sonhos passados a limpo

Parceiro de Tim Maia revive histórias do Síndico em livro; aliás, a obra conta, entre outras coisas, o porquê deste epíteto.

por Zema Ribeiro*

Dois amigos sentam-se, “velhos camaradas”, e revisam suas vidas em um bate-papo alegre, descontraído, animado, espontâneo. Algo como cervejas somando-se às já enxutas, e filmes passando em suas mentes, ligeiros, saudades de um tempo que, sabemos, infelizmente não voltará.

O leitor fica na mesa ao lado, apenas degustando, sorvendo as histórias que Fábio (o músico brasileiro nascido no Paraguai Juan Zenón Rolón) conta ao poeta Achel Tinoco em “Até parece que foi sonho – Meus trinta anos de amizade e trabalho com Tim Maia[Matrix, 2007, 131 páginas, R$ 23,00 no site da editora].

Histórias hilárias recheiam o livro que não traz em si nenhuma pretensão, além da que cumpre muito bem: prestar tributo ao grande artista que foi o “síndico” – esta, aliás, é uma das “falas” de Fábio. É a revisão emocionada e apaixonada de quem, melhor que ninguém, conheceu plenamente Sebastião Rodrigues Maia, o Tim, que “predestinado ao sucesso, (…) continuou sua caminhada…”, como bem observa o músico Ivan Lins no prefácio da obra.

A sinceridade e leveza trazidas por Fábio em cada história contada – literalmente –, irão emocionar não só fãs de Tim Maia e/ou desse seu parceiro na canção que batiza o livro, mas a todos os que lerem “Até parece que foi sonho”.

*correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

[texto publicado na primeira classe, jp turismo, jornal pequeno, sexta-feira santa, 6/4]

(nem tão) rápidas pro feriadão…

o escritor maranhense m. p. haickel lança hoje, em brasília/df, seu novo romance, “cinza da solidão“, sobre o qual já escrevi aqui. maiores detalhes, aqui.

*

o telefone tocou em minha casa, sexta-feira, onze da manhã:

“fabiano, quero falar com você com urgência. pega um táxi e vem pra cá, eu pago”.

fui imediatamente.

“vamos fazer um show em fortaleza e um outro no maranhão“, ele me comunicou.

o vôo já estava marcado para sair às 21 horas. quando chegamos ao aeroporto, foi aquele alvoroço, muita gente pedindo autógrafos, dando-lhe tapinhas nas costas, dizendo que ele era o melhor cantor do brasil, pena que não torcia para o flamengo etc. os integrantes da vitória régia já nos esperavam no saguão. uma comissária nos conduziu ao portão de embarque. entramos no avião ainda vazio. escolhi duas poltronas lá no fundo e ficamos, eu e o tim, aguardando a decolagem.

“atenção, senhores passageiros, por favor, sigam à risca as nossas recomendações: apertem os cintos, não fumem, desliguem os aparelhos e, em qualquer emergência, a máscara de oxigênio cairá imediatamente…”, disse a comissária de bordo pelo interfone.

nem bem a moça acabara de falar, tim levantou-se, já alterado, ofegante, impaciente, com um copo de uísque na mão, e, com seu vozeirão, gritou para o comandante decolar imediatamente. depois de meia hora, ouviu-se a voz do comandante:

“atenção, senhores passageiros, o motivo do atraso foi um problema com o trator que conduz o aparelho até a cabeceira da pista, mas já estamos resolvendo. pedimos a compreensão de todos e as nossas sinceras desculpas”.

tim levantou-se novamente:

“levante esta porra com trator e tudo, seu filho da puta!”.

apesar da cara feia de alguns, a maioria dos passageiros caiu na gargalhada, inclusive uma senhora muito idosa, que estava à nossa frente, em sua primeira viagem de avião – presente de aniversário de um dos seus catorze filhos. ao ver-me conversando com ele, virou-se e me pediu muito polidamente que eu o apresentasse, para que pudesse pedir-lhe um autógrafo, pois tim maia era o seu grande ídolo. não vi nenhum inconveniente em atender ao pedido daquela senhora que completava 92 anos. jamais eu imaginaria que ele a iria receber com descortesia. prontamente, levantei-me da poltrona, estendi-lhe a mão e a conduzi pelo braço à poltrona de tim, que não parava de beber o chivas.

tim, eis aqui uma bela fã que deseja conhecê-lo…” – antes que eu completasse a frase, ele fixou os olhos na mulher e disparou, com uma voz de megafone:

“tarada sexual! aposto que você já fez muita sacanagem na vida e agora vem com essa cara de freira no cio me pedir autógrafo!”.

pior do que a minha vergonha, com todos os passageiros olhando para trás assustados, foi a reação da velha, que caiu na gargalhada, achando o máximo o que ouvira, como se tim lhe houvesse feito os melhores elogios do mundo. mesmo assim, voltei ao meu assento e o deixei lá atrás, ao encantamento da senhora; nem quis mais saber sobre o que conversaram. apenas ouvia, vez por outra, ele me chamando de paraguaio contrabandista, exilado político, imigrante filho da puta, que em vez de estar no brasil vagabundeando, deveria voltar à sua terra natal:

“lá é que é lugar de falsificadores, traficantes, maconheiros”, e tudo o mais que ele conseguia despejar.

(…)

às 18h10 do dia seguinte, chegamos a são luís, contratados que fomos pelo irmão do presidente da república, zequinha sarney, para uma única apresentação num ginásio de esportes. chegamos alquebrados, com os corpos moídos, e sonolentos. fomos conduzidos imediatamente ao hotel quatro rodas, na praia do calhau, um lugar paradisíaco, em meio a uma enorme plantação de coco.

nunca havíamos nos apresentado por aquelas bandas. a cidade vivia dias de grande expectativa, e o noticiário local não falava de outra coisa. todas as manchetes dos jornais eram dedicadas a tim maia e ao seu convidado fábio.

(…)

o show não satisfez as expectativas do público. cantei uma única música – até parece que foi sonho -, na verdade um pesadelo: chaguinha não acertava uma nota, desconcentrando o restante da banda. tim maia estava impossível: xingou mais do que o normal, disse que zequinha sarney não estava com nada e que nada entendia de música. o público o ameaçou com algumas vaias. pouco mais de uma hora de show, retirou-se do palco e deixou a banda tocando sozinha.

“fabiano, vamos pro hotel que a barra está pesando”.

*

o itálico acima é um pequeno-grande trecho de “até parece que foi sonho – meus trinta anos de amizade e trabalho com tim maia“, de fábio (parceiro do “síndico”), em depoimento a achel tinoco. é o livro-alvo de minha coluna, sexta-feira-santa, no jornal pequeno.

*

ou acontece algo (de) extraordinário ou sumo daqui (deste blogue) pelo menos até segunda-feira; vou (tentar) aliviar o cansaço e o stress, nada pequenos.

quase(s)

com pequeníssimas variações da cópia impressa para cá, entreguei o texto abaixo, hoje, para andrea sekeff, professora de jornalismo político (comunicação social, jornalismo, 7º. período, faculdade são luís). é meio (?) amargo, sincero e bastante raso.

o tema era livre, respeitando-se o batismo da disciplina. quase é um texto sobre o domingo de ramos; quase é um texto sobre o dia da mentira. quase é um texto ainda sobre o assassinato de gerô; é quase sobre o jornalismo maranhense; é quase um texto. é quase.

*

A(s) mentira(s) nossa(s) de todo dia

O primeiro dia do mês de abril trazia em si o Domingo de Ramos do calendário da Igreja Católica, quando a Ilha ficou cercada de missas por todos os lados. A data, em que se “celebra” também o Dia da Mentira, neste aspecto, passou em branco. Nenhuma pegadinha terminou com a rima “quem caiu, caiu, hoje é primeiro de abril” ou coisa parecida. Mudaram os tempos ou, eu, por não ser mais criança, já não percebo, em minha sisudez cotidiana, essas nuances menores de uma vida da qual, de certa forma, tenho saudades.

Outro dia, era Dia da Poesia (14/3), e o poeta Marcelo Sahea afirmava: “A gente não precisa de um dia da poesia, precisa é de poesia todo dia”. No campo da mentira, a coisa se dá naturalmente contrária e talvez já não existam as rimas infantis por terem as mesmas sido transportadas ao mundo adulto, à vida real. Ora, quem quiser mentiras basta abrir os jornais. Estão lá, estampadas nas manchetes, textos, fotografias, em cada milímetro da mancha gráfica. Mentiras ou eufemismos como meias-verdades.

O recente assassinato por espancamento – tortura seguida de morte – do compositor Jeremias Pereira da Silva, o Gerô, traduz(iu) muito bem o que digo aqui. Para os jornais governistas, seus assassinos não ficariam impunes, garantia (d)o Governador; para os jornais da “oposição”, um artista, morto ao ser (por ter sido) confundido com um assaltante, era mero “animador de comícios” do atual govern(ad)o(r). O crime em si, o acontecimento em si, nunca foi foco central das notícias (?) publicadas nos jornais (?) ilhéus.

Quem carece de um primeiro de abril quando/onde todo dia é dia da mentira?

um ano sem josué

josué montello é, sem dúvidas, um dos mais importantes intelectuais maranhenses. sua vasta obra inclui mais de uma centena e meia de títulos, entre romance, conto, novela, crônica, obras infanto-juvenis, ensaio, teatro etc. em 2007, quando se celebra “um ano sem josué montello” – com exposição homônima na casa de cultura idem (rua das hortas, 327, centro) –, o escritor completaria 90, se estivesse vivo, em 21 de agosto.

acima, tardiamente, parágrafo inicial de texto que escrevi por ocasião das celebrações de um ano sem o autor de “os tambores de são luís”. para lê-lo inteiro, e com fotos, vá ao overmundo.

em breve, a casa de cultura josué montello (secma) lança edital do concurso “análise de obras de josué montello”, com prêmios de r$ 10.000,00. aviso por aqui.

solidões, dores e sonhos que ainda existem

O escritor maranhense M. P. Haickel, radicado em Brasília/DF, lança “Cinza da solidão”, seu novo romance, na capital federal.

por Zema Ribeiro*

É inegável a contribuição dada pelo escritor M. P. Haickel no panorama da literatura maranhense da última década. O ludovicense nascido em 1971 nunca foi de ficar choramingando pelos cantos as dificuldades, sejam elas de qualquer ordem; ao contrário, sempre arregaçou as mangas e fez as coisas acontecerem. Seguindo a máxima punk do “faça-você-mesmo”, chegou a vender mais de 10 mil exemplares de suas obras, pela hoje adormecida Vírus Editora, onde exerceu as funções múltiplas de redator, revisor, captador de recursos, diagramador, editor e um sem-fim de ofícios outros.

Na capital federal, onde ora reside, M. P. Haickel acaba de publicar “Cinza da solidão[Thesaurus, 2007, R$ 20,00, no site da editora], “uma história romântica”, segundo o subtítulo. Mais que romântica e/ou de amor, o livro – que mantém as características folhetinescas que marcam a obra do autor – é uma história de revolta: ambientando na Brasília da época do impeachment de Fernando Collor, a história se divide em duas partes: a primeira narrada pelo músico Dérick; a segunda, pelo poeta Zeto. “Cinza da solidão”, um romance curto (novela? Conto comprido?), é, antes de qualquer coisa, uma história de sonhos.

“Às vezes acho que tu és um sonhador de primeira… nasceu pra isso: sonhar…” “Tem algum mal nisso?”. Diálogos assim permeiam a história, protagonizada por jovens vivendo no limite, quiçá com um quê de autobiográfica.

Serviço – O lançamento de “Cinza da solidão” acontece quarta-feira, 4/4, às 19h, no Restaurante Carpe Diem (SCLS 104, Bloco D, em frente à Igreja São Camilo), em Brasília/DF. Interessados no livro podem comprá-lo no endereço http://www.thesaurus.com.br, onde é possível obter maiores informações sobre o mesmo.

*correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

[primeira classe, jp turismo, jornal pequeno, hoje]

real ficção

[texto “desonesto” sobre a apresentação da “banda de ficção“, ontem, 28/3, no chez moi (rua do giz, praia grande)]

a chuva parecia querer estragar a noite. no hall do odylo, enquanto são pedro mandava água e depois o céu se aquietar e nos permitir uma noite bem divertida, o ator lauande aires anuncia um espetáculo parte da programação da ii semana do teatro no maranhão. um pê-éfe da rosa forra nossos estômagos. já sentado na praça da faustina, primeira cerveja, aceno para ramon, que (eu) nem (me) conhecia (pessoalmente). ele me mostra para gisele e os dois juntam-se a nós, entre “confusões” iniciais, (re-)encontros, passagens de som e uma doce farra que nem deu ressaca.

ainda revoltado com a morte de gerô, aparece-me cesar teixeira, com quem converso rapidamente (nos reencontraríamos ao final da noite) e informo (oficialmente) que ele será meu objeto de estudo monográfico.

no final das contas a noite de ontem foi bastante positiva. apesar da minha “desonestidade“, tornei a repetir-me ao não ficar para ver o show dos 3reis magros e o seguinte, da pedra polida, e cometer as mal-traçadas que seguem. nossa “síndrome de cinderela” e obrigações matinais do dia seguinte impediram-nos de esperar (mais).

a primeira apresentação, marcada para 20h, só foi acontecer pouco depois de 22h. “sorte” a nossa, o recheio do sanduíche acabou virando a primeira banda do pão, a “banda de ficção“, que acabou ficando mesmo sem batismo: lucap (voz) é um showman e agora eu entendo as porradas que o cassiano viana dá; reuben (guitarra) toca como se estivesse pisando em nuvens, e já me preparo para o esporro na caixa de comentários; andré grolli (bateria), depois de toda a “confusão” gerada por um e-mail sem informações adicionais e uma postagem errada no overmundo, mostrou-se pura energia; marcos ramon (baixo), vulgo ramon de gisele, me fez entender por que é, desde já, desde sempre, um mito: força e vibração.

a “banda de ficção” ficou entre composições próprias (parcerias de lucap com reuben e carol mello, que, como carolina libério, fotografava a noite-maravilha) e um passeio inovador por músicas de carlinhos brown, lenine e paralamas do sucesso.

não mais que 30 pessoas (excluindo da conta os que entravam-saiam-voltavam (?) com novas cervejas e/ou cigarros) presenciaram a apresentação (talvez o público tenha aumentado depois, não sei). quem ficou de fora da “sala de show”, entre cervejas, sinucas, música mecânica e conversas “paralelas”, não sabe o que perdeu.

esper(am)o(s) que possam sabê-lo em breve.

[ao tempo em que eu fazia os links e relia o texto acima, bruno barata, via msn, informa: a 3reis magros acabou. sem maiores detalhes]

sete dias

hoje, às 16h, em frente à delegacia de costumes (1º. distrito, rua da palma, praia grande): ato político e celebração ecumênica pelo sétimo dia da morte de gerô, organizados pelo centro de cultura negra do maranhão (ccn/ma).

"banda de ficção"

o cartaz que abre este post anuncia, mas não completamente, o que rolará amanhã no chez moi, aquele bar cuja entrada, espremida entre lojas de artesanato e casarão abandonado, vê de cima a praça e o bar da faustina (praia grande).
certo, não sou ainda um jornalista. mas apurar as informações que o cartaz não traz não foi (nada) fácil, caros leitores.
antes, eu já tinha noticiado erroneamente, uma apresentação de andré grolli no overmundo. na verdade, a apresentação é(ra) de uma de suas bandas, a pedra polida (conforme anuncia, acertadamente, o cartaz acima). mas isso, o cartaz (que eu recebi via e-mail, sem informação adicional nenhuma) postado naquela nota não explicava (ou explicava? vocês acham que sim?).
então: amanhã, no chez moi, vai acontecer isso aí que o cartaz tá dizendo e um pouquinho mais.
a “banda de ficção” (batismo deste blogueiro) vai ser (salvo engano) o recheio do sanduíche, isto é, toca enquanto a 3reis magros desce e a pedra polida sobe (rolando? rolling stone? like a rolling stone? serão capa da rolling stone brasileira?) ao palco.
o baixista da banda faltou ao último ensaio, por conta de uma gripe fortíssima. e até hoje pela manhã, nem sabia se a apresentação de amanhã iria rolar ou não. o guitarrista, trocou uns tantos e-mails comigo. confessou que nunca (até o “extenso espaço de dois ensaios”, palavras dele) havia tocado com o vocalista, cujos “sons peculiares [do vocalista (que tem uma carreira solo) e da banda] irão casar ou entrar em atrito”, palavras dele, idem.
a esposa do baixista, por msn, confessou-me (ainda não) saber de (quase) nada. “mas o baixista vai? ou será um trio?”, pergunto-lhe. “vai. ele é do projeto”. “e o nome da banda?”. a resposta vem do guitarrista, que me responde um último e-mail após telefonema meu: “o que eu entendi (não, a gente não conversou sobre isso) é que o show é do vocalista [aqui ele dizia seu nome, e eu edito o texto para manter um pouco mais o clima de “suspense”, risos]. quer dizer, a gente não pensou em nome de banda nem nada”.
o repertório: músicas do vocalista (parcerias com o guitarrista e com carol mello) e umas versões de mutantes e paralamas.
com uma “banda de ficção” destas, só me restava fazer este “jornalismo de ficção”, embora tudo o que aí está post(ad)o, seja a mais pura verdade (ou ao menos o que eu consegui apurar, até aqui). elemento de ficção (s)é(rá) também a presença, à apresentação, deste blogueiro (quem aparecer por lá saberá se eu vou/fui ou não). estudar à noite é foda! vamos ver o que acontece daqui para amanhã. se eu aparecer a gente toma umas long-necks por lá (há tempos não vou ao chez moi, mas logo que o bar havia sido inaugurado, não eram vendidas, ali, ampolas de 600ml).
o serviço, (já) que os leitores (já) estão de saco cheio, o blogueiro precisa voar para o segundo tempo e a esposa do baixista já avisou que depois lê o post, precisava (sa)ir também:
“banda de ficção”
lucap: voz
marcos ramon: baixo
andré grolli: bateria
reuben: guitarra
dia 28/3, amanhã, a partir das 20h, no chez moi (praia grande).
ingressos: r$ 3,00 (estudantes com carteira pagam dois terços do valor)
maiores (ou menores?) informações (inclusive sobre as bandas-donas da festa) no cartaz acima e/ou clicando nele.

“banda de ficção”

o cartaz que abre este post anuncia, mas não completamente, o que rolará amanhã no chez moi, aquele bar cuja entrada, espremida entre lojas de artesanato e casarão abandonado, vê de cima a praça e o bar da faustina (praia grande).
certo, não sou ainda um jornalista. mas apurar as informações que o cartaz não traz não foi (nada) fácil, caros leitores.
antes, eu já tinha noticiado erroneamente, uma apresentação de andré grolli no overmundo. na verdade, a apresentação é(ra) de uma de suas bandas, a pedra polida (conforme anuncia, acertadamente, o cartaz acima). mas isso, o cartaz (que eu recebi via e-mail, sem informação adicional nenhuma) postado naquela nota não explicava (ou explicava? vocês acham que sim?).
então: amanhã, no chez moi, vai acontecer isso aí que o cartaz tá dizendo e um pouquinho mais.
a “banda de ficção” (batismo deste blogueiro) vai ser (salvo engano) o recheio do sanduíche, isto é, toca enquanto a 3reis magros desce e a pedra polida sobe (rolando? rolling stone? like a rolling stone? serão capa da rolling stone brasileira?) ao palco.
o baixista da banda faltou ao último ensaio, por conta de uma gripe fortíssima. e até hoje pela manhã, nem sabia se a apresentação de amanhã iria rolar ou não. o guitarrista, trocou uns tantos e-mails comigo. confessou que nunca (até o “extenso espaço de dois ensaios”, palavras dele) havia tocado com o vocalista, cujos “sons peculiares [do vocalista (que tem uma carreira solo) e da banda] irão casar ou entrar em atrito”, palavras dele, idem.
a esposa do baixista, por msn, confessou-me (ainda não) saber de (quase) nada. “mas o baixista vai? ou será um trio?”, pergunto-lhe. “vai. ele é do projeto”. “e o nome da banda?”. a resposta vem do guitarrista, que me responde um último e-mail após telefonema meu: “o que eu entendi (não, a gente não conversou sobre isso) é que o show é do vocalista [aqui ele dizia seu nome, e eu edito o texto para manter um pouco mais o clima de “suspense”, risos]. quer dizer, a gente não pensou em nome de banda nem nada”.
o repertório: músicas do vocalista (parcerias com o guitarrista e com carol mello) e umas versões de mutantes e paralamas.
com uma “banda de ficção” destas, só me restava fazer este “jornalismo de ficção”, embora tudo o que aí está post(ad)o, seja a mais pura verdade (ou ao menos o que eu consegui apurar, até aqui). elemento de ficção (s)é(rá) também a presença, à apresentação, deste blogueiro (quem aparecer por lá saberá se eu vou/fui ou não). estudar à noite é foda! vamos ver o que acontece daqui para amanhã. se eu aparecer a gente toma umas long-necks por lá (há tempos não vou ao chez moi, mas logo que o bar havia sido inaugurado, não eram vendidas, ali, ampolas de 600ml).
o serviço, (já) que os leitores (já) estão de saco cheio, o blogueiro precisa voar para o segundo tempo e a esposa do baixista já avisou que depois lê o post, precisava (sa)ir também:
“banda de ficção”
lucap: voz
marcos ramon: baixo
andré grolli: bateria
reuben: guitarra
dia 28/3, amanhã, a partir das 20h, no chez moi (praia grande).
ingressos: r$ 3,00 (estudantes com carteira pagam dois terços do valor)
maiores (ou menores?) informações (inclusive sobre as bandas-donas da festa) no cartaz acima e/ou clicando nele.

na lata! o som certeiro de criolina

Alê Muniz e Luciana Simões em passeio sonoro universal pelos tambores do Maranhão/Mundo.

por Zema Ribeiro*

Sob o batismo conjunto de Criolina, já faz algum tempo que a dupla Alê Muniz e Luciana Simões vem se apresentando pelos mais diversos palcos do Brasil, a exemplo do Baile do Baleiro (com Zeca Baleiro, em São Paulo) e de um concurso nacional de marchinhas carnavalescas (no carnaval de 2007, quando a dupla ficou entre os três primeiros colocados, no Rio de Janeiro).

Criolina, o nome de um poderoso solvente, lembra crioula (ou o seu diminutivo, crioulinha, que aqui nada tem de pejorativo), cujos tambores são fortíssima(s) referência(s) para os sons ouvidos em sua estréia em disco homônimo [Independente, 2007, R$ 20,00].

Paisagens, sons e outras (porções de) influências maranhenses ocupam as faixas do trabalho mixado no Estúdio Saravá (de Zeca Baleiro), em São Paulo. O próprio Zeca participa do disco, tocando piano acústico em “Lonely girl”, juntando-se a nomes como Erivaldo Gomes (percussão), Beavis (teclados), Gerson da Conceição (baixo), Eliézio (acordeon), Marcos Lussaray (guitarra), George Gomes (bateria) e João Paulo (baixo), entre outros.

Alê Muniz e Luciana Simões assinam, sozinhos ou em parceria, todas as 15 faixas do disco – um bonus track se esconde na última. Há parcerias com César Nascimento, Celso Borges e Mano Borges. Quebra-potes, baladeiras, banguelas, gatos pretos, carapinhas, amores, fogos, santos, zé bedeus e garotas solitárias passeiam pela bolachinha.

Tambores de crioula e mina, rock, cool-brega, maranhensidade e latinidade – aquilo que se convencionou chamar de world music: a Criolina universal.

*correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

[texto publicado na primeira classe, jp turismo, jornal pequeno, sexta-feira, 23/3]

cenas da literatura

“entendem eles que para nos emanciparmos do jugo português devemos, o quanto antes, emanciparmos da língua lusitana a nossa língua, e o melhor meio de o fazer será abrigarmos no idioma novo toda forma de linguagem chula, de calão, de barbarismos e de sujeira em que, desgraçadamente, sempre foi fértil o linguajar do povo. em vez dos clássicos, dos puristas, dos camões e caterva dos séculos passados, falem e pontifiquem os malandros, os analfabetos, os idiotas, as prostitutas e a ralé mais baixa”

[campos de carvalho, em “planalto”, 15/setembro/1941; citado por antônio fraga, em “desabrigo”, de “desabrigo e outros trecos”, publicado pela editora relume dumará em 1999; o conto de fraga está na antologia “cenas da favela – as melhores histórias da periferia brasileira” (geração editorial/ediouro, 2007), organizada por nelson de oliveira e que conta com nomes como joca reiners terron, joão paulo cuenca, ronaldo bressane, joão antonio, marçal aquino, marcelino freire, paulo lins e carlos drummond de andrade, entre outros; resenha por aqui, em breve]

gerô

[isto não é jornalismo! é antes, um comentário emocionado de alguém que perdeu um amigo; gerô foi assassinado no fim da tarde da última quinta-feira, 22]

procurei em diversos discos de back-up, uma foto de gerô. não a encontrei. ele, com o parceiro moisés nobre, embolando numa das (duas) edições da feira da praia grande. alegres, ambos.

apesar da truculência de dois policiais (que, infelizmente, traduzem o comportamento geral da polícia), não é a imagem de gerô morto, no caixão, que vai ficar. fica a imagem de gerô (sempre) alegre, sua voz diferente, única, aos gritos, chamando a todos, “ê, fuleiro!“, “ê, doido!“, bem ao seu estilo. bebi com gerô não mais que meia dúzia de vezes. uma só, seria suficiente: era cativante a figura do poeta/repentista/compositor, seus inseparáveis chapéu de couro, violão e língua afiada.

não engulo (um trecho d)a versão apresentada em algumas matérias jornalísticas: confundir jeremias pereira da silva (o gêro, 46) com um ladrão, é balela. e ainda assim, não justificaria a ação imbecil dos policiais.

acompanhei (parte d)a coletiva de imprensa do comitê estadual de combate a tortura. li a fala de sálvio dino, secretário extraordinário de estado de direitos humanos, no sentido de propor uma pensão à família. não trará gerô de volta, mas é o mínimo que se pode fazer. e urgentemente! “gerô foi assassinado pelo estado”, afirmou magno cruz, presidente da sociedade maranhense de direitos humanos (smdh). urgente deve ser também a punição exemplar dos envolvidos no inexplicável, inaceitável e vergonhoso crime. urgente deve ser também a mudança de comportamento na polícia como um todo.

a morte de gerô (espancado/torturado enquanto algemado) ganha visibilidade. a pergunta que não quer calar: quantos pretos-pobres (nada de eufemismos, por favor!) morrem todos os dias em condições semelhantes?

gerô subiu. hora dessas, já deve estar tocando com cristóvão, coxinho e escrete.

gerô, tu que tanto nos gerou alegria, não morreu!

querem um texto lindo?

para um amor adolescente.

fernando abreu.

esse vai para a porta da geladeira. é para lá que vão os textos que acho lindos. obrigado, fabreu!

guesa hoje, núcleo: duas rapidinhas

acontece hoje, às 19h, na casa do maranhão (praia grande) o lançamento do anuário suplemento cultural e literário jp guesa errante, capitaneado pelo professor alberico carneiro. não lembro se nesta edição tem texto deste blogueiro (provavelmente não), mas estaremos lá brindando (a) longa vida do (ao) suplemento, encartado quinzenalmente às terças-feiras no jornal pequeno.

*

alberico carneiro, antonio ailton, josé maria nascimento, nauro machado, wilson martins e este blogueiro compõem o núcleo de literatura da secretaria de estado da cultura, recém-reativado. o núcleo (s)é(rá) responsável por pensar as políticas para a área, em âmbito estadual. em primeira mão: o edital para o plano editorial 2007 será publicado até o final de abril e as obras contempladas serão publicadas ainda este ano, quando são luís completa dez anos de elevada à condição de patrimônio histórico e cultural da humanidade e quando será realizada, na ilha, a i bienal do livro.

b. o. (ou: com detalhes e sem violência)

“meu patrão, você é meu!”

a saudação ao longe, de um homem menor e mais largo que eu, dita de cima de uma bicicleta, fez-me pensar em um possível conhecido. não era. ele continuou, enquanto nos encarávamos:

siô, me dá um trocado pr’eu interar um rango… fui ali atrás dum cumpade e não deu certo”

rapá, tou sem trocado e com um bocado de pressa, deixa pra próxima…”, disse, já me afastando, ao tempo em que ele me agarrava o braço:

tou com um ferro cheio de bala aqui, siô. não quer dar uma olhada?”

“não, obrigado”. e tentava livrar meu braço.

“me dá uma coisa tua aí de valor!”

rapá, peraí que eu te dou um trocado”, consegui dizer enquanto pensava que ele ia me roubar o relógio, que marcava 19h no pulso direito.

“não! me dá esse celular que tá aí no teu bolso”.

*

acima, o diálogo que se deu no assalto-relâmpago que sofri na noite de ontem, por incrível que possa parecer, pertíssimo de casa. no assalto anterior já chegaram mostrando o revólver; este, perguntou se eu não o queria ver. podia ser um blefe. podia não ser. quem vai saber?

o texto é para eu não ficar repetindo a história para todos os que me perguntarem (e nisto, não reside nenhuma grosseria, certo?). o boletim de ocorrência foi registrado no início da tarde de hoje (18), no plantão central da rffsa (lê-se “refesa”, sigla de rede ferroviária federal, empresa privatizada na “gestão” de f.h.c., dessa sigla vocês sabem o significado, não? a rffsa é daqueles lugares que podem virar o que quer que seja, ninguém lhe mudará o nome. ou você não sabe onde é a escola técnica? e o cine-passeio, você sabe?

*

(somente) na tarde de ontem, após fortíssimas dores no peito sentidas desde a manhã de quinta-feira, procurei a emergência do hospital dr. carlos macieira (vulgo hospital do ipem). medicado e feito um raio-x, o médico não me diagnosticou uma tuberculose ou pneumonia: receitou-me um remédio para gases e um analgésico injetável (que não usarei, já que os sintomas já se foram e já consigo respirar e fazer maiores esforços sem sentir nenhuma dor).

*

o professor francisco colombo anunciou que deixará a faculdade são luís antes mesmo do fim do semestre, notícia que muito deixa triste, particularmente, este aluno-blogueiro.

*

mas é domingo!, e uma semana nova começou… ufa! ainda bem! que venha melhor! amém!