aquecimento "global"
quando ronald silva robson escreveu este post em seu blogue, fiz o comentário que segue abaixo, em itálico:
calma, ronald(o) silva robson. ou em breve arrependa-se do que escreveu. não me acho mentiroso nem otário, nem quero crer ter frações de mim que façam jus aos adjetivos. abraço!
recebi, como resposta, o também em itálico abaixo:
zema, nunca escrevi nada bom o suficiente para que me arrependa. já se tu queres ser otário ou não, não tenho nada com isso. abraço.
o garoto me parece um daqueles adolescentes que inspiraram tom zé a fazer danç-eh-sa, seu novo disco: desiludidos, não-solidários etc. ou sou eu que sou um “tolo” que acredita em temas “utópicos” como direitos humanos, solidariedade, justiça, fraternidade e similares.
o fato é que de uns “dois” dias para cá o tema tem me chegado com mais freqüência aos olhos/ouvidos. e minha curtíssima paciência está esgotando.
e ela acaba quando eu vejo a globo, em novela das oito, fazendo merchandising para os perigos do aquecimento global.
aquecimento “global”
quando ronald silva robson escreveu este post em seu blogue, fiz o comentário que segue abaixo, em itálico:
calma, ronald(o) silva robson. ou em breve arrependa-se do que escreveu. não me acho mentiroso nem otário, nem quero crer ter frações de mim que façam jus aos adjetivos. abraço!
recebi, como resposta, o também em itálico abaixo:
zema, nunca escrevi nada bom o suficiente para que me arrependa. já se tu queres ser otário ou não, não tenho nada com isso. abraço.
o garoto me parece um daqueles adolescentes que inspiraram tom zé a fazer danç-eh-sa, seu novo disco: desiludidos, não-solidários etc. ou sou eu que sou um “tolo” que acredita em temas “utópicos” como direitos humanos, solidariedade, justiça, fraternidade e similares.
o fato é que de uns “dois” dias para cá o tema tem me chegado com mais freqüência aos olhos/ouvidos. e minha curtíssima paciência está esgotando.
e ela acaba quando eu vejo a globo, em novela das oito, fazendo merchandising para os perigos do aquecimento global.
convites (cartazes) no muro

[arte: ricardo santos]
[arte: beto gomez]
@
colo os dois cartazes acima — massas!, diga-se — no muro deste blogue. eles anunciam shows da pedra polida e outras bandas: sexta-feira (13), com a zero @ 25 e a lenda s. a., no chez moi, às 22h, r$ 10,00 (metade para estudantes); sábado (14), com a o soro da baladeira, no anfiteatro do odylo costa, filho, às 19h30min, grátis.
a pedido da turma da pedra polida, escrevi o release-fuleiragem abaixo, que fala (in)diretamente do show de sábado. ficam aqui os convites deste blogueiro aos seus poucos-mas-fiéis leitores para ambas as apresentações.
@
pedra que rola não cria limo, diz o dito popular. on the road, like a rolling stone. pedra polida, seixo bonito, na mão, um jogo de maria um, na testa, é sangue descendo. se o soro da baladeira não for bem esticadinho, pode acontecer um acidente; mas risco é pra se correr e quem ‘tá na chuva é pra se queimar, né não?. puxou pra trás, firmou a pedra, soltou, lá vai, ‘bóra em frente!, sigam-me os bons. de matar passarinho tédio quando as duas se juntam. podemos dizer, (pronúncia ambígua proposital) de ambas: diversão garantida. sem a possibilidade de seu dinheiro de volta, já que o show é “de grátis”. (zema ribeiro)
contradição

[foto: ramarys. clica para ampliar]
a foto em p&b para garantir um clima mais “cinematográfico”, seja lá o que isso for, segundo seu autor, o ramarys.
era um sábado. da esquerda para a direita: “corintiano” (não lhe sei o nome de batismo, tradicionalíssimo feirante da praia grande, grande figura!), o cabra que fez o papel de “ladrão” no curta (não lembro seu nome), o blogueiro (que fez uma participação no curta em edição, tomando cerveja, um papel bastante natural), kelly campos (colega de aula), a sobrinha de corintiano (não lembro seu nome e não garanto a certeza da informação de parentesco que dou agora) e luana camargo (também colega de aula).
o filme surgiu em sala de aula: colombo pediu uns roteiros e eu contei uns tantos assaltos sofridos e outros alunos foram lembrando de outros assaltos e pensou-se numa série. a idéia era inscrever o material no guarnicê. nada foi feito. nada ficou pronto.
só se rodou o “assalto mui amigo”, da foto acima. mas a montagem nunca saiu do lugar. adriana (outra colega de aula) me garantiu que fica pronto semestre que vem (aliás, este, que já estamos em julho): vai aqui uma satisfação para a dona do boteco na cândido ribeiro (ou das crioulas, se você preferir, as ruas aqui têm dois nomes, ‘cês sabem), onde o filme foi rodado. detalhe: ela com certeza não (me) lê (aqui n)o blogue, a dona do boteco (portanto, continua insatisfeita, isto é, sem satisfação nenhuma).
estou alegre na foto, como tenho buscado estar/ser sempre. às vezes é impossível, ‘cês entendem. mas fiquei triste “que só”, com as notícias das subidas de josé agrippino de paula e rafa (da mombojó).
puxe uma cadeira!
todo mundo já ouviu falar do tulípio, né? o personagem de eduardo rodrigues (textos) e paulo stocker (ilustrações) intitula uma revista de boteco que chega ao quinto número, circulando por bares, botecos e similares em são paulo, rio de janeiro e… belém. sim, nossa vizinha belém é o mais novo espaço tulípico. alô, cervejarias, bares, botecos, consumidores ludovicenses, enfim: todos os envolvidos na cadeia produtiva e consumidora de cerveja e álcoois em geral. perguntinha: não é hora de trazermos tulípio para uma visitinha? se ele visitar, certamente ficará por aqui (também).
mas, deixemos o blá blá blá de lado e, como diria adoniran barbosa em um antiguíssimo comercial de cerveja: “nós viemos aqui para beber ou para conversar?”
tou até meio acanhado, que sou o menino no meio só de feras (“deus nos dê fígado, pois temos um planeta inteiro pela frente”, canta a turma do mundo livre s/a, outros bons de copo), mas já não dizia augusto dos anjos que “o homem, que, nesta terra miserável, mora, entre feras, sente inevitável necessidade de também ser fera”?: marcelo montenegro, andré sant’anna, xico sá, andréa del fuego, douglas diegues, ivana arruda leite, gabriela kimura etc., etc., etc. pelo boteco andam também nomes como aldir blanc e jaguar, para citar apenas estes e eu ficar menos envergonhado, se é que isso é possível.
repito a adorável pergunta-mantra adonirânica: “nós viemos aqui para beber ou para conversar?”
o boteco do tulípio fica aqui. entre, puxe uma cadeira, sente-se. ali é a mesa onde sento (na verdade, eu sento numa das cadeiras). o prazer é todo nosso! um brinde! garçom, mais uma!
a noite
[cartaz de divulgação do(s) show(s); clica para ampliar]
Emanuel de Jesus no “Casa Cheia”
Em fase de gravação de seu primeiro disco, músico bacabalense se apresentará nas três primeiras quartas-feiras de julho.
por Zema Ribeiro
da Editoria de Cultura
O objetivo batiza o projeto e o Casa Cheia leva bons espetáculos musicais e teatrais ao palco do Teatro Alcione Nazaré, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande.
O músico bacabalense Emanuel de Jesus é o próximo nome a se apresentar no projeto. Durante as três próximas quartas-feiras, ele mostra o que há de melhor na música maranhense, interpretando sucessos de Zeca Baleiro, João do Vale, César Nascimento e Santacruz, entre outros. Ele mostra também composições próprias, a exemplo de “Canção pra morena” e “Mapa astral”.
Emanuel (violão) será acompanhado de banda formada pelos músicos George Gomes (bateria), Marcelo Rebelo (teclado), Carlos Piau (percussão) e Iran Nascimento (contrabaixo). A direção musical é de Norlan Lima. A cada quarta-feira, o artista terá participações especiais diferentes, incluindo sempre um artista de sua cidade natal, Bacabal (confira detalhes na Agenda Cultural, ao pé desta página).
Histórico – Emanuel de Jesus estreou artisticamente em 1999, no espetáculo “O auto do Mearim”, da Cia. Curupira de Artes Cênicas e Folclóricas. Conquistou prêmios em festivais como o Canta Mearim (1999) e UniReggae (2004, 2005). Foi gestor de cultura em Bacabal e contribuiu para a realização de diversos projetos culturais. Está gravando seu disco de estréia.
Serviço
O quê: Projeto Casa Cheia
Quem: Emanuel de Jesus e banda
Onde: Teatro Alcione Nazaré, Centro de Criatividade Odylo Costa, filho (Praia Grande)
Quando: 4, 11 e 18 de julho, com participações especiais (veja Agenda Cultural).Quanto: os ingressos custam R$ 6,00 (estudantes com carteira pagam metade).
@
a nota da agenda cultural do jornal, prometida durante o texto:
Projeto Casa Cheia – Com o músico bacabalense Emanuel de Jesus e várias participações especiais. Dias 4 (com participações de Beto Pereira, Mano Borges e Luana Magalhães), 11 (com Carol e Ana Tereza, Josias Sobrinho e Josué) e 18 de julho (com Tereza Cantu, Luis Guerreiro e Davi Faray), no Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande). Ingressos: R$ 6,00 (meia para estudantes com carteira).
@
quando a tarde acaba, vem o título deste post. com o texto acima (o outro, sobre este evento aqui, não foi publicado), despedi(ram)-me ontem do jornal a tarde.
um corte nos gastos atingiu (como sempre é de se esperar, não só no referido jornal), a página de cultura. soube depois que a “tesourada” havia pego pelo menos mais uma repórter.
o jornal continua circulando, eu continuo (não nele, mas continuo)…
cef
Ela se atrasou, mas ele já nem reclamava, acostumado. Quando chegou, ele olhava pelo vidro, de dentro da agência, absorto. Pensava em não-sei-o-quê. “O que foi, menino?”, ela perguntou, entre maternal e preocupada, se é que aqui estas palavras não são sinônimos e este texto redundante. Estava emocionado, era a verdade. Apesar do “menino” no tratamento que ela lhe dispensou, antes de ele levar a boca até sua bochecha e dar-lhe um beijo terno, era agora um adulto e estava bastante feliz com aquilo. Pensou imediatamente na canção do Roberto e resolveu não cantarolar, sabendo que ela o detestava. “Olha, você tem todas as coisas…”, ficou só no pensamento.
Passaram pela porta giratória com um detector de metais fajuto – ele não conseguia não acreditar que aquilo não fosse movido por puro preconceito. Era mágica: crianças entravam por um lado e saíam adultos do outro. E vice-versa. Saíram da “ante-sala” dos caixas eletrônicos. Subiram as escadas e entre uma dúvida e outra e um funcionário e outro, foram até bem atendidos. E rápido.
Ora crianças, ora adultos. Às vezes em dúvida, de repente ambas as coisas. Estava aberta a conta corrente para o débito das prestações do apartamento, comprado por um programa “imóvel na planta”. “A cabeça cheia de problemas”, calou-se de novo. O adulto tornara-se novamente um menino, transpirava felicidade. Certamente, preocupações percorriam-lhes os juízos. Mas a alegria e a felicidade eram maiores, se é que estas palavras também não têm os mesmos significados e o texto torne-se ainda pior, embora traduza os mais belos dos sentimentos. Aquele era o primeiro dia do resto de suas vidas, que queriam juntas para sempre.
dante no inferno entre o piauí e o maranhão
Inferno dantesco de Rubens Costa se passa nos calores infernais de Piauí e Maranhão.
por Zema Ribeiro
da Editoria de Cultura
Uma rede de corrupção, prostituição e escândalos outros envolvendo figurões da política, judiciário, imprensa e empresariado local. Paixões arrebatadoras, traições, conflitos em excesso. Ingredientes perfeitos para uma novela das oito, certo? Ou você acha que aqui a ficção se tornou realidade e/ou vice-versa, e/ou, ainda, se confunde com ela?
Estes são, na verdade, os ingredientes de “Dante no inferno” [Garamond, 2007, 120 páginas, R$ 26,00], romance do piauiense Rubens Costa, que se passa… no Piauí. E no Maranhão.
Enquanto o pai de Dante morre no hospital, o anti-herói protagonista – que leva esse nome por conta da vontade do moribundo em homenagear os filhos com os nomes de grandes poetas: Dante, seu irmão Virgílio – se ocupa entre os excessos com álcool, o excessivo calor teresinense, a amante (obviamente, mulher de um amigo seu), a ex-mulher, a filha adolescente (que acaba, de certa forma, vitimada por aquilo que Dante combate) e a luta aguerrida, com pouquíssimos parceiros, contra uma rede de prostituição em expansão no submundo da capital piauiense.
O erotismo – com classe, não o barato – passeia pelas páginas de “Dante no inferno” e apressadinhos e/ou desavisados podem confundir o livro, logo de cara, com outra coisa que não um romance policial genuinamente brasileiro, nordestino. Capítulos curtos, como um bom folhetim. Uma surpresa a cada página e a vontade de ser herói também e acompanhar cada passo de Dante, personagem muito em falta na vida real; na contramão, abundam corruptos e corruptores e, retirando-se o herói do romance, sabemos que esta história se repete sempre, e não só no Nordeste.
Que residam apenas na ficção infernos dantescos como esse. Ou que infernos dantescos assim tenham, na vida real, como na ficção, finais felizes para quem merece a felicidade. E que os merecedores de culpa tenham as devidas e cabíveis punições.
[para rir e/ou chorar, a gosto do freguês: no jornal a tarde de hoje, o texto acima saiu com o título “dante no inverno entre o piauí e o maranhão”; abaixo, outro textinho da edição de hoje]
@

[nelson rodrigues, o grande homenageado da flip 2007. foto: arquivo tv cultura]
FLIP chega à 4ª. edição
Festa Literária Internacional de Parati movimenta a histórica cidade carioca entre os dias 4 e 8 de julho.
Entre os dias 4 e 8 de julho acontece na histórica cidade de Parati, no Rio de Janeiro, a Festa Literária Internacional de Parati (FLIP), que este ano homenageia o gênio (de) Nelson Rodrigues.
Diversos nomes da literatura – e artes, em geral – brasileira e estrangeira estarão presentes em debates, palestras, mesas-redondas e oficinas, durante os dias de programação: o cantor e compositor Lobão (que recentemente lançou seu “Acústico MTV”), o historiador e jornalista Paulo César de Araújo (que recentemente teve seu livro “Roberto Carlos em detalhes” tirado de circulação por controversa decisão da justiça brasileira), o moçambicano Mia Couto (Prêmio da União Latina de Literaturas Românticas em 2007), o dramaturgo Mário Bortolotto (que sempre agita a cena teatral paulista e não só) e Paulo Lins (cujo “Cidade de Deus” [1997] inspirou o filme homônimo), entre outros.
A programação completa da FLIP pode ser conferida no site http://www.flip.org.br/ (ZR)
contras e prós do são joão
talvez eu ainda encare um último arraial logo mais. por enquanto, coisas que não gostei e coisas que gostei durante o são joão:
não gostei de
1. eliézio tocando o hino nacional e o tema da vitória (o “tam-tam-tam” dominical de quando ayrton senna vencia corridas).
2. ronald pinheiro interrompendo um show para que o tecladista (provavelmente atrasado) ligasse seu instrumento e, a partir daí, o show deixasse de prestar.
3. dança portuguesa (no singular mesmo: graças a deus, só vi uma).
4. dança do boiadeiro (idem, ibidem).
5. um boi de zabumba com a figura de roseana sarney no couro.
6. outro boi de zabumba cantando, em suas toadas, coisas como “no governo lula só deu corrupção”.
gostei de
1. cesar teixeira, indiscutivelmente (vi duas de suas três apresentações no período: as do desterro e do ceprama).
2. “a morte do boi desmiolado”, peça de cesar teixeira encenada pela cia. de artes santa ignorância. da próxima vez, leve seu(s) filho(a)(s), sobrinho(a)(s)…
3. o boi de rama santa, algo divino.
4. tião (carvalho) canta joão (do vale). vibração total (vi a apresentação na maria aragão, ontem, 30/6).
5. a tenda do forró, preenchendo os intervalos entre as atrações da praça maria aragão.
6. xaxados e perdidos e seu repertório genuinamente maranhense (vi a apresentação na praça da saudade, madre deus, ontem, 30/6).
7. não ficar, em nenhum arraial, refém de uma ou outra marca de cerveja e poder optar por uma ou outra marca que eu queria beber.
e você? gostou do quê? e desgostou do quê?
da véspera de são pedro
hoje é dia de são pedro, então, se eu não aparecer aqui no blogue até segunda-feira, os poucos-mas-fiéis leitores deste blogue já saberão o porquê.
abaixo, os dois textos que pendurei na tarde da véspera. o jornal só volta a circular no primeiro dia útil de julho.
@
Feira de Economia Solidária acontecerá em Vargem Grande
por Zema Ribeiro
da Editoria de Cultura
No próximo dia 25 de julho acontece, em Vargem Grande/MA, a I Feira Municipal de Economia Solidária e Agricultura Familiar, na Praça da Matriz. As atividades começam às 9h e seguem até 17h. Neste período, 17 grupos/comunidades comercializarão diversos produtos baseados nas perspectivas da Economia Popular Solidária.
Na feira poderão ser adquiridos produtos artesanais (bijuterias, bolsas etc.), agrícolas (farinha, feijão, macaxeira, fava etc.) e do extrativismo (mel de abelha, babaçu, andiroba etc.). Os 17 grupos solidários envolvidos integram o projeto Rede Mandioca, desenvolvido pela Cáritas Brasileira Regional Maranhão, que consta de uma articulação de entidades, cooperativas, associações e grupos produtivos formais e informais em torno da cultura da mandioca no Maranhão.
“Esta feira se constitui em um espaço importantíssimo para abrir a oportunidade de promoção de outras feiras, em outras cidades e regiões do Maranhão, pautadas nas perspectivas da economia popular solidária, uma alternativa de inserção de pequenos produtores em um mercado cuja lógica nos faz crer que só grandes produtores e grandes comerciantes têm vez. É também o início de uma prática de comercialização entre os produtores e o consumidor final, sem a figura do atravessador, cara a cara”, aponta Jaime Conrado, Assessor Técnico da Cáritas.
A I Feira Municipal de Economia Solidária e Agricultura Familiar de Vargem Grande tem promoção da Cáritas Brasileira Regional Maranhão (que na ocasião lançará cartilhas com o resultado de discussões travadas no município sobre a questão do combate ao trabalho escravo), Projeto Trilhas de Liberdade, Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Vargem Grande, Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas de Vargem Grande e Secretaria de Estado de Trabalho e Economia Solidária.
Maiores informações: (98) 3221-2216 (Jaime Conrado, Cáritas), 3461-1669 (Maria Helena, Vargem Grande) ou jaime@caritasma.org.br
@
No ar, a TV do Bispo
Ok, se você pensou em Edir Macedo (da Igreja Universal) ou em algum bispo da Igreja Católica, nós profanamente perdoamos você. A maioria dos entrevistados em um vídeo da TV do Bispo também se remete imediatamente a alguma dessas figuras. A câmera passeia entre ruas e gabinetes, e rostos incrédulos e opiniões idem, demonstram total desconhecimento da editora capitaneada por Pinky Wainer e Xico Sá, que já publicou obras deste [Catecismo de devoções intimidades e pornografias], de Paulo César Peréio [Por que se mete, porra?] e Jonathan Swift [Manual para fazer das crianças pobres churrasco], entre outros.
Atuando nos segmentos sexo, drogas, rock’n roll e religião, a Editora do Bispo lançou sua tevê, via Youtube, site de compartilhamento de vídeos recentemente vendido ao Google por US$ 1,65 bilhão.
Se você ainda não conhece as publicações Do Bispo, não perca tempo. Aperitivos: TV do Bispo, site da editora (onde o “Catecismo” pode ser baixado gratuitamente) e blogue. (ZR)
d’a tarde d’ontem
relendo o texto abaixo, achei-o meio confuso. tipo, eu não disse (nele) se o disco é bom ou não. é bom, sim. eu gostei bastante da idéia e do resultado. quando digo que é “incompleto”, é simplesmente por ser um recorte de 15 faixas num universo de mais de 70.
nem tudo que tenho publicado na tarde tem vindo reproduzido cá pro blogue.
de ontem (27), o texto abaixo, particularmente, perde uma foto de zeca (que, no impresso, junta-se à reprodução da capa do cd) e ganha detalhes (entre colchetes e em itálico).
leiam o texto, ouçam o disco. não necessariamente nessa ordem.
@
Os lados zês do Baleiro
Inusitada coletânea é o novo lançamento do cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro.
por Zema Ribeiro
da Editoria de Cultura
A graça de “Lado Z” [MZA, 2007, R$ 32,90, em média] reside em não se tratar de mera coletânea de grandes sucessos. Zeca Baleiro, sem dúvidas um dos maiores trabalhadores da música popular brasileira contemporânea, repesca em seu “baú de alheios”, diversas faixas que nunca entraram em discos seus, mas que contam com sua interpretação única.
São 15 faixas [veja listagem completa aqui] tiradas de discos de terceiros, parceiros, tributos, songbooks e lados-b (ou z?) que acabaram por não entrar em discos seus [ops, o vacilo da repetição]. O cd lembra um antigo disco de vinil, inclusive na cor preta. Um luxo!
Reúne, entre os compositores, nomes como Odair José [Eu, Você e a Praça], Waldick Soriano [Meu Coração Está de Luto], Lobão [Uma Delicada Forma de Calor], Martinho da Vila [Salve a Mulatada Brasileira], Vanessa Bumagny [Radiografia], João Bosco [Das Dores de Oratório], Moreira da Silva [Na Subida do Morro, parceria com Ribeiro Cunha], Sérgios Sampaio e Natureza [Roda Morta], Rolando Boldrin [Onde Anda Iolanda], Tom Zé [Menina Jesus], o português Sérgio Godinho [Coro das Velhas], além do próprio Zeca Baleiro [Não Tenho Tempo e Forró no Malagueta]. Lobão [na faixa de sua autoria], Jards Macalé [em Na Subida do Morro], Martinho da Vila [na faixa de sua autoria], Fagner [em Não Tenho Tempo], Tião Carvalho [em De Teresina a São Luís, parceria de João do Vale e Helena Gonzaga], Rolando Boldrin [na faixa de sua autoria], Vanessa Bumagny [idem], Forroçacana [em Forró no Malagueta] e Sérgio Godinho [na faixa de sua autoria] são os intérpretes que participam do disco, em que Zeca Baleiro é o convidado especial, se é que vocês me entendem. Baladas bregas (das antigas e atuais), música eletrônica, samba (inclusive de breque) e forró estão entre as vertentes por que Zeca e seu(s) time(s) passeiam com desenvoltura.
Como toda coletânea, “Lado Z” é incompleta [vide “explicação” pré-textual]. A seleção de repertório, assinada por Marco Mazzola, Rossana Decelso e pelo próprio Zeca, não deve ter sido fácil. Em dez anos de carreira (aqui contados a partir do lançamento de seu primeiro trabalho, “Por onde andará Stephen Fry?” em 1997), o maranhense já fez mais de 70 gravações fora de seus discos de carreira. Tomara que isso prenuncie o lançamento de um “Volume 2” num futuro breve.
batendo na(s) mesma(s) tecla(s)
este artigo inspirou-me este texto. josé teles, em sua coluna “toques“, no jornal do commercio, publicou, hoje (27), o que segue abaixo, que eu não poderia deixar de (re-)publicar aqui:
Forró não é para tirar pé do chão
Dois anos atrás vi Marinês no Sítio da Trindade, cantando para uma platéia apática. Achei que aquilo se devesse ao fato de Marinês ter feito sucesso nos anos 60 e a maioria do público ser formado por pessoas com menos de 30 anos. Ela desfiava uma série de clássicos, Peba na pimenta, Balanceiro da usina, Ouricuri, Pisa na fulô, Siriri sirirá, e o povo nem aí. Um ou outro casal arriscava um arrasta-pé. Este ano vi Dominguinhos, no mesmo Sítio da Trindade. Choveram aplausos quando ele apareceu no palco. Mas durante o show, novamente, pouquíssimos casais dançavam. E olha que Dominguinhos tem mais espaço na mídia do que o que se dedicava a Marinês em seus últimos anos de vida. Tenho sede, Só quero um xodó, Sala de reboco, participação de Jorge de Altinho, músicas de Luiz Gonzaga, e nada, o público permanecia apático.
A razão? Os mais jovens estão condicionados a só dançar se tiver um cantor/professor no palco, comandando a aeróbica. Sem um “Tira o pé do chão, Recife!”, “Quero ver os bracinhos no ar!”, ninguém se mexe. É preciso recondicionar o pessoal a responder a outros estímulos e distinguir música de qualidade de volume de som. É a síndrome da axé music. As bandas de fuleiragem music, as bandas de calypso e zouk do Pará valem-se dos mesmos artifícios das bandas baianas. Precisa o povo aprender, pois que forró não é para tirar o pé do chão. Pelo contrário, é para arrastar o pé no chão, na base da chinela!
José Teles
sobre liberdades e diversidades
a liberdade de expressão é um direito, e como tal, não deve ferir outro. até ler o artigo que cito no texto abaixo, não tinha parado para pensar nisso, ao menos não de forma mais séria e/ou profunda, sei lá. e pensar nisso só me fez aumentar o não gostar dessa “música” (?) a que chamam forró (gonzagas, jacksons, joões do vale e marineses devem remexer-se em seus túmulos). a música é ruim, as letras piores ainda. uma verdadeira desgraça, praga que se multiplica infinita e rapidamente, esgotos a céus e porta-malas abertos, com outros “malas” ao(s) volante(s).
não, não há aqui preconceitos (conceitos, eu diria que sim, mas isso é julgamento que não me cabe fazer) nem desrespeito à(s) diversidade(s) cultural(is).
o tema merece debate. sério, diga-se.
abaixo, nosso texto na tarde de ontem.
@
Liberdade de expressão tem limites
Liberdade de expressão em debate: um direito humano não pode violar outro.
por Zema Ribeiro
da Editoria de Cultura
O artigo “Expressões ilimitadas e liberdades tolhidas: um olhar crítico sobre a “liberdade de expressão””, assinado por Sheila Bezerra, mestra em Antropologia (UFPE), publicado na Revista do Terceiro Setor acende um debate interessante sobre a indústria “musical” brasileira e preconceitos por ela incitados.
Um dos sucessos do momento, em ônibus, esquinas e porta-malas abertos é “Bomba no Cabaré”, de um tremendo mau gosto – péssimo, eu diria. Trechos da letra: “jogaram uma bomba no cabaré / voou pra todo lado pedaço de mulher / foi tanto caco de puta pra todo lado” e tome aberrações a torto e a direito. E este é apenas um exemplo do que se ouve ininterruptamente por aí, dia após dia.
Sheila Bezerra diz em seu artigo: “A questão que se aborda aqui nesse espaço, não está mais na limitação ditatorial do que é pensado, mas, no seu extremo, aos abusos porque a liberdade de expressão vem passando e quais os caminhos a serem trilhados no combate aos mesmos, uma vez que direito à liberdade de expressão não pode ferir outros direitos humanos”.
A questão merece profundo debate, para além da clássica pergunta-faca de dois gumes: o povo tem que se contentar com as porcarias que as rádios tocam ou as rádios tocam porcarias para satisfazer o gosto popular? A questão é batida, sei. É necessário que se garanta o acesso do povo a obras de qualidade, entendendo a cultura como um direito humano fundamental, em vez de mera “mercadoria” – mercadoria, aqui, entre aspas, podendo ser entendida como o eufemismo dominical, também batido, sempre usado por Fausto Silva.
É questão complexa, obviamente [, repito]. Mas é urgente que comecemos uma mudança. E pensar sobre o tema já é um bom começo. Como nos diz Oscar Wilde em determinado trecho de “A alma do homem sob o socialismo” [L&PM Editores, R$ 9,90 em bancas de revista]: “A arte nunca deveria aspirar à popularidade, mas o público deve aspirar a se tornar artístico. Há nisso uma diferença muito ampla”. Nosso papel deve ser o de garantir essa aspiração ao público. E não ser entendido aqui, como mero preconceituoso.
pasquim, 2
enquanto ainda me delicio com o primeiro volume da antologia do pasquim (que ganhei de presente de aniversário no finalzinho do ano passado), a segunda já chega às livrarias. abaixo, a notinha que publiquei ontem (25) na página 5 do jornal a tarde:
Jornalivro*
Aguardado segundo volume da Antologia O Pasquim chega às livrarias.
A Editora Desiderata bota de novo o bloco na rua e o segundo volume da antologia “O Pasquim” [R$ 74,90] chega às livrarias. Com uma capa verde, esta edição abarca um número menor de edições que a primeira coletânea (que ia do número 1 ao 149; esta, do 150 ao 200).
A obra acabou por tornar-se um clássico, um best-seller nacional deste início de século. Mas como não ser um sucesso se o jornal era? Sem medo de errar, opinião endossada por inúmeros profissionais e apaixonados: O Pasquim foi o maior fenômeno do jornalismo brasileiro. Sem redação fixa, sem colunas fixas e sem muitos dos padrões jornalísticos conhecidos. O jornalista Xico Sá, dizia sobre o primeiro volume: “É desses livros que valem por uma faculdade inteira”. Opinião provavelmente mantida sobre o segundo volume.
Sobre o jornal, nos tempos áureos (foi reeditado como O Pasquim 21, já nos anos 2000), Nelson Rodrigues, um de nossos maiores cronistas, dizia que “parece parede de mictório”, cada um ia lá e escrevia o que queria. Era uma tentativa de colocar ordem no caos. Mas o caos prevaleceu, graças a Deus. Talvez seja exatamente a graça que (nos) falta no jornalismo brasileiro de hoje. (ZR)
[*na edição, o título acabou ficando Jornal Livro]




