UMA RAJADA DE RISOS

Quem assiste Um tiro no escuro (A shot in the dark, EUA, 1964) só corre um risco: o de morrer. De rir. O atrapalhado Inspetor Clouseau – perdão da redundância, atrapalhado é quase o sobrenome de Jacques – arranca sorrisos cena a cena, na história em que, escalado para investigar um caso, se apaixona pela acusada, Maria Gambrelli, uma bonita empregada da mansão de um milionário, e tenta provar sua inocência. Enquanto isso, pensamos num serial killer e assassinatos vão acontecendo, um após o outro. O desfecho é surpreendente e, para além destes crimes, outras sujeirinhas são retiradas de debaixo do tapete numa averiguação coletiva do – deixem-me redundar novamente – hilário inspetor, personagem clássico – porra, três redundâncias num post tão curto! – que aparece nos outros vários filmes da série A Pantera Cor-de-rosa, donde você certamente lembra de Peter Sellers, o gênio que lhe deu vida. Não dá pra contar mais, se não, quando você for assistir, não terá tanta graça. E tem, quase de graça, nas Americanas, corre lá!

COMO EU IA DIZENDO…

Elogiado por pessoas elogiáveis, perdão da intimidade, Edinho Kumasaka é um baita fotógrafo. Vez em quando descubro uma foto dele ali, outra acolá, nas esquinas incertas da internet — você nunca sabe o que encontrará quando virar. Sua série mais conhecida é Bibelôs em transe, de onde peguei, via Montenegro, a foto aí de cima. Uma imagem dessas já ilustrou capa da Coyote e parte da série foi publicada na revista, que soltou, duma tacada só os números 16 e 17, já encomendáveis no Sebo do Bactéria.

Mas nem era sobre isso que eu ia falar. Não ainda. Ia postar outra coisa quando toca o celular. Era Ramon Bezerra checando uma informação: “Zema, morreu alguma líder da Casa das Minas?”. “Rapá, não sei, mas ‘tou perto, posso ir checar”, disse, já me levantando. Fui e lá, Dona Celeste me deu a informação correta, pendurada no post anterior.

A bruxa ‘tá solta: figuras importantes subindo. O mundo perdendo um pouco da graça, por um lado.

Quase nada a ver umas coisas com as outras, outro dia desliguei telefones e cortei os cabos da internet: um fim de semana prolongado, longe do stress cotidiano. Alívio imediato. Não escrevi nenhum poema, como fez, certeiro como sempre, Ademir Assunção. E, por esse lado, o mundo recupera um pouco da graça. Ele finalmente volta de um auto-exílio necessário, enquanto eu fuçava-lhe o blogue todos os dias, na esperança de um retorno antecipado, tanta falta fazem seus dedos de prosa. Era isso que eu queria avisar: ele voltou.

Aproveitando o ensejo: não quero ser Kumasaka, estou longe de sua magnitude, reconheço-me um péssimo fotógrafo, mas, quando em vez — “falta do que fazer”, diz Venas –, fotografo brinquedos de Andrezza e Mayara, minhas sobrinhas. Abaixo, um abraço dos bonecos, aproveitando para abraçar você, caro leitor, certamente já de saco cheio de ler tudo isso aqui.

O IMPERDÍVEL

Independentemente de ser amigo de Colombo, de ter sido seu aluno e tê-lo como orientador de monografia e mais uma pá de afinidades, eis uma sessão desta edição do Guarnicê que não perco: o lançamento de seu O incompreendido.

A história é, aparentemente, simples: a dum menino que lava pára-brisas em semafóros ludovicenses mas nunca andou de carro e sonha com isso. Mais não digo para não estragar-lhes as surpresas.

Tive o prazer e a honra de assistir uma prova do filme, ainda em fase de montagem. Se ali a coisa já estava bonita, imagino como ficou agora. E me coço para que a data indicada no convite que penduro abaixo chegue logo. Sinceramente: para mim é o grande candidato a grande vencedor deste Guarnicê. E se Colombo inscrever este trabalho, selecionado pelo Programa BNB Cultural 2006, em festivais nacionais e internacionais (o que ele certamente fará), é capaz de voltar ao Maranhão com vários prêmios.

A trilha é do mago Joaquim Santos e, além do próprio ao violão, tem, entre outros, a sanfona certeira de Rui Mário. Não, não se tratam de meros detalhes, informações que dou de memória, perdoem alguma falha.

Bom, o serviço tá aí na figura, cliquem sobre pr’ampliar. Talvez eu consiga dar mais detalhes antes da sessão. Se não, fica o aviso, de já. Quem perder será incompreendido por este blogueiro, que não aceitará desculpas esfarrapadas.

O CANTO DE LENA MACHADO EM QUALQUER CANTO, A QUALQUER TEMPO

[Ouvi Lena Machado cantar pela primeira vez por ocasião do aniversário de 26 anos da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), em fevereiro de 2005, show que co-produzi. Surpreendeu-me seu sair-se bem entre bambas do naipe de Cesar Teixeira, Joãozinho Ribeiro, Gildomar Marinho, entre outros. Desde lá, tenho acompanhado, feliz, suas evoluções. Orgulho-me de ter escrito seu primeiro release — para um show apresentado na hora do almoço, o nome do projeto a memória me falha — no SESC Deodoro, em 2006, salvo engano. Ano em que ela gravaria sua estréia, Canção de Vida, tributo ao cinqüentenário da Cáritas. Cometi o abaixo para que ela pendurasse em seu MySpace. Agora que ela se abriu pro mundo, sacrificando inclusive projetos paralelos e acreditando em si e naquilo que quer, ninguém segura essa menina!]

O CANTO DE LENA MACHADO EM QUALQUER CANTO, A QUALQUER TEMPO

Para ser universal, canta tua aldeia. Recrio o lugar-comum da máxima do velho russo para falar (já que eu não canto) do canto de Lena Machado.

“Cantar a aldeia” e jogar-se na rede, a possibilidade (ao menos teórica) de poder ser ouvida em qualquer canto, a qualquer tempo. Um MySpace certamente não lhe é suficiente, tamanho o talento desta moça, filha de Clara Nunes, neta de Elizeth Cardoso, apenas para citar duas influências.

Velas no santuário, Lena recria orações de Cesar Teixeira, João do Vale, Joãozinho Ribeiro e, cantar também é compor, Chico Nô e Ricarte Almeida Santos, entre muitos outros.

Cantar em prol das causas e coisas em que acredita não lhe faz ranzinza. “Se é pecado sambar”, Manoel Santana, Deus dará o perdão.

Palavras não adiantam, ouvi-la aqui é pouco: um MySpace não é suficiente, torno a dizer. Checa aí a agenda e vá ouvi-la e vê-la ao vivo. “Olha o rebolado que ela faz/ não posso mais/ eu vou atrás pra ver”, prenunciava outro mestre, Jackson do Pandeiro, a quem Lena também pede bênçãos.

Abençoada, ela, de canto divino. Abençoados, nós, por podermos ouvi-la.

"E DEIXA A TANGA VOAR!…"


[Tanga de Sereia. Capa. Reprodução]

Não consigo ouvir 200% da música (?) que os imbecis (isto é, os malas) ouvem em porta-malas (sim, inutiliza-se o porta-malas do carro do mala, entupindo-o de alto-falantes e o escambau): sempre a mesma música, variando as letras, mas nem tanto, todas de péssimo gosto. É como ouvir a mesma piada zilhões de vezes: para me fazer rir, quem conta tem que ter algum atrativo, diferencial, mexer em alguma coisa, trejeitos, enfim, enfeites que me façam gargalhar da mesma história (contada de um jeito diferente, repita-se).

Não que eu não goste de brega. Quem não gosta? Mas daí a sentir vontade de ficar surdo, ouvindo uma música horrível, só para que os outros saibam que eu tenho um som possante (eu chamaria de boçal mesmo!) no carro, são outros quinhentos. O lance do status: comprar o que você não precisa, com dinheiro que você não tem, para mostrar aos outros aquilo que você não é. Vá lá, ficar filosofando em casa, analisando as composições, algumas do quilate do créu e “outras” porcarias, também não dá. Melhor ir encher a cara no boteco da esquina, apoiando os cotovelos no áspero e gasto balcão. Sim, é daí que nasce a expressão que batiza o repertório de Lupicínio Rodrigues e outros bambas, agulha vira navalha, te corta!

Utilizando-se de elementos que eu detestaria em outras bandas que tocam ad infinitum onde quer que você esteja (no bar, no ônibus, no sistema de som da loja de eletrodomésticos ou roupas, e até mesmo em casa etc., etc., etc.), a Tanga de Sereia me soa original. É brega, engraçadinha, e me conquistou à primeira audição. Ecos de Waldick Soriano e Reginaldo Rossi aqui, do calipso paraense ali, das serestas de teclado em pontas de rua acolá, alinhavadas pela voz de Danielly, pouco diferente do que ouvimos por aí, mas se equilibrando na medida entre a dor (fingida ou sincera), a safadeza das letras (“primo com prima pode/ era o que ele sempre dizia/ o cara que me desvirginou/ aquele filho da minha tia”, em Primo com prima), o prazer e a diversão, garantida.

Não sei quantos dias dura, mas lá em casa, atualmente, é number one no hit parade. Valeu, Rojão!

“E DEIXA A TANGA VOAR!…”


[Tanga de Sereia. Capa. Reprodução]

Não consigo ouvir 200% da música (?) que os imbecis (isto é, os malas) ouvem em porta-malas (sim, inutiliza-se o porta-malas do carro do mala, entupindo-o de alto-falantes e o escambau): sempre a mesma música, variando as letras, mas nem tanto, todas de péssimo gosto. É como ouvir a mesma piada zilhões de vezes: para me fazer rir, quem conta tem que ter algum atrativo, diferencial, mexer em alguma coisa, trejeitos, enfim, enfeites que me façam gargalhar da mesma história (contada de um jeito diferente, repita-se).

Não que eu não goste de brega. Quem não gosta? Mas daí a sentir vontade de ficar surdo, ouvindo uma música horrível, só para que os outros saibam que eu tenho um som possante (eu chamaria de boçal mesmo!) no carro, são outros quinhentos. O lance do status: comprar o que você não precisa, com dinheiro que você não tem, para mostrar aos outros aquilo que você não é. Vá lá, ficar filosofando em casa, analisando as composições, algumas do quilate do créu e “outras” porcarias, também não dá. Melhor ir encher a cara no boteco da esquina, apoiando os cotovelos no áspero e gasto balcão. Sim, é daí que nasce a expressão que batiza o repertório de Lupicínio Rodrigues e outros bambas, agulha vira navalha, te corta!

Utilizando-se de elementos que eu detestaria em outras bandas que tocam ad infinitum onde quer que você esteja (no bar, no ônibus, no sistema de som da loja de eletrodomésticos ou roupas, e até mesmo em casa etc., etc., etc.), a Tanga de Sereia me soa original. É brega, engraçadinha, e me conquistou à primeira audição. Ecos de Waldick Soriano e Reginaldo Rossi aqui, do calipso paraense ali, das serestas de teclado em pontas de rua acolá, alinhavadas pela voz de Danielly, pouco diferente do que ouvimos por aí, mas se equilibrando na medida entre a dor (fingida ou sincera), a safadeza das letras (“primo com prima pode/ era o que ele sempre dizia/ o cara que me desvirginou/ aquele filho da minha tia”, em Primo com prima), o prazer e a diversão, garantida.

Não sei quantos dias dura, mas lá em casa, atualmente, é number one no hit parade. Valeu, Rojão!

O TALENTO DOS TALENTOSOS

A MPX investe pesado na propaganda da instalação de uma usina termelétrica no Porto do Itaqui, previsto para 2012, conforme o “bonito” (entre aspas e frisando-se o “plasticamente”) material de divulgação da empresa de “soluções integradas de energia”.

Trechos dum texto ruim que li (não consegui identificar se se trata de um folder ou de página arrancada de alguma revista, um amigo me trouxe duas páginas soltas, rasgadas), grifos nossos:

O início da operação da Usina do Porto do Itaqui está marcado para janeiro de 2012, ano do 4º centenário de São Luís.

A cidade, Patrimônio da Humanidade, completará 400 anos com muitas e belas histórias para contar. Histórias de desafios vencidos com garra e coragem por sua gente guerreira.

[…]

Histórias de uma cultura popular exuberante criada pelo talento de artistas talentosos.

[…]

NOITE DE ÊXTASE


[Noites de gala, samba na rua. Capa. Reprodução]

Pode(ría)mos simplesmente torcer o nariz e repetir a pergunta: “mais um tributo a Chico Buarque?”. E, mais que isso, achar fácil fazê-lo, já que material é o que não falta. Mas o resultado conseguido por Mônica Salmaso e pelo grupo Pau Brasil em Noites de gala, samba na rua é algo incrível. O repertório é equilibrado: a turma não se limita aos grandes clássicos buarqueanos, tampouco grava/toca somente o lado b do lado b.

Perfeito o disco, perfeito também o show baseado em seu repertório, apresentado no Teatro Arthur Azevedo, sexta (6) e sábado (7), 20h. Som, luz, repertório, inte(g)ração entre os músicos e a cantora (que também se arriscava numa percussão ocasional) e entre os músicos entre si: musicalmente, eis a perfeita tradução para a palavra perfeição, sem exageros de novela mexicana ou redundâncias do blogueiro.

Novidades a cada canção do repertório, músicos se revezavam no palco, e Salmaso ia trocando intimidades com um e com outro, ficando sozinha com Nelson Ayres (piano), Paulo Bellinati (violões), Rodolfo Stroeter (contrabaixo), Ricardo Mosca (bateria) e trocando até beijinho na boca com o marido Teco Cardoso (sax e flautas). A banda masculina do público presente não ficou com ciúmes, extasiadas que estavam, todas as almas ali presentes.

Mônica contou histórias, falou de sua relação com São Luís, cidade que ilustra em p&b o encarte do disco, agradável surpresa. E se disse feliz pelo patrocínio do Bradesco Prime, que estava oportunizando a turnê que percorreria 21 cidades brasileiras em 42 shows com ingressos a preços populares (na capital maranhense custavam R$ 20,00 e R$ 10,00 — meia para estudantes com carteira –, mas eis o show que você pagaria R$ 100,00 ou mais e não se arrependeria, pode ter certeza). Eu, que não gosto de bater palmas para bancos, tive que me render: feliz iniciativa.

Silenciei quase sempre quando pensei em fazer qualquer comentário com o trio de amigos que me acompanhava: o show não podia ser interrompido por absolutamente nada. Deixei todos os comentários para após o show (desnecessários, nada do que eu diga, traduz) e não os fiz, mesa de bar que não fui após, pra quê serve este blogue?

Nem mesmo cantar, acompanhando a parte mais conhecida do repertório, eu quis. Trincar o cristal da audição com a pedra bruta de minha voz? Nem pensar…

Imperfeição, Graziela tinha compromisso com um curso no horário do show e não pode me acompanhar. Sim, houve um vazio imenso na noite. Mas disso, nem Mônica Salmaso nem o Pau Brasil têm culpa.

LÁGRIMAS POR FAUSTINA


[A Mona Lisa da Praia Grande. Foto: Muriel Lima. A mão que segura o gravador é do blogueiro. Entrevistávamos a personagem para um trabalho da Faculdade de Jornalismo, em equipe que se completava com Andrezza Cerveira. A data que aparece no canto superior direito da foto está errada: a imagem é de 2004 ou 2005, a memória não ajuda]

Eu tenho uma pá de coisas boas sobre o que escrever. Infelizmente, preciso escrever sobre as ruins também. E foi péssimo ter recebido, ainda há pouco, do amigo Gutemberg Bogéa, a triste notícia de que Faustina tinha subido. Fui pego de surpresa e escrevo ainda completamente tomado de emoção. A Praia Grande ganha uma lacuna. A Praia Grande fica vazia.

Há coisas que ninguém nunca conseguirá explicar. A morte, certamente uma delas. E ela chega de repente e leva sem consultar, sem um simples “posso?”. Já era. Nem me venham com “meus pêsames”, “meus sentimentos”… não adianta.

Natural de Alcântara, Faustina Matilde Pereira era resistente comerciante do Centro Histórico ludovicense, onde se confundia, ela própria, com a paisagem. Sentada em uma cadeira no batente do casarão na esquina da Rua do Giz com o Beco da Alfândega, defronte à praça que os boêmios informalmente rebatizaram com seu nome, é essa a imagem que dela quero guardar, junto com seu sorriso.

Cumprimentá-la era como pedir a bênção a uma mãe, profana religião, Faustina era uma deusa. Ou uma Mona Lisa, como cantou Cesar Teixeira em Mona Lisa da Praia Grande, música ainda não registrada em disco. Na Faustina (certos espaços ganham o nome do dono e pronto!) o autor de Flor do Mal realizou um “lava-bruxas”, um dia após o lançamento de seu Shopping Brazil, em agosto de 2004 (com o casarão em reforma e cercado por um tapume, nos espremíamos na outra calçada do Beco, bebendo cerveja tirada de caixa de isopor). Pop(ular), apareceu em videoclipe de Zeca Baleiro: Faustina não precisava de salão de beleza.

Gestos que já lhe garantiriam imortalidade. Mas Faustina não morre, vira azulejo, como decreta Joãozinho Ribeiro, outro poeta-devoto. Nós-todos, santos-sacanas, órfãos de luto e de tantas lutas. Viva, Faustina! Faustina, viva! Faustina, imortal! Faustina, Patrimônio Cultural!

URGENTE!

Comprei a Caros Amigos de maio e, apesar da recomendação de urgência de Tom Zé, ela ficou ali, vacilando entre uma Trip e uma Piauí e outras que eu ia deixando pra depois, tanta coisa por fazer, sempre. Eis que numa pausa entre uma coisa e outra, li, dum tapa, a entrevista com o cientista brasileiro Miguel Nicolelis, densa e mágica, como o pessoal da revista mesmo cunhou, certeiramente.

No site da revista você pode ler uns trechinhos. Aqui, selecionei outro, que a vontade é de transcrever para cá a entrevista na íntegra. Não deixem de conferir, nem de multiplicar. E urgentemente, como nos recomenda o gênio de Irará.

*

[…]

VINÍCIUS SOUTO Como o pessoal de fora enxerga sua experiência no Brasil? O pessoal está atônito. Quando apresentei o projeto de Natal em Davos, na Suiça, em janeiro, foi curioso. Estava do lado de colunistas, um deles famoso aqui, ouvindo gente falar do Brasil o tempo inteiro, ia no computador na manhã seguinte, abria nos jornais de São Paulo e ninguém falava nada. Vi um economista argentino falar bem do Brasil. Chorando, emocionado, “é um exemplo, é um país que está dando um show”. No dia seguinte, não tinha uma palavra. No meu dia, vou falar sobre um projeto educacional, mostrei: “A ciência não é só para ser feita em universidade, ficar em prédio fechado, é para se abrir para o mundo.” Tinha acabado de sair uma carta que assinei com o presidente, primeira vez que um presidente de qualquer país assinou um editorial na Scientific American.

MYLTON SEVERIANO Quem? O Lula? É. Não saiu em lugar nenhum. Estava na capa da maior revista de ciência do mundo, o presidente, o ministro da Educação, se comprometendo a levar o currículo de educação científica infanto-juvenil desenvolvido em Natal para 1 milhão de crianças brasileiras. Mostrei as crianças montando robô, usando telescópio, medindo lua de Júpiter.

MYLTON SEVERIANO Lá em Natal? Em Macaíba, na periferia de Natal. Foi um choque. Mas só fora daqui saiu nos jornais, saiu na Scientific American, na Science, na Nature, nas grandes revistas do mundo.

ROBERTO MANERA Qual é a parte da grande imprensa nisso? Ah, omissão. Cheguei à conclusão que hoje no Brasil é difícil falar bem do Brasil. Existe uma cultura de se confundir o país com quem está no governo. E a gente não pode contar boas notícias. É uma coisa meio assustadora, não consigo entender.

MYLTON SEVERIANO Porque o presidente não é doutor? Pode ser. Mas acho que o buraco é mais embaixo: não podia dar certo. O governo dele tinha de ser o pior da história do Brasil. E se você analisar os fatos friamente e objetivamente, não é. Se você passar duas semanas no interior do Rio Grande do Norte, da Paraíba, é outro Brasil. A gente respira aquele país que, quando eu era criança, me diziam que nunca seria possível se fazer. [Nesse momento Nicolelis chora] E é chocante, você só consegue falar sobre isso fora daqui. O Brasil, de certa maneira, carrega hoje a responsabilidade de ser uma das poucas boas esperanças do mundo. De preservar seu ambiente, construir um país honesto, que cresça não à custa de outro, mas à custa do seu próprio trabalho, um país que tem uma democracia explodindo, não? Eu coloquei na minha porta na Universidade de Duke: 95 milhões de votos contatos em quatro horas. Qualquer semelhança é pura coincidência. Eu me tornei mais brasileiro vivendo fora daqui. E acho inconcebível que nossas crianças cresçam sem apreciar a diferença entre patriotismo barato e verdadeiro amor pelo Brasil. Têm direito ao acesso à informação legítima, honesta e limpa. Para saber que país é, quais são os problemas, mas quais são as maravilhas do Brasil… [chora novamente]. Tem duas piadas que me deixam possesso. Uma é quando alguém fala, aqui, que “isto é coisa de primeiro mundo”. Que primeiro mundo? E a segunda é que “Deus criou esse maravilhoso país, mas deixa ver o povinho que vou pôr lá”. É o ranço do coronelismo. É inserir no genoma nacional o complexo de inferioridade. O Santos Dumont não pensou que não era do primeiro mundo quando voou, não pensou no “povinho”, ele foi e fez. E acho que o que nós não sabemos é que existem milhões de outros Brasis que estão se fazendo lá em Resende, em Lages, no Seridó, no sertão da Paraíba, em Soares, em lugares que a gente nem considera como parte da gente. E aqui nós não apreciamos isso.

[…]

DOIS E-MAILS

Anteontem colei cá no blogue um bate-papo de msn. Hoje colo dois e-mails.

O primeiro, do amigo Glauco Porto Barreto, recomendando a este blogueiro e a Gildomar o show da Mônica Salmaso:

From: glauco barreto glauco.barreto@gmail.com
Date: 2008/6/5
Subject: Monica Salmaso e Pau Brasil – Notas sobre Show
To: Zema Ribeiro zemaribeiro@gmail.com
Cc: “gildomar@bnb.gov.br” gildomar@bnb.gov.br

Amigos Zema e Gildomar,

Se vocês confiam no gosto musical desse amigo que lhes escreve agora, não percam, por nada que não seja absolutamente inadiável ou substituível, o show de Monica Salmaso com o grupo Pau Brasil, que deve ocorrer em São Luís amanhã e depois (Teatro Arthur Azevedo, 20h), segundo o site daquela divina cantora: http://www.monicasalmaso.mus.br/new/Paginas/frameset%20agenda.html

Ontem assisti à edição desse espetáculo no Teatro Nacional, em Brasília, e ainda estou em estado de graça. Genial! Cada um dos músicos é, individualmente, referência nacional em seu instrumento (exceto, talvez, o baterista, que também é maravilhoso). E a generosidade é a marca de seu conjunto, numa integração perfeita entre músicos sensíveis e extremamente talentosos, em que cada um silencia, vez por outra, prol dos demais, e ninguém parece ter a preocupação de sobressair. Por isso, desde 1986 tenho no Pau Brasil modelo de grupo instrumental.

Pensei escrever a todos os amigos de gosto mais apurado para a música o seguinte: espero que vocês ainda possam assistir a muitos bons shows, mas, se tiverem que escolher apenas um e optarem por ver Mônica Salmaso com o grupo Pau Brasil, terão feito excelente escolha!

É essa minha mais sincera impressão.

Um grande abraço!

Glauco Porto

*

O outro, de Ricarte, encaminhando-me a recomendação do blogueiro Bruno Batista, para uma entrevista que este havia feito com Léo do Bar:

From: Ricarte Almeida Santos ricochoro@hotmail.com
Date: 2008/6/5
Subject: FW: entrevista com o léo
To: “ribeiro, zema” zemaribeiro@gmail.com, “do Choro Recebe, Clube” clubedochorodomaranhao@gmail.com

olha aí zema, blog do bruno, com uma excelente entrevista com léo do bar.

blz, boa novidade.

falou. e o teu conjunto novo? o conjuntivite?

ricarte, engraçadinho não?

Date: Wed, 4 Jun 2008 09:40:50 -0700
From: br_batista@yahoo.com.br
Subject: entrevista com o léo
To: ricochoro@hotmail.com

Salve, Ricarte! Tô te mandando o link do meu blog com a entrevista que fiz com o Léo. Rolou até um videozinho. Viajei pra Teresina no dia seguinte àquele que vc me ligou e ainda não pude passar lá pra pegar o Cd. Devo fazer isso hoje e o Choro Pungado vai ser assunto do blog logo, logo, pode contar.

Abraço grande, meu irmão!!

http://oimparcial.site.br.com/blogs/bruno/

MOVIOLA

A jornalista Elis Galvão, com quem havia feito contato quando do lançamento de O Dia Mastroianni, do João Paulo Cuenca, me mandou um link, via msn, como quem não queria nada. Pedia que eu desse uma olhada na Revista Moviola, para onde ela havia entrevistado o moço, autor também do aclamadíssimo Corpo Presente.

Entre a conjuntivite, textos por revisar, textos por escrever e outras coisas, resolvi dar uma pausinha e seguir a recomendação da moça. Valeu a pena! Li, em várias tacadas, entre intervalos das coisas que me deixavam os olhos mais vermelhos ainda (ontem à noite eu andava de óculos escuros, tentando minimizar os riscos para os que estavam comigo), a entrevista com o Cuenca, partindo dela para uma com o Galera e daí a um texto sobre o Hunter S. Thompson (figura que me será útil na mono).

Apesar do nome — Elis me ensinou que moviola é um aparelho antigo para se ver fotogramas de uma película cinematográfica –, a revista não é especializada em cinema.

Merece destaque aqui, um outro texto dela na Moviola: Antonia de Thuin, neta de Odylo Costa, filho, está com um livro prontinho, de cartas do avô, ilustre maranhense que batiza Centro de Criatividade na Praia Grande. No corpo da matéria é possível ler, por exemplo, o manuscrito de uma carta que lhe foi enviada por João Cabral de Melo Neto, em 1966. O tipo de “trivialidades” que me interessam. Alguma editora aí/aqui se interessa?

Certamente há mais por descobrir entre os rolos da publicação virtual. Escarafuncharei com a devida atenção e recomendo aos poucos mas fiéis leitores deste blogue fazer o mesmo.

*

Caso algum destes mesmos poucos mas fiéis leitores não tiver, por acaso, acreditado no que escrevi sobre Fhátima Santos, posts abaixo, pode tirar a prova aqui.

PARTE QUE SE DESCARTE

zema diz:
tu não me ama mais
– Mariana diz:
quê?
– Mariana diz:
haha
zema diz:
já sacou, né?
– Mariana diz:
saquei o quê?!
zema diz:
o porquê disto
– Mariana diz:
não saquei haha
zema diz:
blogue novo e nem avisa, pow
zema diz:
já re-linkei
zema diz:
e já vou avisar a turma
– Mariana diz:
eu ACABEI de fazer hehe, eu ia mandar
– Mariana diz:
aliás, eu entrei no seu hoje haah
zema diz:
tá! eu acredito
zema diz:
ahah
– Mariana diz:
vou te linkar
– Mariana diz:
entrei no seu pelo do marcelino freire
zema diz:
figuraça. bebemos juntos uma vez, aqui em são luís. minha raiva: ‘tava sem minha máquina fotográfica…
– Mariana diz:
ahh ele deve ser superlegal
– Mariana diz:
ele é foda, cara, escreve bem pra burro
zema diz:
demais, demais
zema diz:
é sim, superlegal…
– Mariana diz:
=)
zema diz:
vou avisar a turma, pois
zema diz:
e vê se não some
zema diz:
nem para de escrever
– Mariana diz:
pararei nao!
zema diz:
vou ficar no calo
– Mariana diz:
haha beleza
zema diz:
vou entender isso como uma promessa
zema diz:
e promessa é dívida
– Mariana diz:
haha ok
zema diz:
nem me demoro hoje. uma conjuntivite me tirou de aula, trabalho, o escambau.
zema diz:
até o aniversário dum amigo tive que faltar.
zema diz:
só vou avisar a turma de teu retorno e me vou
zema diz:
abração!
zema diz:
e bem vinda de volta
– Mariana diz:
obrigadaa! =))
– Mariana diz:
bjs

*

Bati o papo acima com a amiga Mariana Bradford, há pouco, via msn. Um viva!, ela voltou a blogar. Estudante de comunicação carioca, é figura que tem o que dizer. Vida longa ao novo link aí ao lado.

*

O amigo de que falo, que aniversaria hoje (3), é Salim. parabéns, amigo! Vida longa a você também, e perdoe a falta. O motivo ‘tá exposto aí no papo. Te devo uma cerva! (Ê, seu porra!, as cópias ‘tão prontas). Abração!