CEUMARAVIA, CEUMARAVIÁ!*

(anotações sobre o show de Ceumar, sexta-feira, 14, no Espaço Armazém)

O trânsito não estava fácil. Trânsito caótico é dessas coisas ruins de cidade grande que São Luís já tem. Forquilha. Um estúdio e uma cópia do disco de Gildomar Marinho. A estréia que está sendo gravada. Olho de Boi, finalmente, moçada!

Baixei as faixas num computador e me mandei pro Espaço Armazém. Havia marcado com Ceumar na passagem de som. Na porta, encontro Gilberto Mineiro. Lá dentro já estava Luiz Cláudio, o percussionista do Choro Pungado que tocou em Dindinha, a estréia da mineira.

Ceumar reconheceu-me, eu completamente diferente da última vez em que nos vimos. Eu havia ido armado com minha péssimáquina fotográfica. Deixei-a quieta num dos bolsos da mochila. A mineira ganhou um pandeirão do percussionista e já convidou-lhe para tocar, na apresentação de logo mais à noite. Sem ensaio. Tomei a liberdade de sugerir que fizessem um número, os três juntos, eles dois e Josias Sobrinho, anunciado como convidado especial da noite, compositor de quem Ceumar gravou duas músicas em sua estréia.

Ela pediu-me desculpas: o cd de Gero Camilo (sim, o ator!) – compositor também gravado pela moça de Itanhandu – que eu havia pedido para ela trazer-me, havia ficado. “Mando depois por correio”. Sem problemas. “Ah!, depois tu vai fazer uma lista dos discos que tu quer que eu te mande”, ela provocou. “Sim, vamos nos falando”.

Passei-lhe a cópia da gravação de Gildomar, explicando que ainda estava tudo cru, mas que era para ela ter uma idéia do que seria: “queremos que você participe da sétima faixa dessa gravação, uma música chamada Ladainha da remissão”. Ainda conversamos um pouco, até descermos, eu e Luiz Cláudio, já conversando sobre o show – Loopcínico – que ele apresentará no encerramento da II Semana de Música do Maranhão (domingo, 23, Largo da Madre Deus, depois digo mais). Saí sem pedir duas coisas (mais) a Ceumar: para fazer uma fotografia com ela e que ela tocasse a Oração do anjo (parceria dela com Mathilda Kóvak) no show de logo mais. Da foto, receei recusa, era antes do show, sabem como é mulher, né? A canção, sei lá… Temi ficar sem mel nem cabaça, como se dizia antigamente, já que minha noiva é avessa a tietagens, autógrafos e similares.

Uma volta pela Praia Grande antes do show começar. Eu com dois pares de ingressos: os nossos e o de um casal amigo. O produtor havia recomendado que chegássemos cedo: o espaço era pequeno e certamente alguém iria assistir ao show em pé. Não fomos nós: conseguimos uma mesa, e enquanto o show não começava, conversávamos assuntos diversos, por vezes a conversa dos homens atravessando a conversa das mulheres e vice-versa.

Vez por outra me levantava para cumprimentar conhecidos – passei cópia de gravações do Choro Pungado para Luiz Cláudio entregar a Ceumar – e, reconhecendo o garçom, de outro bar, agora trampando ali, já dei um jeito de não ter que levantar para pegar fichas durante o show.

Não demorou muito para que Mário Jorge, o produtor local, subisse ao palco e anunciasse o projeto Armazém Acústico, cujo primeiro show seria aquele de Ceumar. A idéia é fazer uma série de shows com bons artistas, em geral não holofoteados pela grande mídia. Boa!

Ceumar subiu ao palco e falou da eterna confusão: gente até hoje pensando que ela é maranhense por conta da produção de seu primeiro disco, de Zeca Baleiro, e das gravações dela para músicas do produtor e do maranhense Josias Sobrinho. “É uma honra para mim ser também maranhense”, disse. Então mandou a primeira música da noite. Coincidência ou não era Oração do anjo. Dali em diante desfilou pérolas de todos os seus discos, incluindo um gravado ao vivo, a sair em 2009, só com músicas inéditas. O seu olhar (Arnaldo Antunes e Paulo Tatit), Dindinha (Zeca Baleiro), Cantiga (Zeca Baleiro), Achou! (Dante Ozzetti e Luiz Tatit), Pecadinhos (Zeca Baleiro), São Genésio (Tata Fernandes e Gero Camilo), Boi de haxixe (Zeca Baleiro), Galope rasante (Zé Ramalho), Avesso (Ceumar e Alice Ruiz), as inéditas cujos títulos ainda não sei. Com as participações de Luiz Cláudio e Josias Sobrinho, juntos ou separados, fez várias: Maldito costume (Sinhô), Gírias do Norte (Jacinto Silva e Onildo Almeida), As “perigosa” (Josias Sobrinho), Rosa Maria (Josias Sobrinho), Bacurau Pragueiro (Josias Sobrinho).


[Ceumar, Luiz Cláudio e Josias Sobrinho, interpretando algum dos cantos josíadas, homericlássicos da música brasileira. Foto: Zema Ribeiro]

Com Luiz Cláudio desceu do palco, Ceumar com um pandeiro, ele com outro, rodaram o salão cantando a última da apresentação. Tudo foi tão perfeito que o show não teve (e nem precisava de) bis.


[Luiz Cláudio e Ceumar rodam o salão aos pandeiros despedindo-se da platéia. Foto: Zema Ribeiro]

Solícita, a cantora cumprimentou a todos os que ainda terminavam de trocar as fichas quando voltou. Autografou discos, posou para fotos com quem quis, avisou-me: “espera que tenho um negócio pra ti lá no camarim”. Se ela havia esquecido o disco de Gero, o que poderia ser? A curiosidade matou o gato, eu que não sou um, sabia que não ia morrer. Pensei, pensei e não consegui matar a charada.


[o blogueiro tietando. Foto: Marília Oliveira]

Alguns minutos mais, Ceumar retorna, roupa trocada, e me presenteia com a gravação inédita de seu próximo disco. Só vou adiantar que é um belíssimo ao vivo, todo inédito em sua belíssima voz – Rubi já gravou Oração do anjo, daquele repertório. Mais, escrevo depois, quando o disco for lançado e os poucos-mas-fiéis leitores deste blogue também puderem ouvi-lo.

[*trocadilho com Maravia, música de Dilu Mello e Jairo José gravada por Ceumar em Sempreviva!]

SEMPRE IMPERDÍVEL!

Dindinha me olhava, seios à mostra, um sorriso escondido, os cabelos longos. Desconfiei. Era barato, arrisquei. Nunca tinha ouvido falar, mas vi nomes conhecidos: o produtor Zeca Baleiro, Josias Sobrinho, Chico César, Zé Ramalho, Luiz Gonzaga e outros. Levei Dindinha pra casa. Ela, que estava em boa companhia, carecia ser levada para a perdição.

Abri Dindinha, que já havia se juntado a uma pilha de discos que, graças a Deus, não parava de crescer (outras boas companhias). Gostei muito de tudo: do já citado time de ótimos compositores, dos instrumentistas – mais conhecidos, ao ler o encarte – e, sobretudo, da belíssima voz que mandava os versos de Baleiro: “‘divinha, o que primeiro/ vem amor ou vem dindim/ dindinha, dê dinheiro/ carinho e calor pra mim”. Paixão à primeira vista, à primeira audição.

Confesso que até hoje não entendi o porquê daquela loja de discos da Rua de Santana, que já nem existe mais, ter me vendido tão barato a estréia de Ceumar – assim foi também minha primeira experiência com Renato Braz: Ceumar de calças?, nossa estranha mania de eterna comparação. Ceumar, entre o céu e o mar de seu nome de batismo, uma infinitude de lindíssimo(s) canto(s).

Fato é que, de lá para cá, tenho acompanhado com bastante entusiasmo todas as invenções da moça: seus discos lançados – anotem aí: além de Dindinha (2000), Sempreviva! (2003) e Achou! (com Dante Ozzetti, 2006) –, não-lançados (orgulhosamente tenho alguns demos e gravações caseiras da mineira de Itanhandu), participações especiais em discos alheios (agora mesmo estamos trabalhando para que ela participe da estréia em disco de um grandessíssimo músicompositor maranhense, conto depois) e shows sempre que ela vem à São Luís – o último, já nem lembro há quanto tempo, com o paraense Nilson Chaves, no Circo Cultural da Cidade.

Amanhã (14), a partir das 22h, Ceumar apresenta show solo (voz e violão) no Espaço Armazém (Rua da Estrela, Praia Grande), com participação especial de Josias Sobrinho, que fará o show de abertura e cantará com ela As “perigosa”, composição do maranhense incorporada ao sempre ótimo repertório da mineira. Os ingressos custam R$ 30,00 e podem ser adquiridos no local. A produção é de Mário Jorge. São só 280 lugares, portanto, apressem-se!:

SURPRESA!

Sim, surpresa. Quem for vai ter. Quer dizer, alguns já devem estar sabendo. Enfim, surpresa, quem for vai ter. Mais não conto. Anti-jornalismo, permitam-me não informar.

SACRAMENTOS

Se você mora em uma dessas cidades e lê este blogue, não perca, por nada, o show do Marcos Sacramento. Se você nunca ouviu falar nele, não se espante: rádios não tocam, tevês não mostram. Mas trata-se de um dos grandes intérpretes da música brasileira contemporânea. E isso, nem de longe, significa estar na moda. Se estivesse, é claro que rádios e tevês tocariam/mostrariam. E trocariam, quando o rapaz não mais servisse. Mas, amém, o trampo do cantor é outro. Seu repertório é de primeira desde o primeiro disco, e os instrumentistas que acompanham sua bela voz são simplesmente excelentes. Bom, não percam a oportunidade que eu, morando em São Luís, ainda não tive (alô produtores da Ilha!). Depois não digam que eu não avisei.

NOVOS CARCARÁS

Carcaramundi: clara alusão a João do Vale, mestre dos maiores de sempre. Vários artistas reunidos. Um show para mostrar a produção musical alternativa do Maranhão, tão sem espaço em rádios. Negoka’apor, Célia Sampaio, Fogo, Cordas e Tarraxas, Arsenal MCs (de Balsas/MA), 5ª. Potência, Mythra, Banzeiro, Cravo da Ilha, Seno de Têta e Rádio Zion. Nesta sexta-feira (14), às 19h, no Circo Cultural da Cidade. Ingressos: R$ 10,00 (meia para estudantes com carteira).

O MIGUXÊS DO JP

O turismo com Castelo e Abreu
Só tem a crescer em 2009

O ex-Secretario Estadual de Turismo, Airton Abreu eh sim um dos nomes mais cotados para assumir a secretaria municipal de turismo, pois, sua forma de administrar alinha-se com a do atual Prefeito Castelo.

O Airton Abreu possui uma característica empreendedora e moderna de administrar. Inclusive eh bom lembrarmos que foi durante sua Gestão na Secretaria de Turismo do Estado que tivemos a chegada de grandes cruzeiros marítimos e voos chartes vindos da Europa para o Maranhão.

Airton Abreu, como também pessoas ligadas ao turismo, alerta que, no Maranhão, existe sim profissionais competente para fazer um bom trabalho no campo do turismo, e pra isso, é preciso capacitar e desenvolver projetos enovadores compromissados com a sociedade principalmente para ver o crescimento do turismo emprededor e o aumento da arrecardação de renda para o município. Acredita-se que na administração de Castelo, haverá muitas mudanças, sendo que para melhor e de grande importância, por exemplo, a Educação, Saúde já tem bons nomes para somar com o prefeito eleito, porém é preciso que se diga de passagem que a secretária de turismo também pode e deve ter um grande gestor, e sem sombra de dúvida Airton Abreu é o nome Vamos aguardar para ver se o turismo em São Luís retoma seus bons tempos.

Felipe Almeida Júnior
Turismólogo

*

[Jornal Pequeno, JP Turismo, sexta-feira, 7 de novembro de 2008, página 2, Espaço do Leitor. Grifos do blogueiro]

“DROBE” SEUS PENSAMENTOS


[Erivaldo (ao violão) com Didã (cantando) nalguma edição dA Vida é uma Festa!]

Erivaldo Gomes lança primeiro disco solo recheado de faixas que já são hits na cena alternativa ludovicense.

Erivaldo Gomes, autoridade em se tratando de percussão e irreverência, decretou: 8 de novembro é o Dia Internacional de Pensamentos Drobados. Drobados mesmo, como no título de seu primeiro disco: Pensamentos Drobados.

“Na verdade, eu estou lançando meu segundo disco. Eu inverti as coisas, só depois eu vou lançar o primeiro”. E como se chama o primeiro?, pergunto. “Eu sempre fui teu ídolo, meu fã”, o bom humor dá o ar da graça.

A faixa-título – também conhecida como Baseadão – é dos inúmeros hits do repertório que Erivaldo mostra todas as quintas-feiras nA Vida é uma Festa! (Companhia Circense de Teatro de Bonecos, Praia Grande), longevo projeto tocado pelo poeta-músico, amigo comum, Zé Maria Medeiros. “Uma menina [o músico se refere a uma jornalista] veio me perguntar se ‘drobados’ tinha algo a ver com drogas. Isso aí é por sua conta, foi o que respondi”, ri.

Mas no Dia Internacional de Pensamentos Drobados, ‘tá tudo liberado? “A pior droga que o homem faz é destruir a natureza, o planeta. O resto, ‘tá tudo liberado”, provocavisa.

Vai ter strip-tease? “Ê, rapá, não diz isso! É Didã [a talentosíssima cantora, esposa de Erivaldo, irmã do poeta Cunha Santos] quem vai fazer participação especial”, responde com mais um sorriso. Aimoré e Mirassol, filhos do casal musical, também se apresentarão, além do flautista João Neto.

Namoro nu, outro hit, é disparada a faixa mais ouvida no myspace do artista (donde tiramos a foto que ilustra este post), que já tocou com nomes como Xangai, Dércio Marques, Alcione, Rosa Reis e Toninho Horta, entre outros, sempre “confinado” à cozinha percussiva. Agora, Erivaldo Gomes (composições, arranjos, voz, violão e percussão) dá a cara pra bater – e os cabelos desalinhados pra puxar – à frente da Fogo, Cordas e Tarraxas, banda que o acompanha (e que também tocou em Amor brotando, bela estréia de Didã), formada por Cauê (cavaquinho), Jibóia, Caburé, Cabeça, Baé, Maguila, Rogério Ozz (percussão), Neto Severino (violão) e Marquinhos Verdin (teclado).

Outros clássicos – sim, já clássicos: se você já foi a alguma edição dA Vida é uma Festa! é quase certo que saiba cantar ou lembre dos versos de pelo menos um deles – do disco são Chuvas de ar-condicionado, Chove, faz sol (Casamento da Raposa), De cima, Cupim no coqueiro e Nego, entre outras.

Num tempo em que música pode ser baixada pela internet – com ou sem autorização do artista – Erivaldo inventa o download fora do virtual: quem comprar o ingresso para o show leva para casa o disco autografado.

O Dia Internacional de Pensamentos Drobados acontece dia 8 (sábado), às 21h30min – “não vai ter atraso, nem discotecagem”, Erivaldo avisa –, no Circo Cultural da Cidade (Aterro do Bacanga, ao lado do Terminal de Integração da Praia Grande). Os ingressos – com direito ao cd – custam apenas R$ 10,00 e podem ser adquiridos no local.

ESSE CARA É UMA FIGURA!

Conheci Artur Gomes em Imperatriz (ainda a Feira do Livro, risos). Figuraça, bebemos, conversamos, descobrimos amigos em comum. Ele, enciclopédia/antologia poética em pessoa, homem de mil aventuras e histórias boas de se ouvir (melhores ainda de se viver, certamente). E lá, de improviso, antes de minha fala sobre blogues no Dorgival Pinheiro, ele mandou esse poema:

PORTO ALEGRE

Colo o flyer

e o texto que recebi por e-mail, da queridamiga Lúcia Santos,(via Jornal Vaia e Paulo Scott), recomendando a quem estiver na capital gaúcha, não perder:

Porão da Palavra
08/11, sábado, das 20h às 23h
abertura: debate Literatura e conexões
Porão do Beco
(av. Independência, 936 )
ingresso: 5

PORÃO DA PALAVRA

Nova festa para celebrar a literatura. A festa da palavra, a balada verbal. O verbo multiplicado, em transe, em trânsito, transformado e misturado, em transa com outras artes. O improviso, o diálogo e a aglutinação de expressões artísticas. O happening, o grito e o encontro das linguagens.

Porão da Palavra é a expressão de várias ações artísticas em um mesmo palco. Poetas falando música. Músicos falando poesia. Fotógrafos dizendo poemas. Cartunistas poetizando histórias. Cineastas pintando o verbo. Djs desenhando versos. Música, cinema, teatro, artes plásticas e literatura – tudo para festejar a palavra.

ALMA DE MANGUEIRA

É o nome do show que o grande Adão Camilo apresenta em homenagem ao mestre Cartola. Sexta-feira (7), às 22h, no Espaço Armazém (Rua da Estrela, Praia Grande). A julgar pelo talento de Adão somado ao repertório de Cartola, certamente é coisa fina.

E novembro tá que tá:

Circo da Cidade, 8, 21h: Dia Internacional de Pensamentos Drobados (sic), show de lançamento do primeiro disco de Erivaldo Gomes. Ingressos: R$ 10, com direito ao cd.

Espaço Armazém, 14, 22h: a divina Ceumar. Ingressos: R$ 30.

Detalhes e mais, depois, por aqui. Aguardem!

UM PUTA TEXTO SEM TÍTULO

Gosto muito das emoções do Marcelo Montenegro. E elas lá precisam de título? Embora o cara também seja bom nisso, digo, em dar títulos às suas emoções. Saquem o que o cara escreveu sobre sua ida à Imperatriz.

PROGRAMA: O INCOMPREENDIDO

O incompreendido, curta de Francisco Colombo, que no Guarnicê levou apenas um prêmio (porra, incompreensível: apenas um!) está fazendo história aí pra fora: tendo participado da 32ª. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, foi selecionado para a “repescagem”, onde se exibe “o fino da mostra”. Veja a programação aqui.

Agora em novembro, participa do Percepções – 3º. Festival de Cinema e Vídeo de Muriaé (MG). Veja a programação aqui.

Antes, O incompreendido também estará no Vale Curtas 2008 – Festival Nacional de Curtas-metragens do Vale do São Francisco, que acontece em Juazeiro (BA) e Petrolina (PE). Enquanto a programação não fica pronta, veja a relação de selecionados aqui.

Espero que em breve role uma sessão em São Luís. Se você ainda não viu, pode apenas imaginar o quanto é bonito. Se você estiver em São Paulo, Muriaé, Juazeiro ou Petrolina nas datas acima, não perca!

CLÁSSICOS E INÉDITAS DE NAZARETH


[Reprodução capa]

Não bastassem os arranjos inspirados e o excelente time de instrumentistas que o executa, reside ainda em The Best of Ernesto Nazareth [Choro Music, 2008, R$ 18,90 no site] a proeza da descoberta – e registro – de duas inéditas do compositor, um dos pioneiros do choro: Zizinha e Ideal.

Tendo transitado entre o erudito e o popular – suas peças são objetos de estudo em escolas de música de ambos os universos – Ernesto Nazareth (1863-1934) é um dos grandes compositores brasileiros de todos os tempos. Clássicos como Bambino, Odeon, Apanhei-te cavaquinho e Brejeiro – estas, no repertório desse best of –, entre inúmeras outras, estão sempre em qualquer roda de choro que se preze.

Dono de vasta, importante e bela obra, Nazareth é até hoje regravado por diversos nomes da música brasileira: Elza Soares, Fernanda Takai, Choro Pungado e Turíbio Santos regravaram as citadas no parágrafo anterior, entre inúmeros outros, além de Radamés Gnattali e Jacob do Bandolim – que dedicaram discos inteiros à obra do carioca – e Arthur Moreira Lima, que em quatro volumes, registrou pela Discos Marcus Pereira, grande parte da obra do pianista que compunha trilhas para cinema ao vivo, enquanto o filme mudo era rodado – desse exercício nasceu, por exemplo, Odeon, clássico que homenageia importante cinema do Rio de Janeiro.

Outros títulos, abordando obras de nomes como Jacob do Bandolim, Chiquinha Gonzaga, Noel Rosa, Altamiro Carrilho, Pixinguinha, Zequinha de Abreu e Severino Araújo, importantes representantes dos mais autênticos gêneros musicais brasileiros – notadamente o choro e o samba – também estão disponíveis no site da Choro Music, em várias versões: gravações completas, de acompanhamentos (para o solo de estudantes de música), partituras e mp3 para download. Os songbooks integram a coleção Classics of the Brazilian Choro. Os títulos em inglês justificam-se: a Choro Music – que tem filial em São Paulo – surgiu na Califórnia, Estados Unidos, e “tem como grande sonho fazer com que o Choro Brasileiro seja conhecido e executado no mundo todo” (segundo o texto de apresentação no encarte).

Este The best of Ernesto Nazareth é um apanhado – de cavaquinhos, flautas, bandolins, clarinetes, violões e saxofones de, entre outros, Izaías do Bandolim, Milton Mori, Nailor Proveta, Toninho Carrasqueira e Edmilson Capelupi – dos três volumes de seu songbook. Clássico! Re-clássico!

CHORINHOS E CHORÕES

Ricarte Almeida Santos mostrará parte do repertório de The best of Ernesto Nazareth no Chorinhos e Chorões deste domingo (2 de novembro), às 9h, na Rádio Universidade FM, 106,9MHz.