13 de maio dia 10

no final das contas, na hora de gravar, a gente sempre acaba mexendo em uma ou outra palavra aqui ou ali. mas aí abaixo está, basicamente, o texto de minha fala na edição de 10 de maio do programa “etc. e tal“, com zina nicácio, na rádio univima.

*

alô, zina!, alô, ouvintes da rádio univima! aqui fala zema ribeiro e é um prazer estar com vocês no etc. e tal.

bom, a gente hoje fala sobre escravidão, que é um tema triste, e termina com música.

engana-se quem pensa que a escravidão realmente acabou com a abolição festejada e ensinada nas escolas no 13 de maio, quando em 1.888, a princesa isabel assinou a lei áurea.

a escravidão segue até hoje, inclusive de forma mais cruel que a que se perpetuou desde o descobrimento do brasil, e é uma vergonha para nós e para nosso país.

no último dia 8, por exemplo, uma ação do grupo móvel da delegacia regional do trabalho resgatou 74 trabalhadores escravos em fazendas nos municípios de alto alegre, são luiz gonzaga e são mateus, no interior do maranhão.

em 5 de maio, a cáritas brasileira regional maranhão realizou, em vargem grande, seminário cujo tema era “economia solidária combatendo o trabalho escravo no baixo parnaíba”, que contou com a participação de mais de 200 pessoas.

a gente torce e tenta fazer a nossa parte para que isso um dia chegue ao fim, de uma vez por todas.

agora mandamos um alô e felicidades para todas as mães pelo seu dia, embora todo dia seja dia das mães, e ouve “13 de maio“, do caetano veloso.

um grande abraço e até a próxima!

meros detalhes (nem tão pequenos assim)

antes um aviso: isso não é jornalismo!

dito isso, e é necessário dizer, já que não li o livro ainda, vamos ao que interessa, se é que o que interessa interessa a alguém (vocês entende(ra)m).

aperta aí o botão rewind.

começando de novo: este blogueiro ainda não tinha se pronunciado acerca do episódio que envolve roberto carlos, paulo césar de araújo (autor da biografia “roberto carlos em detalhes“) e a editora planeta, os dois últimos derrotados em ações que determinaram a apreensão de 11 mil exemplares do livro e ainda a retirada do comércio dos que estão (estavam) circulando.

nunca fui um fã “exemplar” do parceiro mais constante de erasmo carlos, como por exemplo minha vó, que à época do vinil, comprava seus lançamentos natal após natal. mas não vou negar que gosto de umas músicas dele, às vezes discos inteiros (da mesma forma que detesto umas músicas dele, às vezes discos inteiros).

quando soube do lançamento da biografia, logo soube da implicância do “rei”, alegando que a exposição e uso de sua intimidade deveriam ser exclusividade dele mesmo, algo do tipo “se um dia eu resolver escrever minha autobiografia” ou coisa que o valha.

processos começaram a rolar imediatamente (um contra o autor, outro contra a editora) e, por via das dúvidas, garanti logo meu exemplar. via das dúvidas, porra nenhuma! pensei (n)o seguinte: “vai que roberto carlos consegue ganhar e esse livro sai de circulação, vira obra raríssima e (re)vendo mais caro!”. é sério!: tanto é que comprei o livro ainda ano passado e nunca li; deixa eu ir ali fazer isso agora.

sobre a atitude de rc: acho uma tremenda bobagem, triste, triste… “rei”, deixa o súdito-biógrafo trabalhar/escrever…

se você não teve a mesma sorte (digo, de conseguir comprar o livro), baixe aqui.

o desastronauta

[jornal pequeno, jp turismo, primeira classe, hoje]

Retrato da literatura enquanto vida

Flávio Moreira da Costa integra time de brasileiros reeditados pela Agir.

por Zema Ribeiro*

Sobre o livro de Flávio Moreira da Costa, escreveu o argentino Júlio Cortázar, em carta ao autor brasileiro: “”O desastronauta[Agir, 2006, 235 páginas, R$ 34,90] é um título formidável”. Concordando, acrescento que o subtítulo também o é: “Ok, Jack Kerouac, nós estamos te esperando em Copacabana”, citando o beat-mor, autor com que a prosa caótica o anti-romance tupiniquim dialoga diretamente.

Um diário desordenado de Cláudio Crasso, bloco de anotações de um homem que constrói sua própria geografia, como o autor que deixa personagens – ele próprio, um deles – inconclusos e até mesmo indagações ao leitor, em meio ao processo de construção da obra. Colagens de obras alheias, poemas e até mesmo listas de livros, bem antes das top5 nickhornbyanas.

Esta edição comemorativa de 35 anos de publicação de “O desastronauta” ganha capítulos novos – que já estavam escritos à época – e uma revisão do autor, além de trazer posfácio de Dyonélio Machado e Wilson Coutinho e um apêndice com críticas publicadas sobre o livro, que inaugura a Trilogia do Espanto, continuada com “A perseguição (Eu vi a máfia de perto)” [Francisco Alves, 1973] e “As armas e os barões” [Imago, 1975].

Tempo de Agir – A Editora Agir tem dedicado espaço em seu catálogo para reedição de obras de qualidade da literatura brasileira de outrora: publicado pela primeira vez em 1971, “O desastronauta” é uma das obras de Flávio Moreira da Costa republicadas. Outro autor que tem tido destaque é Stanislaw Ponte Preta (o Sérgio Porto), cujas obras completas estão sendo relançadas.

*correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

10

o próximo “etc. e tal” vai ao ar dia 10, às 11h. para ouvir, basta acessar o site da rádio univima e clicar num link à direita, logo abaixo do nome da rádio.

nesta edição do programa comandado por zina nicácio, este blogueiro fala sobre escravidão. alguém adivinha qual a música?

ouçam! depois conto mais.

roteiro

não lembro a data, mas o episódio me vem facilmente à memória: eu e rogério tomaz jr. tomávamos umas cervejas no mirante da ilha, bar-restaurante madredivino de bela visão, em um sábado tranqüilo.

o jornalista cosmopolita iniciava ali uma pesquisa: procurar o máximo de referências musicais contidas na letra de “todas elas juntas num só ser“. encontrou e gravou em um cd de mp3, mais de oitenta citações.

no carnaval, em recife, o homem topou com lenine. e noutro momento, com carlos rennó. a este, contou da pesquisa e anotou contato para passar-lhe o resultado.

abaixo, (mais ou menos a) minha fala de estréia no programa “etc. e tal“, comandado por zina nicácio na rádio univima. o primeiro foi ao ar no dia internacional da mulher; amanhã gravo minha segunda participação. e mais eu conto por aqui, depois.

vantagem do blogue: você não ouve minha voz; desvantagem: não ouve a belíssima música de que tratamos na(s) ocasião(ões).

*

bom dia, ouvintes da rádio univima! eu sou zema ribeiro e é um prazer estar com vocês aqui no etc. e tal. obrigado, zina, pelo convite, obrigado ouvintes pela atenção.

então, enquanto a gente toma esse cafezinho aqui, com a zina, coube-nos falar sobre música dentro de um tema escolhido pelo programa.

o tema escolhido para hoje foram as mulheres, em merecidíssima homenagem pelo seu dia internacional. parabéns, pois, a todas as nossas ouvintes por mais este oito de março.

bom, o dia internacional da mulher é data que ano após ano suscita debates acerca dos mais variados temas: o papel da mulher na sociedade, relação feminismo versus machismo, protagonismo feminino, enfim, as mais variadas temáticas envolvendo as mulheres.

a homenagem deste que vos fala vai, assim, noutro sentido. num mundo atualmente tão violento, infelizmente, parecemos nos esquecer do amor e quando dele nos lembramos, parecemos, por vezes, ser piegas. pois bem, as mulheres são, desde sempre, as grandes musas de nossa música popular.

a música que a gente vai ouvir agora é uma parceria do lenine e do carlos rennó e está no “in cité”, disco ao vivo de lenine gravado na frança, em 2004. o registro conta com o brasileiro lenine, voz e violão, a cubana yusa, no contrabaixo e o argentino ramiro mussoto na percussão.

a letra da música, vocês irão perceber, celebra as mulheres através da citação de mais de oitenta mulheres, hoje famosas nos repertórios dos mais variados intérpretes da música popular, brasileira ou não.

a gente dedica então, “todas elas juntas num só ser” a todas as mulheres, e em especial a minha mãe, solange, que está aniversariando hoje, parabéns, mamãe!, e a graziela, minha namorada, um beijo, grazi!

obrigado, zina! obrigado, ouvintes! taí, “todas elas juntas num só ser”.

sambatatinha

Adriana Moreira estréia em disco tributando o compositor baiano Batatinha.

por Zema Ribeiro*

As composições de Batatinha (o sambista baiano Oscar da Penha, falecido há dez anos) – cuja música mais famosa talvez seja “O circo” (gravada por Maria Bethânia em “Drama”, 1972) – têm uma semelhança temática com a obra de Nelson Cavaquinho. A tristeza está presente, mesmo no carnaval, mas sem comprometer a beleza.

Desta rima, Adriana Moreira formata sua estréia: 14 músicas de Batatinha estão selecionadas em “Direito de sambar[CPC-UMES, 2006, R$ 15,90]. Ao contrário do que se possa pensar, o compositor não é um representante do samba-de-roda baiano: músicas como “Sorte do Benedito” trazem um quê de Cristóvão Alô Brasil.

Acompanhando a bela voz de Adriana Moreira no fino repertório, destacamos as presenças dos músicos Wilson das Neves (bateria), Toninho Carrasqueira (flauta), Jorge Helder (contrabaixo), Edmilson Capelupi e Eduardo Gudin (violões), entre outros.

Abrindo o disco, a letra da faixa-título diz “é proibido sonhar / então me deixe o direito de sambar”. Adriana garante o direito de Batatinha – e nosso – e fica com o ofício de cantar. Muito bem, diga-se.

*Para ler mais Zema Ribeiro, acesse http://zemaribeiro.blogspot.com

[primeira classe, jp turismo, jornal pequeno, hoje]

mais um sobre o seminário

[um último texto/release sobre o seminário em vargem grande; alô, veículos de comunicação deste meu maranhão!: à vontade!]

[a bonita arte do cartaz é da dupla criação. clique para ampliar]
Alternativas ao trabalho escravo serão debatidas em seminário
A Cáritas Brasileira Regional Maranhão, através do projeto Trilhas de Liberdade, e em parceria com a CRS Brasil, realiza no próximo sábado, 5 de maio, o seminário “Economia Solidária combatendo o trabalho escravo no Baixo Parnaíba“. A discussão acontecerá no Auditório Padre Trindade, em Vargem Grande (MA), entre 9h e 17h.
Os convidados para o seminário são Bira do Pindaré (Assessor Especial do Governo do Maranhão, Coordenador Executivo do FOREM), Terezinha Fernandes (Secretária de Estado de Trabalho e Economia Solidária), Allan Kardec Ayres Ferreira (Auditor Fiscal do Trabalho, Delegado Regional do Trabalho) e Sálvio Dino (Secretário Extraordinário de Estado de Direitos Humanos).
Durante o seminário, os expositores irão versar sobre temas como combate ao trabalho escravo no Brasil e no Maranhão, atuação da Delegacia Regional do Trabalho, Economia Solidária, Trabalho, Desenvolvimento Local e Sustentável e perspectivas de atuação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, entre outros.
A discussão se faz pertinente: em 1º. de maio celebra-se o Dia do Trabalhador, mas pouca coisa há para comemorar. O Maranhão, segundo menor IDH do país, é grande exportador de mão-de-obra escrava para outros estados. De acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho e da ONG Repórter Brasil, nos últimos dez anos, mais de 1.300 fazendas foram fiscalizadas em trabalho conjunto da Polícia Federal e Ministério do Trabalho. Mais de 17 mil trabalhadores foram libertados.
Serviço
O quê: Seminário “Economia Solidária combatendo o trabalho escravo no Baixo Parnaíba”.
Quando: dia 5 de maio, às 9h.
Onde: Auditório Padre Trindade, Vargem Grande (MA).
Quanto: entrada franca, aberto ao público.
Programação e maiores informações: [98] 3221-2216, 9112-1959, jaime@caritasma.org.br, zemaribeiro@gmail.com e/ou no Overmundo.

300 (ou: o bolo)

ando fazendo 300 coisas ao mesmo tempo. e a grana no bolso continua pouca. não, isto não é uma reclamação, embora pareça. às vezes sinto-me cansado, mas é só. e passa logo. ainda bem.

a amiga bruna castelo branco me ligou, perguntando como tinha sido a entrevista. não tinha. em meio a uma reunião, acabei dando bolo em nando reis, cuja assessoria tinha feito contato comigo (e com bruna e outros jornalistas daqui) para uma entrevista, a fim de divulgar o show “sim e não“, que acontece neste sábado, 5 de maio, às 22h, no ginásio do dom bosco (renascença).

bruna, bom texto! nando, bom show! turma, bóra lá!

economia solidária vs trabalho escravo

quem acompanha este blogue sabe que quando algum jornal vacila, eu bato. eles podem é não sentir, ou fingir que não sentem, mas a gente faz a nossa parte.

então, quando este blogue(iro) erra, o procedimento deve ser o mesmo. sexta-feira passada, não teve texto nosso na primeira classe. o corre-corre impediu-me de preparar a resenha a tempo de enviá-la para o jornal pequeno. aproveitei a falha/desculpa e negociei a publicação de um texto sobre o seminário “economia solidária combatendo o trabalho escravo no baixo parnaíba“, promovido pela cáritas brasileira regional maranhão, onde este blogueiro tem o prazer de ora prestar serviços em comunicação em seu tempo, digamos, livre, melhor, outrora livre, risos.

perdão da falha, caros leitores (alguém que me lê aqui me lê lá no papel?): sexta-feira, 4 de maio, voltamos.

dando o crédito, o jornal publicou, na página oito do jp turismo, o texto abaixo, com direito a box com a programação e uma foto do bira do pindaré (com uma legenda que dizia nada além do nome dele, bira do pindaré):

Seminário discutirá alternativas para combater o trabalho escravo

por Zema Ribeiro

Apesar de a escravidão no Brasil ter sido abolida desde 1888, o Trabalho Escravo ainda é, infelizmente, prática recorrente país afora. No Maranhão não é diferente. Ora, se em fazendas maranhenses não há (ou quase não há) uso de mão-de-obra escrava, o Estado é grande “exportador” dela.

Historicamente, a grande concentração de terras no país, o pouco acesso a educação e, mais recentemente a concorrência desleal com o agronegócio, são fatores que contribuíram desde sempre com as estatísticas do Trabalho Escravo. Felizmente, alguns desses cenários começam a mudar, embora nem todas as histórias sobre o tema tenham final feliz.

Entre 1995 e 2005, aproximadamente 17 mil trabalhadores/as foram libertados/as do trabalho escravo por grupos móveis de fiscalização (formados por fiscais do Ministério do Trabalho, policiais federais e procuradores do Ministério Público do Trabalho). 1.368 fazendas foram fiscalizadas em 364 operações (de acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho – OIT e ONG Repórter Brasil).

TRILHAS DE LIBERDADE – Desenvolvido em Vargem Grande/MA, o projeto Trilhas de Liberdade tem, entre seus objetivos, o combate ao trabalho escravo, relacionando-o às estratégias de Desenvolvimento Solidário e Sustentável através do Programa de Economia Popular Solidária (EPS), realizado pela Cáritas Brasileira Regional Maranhão em parceria com a CRS Brasil.

O problema central enfrentado pelo projeto é a vulnerabilidade dos/as trabalhadores/as ao trabalho escravo, das comunidades atendidas no município (Vila Ribeiro e Riacho do Mel), por diversos motivos: precariedade dos sistemas produtivos, pouco uso de tecnologias adequadas, baixa consciência agroecológica etc. Que alternativas são viáveis para a mudança desse cenário? É o que se discutirá no seminário “Economia Solidária combatendo o Trabalho Escravo no Baixo Parnaíba”, conforme programação a seguir.

Programação:

9h – Mesa de abertura: Lucineth Machado (Cáritas Brasileira Regional Maranhão), Bira do Pindaré (Assessor Especial do Governo do Estado do Maranhão, Coordenador Executivo do FOREM), Allan Kardec Ayres Ferreira (Delegado Regional do Trabalho, Auditor Fiscal do Trabalho), Terezinha Fernandes (Secretária de Estado de Trabalho e Economia Solidária), Sálvio Dino (Secretário Extraordinário de Estado de Direitos Humanos), Maria Aparecida Ribeiro Silva (Prefeita Municipal de Vargem Grande), Antonio Rachid Trabulsi Filho (Presidente da Câmara Municipal de Vargem Grande) e Antonia Lima Leite (Liderança Comunitária).

10h – Café

10h15min – Apresentação “Combate ao Trabalho Escravo no Brasil e no Maranhão: breve histórico” – Bira do Pindaré (Assessor Especial do Governo do Maranhão, Coordenador Executivo do FOREM).

11h15min – Apresentação “DRT e o Combate ao Trabalho Escravo no Maranhão: resultados e perspectivas” – Allan Kardec Ayres Ferreira (Delegado Regional do Trabalho, Auditor Fiscal do Trabalho).

12h15min – Debates

13h – Almoço

14h30min – Apresentação “O papel da SEEDH na defesa e promoção dos Direitos dos trabalhadores” – Sálvio Dino (Secretário Extraordinário de Estado de Direitos Humanos).

15h30min – Apresentação “Trabalho, Desenvolvimento Local e Economia Solidária” – Terezinha Fernandes (Secretária de Estado de Trabalho e Economia Solidária).

16h30min – Debates

17h15min – Encerramento – Café

vovó

às vezes pareço zangado (na verdade, nunca estou, nessas ocasiões) quando minha namorada tenta me dar mais comida do que realmente quero comer, com a desculpa (com que já concordo plenamente há tempos) de que preciso ganhar uns quilinhos.

foi legal ver vovó chegando aquela manhã e, ao me ver à mesa, sem camisa, tomando café, dizer: “meu filho, tu tá mais forte!”.

obrigado, amor!

caetano, de santo amaro, bira, de barra do corda…

em sentido anti-horário, eu, gildomar, luís jr. e bira dividíamos uma mesa na faustina e comentávamos o show de caetano, quando eduardo duduca veio me cumprimentar. um colega seu, creio, acompanhava-o, quando luís jr. disse: “falando em caetano, olha ele aí!”. bira, de brincadeira, cumprimentou o rapaz que acompanhava duduca, de médios e encaracolados cabelos pretos, o rapaz: “ei, caetano, tudo bem?”, sendo prontamente respondido, enquanto luís jr. (re-)afirmava, tão inquieto quanto eu viria a ficar, segundos depois: “não, rapaz, o caetano de verdade, olha lá!”. na rua do giz, em frente ao chez moi, caetano veloso passeava tranqüilo, com sua habitual elegância. percebido, o compositor baiano já regressava à rua joão gualberto, quando bira desceu as escadas do canto da praça, a tempo de apertar sua mão, abraçar-lhe e dizer: “oi, caetano. meu nome é bira, eu sou de barra do corda…” “ele ‘tava cheiroso”, bira disse-nos ainda. e “ainda bem que tenho três testemunhas, minha mulher não vai querer acreditar…”

caetano: cê ama ou odeia?

O homem velho entrou no estúdio e fez um disco jovem. O homem velho subiu ao palco e fez um show jovem. O homem velho e seus três sobrinhos. Quê que há, velhinho? Caetano ousa. sabe o que é isso?

O Ginásio Castelinho foi palco – bom palco, bom som, boa luz – de uma apresentação histórica [“Cê”, Caetano Veloso e banda, 26/4]. Ao violão, o jovem homem velho é acompanhado apenas por Pedro Sá (guitarra), Ricardo Dias Gomes (contrabaixo) e Marcelo Callado (bateria).

A base do repertório é , o disco novo. O quartetrio passeia por músicas de Transa, bom álbum de 1971 (You don’t know me, Nine out of ten) e sambas reinventados: imaginem o que é tocar Sampa e Desde que o samba é samba acompanhado apenas por este trio maravilha.

Caetano rebola. Pula. Tira a jaqueta – não sei como ele agüentava, o calor era grande –, rebola ainda mais, pula ainda mais, puxa a camisa, mostra um pedaço da barriga. O homem velho está em forma – física e vocal. Lembra de Jards Macalé, Tutti Moreno (músicos de Transa) e Jacques Morelembaum (de vários discos de Caetano); aos três, oferece músicas do repertório. Momento chatice, que sem isso não é Caetano: uma extensa fala sobre política. Desnecessária. Toca, Caetano, canta, Caetano, que é melhor.

Marcado para 21h30min, o atraso no início da apresentação é mínimo. Ingressos entre R$ 30 e R$ 40, podiam ser comprados nas mãos de cambistas por R$ 10. O setor de cadeiras, a quadra do ginásio, o espaço mais caro, estava mais cheio; pessoas sentadas, no entanto, não acompanhavam a vibração do dançante e festivo show.

O grande hit do disco é cantado em coro pelos presentes: Odeio você, a platéia responde feliz ao feliz senhor baiano. “Ódio” mútuo: é sempre adorável odiar Caetano.

debate

eu não poderei ir, por conta dos motivos que os caros-poucos-mas-fiéis leitores deste blogue já conhecem. recebi o convite das amigas regyanne e laura. a imprensa ilhéu não deu um “a” sobre o assunto (por que é que eu ainda me espanto com isso?). vai aqui. apareçam!:

a via campesina – maranhão, realizará no dia 26 de abril de 2007, às 18h30min, no auditório che guevara, do sindicato dos bancários (rua do sol, 407/413, centro), debate sobre “agronegócio no maranhão: exploração e miséria/destruição no campo e na cidade“. os palestrantes são joão pedro stédile da coordenação nacional do mst e edmilson pinheiro, coordenador do fórum carajás. o evento conta com o apoio do programa de pós-graduação em políticas públicas da ufma, do mestrado em agroecologia da uema e da associação brasileira de ensino e pesquisa em serviço social – abepss.

catecismo público, grátis. corre e baixa logo!

escrevi sobre este “livrim metidim a fresco”, como bem classificou o próprio autor, em conversa por msn em minha hoje extinta coluna no diário da manhã, que pode ser lida aqui.

abaixo, posfácio do livro, que está disponível (o livro inteiro, não só o posfácio) para download, gratuitamente aqui:

Da verdadeira Troca de Guarda no Trono de São Pedro
Reza a lenda: que incerto coroinha sacaneou o papa e lhe trocou no bolso o catecismo; que Bento 16, nazisanto mas safo, não pipocou a leitura e caiu dentro das falácias do sátiro do Ceará, Sá, dito Xico – homem que tem nome de regra, desregrado será, pensou; que, agraciado por visita dos pastores de Fátima, recordou a era prisca em que torava germanas cabritas; que, envolvido na prosódia do jornalista que entra nas letras de vestais feito cão a peidar em catedrais, botou pilha na pilhagem de pilhérias; que, em busca da buça perdida pelas saias do Vaticano, benzeu este livrim e resolveu descer às ruas pra sacar o berço da estética da sampleagem; que deu de andar com ele lapelado pelas esquinas de Roma, à paisana, catando putanas – e viu que era bom; que, Cialis nas idéias, passa por velho mafioso com vago sotaque tedesco; que, trôpego e atraiçoado, vive esculhambando o vício solitário e embutindo nos sermões serões de Khayyam, Gainsbourg, Miller, Sade & Gregório; que, sodomizado e aluado por esse moderno Cântico dos Cânticos, o velho Ratzinger, Mr. Hyde de Bentinho, enfia o pé na jaca e descasca o inhame toda noite entornando os espíritos da Giulietta – pois que se ore é com avara, comunhão na petite mort: a buceta é a única Pedra da Roseta, a verdadeira sintaxe de um santo homem –; que, entre excomungar o bardo do Crato e cair nas graças das romanas grutas, fez de Sá seu regra-três, encomendou uma falsa morte, gandaiou no domingo, traiu o terço três vezes após o galo e descansou; que, conclave posto, fumaça verde subiu e quem provou viu que era dubom; que a Santa Madre Igreja tornasse Franciscus Reginaldus Primeiro, egresso de Recifílis, Pernambuco, o papa pop da putaria, e, mundo às avessas, aos meia-noves, Roma em Amor, Ide, fodei, irmãs &irmãos, assim comandasse a rima o novo herdeiro de Pedro; que, entre contos de vigários e poemas de pecadores, nós leitores só possamos aprender com esse catecismo, a cada salmo riscar o pêlo-sinal e louvar a pornografia que nos salva e nos aproxima do Não-Dito: amém.
[Ronaldo Bressane, escriba & bispo-auxiliar de porno-devoções, SP, ano da graça de 2005]