"Coincidências"

O disco Samba de Minha Aldeia, de Lena Machado, foi lançado no prefácio de 2010.

Bicicletas, bolos e outras alegrias, de Vanessa da Mata, no epílogo. Não digo que esta copiou aquela, mas fica a curiosidade.

Outra coincidência é que quando estava escrevendo este post, inspirado em Jotabê Medeiros, que teria apenas os discos acima, Ricarte Almeida Santos contou que Léo (engraçado que estive no bar ontem e, confesso, não reparei) botou estes discos lado a lado em uma prateleira com Gal Costa (o Gal Tropical, de 1979) no meio:

Sabe tudo, esse Léo.

Pitomba

Capa (do artista plástico Amaral) do número 1 da revista literária Pitomba, editada por Bruno Azevêdo, Celso Borges e Reuben da Cunha Rocha. Com essa tríade, preciso dizer mais? Em breve nas melhores bancas e livrarias da cidade. Lançamento: sexta-feira que vem (dou mais detalhes aqui em breve, aguardem!).

Um desfile de talentos

E eis que continuando a árdua tarefa de zerar minha caixa de entrada, três dias após o fim do recesso, quase apago (sem querer) o e-mail que me levou aos dois vídeos abaixo, em que o ótimo Daniel Wolff (que só conheço deste show) e o genial João Pedro Borges executam dois temas de Ernesto Nazareth, um dos compositores de choro de minha predileção: Floraux e Odeon.


Piano na Mangueira (Tom Jobim/ Chico Buarque)

Há outros vídeos do mesmo show no Youtube. A quem interessar possa: Célia Maria é uma das convidadas de Noel, Rosa secular – Pediram bis, show que acontece neste sábado (8), às 22h, no Bar Daquele Jeito (Vinhais). Mais detalhes na Agenda do Samba & Choro, no Overmundo e/ou no Ponte Aérea São Luís.

Samuel Beckett no Arthur Azevedo


Clica que amplia

Recebi este cartaz do Gilberto Martins, por e-mail. Ele, para quem não sabe ou não lembra, levou a estatueta de melhor ator no Guarnicê 2009, por sua atuação em Reverso, de Francisco Colombo.

A encenação da famosa peça de Beckett é seu trabalho de conclusão de curso na UFMA. A conferir.

Tempos em textos

Contexto
Uma ótima oportunidade de conhecer a obra de Flecha


Clica que amplia (pouca coisa, mas amplia)

Tio Lema e o professor Sandmann

2010 foi um ano de grandes notícias. Destaques para o lançamento da Caixa Preta, que reuniu a obra completa de Itamar Assumpção, incluindo discos inéditos, e o relançamento do Catatau de Paulo Leminski.

Antes de eu dar outra grande notícia de 2010, voltemos a 2006: dois poemas de Marcelo Sandmann, de seu Criptógrafo amador (Medusa):

CERVEJA E PROSA

“A arte é uma Dama que distrai a morte
Enquanto se atira aos braços da vida.”
(“Poesia e Vinho” – Adalberto Müller)

Um copo de cerveja
e dois dedos de prosa,
junto ao balcão de um boteco encardido.

Um salgado, que seja,
e pimenta cheirosa.
Pois bem: a ocasião faz o bandido.

Porque lá pelas tantas,
pela porta entreaberta,
a tal “Dama” daquele teu poema

chegou, um tanto às tontas,
e justo na hora certa,
de braços dados com o velho Tio Lema.

Sentaram ali do lado,
de costas para nós,
e como gargalhavam, gargalhavam…

Já eu, muito calado,
ouvia logo após.
(Mas como gargalhavam, gargalhavam…)

Sumiram de repente,
evaporados no ar.
Nem um eco restou do bate-papo.

Me aproximei, bem rente,
o tempo só de olhar
uns versos truncados no guardanapo.

E cá comigo eu disse,
em bem claro e bom som:
“preciso achar caneta que não borre”.

E sem que alguém pedisse
minha conta ao garçom,
saí dali, um gole antes do porre.

(p. 74-75)

PARA QUE LEDA ME LEIA
(voltas sobre mote de leminski)

para que leda me leia
escrevo em papel de seda
à mão, mas mão que tateia
muito lenta, quase queda
a mão de alguém que receia
romper a trama da teia
queimar-se na labareda

para que leia me leda
escrevo com grãos de areia
que ampulheta, sim, me ceda
sobre manchas, a mancheias
grãos bem claros, como greda
por que a gemas só suceda
de restarem na bateia

para que leda me leia
escrevo a vera vereda
que a laguna, em lua cheia
logo leve, lá onde leda
ao doce canto que enleia
(fero canto de sereia?)
seu sorriso me conceda

(p. 79)

Antes, ainda, da notícia, o próprio Sandmann, acompanhado da Zirigdansk, diz um poema do livro (p. 38-39), em vídeo que vi há muito tempo num extinto blogue de JRT:

Pois bem: outra grande notícia, para fechar o ano bonito, é o lançamento de A Pau a Pedra a Fogo a Pique: Dez Estudos sobre a Obra de Paulo Leminski, livro que reúne dez ensaios sobre a criativa e multifacetada obra do “tio Lema”, organizado por Sandmann e publicado pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná.

Como será o Maranhão com a Roseana?

Como será o Maranhão com a Roseana? Eis aí uma pergunta por demais fácil de responder: basta trocarmos o tempo do verbo e perguntar “como é o Maranhão com a Roseana?”. Ou trocarmos um membro pela família: “como é o Maranhão com os Sarney?”. A resposta está aí, na cara, para quem quiser ver: sob todos os aspectos, um dos estados mais ricos da federação com, sob todos os aspectos, os piores indicadores sociais e econômicos. O Maranhão com a Roseana será a continuação do Maranhão com o que há de pior na política, com a vergonha de não ter conseguido ainda sua independência: o último estado brasileiro que ainda vive sob o jugo oligárquico, com tanta gente na miséria, passando fome e com seus direitos violados, um trágico e assombroso quadro que precisa urgentemente ser modificado.

O blogue Com Continuação, de Felipe Klamt, fez a pergunta que batiza o post a um monte de gente. Acima, minha resposta. Vá ao blogue para ler outras.

Direitos Humanos e Cinema no Centro Histórico de São Luís

São Luís recebeu, de 30 de novembro a 5 de dezembro a 5ª. Mostra de Cinema e Direitos Humanos na América do Sul. Foi a primeira vez que a Mostra, realizada desde 2006 pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, chegou à capital maranhense. No catálogo, filmes que abordavam diversos aspectos dos direitos humanos. Vias de Fato conversou com o cineasta, radialista e professor universitário Francisco Colombo, produtor local da Mostra.

ZEMA RIBEIRO*


Produtor local da mostra, o cineasta Francisco Colombo se pronuncia durante a abertura da mesma. Foto: Evandro Filho

Vias de Fato – Por que só agora São Luís foi incluída na rota da Mostra de Cinema e Direitos Humanos na América do Sul? Francisco Colombo – A Mostra surge em 2006 e contempla apenas quatro capitais. Era um projeto embrionário, portanto não poderia ter grande envergadura. O tema dos Direitos Humanos exige paciência, dedicação e, acima de tudo, cuidado… Em 2009 conseguiu chegar a 16 capitais. Esse ano alcançou 20, São Luís incluída. A meta do projeto é de chegar a todas as capitais da federação.

A organização local da Mostra previa um público médio de 1.000 espectadores em uma semana de sessões. Essa meta foi superada em mais de 65%. A que você acha que se deve esse crescimento? [risos] Na verdade não foi uma previsão da organização local, mas uma meta pessoal, minha. Acho que o tema tem um número enorme de detratores. Por isso fui cauteloso quanto ao público. Entretanto, alguns ingredientes ajudaram bastante. A divulgação teve uma boa estratégia: poder público, entidades da sociedade civil (entre elas entidades de atenção às pessoas com deficiência), apoio forte dos amigos da mídia, muitos e-mails, ida a faculdades, universidades e escolas, telefonemas… A sessão inicial também foi muito positiva, pois provocou forte burburinho, devido aos kits entregues na entrada e, depois, devido ao forte filme Perdão, Mr. Fiel. A estrutura de material da Mostra também ajudou muito. Basta lembrar que vieram muitos catálogos e ainda programação em braile. Ademais, está provado que a população tem interesse pelo tema, que não necessariamente precisa ter caráter chato ou panfletário, mas pode ser sutil, estético e altamente elaborado.

O catálogo da 5ª. Mostra era formado por filmes que tratavam a temática dos direitos humanos sob um viés não panfletário, o que certamente ajuda a despertar o interesse das pessoas pelo assunto. Qual o critério de seleção das obras que percorreram 20 capitais brasileiras entre novembro e dezembro? A curadoria nacional da Mostra ficou a cargo do Francisco César Filho, conhecido carinhosamente no meio cinematográfico e televisivo como Chiquinho. Ele foi o responsável pela programação, mas a seção Contemporâneos recebeu inscrições através de edital público.

A superação da expectativa de público não demonstra que há um público ávido por produções de qualidade, fora dos padrões hollywoodianos? O que falta para voltarmos a ter um Cine Praia Grande lotado e mesmo não ele como único espaço para cinema “alternativo” em São Luís? Demonstra sim. Falta investimento, faltam ideias! Além disso, é necessário “correr atrás”. As pessoas querem conforto. Não é porque o Cine Praia Grande fica dentro de um espaço pertencente ao poder público ou porque tem o ingresso mais barato que se tem que tolerar o calor, decorrente de aparelho de ar condicionado ruim, ou o desconforto das poltronas, somado a um mau cheiro ou mesmo mofo. O cinema é muito importante para a Praia Grande. Conversei com o pipoqueiro e ele estava muito feliz com o evento, porque estava voltando com um bom dinheiro pra casa. Isso é economia da cultura. Todo mundo ganha. O Centro Histórico sobrevive! Tivemos sessões a uma e meia da tarde e ainda assim conseguimos por um público de 80 pessoas, o que também é significativo sob outro aspecto, conforme assinalou o jornalista Garrone: para o bem ou para o mal, a cidade cresceu!

A 5ª. Mostra de Cinema e Direitos Humanos na América do Sul é uma realização da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Como você avalia o cinema brasileiro hoje, levando a política cultural do país, a atuação do Ministério da Cultura? Embora não concorde com muita coisa em relação ao governo Lula, sobretudo em relação à maneira como se comportou perante o povo maranhense, devo reconhecer que foram os melhores anos da história recente do cinema nacional. O Gilberto Gil foi um grande ministro, surpreendendo-me. O Juca, na sequência, não fez feio. O Ministério da Cultura é o grande padrinho das secretarias de cultura dos estados e dos municípios. O que essas entidades fazem de políticas públicas, devem ao MinC. O Ministério criou editais e políticas sérias. Estruturou-se, mesmo com um orçamento por vezes minguado. Espero que o governo Dilma dê prosseguimento ao que foi criado de bom e implemente melhorias.

E o que dizer do cinema no cenário maranhense? Temos grandes nomes. Mas o meu preferido, o meu ídolo [risos], é Murilo Santos. Por várias razões. A principal é a integridade. Mas a sabedoria, o bom humor, a capacidade de dividir conhecimentos são coisas que admiro muito nele também. Murilo fez grandes filmes. Considero os seus trabalhos muito importantes também. É o cineasta, por excelência, comprometido, engajado. Tenho amizade por alguns outros. Gosto de alguns trabalhos, mas não de tudo. Mas cada um tem a sua própria rota, seus sonhos, aquilo em que acredita. Prefiro não falar em muita gente pra não despertar ciúmes, mas, além de gostar do que já produziram, tenho ainda bastante amizade por duas outras figuras: Euclides Moreira e Joaquim Haickel. Provaram ser meu amigos em algumas situações que não preciso explicitar aqui. Agora, por outro lado, acho que a garotada tem que ser mais corajosa, tanto em termos temáticos como em termos estéticos. Aproveitar a tecnologia portátil que existe por aí e ousar. Deve surgir coisa boa em breve! Dos novatos não posso esquecer Nicolau Leitão e Carlos Benalves. Além do bom caráter, são muito inteligentes e talentosos. Espero muito dos dois.

De que forma os cineclubes e, hoje, os pontos de cultura têm sido importantes para a difusão do cinema brasileiro? Por várias razões. Descentralizam a exibição, incentivam a produção e a distribuição, formam público. E, claro, ajudam na formação de mão de obra.

[*outra colaboraçãozinha, não assinada, pro Vias de Fato de dezembro/2010]

Toda a graça de Noel Rosa

Os quatro senhores da música do Maranhão fizeram bonito em homenagem a Noel Rosa, na data em que o Poeta da Vila completaria 100 anos.

ZEMA RIBEIRO


Autorretrato de Noel Rosa

Noel Rosa é, talvez, o mais genial dos criadores da música brasileira em todos os tempos, a começar por sua curta existência: subido aos 26 do primeiro tempo, só compôs por cerca de sete anos. No entanto, constam de sua lavra ou, para ser mais preciso, de sua caneta em maços de cigarro cujas marcas ficaram apenas na memória, mais de 300 composições. Entre estas, um sem número de clássicos absolutos, até os dias atuais.

Nascido no subúrbio do Rio de Janeiro, em Vila Isabel, com um defeito no queixo provocado pelo fórceps, ali viveu até morrer, de tuberculose. A grande maioria de seu legado musical eternizou fatos prosaicos, caso de Com que roupa?, seu primeiro sucesso, datado de 1931.

Uma série de homenagens aconteceu em todo o país, através de seminários que discutiram sua obra, publicações e shows musicais e teatrais, no ano em que Noel de Medeiros Rosa, o nome de batismo do Poeta da Vila, completaria 100 anos no último dia 11 de dezembro.

O Maranhão não podia ficar de fora desta rota e quatro compositores cuja obra bebe diretamente da fonte noelesca renderam-lhe o belíssimo tributo Noel, Rosa secular [Bar Daquele Jeito, Vinhais, 11/12], que contou ainda com a adesão de convidados especiais. Cesar Teixeira, Chico Saldanha, Joãozinho Ribeiro e Josias Sobrinho, carinhosamente apelidados “os quatro senhores em concerto” – alusão aos três tenores – receberam Celia Maria, Lena Machado, Lenita Pinheiro e Léo Spirro como convidados para celebrar os cem anos de nascimento de Noel – justo na data em que ele os completaria.

Não faltaram clássicos ao repertório: O x do problema, Feitiço da Vila, Feitio de oração, Pra quê mentir?, Gago apaixonado, Filosofia, As pastorinhas, Pela décima vez, Último desejo, Quando o samba acabou. Músicas que o público cantou junto, atualíssimas. Em qualquer roda de samba que se preze, clássicos que não podem ficar de fora. E o tributo a Noel não era qualquer roda de samba.

Arlindo Carvalho (percussão), Domingos Santos (violão sete cordas) João Neto (flauta), João Soeiro (violão), Juca do Cavaco (cavaquinho) e Vandico (percussão) formaram o regional que lembrou ao pé da letra as imortais melodias de Noel. “Outra característica de Noel que deve ser ressaltada é a riqueza de suas melodias. Muito dificilmente alguém mexe num arranjo dele, tudo à época já tinha um caráter definitivo”, observou o compositor Josias Sobrinho, autor de um clássico atemporal em que homenageia o “pai do samba”: Terra de Noel.

Pai do samba sim: “Ainda que o “polêmico” primeiro samba [Pelo telefone, de 1917] seja atribuído ao compositor Donga, quem de fato deu forma, peso e medida à canção brasileira foi Noel de Medeiros Rosa. Ele tinha o toque de gênio, aquela capacidade rara de abordar os temas mais banais com um olhar único, embebido sempre em lirismo e humor”, atesta outro herdeiro de Noel, o compositor maranhense Zeca Baleiro, em texto escrito para a apresentação de Noel, Rosa secular.

O humor, aliás, é outra vertente que poderia ter sido (mais) explorada nas homenagens rendidas a Noel ao longo de 2010 e além: há um sem-número de casos pitorescos e “historietas hilariantes” – para lembrarmos o clássico livro de Six [saudoso boêmio, cavaquinhista e advogado maranhense, um dos maiores defensores do choro que o país já (ou)viu], que também tinha as suas – que por vezes nos ajudam a entender melhor esta ou aquela composição – para quase cada música de Noel Rosa há uma história, quase sempre com um toque, sutil ou desbragado, de humor.

Noel Rosa partiu cedo mas “deixou uma obra imensa, impressionantemente rica e vasta, especialmente quando se sabe que seu autor se foi com a idade de Hendrix e Joplin”, finaliza Baleiro.

&

Texto publicado na edição de dezembro/2010 do Vias de Fato, ora nas bancas. Com sua reprodução aqui anuncio a reprise de Noel, Rosa secular (com os quatro senhores Cesar Teixeira, Chico Saldanha, Joãozinho Ribeiro e Josias Sobrinho mais as participações especiais de Célia Maria, Lena Machado, Lenita Pinheiro e Léo Spirro): dia 8 de janeiro de 2011 (sábado), às 22h, no Bar Daquele Jeito (Vinhais). Os ingressos custarão R$ 20,00 (metade para estudantes com carteira) e desta vez terão venda antecipada: em breve o blogue dá mais detalhes.

Na trilha do cangaço

Acima, uma das fotografias de Na trilha do cangaço, exposição virtual de Márcio Vasconcelos que acontece hoje, às 20h, no Espaço Armazém, conforme convite abaixo:


Clique nas imagens para ampliá-las

O projeto foi premiado no 11º. Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia. Para sua execução foram percorridos 4 mil km em sete estados nordestinos, desde Serra Talhada/PE, onde Lampião nasceu, até Poço Redondo/SE, local da emboscada da Volante do tenente João Bezerra que culminou com a morte de Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros.

“Hoje acontecerá uma exposição virtual e o lançamento do site específico do projeto. Não se trata de uma exposição tradicional para ficar em cartaz, e hoje será um dia único. Apenas o site ficará para sempre no ar”, adiantou a este blogue, por e-mail, o fotógrafo-trilheiro.

Correria: Tempo

Fim de ano é fogo! A gente entra num clima de só ano que vem e até! Mas há muito o que fazer, sempre. E não é a proximidade das festas que nos deixa desengatar a marcha e descuidar das coisas. Os compromissos continuam muitos. Correria como se não fosse fim de ano, acabei não dando aqui: foi aberta sexta-feira passada (17) a exposição Tempo, na Galeria Hum (Rua 1, 167, São Francisco). Ela fica em cartaz até o próximo dia 30 de janeiro (a galeria fecha durante o recesso natalino).


Detalhes do Tríptico de Márcio Vasconcelos.

Tempo reúne obras de Antonio Sergio Moreira, Edgar Rocha, Fátima Campos, Marçal Athayde e Márcio Vasconcelos, em escultura, fotografia e pintura, que serão comercializadas.


Escultura em madeira de Marçal Athayde.

A curadoria de Tempo é de Luis Carlos Mathias. A exposição pode ser visitada de segunda a sexta, das 9h às 18h.

2010 acabou

O ano acabou. O último que sair apague a luz. Antes disso, as luzes do palco do Cine Ímpar se acendem para os talentos de Djalma Lúcio e da banda Garibaldo e o Resto do Mundo.

Eles se apresentam, separados, amanhã (18), às 21h (são dois shows e eu não sei quem toca primeiro). Os ingressos custam apenas R$ 10,00 (metade para estudantes com carteira).


O ex-Catarina Mina lançou Conforme prometi no réveillon em 2010


Homônimo de estreia da Garibaldo e o Resto do Mundo foi uma das surpresas na cena pop no Maranhão este ano

Para quem não sabe onde fica o Cine Ímpar, apesar do nome entregar: na sede do jornal O Imparcial, no Renascença (atrás do Tropical Shopping).

A julgar pelos trabalhos que ambos lançaram em 2010, a noite promete.

A respeito do título do post, aos poucos-mas-fieis leitores aviso: eu ainda escrevo aqui este ano.

Festival da Cerveja na Cantina

Faz um tempinho que não visito o amigo Caroço, cujo nome de batismo, não nego: não lembro agora. Caroço é o simpático proprietário da Cantina da Madre, charmoso barzinho no coração da Madre Deus onde a cerveja está sempre gelada e a comida, quando há, é sempre gostosa. Quando há por que às vezes acaba ligeiro e o jeito é apelar para o pastel do japonês vizinho.

Bom, amanhã (18), a partir das 16h, a Cantina abriga um Festival de Cerveja: a caneca-ingresso custa R$ 30,00 e você bebe o quanto quiser, puder e aguentar.

Para “regar” (como se a cerva não bastasse) a tarde-noite, o Regional Os Madrillenus, pausa: sério que eu quase não consigo escrever esse nome todo estrangeirizado, quando eles se apresentavam no Clube do Choro o nome era mais brasileiro, risos, fim da pausa, formado por Adão Camilo (voz), visto na foto acima, Boscotô (marcação e voz), Gari do Cavaco, Julio Cunha (violão), Maurício (tantã), Mamão (pandeiro) e Dadá (voz).

As canecas já estão à venda no local. A Cantina da Madre fica na Av. Rui Barbosa, 136, Madre Deus.

Leminski no youtube

Eu poderia destacar um monte de trechos interessantes aqui, mas ao terminar o filme, pensei: putz, teria que transcrevê-lo inteiro, já que o grande Paulo Leminski é sempre genial. Melhor ir direto ao assunto:

Via Ademir Assunção.

Noel, Rosa secular

Aos que foram, lembrar; aos que não, arrepender-se. Aos últimos, consolo: Noel, Rosa secular terá bis em breve (mais detalhes aqui, assim que os tiver).

A seguir, alguns momentos do show, no clique caprichado e atento de Pedro Araújo.

O Regional Feitiço da Ilha (da esquerda para a direita): Vandico (percussão), Arlindo Carvalho (percussão), Juca do Cavaco (cavaquinho), João Soeiro (violão), Domingos Santos (violão sete cordas) e João Neto (flauta). Ao fundo, o casal de mestres de cerimônias, da Companhia Beto Bittencourt.

O público ocupou todos os espaços do Daquele Jeito (Vinhais). Piada-comentário deste blogueiro na ocasião: “Eu nunca estive aqui, mas nunca vi isso aqui tão cheio”. Após: “Eu nunca tinha visto o Daquele Jeito daquele jeito”.

Os Quatro Senhores interpretam Feitiço da Vila, um dos muitos clássicos da música brasileira lembrados na noite do último 11 de dezembro, quando seu autor, Noel Rosa, o Poeta da Vila, teria completado 100 anos. Da esquerda para a direita: Joãozinho Ribeiro, Chico Saldanha, Cesar Teixeira e Josias Sobrinho.

Outro ângulo dos quatro senhores.

Aqui, Joãozinho Ribeiro em seu momento solo. Ele ganha tempo enquanto Juca troca a corda do cavaquinho e lê o texto de Zeca Baleiro, do programa da noite:

Noel Rosa é o pai da canção brasileira. Ainda que o “polêmico” primeiro samba seja atribuído ao compositor Donga, quem de fato deu forma, peso e medida à canção brasileira foi Noel de Medeiros Rosa, que hoje faria cem anos, não tivesse ele morrido prematuramente aos quase 27.

Noel tinha o toque de gênio, aquela capacidade rara de abordar os temas mais banais com um olhar único, embebido sempre em lirismo e humor. E deixou uma obra imensa, impressionantemente rica e vasta, especialmente quando se sabe que seu autor se foi com a idade de Hendrix e Joplin.

Hoje, Noel recebe a homenagem de quatro legítimos herdeiros de seu lastro de bamba – Cesar, Chico, João e Josias -, quatro cantores-poetas, filósofos de botequim, gênios da canção, assim como Noel.

Perto de vocês me calo.

Saravá, poetas. Esta noite a alma de Noel faz festa no céu!

Zeca Baleiro

O jornalista Samartony Martins (O Imparcial) e o blogueiro. Não vi quando, de dentro do balcão, Pedro Araújo clicou nossa conversa.