adiado show canção de vida (nota de falecimento)

A Cáritas Brasileira Regional Maranhão, por ocasião dos 50 anos de atuação da Entidade no país, preparou, como já é de seu conhecimento, o cd Canção de Vida, como forma de celebrar esta importante data. O show de lançamento do trabalho estava marcado para hoje, às 20h30min, no Circo da Cidade. Infelizmente a data teve que ser adiada, dada a triste notícia do falecimento de Maria Luiza Moraes Santos (um ano e sete meses) [submetida recentemente à uma cirurgia cardíaca em Belo Horizonte/MG], filha de Cristiane Moraes e Ricarte Almeida Santos, co-produtor do cd e integrante do Secretariado Regional da Entidade.

A Cáritas Brasileira Regional Maranhão vem a público pedir desculpas pelos eventuais transtornos causados e em breve divulgará uma nova data para a realização do show musical. [avisaremos aqui]

Agradecemos antecipada e sinceramente a compreensão de todos, ao tempo em que pedimos a divulgação da presente nota.

bônus overmundo

a tarefa não era fácil, embora nós mesmos tenhamos, democraticamente, nos pautado. sebos. uma matéria sobre esses espaços raros em são luís, ilha ora em crise de identidade, tentando elaborar um (mini-)guia. luiz henrique silva, ricardo milan e este blogueiro dividiram as tarefas e caíram em campo. o resultado do trabalho (a bênção, larissa leda, gracias, gracias!) pode ser conferido no overmundo. para a árdua, embora prazerosa atividade (prazerosa embora árdua?), este blogueiro fez duas entrevistas, que seguem abaixo.

as entrevistas – conversas entre amigos – mantêm toda a informalidade das ocasiões. no chico discos tomei duas cervejas com o proprietário e comprei o bbc sessions, do led zeppelin, além de um vinil de elizete cardoso com o zimbo trio. do papiros do egito, saí com dança dos escravos e música de sobrevivência, ambos de egberto gismonti. não sem antes presenciar um chato que cobrava uns livros deixados ali, naquela tranqüilíssima manhã de sábado [o chato acabou saindo com um cheque em mãos, que só poderia ser descontado na segunda-feira seguinte].

*

entrevista: chico

francisco de assis leitão barbosa, mais conhecido como chico ou chiquinho, tem um ano e meio de sebo próprio, já que era figurinha fácil entre o poeme-se e o papiros do egito, sebos de onde tirou parte de seu acervo particular. o chico discos, misto de sebo e locadora de dvds fica na rua do ribeirão, 319, centro (fonte do ribeirão).

zema ribeiro – chico, quando foi que te deu “o estalo” de abrir um sebo?

chico – eu já tinha muito dvd em casa. daí resolvi juntar com uns livros, que eu tinha também, vinis… comecei o sebo só com coisas minhas.

zr – foi mais ou menos dar utilidade ao acervo que tu tinhas em casa?

c – exatamente. depois as coisas começaram a funcionar, e aqui já aumentaram bastante [refere-se à quantidade de dvds, cds, livros etc.]. dvd é o que mais cresce, eu tenho que comprar toda semana.

zr – o pessoal exige novidades, não é? o nome chico discos remete a sebo, mas a maioria das pessoas freqüenta o espaço por causa da locadora de dvds, não é isso?

c – sim. são luís não tem uma grande circulação de livros. às vezes as pessoas vêm vender, mas são coisas que não me interessam muito: livros escolares, por exemplo. dá um bom dinheiro, mas dá muito trabalho. tem um pessoal que vem locar dvd, há pessoas que eu conhecia do poeme-se, do papiros [sebos de são luís, até hoje freqüentados por chico]. com relação ao nome, ia ser cine discos, eu já tinha até mandado fazer a placa, quando [o poeta] dyl pires disse: “não, rapaz, não bota não! bota chico discos”. aí eu botei.

zr – numa coluna de betinho [o jornalista herbert de jesus santos, colunista do jornal pequeno], li algo sobre sua resistência a colocar um apóstrofo e americanizar o nome. conte-nos essa história.

c – quando eu fui mandar fazer os recibos, a pessoa disse que deveria ser “chico’s discos”. e eu disse: “rapaz, não, eu sou só um” [risos]. até hoje betinho passa aqui e puxa essa história [risos].

zr – chico, em um ano e meio de sebo, o teu espaço já é uma referência da, digamos, “intelectualidade alternativa”, fora dos círculos da academia maranhense de letras, por exemplo. os poetas encontram-se aqui, fazem recitais, ainda que, ou melhor assim, bastante informais. os escritores agora o tomaram como ponto de encontro para elaboração de propostas de políticas públicas que deverão ser entregues ao novo secretario de estado da cultura. o quê que tu achas disso? dá um charme para a casa, ajuda a vender, ou as duas coisas?

c – as pessoas estão sempre por aqui. jovens, pessoas mais velhas. dá charme e ajuda o comércio. eles compram muito, são consumidores ávidos, vorazes.

*


[a organizada bagunça do papiros do egito. foto: zema ribeiro]

entrevista: moema alvim

farmacêutica com mestrado em parasitologia e especialização em entomologia, moema de castro alvim (64) abriu o papiros do egito (rua da cruz, 150, centro) como passatempo. em 14 anos como sebista, tem, hoje, em são luís, uma das casas mais respeitadas do ramo, freqüentada por “tribos” diversas: intelectuais, estudantes, jornalistas, entre outros.

zema ribeiro – sabemos de sua trajetória como professora universitária, hoje aposentada. como surgiu a idéia de abrir um sebo?

moema alvim – há 14 anos, eu abri o sebo papiros do egito, com esse nome para reforçar o endereço, que ficava na rua do egito. lá, em dois anos, o ambiente ficou pequeno para tantos livros; de lá fomos para a rua dos afogados e em mais dois anos, o mesmo problema. nós procuramos um espaço maior, aqui na rua da cruz, mantendo o nome papiros do egito, sempre. aqui também, hoje, já está pequeno. nós tempos cerca de 12 mil livros, três mil cds e sete mil elepês. como professora, eu viajava muito. estudei no rio, em brasília, em belo horizonte, e também não podia comprar livros em livrarias. aí comecei a freqüentar os sebos, principalmente no rio e em belo horizonte e fui juntando muitos livros. quando me aposentei e não quis ficar parada, vi que a única coisa que acumulei ao longo dos anos foram livros. daí a idéia: como faltavam sebos, aqui em são luís só havia o poeme-se, pensei, há espaço para mais um. de 14 anos para cá, surgiram cerca de 20 unidades de ensino superior e fecharam cerca de sete livrarias, uma pena muito grande, inclusive a espaço aberto [que tinha como sócio o compositor josias sobrinho], que era uma livraria muito tradicional.

zr – qual o público que mais freqüenta o papiros do egito?

ma – estudantes e professores universitários, vestibulandos, e profissionais, principalmente advogados.

zr – o que é mais vendido?

ma – as obras de autores maranhenses. eu sempre digo que nós nos deitamos, nos acomodamos com o título de atenas brasileira, que não fazemos mais por merecer. as pessoas não sabem mais freqüentar sebos. hoje é um sábado, em que só dois clientes apareceram por aqui. os alunos procuram mais o sebo na época em que estão elaborando suas monografias, por que eles não encontram essas obras em livrarias e/ou bibliotecas.

zr – há certa tentativa de suprir essa ausência, então…

ma – sim, mas nós estamos convivendo com a geração internet, a geração xerox. ao lado de cada biblioteca de universidade, seja privada, seja pública, há uma máquina de xerox. é proibido fazer cópias de livros, isso é um contra-senso.

zr – o que a senhora acha do mercado de são luís para sebos?

ma[enfática] péssimo! péssimo e não só para sebos: é para livros. os grandes empresários abrem franquias de roupas, tênis, móveis. mas quem abre uma livraria é um idealista, que vai ficar com livros acumulados. os professores também são culpados, por virem [de mestrados e especializações fora do estado] com títulos de livros que não são encontrados aqui. o livreiro é geralmente um comerciante de médio ou pequeno porte que não tem dinheiro para se abastecer de milhares de títulos.

zr – as pessoas também não têm prazer em conversar, não é? essa que é a principal característica dos sebos, já que às vezes se chega numa grande rede, loja de discos, livraria e o vendedor está ali, mas não entende de nada. no sebo, geralmente o proprietário conhece um pouco de tudo o que vende. o que a senhora acha disso?

ma – o jovem, o cliente, quando vem aqui, às vezes vem atrás de lançamentos, o que significa que ele não entende o que é um sebo. se jô soares diz no programa dele que livro tal é bom, ou se sai a relação dos mais vendidos na veja ou na istoé, sei lá, em outras revistas, pode ser no dia anterior, ter sido lançado ontem, eles vêm procurar. chegam e querem ser atendidos como se fosse uma livraria. eles querem que eu dê o título dos livros, entregue o livro na mão, talvez até no capítulo em que lhes interessa. eles não sabem procurar livros em sebos. dão o título dos livros como se estivessem numa farmácia, entregando uma receita ao farmacêutico. o grande charme dos sebos é atirar no que se vê e acertar no que não se vê. as pessoas vêm procurar determinado título e acham outro, que já buscavam há tempos e precisavam.

zr – a partir do que a senhora está falando, dá para fazer um paralelo entre os sebos e a internet, por exemplo. aqui os clientes deveriam entrar procurando uma coisa e, às vezes, sair com outra. é a coisa dos links em textos na internet: você está numa trilha certinha, de repente clica em um link, começa a ler outra coisa e às vezes não volta ao texto em que se estava…

ma[interrompendo] eu sou totalmente tecnófoba. não deveria ser. nós inclusive começamos a catalogar o acervo para colocar num site. na realidade, abri esse sebo para resolver um problema meu. seria muito fácil para o cliente chegar aqui, apertar uma tecla e achar livro “x” ou “y”. eu quero que ele chegue e procure, que se envolva com essa magia.

zr – com isso de querer que as pessoas descubram, se envolvam, voltamos à questão do idealismo. a senhora se considera, portanto, uma idealista?

masim, uma idealista. os primeiros objetos que eu tive em mãos, com coisa de quatro, cinco anos de idade, quando eu estava sendo alfabetizada, o que na época era, de certa forma, considerado precoce, foram livros. livros foram meus primeiros brinquedos e era o que eu gostava. passei muito tempo trabalhando na universidade, mexendo com livros. não pensava em literatura, eu quase não tinha tempo, eram mais livros técnicos voltados para minha área. sinto-me gratificada. conheci muitos autores, outros autores através destes. creio até que contribuo mais para a educação aqui do que quando eu era professora. alunos vêm aqui buscar material para suas monografias, se eu não tenho, procuro ajudar, informar onde ele encontra, ou mandando buscar no rio de janeiro.

dois textos

1. texto de divulgação do show canção de vida, lançamento do disco que celebra os 50 anos da cáritas brasileira. lena machado e banda [7/12, 20h30min, circo da cidade] e mais detalhes aqui. quero ver a turma lá, alô leitores, alô amigos, alô!

2. o texto da semana, no diboa. tirem suas próprias conclusões.

não sou poeta! sou pintor!

amigo meu entra no msn e pede-me uma poesia. digo-lhe que não escrevo mais poesia e não há nada de mal-educado em minha resposta. deixei de dizer-lhe, no entanto, que pintava poesia. a poesia alheia, é claro. artesanalmente, bem ou mal, em camisas, assim, ó:

música foda brasileira

[jornal pequeno de hoje, jp turismo, primeira classe]


[reprodução da capa de pelo público]

Bom humor e finas ironias marcam “Pelo Público”, quarto disco de Carlos Careqa, inventivo nome da música (im)popular brasileira.

por Zema Ribeiro*

Zeca Baleiro, no texto de apresentação de “Pelo Público[Thanx God/Tratore, 2006, R$ 21,50], define Carlos Careqa como “punk bossa-nova” e vai além: “eu diria que o cara é foda”, encerra o texto. Careqa é tudo isso, sim. Não é fácil juntar, na mesma faixa, Talking Heads com Adoniran Barbosa.

Pelo Público” é um disco engraçado. Mas nada de facilidades, obviedades e similares. A começar pela capa. A começar pela primeira faixa, com a impagável participação especial – voz e filosofia – de Falcão, sim, o papa pop-brega.

Politicamente incorreto, Carlos Careqa faz um disco machista, mas com a sua graça: “a mulher é um pentágono / tem um lado na frente / e os demais / pelo ângulo que vemos / de um lado a gente gosta menos / de quatro a gente gosta mais”, canta em “Os cinco lados da mulher”. Em “Ser solteiro”: “solto todos os gases que quero / tiro meleca do meu nariz / se eu chegar tarde eu mesmo me espero / ah! Como eu me faço feliz!”. Refinado senso de humor, ao contrário da agressividade gratuita que tanto se ouve por aí, nos ônibus da vida.

Em “Espinha de Bacalhau”, o recado é certeiro (pena que a maioria das rádios brasileiras seja surda): “essa é uma canção / ridícula / pra tocar em FM / bobinha / se você não decorar / frívola / se você não decorar / estúpida”.

Entre bossa, samba, balada, bolero e, principalmente o etc., Carlos Careqa dá o seu recado. Dois títulos podem traduzir todo o espírito do disco – e a vontade de quem o ouve pela primeira vez de não tirá-lo mais do cd-player: “Agora é pra foder”. “O resto é pó”. Fundamental.

*correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

tão zé, certeiro


[essa “arte” aí tá no site do gênio de irará, acima o único link do post. eu só colei a reprodução da capa do disco novo]

a carapuça só “assenta” na cabeça de quem usa.

ei, você aí! já ouviu/leu o dito acima? pois é… se você é daqueles leitores que gostam de facilidades, desista! pode parar a leitura por aqui. nesse post, eu não vou botar nenhum link, salvo o da imagem acima.

quem tem boca vai à roma. quem tem curiosidade, vai deus sabe onde…

acabo de ver tom zé entrevistado por jô soares, na globo. só soube na hora, do contrário, teria avisado por aqui. o homem (o primeiro) é um gênio! não, não há exagero! todos os que me lêem (poucos, mas fiéis) sabem que sou fã do cabra, que estava ali, aos 70 anos, lançando seu novo disco. ah, durante, um aviso: isso não é jornalismo!

aqui não vou também lembrar trechos da entrevista. procurem aí no youtube (sem link, risos), na blogosfera, no site da tv, se virem!

ou vocês são como alguns (a maioria, para ser sincero) freqüentadores da batcaverna? explico: a maioria das pessoas que vai ali, a maioria universitários, repita-se: a maioria, vai para ouvir frases do tipo “riquelme na batera!” (é assim que se escreve “riquelme”?).

este post soa (soa?) meio (meio?) preconceituoso. não nego.

ah!

querem saber duma coisa? vão ouvir tom zé!

uma sincera canção de vida

[primeira classe, jp turismo, jornal pequeno, hoje]

“Canção de Vida” celebra os cinqüenta anos da Cáritas Brasileira. Sobre o trabalho, Zema Ribeiro conversou com a intérprete Lena Machado, voz e alma do disco.

por Zema Ribeiro*

A Cáritas, organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), festejou no último dia 12 de novembro, cinqüenta anos de atuação no Brasil. Para celebrar a data e a caminhada, o Regional Maranhão preparou o belo “Canção de Vida”, onde Lena Machado, integrante do Secretariado da Entidade no Maranhão há seis anos, emprestou sua voz e registrou dez faixas que marca(ra)m a trajetória da Cáritas Brasileira no Estado.

O violonista Luiz Jr. arranjou todo o disco e arregimentou os músicos que se ouvem nas composições de Cesar Teixeira, Jurandy Ferreira, João do Vale, Joãozinho Ribeiro, Chico Canhoto, Gonzaguinha, e Guarabira.

Flanelinha de Avião”, inédita de Cesar Teixeira, já é um hit e vem tocando nas rádios ludovicenses há um tempinho. Sobre este trabalho, Zema Ribeiro conversou com a intérprete Lena Machado.


[design: Raquel Noronha]

Entrevista: Lena Machado

Zema Ribeiro – Lena, o que significou para você emprestar sua voz para o disco “Canção de Vida”?

Lena Machado – Mais uma contribuição na minha trajetória de artista cidadã, com um caráter um pouco diferente, já que eu nunca havia gravado antes, de forma profissional.

ZR – Como se deu a escolha do repertório do disco?

LM – Foi um processo coletivo. Sentamos com a equipe do Colegiado Regional, pensamos um repertório a partir das músicas que eram cantadas regularmente em encontros e congressos da Cáritas e músicas que trouxessem algo de novo para essa caminhada. Nesse contexto entraram “Oração Latina[de Cesar Teixeira], que é uma música maranhense, mas que está sempre presente nos encontros nacionais, com grande identificação das pessoas, “Milhões de Uns[de Joãozinho Ribeiro] também, que foi cantada na noite de Celebração dos 50 anos da Cáritas durante a mais recente assembléia da CNBB. Queríamos diversificar o repertório, respeitando os programas e linhas de atuação da Cáritas, valorizando principalmente os compositores maranhenses.

ZR – E as inéditas? Como vocês chegaram até elas?

LM – Foi um processo de pesquisa, daquilo que poderíamos apresentar de novidade no cd, músicas que falassem dos contextos onde a Cáritas atua, o caso de meninos em situação de rua, presente em “Flanelinha de Avião”, e a realidade dos trabalhadores rurais, caso de “Sem Resposta”, além de uma ligação nossa com os compositores, no caso dessas duas, Cesar Teixeira e Chico Canhoto, de trajetórias muito ligadas às questões sociais, de denunciar isso através da arte. É também uma tentativa de fugir de canções que fossem panfletárias demais, dando um mergulho na fonte da música popular brasileira para tratar de temáticas infelizmente atualíssimas.

Serviço

O quê: “Canção de Vida
Quem: Lena Machado
Onde comprar: Cáritas Brasileira – Regional Maranhão (Rua do Alecrim, 343, Centro), Poeme-se (Rua do Sol, Centro, próximo ao Sindicato dos Bancários; Rua João Gualberto, 52, Praia Grande); Livraria Athenas (esquina de ruas do Sol e Antonio Rayol); Chico Discos (Rua do Ribeirão, 319, Centro – Fonte do Ribeirão).
Quanto: R$ 20,00 (preço sugerido).

* correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

girando feito vinil sob agulha

Diversos boêmios estão entre os consultores/conselheiros sentimentais deste escriba. Procura-se e acha-se (cachaça-se) vivos ou mortos: João Antonio, Antonio Maria e Xico Sá, entre inúmeros outros. Não, não é pura vontade de ser mal-influenciado – ao contrário, acho até que ando muito bem acompanhado – nem de ser mal-influenciador – apenas lembrando-me que ocupo esta tribuna para falar aos mais jovens (ao menos creio).

[o texto dessa semana no diboa. para lê-lo na integra, clique aqui]

obscuras críticas (que talvez nem merecessem comentários, os fatos falam por si só)

Não me dei ao trabalho de saber se as notas abaixo foram publicadas ou não no jornal (?) Diário da Manhã. Elas estão penduradas no Blog do Kenard, com a data de ontem, terça-feira 21:

*

Cultura
Quando prefeito de São Luís, Jackson Lago não deu muito valor para as questões culturais. Assim, não se importava muito com o nome que ocupava a Fundação Cultural. Na verdade, desconsiderava tanto a cultura, que deixava o cargo de presidente da Fundação para os aliados da ocasião, pouco se importando se o sujeito tinha competência ou não. Era a forma de contemplar o aliado sem dar cargos considerados mais importantes.

Cultura 2
Claro que isso era um erro e tanto. A Fundação Cultural (ou Secretaria de Cultura, agora), como sempre escrevi, é tão importante quanto a Secretaria de Fazenda. A cultura em mãos certas rende para o governo às vezes muito mais que outras secretarias tidas como importantes. Resta saber se agora como governador eleito Jackson Lago mudará de opinião. Espera-se que sim.

Lá vem ele
Jackson Lago nem bem saía das urnas e Joãozinho Ribeiro já se movimentava para tentar ganhar a Secretaria de Cultura. Como nos tempos de Jackson prefeito, corre para o colo da turma do Laborarte, atrás de apoio e de lista de apoiadores. O governador eleito deve tomar cuidado. O Maranhão merece qualidade na cultura.

*

Pela caixa de comentários, mandei-lhe o seguinte (aqui, em itálico):

Kenard, não sei quais as suas pretensões e/ou intenções. Tenho andado silencioso com relação aos movimentos de Laborarte, Grita (e entre outros: Fóruns Municipal e Intermunicipal de Cultura, Instituto Pólis e alguns nomes do MinC) por saber que gente como você diria logo: “Zema defende o nome do homem pensando na própria barriga (e/ou umbigo)”. Agora você querer nos convencer (a mim, não) de que Joãozinho Ribeiro é um nome ruim para a Secretaria de Cultura do Estado é um pouco demais, não? Independentemente de amizade e/ou ideologia(s) não lembro de nenhum nome melhor. Joãozinho tem todas as características necessárias para assumir a pasta e fazer um bom trabalho.

A resposta, me foi enviada por e-mail (isto é, o comentário não foi publicado no blogue), abaixo, em itálico:

Da mesma maneira que fez na Fundação Cultural, quando Jackson era prefeito. Uma porcaria de não-trabalho. Essa conversa fiada de forum disto, forum daquilo é coisa de gente que é preguiçoso, que não quer trabalhar. Me dou com Joãozinho mas ele não tem preparo para o cargo. Ponto final.

*

O Sr. Roberto Kenard 1) (tenta) desqualifica(r) o trabalho de Joãozinho Ribeiro (infinitamente superior ao não-trabalho prestado pelo jornalista enquanto Diretor de Redação de seu jornal e a comparação termina por aqui mais em respeito a João), 2) e de membros do Fórum Municipal de Cultura, todos voluntários (eu, ao menos, enquanto prestei serviços ao FMC, na Assessoria de Comunicação, nunca recebi um centavo e não arrependo-me de ter “perdido” esse tempo), 3) acha-se o “dono da verdade” (qualidade péssima a um jornalista), ao (tentar) “encerrar” o assunto com um simples e infantil “ponto final”.

Aqui, ó, em maiúsculas e em negrito: ESTE BLOGUE APÓIA A INDICAÇÃO DE JOÃOZINHO RIBEIRO PARA A SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA.

Com a palavra, os caríssimos leitores deste blogue. Comentários aqui não sofrem censura, moderação ou coisa que o valha.

da série "resenhas fora de época"

[o título do post somente se justifica pela resenha aqui publicada não estar no “calor” do lançamento da obra. nada mais. a “série” foi iniciada aqui]

A poética do reengajamento pela linguagem: espaços e tempos do local e do universal

por Valmir de Souza*

Volto a S. Luís pela pena escrita de Joãozinho, o grande de coração, de entendimento das urgências da vida e da tradição lenta de uma cidade que permanece através dele em nós. O autor que tanto opera pelos outros e abre caminhos, agora faz a sua leitura de mundo, a sua des-leitura da cultura engendrada pelo tempo histórico e social dos que querem eternizar a memória dos poucos. João está com os muitos, convive com muitos, seus outros tão seus próximos ainda pela palavra.

Mas o poeta também volta ao seu lugar, ou melhor, faz da cidade sua paisagem, se confundindo com ela. Essa revisitação da vida em forma literária faz do livro o próprio poeta.

Já pela capa vemos o tempo na paisagem, São Azulejos de Luís. A presença do tempo marcada pelas pequenas ruínas nas flores azulejadas de verde.

O título “Paisagem feita de tempo” nos envia à temporalidade e ao espaço vistos do ponto de vista poético. Ler esse livro é de enorme prazer em ver o registro da cultura marcando o olhar.

A memória silenciosa presente em versos como “Toda inquietude do silêncio / Tendo vez e voz / Nesta paisagem / Que eu crio e transformo / De fruto do meu corpo / E semente da minha crença / Em pés do meu destino” (p. 18). O poeta luta na revisão de seu calendário, ainda que não seja de fácil operação.

O livro percorre espaços-ruas das cidades dentro da cidade, mas também a trajetória do sujeito poético-cultural que é Joãozinho. A história da cidade se confunde com a do poeta-sujeito-histórico. Que convive com quem fez a história a seu modo: bêbados, prostitutas, benzedeiras etc. O lirismo dos bêbados cheios de poesia e música de Isidoro Damasceno com sua “santa bebedeira” (p. 22). “No coração do Centro Histórico” projetos de moradia, ironia em relação ao desnorteio daqueles que viveram no centro da cidade, das cidades.

A visão do expurgo feito pelo trabalho das máquinas que tanto encantam as crianças, mas que é resultado de “projetos de modernização”. Assim se constata nos versos: “Até deparar com as garras / Dos tratores sangrando a terra / E soterrando os encantos / Da Praia do Boqueirão”. (p.43)

O poeta se apropria da cidade que é sua e de todos. “Cidade és minha paisagem / Feita de tempo e de mim / Feita de tudo que somos / E do que seremos, enfim.” (p.100)

O poeta escuta a cidade invisível inscrita nos interstícios da memória, contra o “mundo caduco” da modernização, fazendo sua resistência cultural.

Um livro feito de palavras e ilustrações. Estas, de uma sensibilidade que nos leva à infância do ser Joãozinho e do ser de todos nós, brasileiros e universais. O pipa-papagaio-pandorga-capucheta que leva ao sonho; a tia vendendo mingau de milho; uma chaminé, uma pessoa e uma fábrica; o gato Inocêncio na goiabeira; as duas “aranhas”; cidades etc.

Gostei.

(*) Professor universitário, pesquisador cultural, coordenador do projeto “Café Filosófico” na cidade de Guarulhos/SP

*

rola, internet afora, um manifesto defendendo o nome de joãozinho ribeiro (que trouxe de são paulo, na bagagem, o texto acima) para a secretaria de estado da cultura. manifesto legítimo, diga-se, encabeçado pelo grupo independente de teatro amador (grita), laboratório de expressões artísticas (laborarte), fóruns intermunicipal e municipal de cultura e instituto pólis, entre outros. haverá, nesta quarta-feira (22), às 19h, um manifesto político onde este apoio será publicizado. anote aí: será no laborarte (rua jansen müller, 42, centro). os interessados em declarar apoio, podem fazê-lo enviando nome, endereço, profissão e rg ou cpf para o e-mail elizandra.rocha@yahoo.com.br e/ou elizandra_31@hotmail.com e/ou comparecendo ao ato supra.

*

acontece amanhã, a abertura do 8º congresso de música do maranhão (convento das mercês); a primeira “palestra” do dia (8h30min) será ocupada pelas “propostas de políticas culturais do governo jackson lago”. representando oficialmente o governador eleito, estará joãozinho ribeiro, elaborador do programa de governo para a área.

*

há um tempinho não nos falávamos. ela que detesta quando eu desato a falar de política (nem sei se chegará até aqui na leitura). mas foi bom vê-la mandar-me um beijo da janela do ônibus, enquanto eu, oh! exagero, quase morria atropelado ao atravessar a cajazeiras e (tentar) retribuir, desajeitado, o gesto.

da série “resenhas fora de época”

[o título do post somente se justifica pela resenha aqui publicada não estar no “calor” do lançamento da obra. nada mais. a “série” foi iniciada aqui]

A poética do reengajamento pela linguagem: espaços e tempos do local e do universal

por Valmir de Souza*

Volto a S. Luís pela pena escrita de Joãozinho, o grande de coração, de entendimento das urgências da vida e da tradição lenta de uma cidade que permanece através dele em nós. O autor que tanto opera pelos outros e abre caminhos, agora faz a sua leitura de mundo, a sua des-leitura da cultura engendrada pelo tempo histórico e social dos que querem eternizar a memória dos poucos. João está com os muitos, convive com muitos, seus outros tão seus próximos ainda pela palavra.

Mas o poeta também volta ao seu lugar, ou melhor, faz da cidade sua paisagem, se confundindo com ela. Essa revisitação da vida em forma literária faz do livro o próprio poeta.

Já pela capa vemos o tempo na paisagem, São Azulejos de Luís. A presença do tempo marcada pelas pequenas ruínas nas flores azulejadas de verde.

O título “Paisagem feita de tempo” nos envia à temporalidade e ao espaço vistos do ponto de vista poético. Ler esse livro é de enorme prazer em ver o registro da cultura marcando o olhar.

A memória silenciosa presente em versos como “Toda inquietude do silêncio / Tendo vez e voz / Nesta paisagem / Que eu crio e transformo / De fruto do meu corpo / E semente da minha crença / Em pés do meu destino” (p. 18). O poeta luta na revisão de seu calendário, ainda que não seja de fácil operação.

O livro percorre espaços-ruas das cidades dentro da cidade, mas também a trajetória do sujeito poético-cultural que é Joãozinho. A história da cidade se confunde com a do poeta-sujeito-histórico. Que convive com quem fez a história a seu modo: bêbados, prostitutas, benzedeiras etc. O lirismo dos bêbados cheios de poesia e música de Isidoro Damasceno com sua “santa bebedeira” (p. 22). “No coração do Centro Histórico” projetos de moradia, ironia em relação ao desnorteio daqueles que viveram no centro da cidade, das cidades.

A visão do expurgo feito pelo trabalho das máquinas que tanto encantam as crianças, mas que é resultado de “projetos de modernização”. Assim se constata nos versos: “Até deparar com as garras / Dos tratores sangrando a terra / E soterrando os encantos / Da Praia do Boqueirão”. (p.43)

O poeta se apropria da cidade que é sua e de todos. “Cidade és minha paisagem / Feita de tempo e de mim / Feita de tudo que somos / E do que seremos, enfim.” (p.100)

O poeta escuta a cidade invisível inscrita nos interstícios da memória, contra o “mundo caduco” da modernização, fazendo sua resistência cultural.

Um livro feito de palavras e ilustrações. Estas, de uma sensibilidade que nos leva à infância do ser Joãozinho e do ser de todos nós, brasileiros e universais. O pipa-papagaio-pandorga-capucheta que leva ao sonho; a tia vendendo mingau de milho; uma chaminé, uma pessoa e uma fábrica; o gato Inocêncio na goiabeira; as duas “aranhas”; cidades etc.

Gostei.

(*) Professor universitário, pesquisador cultural, coordenador do projeto “Café Filosófico” na cidade de Guarulhos/SP

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rola, internet afora, um manifesto defendendo o nome de joãozinho ribeiro (que trouxe de são paulo, na bagagem, o texto acima) para a secretaria de estado da cultura. manifesto legítimo, diga-se, encabeçado pelo grupo independente de teatro amador (grita), laboratório de expressões artísticas (laborarte), fóruns intermunicipal e municipal de cultura e instituto pólis, entre outros. haverá, nesta quarta-feira (22), às 19h, um manifesto político onde este apoio será publicizado. anote aí: será no laborarte (rua jansen müller, 42, centro). os interessados em declarar apoio, podem fazê-lo enviando nome, endereço, profissão e rg ou cpf para o e-mail elizandra.rocha@yahoo.com.br e/ou elizandra_31@hotmail.com e/ou comparecendo ao ato supra.

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acontece amanhã, a abertura do 8º congresso de música do maranhão (convento das mercês); a primeira “palestra” do dia (8h30min) será ocupada pelas “propostas de políticas culturais do governo jackson lago”. representando oficialmente o governador eleito, estará joãozinho ribeiro, elaborador do programa de governo para a área.

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há um tempinho não nos falávamos. ela que detesta quando eu desato a falar de política (nem sei se chegará até aqui na leitura). mas foi bom vê-la mandar-me um beijo da janela do ônibus, enquanto eu, oh! exagero, quase morria atropelado ao atravessar a cajazeiras e (tentar) retribuir, desajeitado, o gesto.

primeira classe na primeira classe de hoje

[jp turismo, jornal pequeno]

As tacadas certeiras de Peréio

“O artista cagando para a obra e vice-versa”, atesta/avisa Xico Sá no prefácio do livro. Editora do Bispo bota na rua as delicadezas de um dos atores mais importantes do país.

por Zema Ribeiro *

Por que se mete, porra? – Delicadezas de Paulo César Peréio[Editora do Bispo, 2006, R$ 38,50] é obra inclassificável. Ora, o Peréio todos conhecem, amam ou “odéiam”. O currículo do homem é invejável: mais de cinqüenta filmes e outras curriculagens impublicáveis. Aqui, o homem fora de cena, percorrendo botecos, sinucas, amores e dores, muito além da óbvia rima. Contrariando o título, as indelicadezas aqui reunidas são, antes de qualquer coisa, obras/frutos do amor.

A obra é a vida organizada/contada em bilhetes, fotografias, ilustrações, guardanapos anotados e amassados em mesas de bar. “A vida é cada vez menos”, repete, o tempo passa, “mais uma ficha!”, pede, junto com o parceiro em mais uma rodada de sinuca, num boteco qualquer.

Luxuosa – como outras edições “do Bispo” –, “Por que se mete, porra?” traz na capa uma imagem “bukólica”: algo como um bucolismo digno de Charles Bukowski, outro fodão de outro pedaço da América. A primeira imagem, pós-capa, mostra um Peréio pensador (o de Rodin?), sentado num vaso sanitário. Daí pra frente, um lirismo incessante, sincero, de que só os bêbados e as crianças são capazes.

“Cuidado com a incapacidade da ironia, com o provincianismo mental! Há mais do que um sentido no texto, então no discurso, contido em nenhuma palavra dela ou dele. Pois é impossível o texto do discurso dizer aquilo que diz.”, avisa Peréio num dos bilhetes, post-its pregados na porta da geladeira, que a obra pode ser copiada desde que citada a fonte, à vontade, pois, meus caros, que a prosa-porra-louca-vida-louca-vida do homem vale muito a pena.

Nessas “Delicadezas de Paulo César Peréio”, até mesmo a dor tem alguma graça.

* correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

viagens de novembro*

alôs para as turmas

de são paulo:

acontece dias 16, 17 e 18/novembro, o encontro de artistas américa do sul, que tem como tema a responsabilidade do artista no reencantamento do mundo. a realização é da rede mundial de artistas em aliança, com apoio do instituto pólis, secretaria de estado da cultura de são paulo e casa das rosas, onde acontece o encontro.

no dia 17, o poeta, compositor e professor universitário maranhense joãozinho ribeiro participa de uma mesa, às 14h, com daniel hilário e sebastião soares, cujo tema é cidadania cultural e as responsabilidades humanas.

a quem interessar a programação completa, basta enviar-me um e-mail.

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e de brasília:

dias 16 e 17, rosa reis apresenta o show flor da mangueira, na capital federal. na sala funarte cássia eller (atrás da torre de tv). os ingressos custam r$ 5,00 e r$ 2,00 (para estudantes, idosos, músicos e funcionários da petrobrás).

[* viagem de novembro (no singular) é uma música de erasmo dibell, gravada por carlinhos veloz]

pré-texto


[clica aí em cima, para ver o cartaz ampliado]

pré-texto, que o texto mesmo, ainda não fiz. aguardem! de já, fica a dica. uma boa pedida para o presente (antecipado, moços, corram!) de natal. canção de vida, disco comemorativo dos 50 anos da cáritas brasileira, com interpretações de lena machado para composições de joão do vale, gonzaguinha e joãozinho ribeiro, entre outros. inclui as inéditas sem resposta (chico canhoto) e flanelinha de avião (cesar teixeira).

onde comprar? aí, ó:

cáritas brasileira – regional maranhão
rua do alecrim, 343, centro

chico discos
rua do ribeirão, 319, centro – fonte do ribeirão

poeme-se
rua joão gualberto, 52, praia grande
rua do sol (próximo ao sindicato dos bancários)

livraria athenas
esquina das ruas do sol e antonio rayol

tô diboa!

pedrinho almeida me convidou, e eu, de pronto, aceitei. a partir de hoje (agora) escrevo uma coluna semanal (às segundas-feiras) no diboa. alô, patrocinadores… interessados, fineza fazer contato…

sem mais blá blá blá, confiram a estréia aqui, ó!