ELES SÃO “OS CARAS”

Diversão bem cuidada é garantida em Nós somos Os Outros, disco da banda carioca que se diverte divertindo.

por Zema Ribeiro


[A capa não mostra…]

O preço baixo não é desculpa para descuidos: R$ 5,00 pelo SMD (sigla de Semi Metalic Disc, formato em que Zeca Baleiro, por exemplo, lançou duas trilhas sonoras por ele compostas para balés, pela Saravá Discos) e você tem o áudio, sabe as letras, quem compôs e quem toca o quê.

Estamos falando de Nós somos Os Outros [Bolacha Discos, 2006], a simpática bolachinha da banda formada por Fabiano Ribeiro (bateria; o disco foi gravado ainda com Marcello Calado nas baquetas, posto que ocupou da fundação da banda até a gravação do disco), Papel (guitarra e voz), Palhaço (guitarra), Vitor Paiva (baixo e voz) e Botika (voz), estes dois últimos os principais compositores da banda, o último, também escritor, autor do impressionante Uma autobiografia de Lucas Frizzo [Azougue Editorial, 2004], mas isto é outro assunto.

O som dos meninos é rock (no melhor sentido): influências que vão de Radiohead à jovem guarda, passando por Bob Dylan, Beatles e Tom Zé, entre outros, além de doces e engraçadas pitadas do que se convencionou chamar de música “brega”, a depender do estado de humor deles.


[… quem são Os Outros]

Bom humor, aliás, é o que não lhes falta. Seja nas letras – por exemplo, a de A melhor coisa do mundo (Botika), talvez a música mais “pop(ular)” da banda e, de longe, a predileta deste colunista: “O cardápio não vou ver/ só tenho olhos pra você/ eu esqueci como se lê/ se não for querer comer passou um filme na TV/ e a reprise é logo mais, e lá em casa é bom demais” –, ou no clipe da mesma música, hit no Youtube (digite “os outros a melhor coisa do mundo”, com ou sem aspas, no campo de busca do site e veja os rapazes se divertindo a valer [nota do blogue: veja abaixo]) e na MTV, nos raros momentos em que a emissora ainda faz valer o M de sua sigla.

Diversão, aliás, garantida para quem ouve – e antes, para eles mesmos. Que aliás, nisso, eles não são os outros. São “os caras”.


[Os caras, digo, Os Outros, em ação]

[Tribuna Cultural de ontem, Tribuna do Nordeste]

NÃO PERCA!

Acontece hoje, às 19h, na Casa de Nhozinho (Galeria do Cofo, Rua de Nazaré, 185, Praia Grande, serviço completo no texto abaixo), a exposição Nhozinho – imensas miudezas, que além das peças do artista contará com o lançamento do livro homônimo, sobre a vida e a obra deste artista ímpar, e exibição de documentário idem.

O jornal Tribuna do Nordeste publicou em sua edição de hoje o texto abaixo (que está também no Overmundo). Na edição perdeu-se o último parágrafo (que reproduzo aqui e também está no Overmundo) e a nota final (ambos, aqui, em itálico).

A ilustração do texto no jornal é o boi do convite. Reproduzo aqui as imagens utilizadas no Overmundo, com as legendas idem.

Garanto que ir até a exposição é bem melhor que (só) ler este texto aqui.

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TODA TERNURA DE NHOZINHO*

São Luís será palco da exposição Nhozinho – imensas miudezas, quando também será lançado o livro homônimo bilíngue, sobre a vida e a obra deste imenso artista maranhense que de miúdo tinha apenas o apelido.

por Zema Ribeiro


[O artista em seu ateliê. Arquivo Casa de Nhozinho. Reprodução do livro]

Depois do sucesso no Rio de Janeiro, onde recebeu mais de cinco mil visitantes, na Galeria Mestre Vitalino do Museu do Folclore Edison Carneiro, a exposição Nhozinho – imensas miudezas chega à São Luís e terá como palco a Galeria do Cofo na casa que leva o nome do artista, localizada na Rua Portugal, 185, Praia Grande (com acesso também pela Rua de Nazaré 2-A, no mesmo bairro).

Antonio Bruno Pinto Nogueira, o Nhozinho (1904-1974), é um dos maiores expoentes da cultura popular maranhense, essa sua principal fonte de inspiração, tão belo, delicado e detalhista o trabalho que o artista, natural de Bacuripanã, Cururupu/MA, criou.

Além da abertura da exposição, que fica em cartaz até o dia 14 de abril (das 9h às 18h), acontecerá hoje (13) o lançamento do livro Nhozinho – imensas miudezas (2007), edição bilíngue sobre a vida e obra do artista, com artigos de Lélia Coelho Frota (escritora e historiadora da arte), Luciana Carvalho (antropóloga), Maria Michol (pesquisadora e, à época, Superintendente de Cultura Popular da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão), Paulo Herkenhoff (crítico e curador de arte) e Zeca Baleiro (cantor e compositor) e prefácio do poeta e crítico Ferreira Gullar (um artigo sobre Nhozinho publicado na revista Manchete em 1956).


[Nhozinho – imensas miudezas, o livro. Capa. Reprodução]

Pertencentes a diversos acervos espalhados pelo Brasil, em museus e coleções particulares, algumas peças da exposição ilustram as páginas do livro, ambos patrocinados pela indústria química e farmacêutica Merck S.A. (a exposição e o lançamento do livro marcarão a despedida da empresa do Maranhão, após 40 anos de atuação), através da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura. A realização é da Sábios Projetos, Arco Arquitetura e Produções e Superintendência de Cultura Popular da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão. A Comissão Maranhense de Folclore, a Prefeitura Municipal de Cururupu, o SESC maranhense e a Pousada Portas da Amazônia apóiam a iniciativa.

NHOZINHO – A itinerância da exposição Nhozinho – imensas miudezas pretende ser também um incentivo a pessoas com deficiência, além de uma ação de inclusão social. Hoje notável por suas esculturas, o artista maranhense teve que vencer, desde os 12 anos de idade, limitações e deformações causadas por uma doença congênita. Chegou, ele mesmo, a fabricar um carro de madeira para facilitar a sua locomoção.

Como nos conta o maranhense Ferreira Gullar no citado prefácio: “Aos doze anos, quando a doença chegou, já ele sabia fazer seus barcos de buriti, seus papagaios de papel. Num serviço paciente e sinistro, com inchações doloridas que lhe foram tomando os braços, as pernas, as mãos, os olhos – a doença feriu e torceu-lhe o corpo durante vinte e dois anos. Quando ela acabou o seu serviço, Nhozinho começou a serrar madeira e a fazer o carro que o levaria a passear e brincar (já com trinta e quatro anos) pelo Ribeirão e pela Praia do Caju. Nhozinho pagava garotos que lhe empurravam o carro e, nas tardes de domingo, se era tempo de papagaios-de-papel, comparecia com o seu à Beira-Mar. Quando o primeiro carro quebrou (10 anos de uso), Nhozinho começou a fazer um que não necessitasse de gente empurrar: ele mesmo faria andar: “Mas estava ficando tão grande que desisti; não ia caber dentro de casa”. Fez o segundo no estilo do primeiro, com algumas inovações”.


[Reprodução do ambiente de trabalho, exposta em vitrine na Casa de Nhozinho. Bancada original doada pela família. Reprodução do livro]

Em Nhozinho? por que Nhozinho?, um dos textos introdutórios ao volume, Alice Cavalcante (da Sábios Projetos) e Heloisa Alves (da Arco Arquitetura e Produções) apresentam-nos vários motivos para a escolha deste artista singular: “Nhozinho, pelo artista que foi, porque sua obra merece ser conhecida pelos brasileiros ou, quem sabe melhor dizer: os brasileiros merecem conhecer sua obra. Nhozinho, pela importância do precioso e preciso registro que fez do bumba-meu-boi, manifestação popular proibida e perseguida durante décadas, que hoje é sinônimo da identidade maranhense. Nhozinho, pela excepcional figura humana que superou adversidades, limitações físicas, dor e preconceito, sem perder a capacidade de criar, a alegria de viver”.

A EXPOSIÇÃO – Toda composta por peças originais do artista, a exposição tem aproximadamente cem obras, dos acervos da Casa de Nhozinho e das famílias Alcântara, Dino e Zelinda Lima. As diversas fases de sua produção estão contempladas e Nhozinho – imensas miudezas traz também antigas fotografias de apresentações do bumba-meu-boi e da região de Cururupu – para onde as produtoras ainda sonham em levar a exposição um dia –, objetos originais do bumba-meu-boi (como indumentárias diversas e instrumentos musicais, além do próprio boi, é claro) e um documentário com depoimentos de familiares e amigos de Nhozinho, brincantes e organizadores de grupos de bumba-meu-boi – sobretudo o de sotaque costa-de-mão, característico da região onde o artista nasceu –, artesãos, estudiosos e especialistas.


[Roda de bumba-meu-boi, uma das peças do livro/exposição. Reprodução do livro]

O LIVRO – Luxuosa edição bilíngüe (português/inglês), Nhozinho – imensas miudezas traz, ilustrando os artigos que o compõem, diversas fotografias de peças criadas pelo artista-artesão – com toda a redundância que possa residir aqui – além de fotografias dele em várias fases da vida. Repetem-se na obra, os acervos da exposição, clicados pelos fotógrafos Marcelo Rangel, Paulo Rodrigues e Wilton Montenegro.

Uma foto, na página 22, foi colocada por engano: durante o processo de pesquisa, chegou às mãos dos realizadores como sendo da família de Nhozinho. A legenda da imagem anterior (a produção tratou de adesivar todos os livros, sobrepondo uma foto de “Nhozinho cercado por crianças” conforme a legenda, do mesmo acervo), pertencente à Casa de Nhozinho, dizia: “O artista, sentado (3º da esquerda para direita) com a família”. Trechos do artigo de Luciana Carvalho, na página da fotografia e seguinte, falavam de suas origens – “a mãe (…) “descendente de índio, português e africano”, fato ao qual uma sobrinha atribui o nascimento de filhos tão diferentes” e “sua infância transcorreu normal, apesar das perdas materiais vivenciadas depois que o pai vendeu a maior parte dos bens e a família se mudou de Bacuripanã para uma casinha na cidade de Cururupu” – não caracterizando danos à imagem da família do Sr. Antonio Augusto Brandão, que chegou a procurar a produção exigindo “satisfação pública em jornal de grande circulação”. Espero que este convite à beleza de Nhozinho – imensas miudezas, a exposição, que ora faço a todos os leitores deste jornal, lhe sirva.

*O título do texto faz referência à música Nhozinho, de Henrique Guimarães, gravada por Zeca Tocantins, com participações especiais de Fátima Passarinho e do Instrumental Pixinguinha, no disco Terreiro de Todo Canto. Leia mais sobre a exposição e o livro Nhozinho – imensas miudezas no site http://www.nhozinho.art.br/

DH HOJE E SEMPRE

Acontece hoje, no Acampamento Balaiada, um protesto pelo respeito ao voto. Militantes de Direitos Humanos do Maranhão se reunirão para cumprir a pauta a seguir: 16h30min> repertório de músicas latinas pela liberdade. 17h> Gildomar Marinho (voz e violão ao vivo). 18h> plenária. 20h> celebração de compromisso em respeito ao voto do povo maranhense.

Divulgue(m) e compareça(m)!

SARNEY NUNCA MAIS!

[Este blogue(iro) declara seu posicionamento contrário à retomada do poder político de forma golpista pela oligarquia Sarney no Maranhão. Se quiserem voltar, que tentem as eleições em 2010. “Nem um passo atrás! Sarney nunca mais!”]


[Carreata juntou mais de 300 veículos na manhã de domingo. Foto: divulgação]

É contraditório, para dizer o mínimo, o comportamento – típico, aliás – do jornal O Estado do Maranhão que, em sua edição de ontem (9), traz na capa o texto Basta!, assinado por Fernando Sarney condenando (não lhe tiro a razão) o comportamento do Jornal Pequeno, que tem publicado matérias sobre investigações de que o engenheiro é alvo, e na página 3 ofende o deputado federal Domingos Dutra (PT), uma das mais enérgicas lideranças à frente da defesa do mandato do governador Jackson Lago (PDT).

É “engraçado” que a matéria Deputado prega uso de violência em reação à cassação de Jackson (como o link só dá acesso a assinantes do jornal, copiamos a matéria logo abaixo, na caixa de comentários do blogue) não tenha a assinatura de um dos arautos do sarneysmo, robôs que preferem o conforto do ar-condicionado ao confronto de ideias e ideais, sob sol e/ou chuva, às vezes juntos.

Será que sou surdo? Participei da carreata de domingo, até sua dispersão, e em momento nenhum ouvi incitação – nem de Dutra nem de qualquer outro – ao “quebra-quebra”. É justo e legítimo defender o mandato de Jackson Lago, em nome da vontade popular. Sim, o governador foi eleito pelo voto do povo. Só quem pode tirá-lo do Palácio dos Leões é o povo, se assim o desejar, após o término de seu mandato. Se for para juízes decidirem o futuro do Maranhão e de seu povo, melhor retornarmos à ditadura militar e aguardar a indicação de governantes biônicos, não? E não me venha, Estado Maior, com sua matemática barata: Jackson Lago não foi eleito por 97.274 votos, a diferença entre sua votação e a da segunda colocada a quem querem por que querem devolver o poder. Jackson foi eleito pelos 1.393.754 votos que obteve no segundo turno. Isso faz parte do processo eleitoral. Ou então que se acabe também com o segundo turno. Não se faça de idiota, pois nós não somos.

O Palácio dos Leões é do povo! E é por isso que Roseana Sarney não deve a ele retornar. O Maranhão é do povo! Por isso é que não aceitaremos o retorno de Roseana – ou de qualquer Sarney – ao poder. Seu pai, há muito, “se mudou” para o Amapá, quem será o próximo? As frases que encimam a página 4 de O Estado do Maranhão, diariamente, não passam de mentira (anagrama de Mirante): “O Maranhão é uma saudade que dói e não passa. Não o esqueço um só dia, um só instante. É amor demais. Maranhão, minha terra, minha paixão” (José Sarney). É sim, cinismo demais.

As falas do deputado Domingos Dutra – como de outras lideranças –, tanto sobre carro de som durante a carreata quanto nas plenárias populares que antecederam e organizaram o ato, é sim carregada de emoção, de quem deseja a continuidade de um mandato que trabalhe em prol do povo, que deve ser o verdadeiro motivo de ser de um governo, em vez de um que se utilize de cargos apenas para benefício próprio. Povo que não mais deseja desmandos, inclusive como este que tenta tirar o mandato de Jackson Lago e, por força, entregar a Roseana Sarney.

Sarney, aliás, mestre nisso, não esqueçamos a cassação de João Capiberibe (PSB/AP) em 2004. Mestre não, rei, como nos lembra a matéria de capa de CartaCapital (536, 11 de março de 2009): Senhor do Maranhão, rei do tapetão. Se no poder a família já não ligava para a vontade popular, por que fora dele a respeitaria?

É por isso que o povo não deve silenciar. Nem abaixar a cabeça. Deve mostrar a insatisfação com a possibilidade do retorno dos Sarney ao comando do estado. Seja em carreatas, passeatas, marchas ou atos outros. É hora de repetir a plenos pulmões: “nem um passo atrás! Sarney nunca mais!”

CIRAND’AZUL

Alceu tem o céu no nome. Talvez daí sua obsessão por “azuis”. Abaixo, Tribuna Cultural, Tribuna do Nordeste de hoje.

A CIRANDA COLORIDA (DE AZUL) DE ALCEU

Pernambucano rebobina faixas menos conhecidas de seu vasto repertório em sua estreia na gravadora Biscoito Fino.


[Capa. Reprodução]

Alceu Valença não pertence ao grupo de compositores de sua geração que costuma lançar o mesmo disco todo ano – seja em coletâneas ou releituras de estúdio e/ou ao vivo –, embora o artista pernambucano rebobine sua obra (uma parte menos conhecida, é verdade) em Ciranda Mourisca [Biscoito Fino, 2009, R$ 28,90 no site da gravadora], trabalho que pode ser explicado e entendido pelo adjetivo “singelo”.

Não há músicas inéditas – a exceção é Ciranda da Rosa Vermelha, explico: já gravada por Elba Ramalho, inédita na voz do compositor –, o artista pernambucano apresenta releituras de lados b de sua obra, algumas faixas nem tão obscuras. Não há a “tarde de um domingo azul” de sua famosa La belle de jour, mas esta parece ser a cor predileta do artista, seja no projeto gráfico – o pano que lhe cobre a cabeça –, seja nas letras – Chuva de cajus, Maracajá, Sino de ouro e Molhado de suor citam a palavra “azul” (ou seu plural) – embora outras cores também dêem o tom de Ciranda Mourisca.

A estreia de Alceu Valença na gravadora é leve, bonita e intimista, com climas acústicos – seu pecado foi mexer na letra de Ciranda da Rosa Vermelha (que fecha o álbum) para retirar-lhe o tom feminino. A letra de Sino de ouro traduz a velha ciranda nova do artista: “Hoje eu queria fazer um poema/ com pena dos versos de chumbo que faço/ faria um poema voando tão leve/ um poema de éter, poema de pássaro// (…)/ Hoje eu faria um poema tão fino/ batendo no sino/ que achei num tesouro/ num sonho dourado/ um poema magia/ depois te daria/ meu sino de ouro”.

HOJE

Uns preferem reclamar que “nada acontece em São Luís”. Outros, preferem ir ao Bar do Nelson:

Amanhã, a Negok@apor toca aqui.

AMANHÃ

Minha amiga Lena Machado (acima em foto de Aniceto Neto) é a convidada de honra do grupo Espinha de Bacalhau, no projeto A Voz do Samba, que ocupa o palco do Restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama) sempre às primeiras sextas-feiras de cada mês.

O repertório do dia 6 inclui Cartola, Paulinho da Viola, Geraldo Pereira, Cristóvão Alô Brasil, Chico Buarque, Chico Maranhão e o Chico proprietário do estabelecimento que já se firmou como templo da boa música em São Luís: sim, para quem não sabe, Canhoto é compositor de primeira linha (Lena já o gravou em Canção de Vida, sua estreia. Confira!).

A boa zoada começa às 20h e os ingressos custam R$ 10,00.

O POVO MARCADO NÃO ‘TÁ FELIZ

Fui dormir bastante tarde na madrugada de hoje (4), entre assistir o julgamento que terminou por cassar o mandato do governador Jackson Lago, eleito legitimamente pelo povo em 2006, e cochilar – sim, o cansaço é grande e nem mesmo as fortes emoções dão contas de nos manter acordados, por vezes. Mas mesmo dormindo, estamos acordados, ou sonhando com um Maranhão melhor – é possível! – para, consequentemente, um Brasil e um mundo melhores, ou em permanente vigília contra aqueles que se contrapõem às vontades do povo. Não passa disso o resultado do julgamento de ontem: tira-se o mandato de Jackson Lago, eleito legitimamente pelo povo, repito, para entregá-lo numa bandeja à Roseana Sarney, derrotada nas eleições. Devolvem o Maranhão aos seus “donos”, os donos do mar. Nós, povo, somos o gado com vida de, já cantada há tanto tempo pelo compositor da Paraíba, cenário de outra cassação em cujo mérito não entrarei simplesmente por não ter acompanhado o caso.

Uns mais afoitos, dirão que digo o que digo apenas por estar no governo, para defender meu empreg(uinh)o, enfim, tentar nivelar o debate, como de costume, por baixo. Ora, há gente pra tudo: há um presidente do Senado que sequer se elege por seu estado natal, há uma filha mimada com um presente de natal atrasado, há juízes e ministros para permitir a continuidade do mandonismo de quem já teve quarenta anos de oportunidades e só conseguiu fazer o Maranhão ter e manter os piores índices sociais do país, há jornalistas que, talvez vencidos pelo sono – sim, estou sendo bonzinho e irônico com essas figuras caricatas, marionetes prestes a recuperarem o papel de bobos-da-corte, que de certa forma nunca perderam – cometem barbaridades como escrever várias vezes a mesma coisa em um blogue ou afirmar que o “placar” de 5 a 2 pela cassação de Jackson Lago foi uma “decisão unânime”. Há palhaços que abrem seu programa de televisão com uma mala com notas de dinheiro saindo dela ao som de Arruma a mala, outrora sucesso de Néo Pinéo (não sei se é assim que se escreve o nome do ex-astro cearense nem se é esse o título da música, não dá tempo de aprender e memorizar essas informações em tempo de sucessos cada vez mais efêmeros). O mesmo apresentador circense que chamou a “balaiada” – vá lá, também discordo dessa denominação do movimento pró-Jackson – de “boiolada” num claro desrespeito e num claro gesto de homofobia. Há quem afirme que a justiça tarda, mas não falha, invocando até o nome de Deus para abençoar a decisão desta madrugada. A justiça (dos homens) não só tarda como falha e, se “está mudando”, como disse outro, noutro programa de TV, é para pior – o tele-colunista disse apenas o que está entre aspas.

Engana-se quem pensa que faço aqui uma defesa intransigente e acrítica do governo Jackson ou de seu mandato – como o fez um jornalista que meteu os pés pelas mãos, em texto truncado aludindo ao MST (leia aqui o texto e a resposta do MST/MA ao jornal O Globo/RJ). Longe disso. O govern(ad)o(r) Jackson Lago tem, como qualquer outro no Maranhão e/ou no Brasil, inúmeras falhas – a meu ver, o apoio ao tucano João Castelo à prefeitura de São Luís, uma delas. O MST – estou com o Movimento! – faz(ia), sim, a defesa da democracia e da vontade popular, não do governo ou do governador, como queria afirmar o texto, ainda mais por interesses pecuniários, como o jornalista tenta (nos) fazer acreditar. Normal encontrar hostilidade ao MST por parte dos meios de comunicação de direita. O Movimento trabalha sim com recursos públicos (como ONGs, por exemplo), e por serem públicos os recursos, consegue manter sua independência. Justamente por entender claramente o que é “público”. Pergunto: quantas ocupações de terra o MST já deixou de fazer por estar conveniado com este ou aquele governo estadual ou com o governo federal? Quantas vezes já se furtou ao embate para manter conveniências (ou convênios)? – se você respondeu “nunca”, acertou. Isso é manter-se coerente e independente, ao contrário de muitas ONGs que, ao aceno das primeiras verdinhas, calam-se em tempo integral e aceitam qualquer desmando de quem lhes paga.

A cassação do mandato do governador Jackson Lago representa um retrocesso inédito na história do país. Uma coisa é um estado ser curral durante quarenta anos. Outra, é a justiça brasileira servir de capataz da oligarquia e consertar o arame farpado que confina o povo-gado à eterna miséria absoluta.

QUINTA

Ainda não conheço o Bar, a Maloca, apesar de meu amigo Josias Sobrinho se apresentar constantemente por lá. É imperdível o Choro Pungado, que toca por lá amanhã, com couvert bem baratinho, vide e-flyer abaixo (clica pr’ampliar), que traz a programação da casa para esta semana.