DEBATE

Não acredito em pesquisas eleitorais por motivos bastante simples: primeiro, nunca fui pesquisado, segundo, não conheço ninguém que um dia tenha sido, terceiro, é comum institutos de pesquisa estarem ligados a veículos de comunicação e, portanto, aos interessados na pesquisa, os políticos, os candidatos. Entre outras. Quem não lembra, por exemplo, da última eleição para o governo do Estado, quando, nas primeiras pesquisas divulgadas, a senadora Roseana Sarney vencia as eleições no primeiro turno, com algo entre, 60 e 70% dos votos, a memória me falha. Outro problema é o tempo verbal usado pelos meios de comunicação: alguém que não saiba que a eleição só acontecerá no primeiro domingo de outubro, ao abrir o jornal, um dia qualquer, pode acreditar que São Luís já tem um novo prefeito. “Fulano de Tal vence no primeiro turno” é o que não raro dizem as manchetes.

“Bandeiras nas ruas”, só mesmo na clássica Oração Latina (Cesar Teixeira). Militância hoje em dia é algo raro. Os bandeiristas recebem um trocado qualquer – uma fortuna para quem é acostumado a ganhar nada – para agitar números, nomes e cores por rotatórias da capital.

Sexta-feira passada, duas amigas minhas, indo para casa, após mais um cansativo dia de trabalho sofreram por conta de um bandeiraço. Nervosas que ficaram, não conseguiram observar o número do candidato propagandeado na ocasião – de ocasião, aliás, vivem muitos deles. Sucedeu-se o seguinte: aproximando-se de uma faixa de pedestres sob a ponte Bandeira Tribuzzi, por volta de 18h, por força da preferencial ser de quem desce a ponte, a que conduzia o carro foi obrigada a parar. Nisso, um, segurando uma bandeira, começa a atravessar a faixa de pedestres lentamente, acompanhado por outros, a passos de tartaruga. Um, empunhando um revólver, chega ao lado do automóvel e grita: “sai do carro!”. Sem nem pensar nem querendo saber se ainda havia alguém atravessando, a motorista sentou o pé no acelerador e conseguiu livrar-se, o veículo recebendo ainda uma bala, alojada na lataria até hoje.

Enfim: pesquisas eleitorais são fabricadas, militâncias são pagas (claro, há exceções, pouquíssimas). Há eleitores imbecis que entram na onda, ó o discurso: “se todos são iguais, eu não vou perder meu voto”, “ruim por ruim, voto em quem vai ganhar” e desandam a votar em quem está liderando nas pesquisas. E tomem ficar quatro anos como as personagens das propagandas do TSE.

Ótimas oportunidades de conhecermos realmente os postulantes ao cargo de prefeito municipal de São Luís são os debates que vêm acontecendo ao longo da campanha. Infelizmente, nem todo mundo dá a cara a tapa. Preferem esconder-se na barra da saia florida de quem nunca foi coreira nem nunca dançou tambor de crioula e acomodar-se, a ponto de quando alguém levanta o tapete – para mostrar a história, verídica e documentada –, acusar de puxar, o que são coisas completamente diferentes.

No certame político de 2008, já se realizaram três ou quatro debates, nunca contando com a totalidade dos dez – dez!: como jornais, São Luís tem candidatos demais – prefeituráveis. Hoje, acontece mais um, a partir das 18h30min, conforme Serviço no post abaixo, acontece mais um, no salão paroquial da Igreja de São Pantaleão (Rua de São Pantaleão, Centro). De acordo com a agenda dos candidatos divulgada nO Estado do Maranhão de hoje, teremos apenas metade dos candidatos presentes: Pedro Fernandes (PTB), Flávio Dino (PCdoB), Cléber Verde (PRB), Paulo Rios (PSOL) e Welbson Madeira (PSTU). É bom ir(mos) vê-los/ouvi-los, levar questionamentos, debater enfim.

Há quem pense que a cidade está nos pés, ou nos pneus dos veículos de uma das mais novas frotas entre as capitais brasileiras. A cidade, na verdade, está em nossas cabeças e em nossas mãos (e corações). Pela via do voto podemos escolher o melhor para a cidade que tanto amamos – uns apenas dizem, da boca pra fora. Somos os juízes deste jogo e neste futebol não há espaço para caixinhas de surpresas: a justiça deve ser feita e deve vencer o melhor.

IMPRENSA, POLÍTICA E(M) DEBATE

Não me surpreende a cobertura das eleições pela imprensa maranhense. Apenas antecipam o papel de embrulhar peixes a que são relegados (a maioria d)os matutinos locais.

Cada um querendo puxar a brasa à sua sardinha, nada contra: imparcialidade em jornalismo é quimera. Mas que se assumam. Cabe sempre citar a Trip, das melhores publicações do país, quando da campanha a favor do desarmamento: a revista assumiu uma postura anti-armas.

Seria mais bonito – ou menos feio, no mínimo – se cada jornal dissesse, na capa, a cada edição: estou com Fulano, voto em Beltrano, ou apoio Cicrano. Sim, a cada edição, já que o apoio muda conforme mudam os interesses ou pesam mais as burras – ou cofres – cheios de dinheiro.

Uns indo contra sua própria história – desses são os papéis mais ridículos –, outros “apenas” a(pro)fundando-se na maré de detritos onde sempre estiveram mergulhados desde suas fundações, não raro com fins eleitoreiros, mantidos posteriormente por quem, eleito, guarda compromisso nenhum com a população, essa que lhes elegeu e elege – e que lê (ou não) jornais.

Assim, a quem – entre jornais e candidatos à prefeitura municipal – interessa erradicar o analfabetismo – não somente o de saber ler, escrever e “desenhar” o próprio nome –, se é à custa dessa falta de uma compreensão mais ampla das coisas, de uma leitura mais crítica dos cenários, que se perpetuam no poder figuras deprimentes, deploráveis? E assim mantêm-se contratos milionários de publicidade ou veiculação de matérias pagas, única coisa com se preocupa a grande maioria – todos? – de nossos matutinos.

Fora dos jornais – ou mesmo dentro deles – uns mantêm grandes unhas e dentes, para poder cravá-los nas tetas de um ou outro (tudo depende da ocasião), manter – ou arranjar – seus empreguinhos (a qualquer custo), defendendo o indefensável. Esquecem de seu próprio passado, da história. Ou não: alguns podem ter memória privilegiada e manter a coerência.

Amanhã (11), diversas organizações ligadas à Igreja Católica realizarão um debate entre os candidatos a prefeito de São Luís, no salão paroquial da Igreja de São Pantaleão (Rua de São Pantaleão, Centro). Vamos ver como se comporta a imprensa diante da discussão, que se dará entre 18h30min e 21h. Como se comporta antes, durante e depois.

Todos os prefeituráveis receberam convite para o debate (com regras pré-determinadas pelas organizações que o promovem em discussão com as coordenações de campanha). Vejamos quem aparece e quem se furta ao diálogo.

Serviço

O quê: debate político.
Quem: os candidatos a prefeito de São Luís.
Quando: dia 11 de setembro (quinta-feira), das 18h30min às 21h.
Onde: no salão paroquial da Igreja de São Pantaleão (Rua de São Pantaleão, Centro).

BALEIRO E BENITO EM SL

O show de Zeca Baleiro em São Luís, da turnê de seu O coração do homem bomba – volume 1, não está confirmado para o dia 27. Não houve, entretanto, pressa ou irresponsabilidade do jornal O Estado do Maranhão (em matéria de ontem, 9): a apresentação estava marcada e teve que ser mudada por motivo de força maior.

A apresentação de Benito di Paula (cuja Retalhos de cetim foi regravada por ZB em seu Baladas do Asfalto & Outros Blues ao vivo), na AABB, dia 26, está confirmadíssima. Mesas e maiores informações: (98) 3235-6924.

NE CRIA

Abaixo, coisas que vi/cliquei na abertura da II Mostra Regional de Artesanato Nordeste Criativo, ontem (8). A mostra acontece até o dia 14, na Casa do Maranhão (Praia Grande). Mais que nas fotos abaixo, vale a pena conferir ao vivo. Não percam! Maiores informações aqui.

JORNALISTAS ERRARAM

O presidente Lula deveria decretar luto por três dias no Brasil: morreu Waldick Soriano.

Assim, o jornalista Roberto Kenard inicia texto de sua coluna de sexta-feira (5) no Diário da Manhã (reproduzida em seu blogue, onde a li).

Adiante, diz:

Mas Waldick Soriano não era um só. Há este aqui, maravilhosamente pretensioso como o Roberto Carlos de “Detalhes”: “Fica comigo esta noite/ E não te arrependerás”.

Erra o jornalista: Fica comigo esta noite é parceria de Adelino Moreira e Nelson Gonçalves. Erra também Walter Rodrigues, que copiou o sócio-proprietário do matutino da Rua do Alecrim em seu blogue do Colunão.

Sim, caros leitores: eu poderia ter usado as caixas de comentários deles. Mas dificilmente seria publicado lá, embora eles (talvez) corrigissem a informação, que é o que realmente importa.

A BOSSA DE XANGAI

Há determinados momentos em que São Luís não precisa esperar um resmungo da serpente para acordar. Ontem (4), foi um desses dias. Dois shows bons – fora as merdas da Expoema: no Centro de Convenções, integrando a programação do Circuito Itinerante Centro Cultural Banco do Brasil, Lua em concerto – um olhar erudito sobre a obra de Luiz Gonzaga, com Oswaldinho do Acordeon, Turíbio Santos, Nonato Luiz e Carol McDavit; no Teatro Arthur Azevedo, em caráter beneficente em prol das obras da Unidade Administrativa do Centro Espírita União do Vegetal Pré-Núcleo Sereno do Mar (de São José de Ribamar), Xangai In concert. Os ingressos para o primeiro custavam R$ 15. Para o segundo, com abertura do maranhense Josias Sobrinho, R$ 20.

Mais próximo de minha casa, fui ver mais um show de Xangai. O primeiro em que ele não cantou o ABC do preguiçoso (Ai deu sodade, tema de domínio público recolhido por ele). Explico: entre o bom show de abertura e o do menestrel baiano, dois integrantes do Grupo de Artes Maria Aragão (GAMAR, da Cidade Operária), apresentaram um hilariante esquete que usava a música. Rodou a gravação do Cantoria 1 e Eugênio Avelino – nome de pia de Xangai – não a repetiu ao longo do bom concerto com que nos presenteou.

A “véa da foice” – a morte –, figura que aparece em algumas canções de Elomar Figueira de Melo, mestre sempre reverenciado, merecidamente, por Xangai, teve um bocado de trabalho ontem: subiram o ator Fernando Torres e o cantor e compositor Waldick Soriano. Do último, Xangai cantou Tortura de amor, justa homenagem ao “artista mais carismático com que eu já tive a oportunidade de cantar”, disse.

Lembrei-me de minha infância, menino envelhecido antes do tempo, cantando coisas como A carta, Renúncia, Fujo de ti, Como você mudou pra mim, Justiça de Deus e outros clássicos da música brega, romântica ou seja lá como chamem. Lembrei-me de um livro que li ainda criança, Edições Pasquim, o autor me foge à memória: A vida de Waldick Soriano, que me garantiu (sempre garantiu, sempre que tornei à obra) boas risadas – talvez fosse literatura imprópria para menores, de acordo com as classificações indicativas tão em voga. Eu agradeço.

Xangai mostrou-se sábio (e quem não sabia que ele é?): não sabia como as rádios tocavam tanta porcaria e pouca gente conhecia coisas tão bonitas quanto as que Josias Sobrinho havia cantado no show de abertura. Noutro momento, antes de mandar Na asa do vento (Luiz Vieira e João do Vale), do repertório de João do Vale, afirmou: “podem pegar o baú da bossa nova todinho e só três músicas de João; a bossa nova não chega nem no chulé do nêgo velho”. O que Caetano Veloso dirá dessa heresia?

Corta. Eterna correria, deixei de comentar: o jornalista Jotabê Medeiros escreveu uma crítica sobre o show de Caetano Veloso e Roberto Carlos – de cujo baú Xangai pescou ontem Aquele beijo que te dei (Édson Ribeiro) – em homenagem a bossa nova, só com o repertório de Tom Jobim. Caetano não gostou da crítica, retrucou em seu blogue, Jotabê treplicou. Fico com Jotabê, embora não tenha visto o show (soube que vai passar na Globo; se sim, dependendo de não me atrapalhar outros compromissos noturnos, vejo). Minha pré-opinião é a seguinte: um banco força a barra para fazer propaganda. Dois totens – para usar expressão já usada no meio da confusão – da música popular brasileira, relendo o repertório de outro. Estranho que antes disso, Roberto e Caetano – que tanto já gravaram um ao outro e vice-versa, redundei, professor? – nunca tivessem feito show(s) juntos. Sobre o parangolé todo, mais e melhor escreveu meu amigo Ademir Assunção. O que terá Caetano a dizer sobre o texto de Pedro Alexandre Sanches?

Volta pra Xangai. Sem sair de São Luís, é claro. Erivaldo Gomes faz ponta e toca com ele algumas canções, incluindo a parceria Não rio mais (Erivaldo Gomes e Xangai). Histórias, risos da platéia. “É verdade”, Xangai repete por vezes, fazendo a platéia gargalhar. O Gago grego (Jacinto Silva), no bis. Nem Kukukaya (Kátia de França), nem ABC do preguiçoso. Xangai mostrou ser/ter muito mais que isso.

PINK PANTHER


[Célio e Jair: jazz e bossa e vice-versa. Foto: divulgação]

A melodia vem logo à cabeça, impossível de reproduzir aqui neste teclado de computador. Pã-rã-pã-ram etc. Tosca tentativa. Não dá mesmo. Mas vocês sabem do que ‘tou falando: o clássico dA pantera cor de rosa, tão popular quanto o parabéns a você. A animação, a pantera e o inspetor, explosões e o escambau. Enquanto isso, quem fez o quê no filme, nomes pintam na telinha.

Corta.

Célio Muniz e Jair Torres dispensam apresentações. Em A pantera cor de rosa, os dois e banda se reúnem para mostrar clássicos do jazz e da bossa-nova, além de surpresas ao público. Certamente impagável.

Falar em impagável, não sei quanto custa o couvert, ou o ingresso. Só sei que todas as sextas de setembro, às 23h, a pantera cor de rosa vai sair da toca. E nos tirar das nossas para vê-los/ouvi-los. Clouseau não vai ao Espaço Armazém (Rua da Estrela, Praia Grande), então não vai ter confusão. A diversão está garantida.

PROS DE SP

Nunca escrevi sobre o bom mais recente disco de AlziraE (outrora Alzira Espíndola) e Arruda. É dos vários bons discos sobre os quais não escrevi, mais por falta de tempo que por qualquer outra coisa. Aos amigos de SP, fica a dica para o show em que eles irão homenagear Itamar Assumpção. Sobre o disco, prometo escrever em breve.

BATE-PAPO COM AUTORES DO MA

Programa Conversas Literárias levará escritores e artistas a cidades do interior; hoje, em Matões do Norte, o convidado é Chico Maranhão.

Uma caravana literária composta por um seleto grupo de escritores, artistas e jornalistas maranhenses volta a visitar algumas cidades do interior do estado este mês. A programação, que celebra um ano, integra o roteiro do programa Conversas Literárias, realizado dentro do projeto Biblioteca Aberta, que é desenvolvido pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Pública Benedito Leite (Sabip) e pela Biblioteca Pública Benedito Leite. A estréia acontece hoje, em Matões do Norte, com participação do reconhecido cantor e compositor Chico Maranhão e da jornalista Selma Figueiredo, da equipe de O Estado.

O objetivo é favorecer a formação de novos leitores e promover a aproximação entre leitor e autor em um bate-papo descontraído, conduzido por um mediador. A cada edição, há ainda a participação de um escritor de destaque na cena local, indicado pela cidade-sede, e de uma atração cultural na área de teatro, música ou mímica. A proposta é, a partir do mergulho na experiência pessoal de cada autor, proporcionar uma viagem ao mundo do fascínio e paixão pela literatura.

Na pauta, discussões que têm por base a importância da leitura na construção do cidadão. Assim, semana que vem, dia 9, Wilson Marques, Gilson Cesar e Vanessa Serra serão os convidados em Pio XII. Dia 11, será a vez de Paulo Melo Sousa e Domingos Tourinho participarem do evento em Penalva. A programação prosseguirá, com Geraldo Iensen e Eduardo Júlio, dia 15, em Centro Novo do Maranhão. Dia 17, Fernando Abreu, Silvana Cartágenes e Zema Ribeiro são os convidados em Capinzal do Norte. Para fechar, dia 19, José Ewerton, Raimundo Garrone e Rosa Reis participam em Santo Amaro do Maranhão. Dia 22, haverá a culminância dos encontros, na Biblioteca Pública Benedito Leite, em São Luís.

O cantor e compositor Chico Maranhão, atração de hoje em Matões do Norte, conversará com o público, pincelando momentos de sua trajetória e destacando a importância da leitura. “Esse projeto é uma das melhores iniciativas em questão de cultura relativa à biblioteca. Além de ressaltar a função dessas casas como difusoras culturais, as associa a expressões artísticas como a música”, declara Maranhão, que também é arquiteto e nesta área é autor do livro Urbanidade do Sobrado – Um estudo sobre a Arquitetura do Sobrado de São Luís (Editora Hucitec), fruto de seu trabalho de conclusão do mestrado pela UFPE e que traz CD brinde com dois bônus track.

No show que apresentará após o bate-papo com os moradores da cidade, Maranhão diz que priorizará o público infantil. “Meu foco musical serão as crianças, uma geração que está tendo uma experiência enriquecedora com esse projeto”, declara o artista. No repertório autoral, estão composições como O Circo Chegou, Cidade, Velhinho Saliente e Meu São João e muitas outras.

OUTROS PÚBLICOS

Visando estender os resultados obtidos no encontro a outros públicos, o projeto prevê a publicação da revista Conversas Literárias, que trará um balanço das atividades realizadas durante um ano de atividades. O evento, que tem apoio da Secretaria Estadual de Cultura, integra a programação em comemoração aos 179 anos da Biblioteca Pública.

O Projeto Biblioteca Aberta é desenvolvido nas 25 Bibliotecas Municipais implantadas pelo Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas e em mais uma modernizada com o apoio do Programa Livro Aberto, do Ministério da Cultura (MinC), em 2007 – num total de 26 municípios contemplados.

É desenvolvido em três módulos, que abrangem a Supervisão de Bibliotecas Municipais, Capacitação de Gestores de Bibliotecas e o Conversas Literárias. A intenção é a dinamização dos espaços e a atualização dos gestores e mediadores culturais, sempre priorizando o incentivo à leitura e buscando o melhor uso das bibliotecas, a qualidade no atendimento ao público e a adequada organização do acervo.

Hoje, 3
Com Chico Maranhão e Selma Figueiredo – Matões do Norte
dia 9
Com Wilson Marques, Gilson Cesar e Vanessa Serra – Pio XII
dia 11
Com Paulo Melo Sousa e Domingos Tourinho – Penalva
dia 15
Com Geraldo Iensen e Eduardo Júlio – Centro Novo do Maranhão
dia 17
Com Fernando Abreu, Silvana Cartágenes e Zema Ribeiro – Capinzal do Norte
dia 19
Com José Ewerton, Raimundo Garrone e Rosa Reis – Santo Amaro do Maranhão
dia 22
Culminância de todos os encontros (artistas a definir) – na Biblioteca Pública Benedito Leite (São Luís)

[página 6 do Caderno Alternativo, O Estado do Maranhão, hoje]

ENTREVISTAS

Na edição de domingo de O Estado do Maranhão, minha amiga Bruna Castelo Branco entrevistou o poeta Ferreira Gullar. Trecho em itálico, uma das respostas dele:

Eu acho que esse tipo de trabalho de aproximar o jovem da literatura, aproximar o jovem da poesia, é uma coisa de uma importância muito grande porque nós vivemos em uma época em que a televisão e o videogame tomam um tempo dos meninos e das meninas e isso os empobrecem do ponto de vista cultural. O que uma pessoa vai ganhar? É só se divertir, ficar jogando videogame ou outro tipo de atividade que é interessante, inteiramente lúdica, mas isso contribui muito pouco ou nada para a formação da pessoa e as pessoas são os valores que elas possuem. Elas são a cultura que elas têm. Quanto menos cultura, menos vale. Não é que o ser humano não valha, mas é que o ser humano é um ser cultural. Ele se situa no mundo como um ser cultural. Na medida em que você ignora a poesia, o romance, a literatura, você ignora as outras coisas, a filosofia, o conhecimento da sociedade. Eu acho que esse trabalho de aproximar as pessoas da literatura é muito importante. É claro que uns vão aproveitar mais e outros menos. Alguns vão se vincular a esse tipo de leitura pelo resto da vida, outros não tanto, mas de qualquer maneira, o trabalho é muito positivo.

Gosto de Gullar. E mais ainda de Bruna (saudades, querida!). E domingo, fiquei contente de ver aquela página inteira.

E antes que desavisados digam algo do tipo: não, não estou elogiando o EMA para tirar a atenção de outra página inteira, nO Imparcial de ontem (31): Pagando para receber, assinada por Carolina Mello, sobre atraso no pagamento do prêmio do Plano Editorial Secma 2007. Também li a matéria, bem escrita.

Mais uma e por hoje é só: gosto muito também de Jotabê Medeiros, que entrevistou o Ministro da Cultura Juca Ferreira.

(MEIO-)DIÁRIO

Madrugada do dia de chegada

Após trocarmos mensagens, eu no táxi, o aeroporto longe pra caralho do hotel, a corrida, 50 paus, ficha de hospedagem no balcão, quarto no quinto andar. Moído, as duas camas vazias. Ocupo a minha e, apesar do cansaço (a dor no ouvido tinha diminuído graças a um comprimido que Ester me deu na escala em Recife), não consigo pegar no sono. Não consigo ligar o abajur e, para não dormir na total escuridão, deixo uma luz acesa que acaba clareando demais. Penso: se os que dividirão o quarto comigo chegarem, deverão bater, e se eu não acordar?

Acordado, penso em ti. “Eu adormeço pensando em ti”, como na canção.

Manhã do dia seguinte

O Oi passou a noite ligado, com o despertador programado para às 7h15min. Antes, alguém da Secom me liga. Deixo tocar até cair a ligação. Desprogramo o despertador e desligo o telefone.

“Eu amanheço pensando em ti”, como na canção (cujo resto da letra eu não lembro, risos). Lembro de ti dizendo de minha lerdeza para tomar banho. O treinamento marcado para as 8h. (São mais de 9h, enquanto escrevo, e ainda não começou). Demoro cagando, demoro banhando. Café: dois tipos de pão, queijo, presunto e suco de goiaba. Razoável, se não estás a meu lado mandando-me comer mais, não?

“Eu tomo café pensando em ti”, penso que o compositor poderia ter escrito.

Apresentação, manhã de 26

Uma roda, onde cada qual se apresentava e cantava uma música de seu estado de origem, dançando no centro e convidando o próximo a dançar e se apresentar.

Ester cantou Lua cheia, do Boi Barrica; Lucinha, Pedra de responsa, de Zeca Baleiro e Chico César. Eu, o último maranhense a adentrar a roda, dancei de forma desajeitada, me apresentei e fiquei surpreso quando o coro quase unânime cantou comigo os versos de Boi da lua, de Cesar Teixeira. Lembrei de Manu. E de tu, é claro.

Depois do almoço, dia 26

Nem passo no quarto para não cair em tentação e não conseguir resistir à cama que me chama, após uma viagem meio chata e uma noite mal-dormida. Converso com Ester enquanto espero a turma que não resistiu à tentação da cama chegar para a segunda parte do primeiro dia de capacitação.

Penso no quanto seria bom ter você aqui comigo.

Fim do primeiro dia de atividades

Um telefonema antes de subir ao quarto para um banho. A turma marcou às 20h15min na recepção. Vou ver [o compositor baiano] Jerônimo [autor de, entre outras, É d’Oxum], que embalou parte de minha infância. Queria que estivesses aqui. Estes shows nunca têm a mesma graça quando vou sozinho.

Noite, 26

Acabei não vendo Jerônimo. Divididos em três táxis, mais a carona de Maurício (da organização da capacitação), 14 pessoas foram ao Pelourinho. Salvador é uma São Luís exagerada. O Pelourinho é uma grande Praia Grande. Acarajé não é ruim; mas também não é a oitava maravilha do mundo. Um pagode tocava em uma praça. A pé, fomos ao elevador Lacerda, fechado. De cima, víamos o Mercado Modelo, onde hoje, ao fim do expediente, devo ir com Lucinha. Quando voltamos, o pagode havia se transformado em arrocha ou qualquer praga do gênero. Salvador é uma São Luís exagerada. Acompanhamos parte do trajeto do Olodum. Ao voltarmos, para fugir do pagode, entramos em um bar com música ao vivo: pagode. Lembrei do quanto tu odeia pagode e o grupo era realmente muito ruim. Couvert artístico: R$ 3,00 por pessoa. Melhor a roda de violão com o Assis Bezerra na beira da piscina do hotel.

Manhã do segundo dia de treinamento

Coisinhas que esqueci de comentar no “capítulo” de ontem. Salvador é mesmo uma São Luís exagerada. Se tu estivesses aqui iria se assustar com a chatice dos ambulantes [e pedintes], muito mais insistentes que aí.

Só caiu a ficha que eu não trouxe minha máquina quando pensei em fotografar uma placa para levar para Chico Saldanha. No Pelourinho há uma Rua do Saldanha.

Lucinha conseguiu comprar uma lata de Skol 473ml por R$ 2,00. Custava 3,50. O vendedor disse que fazia a esse preço para a baiana.

Fim do último dia de treinamento

Comemoro cada instante que me deixa mais perto de ti. Terminou e daqui a pouco embarco de volta. Vou novamente ao Pelô, comprar umas lembrancinhas, tomar umas cervejas, comer algo e aturar os ambulantes chatos.

[Transcrição (quase-)integral de “diário”, exercício que fiz durante viagem a Salvador/BA, semana passada. Acabei não ligando para alguns amigos com quem havia combinado isso por e-mail, a quem peço desculpas e agradeço a disponibilidade. Fica pra próxima e quando vierem a São Luís não vacilem como eu]

SÉCOLO

Viajando, só li hoje. Apesar de ter recebido o e-mail desde 26 de agosto. Lendo hoje, segui todos os procedimentos necessários e consegui. Lembrei da história das máscaras no avião: só ajude crianças ou pessoas com dificuldade depois de ter colocado a sua própria em caso de reticências. Então, depois que fiz meu cadastro, a primeira coisa que faço é vir escrever aqui. Avisando: só 999 pessoas receberão, por e-mail, uma edição comemorativa do e-zine Cardosoline, que comemorará, em 5 de outubro (o dia das eleições municipais é só mesmo coincidência, viu?), exatos dez anos desde que Cardoso e cia. inventaram a internet.

Tá esperando o quê?

LEMINSKI

Deixo vocês com o cartum do Paulo Stocker, em homenagem a outro Paulo, o Leminski, que faria 64 anos hoje. Ademir Assunção, durante a semana inteira, publicou em seu blogue um ensaião sobre o poeta, ilustrado com fotos charmosas, manuscritos e esta imagem que roubei.

Aproveitem, através dos links espalhados neste post.

Eu deixo um beijo na amiga Estrela. E volto quinta-feira. Até!

DOSE DUPLA DE HOMENAGENS

Clara Nunes e Raul Seixas recebem tributos de Lena Machado e Wilson Zara, hoje (23), em São Luís.


[Clara Nunes e Raul Seixas serão homenageados hoje. Nos links, os créditos das imagens]

É mais fácil cultuar os mortos que os vivos (Zeca Baleiro). Hoje (23), São Luís terá duas celebrações a artistas que já subiram. A partir das 19h, no Restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama, couvert artístico individual: R$ 5,00), a 46ª. edição do Projeto Clube do Choro Recebe homenageia Clara Nunes (nascida em 12 de agosto de 1943). Às 21h30min, no Circo Cultural da Cidade (Aterro do Bacanga, ao lado do Terminal de Integração da Praia Grande, ingressos: R$ 10,00), é a vez de Wilson Zara e banda mostrarem a 17ª. edição do Tributo a Raul Seixas (falecido em 21 de agosto de 1989).

Clara Nunes (que faleceu em abril de 1983) e Raul Seixas (que nasceu em junho de 1945) são artistas que têm quase nada em comum, exceto talvez o agosto-desgosto de nascimorte e a subida cedo, no auge. E os séqüitos de fã(nático)s, com seus “exageros” habituais: os dela por vezes dizendo tratar-se da maior cantora brasileira em todos os tempos; os dele com os irritantes “toca Raul!” em meio a qualquer apresentação musical em qualquer barzinho em qualquer lugar a qualquer hora.

Ela mineira, ele baiano, quase nunca identificados com suas origens: Clara está mais para, digamos, o samba carioca; Raul, é quase impossível pensar que nasceu na axé-lândia, embora a Bahia tenha muito mais. Maranhenses, vindos do interior (Belchior), Wilson Zara (Barra do Corda) e Lena Machado (Zé Doca) têm nos artistas homenageados referências. Não travestem-se nem trejeitam-se. Nem se sujeitam a somente apenas isso (Organizações Tabajara, Casseta & Planeta). Intérpretes, artistas, homem e mulher de grandes qualidades. Como Raul Seixas e Clara Nunes, que estejam onde estiver, tenho certeza: estão orgulhosos das merecidas homenagens.