújo, acompanhada do Regional Caçoeira, interpreta o clássico “Naquela mesa”, que Sérgio Bittencourt compôs em homenagem a seu pai, o revolucionário Jacob do Bandolim (aproveite e se inscreva no canal RicoChoro Produções Culturais no youtube para não perder as novidades):