no alternativo, ontem

Maria Preá estréia em CD com roteiro maranhense

Zema Ribeiro
Especial para O Estado

Laeticia Madsen nasceu em Minas Gerais. Mas é maranhense. Morou em diversos lugares do Brasil. E tem uma banda. Ou melhor: um bando. O bando de Maria Preá, sua banda. Maria Preá gravou um disco: Avesso (Elo Music/Tratore, 2007, R$ 22,00), sua estréia. Nasceu Maria Preá, contradizendo o dito popular maranhense, nordestino, “morreu maria preá”. “Tá resolvido” é “tradução” possível. E Maria Preá passeia com força pelo Maranhão, uma escapada para a capital federal do vôo da Juriti do Liga-Tripa aqui, outra para o mineiro Caxangá de Milton Nascimento ali.

Em dez faixas, os nomes de João do Vale (Carcará), Dibell (Vidente), Sérgio Habibe (Ponteira), Cesar Teixeira (A volta de Lampião), Josias Sobrinho (Circo dos horrores) e a parceria de Tácito Borralho, Cláudio Silva e Negreiros Xavier (Guenta touro), além de pontos de tambor de mina, recolhidos, de domínio público (Tambor de mina e Ponto pro Caboclo Sete Flechas).

Se ninguém bota defeito no time de compositores, idem no de instrumentistas: Webster Santos (guitarra e violão), André Magalhães (teclados e produção, com Laeticia), Gerson da Conceição (contrabaixo e guitarra), Swamy Jr. (violão), César Peixinho (percussão), Celso Marques (flauta), Gigi Magno (contrabaixo) e Thomas Roher (rabeca), entre outros.

Avesso é um disco quase genuinamente maranhense, com músicas que poderiam/deveriam (já) ser clássicas e, no entanto, ainda não são conhecidas da maneira que merecem. É esta a conta que Laeticia Madsen assume – mesmo não sendo dela – e quer pagar.

O caos, a inversão de valores do mundo contemporâneo e a falta de moral e ética de nosso tempo explicam o título do disco. Talvez isso explique o porquê de muita gente estar ouvindo essas canções pela primeira vez com a Maria Preá, isto é, não conhecer a maioria das já gravadas em outras versões e, no entanto, ouvir/ter ouvido tanta porcaria neste mesmo caos do mundo. Mas esta é uma outra discussão. Gracias, bando!

rremembranças zêmicas em depoimento por crime de plágio

Não, eu não tenho rremembranças da menina de rua morta nua, era muito novo quando o crime aconteceu, tinha onze anos, apenas. Achava chatíssimo o jeito de Gil Gomes apresentar o Aqui Agora. Aliás, sempre achei chato esse tipo de programa de televisão. Aqui no Maranhão nunca fui com a cara do Bandeira 2. Insuportavelmente antipático, aquilo, [faz voz fanha] “Jânio Arlei, Bandeira 2 e o SBT, de olho em você”, argh! Toscas demais aquelas propagandas de café, cachaça e locadora de filme pornô que patrocinavam o matutino sanguinolento. Não sei como minha família gostava de ver aquilo. Vai ver, supriam a falta de presunto no pão vendo os cadáveres na telinha.

Bom, a primeira vez que ouvi falar da menina de rua morta nua, achei simplesmente um título bonito. A capa, também, lembrava uma grade, uma cela, algo assim. E li o entusiasmadíssimo texto de Joca, quando ele ainda tinha o blogue, talvez seu fã número um. E aqui se desencadeia um fanatismo em cadeia, perdoem-me ser tão repetitivo e trocadilhesco e sem-graça e não ser objetivo, vocês entendem meu nervosismo, não sou acostumado a estes ambientes. Ainda mais que me obrigaram a por uma roupa mais arrumadinha. Por mim tinha vindo como estava em casa, sandália de dedo, bermuda e regata. São Luís é quente. Ah, sim, os fanatismos em cadeia. Bom, talvez eu esteja exagerando. Mas Joca é fã do Valêncio Xavier, um repórter do absurdo, e Reuben é fã do Joca. E eu também já era fã do Joca e do Reuben, e digo-me, além de fã, amigo dos dois, embora não conheça Joca pessoalmente, ao menos ainda. Sim, claro que tenho a idéia de conhecê-lo. E tomar umas cervejas na Mercearia São Pedro com ele. Com ele e aquela turma da Antologia BêbadaRonaldo Bressane, Xico Sá… ah, falar em Xico Sá, outro dia o Alê Muniz me contou uma história que só podia me deixar emocionado. Diz que ele encontrou Xico na Merça, ah, perdoem-me a intimidade, mas puta-que-pariu, quer não ficar íntimo depois de ver as fotos que a Ivana publicou no blogue dela de um almoço na casa do Joca? É, juntem às provas do crime, talvez isto nos facilite as vidas. Aí o Alê ficou na dúvida se era ou não o Xico e resolveu chegar e era, e ele deu um disco do Criolina para ele. E Xico deu os parabéns ao Alê e a Lu pelo trabalho e disse que já tinha ouvido falar, que um cabra do Maranhão etc. E Alê: “Quem?” e Xico: “Zema”.

Sim, mas aí, onde estava mesmo? Ah, bom, aí eu já me considerava amigos dos dois – quer dizer, de Reuben eu sou, inclusive, foi ele quem me emprestou as Rremembranças da menina de rua morta nua e eu li dum tapa e fiquei impressionado e fiquei fã, já era de dois, fiquei fã dos três. Aquele livro você lê muito rápido, curta-metragem, qualidade altíssima, mas vale a pena, sem dúvidas. É muito bonito.

Inclusive eu ‘tava lendo Sonho Interrompido por Guilhotina quando a campainha tocou e só me deram tempo de eu trocar a roupa, ainda bem que já tinha tomado banho, se não ‘tava que nem o velho ex-guerrilheiro de Amores Brutos, que eu vi ontem e também achei bonito, mas nada me impressionou mais este fim de semana que as Rremembranças. Aí eu vim. E lá no Sonho, que a guilhotinesca campainha interrompeu, há histórias de Joca em tributo ao ídolo. E, olha, Joca, chegou a editar um livro dele, não lembro o título agora, deixei o volume das Rremembranças em casa, tive tempo de nada, estou dizendo.

Ciência do Acidente, era o nome da editora de Joca. Aliás, além da prosa e da poesia em si, ele tem títulos maravilhosos, concordam? Não sei o que houve. Junto com as rremembranças, Reuben emprestou-me também o Eletroencefalodrama e eu vi o Joca sem ser careca pela primeira vez, na foto da orelha – do livro, não a dele – encoberta pela vasta cabeleira – a orelha dele, encoberta, não a do livro. Quero até saber se Joca não tem uns livros encalhados, queria comprar umas coisas de Valêncio Xavier, se ele tiver vai ser legal.

(Toma água em copo descartável). Não, obrigado. (Recusa um cigarro). Sim. (Aceita um cafezinho e repete).

Fiquei teorizando umas bobagens. Por exemplo: quando Valêncio Xavier assina apenas com as iniciais, VX, eu ficava fazendo um cálculo doido, sem sentido, uma equação de dar em nada. Lembrava-me dos algarismos romanos que era praticamente obrigado a aprender nos primeiros anos de escola. Se V é cinco e X é dez, e se, para fazer alguns números, você põe uma letra antes da outra, de modo a subtrair da segunda… por exemplo: como se faz um nove em romanos? IX. Ou seja: dez, que é X, menos um, que é I, nove. Ou I, um, para X, dez, nove. Ou quarenta: X, dez, para L, 50, quarenta. Logo, VX seria cinco. V para X, cinco, mas isso não dá em nada, já que cinco é V e pronto.

Outra teoria besta: pensei em dizer, mas não direi, que Valêncio Xavier é o Luiz Gonzaga da nossa literatura. Eu já tinha pensado em dizer que Flávio Moreira da Costa é o Tom Zé da nossa literatura. Mas podem procurar aí por onde eu tiver escrito, qualquer espaço, qualquer, qualquer. Nunca disse. Também, fiquei maravilhado com as obras de ambos, assim que tomei contato, mas soltar isso, assim, de cara, seria demais, pois os li pouco, muito pouco. Por enquanto. Sim, certamente isso é um crime. Eu acho. Vem cá, tem alguma tv filmando isso? Imprensa, rádio… destaquem aí, para a gurizada: leiam Valêncio Xavier e leiam Flávio Moreira da Costa. E não só a rapaziada nova não. Todos deveriam, todos devem lê-los. E já! Eu mesmo, saindo daqui, antes de chegar em casa passo numa livraria para procurar títulos de VX. De Flávio tenho uns dois aguardando, em casa. E chegando em casa digitarei o nome de Valêncio Xavier num desses sites de busca e verei no que dá. Achando qualquer coisa, principalmente se venderem pré-datado, já mando buscar.

(A sala está quente. Justo no dia do depoimento, o ar-condicionado havia achado de pifar. Janelas abertas não davam conta do recado. Felizmente havia energia elétrica para que se digitasse o que ele dizia, por vezes sem pensar e ligeiro demais). Ah, sim, não, talvez essa relação que eu faço, ou tento fazer, do Valêncio com o Luiz Gonzaga, seja pelo fato de eu ter ouvido muito o rei do baião durante o final de semana. Bom, talvez eu esteja dizendo bobagem, até por que, apesar de ter lido bem pouco Valêncio Xavier, ouvi pouco Luiz Gonzaga também; embora do segundo conheça mais coisas, até por ouvir música ser mais fácil do que ler, concordam? Quem já ouviu Samarica Parteira entenderá. É isso. Se Luiz Gonzaga tirava música daquele “nhééééééééééééééééém… pá!” das cancelas sertanejas, de onde Valêncio Xavier tira sua literatura? Como Gonzaga tira sua música, de qualquer lugar, é o que eu quero dizer. Só isso. Ó, aquele bilhete das crianças-pedintes nos ônibus, que ele recebeu em alguma viagem… aquilo ‘tá lá nas rremembranças dele. E isso é o que me rremembro agora.

Bom, quem me conhece sabe que sou boa gente, que não mexo com ninguém. Aliás, ando cada vez mais quieto, os próximos sabem. Sim, tenho bebido menos e, ainda não é o ideal, mas tenho lido mais, tenho procurado ler mais. Foi assim que cheguei às rremembranças do Valêncio Xavier. Sim, claro que vou comprar. Aqueles sete livros, aquela bíblia, é coisa para se ter em casa. Pecado? Ora, bíblia, não é um livro com vários livros dentro? Pois então? O título não é Rremembranças da menina de rua morta nua e outros livros de Valêncio Xavier? Não estou errado, portanto. Portanto, repito, pecado, não, meu crime é outro: EU SOU ZEMA RIBEIRO E PLAGIEI JOCA REINERS TERRON.

ao cinquentão natan máximo

desde que descobri, ao pegar seu endereço de e-mail, ou vendo algo com seu carimbo, que o nome de natan é nataniel, e mais, que seu sobrenome é máximo, inventei a saudação, com que cumprimento-lhe quando nos topamos pelos corredores (da vida e da arte, no dizer do sempre mestre joãozinho ribeiro): “natan, você é o máximo!” a isto ele responde com um “zema, o bárbaro”, sempre sorridente.

na quarta-feira passada (19), natan completou 50 anos. uma turma de amigos correu o chapéu e organizou uma festinha para ele. merecida. memorável festa. emoção total. pediram-me para escrever uma espécie de “roteiro de cerimonial”, pelo que entendi. como sou péssimo nisso e, tomado pela emoção, tornou-se impossível atender ao pedido e cometi o texto abaixo, que li com elizandra, na ocasião.

publico aí após vários elogios (gracias, turma, vocês exageram…) e após a carinhosa indagação/intimação de micaela: “por que não pões o texto do natan em teu blogue?”

*

ao cinquentão natan máximo

certamente, se mais sábios fossem os homens, todo dia seria o dia certo de celebrarmos a amizade. ou melhor, as amizades. nunca esperaríamos pelo momento certo ou por “aquela ocasião” para dizer o quanto gostamos de alguém.

há algumas datas, no entanto, que nos são especiais. e o aniversário de alguém de quem gostamos é, certamente, uma delas. queremos estar juntos, dar aquele abraço apertado que estamos lhe e nos devendo há tempos, queremos colocar o papo em dia. queremos simplesmente ficar perto, fazendo e tendo companhia agradável, celebrando o cumprimento de mais uma etapa da vida, que queremos ainda longa, mais uma primavera, mais um carnaval.

e por falar em carnaval, nesta quarta-feira que nada tem de cinzas, aqui estamos reunidos para celebrar mais uma primavera do mais que colega de trabalho, o professor, amigo e irmão natan.

seus cabelos são de prata, mas as bodas são de ouro. fazer parte de tua vida e ter-te, parte da nossa, é, perdão da rima piegas, um tesouro.

por isso bradamos, em uníssono, o acerto de teus pais ao te batizarem: nataniel, você é o máximo!!!

minha vida não vale um filme

menos ainda um romance de formação.

é de manhã, sol, pingos de chuva nenhuma, ontem não caíram, um motoqueiro me indaga, eu a pé: “onde fica o hospital geral?” indico uma via para que ele fuja da contramão e oriento-lhe sobre como chegar.

em busca de uma casa (para comprar), no centro, desço alecrim, pespontão, encontro um rapazinho dessas terceirizadas que prestam serviço para a cemar (ou caema, sei lá); puxo conversa: “não sabes de nenhuma casa para vender por aqui? pergunto, pois tu deves andar muito por essas bandas, talvez lembre de algo…” pensa um pouco, e “não, no momento lembro de nada não”, ele me diz. depois comenta que talvez aquela que está fechada, e ele toca novamente a campainha, vá ser vendida. mas não há placa nenhuma indicando-me disso.

resolvo finalmente chegar ao trabalho. despeço-me do rapazinho da terceirizada da caema (ou cemar, sei lá) e avisto uma velhinha na calçada. “a senhora mora por aqui?” “moro, e ele já me viu”, responde, como quem não quer conversa e/ou pensando que eu era também um terceirizado da cemar (ou caema, sei lá). podendo dormir sem essa, insisto: “a senhora não sabe de casas para vender por aqui?” a resposta é ainda mais seca: “não! quem sabe disso é imobiliária”. digo um “obrigado” com a quase certeza de que ela não ouviu e sigo meu caminho.

conto a história acima no trabalho. ouço gargalhadas e rio também. rir (ainda) é o melhor remédio.

indo almoçar, sempre a pé, vejo um motorista de van, perguntando a um flanelinha desorientado por uma rua no centro. ao ouvir o nome da rua onde moro, aponto o sentido e digo que estou indo para lá. pego a “carona” na van e indico-lhe para que lado estaria o procurado número 39 e deixo-lhes seguir viagem.

após o almoço, a pé, nem preciso repetir, estudantes do ensino fundamental me gritam: “ê, siô!, ê, siô!, ó o camaleão aí!”. a pouca distância deste que vos escreve, um camaleão em plena rua das crioulas (ou cândido ribeiro, como queiram), no esturricante sol de pouco mais de meio-dia. paro e espero, para ver qual é a do camaleão, que fica parado, tenta escalar um muro e pára novamente. sigo meu caminho.

“boa tarde! um real, sem gelo, por favor”, saúdo e peço ao rapaz do balcão, um copo de caldo de cana. relaxo e atravesso a rua, enquanto um taxista atrapalhado deixa o carro no meio da faixa, atrapalhando nossa passagem.

o blogueiro no boteco do tulípio

novos papos no boteco do tulípio e o blogueiro aqui, agora divide a mesa com os poetas ademir assunção e chacal (a quem entrevistarei, em breve, sobre os em leitura “belvedere” e “nuvem cigana“, depois conto mais). uma honra para mim, sem dúvidas. corre lá!

erramos

convidado por zina nicácio para mais uma edição da revista eletrônica “etc. e tal“, da rádio univima, escolhi, entre os diversos temas propostos, tratar do dia da imprensa. gravei minha participação lendo este texto e ofereci a música “por pouco“, da mundo livre s/a aos ouvintes.

o erro: o dia da imprensa é “comemorado” em 1º. de junho, e não em 10 de setembro, conforme escrevi/disse.

há, n’o estado do maranhão de hoje, texto de edmilson sanches sobre o assunto: “imprensa: um dia de mentirinha“. título, aliás, corretíssimo para qualquer data em que se “celebre” o dia da imprensa.

bom, corrigida a data, a “homenagem” que fiz à imprensa brasileira, maranhense (com raríssimas exceções) continua válida.

antes do cinema

há umas boas semanas, chorei o fim do departamento de cds e dvds das lojas americanas da rua grande. era alarme falso, graças a deus. o departamento voltou maior e cheio daquelas bandejonas onde é possível comprar bons dvds entre r$ 9,99 (dez reais) e r$ 19,99 (vinte reais).

mas do que vou falar aqui, ainda não se compra lá. não por enquanto.

enquanto eu lia este post, no blogue da trip (provavelmente a melhor revista mensal do país), pensava comigo: bom, o filme de que trata o texto ainda não chegou por aqui.

imediatamente, lembrei-me também do fechamento da music play (rua grande), que acabou virando play modas (e agora vende, óbvio, roupas). uma promoção que durou muitos dias me garantiu coisas como um disco de yann tiersen, episódio que contei aqui.

ó: o disco “cê ao vivo” foi lançado. ainda não o vi nas (poucas) lojas de discos de são luís. digo isso só para dar um exemplo do mercado “oficial”.

voltando: lido o texto sobre “tropa de elite“, eu caminhava rumo ao almoço quando me deparo com uma cópia que me sorri, numa banca próxima à rua grande. r$ 5,00. pouco mais caro que um ingresso no cine praia grande. muito mais barato que um ingresso no box.

uma leitura, um aprendizado disso: o mercado “pirata” ludovicense acompanha o do resto do país. o “oficial”, não. sorrio, já com o dvd na mão.

câmeras nervosas e uma crueza que pode incomodar (seja isso bom ou ruim para você que vai ver o filme, caro leitor) mostram a realidade das favelas cariocas, a guerra instalada, infelizmente, obra de não-ficção, a guerra, repito.

josé padilha, o mesmo diretor de “ônibus 174”, “recruta” (para usar um verbo do mundo militar) wagner moura (o olavo da novela dazoito), que dá (mais) um show de interpretação, num filme que estréia nos cinemas só mês que vem, mostrando o cotidiano de policiais do batalhão de operações policiais especiais (bope), uma polícia militar paralela, tida como mais inteligente (ao menos por eles próprios) — sabemos que não é bem assim.

não se sabe se o vazamento do filme aos camelôs foi intencional (estratégia de marketing pensada) ou não. mas, mesmo sem os créditos finais (com a tela da tv sendo invadida por listras verticais no lugar deles), vale ver/ouvir as histórias do capitão nascimento e cia., nas quase duas horas de “tropa de elite”, um filme real. cru como a vida dos ali traduzidos.

dia da imprensa

10 de setembro é data que certamente não merece comemoração, não aqui no brasil, não aqui no maranhão.

abaixo, minha fala no “etc. e tal” de ontem.

*

alô, ouvintes da rádio univima! eu sou zema ribeiro e é um prazer imenso, mais uma vez, estar com vocês aqui no etc. e tal. obrigado, zina, pelo convite, obrigado ouvintes pela atenção.

e então, no último dia dez de setembro, celebramos o dia da imprensa. mas será que temos alguma coisa pra comemorar?

todos sabem no que se transformou, já há bastante tempo, a imprensa brasileira e, em especial, a maranhense, não é mesmo? o que dita seus comportamentos são, meramente, interesses políticos e empresariais.

o interesse público é sempre relegado a segundo, terceiro, quarto, último plano.

aqui no maranhão, historiadores, no futuro, certamente terão dificuldades em seus estudos. de acordo com os impressos locais, parecemos viver duas realidades bem distintas. cada veículo só conta ou mostra o que lhe convém, da maneira que lhe convém.

mas nem tudo é assim tão ruim. ou não tanto quanto parece. e surgem vozes, aqui e ali, contra a corrupção que assola o jornalismo brasileiro – e tantas outras profissões, embora este seja um tema para outra discussão, mais aprofundada.

fred zeroquatro, vocalista, guitarrista e letrista da banda pernambucana mundo livre s/a, é uma dessas vozes. sua banda, no início dos anos noventa, ajudou a consolidar o que mais tarde conheceríamos como movimento mangue beat. e pernambuco falou para o mundo.

a gente fica, pela passagem do dia da imprensa, com a faixa-título do quarto cd da mundo livre s/a, “por pouco”. a frase emblemática da canção é “jornalistas mortos não mentem”. eu diria que não mentem mais.

um grande abraço e até a próxima!

filosofia

ontem, no papiros do egito, após uma boa meia hora namorando o exemplar, deixei de comprar “a guerra do fim do mundo“, de mario vargas llosa. comprá-lo, certamente me demandaria a leitura de “os sertões“, de euclides da cunha, o que eu não faria agora. não, meus caros detratores: tenho 25 anos de sonho, de sangue e de américa do sul e ainda não li o clássico euclideano, um pecado, concordo.

na mesma viagem àquele sebo, acabei acertando uma conta e trazendo pra casa o duplo “4 way street“, de crosby, stills, nash & young, além do “mtv unplugged” do último do quarteto, o neil.

e ainda ouvi a pérola de moema, com quem gosto de conversar, tal qual comadres, às vezes “perco” manhãs de sábado inteiras entre as prateleiras e ouvi-la. e eis o que ela disse, ontem, do alto de sua sabedoria e experiência no ramo, a um outro cliente, que buscava livros e discos interessantes e a quem “empurrei” o “bate o mancá“, primeiro solo de silvério pessoa:

há duas coisas que só servem para acabar com bibliotecas: uma é traça; a outra, viúva“.

*

hoje, às 10h25min, vai ao ar mais uma edição do etc. e tal, comandado por zina nicácio na rádio univima, com participação deste blogueiro. minha fala e a música que toco são em “homenagem” (ironia, detratores) ao dia da imprensa (10 passado). ouçam!

*

atualização do post, às 10h09min: o “etc. e tal” acabou antecipado e eu mesmo não consegui me ouvir. reprise às 15h. não perco. não percam!

de já um clássico (mutaréllico)

“O cheiro que você ‘tá sentindo é do ralo”, diz o protagonista de “O cheiro do ralo[em cartaz no Cine Praia Grande, diariamente às 20h30min; ingressos: R$ 4,00, R$ 2,00 (para estudantes com carteira e maiores de 60 anos); aos domingos, R$ 1,00 para todos], filme de Heitor Dhalia, com roteiro dele e de Marçal Aquino (“O invasor”) baseado na obra homônima de Lourenço Mutarelli. Diz e repete. E repete. E repete. Obsessivamente. Por todo o filme. Lourenço (Selton Mello) é um comprador de quinquilharias, antiguidades e visões de bundas (ele paga para ver bundas, foi o que eu quis dizer), outra obsessão sua – a propósito, é a bunda da garçonete a primeira coisa que se vê no filme, num shortinho curto (diminutivo dos diminutivos, redundância das redundâncias, meu texto, claro, que no filme não há lugares para “issos”), passos apressados até o local de trabalho.

É engraçado vê-lo vendo (redundância de novo?) a bunda da garçonete da lanchonete onde ele faz suas refeições ordinárias. É engraçado ver Lourenço Mutarelli de vermelho e de vigia. Quem o conhece, magro e careca, talvez estranhe. Ou não, pois provavelmente todo mundo já viu este filme antes de mim, não? Não?!?!?!?! Ta esperando o quê, rapá? É engraçado ver Xico Sá tentando vender um objeto a Lourenço (Senton Mello, não Mutarelli) e receber uma resposta negativa, um dos poucos “nãos” ouvidos dele ao longo do filme. Até agora me pergunto de onde é que o “maníaco” tirava (tanto) dinheiro para comprar tanta buginganga, já que não o vi vendendo nada ao longo da trama – vilge!, estraguei?.

É sem dúvidas um dos melhores filmes que o cinema brasileiro produziu nos últimos anos, assim como é Mutarelli um dos melhores escritores da literatura brasileira contemporânea. Ele mesmo parece um personagem criado por ele, se é que vocês me entendem – aqui, lembro de uma matéria numa Trip dazantigas, assinada por Ronaldo Bressane, que depois virou posfácio ou coisa que o valha de “O Natimorto” (DBA Editora). O título da matéria, cito de memória, perdão se ela falhar, era “O bife que desenha” e contava coisas mutaréllicas – como um personagem seu – como o litro e meio de café consumido diariamente (assim ele venceu uma úlcera), o vício em comprimidos tranqüilizantes (ou coisa que os valham) e o uso de algo para apoiar sua mão – que não para de tremer – enquanto desenha. Novamente: são citações de memória, não estou com a revista em mãos, nem com meu exemplar de “O Natimorto”.

A propósito, ouvi falar (ou sonhei?) que este mais recente mutaréllico título será filmado ainda em 2007. É coisa para me deixar ansioso, ou para deixar assim qualquer um que tenha lido qualquer coisa do homem ou visto “O cheiro do ralo”. Ou sentido. “Esse cheiro que você ‘tá sentindo… é do ralo”.

notas atrasadas (mas em tempo)

‘cabei de ler matadouro 5, de kurt vonnegut. aí eu me pergunto: por que é que eu nunca tinha lido nada do homem?

*

boa surpresa na blogosfera maranhense: itevaldo junior em blogue solo. já linkado ao lado, bem-vindo, camarada!

*

reuben, poesia da boa, zunindo na zunái.

*

foi minha namorada quem pegou o buquê após o casamento de laura e luis (de quem fomos padrinhos). um animado forró pé-de-serra com chico nô e banda (o xaxados e perdidos sem sua porção feminina) animou os presentes à bela noite de sábado na vila nova. emoção total. ao novo casal, mais votos nossos de muitas felicidades. sempre.

ah, o feriad(ã)o…

sete de setembro e eu ainda em casa. daqui a pouco, saio para fazer uso de coisa que condeno: procurar um hipermercado aberto para comprar cds virgens. sim, condeno: e o feriado dos que garantem que o hipermercado esteja aberto quando um esquecido (ocupado demais?) precisa comprar cds virgens?

apesar do anúncio e dele não querer chororô, foi estranho não achar mais o blogue do joca. não substitui, é claro, além de tudo por ser temporário, mas o do mutarelli tá no ar, direto de nova york, pelo amores expressos.

ouço o bom disco novo de vanessa da mata, “sim”. amanhã laura e luis dizem “sim” um ao outro. eu e minha namorada somos padrinhos. é mais ou menos como se eu fosse um moleque que vê um ídolo (da platéia), depois aprende a tocar guitarra (pode substituir por seu instrumento predileto) e vira ídolo e é visto da platéia. ano que vem “é nóis”.

da série "conceitos antecipados"

dias doidos e doídos. correria. muito trabalho. mas sem reclamação. mas é tanto trabalho, que às vezes até me atrapalho e deixo de fazer algum trabalho. se é que vocês me entendem.

acabei esquecendo de avisar por aqui das sessões de o cheiro do ralo no cine praia grande. então, hoje é o último dia. da sessão às 16h30min. o bom é que durante toda a semana que vem, o filme baseado no livro de lourenço mutarelli fica em cartaz às 20h30min.

os “conceitos antecipados” do título do post? ah, sim. raramente vou ao box. e iria fazer o esforço, pois tenho certeza (a minha certeza, óbvio!) que o cheiro do ralo vale a pena (apesar de não ter lido este livro do mutarelli; o natimorto, outro título dele, é muito, muito bom!). testemunhas me garantiram que em suas sessões no box, o filme tinha sete, oito pessoas em meio-mundo de poltronas superconfortáveis e vazias. o jornal o estado do maranhão tem batido na tecla: o dono do mar (na sala ao lado) é um sucesso. sessões cheias e o caralho a quatro. sinceramente, não entendo (não, não vou dizer que não acredito. meus “conceitos antecipados” são outros).

“conceitos antecipados” é uma forma bonitinha (talvez) de dizer “preconceitos”. li pouco mutarelli e li nenhum sarney, mas tenho absoluta certeza (a minha certeza, repito) de que a literatura do primeiro é infinitamente superior à do segundo.

é claro que se um dia eu for assistir ao filme baseado no romance do senador pelo amapá, já irei com a opinião pronta. mas dyl pires me economizou deste trabalho.

bom, levantem daí e vão ver o cheiro do ralo, que eu não vou lhes contar. e mesmo ainda não tendo assistido, de já, garanto: é bom!

da série “conceitos antecipados”

dias doidos e doídos. correria. muito trabalho. mas sem reclamação. mas é tanto trabalho, que às vezes até me atrapalho e deixo de fazer algum trabalho. se é que vocês me entendem.

acabei esquecendo de avisar por aqui das sessões de o cheiro do ralo no cine praia grande. então, hoje é o último dia. da sessão às 16h30min. o bom é que durante toda a semana que vem, o filme baseado no livro de lourenço mutarelli fica em cartaz às 20h30min.

os “conceitos antecipados” do título do post? ah, sim. raramente vou ao box. e iria fazer o esforço, pois tenho certeza (a minha certeza, óbvio!) que o cheiro do ralo vale a pena (apesar de não ter lido este livro do mutarelli; o natimorto, outro título dele, é muito, muito bom!). testemunhas me garantiram que em suas sessões no box, o filme tinha sete, oito pessoas em meio-mundo de poltronas superconfortáveis e vazias. o jornal o estado do maranhão tem batido na tecla: o dono do mar (na sala ao lado) é um sucesso. sessões cheias e o caralho a quatro. sinceramente, não entendo (não, não vou dizer que não acredito. meus “conceitos antecipados” são outros).

“conceitos antecipados” é uma forma bonitinha (talvez) de dizer “preconceitos”. li pouco mutarelli e li nenhum sarney, mas tenho absoluta certeza (a minha certeza, repito) de que a literatura do primeiro é infinitamente superior à do segundo.

é claro que se um dia eu for assistir ao filme baseado no romance do senador pelo amapá, já irei com a opinião pronta. mas dyl pires me economizou deste trabalho.

bom, levantem daí e vão ver o cheiro do ralo, que eu não vou lhes contar. e mesmo ainda não tendo assistido, de já, garanto: é bom!

xangai na ilha

xangai é uma das boas memórias musicais de minha infância. lembro da primeira vez que ouvi o baiano cantar. era “ai deu sodade“, engraçada música mais conhecida como “abc do preguiçoso”, gravada por ele no cantoria, dividido com elomar, geraldo azevedo e vital farias; o cantoria tem mais um volume com os quatro e um terceiro volume com elomar solo.

talvez o “abc do preguiçoso”, tema de domínio público, seja o maior sucesso de eugênio avelino, ele, xangai, de quem já vi, em são luís, dois ou três shows.

num deles, comprei um disco que já tinha em casa para colher o autógrafo: “zema, procê com amizade”. o disco era o “xangai canta cantigas, incelenças, puluxias e tiranas de elomar“, que traz na capa uma pintura de portinari. a propósito, num show do compositor das faixas daquele disco, descobri que seu filho, joão omar, que tocou violão nele todo, tinha apenas quinze anos de idade à época. quem ouvir, entenderá meu espanto.

noutro show, ouvi(a) uns chatos, lá pela segunda ou terceira música, gritando: “toca o abc do preguiçoso!”. xangai aguentou umas poucas vezes calado e logo soltou: “ela está no roteiro. é a última música. mas se quiserem, eu toco agora. querem?”. e fez o show numa boa.

nos dois (ou três), a participação especial de erivaldo gomes, seu parceiro.

amanhã, xangai ‘tá na ilha novamente. às 21h, no teatro arthur azevedo. produção de ópera night.