VX SOBE AOS 75

Valêncio Xavier faleceu hoje. Penso que a literatura brasileira perde um de seus maiores escritores em todos os tempos. Penso, não: tenho certeza. A minha certeza.

Na lua de mel, raras as horas em que ligava a tv, insistia em assistir sempre o mesmo canal: um especializado em filmes nacionais, perdão, o nome me foge à memória. Em coisa de dois dias vi duas ou três vezes o nome de Valêncio Xavier nas letrinhas que sobem ao final dos filmes. Era demais, o velhinho.

Tinha 75 anos, mesma idade que tinha Waldick Soriano quando faleceu. Quiçá dos mesmos males, já não lembro a causa mortis do ídolo de terno e chapéu pretos e óculos escuros. E deixo as semelhanças por aí que mais não sei se há.

Pouco li Valêncio Xavier, ou ao menos, menos que deveria. Como ouvi pouco Waldick. Mas o que li/ouvi de ambos, o fiz profunda e apaixonadamente. Tarefa fácil, aliás: suas obras eram apaixonantes. Aliás, continuam sendo.

Valêncio Xavier subiu. Eu fico mais triste, a literatura brasileira perde um grande nome, repito. É como disse um amigo no e-mail que me trouxe a péssima notícia: merda!

DUAS COISAS

QUE EU NÃO PERDERIA SE ESTIVESSE EM SÃO PAULO:

E você que está? Vai perder? Não, né? Clique nas imagens para ampliá-las.

DE GRAÇA!

HOJE, AMANHÃ E DEPOIS


[Autor de diversos clássicos da música brasileira, João do Vale empresta seu nome a Festival. Fonte]

Há gente que não conheço, mas há uma pá de gente talentosa concorrendo aos prêmios do III Festival João do Vale de Música Popular, louvável iniciativa do músico Wilson Zara, que por motivo de força maior havia interrompido sua realização.

Hoje e amanhã, no Circo Cultural da Cidade (Aterro do Bacanga, ao lado do Terminal de Integração da Praia Grande), a partir das 21h, acontecem as eliminatórias, cada uma com doze concorrentes. No sábado, no mesmo bat-horário e bat-local acontece a grande final. Tudo de graça!

O Festival foi selecionado via edital pela Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão e distribuirá R$ 7.500,00 em prêmios. A organização do evento espera não mais interrompê-lo e já realizar a quarta edição em 2009. Esta, teve 175 inscritos.

Junte uma turma e vá torcer por sua canção e/ou artista predileto. Veja a lista completa de selecionados aqui.

SAC, QUE SACO!

Mudei de casa. Os expedientes não dão conta da porrada de coisas para fazer. E falo aqui só de trabalho, profissional, entenda-se. Em resumo: para dar conta de tudo (ou quase tudo), careço urgentemente de internet rápida em casa.

Bom, fiz algumas tentativas: a TVN não atende o bairro onde moro; a Jet está em manutenção e, por enquanto, poderia instalar apenas a TV. Agradeci, mas preciso mesmo é de internet; TV por assinatura posso até ver depois. As operadoras de telefonia celular, com seus modens portáteis – ou outro nome que se dê – também não me agradaram: o serviço é caro “apenas” por internet (os planos das TVs teriam as TVs “de brinde”, entendem?), e usuários me dão conta que a internet não é tão rápida assim.

Bom, o fato é que acabamos por optar pela Oi, que ofereceu um plano telefônico a R$ 25,90 mensais, taxa de assinatura por 100 minutos de ligações locais e condição para a posterior solicitação do serviço de internet (Velox).

O mocinho que atendeu nosso telefonema deu-nos o prazo de três a sete dias para a instalação da linha telefônica. Dias depois – desisti de contar, mas foram mais de sete, com certeza – fomos informados de que “a linha de R$ 25,90 estava com problemas e só poderiam instalar a de R$ 46,90”. Pedi que minha esposa informasse que não estávamos interessados. Enquanto ela ainda reclamava com o atendente, o mocinho – certamente outro, já não mais o com que comecei o parágrafo – desligou o telefone sem concluir o atendimento. Simples assim.

Pensei em, com o número do protocolo do primeiro atendimento, ir ao Procon ou mover uma ação contra a companhia. Protocolo perdido, não poderei fazer isso, mas fica aqui o registro de como a Oi/Velox trata seus clientes. Ou melhor: de como destrata seus (ex-quase-)futuros clientes.

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Casei semana passada. Por isso o sumiço. Talvez eu conte um pouco aqui, depois. Talvez.

Bom, por enquanto, queria continuar o “momento procon” do blogue. É o seguinte: havíamos programado uma apresentação de slides com vários momentos da época de namoro e de nossas infâncias e adolescências para exibir enquanto Gildomar Marinho e o Choro Pungado tocavam na recepção. Beleza. Busquei um serviço via Google, digitando “aluguel data show são luís” no campo de busca. Cheguei a este link. Por conta da “tradição”, liguei para a Equipar, que me deu seu preço, mas não tinha nenhum equipamento disponível para o dia.

Liguei então para a Flash Vídeo Produções, com quem acertei “um data-show com tela para as 16h, no Circo Cultural da Cidade”. Não paguei adiantado, mas se dependesse dos serviços dessa “empresa” eu não teria conseguido um data show: a Flash Vídeo Produções simplesmente não foi levar o aparelho e ninguém atendia ao (98) 3239-0715, número que peguei naquele link e em que eu havia reservado o equipamento.

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Na correria, minha coluna de domingo no Tribuna do Nordeste apenas repetiu este texto aqui. Na véspera do feriado voltaremos com material inédito.

SEXTA


[divulgação. Fonte: myspace do compositor]

Pra quem perdeu sábado (ou: pra quem quiser ver de novo. Foi lindo!): nesta sexta (5), o compositor Josias Sobrinho apresenta-se no Armazém (Rua da Estrela, Praia Grande), acompanhado do Regional Um a Zero (João Neto: flauta; Roquinho: cavaquinho; Leozinho: pandeiro; e Henrique Jr.: violão) e participação especialíssima da cantora Lenita Pinheiro, esposa do compositor.

A apresentação começa às 22h. A produção não informou o preço do ingresso.

VOLTANDO AOS POUCOS

Tunai, quinta-feira (4), às 22h, no Espaço Armazém (Rua da Estrela, Praia Grande). Ingressos: R$ 20,00, à venda no local.

Tunai, pra quem não sabe, é compositor, entre outras, de Frisson, em parceria com meu amigo Sérgio Natureza.

Frisson, pra quem não sabe, é aquela música já gravada por Elba Ramalho, entre outra(o)s, que começa assim: “você caiu do céu/ um anjo lindo que apareceu/ com olhos de cristal/ me enfeitiçou/ eu nunca vi nada igual”.

DOMINGO NO RIO

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Feliz aniversário, Clara de Fátima!

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Na terça-feira o blogue volta com a programação (a)normal. Até!

A OITAVA DOSE

de bom humor: Tulípio número 8 já nos bares. Pena que ainda não em São Luís. Você, dono de bar, de cervejaria, de depósito de bebidas, de restaurante, você interessado em produtos de qualidade, em bom humor, em divulgar sua marca: que tal trazer o Tulípio pra tomar umas com a gente? A revista já chega até Belém/PA. Que tal fazê-la chegar à Ilha? A distribuição é gratuita e a diversão, garantida. Neste número, o filósofo (de botequim) Sócrates, o cartunista Nani e o compositor Aldir Blanc (da dupla, sertaneja não!, com João Bosco).

Leitores de São Luís, que tal uma manifestação pró-Tulípio-cá?


[Capa do número 8 de Tulípio. Reprodução]

+: aqui, aqui e aqui.

OS NOVOS RUMOS DA CULTURA NO BRASIL

Como garantir o direito à cultura?
O Estado é fundamental. No entanto, o Estado brasileiro tem um déficit de legitimidade. Depois de um longo período de autoritarismo (eu chamo até, pejorativamente, de “arenga” neoliberal), o Estado deixou de ter importância, caducou. As responsabilidades sociais eram repassadas para a sociedade e as necessidades satisfeitas pelo mercado. A crise americana aponta que nem o capitalismo, nem o mercado são capazes de sobreviver sem a regulação do Estado. A realização de direitos tem no Estado o avalista e o impulsionador. Uma política pública de cultura tem a dimensão do Estado. Não no sentido de substituir a autonomia da sociedade, de dirigir, de definir estéticas, nem opiniões, mas para criar o ambiente favorável e de plena liberdade.

(…)

Uma de suas metas é atingir 1% do orçamento da União para a Cultura. Houve, sem dúvida, um crescimento, só que nós estamos hoje com 0,6% e a ONU recomenda ao menos 1%. Quais os principais empecilhos para se atingir isso?
Não há consciência da funtamentabilidade da cultura. Quando se pensa em desenvolvimento, se fala das necessidades materiais. Agora que o Brasil está incorporando que a educação é um componente básico. Mas a cultura não é entendida como necessidade. A elite política e econômica, a opinião pública ainda vêem a cultura como algo supérfluo e, portanto, pode ser tratada, como dizia Gil “como a cereja do bolo”.

O senhor tem feito críticas à lei Rouanet. Quais os planos futuros para a lei?
Nós vamos mudar a lei Rouanet. Chegou a hora. A lei Rouanet gerou uma distorção monstruosa, eu diria várias distorções e é uma hipocrisia contábil. Um imposto devido, que é um dinheiro público, ou seja, um imposto que entraria no caixa do governo, deixa de ser pago para ser aplicado na cultura. Os proponentes apresentam projetos ao Ministério, que os avalia. Quando um projeto é aprovado na lei, o produtor cultural sai em busca do dinheiro e fala com os responsáveis pelo departamento de marketing das empresas para que se associem e financiem seu projeto. Pois bem. O Ministério desenvolveu no período do governo Lula, na gestão do ministro Gil, um critério público de abordagem desses projetos cada vez mais restringindo o uso de puro marketing por parte das empresas, porque tinha isso: livro de propaganda de supermercado, livro-brinde anual de empresa, tudo isso feito com a lei Rouanet.

A lei é permissiva?
A lei é muito permissiva para o marketing empresarial. Um dinheiro público é disponibilizado, o Ministério aprova um conjunto de projetos e menos de 20% consegue captar. O problema é da lei. A empresa quer um retorno de marketing, um retorno de imagem. O retorno de imagem é dado por quem? Artistas consagrados, ações e projetos culturais e artísticos que tenham a ver com a parcela dos brasileiros que têm poder aquisitivo. Então substitui o conceito de cidadão, onde todos são iguais, pelo conceito de consumidor, onde vale mais quem tem poder aquisitivo.

Quem merece e precisa fica de fora…
Manifestações culturais importantíssimas para o Brasil, mas que estão vinculadas a segmentos de pobre, não têm acesso. Artistas de vanguarda que estão construindo linguagem, investindo em modernização da linguagem também não têm acesso porque contrariam o gosto e podem chocar. Um artista me disse que o departamento de marketing quis mudar o final de uma peça de um autor clássico porque achou que aquilo era muito pessimista e poderia prejudicar a imagem da empresa.

O que vai mudar?
Primeiro vai mudar isso: o principal mecanismo não pode ser mais a renúncia fiscal. O Estado manifesta sua responsabilidade com a cultura a partir do momento que define o percentual do bolo orçamentário. Portanto, nós queremos no mínimo 1% da participação no orçamento. Quando as Nações Unidas recomendam no mínimo 1%, demonstram uma preocupação em não gerar despesa. Se o bolo orçamentário é definido, o manejo desse bolo, definindo um percentual para a cultura, é o importante. Mesmo em um momento de contração do bolo orçamentário, por exemplo, pode ser que a conjuntura dessa crise financeira obrigue uma redução nas despesas do Governo Federal. Esse mínimo acompanha sempre, seja em um momento de expansão ou de contração. Mas 1% ainda é muito pouco do total do investimento no desenvolvimento da sociedade. Por isso que nós fixamos no indicador percentual e não em termos númericos absolutos.

(…)

Produtos financiados pela Lei Rouanet, muitas vezes, chegam ao mercado consumidor com um preço alto…
Toda vez que entrar dinheiro público, precisa aumentar a taxa de acessibilidade para o consumidor. Ou seja, será necessário baratear o produto para maior acesso da população. Nós faremos isso no futuro e será uma ousadia. Por exemplo, o fato do Cirque du Soleil ter sido financiado pela lei foi legal, não foi cometido nenhum erro pelo MinC do ponto de vista legal, mas do ponto de vista de legitimidade cometeu. Se não me engano, foram utilizados cerca de 7 milhões [7,1 milhões liberados dos 9,4 autorizados; fonte: site MinC] para financiar a vinda do circo para o Brasil e não implicou em uma redução do custo da entrada. Ou seja, não ampliou o acesso. Isso não pode acontecer. Nós estamos pactuando com o Ministério da Educação e eles estão nos ajudando. Se um livro, um filme ou uma obra são financiados com dinheiro público, sem prejudicar a vida comercial daquele produto, por que eles não podem ser disponibilizados para uso na educação pública? É preciso pagar novamente pelo direito de usar esses produtos na educação. É um escândalo.

(…)

*

Juca Ferreira metendo o dedo na ferida. Acima, trechos da entrevista que o Ministro da Cultura deu à Cult 130 (capa: Goethe). Há outros trechos aqui. A íntegra da entrevista pode ser lida na versão impressa da revista.

TRIBUNA CULTURAL: ESTRÉIA

Estreei ontem (23), na página 7 do Tribuna do Nordeste, a coluna Tribuna Cultural, que repetirá a experiência que já tive em outros jornais em São Luís: vou resenhar discos e livros (e às vezes filmes e peças etc.) semanalmente, aos domingos.

Espero sinceramente que essa coluna tenha vida mais longa que as anteriores e, quando/se acabar, que seja em paz. Patrocinadores interessados, fineza fazer contato. Abaixo, reproduzo a primeira colaboração para o matutino da São Pantaleão. A CB, que me trouxe o disco, meu muito obrigado e um grande abraço!

TRIBUNA CULTURAL
por Zema Ribeiro

QUANDO A FORÇA ESTÁ NA MÚSICA

Saravá Discos, selo de Zeca Baleiro, relança o antológico Cabelos de Sansão, estréia do cearense Tiago Araripe.

Além do coelhinho azul da Mônica nas histórias de Maurício de Souza, Sansão é o personagem bíblico cuja força vinha dos cabelos. Outro personagem importante recém re-descoberto é Tiago Araripe, compositor cearense cuja estréia Cabelos de Sansão (Saravá Discos, 2008, R$ 15,00 pelo site http://www.saravadiscos.com.br), originalmente um LP lançado em 1982 pela Lira Paulistana, é devolvido ao público pelas mãos do incansável Zeca Baleiro.

O disco, aliás, foi o segundo lançado por aquela gravadora: o primeiro foi o hoje lendário Beleléu, Leléu, Eu, de Itamar Assumpção, que participa dos vocais no trabalho de Tiago Araripe, que sozinho ou em parceria assina todas as faixas de Cabelos de Sansão – a exceção é Asa Linda, versão de Augusto de Campos para Little Wing, de Jimi Hendrix.

Cantor de voz ímpar, veludo, o magricelo cabeludo nu cavalgando um leão num céu chamou a atenção de Zeca Baleiro, numa viagem ao Rio de Janeiro, quando o maranhense era ainda um estudante de Comunicação. Sem nunca ter ouvido ou sequer ouvido falar em Tiago Araripe, arriscou levar o disco para casa e 26 anos depois re-apresenta o compositor que soube por no mesmo balaio sonoro, forró, rock, maracatu, doses certas de eletrônica, lirismo, acidez, irreverência, belas letras e canto, além de um time de instrumentistas de primeiríssima grandeza: Luiz Brasil (guitarra, violão), Cid Campos (bateria), Mané Silveira (saxofone), Tetê Espíndola (vocal), Oswaldinho do Acordeon e Tony Osanah (gaita), entre outros.

Hoje, nem tão magro assim, o cantor, compositor e publicitário Tiago Araripe é um senhor de óculos e sem cabelos. Quando ouvimos seu Cabelos de Sansão é impossível entender o porquê de, até aqui, o artista ter cumprido injustamente o papel de “primo pobre” da Lira Paulistana: o disco está à altura das geniais criações de Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção. À Saravá só nos resta agradecer por devolver-nos este importante clássico da música popular brasileira.

MAIS

No blogue http://www.cabelosdesansao.blogspot.com é possível ler textos de Tiago Araripe sobre o processo de “devolução ao público” do antológico Cabelos de Sansão, além de depoimentos sobre a obra, de figuras como Tom Zé, Décio Pignatari, Augusto de Campos, Wilson Souto Jr. (produtor do disco), Vânia Bastos, Tetê Espíndola e Nelson Augusto, entre outros.

TEIA BY ROJÃO

Meu amigo Rogério Tomaz Jr. fez umas fotos da Teia 2008, o Encontro Nacional de Pontos de Cultura, “a re-proclamação da república pela cultura”, sábias palavras dele. Tá no flickr do moço, a imagem acima uma das fotografias do ensaio.

ESTRÉIA

Meu amigo Paulo Stocker estréia na Coyote desenhando a quarta capa, a dos movimentos. Se você ainda não conhece a ótima revista, eis mais um bom motivo. Este número 18, particularmente, traz inúmeros outros. Compre aqui. E saiba mais aqui. Ou aqui.