MEUS AMIGOS SÃO FODA

Posso não prestar, não valer nada ou coisa que o valha, mas ando bem acompanhado. Graças a Deus! Meus amigos são foda. E foda aqui é elogio.

Acabo de receber a notícia de que O incompreendido, de Francisco Colombo, foi selecionado no Fenavid internacional, Festival de Cinema em Santa Cruz, Bolívia (outro selecionado foi Eça de Queiroz, com pseudônimo, com o filme I want you).

Merecido: o filme é, de longe, o melhor curta de ficção de Colombo, o que prova que o garoto vem evoluindo, já que se trata de seu trabalho mais recente. Fico em dúvida é se aquilo é ficção: garotos lavando pára-brisas é a realidade nua e crua, bela só na tela, o filme um primor, repito.

Pensei, sinceramente, que O incompreendido fosse arrebentar no Guarnicê. Levou apenas a estatueta de melhor filme maranhense pelo júri técnico. Nem a extraordinária trilha sonora do mago Joaquim Santos, nem a belíssima fotografia de Ralf Tambke (ou a adicional de Murilo Santos), nada disso foi reconhecido, nem por júri técnico nem popular. Incompreensível, ao menos para mim. Sei lá o que dizer.

O curta está, também, na programação da 32ª.Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. E, arrisco dizer, fará história, por aí afora. Logo Colombo começa a trabalhar noutro projeto. E vem coisa boa daí, sei, de já.

Em breve, escrevo mais detalhadamente sobre esta obra-prima, contemplada no programa BNB Cultura em 2006. Aqui, agora, só queria dar a(s) notícia(s) que já dei.

A MERDIFICAÇÃO DA CABELEIRA DO MAESTRO

Primeiro violino das mais importantes orquestras brasileiras, por ser um exímio e bem preparado instrumentista, o mineiro Ricardo Wagner, cujo nome deu-lhe predestinação para o sucesso na profissão, teve vida passageira e inquieta.

Casado precocemente, formou numerosa prole, acrescida, mais tarde, por outros tantos descendentes, oriundos de aventuras extraconjugais.

De porte elegante, cabelos ondulados e longos, boa altura, verdadeiro exemplar do músico erudito, o Ricardo encantava ouvintes, grandes platéias, além de sempre merecer certa atenção facciosa das mulheres. Era imponente ao postar, com suave pressão do lado esquerdo do rosto alegre, seu vetusto stradivarius, quando transmudava-se na figura de um perfeito galã.

Morou em diversas cidades brasileiras, numa vida inconseqüente de nômade, apenas para fugir das cartas-precatórias itinerantes, que circulavam, à sua procura, com ordem de confisco salarial, para pagamento de inúmeras pensões alimentícias.

Como excelente artista, conseguia viver de escapatórias. Mesmo assim, com o auxílio de várias fãs, continuava proliferando.

Um dia, em pleno Rio de janeiro, no antigo Empire Hotel, no bairro da Glória, onde costumava hospedar-me, recebi, no último andar, no qual funcionava um requintado restaurante, de iguarias baianas, de propriedade da mestra da arte culinária, Sra. Maria Teresa Weiss, o fidalgo violinista, acompanhado de uma das suas concubinas, para o almoço. Era uma distinta gauchinha, de descendência italiana, chamada Sofia.

Nessa época, o renomado maestro já produzira doze filhos, com matrizes diversas. Verdadeiro garanhão, de puro sangue.

O almoço, com desfile de pratos típicos da Bahia (caruru, efó, vatapá, moqueca de siri mole, bobó de camarão, etc., tudo com leite de côco e dendê, bem apimentados), também regado a vinho branco, de safra nobre, estendeu-se até às 16:00 horas, quando o Ricardo, etilicamente eufórico, pediu-me a chave do meu apartamento, para fazer uma rápida incursão sentimental.

E lá se foram, fulgurantes e belos.

Nessa hora, o restaurante já revesava o seu pessoal, para um segundo turno de trabalho, que notou minha presença, ali solitário, a bebericar. E o tempo foi correndo, a noite chegando, sem qualquer notícia do casal. Eis, senão, quando, me aparece um mensageiro do hotel para dizer-me:

— Dr. Assis, parece que seu amigo está com problemas lá no apartamento. É que ele acaba de fazer uma estranha encomenda: seis vidros de “shampoo” e condicionadores de teores diversos, dois pentes finos, três vidros de sabão líquido, além de meia dúzia de toalhas de rosto.

Diante disso, corri até o apartamento, onde a Sofia me atendeu:

— Aguarde um momento lá no restaurante, que já subirei para conversarmos. Está tudo bem.

E, quando lá chegou, descreveu a seguinte e estapafúrdia cena: os dois, em perfeita coalizão amorosa, resolveram, no caminho das divagações libidinosas, apelar para um posicionamento invertido, cognominado “soixante-et-neuf”, quando ela por cima, sentiu-se, num átimo, mal da barriga, explodindo, sem que quisesse, um violento jato de merda, com perfume de dendê, sobre a cabeleira do parceiro, que em defesa empurrou suas nádegas para a frente, quando veio o segundo jato, ainda mais forte, sobre seus olhos. E o maestro, cego e merdificado, correu para o banheiro, em busca de assepsia geral, para purificar sua copiosa cabeleira, igual a uma peruca francesa. Por isso, teve de fazer aquela extravagante encomenda ao mensageiro.

E o Ricardo, quinze anos depois do episódio, ainda penteava os cabelos, com o trejeito de passar a mão no nariz, para saber se ainda restava algum aroma fétido de dendê.

*

Mister Six, o grande Francisco de Assis Carvalho da Silva, em Historietas hilariantes, 1998. Meu medidor (a busca no Estante Virtual) acusa: livro raríssimo. Ricarte, valeu o empréstimo!

AMIGOS TALENTOSOS

Não lembro como conheci Paulo Stocker. O trabalho, provavelmente foi através da arte (genial) que ele fez para o disco (genial) Rebelião na Zona Fantasma, do (genial) Ademir Assunção.

Embora não nos conheçamos pessoalmente (ainda), somos amigos. Eu em São Luís, Stocker em Sampa, cidade que ama e desenha. De longe, só geograficamente, vou ficando mais e mais feliz a cada e-mail que ele me manda, a cada bate-papo de msn em que ele me conta novidades.

Stocker vai participar de uma publicação em Nova York, foi publicado recentemente no jornal Vaia (de Porto Alegre, sobre o que ainda devo comentários aqui sobre a versão impressa) e, com o parceiro Eduardo Rodrigues, teve agora seu personagem (talvez o mais famoso) publicado semanalmente (às sextas-feiras) no Jornal do Brasil. Pois é, Tulípio, o bebum, de cuja botequeira família me orgulho em fazer parte (texto novo em breve, galera; valeu o argumento, Chagas Vale!), agora nas páginas do JB. O JBebum, no caso.

Acho que ‘tá na hora de algum matutino ludovicense ter Tulípio em suas páginas. Stocker dá um prazo de carência, sem custos, para quem se interessar. Quem vai querer?


[JBebum: Tulípio às sextas (sexta é sagrado, né?: dia de chopp!) no Jornal do Brasil]

*

É como eu disse pra poetamiga querida Lilia Diniz, via gtalk: cada vez que eu penso na Semana Imperatrizense do Livro, piso em nuvens. Novidade, em primeiríssima mão, aos leitores deste modestíssimo blogue. Confirmadíssimos: Celso Borges, João Paulo Cuenca e Marcelo Montenegro.

Mais, vocês lêem aqui depois.

GIGANTE SEMPRE!

Via Marcelo Montenegro recebo a triste notícia: Gigante Brazil subiu, o país que ele carregou no nome artístico perde um grande baterista, um grande músico, uma grande figura. Gigante, aliás. Escrevi sobre seu Música preta branca …e etc… aqui.

A foto é da Ceumar, minha queridamiga e cantora predileta, um dos muitos nomes importantes da música brasileira com que Gigante tocou/cantou. Ela me mandou por e-mail, o clique de 17 de agosto passado, em Montes Claros, quando ambos fizeram um show na cidade mineira.

*

Falando em bateria: Isaías Alves apresenta show instrumental de bossa e jazz hoje, às 20h, no Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol, Centro). A apresentação contará com participações especiais de Ney Conceição, Rinaldi Clayton, Mauro Sérgio e Jayr Torres. +: 8826-1860.

CIDA, CARTOLA, CABRAL, CANHOTO…


[Reprodução. Capa. Verde que te quero rosa (1977)]

Protagonista de uma das mais bonitas capas de disco da história da música brasileira em todos os tempos (e vocês estão vendo que eu não exagero), Cartola recebe, no ano de seu centenário de nascimento, merecida homenagem da cantora Cida Moreira, que gravou Angenor (Lua Music, 2008), entre clássicos e desconhecidas, só com canções do mestre de Mangueira.

A cantoratriz baixa em São Luís, onde faz duas apresentações de seu show: hoje e amanhã (27), sempre às 21h, no Teatro Arthur Azevedo. Matérias sobre as apresentações enchem as páginas dos matutinos locais e eu fico contente de ter sido o primeiro (e quiçá único) maranhense a escrever sobre o disco, aqui no blogue.

*

Sérgio Cabral participa amanhã do 5º. Congresso de Jornalistas e Radialistas do Maranhão. Mesa: A música brasileira e suas relações com a história do país, às 8h30min, no Rio Poty Hotel. Debatem com ele Félix Alberto Lima (mediador), Zefinha Bentivi, Joãozinho Ribeiro, Hélcio Santiago e José Pereira Godão.

O jornalista carioca só volta ao Rio no domingo. Será que sábado à noite ele não baixa no Canhoto?

MÚSICA ECOA NO CEARÁ

A poesia é uma das garantias dos sinais vitais da sensibilidade em um mundo tocado pela eficiência técnica, pelo imediatismo, pelas avaliações de desempenho e pela apatia oriunda da razão obscurecida pelo excesso de informações. Em um tempo sem tempo para sentir ela dói, ela ri, ela ensaia prosseguir, entreatos e entretantos, por fora e por dentro das redes de comunicação onde se diz o que quer, mas todo mundo parece que só consegue falar das mesmas coisas.

(…)

Em seu desabafo de amor a São Luiz (sic), Celso Borges recusa a ilha dos azulejos sujos de lodo de tantas colunas sociais. Poesia falada da piracema sentimental de quem ama. Na voz de Geninha, com trilha do dj e jornallista Otávio Rodrigues, sente em lembranças a carícia dos tambores da madre deus (sic), em valsa de calçadas e ladeiras por onde atabaca um coração ateu que, em nome da mãe, sabe até rezar stereo e mono para celebrar a vida em poema.

Pela Rua da Paz, onde nasceu, recita os versos de encerramento inconcluso do livro ´Música´ e seu cd de acompanhamento. Versos, reversos, sempre longe de tão pertos, há duas décadas declamados e cantados nas mundanas vielas e avenidas paulistanas. A obra de Celso é a fixação de muitos saraus.

(…)

*

Trechos de Poemas cantados de Celso Borges, texto de Flávio Paiva publicado hoje no Diário do Nordeste (Fortaleza/CE). Leia o texto completo.

Dia 4 de outubro, CB lança Música no Centro Cultural Banco do Nordeste, em Fortaleza. Mais não digo (agora) por mais não saber (ainda).

Dia 24, o jornalista poetamigo maranhense baixa na Feira de Imperatriz, também em outubro, onde nos toparemos com o mui querido Marcelo Montenegro, entre outros.

CURRAL ELEITORAL

Você sabe o que é? Aqui um “exemplo”, em Itapecuru-Mirim. Infelizmente sabemos que esse não é um caso isolado.

O Tas deu antes.

OUTRA DICA PROS AMIGOS DE SAMPA

Show: Wander Wildner
Local: Astronete bar – Rua Matias Aires, 183-B – Bela Vista
Data: 25 de setembro de 2008 – quinta – 22h
Ingresso: R$ 15,00
Informaçoes: fone 3151-4568
http://www.wanderwildner.com.br

A PANTERA COR DE ROSA ATACA NOVAMENTE

Acima, poster polonês para divulgação de A volta da pantera cor de rosa (valeu, Marcelo!). Aqui, post para lembrá-los que amanhã e 26 ainda restam chances de vocês verem/ouvirem A pantera cor de rosa, com Célio Muniz (o pai do Alê, sax) e Jayr Torres (guitarra) e banda, passeando entre jazz e bossa-nova. No Armazém da Estrela, sempre às 23h.

ENTRE FERAS

Desço daqui a pouco até Capinzal do Norte. Ainda não sei bem o que vou fazer por lá. Sei que é mediar um bate-papo que terá Fernando Abreu, o grande poeta (e jornalista). O ator Domingos Tourinho apresentará um esquete (acho). Completam a trupe, Marla Silveira, que coordena o Conversas Literárias, projeto que nos leva até aquele município, e seu Antonio, o motorista.

Bom, levo no bolso alguns poemas que quero ler: dois do Marcelo Montenegro (em primeira mão, segurem aí, galera: confirmado! Um dos convidados para a VI Feira Imperatrizense do Livro, o autor de Orfanato Portátil apresentará por aqui seu Tranqueiras Líricas, depois digo mais), uma tradução de Kenneth Rexroth que Reuben me mandou ontem por e-mail, um do próprio Fabreu, uns Leminskis, além do “batidíssimo” Versos Íntimos, do Augusto dos Anjos, por causa da parte que diz “o homem, que, nesta terra miserável,/ mora, entre feras, sente inevitável/ necessidade de também ser fera”. Pra me perguntar, na boa: o que é que eu ‘tou fazendo no meio dessa pá de gente boa?

Sempre fui um cara de bastidores. O que eu tenho a dizer? Quem quiser saber que me leia. E hoje eu vou falar. Que merda! Azar dos capinzenses (é assim que chama quem nasce lá?). Por um lado. Sorte por outro: vocês vão ouvir Fabreu.

Falar em feras: abaixo, registro do dia da abertura do Nordeste Criativo. Eu com dois “monstros sagrados” (‘tá, eu sei que é clichezaço) do violão mundial. Ontem, via O Imparcial, soube que Turíbio foi indicado ao Grammy Latino. Justo reconhecimento a quem sempre merece mais.


[Da esquerda para a direita: Turíbio Santos, João Pedro Borges e o blogueiro. Foto: Ribamar Reis]

VIVA O VAIA!

[OU: UMA SALVA DE PALMAS!]

Ademir Assunção, Marcelino Freire, Paulo Stocker e mais uma pá de gente boa. Palmas para o Vaia!

(QUASE) DIÁLOGOS IMPROVÁVEIS

[QUE EU (OU)VI AO VIVO]

Manhã de sol, uma senhora caminha pela estreita calçada da Rua de São Pantaleão. Na esquina com a Rua da Misericórdia, já pisando a aprazível praça do boteco, cujo nome não sei, onde em frente há uma funerária (e assim chamávamos o restaurante onde íamos almoçar, “funerária”, eu à época trabalhando no Sindicato dos Ferroviários), ela avista o simpático senhor funcionário da funerária, que lavava um veículo, desses que transportam caixões e cujo nome (do carro) me foge à memória.

Ela diz, cumprimentando-o:

“Lavando aí nosso transporte, hein?”

Ele solta uma sonora gargalhada, como a responder-lhe um bom dia.

DIET JUNK FOOD

não tenho ofício
poema pra mim
é vício

***

O EXORCISTA INFORMAL

mil vezes maldito
no meu milagre
eu mesmo acredito

***

NOCAUTE JACK

O poeta é fútil
a coisa é boa
o poema ba(s)te

***

MISHIMA

poeta samurai
fez hara-kiri
em vez de hai-kai

***

O QUE POUND DISSE
A ZÉ LIMEIRA NO PURGATÓRIO

– Arre égua!

Teu Paideuma
é paidégua.

***

48 HS NOIR

a menos que seja tarde
é só uma noite a mais
trama banal em preto e branco
dessa produção classe b

saxofones desamparados
na hora do prejuízo final

a menos que a manhã tarde
será só mais um lero
último elo escle/rosado
entre a fala morrendo na boca
e a cor do dia nascendo
entre o oco do copo
e o de quem está bebendo
breve
mente
mais
ou
menos

a menos que eu esteja
enganado
ainda é cedo
e nada mais arde

***

Poemas de Fernando Abreu, de sua estréia Relatos do Escambau (Exodus, 1998). Quarta-feira baixo com ele em Capinzal do Norte dentro do projeto Conversas Literárias, a convite da queridamiga Marla Silveira (BPBL), que organiza/coordena a parada.

PRA SEMPRE ITAMAR

Em setembro de 2006 eu ‘tava começando uma coluna dentro da Primeira Classe (JP Turismo, Jornal Pequeno). Meu espaço alternava literatura e música a cada sexta-feira. Quando Fábio Henriques Giorgio lançou Na boca do bode – Entidades musicais em trânsito, sua literatura musical mereceu texto meu. Amanhã, se ainda entre nós, Itamar Assumpção, um dos personagens daquela importante obra, completaria 59 anos de idade (subiu em 12 de junho de 2003, há cinco anos). Hoje, em São Paulo, o autor mostra um vídeo e bate um papo com interessados (clica na imagem para ampliar e ler mais detalhes).

Você já ouviu Itamar Assumpção? (Ademir Assunção)

Talvez Fábio Henriques Giorgio venha participar da Feira do Livro de Imperatriz (por ora marcada para entre 20 e 25 de outubro, depois da de São Luís). Se rolar, aviso. E dou um jeito de descer até lá.