CAMPANHA


[Da esquerda para a direita: o blogueiro, José Arbex Jr. (à época, do Conselho Editorial do Brasil de Fato) e Léo Santana, quando do lançamento do Brasil de Fato em São Luís, no auditório do Sindicato dos Bancários. A foto foi publicada no Diário de Bordo, coluna da colega Vanessa Serra no Jornal Pequeno, em 4 de julho de 2003]

Quando somos (tele-)guiados a um pensamento único, são mais que louváveis iniciativas – e a duração das mesmas – como a versão brasileira do Le Monde Diplomatique e, mais velho, o Brasil de Fato, jornal alternativo de que fui assinante logo que começou a circular (à época, cheguei a ter a honra de publicar notinhas em sua agenda).

O Le Monde-BR, chamemos assim, vai bem: de circulação mensal, completou um ano recentemente e você acha em bancas com facilidade, a R$ 8,90 ou 9,90, a memória me foge e estou sem exemplar em mãos enquanto escrevo.

O Brasil de Fato está ameaçado. Sobrevivendo de assinaturas, venda em bancas e publicidade (pouca), o jornal vê a Chinaglia (que o distribui) ser vendida para a Editora Abril, que, convenhamos, não tem interesse nenhum em publicações do tipo. Sob nova direção (nem programa da Globo nem slogan besta de candidato copiando-o), a distribuidora já impôs uma cota mínima de vendas ou a suspensão do contrato com o semanário.

Iniciou-se assim, uma campanha, que funciona de modo bastante simples, em que espero contar com a participação de todos os leitores que puderem fazê-lo. Recebi, por e-mail, uma relação de bancas de revista que vendem o Brasil de Fato em todo o país: vergonhosamente São Luís não tem nenhuma. Aliás, não tinha: eu já falei com Dacio, proprietário da banca do estacionamento da Praia Grande. A partir de semana que vem, leitores ludovicenses poderão comprar o Brasil de Fato por ali.

Se você tiver alguma outra banca para sugerir, passe o contato para Valdinei, responsável pelo setor de assinaturas do Brasil de Fato. O e-mail é valdinei@brasildefato.com.br

Além de garantir a venda em bancas (que, sabemos, vai além da disponibilidade do jornal nelas), faça também uma assinatura. A anual custa apenas R$ 105,60 e pode ser parcelada em até quatro vezes, via boleto bancário, cheque, cartão de crédito ou depósito em conta.

Compre e dê para amigos, convença seu chefe a assinar para o escritório e seus colegas de trabalho a receber em casa, estimule a leitura de parentes, estudantes, enfim, participe dessa campanha. Nela, todo mundo sai vitorioso.

PROMO

Mais uma dica para sábado, na Ilha. O primeiro que comentar, leva um par de ingressos.

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Feliz aniversário, Arinildeni!

DH 2008

Apresentação de slides que fiz com Graziela para a abertura da V Conferência Estadual de Direitos Humanos, que rolou semana passada. A trilha, que eu não consegui botar aqui, era Coração civil, de Milton Nascimento.

Foi bonita a abertura e maravilhosa a conferência do Professor Agostinho Marques, que há muito tempo eu não via. Ele é assim, uma espécie de deus, fico contente sempre que o vejo, tanta inteligência, lucidez, coisa demais para uma mente só, figura rara.

Não deu para aparecer nos outros dias da V CEDH. Mas tenho recebido, por e-mail, relatos entusiasmados, compartilhamentos de felicidades. 2008 é ano de comemorações. Vumbora!

AMIGOS DO RIO, NÃO PERCAM!

Os amigos Cacau Amaral e Márcia Torres mandam avisar: no Rio, domingo, homenagem a Mestre Felipe. Vários maranhenses morando na cidade maravilhosa vão aprontar essa roda de tambor bonita. Viva Mestre Felipe!

O SAMBA E O TANGO*

É inegável que Copa do Mundo tem muito mais valor e graça para o brasileiro que, por exemplo, as Olimpíadas. Poderíamos até mesmo, mudar o nome da competição: olim-piadas. É uma piada a participação brasileira nos jogos olímpicos. Embora generalize, falo por mim, claro. Pouco entendo de esportes, de futebol, que seja.

Começa pelo seguinte: Copa do Mundo é quase sinônimo de feriado. Repartições e escolas fecham, o asfalto preto ganha o verde e amarelo da bandeira. Concordo que é um patriotismo meio (meio?) bobo, que a gente devia ser patriota o tempo inteiro, talvez principalmente quando houvesse um cientista dando entrevista na Caros Amigos.

Bom, hoje o Brasil deixou mais uma vez de sonhar com medalha de ouro olímpica no futebol masculino. Como diria Susalvino, “todo mundo leva cartão vermelho, menos Dunga!”. Pode crer! Após perder por 3×0 para a Argentina, a selecinha brasileira disputará o bronze – o bronze! – com a Bélgica.

Eu caminhava, perto de meio dia, por perto da Rua Grande. Um grupo de meninos ainda no fardamento escolar, não só por acaso, creio, azul e branco, voltava para casa ou ia vagabundear um pouco, ainda. Um dizia aos outros: “hoje vou sair com a camisa da Argentina de papai”. E entoavam, todos:

Argentina és tudo!
Argentina és tudo!
Argentina és la mejor!

Caprichavam na pronúncia: “ar-rentina”, “merrór”, portunhol selvagem dos garotos bronzeados. Opa! Perdão do trocadilho e pelas piadas infames: o Brasil é ouro em bronze. Ou: o que o Brasil foi fazer na China? Pegar um bronze.

Mais engraçado, só mesmo o horário eleitoral gratuito, que começou hoje e já tem clássicos, depois conto. É como a lei seca, é como o samba de Candeia: rir pra não chorar.

[*título de música de Amado Regis, gravada por, entre outros, Caetano Veloso]

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João Guilherme, feliz aniversário!

TRÊS MOÇAS RISONHAS, CANTANTES

Taí um negócio que eu adoraria não perder. Três cantoras divinas, Três meninas do Brasil, três corações com problemas etimológicos. A desgraça desse país é a etimologia: se falamos em democratas, pensamos logo em outra coisa e essa outra coisa, merda!, é que ‘tá errada, que de democrata nada tem.

Imaginem um encontro, em palco e disco, de Jussara Silveira, Rita Ribeiro e Teresa Cristina. Algo sensacional, para dizer o mínimo. Algo me diz, o que será, hein?, que devemos esperar grande coisa. Domingo, Paulinho da Viola, eu quero apenas uma pausa de mil compassos/ para ver as meninas.

SÁBADO

A queridamiga Flávia Bittencourt no Rio, vide imagem acima, clica nela pra ampliar.

Aqui, Tributo a Clara Nunes, com a queridamiga Lena Machado e a talentosa rapaziada jovem do Chorando Calado, clica para saber mais.

ERREI NO RELEASE

Bom, vocês já devem saber: o Instrumental Pixinguinha recebe Joãozinho Ribeiro na edição de hoje (16) do projeto Clube do Choro Recebe. A música começa a rolar às 19h no Restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama). O couvert artístico custa apenas R$ 5,00 por pessoa.

Errei no release: Samba do capiroto é parceria de Joãozinho Ribeiro e Cesar Teixeira. O saudoso Gerô apenas cantou a música. Aqui, o primeiro no traço de Nuna Gomes, que vem a ser neto do homônimo compositor de Um sorriso, que ganhou registro do Instrumental Pixinguinha em Choros Maranhenses (2006), primeiro disco do grupo, melhor de música instrumental daquele ano no Prêmio Universidade FM.

A imagem é do acervo de Vanessa Serra, jornalista que produziu Joãozinho Ribeiro no Samba da Minha Terra, circuito musical alternativo que o hoje Secretário de Estado da Cultura liderou, percorrendo diversos espaços ludovicenses em 18 memoráveis apresentações. O Samba, em 2003, ganhou três troféus no PUFM: melhor show, melhor músico violonista (para o seis cordas Celson Mendes e para o sete cordas Francisco Solano) e melhor produção. E eu errei no release de novo, ao omitir essa informação.

AINDA RETRATOS

Em setembro de 2006, Tião Carvalho passou por São Luís para lançar Tião (Carvalho) canta João (do Vale), belo disco em que presta merecidas homenagens ao “maranhense do século XX”.

Fez show inspirado (como o disco) no Arthur Azevedo. Aproveitando sua visita à Ilha (de lá para cá, já rolaram outras e a gente se topou em praticamente todas), entrevistei-o para o Overmundo e postei as “sobras” cá no blogue. O descontraído bate-papo se deu em um fim de tarde numa barraca da Avenida Litorânea. Fiz fotos que ilustraram o(s) texto(s) e Carla Modesto, à época produtora do cidadão paulistano nascido em Cururupu, fez o registro “álbum de família”, que recebi por e-mail ontem e penduro abaixo.


[Da esquerda para a direita: o blogueiro, Solange (mamãe), Mayara (sobrinha) e Tião Carvalho, com Luziana (irmã), meio-agachada à frente]

BOAS COMPANHIAS

(OU: MATANDO A CURIOSIDADE)

Eu sempre falo da revista tal, do disco tal, do livro tal, do não-sei-o-quê-tal e prometo mostrar essas tais coisas para Paula Brito. Prometo e nunca levo, nunca cumpro. Não por ruindade ou falta de vontade, ma(i)s por correria, esquecimento, blá blá blá.

Outro dia, quando lhe disse que usava o cabelo não sei de que tamanho, um cavanhaque assim assado, pochete, o escambau, ela não acreditou. Ou acreditou, mas queria ver fotos. Fiquei de levar. Nunca levei.

Hoje, vasculhando uns cds de back-up em busca de imagens para divulgar a apresentação de Joãozinho Ribeiro no Clube do Choro Recebe, sábado que vem, acabei achando as que penduro aí abaixo, e mato duas curiosidades: a de Paulinha e a que o/a leitor/a não tinha.


2004, Bagdad Café: eu converso (e bebo) com Chico Saldanha.


No mesmo 2004, no mesmo Bagdad Café, eu bebo (e converso) com Cesar Teixeira.

Bem penteado, bem barbeado e bem arrumado, nem tanto, mas de uma coisa me orgulho: sempre procurei andar bem acompanhado. Um beijo, Grazi!

SUELY’S SWING

“Conta pra pagar vira lixo”. Pra começar bem a semana, Vira lixo, parceria de Suely Mesquita com Chico César. A bela música, já gravada por Ceumar, ganha interpretação da autora em seu novo disco, Microswing, sobre o que escreverei em breve, aguardem.

O vídeo é da Marisa Porto, que ajudou a cantora na escolha do figurino e capturou as imagens em pocket show de lançamento, em São Paulo. Era aniversário da Suely (7/8), a quem mandamos nosso abraço atrasado. Sucesso, moça!

UM SÁBADO INESQUECÍVEL

Sempre serei suspeito ao emitir qualquer opinião sobre o Clube do Choro Recebe, afinal, sou o assessor de imprensa do projeto. Tarefa, aliás, fácil: dizer que é bom o que é realmente bom somada ao meu entusiasmo com iniciativas dessa natureza, moleza. O grande tr(i)unfo dos saraus semanais, a meu ver, são as surpresas que cada um guarda. Em resumo, é o seguinte: se você perdeu sábado, sábado que vem não será igual ao que passou. Nenhum sábado é igual ao outro. E isso não se dá apenas por mudarem os grupos anfitriões, convidados e canjeiros. Há algo mágico, inexplicável mesmo.

Ontem (9), pela primeira vez, o Choro Pungado apresentou-se inteiro: João Neto (flauta), Luiz Cláudio (percussão), Luiz Jr. (violões de seis e sete cordas), Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho) e Rui Mário (sanfona). Explico: desde que formado, o grupo que mescla choro aos ritmos da cultura popular do Maranhão, por problema de agendas das feras que o compõem, sempre se apresentava, no máximo, como um quarteto. Entre composições próprias, choros clássicos – Jacob, Pixinguinha, Nazareth etc. – baião e tango (o Libertango de Piazzolla), um set memorável.

Depois era a vez do Criolina. Com proposta parecida com a do grupo anfitrião, Alê Muniz e Luciana Simões vêm construindo sua trajetória liquidificando influências. O “quando eu penso no futuro não esqueço do passado” de Paulinho da Viola: um pé na tradição, outro na modernidade, tambor de crioula com rock’n roll, bumba-meu-boi com jazz, blues com “brega”, Maranhão com mundo. No repertório, gotas de Criolina, seu homônimo disco de estréia, João Bosco, Chico Buarque, Josias Sobrinho, sambolero e o gingado da pequena e desinibida Emília (filha-bonequinha de Raquel Noronha), que subiu ao palco e dançou em Veneno, um dos hits d’Alê/Lu.

Simpatia. Energia. Vibração. Alegria. Alê Muniz e Luciana Simões podem ser traduzidos – em parte: se você perdeu, este texto não chega perto do que rolou ontem, é sério! – por estas palavras. Extremamente carinhosos e generosos com o Clube do Choro Recebe, agradeceram o convite. “Que é isso, nós é que agradecemos”, disse-lhes depois. Antes, no palco, Alê soltou: “Eu ‘tava pela Praia Grande quando um amigo me convidou para participar. Disse que o projeto era bacana, mas eu não sabia que era tão legal assim. Valeu, Zema!”. De minha mesa fiz-lhe um sinal de positivo. Ok, nós é que agradecemos, eu repetiria.

Com tanta porcaria que se ouve por aí, Criolina é solvente para higienização de ouvidos mal-educados. Somados ao Choro Pungado, então… Se sete é conta de mentiroso, como somos acostumados a ouvir por aí, digo-lhes uma verdade: a soma de duo + quinteto foi das melhores coisas que já vi no palco do Chico Canhoto. Que, aliás, ontem, ficou no meio do salão, para lembrar uma roda de tambor de crioula. Mas, como disse no início, nenhum sábado é igual a outro.

No próximo, aviso-lhes em segunda mão, que Ricarte já deu minutos antes, logo na abertura do Chorinhos e Chorões especial de dia dos pais (pô, Ricarte, mandar de saída Naquela mesa foi matador: meus olhos se encheram d’água e quase não consigo terminar esse texto…): sábado que vem (16), o Instrumental Pixinguinha recebe Joãozinho Ribeiro. Mais, digo depois.

8/8/8: UM ANO SEM VIANA

Nada evoca de especial, em mim, a data de 8 de 8 de 8, isto é, oito de agosto de dois mil e oito. A não ser o fato de meu avô materno, Antonio Viana, completar um ano de falecido, nada mais há de importante. Quer dizer, talvez até haja, mas não pela data em si, a combinação de três oitos e todo o blá blá blá que a cerca.

Com bastante emoção, li o texto que Ricarte escreveu em homenagem a seu pai, com quem aprendeu a amar o choro e a boa música. Lembro de escarafunchar a coleção de vinis de meus avós e começar a ouvir e gostar de Gal Costa, Nelson Gonçalves, Waldick Soriano e Roberto Carlos. Era até engraçado uma criança ouvindo “música de velho”. Como é engraçado, até hoje, embora eu não seja mais criança – será?

É duro, hoje, ouvir Naquela mesa, que Sérgio Bittencourt compôs quando perdeu seu pai, ninguém menos que Jacob do Bandolim. A canção imortalizada por Nelson Gonçalves é duro golpe. Vovô não tocava bandolim, nem qualquer outro instrumento. Ocorrem-me lembranças daquele senhor me levando ao jardim de infância de bicicleta, fazendo a feira. Depois, a gente bebendo cerveja na cozinha da casa onde hoje vovó ainda mora e onde morei até meus sete anos de idade, em Rosário. O dominó na mesa da cozinha, ele, jogador habilidoso, sempre de “peru”, opinando sobre essa e aquela jogada. De seu corpo magro, lado esquerdo paralisado e a tremenda dificuldade para caminhar em seus últimos dias, prefiro não lembrar.

Vô, que Deus te abençoe aí, para que você me dê a bênção cá.

Aos leitores, um feliz dia dos pais!