de mortes

andei sumido por uns dias. quarta-feira passada, no meio do expediente, recebi um telefonema dando conta de que meu avô tinha falecido. fui à rosário para velório e enterro (e volto lá amanhã para a missa de 7º. dia) e não foi fácil ver, dentro de um caixão, o homem que, faz nem tanto tempo assim, me levava de bicicleta ao jardim de infância, na mesma rosário que eu agora visitava por este motivo nada agradável.

desde seu último derrame, em 1992, antonio viana, meu avô materno, vivia com o lado esquerdo do corpo paralisado. lúcido, tinha excelente memória e seguia sua vida, que diariamente começava com o rádio ligado às 5h da manhã nalguma emissora am em programas de esportes e notícias, velha mania. de uns dias ao óbito, teve maiores dificuldades para se alimentar, se comunicar e chegou a não reconhecer pessoas próximas (uma filha, inclusive) em 8 de agosto, quando subiu, às vésperas de completar 48 anos de casado.

certamente, mortes sempre serão inexplicáveis e sempre serão grande perda e dor, mesmo quando a visita da “velha da foice” já é aguardada e/ou sentida (mas não desejada). talvez esses avisos (como seu último derrame) sirvam (talvez, repito) para tornar menor o sofrimento de parentes e amigos.

o que sinto (e maria lindoso, minha vó, sua viúva, seus filhos, netos e demais parentes e amigos) com a morte de vovô, possivelmente é sofrimento menor que o que sentem, por exemplo, as famílias de flávio pereira da silva e gerô, vítimas da violência, infelizmente banalizada.

colo, abaixo, texto de flávio reis publicado no estado do maranhão (opinião, 4) de hoje sobre o assassinato de seu xará flávio pereira. e mais abaixo, a carta-denúncia (que assino embaixo) que será entregue à secretaria de segurança cidadã. copie, repasse, endosse!

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Licença para matar

por Flávio Reis*

O ensaísta alemão Enzensberger cunhou o termo “guerra civil molecular” para caracterizar a situação de violência múltipla que se espalha nos centros urbanos. Em qualquer lugar e sob qualquer pretexto ela se manifesta. Pode ser fruto da ação de bandos ou de um indivíduo; de assaltantes, mas também de policiais; originar-se de uma intenção prévia ou resultar de uma reação desmedida. O motivo pouco importa, muitas vezes são coisas supérfluas, caprichos. Em todos os casos, entretanto, seu rastro é de destruição, medo e morte. O cotidiano das cidades vai se amoldando aos sinais desta nova guerra, sem exércitos e sem fronteira. Diante dela os governos pouco ou nada têm conseguido, ao contrário, suas truculentas, ineficazes e corruptas polícias têm contribuído enormemente para expandi-la.

As cenas foram nos cercando em pouco tempo. Primeiro eram as notícias algo distantes que se repetem indefinidamente nos meios de comunicação, depois as que nos chegavam através dos amigos e conhecidos, as que são ouvidas nos ônibus ou em qualquer lugar da cidade, até um dia sermos atingidos em cheio. Certa vez fiquei impressionado com a notícia de uma menina alvejada próximo a uma estação de metrô, caída sem movimentos e utilizando o celular para dizer “Mãe, levei um tiro”. Tempos depois, estava em um carro com amigos passando pela avenida Ferreira Gullar, por volta das 19h, e numa tentativa de assalto frustrada levamos um tiro e uma pedrada. Somente por pura sorte ninguém se feriu. No banco de trás uma criança de apenas dois anos perguntava espantada “Mãe, o que aconteceu?”. No último 31 de julho me veria diante de algo ainda mais brutal e infame. Um amigo muito próximo, xará, Flávio Pereira da Silva, ex-professor de sociologia da UFMA, onde fez graduação e mestrado, e atualmente professor do Ceuma, estava ao telefone e dizia num choro desesperado: “Flávio, avisa que eu levei um tiro e estou no Socorrão II”. Motivo? Briga de trânsito. Uma camionete L 200, de cor bem distinta, algo como azul metálico, modelo antigo, é conduzida por alguém que se acha com licença para matar.

Apressado e arrogante, a figura ainda incógnita não teve paciência numa situação comum no movimentado retorno da Forquilha, buzinou insistentemente e depois avançou o carro, batendo na traseira do Celta novo, comprado em meio a tanta dificuldade. Recebido com insultos, Flávio reagiu, mas terminou sendo covardemente atingido por um disparo efetuado de dentro da L 200. Era uma pistola com grande poder destrutivo, geralmente utilizada por policiais, sacada de um coldre sob a axila, acobertado pelo paletó. A caracterização leva imediatamente a pensar em alguém que trabalha na área de segurança – delegado, oficial, agente federal, os tipos são vários. A poucos metros, um trailler da PM, que mais parece peça de decoração, onde dois policiais com uma viatura assistem a tudo sem se mover, não tomam nenhuma providência, não buscam contato, nada, para deter o atirador em fuga. A bala que o atingiu, de tipo especial, entrou pelo ombro, bateu numa costela e desceu para se alojar na coluna, mas em seu trajeto perfurou o pulmão e fragmentos alcançaram uma vértebra, causando imediata paraplegia. A placa repassada pelos policiais militares é fria ou foi anotada errada.

Segundo a ironia amargurada de um amigo comum, enquanto a viatura “escoltava” o Celta rumo ao hospital, dirigido pelo transeunte que prestou socorro e onde Flávio se encontrava, colocado sentado na poltrona do carona, o motorista da L 200 escapava tranqüilamente do flagrante. Os policiais não tiveram sequer cuidado com a vítima, que perdeu os movimentos nos membros inferiores assim que levou o tiro e necessitava de cuidados na remoção. Agiram sempre da forma mais anti-profissional possível. A tragédia se completaria uma semana depois, quando complicações agravadas pela péssima estrutura médico-hospitalar do Aliança, para onde havia sido transferido ainda no dia da ocorrência, levaram à sua morte.

Na sucessão de casos em que vamos afundando, o medo se impõe como marca do cotidiano. Não importa mais se é dia ou noite, local aberto ou fechado, nas calçadas ou nos veículos, qualquer um se acha no direito de constranger, fazer o que quiser e resolver tudo à bala. O assassinato como forma de prevalecimento da vontade. A arma servindo de diferencial básico na relação social. O covarde que atirou em Flávio comunga dessa convicção, a de ser o infrator, criar a situação de conflito e resolvê-la com a eliminação do oponente. Ao apontar a pistola do alto da camionete, ele teve a opção de atirar ou não, e o fez friamente. Deve estar acostumado a matar. No caos que se aprofunda na segurança pública do estado, este é mais um caso explosivo, onde um possível agente da segurança torna-se agente da guerra. Pode ser apenas suposição. Mas esta é uma pergunta que a Secretaria de Segurança precisa responder rapidamente: Quem matou o professor Flávio Pereira?

*Professor do Departamento de Sociologia e Antropologia da UFMA

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Carta denúncia

Vidas interrompidas. Até quando fecharemos os olhos?

Flávio Pereira da Silva, 37 anos, antropólogo, era professor de Sociologia do UNICEUMA. No início da graduação do Curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão trabalhou como operário da Alumar. Depois, dedicou-se apenas aos estudos, sendo bolsista de Iniciação Científica e envolvendo-se, precocemente, com as atividades de pesquisa. Já formado, foi professor substituto na UFMA mais de uma vez. Foi aluno do Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais e participou de pesquisas e de trabalhos aplicados junto aos remanescentes de quilombos e às quebradeiras de coco babaçu do Maranhão.

Era um profissinal íntegro e sério, colocando seu conhecimento a serviço das instituições que atuam no combate à violência e em prol dos direitos humanos. Mas lamentavelmente no dia 1º de agosto teve sua trajetória interrompida e tornou-se mais uma vítima da violência no país.

Naquele dia, Flávio saiu de sua casa rumo à UFMA, aproximadamente às 8 horas da manhã. Parou em um semáforo, nas proximidades do Retorno da Forquilha. O motorista de uma L200 azul metálico buzinou forte, reclamando passagem, ainda que o sinal estivesse vermelho e obrigasse Flávio e parar o seu Corsa. No semáforo seguinte a cena se repetiu. Desta feita, o motorista da L200 bateu propositalmente na traseira do Corsa de Flávio, momento em que este saiu do seu carro e ambos discutiram. O motorista da L200, um homem que usava paletó, já de dentro de seu automóvel, sacou de um coldre uma pistola e atingiu Flávio no ombro direito. O projétil perfurou o pulmão e fez uma curva, penetrando na medula. Flávio sofreu no hospital durante sete dias, correu risco de ficar paraplégico, vindo a falecer na madrugada do dia 7 de agosto.

O incidente ocorreu em frente ao quiosque da Polícia Militar, no retorno da Forquilha. Os policiais assistiram a tudo, sem tomar nenhuma providência para prender o assassino em flagrante, o que poderia ter sido feito, já que o trânsito estava lento e testemunhas dão conta de que a L200 saiu normalmente pela avenida Jerônimo de Albuquerque, após o ocorrido. Os policiais socorreram Flávio, levando-o ao Socorrão, mas nada fizeram para tentar, de alguma forma, interceptar o carro e prender o atirador em flagrante.

Diante da violência que originou esta tragédia, nós, professores do Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais e do Departamento de Sociologia e Antropologia, professores do UNICEUMA e demais signatários desta, vimos de público denunciar mais este ato de violência. Exigimos providências das autoridades responsáveis pela segurança pública deste Estado no sentido de investigar o caso, identificar o motorista da L 200, para que ele possa responder pelo crime praticado, evitando dessa forma mais um ato de impunidade que vem estimulando práticas violentas como essas.

Denunciamos a omissão da Polícia Militar que poderia ter sido mais competente, não apenas socorrendo a vítima, como também procedendo a diligências para capturar o motorista foragido. Omissões desse gênero só incentivam aqueles que se sentem com licença para matar. Qualquer um de nós poderia ser a vítima desse caso e é inadmissível que as autoridades fechem os olhos e banalizem atos como esses que a cada dia interrompem vidas inocentes.

São Luís, 12 de agosto de 2007

Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais da UFMA

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as missas de sétimo dia: a de flávio pereira da silva é hoje, às 17h30min, na igreja da sé (são luís/ma); a de antonio viana, amanhã, às 19h, na igreja da matriz (rosário/ma).

toca raul!

o título deste post é dos gritos mais chatos de se ouvir em barzinho(s). e é dos mais ouvidos, principalmente em apresentações de wilson zara, dada sua semelhança com o músico baiano.

aos raulmaníacos, anualmente zara oferece seu tributo a raul seixas, cuja edição 2007 acontece dia 21 (terça-feira), às 21h, no circo cultural da cidade (aterro do bacanga, ao lado do terminal de integração da praia grande).

os ingressos já estão à venda em diversos pontos da ilha e podem ser comprados antecipadamente (até o dia 20/8/2007) por r$ 5,00 (na hora e no local: r$ 10,00).

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[pausa: abaixo, a lista dos locais de venda de ingressos]

gil som eletrônica
rua da paz, 417, centro, 3231-6080

poeme-se
rua joão gualberto, 52, praia grande, 3232-4068

barraca do henrique
avenida litorânea, calhau, 3233-6308

landruá
avenida litorânea, calhau, 3233-6781

banca do calhau
avenida dos holandeses, barramar, 3248-6671

zenite material de construção
avenida contorno norte, 57, cohatrac iii, 3238-1050

m&m music eletrônica
avenida joão pessoa, 192a, joão paulo, 3243-7354

[fim da pausa]

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o primeiro que comentar aí, leva, sem sorteio, um par de ingressos para o show.

parada

rita ribeiro não vem mais (será “substituída” por tereza canto), e eu não vou à 4ª. parada da diversidade sexual, que acontece amanhã, na avenida litorânea (concentração às 14h).

dj à distância, com o que tinha em casa (jana mandou-me duas músicas por msn), fiz, a pedidos, uma trilha para a festa (que não sei se será usada): gravei uma cópia do disco banquete de mendigos (gracias, jô) e diversas outras músicas, que separei em três blocos: “protesto”, nacional e internacional. o resultado, cheio de ausências injustificáveis (fora o fato de eu não ter as músicas em casa, nada explica mesmo), presenças idem (aqui, o gosto pessoal talvez explique), falhas, enfim, e totalmente criticável, é o que se pode ler abaixo (música, intérprete):

pra não dizer que não falei das flores, geraldo vandré
apesar de você, chico buarque
oração latina, cláudio pinheiro e gabriel melônio
eu quero é botar meu bloco na rua, sérgio sampaio

(i can’t get no) satisfaction/a rainha da noite, cássia eller e edson cordeiro
maior abandonado, barão vermelho
eu sou neguinha?, caetano veloso
malandragem, cássia eller
bárbara, ângela roro
1965 (duas tribos), legião urbana
vá morar com o diabo, cássia eller
“vamo” comer, caetano veloso e luiz melodia
vida fácil, cazuza
fogueira, ângela roro
ai ai ai, vanessa da mata
meninos e meninas, legião urbana
preconceito, cazuza
totalmente demais, caetano veloso
não me deixe só [remix], vanessa da mata
paula e bebeto, milton nascimento
totalmente demais, hanoi hanoi
homens, manu chao
todo amor que houver nessa vida, caetano veloso

take on me, a-ha
light my fire, the doors
this charming man, the smiths
wild world, cat stevens
touchy, a-ha
ask, the smiths
i will survive, cake
lovefool, the cardigans
every little thing she does is magic, the police
perhaps, perhaps, perhaps, cake
the boy with the thorn in his side, the smiths
every breath you take, the police
panic, the smiths
goodbye stranger, supertramp

on tour

um dia, na aula de cine-vídeo, colombo passou um pedaço desse filme aqui. depois, na aula de política mundial contemporânea, paulo rios passou este mesmo filme completo. poucos dias depois, lendo o blogue do jotabê medeiros, descobri este texto e escrevi este post. bom, relendo o que escrevi, à época, vi que as coisas não se deram exatamente nessa ordem. detalhes…

ontem, na music play, com os já famosos 60% de desconto, comprei por apenas r$ 11,96, este ao vivo do yann tiersen. é lindo!

19, 20 e 21

(ou: contagem progressiva)

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tudo hoje, sexta-feira, 27 de julho de 2007, na ilha.

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19h: beto nicácio lança a revista em quadrinhos “a lenda da carruagem de ana jansen“, na galeria do sesc deodoro. abaixo, a capa, para que os poucos-mas-fiéis leitores deste blogue tenham uma (mínima) idéia do que é o (sempre) ótimo trabalho do beto.

o projeto foi um dos selecionados na mais recente edição do programa bnb de cultura.

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20h: lúcia santos autografa “uma gueixa para bashô“, durante a programação do aniversário de 34 anos do museu histórico e artístico do maranhão (mham). abaixo, em itálico, dois dos hai-kais do livro, dividido em quatro estações, as do ano:

em tua mão destra
meu violino só
vira orquestra

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uma trepada em vão
melhor que nada
pior que a solidão

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21h: uma linda quase mulher, com a trupe da companhia deixa de bobagem, no teatro arthur azevedo. sessões também amanhã (no mesmo horário) e domingo (às 19h). ingressos entre r$ 15 e 25.

mulheres de a a z

essa saiu no tribuna do nordeste, hoje.

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Harém literário

Escritor paulista homenageia mulheres em livro de estréia. Obra será lançada hoje em São Luís.

por Zema Ribeiro*
Especial para o Tribuna do Nordeste


[o escritor paulista otto augusto sievert lança “mulheres de a a z”, hoje, na livraria poeme-se. foto: divulgação]

Apesar de “Mulheres de A a Z” [Viveiros de Castro/7Letras, 2007, 125 páginas, R$ 12,00] desnudar-se (quiçá como uma das personagens do livro) logo no título, não pensem que não é necessário lê-lo. Sim, são 26 mulheres, de a a z, longe de uma agendinha – do autor, no caso – de quantas “eu já comi”.

Otto Augusto Sievert estréia aos 51 anos e trilha a contramão do que se vê por aí: não é precoce e, antes de interessar-se por literatura (mesmo enquanto leitor), gostava mesmo era de matemática. O paulista é funcionário da usina hidrelétrica Henry Borden – lá, mais um contato com as letras: é ele quem edita o informativo semanal da empresa.

A bem escrita estréia se dá com um tema bastante difícil: os universos femininos, melhor falar no plural. Fábulas sem moral, que é melhor ter nenhuma que ter as falsas.

São 26 contos que podem seguir a ordem alfabética proposta no livro ou podem ser lidos ao acaso. A emoção é garantida, faça o que o leitor fizer – a não ser que não faça/leia. Cartas, e-mails, a mulher independente que quer transar sem compromisso, a filha única que vai casar, um bebê que se comunica com o mundo mesmo antes de nascer, a que termina o relacionamento por que este é perfeito demais, a que começou a bater no marido, a que goza no ônibus, esfregando-se em um homem, dama do lotação às avessas; de Ana a Zélia, passando por Cristina, Gabriela, Júlia, Paula, Sara e Xênia; mulheres, emoções.

Nesta quinta-feira, 26 (coincidência ou não), Otto Augusto Sievert lança “Mulheres de A a Z” em São Luís. A noite de autógrafos acontece na Livraria Poeme-se (Rua do Sol, 451, Centro), às 19h. Sobre o trabalho, Zema Ribeiro conversou com o escritor. Confira abaixo.


[“mulheres de a a z”. foto: reprodução]

Entrevista: Otto Augusto Sievert

Zema Ribeiro – As pessoas ainda têm uma imagem de escritores que vivem para a literatura, enfurnados, criando grandes obras, ao contrário do que acontece quase sempre, na verdade. Como é conciliar o trabalho em uma usina hidrelétrica com o ofício de escritor?

Otto Augusto Sievert – É, realmente, escrever é solitário e muitas vezes angustiante. Quanto a conciliar o meu trabalho com a criação do livro não foi tão simples, justamente por serem atividades bem diversas. Mas quando a gente se propõe a fazer algo, tudo o que chega é lucro. Então eu ia tirando histórias de tudo o que acontecia. O dia a dia, em qualquer setor, te fornece muito assunto. Poso até dizer que, em algumas circunstâncias, eu trabalhar na Usina colaborou bastante para a criação da obra.

ZR – “Mulheres de A a Z” é teu primeiro livro e traz contos bem humorados. Quais as tuas intenções ao escrevê-los?

OAS – A intenção inicial sempre foi fazer uma homenagem às mulheres. A questão do bom humor é simples: as mulheres com que convivo têm grande presença de espírito. E o humor com que elas encaram as situações do cotidiano foram uma das fontes de inspiração para eu escrever o livro.

ZR – O livro não é uma listinha de “mulheres que já comi” ou algo parecido, mesmo sendo ficção. Em nenhum momento houve certo receio de uma confusão com o título?

OAS – Na verdade, o título dá esta sensação mesmo, de fazer parecer que é uma lista de mulheres “comidas” [risos], o que não é verdade, diga-se de passagem. Ele foi concebido junto com a formatação do livro. Nasceu antes dos contos, até. Posso dizer que o título orientou a formatação. No meio do percurso eu cheguei até a pensar em outro nome. Mas o que vingou mesmo foi o [Mulheres de] A a Z. E se já houve confusão? Com certeza, houve. Uma amiga minha, muito íntima, recusou-se a lê-lo. De ciúmes, pode? [risos]

ZR – Qual a tua relação com a Ilha de São Luís, onde agora lanças “Mulheres de A a Z”?

OAS – Comecei a escrever o livro logo depois de conhecer a minha namorada, a Maristela, que é daqui. A nossa convivência me fez conhecer muitos maranhenses que moram em São Paulo. E como o livro traz fragmentos de observações que faço das mulheres ao meu redor, com certeza tem muito de Maranhão no livro. O conto “Gabriela”, por exemplo, foi uma homenagem ao [jornalista e poeta maranhense radicado em São Paulo] Celso Borges e a Andréa Oliveira [esposa de Celso, responsável pela edição do livro], que na época estava grávida de Clarisse. Um dia eu fui a uma festa na casa deles e os dois passavam uma energia tão boa com aquela gravidez que fiquei imaginando se a criança, mesmo antes de nascer, já não estava curtindo os pais. E muitas situações do livro foram inspiradas por outras maranhenses paulistas. Tem mais: Andréa fez a edição e Cláudio Lima [designer e cantor maranhense] fez a capa. Portanto é um livro quase maranhense [risos].

ZR – Outros lançamentos já aconteceram, em outras cidades? Vão acontecer?

OAS – O livro já foi lançado em minha cidade, Cubatão, e no centro de São Paulo, na Rua Augusta. Ocorre que eu perdi a minha mãe em julho do ano passado, tive que assumir o inventário, e toda aquela burocracia. Isso me absorveu bastante. Pra complicar, em novembro eu fiz uma operação na perna, para trocar a prótese, sou meio biônico. Isso fez com que eu parasse um pouco com a promoção do livro. Mas agora estou voltando, muito provavelmente vou lançá-lo em Curitiba antes do fim do ano.

ZR – 26 mulheres, frutos da tua imaginação, compõem a paisagem do primeiro trabalho. Quais os teus projetos futuros? Tendo começado tarde, já pegou gosto pela coisa?

OAS – Eu sempre gostei de ler bastante, e isso me fez cometer a ousadia de escrever e publicar um livro. Olha, depois de a gente sentir este prazer, este é um caminho sem retorno. É maravilhoso, tenho vivido emoções que nem imaginava que existissem. O próximo projeto terá o nome de “Contos do dia primeiro”. É a primeira vez que falo sobre isso. E vai ser sobre mulheres, com certeza. Já o tenho idealizado. Quem sabe eu não venha lançá-lo aqui no Maranhão, também?

*Zema Ribeiro escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

Serviço

O quê: Noite de autógrafos de “Mulheres de A a Z“.
Quem: o escritor paulista Otto Augusto Sievert.
Quando: hoje, às 19h.
Onde: Livraria Poeme-se (Rua do Sol, 451, Centro).
Quanto: Entrada franca. O livro custa R$ 12,00.

hoje e amanhã

hoje

as bandas jungle surfers e pedra polida se apresentam no chez moi (praça da faustina, praia grande), às 20h.

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amanhã

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nota: todo mundo já deve estar sabendo, mas… a apresentação das bandas negoka’apor e clãnordestino, prevista para a quinta-feira (26), na faustina, foi cancelada por motivo de força maior. novidades, avisamos por aqui.

canções para o domingo e a semana inteira


[pedro venâncio (guitarra e voz), eduardo monteiro, o duduca (contrabaixo e vocal) e andré grolli (bateria e vocal): a tal pedra polida]

então, hoje é domingo, cê não tá fazendo nada, perdido, navegando na internet, sem saber pra onde ir, hein?

aproveite o dia de hoje para descansar, que a semana será atribulada: shows da jungle surfers, pedra polida (foto), negoka’apor, clãnordestino, ii temporada de uma linda quase mulher, lançamentos dos livros de lúcia santos (uma gueixa pra bashô) e otto augusto sievert (mulheres de a a z), enfim, não será por falta de programação que você vai ficar aí zanzando entre o msn, o orkut e o e-mail, fazendo biquinho e dizendo que “não acontece nada nesta ilha”.

sobre toda essa programação aí, e mais um pouco, este blogue avisará durante a semana. fiquem ligados!

mas enquanto a semana não chega, de verdade, vale visitar o mais novo link da coluna à direita: pedra polida. lá é possível ouvir quatro canções da banda, muito boa, por sinal, a banda, muito boas, as canções. e você pode ouvir enquanto zanza entre o orkut, o msn, o e-mail…

gabriela, 40 anos

atendemos ao pedido que o leitor cesar cordaro fez aqui. abaixo, a letra de gabriela, frevo de chico maranhão gravado por ele no disco batizado pela música em 1974; antes, em 1967, o mpb-4 defendia gabriela no iii festival de música popular brasileira da tv record, há 40 anos, pois. pergunta que não quer calar, nunca: quando é que a obra de chico maranhão chegará ao cd?

peguei a letra abaixo ouvindo o disco; qualquer erro, será fruto de defeitos de minha audição.

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gabriela
(chico maranhão)

atravessei o mar
a remo e a vela
fiz guerra e em terra
montei a cavalo
e em pelo de sela
cruzei as florestas, montanhas e serras
a lua sorria, eu sorri com ela
quando corria, eu corria dela
pulei cancelas, pulei quintais
deixei donzelas e tudo mais
quantas janelas ficaram atrás
só pra te ver gabriela
só pra te ver gabriela

joaninha ficou chorando
dizendo meu bem não vá
com medo acabou ficando
pois não quis acreditar
que eu vinha só pra te ver gabriela
só pra te ver gabriela
que eu vinha só pra te ver gabriela
só pra te ver gabriela

dançando meu frevo quente
na roda que vai a frente
chamando a toda gente
o padre, o juiz, o incompetente
os outros civis junto com o tenente
o mal e o bem, qualquer um eu descrevo
daçando o frevo contigo também
lá-iá-lá-iá
daçando o frevo contigo também
lá-iá-lá-iá

que eu vinha só pra te ver gabriela
só pra te ver gabriela

do bispo

gisele brasil achou o clipe em questão (vocês lerão, lá) postado no youtube ainda ano passado. para mim e mais uma turma, é novidade: o meu amigo xico sá (fineza ler isso imaginando a entonação usada por roberto carlos para saudar o seu amigo erasmo) dançando com (aqui, força de expressão) sidney magal, ídolo da adolescência de minha mãe.

seguinte: toda sexta, um convidado, hoje sou eu, no blogue do bispo. não percam! quem não quiser ler o texto, vá direto ao clipe, ao final do mesmo. este sim, vale a pena.

e até daqui a pouco, na faustina e arredores.

até sexta, as inscrições

penduro abaixo, e-mail que recebi do ramon bezerra. aos estudantes aptos que lêem este blogue, atentem e participem!

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———- Forwarded message ———-
From: Ramon Bezerra ramonbz_ma@yahoo.com.br
Date: 17/07/2007 09:31
Subject: Inscrições para o curso Comunicação e Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes terminam sexta-feira
To: zemaribeiro@gmail.com

Inscrições para o curso “Comunicação e Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes” terminam sexta-feira

O Curso faz parte do projeto “Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes: Difundir para respeitar”

Com o intuito de construir estratégias de formação e capacitação de jovens comunicadores em direitos humanos de crianças e adolescentes, a Agência de Notícias da Infância Matraca, promove no período de 30 de julho a 27 de setembro o curso “Comunicação e Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes”. O curso é gratuito e destinado a estudantes de Comunicação Social a partir do 4º. período. As inscrições podem ser feitas no período de 10 a 20 de julho, na Agência Matraca (Rua Isaac Martins, 63-A, Centro), no horário das 8h às 18h.

As vagas são limitadas. No ato da inscrição os estudantes devem apresentar o histórico escolar, ou comprovante de matrícula.

O curso é uma das atividades do projeto “Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes – Difundir para respeitar” e tem por objetivo proporcionar a estudantes de comunicação, contato com temas que pouco são tratados pela universidade, mas que são essenciais para a formação do comunicador.

A aula inaugural do curso “Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes” será aberta ao público e acontecerá no dia 24 de julho, às 19h, no Auditório do Centro de Criatividade Odylo Costa, filho e será ministrada pelo professor Juan Diaz Bordenave, autor de “O que é comunicação” e “Além dos meios e mensagens”.

As atividades serão realizadas três vezes por semana (segunda, quarta e sexta), das 8h30min às 10h30min, na sede da Agência Matraca. Ao final, cada estudante deverá produzir um artigo sobre os temas abordados no curso. Após essa etapa, haverá a continuidade com a participação em um estágio remunerado durante três meses, de segunda a sexta, em uma organização não-governamental que atue em defesa dos direitos de crianças e adolescentes. Esse estágio tem como objetivo contribuir com o desenvolvimento institucional das organizações, desenvolvendo com elas seus planos de comunicação.

O projeto “Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes – Difundir para respeitar” é uma parceria da Agência de Notícias da Infância Matraca com o Instituto Oi Futuro, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e conta com o apoio da Secretaria de Estado Extraordinária de Direitos Humanos do Maranhão.

O projeto tem como objetivo maior mobilizar várias categorias de comunicadores, entre estudantes, professores e profissionais, para a promoção dos direitos humanos de crianças e adolescentes.

O curso “Comunicação e Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes” é uma das atividades em comemoração aos cinco anos da Agência de Notícias da Infância Matraca.

O conteúdo programático do Curso é: Introdução aos Direitos Humanos; Sistema Internacional de Direitos Humanos; A Comunicação como direito humano; Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes; ECA e Sistema de Garantia de Direitos; Temas importantes: Trabalho infantil, Violência, Medidas Sócio-educativas, Situação de rua; Gênero e etnia; Campo de Trabalho; Mobilização Social; Cobertura Positiva; Plano de Comunicação.

Mais Informações:

Agência de Notícias da Infância Matraca
Endereço: Rua Isaac Martins, 63-A, Centro – São Luís
Fone: (98) 3254 0210
E-mail: noticias@matraca.org.br

Serviço:

O quê: Curso “Comunicação e Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes”
Público-alvo: Estudantes dos Cursos de Comunicação Social, a partir do 4º. período.
Inscrições: De 10 a 20 de julho na Agência de Notícias da Infância Matraca.

a terceira sessão

eis o filme que entra em cartaz amanhã, no cine praia grande. os 12 trabalhos e a sinopse e maiores informações você pega aqui. sessões às 18h30min e 20h30min. ingressos: r$ 4,00 e r$ 2,00 (para estudantes com carteira; aos domingos, r$ 1,00 para todos).
a terceira sessão, na verdade, é a primeira: wood & stock, às 16h30min, pelos mesmos preços.