Obituário: Marco Cruz

Foto: Fernando Motta (facebook)
Foto: Fernando Motta (facebook)

Faleceu ontem (10), vítima de um câncer no estômago, o compositor Marco Cruz. Soube ao ligar o rádio para ouvir o Santo de Casa, na Universidade FM (106,9MHz). Não entendi direito – ou não quis acreditar – e liguei para a produção perguntando.

Tocaram duas músicas suas, em sequência: Bangladesh, em que ele divide os vocais com Mano Borges na faixa-título do disco que este lançou há aproximadamente 20 anos – justamente a primeira vez que ouvi sua bela voz e falar em Marco Cruz – e a toada Moderna Mocidade, do Boi da Mocidade de Rosário, grupo para o qual forneceu outras crias para o repertório.

As últimas menções ao nome de Marco Cruz em minha memória estão ligadas aos shows de gravação – de que integrei a equipe de assessoria de comunicação – e lançamento do disco ao vivo Milhões de uns, estreia de Joãozinho Ribeiro no mercado fonográfico. Este resgatou do cofo de parcerias Cidade minha, que interpretou junto com o Coral São João, e Tá chegando a hora, marchinha carnavalesca que encerra o disco fruto dos shows, em que, com todos os convidados, Joãozinho canta: “tá chegando a hora/ de anunciar a despedida”.

Há algum tempo não surgiam notícias que relacionassem o recém-falecido compositor, também técnico em informática, à música. No entanto, o também parceiro Zé Lopes anunciou que Marco Cruz deixa inacabado um disco em que estava gravando Salmos que havia musicado.

Blogosfera no dial

Acervo Rádio Universidade FM

Ontem participei, com o camarada Alberto Jr. (como eu gostaria que ele tivesse um blogue para linkar no nome dele), do quadro Roda de Conversa, no Santo de Casa, na Rádio Universidade FM (106,9MHz), capitaneado por Gisa Franco.

O tema era “a importância dos blogues na difusão da música maranhense”, mas creio que fomos além.

Comentamos de nossas experiências como blogueiros, citamos blogues importantes, fiz cobranças públicas a quem já teve blogues e precisa voltar a ter e a quem nunca teve mas tem muito o que dizer, rimos um bocado e aproveitei para fazer o meu comercial, divulgando a 9ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes (termina hoje, 30) e shows de Chiquinho França (hoje, 30), Edvaldo Santana (7/11) e Patativa (19/11).

Quem perdeu no rádio pode ouvir o papo aqui, agora. Mais uma vez agradeço a atenção e paciência dos/as ouvintes e o carinho dos/as que fazem a Rádio Universidade FM.

O rádio, Parafuso e eu

Começo de setembro passado, a trabalho em Brasília/DF, meu celular toca. Era Valéria Santos, produtora da Rádio Universidade FM. Disse-me rapidamente que estavam produzindo um Janela Cultural em homenagem ao mestre José de Ribamar Elvas Ribeiro, mais conhecido como Parafuso. De cara topei dar um depoimento e ela gravou na hora, pelo telefone. Ela tornaria a ligar, já que as operadoras de telefonia não ajudam e a ligação caiu.

No dia em que o programa foi ao ar, eu estava novamente viajando. Hoje, com o amigo Alberto Jr., fui ao Santo de Casa, na mesma Universidade FM, falar com Gisa Franco no quadro Roda de Conversa sobre a relação entre a blogosfera e a difusão da música do Maranhão. O papo rolou agradabilíssimo. Reencontrei amigos e amigas e conheci Valéria pessoalmente. Ela me avisou que o programa dedicado a Parafuso estava disponível, na íntegra, no youtube.

Lembro que o lendário sonoplasta havia lançado recentemente, em concorrida noite de autógrafos no Bar do Léo, o livro Memórias de um Parafuso, de título autoexplicativo.

A quem interessar possa, aí está o programa:

Saldanha conta histórias de canções

Radialista e compositor durante a gravação de "Então, foi assim?". Foto: divulgação
Radialista e compositor durante passagem do Circuito DoBrado ResSonante por Brasília. Foto: divulgação

Finalmente vai ao ar, neste sábado (19), sábado agora (12), o Então, foi assim? dedicado ao compositor maranhense Chico Saldanha.

Com produção, pesquisa e apresentação de Ruy Godinho, o programa vai ao ar às 18h, pela rádio Nacional FM (96,1MHz), de Brasília, sendo retransmitido para mais de 250 emissoras em todo o Brasil.

O radialista paraense já havia dedicado um programa a Josias Sobrinho, com quem Saldanha dividiu a turnê Circuito DoBrado ResSonante, ano passado. Ambos gravaram suas participações no Então, foi assim? aproveitando aquela passagem pela capital federal.

Chico Saldanha contará aos ouvintes de Ruy Godinho as histórias por trás da criação de Babalu, Linha puída, Fuzileiro apaixonado, Mara e Emaranhado, esta última parceria com o cunhado Jamil Damous, que dá título ao disco (2007) em que foram registradas.

Livro – Com o mesmo nome do programa, Ruy Godinho já lançou dois volumes dedicados às histórias das criações de importantes obras da música popular brasileira. A valorosa dupla formada por Sobrinho e Saldanha deve figurar num volume futuro, em breve. A conferir.

Parafuso reúne memórias em livro

Não poucas vezes adentrei o Bar do Léo e dei de cara com sua figura muito animada, um copo de uísque sobre a mesa, às vezes uma garrafa inteira. Sempre nos cumprimentamos com um abraço efusivo e não era raro ele depois estacionar em minha mesa, entre suas idas e vindas ao banheiro, para continuar uma história iniciada ou explicar melhor algum detalhe. E histórias não lhe faltam.

José de Ribamar Elvas Ribeiro, popularmente conhecido como Parafuso, é uma lenda viva do radialismo maranhense, sua memória viva, não exagera quem o diz.

Sonoplasta, parte delas entregou em entrevista ao hoje presidente da Fundação Municipal de Cultura Francisco Gonçalves e o time de comunicadores que coordenou em pesquisa sobre a versão maranhense da fantástica guerra dos mundos, livremente inspirada em H. G. Wells.

As lembranças de Parafuso sobre este importante, controverso, lendário, curioso e, por que não?, hilário capítulo da radiofonia maranhense estão em Outubro de 71 – Memórias fantásticas da Guerra dos Mundos, livro organizado por Gonçalves que reconta a história do dia em que os marcianos invadiram São Luís.

Lembro que, quando escrevi sobre o livro para a revista Overmundo (donde, aliás, meio que cato a abertura deste texto), tentei entrevistar Parafuso por telefone. Foi a primeira vez em que ouvi falar de Memórias de um Parafuso, que à época nem sei se já tinha esse título, o livro que o mestre lança em noite de autógrafos no Bar do Léo, no próximo dia 2 de julho.

Sem perder a elegância nem a paciência, Parafuso advertiu-me que o que tinha para dizer sobre a “guerra dos mundos” estava no livro sobre o qual eu estava escrevendo (e que obviamente já havia lido). E que sobre outros assuntos ele diria num livro que estava escrevendo com suas memórias. “Aliás, o livro está pronto, falta revisão e dinheiro para imprimir”, confessou-me.

Tornei a encontrá-lo outras vezes, mas não a importuná-lo com perguntas do tipo “e o livro?”. Mas a notícia do lançamento de suas memórias me deixa bastante contente. E ansioso.

Entre as histórias de Parafuso certamente está a de seu apelido, conforme me contou certa vez: “eu era irrequieto e um dia na escola o professor [ou era um inspetor?] chegou e me viu sobre a carteira, sapateando. Ele botou o apelido: parafuso. Dizem que quando a gente se zanga é que o apelido pega. Eu nunca me zanguei e pegou, embora carrapeta fosse mais apropriado. Parafuso você bota ele ali, ali ele fica. Carrapeta, não…”

Divulgação

Então, foi assim? Programa de rádio apresenta histórias de criações de Josias Sobrinho

Radialista entrevistou o maranhense quando de sua passagem por Brasília com o circuito Dobrado Ressonante

Josias Sobrinho e Chico Saldanha durante apresentação de Dobrado Ressonante no Teatro Arthur Azevedo, em São Luís

Pesquisador incansável do choro e da música brasileira, o radialista paraense Ruy Godinho capitaneia há tempos dois importantes programas que muito têm colaborado com a difusão de obras de qualidade: Na Roda de Choro vai ao ar aos sábados, meio dia, pela Rádio Câmara e tem retransmissão de 162 emissoras espalhadas pelo Brasil; Então, foi assim? é transmitido aos sábados às 18h pela Rádio Nacional e é repetido ao longo da semana por mais de 200 rádios do país.

O primeiro, como entrega o título, dedica-se ao mais brasileiro dos gêneros musicais; o segundo conta histórias de canções, de como foram feitas determinadas obras primas da música brasileira. Já há dois volumes do trabalho reunidos em livro.

Aproveitando a passagem do Circuito Dobrado Ressonante pela capital federal, o radialista aproveitou para entrevistar Josias Sobrinho e Chico Saldanha. O programa com o primeiro vai ao ar neste sábado (21, frisando: às 18h, na Rádio Nacional FM, para ouvir ao vivo basta clicar neste link da rádio). As histórias contadas por Chico Saldanha irão ao ar em breve (este blogue avisará).

Na conversa com Ruy Godinho, Josias Sobrinho conta as histórias de um punhado de clássicos de sua autoria: As ‘perigosa’, Engenho de flores, Rosa Maria e Nosso neném.

Cantar, a sagrada vocação de Renato Braz

Passarim cosmopolita, Renato Braz solta o canto no Chorinhos e Chorões

Extremamente simpático e bastante modesto – “eu tou tocando errado aqui”, desculpou-se ao interpretar, em off, o Cigarro de paia, de Armando Cavalcanti e Klécius Caldas, sucesso de Luiz Gonzaga –, Renato Braz esteve em São Luís sábado passado (20), para um show reservado. Era a terceira edição do projeto Ponta do Bonfim – Música e Por do Sol, organizado pelos amigos Eden do Carmo, Aristides Lobão e Lúcio. Cabelos ao vento, ele trajava calça xadrez e uma camisa com uma estampa de Amarcord, de Federico Felini. Emoldurado pela bela paisagem, Renato Braz fez um show onírico qual o cinema do italiano: vê-lo e ouvi-lo era também a realização de um sonho.

Além do paulista, também desfilaram talentos ao palco Zeca do Cavaco e João Neto Trio (com o próprio na flauta, João Eudes, violão sete cordas, e Vanderson, percussão), Milla Camões (acompanhada de Celson Mendes ao violão, Jeff Soares, contrabaixo e Fleming, bateria) e Sérgio Habibe (com Edinho Bastos, guitarra, e Rui Mário, sanfona). Aposto que alguns dos poucos mas fiéis leitores estão indignados de só estarem sabendo disso agora.

Renato Braz passeou pelo repertório de seus discos e cantou coisas que gosta, lembrando os centenários Wilson Batista e Dorival Caymmi, elogiando ainda os maranhenses que o antecederam no palco. Celson Mendes e Marconi Rezende subiram ao palco para acompanhar-lhe, em participações especiais. Puro deleite.

Aproveitando a passagem pela ilha, o músico compareceu aos estúdios da Rádio Universidade FM (106,9MHz), e concedeu uma entrevista a Ricarte Almeida Santos e este blogueiro, imensa honra – como disse o apresentador, “fazer Chorinhos e Chorões tem seus privilégios”. O bate papo musical vai ao ar amanhã (28) domingo que vem (4/8), às 9h.

Renato Braz aponta influências – “o primeiro grande artista que eu quis ser era o Tim Maia, é minha primeira referência como cantor” –, fala da carreira (sete discos lançados desde 1996, incluindo Por toda a vida, inteiramente dedicado ao repertório dos irmãos paulistas Jean e Paulo Garfunkel, e Papo de Passarim, dividido com Zé Renato, ex-Boca Livre, outro ídolo), da relação com a música maranhense (a amizade com Rita Ribeiro e Zeca Baleiro, de quem gravou Bambayuque no disco de estreia, e Flávia Bittencourt, em cuja estreia cantou em Flor do Mal, de Cesar Teixeira), discos fundamentais para sua formação, como Brazilian Serenata, de Dori Caymmi, e Urubu, de Tom Jobim, as novas tecnologias e a feitura de seus discos, hoje independentes – “só canto aquilo que me emociona”, rodas de choro e, em tom brincalhão, da amizade com o casal-música Paulo César Pinheiro e Luciana Rabello.

Em meio a tudo isso, música. Muita música, de qualidade. Além de faixas de seus discos, surpresas, como interpretação sua ao violão para Só louco, de Dorival Caymmi (que completaria 100 anos em 2014), além de uma inédita de Fred Martins – Depressa a vida passa, como depressa passou esse Chorinhos e Chorões. Mais não digo para não estragar a surpresa – ou já o fiz?. Nada, este texto é nada perto do programa.

Errata: os poucos mas fiéis leitores deste blogue e os muitos e fiéis ouvintes do Chorinhos e Chorões terão que esperar mais um bocadinho para ouvir o programa acima anunciado apressadamente. Amanhã (28), aproveitando sua passagem pela ilha, Ricarte Almeida Santos conversa com o professor Marco César.

Rádio Batuta homenageia Vinicius de Moraes por seu centenário

Eu mesmo já me peguei chamando-o assim, mas um dos apelidos mais injustos de nossa música popular reside em chamar Vinicius de Moraes de Poetinha. Não digo isso para polemizar: se por um lado a alcunha é carinhosa, por outro diminui a dimensão de sua obra e talento. Poetaço, isso sim, era Vinicius de Moraes.

Autor de um sem número de clássicos do cancioneiro brasileiro (você certamente já assobiou algo dele, muitas vezes sem sequer saber que isto ou aquilo é de sua autoria), poeta (naquele sentido: o de quem lança livros de poesia), boêmio (também dono e protagonista de muitas histórias com “o cachorro engarrafado”) e amante (casou-se nove vezes e bem podia figurar no livro dos recordes por isso), Vinicius de Moraes faria 100 anos 19 de outubro que vem.

A Rádio Batuta, do Instituto Moreira Salles, começou hoje (18) a reprisar os 32 episódios de Vinicius – Poesia, Música e Paixão, mais profundo documento sonoro conhecido sobre a vida e obra do artista. O documentário foi ao ar pela primeira vez em 1993, pela rádio Cultura AM.

Um dos maiores especialistas em música brasileira e biógrafo de Noel Rosa, João Máximo concebeu, realizou e narrou Vinicius – Poesia, Música e Paixão, que conta com entrevistas, feitas exclusivamente para o mesmo, de nomes como  Baden Powell, Carlos Lyra, Chico Buarque, Edu Lobo, Francis Hime, Tom Jobim e Toquinho, todos parceiros do homenageado, todos nomes importantes da chamada MPB.

Premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), o documentário  terá seus episódios veiculados na webrádio do IMS sempre às segundas-feiras, às 10h; aos domingos, no mesmo horário, a transmissão acontecerá na Rádio Cultura. Se você, como este blogue, perdeu o de estreia, ele está disponível no site da Rádio Batuta para audição; a cada segunda-feira um novo episódio será disponibilizado, até outubro, mês do centenário de Vinicius de Moraes.

Música maranhense: silêncio da/na Rádio Universidade FM

Quando li este texto no blogue do jornalista Henrique Bóis, fui tomado de imediato por um misto de raiva e nojo. Imediatamente resolvi reagir e vomitei alguns parágrafos em que me mostrava indignado com a transformação, de uns tempos pra cá, da Rádio Universidade FM em apenas mais uma rádio comercial entre as outras do dial. Que a Radiun, como é carinhosamente chamada pelos que a fazem, deveria ter um papel de laboratório, de vanguarda, sem preocupações primordiais com lucros etc. Que seria contraditório o confinamento da música maranhense aos horários do diário Santo de Casa (apresentado por Gisa Franco, de segunda a sexta, das 11h ao meio dia) e do semanal Chorinhos e Chorões (aos domingos, das 9h às 10h, por RicarteAlmeida Santos), cujo apresentador cheguei a ouvir para escrever um texto cujo rascunho, jogado direto no wordpress e não esboçado em word, como de costume, não foi salvo. Por que liguei para Paulo Pellegrini e este negou a veracidade das afirmações de Bóis e as aspas de suas falas no texto, embora o tenha feito de maneira muito tranquila, em minha opinião.

Cheguei ao texto de Bóis através do compartilhamento do mesmo pelo cineastamigo Murilo Santos, em seu perfil no Facebook. Em resposta, nos comentários, marquei Murilo, Paulo Pellegrini e Henrique Bóis, após o telefonema ao segundo. Só o primeiro respondeu, dizendo aguardar um pronunciamento oficial da Rádio Universidade FM.

Ontem (só li hoje) recebi por e-mail o texto abaixo, do compositor e jornalista Cesar Teixeira, sobre o mesmo fato.

Este blogue continua aguardando manifestação da Rádio Universidade FM sobre o assunto.

SANTO DE CASA NÃO FAZ MILAGRE

CESAR TEIXEIRA

Fiz parte de uma geração de estudantes e professores que lutou pela criação de uma gráfica e uma rádio dentro da UFMA, no início dos anos 80. Exatamente para implodir o modelo autoritário que impedia a universidade de cumprir o seu papel social, interagindo e contribuindo com a comunidade para garantir a cidadania e o direito constitucional à informação.

É triste hoje constatar que a Rádio Universidade FM, gerenciada pela Fundação Souzândrade, está querendo jogar fora o seu script ético, passando a discriminar os artistas maranhenses que mais têm contribuído para o sucesso da nossa música. Isso outros canais de comunicação já fazem no Maranhão. Será que o jabá ideológico também se apropriou da emissora?

Tive informação de que ingressos oferecidos pela produtora de um show do compositor Josias Sobrinho não poderiam ser divulgados nos programas jovens da emissora, conforme teria determinado o coordenador geral, Paulo Pellegrini, ficando limitados aos programas Santo de Casa e Chorinhos e Chorões.

Não deixa de ser esquisito excluir os jovens, excluindo o artista. Pior ainda. Segundo o blog do jornalista Henrique Bóis, o diretor afirma que se o público da rádio “acaso fosse a um show de músico maranhense teria uma péssima impressão, principalmente de alguns (…) compositores que se aventuram a cantar”.

Que público será esse que teria má impressão da nossa música, que a própria rádio tanto se empenhava em divulgar? Não faz sentido. Parece até uma tentativa de ressuscitar a antiga censura prévia em uma emissora pública, cujos projetos também dependem de empresas como a Vale e a Alumar, de interesses culturais duvidosos.

Como lembra o jornalista, eles utilizam “a mesma música que rejeitam para convencer os patrocinadores” do Prêmio Universidade FM, que distribui anualmente troféus para artistas e produções culturais que mais se destacaram.

A verdade é que Santo de Casa não faz milagre. Ou faz?

Para todos os efeitos, é lamentável que a direção da rádio tenha transformado a música maranhense em merda, e agora esteja pisando nela.

Choro em dose dupla

Abaixo, as duas participações mais recentes que, mui honrosamente, fiz no Chorinhos & Chorões, com Ricarte Almeida Santos, na Rádio Universidade FM (106,9MHz). Na primeira, de 18 de março passado, conversamos com Biné do Banjo, que na ocasião apresentou seu disco Visitação, produzido e arranjado por Ubiratan Sousa; na segunda, de 25 de março, com João Pedro Borges, o Sinhô, sobre Ernesto Nazareth, por ocasião de seus 149 anos de nascimento. Ouçam!

Choros revelados

Dois cliques de Val Monteiro, manhã de hoje, Chorinhos & Chorões, ocasião em que participei, sempre uma honra e um prazer, do programa de Ricarte Almeida Santos, lançando o ótimo Visitação, disco de choro com parte da obra de Biné do Banjo, em cujas composições visita ritmos da cultura popular do Maranhão, vários sotaques de bumba meu boi, tribo de índio, a sambatucada dos Fuzileiros da Fuzarca e o tambor de crioula, entre outros. Tudo em arranjos caprichadíssimos do mestre Ubiratan Sousa e mais não digo por que o disco merecerá um post exclusivo.

Na segunda foto o titular do programa e o blogueiro escolhendo algo de Visitação para tocar; na primeira, além dos já citados, o produtor Tote da Madre Deus (de boné), Biné do Banjo e o assistente Douglas da Liberdade.

LançamentoVisitação terá show de lançamento nesta quinta-feira (22), às 20h, no Teatro Arthur Azevedo. O ingresso custa R$ 20,00, com um cd de brinde.

Nazareth – Domingo que vem (25), este que vos perturba volta ao programa: prestaremos homenagem a Ernesto Nazareth, cujos 149 anos de nascimento serão celebrados nesta terça-feira (20), data em que o Instituto Moreira Sales, guardião do acervo do autor de Brejeiro, Floureaux e Odeon, entre muitas outras, lança o site Ernesto Nazareth 150 anos, em contagem regressiva para as grandes e merecidas homenagens que certamente tomarão os palcos do país ano que vem (o IMS sai na frente, com show já agendado para esta terça-feira em sua sede, no Rio de Janeiro). Mas isso é assunto para domingo, no Chorinhos & Chorões, se liguem.

Rádio Mec foca violão de João Pedro Borges

Hoje (15), às 22h, vai ao ar mais uma edição do semanal Violões em Foco, na Rádio Mec (o programa pode ser ouvido pela internet).

Rádio Mec apresenta um dos maiores nomes do violão brasileiro

Redundância intencional, o Violões em Foco de hoje enfoca o talento de João Pedro Borges, um dos maiores nomes brasileiros do instrumento que dá nome ao programa, que tem apresentação de Luís Carlos Barbieri.

A programação inclui peças como Valsachorando, Valsa da Vida, Abraçando Chico Soares (as três de Paulinho da Viola), Elogio de la Danza (Leo Brouwer) e Tema e variações –  1, 10, 20 e fuga de Folias de Espanha (M. Maria Ponce).

Também conhecido no meio musical como Sinhô, João Pedro Borges bate um papo com Luís Carlos Barbieri, e não executará as peças ao vivo.

Disco brinde em que João Pedro Borges interpreta Paulinho da Viola (com a participação do mesmo nunca teve reedição em cd)

Curiosidade – As três primeiras músicas acima listadas, por exemplo, fazem parte do álbum Brasil Instrumental, um duplo raríssimo, de 1985, que uma empresa deu de brinde a seus clientes. Conta com um time enxuto, porém da pesada: João Pedro Borges (violão), Paulinho da Viola (cavaquinho e violão) e Cesar Faria (violão). O outro disco do brinde trazia o encontro inusitado (com isso refiro-me à formação do quarteto, não ao indiscutível talento de seus integrantes) de Paulo Moura (saxofone), Zé da Velha (trombone), Raphael Rabello (violão) e Jacques Morelembaum (violoncelo). Nunca teve reedição em cd.

A Guerra dos Mundos em revista

Ou melhor: na revista.

Já está disponível para leitura e download (comum e/ou para ipad) a edição número 4 da revista Overmundo (novembro/dezembro/2011). Nela, entre outras matérias interessantes, assino uma acerca do lançamento de Outubro de 71 – Memórias fantásticas da Guerra dos Mundos, organizado pelo professoramigo Francisco Gonçalves, sobre o que também já escrevi acá en el blogue; em breve publico aqui as entrevistas que fiz com o time de pesquisadores de Chico, a dele, ao fim da matéria na revista.

Aos poucos mas fieis leitores deste blogue desejo uma fantástica leitura.

Sócrates, brasileiro

Ontem fui ao Chorinhos & Chorões, como entrega a foto acima, em que apareço com o titular do programa Ricarte Almeida Santos e os compositores Joãozinho Ribeiro, Josias Sobrinho e Chico Saldanha. A tríade foi entrevistada pelo primeiro, divulgando o show Rosa Secular II, que apresentam sábado que vem (10), às 21h, no Bar Daquele Jeito (Vinhais).

O show é mais ou menos uma reprise de Noel, Rosa Secular, que apresentaram ano passado e, a pedidos, no comecinho deste ano – e que está concorrendo na categoria “melhor show” no Prêmio Universidade FM, a maior premiação da música produzida no Maranhão.

Digo mais ou menos por que, desta feita, além de Noel Rosa também serão homenageados outros bambas centenários, Assis Valente, Ataulfo Alves, Cartola, Mário Lago e Nelson Cavaquinho, além dos saudosos e eternos maranhenses Antonio Vieira, Cristóvão Alô Brasil, Dilu Mello, João Carlos Nazaré e Lopes Bogéa. O show contará com as participações especiais de Célia Maria, Lena Machado, Lenita Pinheiro e Léo Spirro, como eu já disse aqui.

Mas não é disso que quero falar: ao adentrar o estúdio da Rádio Universidade FM ontem, a primeira notícia que recebi foi bastante triste: a subida (ontem, 4) de Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, vulgo Dr. Sócrates (1954-2011) – avesso a computadores em fim de semana, salvo raras exceções, não fui atrás de ler uma linha sobre o assunto e escrever isto aqui é a primeira coisa que faço nesta manhã de segunda-feira, após o Corinthians ter conquistado seu quinto título nacional (também ontem, 4).

Um jogador cerebral. Um dos fundadores, em plena ditadura brasileira, da Democracia Corintiana, que levou também para dentro das quatro linhas a luta pela redemocratização do país. Em campo ou fora dele, Sócrates nunca deixou de pensar.

Participou de duas copas do mundo, em 1982 e 86, sem ter vencido nenhuma. Azar das copas! Sócrates era a tradução humana da frase-pergunta que abre Catatau, o romance-ideia de Paulo Leminski: “que flecha é aquela no calcanhar daquilo?” Quem o viu jogar ou viu videotapes – dá um google aí no youtube agora! – sabe do que estou falando.

Colunista da CartaCapital, comentarista da TV Cultura, apresentador do Canal Brasil, o paraense era do tempo em que o esporte bretão e a mídia não fabricavam ídolos milionários da noite para o dia. Talvez por isso – ou não – ele tenha se dividido entre o futebol e a medicina. E depois ocupado os meios de comunicação de forma crítica – no último canal, nem sei se seu programa chegou a ir ao ar, gestado já em meio às complicações de saúde que o matariam ontem (4).

Em meio à geral, em geral acrítica, de torcedores, jogadores, dirigentes, cartolas e outros, Sócrates era voz dissidente, que despejava críticas e elogios a quem os merecesse, sendo ácido ou doce, conforme a necessidade. Não erraram seus pais quando batizaram-no com nome de filósofo.

Uma grande perda para o futebol e a inteligência nacionais, num dos raros casos em que essas duas categorias conseguem se conciliar. Descanse em paz, Doutor Sócrates! E que seu exemplo – necessário – possa ser seguido por mais gente por aqui.

Em sua memória e homenagem deixo a sinfonia de pardais abaixo, que ouvi e fotografei hoje pela manhã, antes de sair de casa.

P.S.: atualizo o post às 13h23min para recomendar, sobre o assunto, a subida do doutor, três belos textos: dois de Ronaldo Bressane e um de Xico Sá.

P.S.2: e às 8h55min do dia 6, este de Marcelo Montenegro.

Uruguaios na roda de choro

Ricarte Almeida Santos apresenta, neste domingo, em seu Chorinhos & Chorões, a música do La Chorona, grupo uruguaio que se dedica ao choro. O blogue entrevistou Gonzalo Perera, violonista do quarteto.

Eles são uruguaios. Mas tocam como brasileiros. E nem de longe isso é desmerecer os hermanos, a analogia só é possível por tratar-se do mais brasileiro de todos os gêneros musicais: o choro. Outra analogia, cabível ou não, seria dizer de meninos que tocam como gente grande: os músicos do La Chorona têm entre 32 e 37 anos, são, pois, gente grande, e tocam como tal.

Gonzalo Perera (violão), Martin Perez (sax soprano), Nacho Delgado (pandeiro) e Santiago Silvera (bandolim e cavaquinho) formam o grupo de Montevidéu que passeia com desenvoltura por composições de nomes de lá e cá.

Deste lado da fronteira, grandes mestres da música brasileira, o choro em especial: André Victor Correia, Donga, Jacob do Bandolim, Lina Pesce, Nelson Cavaquinho, Noel Rosa, Pixinguinha, Waldir Azevedo e Zequinha de Abreu, espalhados nos dois discos que o grupo gravou até aqui: Instrumental (2005) e Chorando al sur (2010), ambos gravados de forma independente, este último quase todo dedicado à turma de Pindorama – das oito faixas, apenas La Rita é assinada por Santiago Silvera.

História – O “embaixador” do choro no Maranhão, Ricarte Almeida Santos, recebeu os dois discos do La Chorona de presente do amigo César Choairy, que topou com o grupo tocando em uma praça em Florianópolis/SC, conforme a história que conta aqui, anunciando seu programa de amanhã (27), o Chorinhos e Chorões, às 9h, na Rádio Universidade FM (106,9MHz).

Por e-mail, este blogue conversou com Gonzalo Perera, que carinhosamente agradeceu a divulgação do disco por estas plagas – as perguntas foram enviadas em português, as respostas vieram num misto de português e espanhol e aqui publicadas em português, numa quase-tradução de Zema Ribeiro.

ENTREVISTA: GONZALO PERERA, DO LA CHORONA

Zema Ribeiro – Desde quando o La Chorona está na ativa?
Gonzalo Perera – O La Chorona começou no ano 2003, com Santiago Silvera, atual cavaquinho e bandolim do grupo. Depois disso, mudou várias vezes de integrantes até hoje.

Como descobriram a música brasileira, sobretudo o choro? A música brasileira é muito difundida e o povo uruguaio gosta muito. O contato com o choro vem da pesquisa. Em busca de outros ritmos e estilos apareceu o choro, primeiro num disco de vinil de Altamiro Carrilho, depois apareceram Waldir Azevedo, Jacob do Bandolim, Pixinguinha… e aí não largamos mais!

Onde está sediado hoje o La Chorona? Desde o ano passado estamos radicados em Florianópolis.

Vocês sonham dividir o palco com algum músico brasileiro? Os músicos com que gostaríamos de dividir o palco são muitos… todos, eu acho. Hamilton de Holanda, por dizer algum. O [grupo] Choro das Três (não só porque são lindas, mas porque tocam muito), o Trio Madeira Brasil…

Que músicos uruguaios você recomendaria aos brasileiros conhecer? Alfredo Zitarrosa e o Quarteto Zitarrosa, que são os músicos que o acompanhavam. Jorginho Gularte, que faz candombé. Jaime Roos, Hugo Fatorusso, Trio Ibarburu, todos com estilos diferentes entre si.

Na sua opinião, qual o maior músico brasileiro? É muito difícil dizer qual é o maior músico brasileiro. Inclusive acho injusto com muitos outros. Mas a título pessoal, dentro do choro, acho o Jacob do Bandolim um gigante. Chico Buarque, outro estilo, outro gigante.