ontem e hoje

com atraso, reproduzo aqui o publicado terça-feira no diário da manhã e quarta no colunão. no primeiro, a estréia da prometida “resenha fora de época“; no segundo, uma nota que escrevi para o senadinho [que aguarda a colaboração dos leitores deste blogue], a prosa leve de andré resende e a agenda cultural. na primeira página do semanário, walter rodrigues dá um triste aviso, a seguir transcrito:

atenção, assinantes e demais leitores

vamos ter que parar. não ainda de uma vez por todas, mas apenas por uma ou, no máximo, duas semanas. tempo necessário para repensar o projeto, melhorar a administração, inclusive a distribuição, redefinir contratos, reduzir custos, pôr os pés no chão e dar uma trégua à saúde. é absolutamente indispensável. como está – quase uma “escola de samba do eu-sozinho” – acaba virando um suplício, uma coisa que maltrata e diminui a vida.

desculpem a fraqueza momentânea. muito breve estaremos de volta. palavra. (wr)

1.
É um Braseiro, mora!
do Diário da Manhã de 6 de junho

A imprensa funciona (quase) sempre no calor das coisas. É o furo de reportagem, é a notícia quente. Na contramão disso, Diário Cultural fará, de vez em quando, resenhas fora de época, abordando discos e livros que não foram lançados recentemente. Na estréia um “faixa a faixa” de “Braseiro”, de Roberta Sá.

Não acredito em ídolos fabricados. O único lugar em que sucesso vem antes de trabalho é no dicionário, maldito clichê, talvez desnecessário, maldita rima. Roberta Sá participou do Fama, da TV Globo e não venceu sua edição. Sorte a dela, sorte a nossa. Acercou-se de gente boa a boa moça e pariu “Braseiro” (MP,B, Universal, 2004, preço sob consulta em http://www.robertasa.com.br).

A comparação com Marisa Monte talvez seja inevitável, embora apressada: ambas são bonitas, cantam bem e não são produtos descartáveis de uma mídia eternamente ávida por novidades. Mas já na faixa de abertura – “Eu Sambo Mesmo”, de Janet de Almeida, já gravada pelo “gênio” João Gilberto – Roberta atesta: “há quem sambe por ver os outros sambar / mas eu não sambo para copiar ninguém / eu sambo mesmo com vontade de sambar”. Proposital ou não, está dado o recado.

“Pelas Tabelas”, de Chico Buarque é a segunda. Samba acelerado, animado, com percussão de Marcos Suzano. Samba esquema novo, para citar o clássico de Ben. “Tão vendendo ingresso / pra ver nego morrer no osso” são versos certeiros de “No Braseiro”, da lavra de Pedro Luís, um dos mais importantes compositores brasileiros surgidos ao fim do século passado, antenado com a urbanidade, a batucada de sua Parede, eles que participam da faixa.

Quem aparece na quarta faixa é a melancolia samba (a)lento de Marcelo Camelo (Los Hermanos) em “Casa Pré-Fabricada”. Pedro Amorim e Teresa Cristina – outra sambista muito interessante da geração de Roberta – assinam “Lavoura”, cantada com a participação especial de Ney Matogrosso, que em 2004 – ano de lançamento deste “Braseiro” – gravou, com Pedro Luís e A Parede, o ótimo “Vagabundo”.

Em “Ah, Se Eu Vou”, o samba nordestino de Lula Queiroga, com pitadas de coco, no ritmo e na letra: “Todo santo dia / ela ia / ela ia lá me chamar / prá dançar coco / a beirada da saia querendo rodar”. Aqui, novamente, a batucada da Parede de Pedro Luís, parceiro de Queiroga [não nessa faixa, a parceria]. Em “A Vizinha do Lado”, a beleza do samba de Dorival Caymmi, algo distante das pragas que passaram a “representar” a música baiana em épocas de tchans e similares.

Só duas músicas de “Braseiro” se distanciam do samba. Uma é “Valsa da Solidão”, de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho. É a tristeza de “toda essa vontade de morrer de amor”. É a beleza disso. Com participação especial do MPB-4, “Cicatrizes”, de Miltinho e Paulo César Pinheiro, é outro samba prova de tristez’alegria: “acho que estou pedindo uma coisa normal / felicidade é um bem natural”.

A outra longe do samba predominante fecha o disco. “Olho de Boi”, de Rodrigo Maranhão – coincidência? – que acaba parecendo, embora não seja, uma “reza” em causa própria: “olho de ajudar boi / rezo pelo popular”. É bem brasileiro o “Braseiro” de Roberta Sá. Ela, de já, uma cantora popular.

2.
O nome da ponte
nota no Senadinho, seção de “idéias & toques sem muita formalidade”, no Colunão de 5 de junho, que só circulou hoje.

A coluna de PH, n’O Estado do Maranhão de quinta-feira 1/6, trata do batismo da nova ponte sobre o Estreito dos Mosquitos. A “disputa” estaria entre Ivar Saldanha e Maria Aragão, o primeiro indicado pelo deputado Pedro Fernandes. PH não diz quem sugeriu a “médica comunista”, mas informa que “a maioria das pessoas consultadas” (onde?) optou por Ivar. Consultadas onde?

3.
Fidelidade a três – ou mais

Tristeza e beleza: carne e osso da literatura de André Resende, que em obra de leitura rápida, toma “o destino exato dos passos aleatórios”, como somos advertidos na orelha do livro.

“Costumam acontecer coisas surpreendentes na sua vida que jamais passaram por suas idéias ou mesmo imaginação? Alô. Acorda. Isso é a vida”. A advertência, mais que verdadeira, está em “Amor Vário” (Editora Altana, 2005, 95 páginas, preço sob consulta em http://www.altanalivros.com.br), de André Resende.

A cor da capa anuncia o nome – inventado, não apenas por tratar-se de obra de ficção – de uma das protagonistas: Violeta, mulher que se diverte com homens vários na casa que herdou do marido e que faz questão que não tenha trinco na porta de entrada; no acordo que faz com aquele que será seu hóspede mais constante, esta é uma das exigências. A outra é que ele nunca se envolva com Rosa, a outra – flor de cheiro estranho, perceberá o leitor – personagem que compõe o trio central da história. Estranhos que dividem o mesmo teto, cada qual com suas reservas.

Num recurso estilístico, o autor não faz uso de travessões para anunciar as falas dos personagens; sem uma divisão anunciada, integram-se ao texto os diálogos, aparentemente sem sentido. Mas só aparentemente, como é, por vezes, a própria vida.

Triste e bonito, como a vida, às vezes, o livro é ligeiro. Proposital, talvez: para que não se perca tempo com literatura e se viva a vida, plenamente, como celebra a pena de André Resende.

Serviço

O quê: “Amor Vário”.
Quem: André Resende, que pela mesma editora lançou “O Mundo Enquadrado”, em 2004.
Onde: Editora Altana (http://www.altanalivros.com.br).
Quanto: sob consulta no site da editora.

4.
Agenda Cultural
(como nada do “agendado” “caducou” ainda, reproduzo aqui).

Teatro
Ballet Roma
– O espetáculo, da Escola de Dança Adágio, será apresentado dias 17 e 18 de junho, às 19h30min, no Teatro Arthur Azevedo. Com roteiro de Tereza Medeiros e direção geral de Ana Cristina Dourado, mais de duzentos bailarinos das mais diversas faixas etárias sobem ao palco para contar a história de Roma. Ingressos à venda na bilheteria do Teatro, com preços entre R$ 10,00 (balcão e galeria) e R$ 15,00 (platéia, frisa e camarote). Maiores informações pelo telefone (98) 3235-8578.

Imprensa
Revista
– Prima distante do Bar do Léo, a Mercearia São Pedro, na Vila Madalena, em São Paulo, lança, no próximo dia 7 de junho, às 20h, a primeira edição de sua revista. Com organização de Joca Reiners Terron, a publicação reúne textos de nomes como Xico Sá [link ao lado], André Sant’anna e João Cabral de Melo Neto, além do próprio organizador, entre outros. Para adquirir: http://www.merceariasaopedro.com.br

Livro
Paisagem feita de tempo – A obra do poeta e compositor Joãozinho Ribeiro já pode ser encontrada em diversos pontos da Ilha: Banca do Dacio (estacionamento, Praia Grande), Banca do “seu” João (Praça João Lisboa), sebo Papiros do Egito (Rua da Cruz, 150, Centro), Chico Discos (Fonte do Ribeirão) entre outros. O livro, recomendado por nomes como Zeca Baleiro, Hamilton Faria e Celso Borges, custa apenas R$ 15,00.

Esta Agenda Cultural é fechada quarta-feira. Notas para o e-mail zemaribeiro@gmail.com

pequeno poema do grande nicolas behr

há um ano estive em brasília participando de um treinamento para desenvolver uma pesquisa sobre corregedorias e ouvidorias de polícia, fruto de parceria entre a secretaria nacional de segurança pública (senasp) e o movimento nacional de direitos humanos (mndh); por conta disso, fiz um estágio de seis meses na sociedade maranhense de direitos humanos (smdh), “braço” do mndh, responsável pela pesquisa no maranhão.

coincidência ou não, recebi hoje, por e-mail, do amigo glauco barreto, paraibano radicado na capital federal, um “pequeno poema do grande nicolas behr“. no e-mail, glauco, que há um ano organizou uma “roda de violão” na cobertura de seu ap, recebendo este que vos escreve, destaca que o poeta é letrista da música “nossa senhora do cerrado“, do grupo liga-tripa, gravada como “travessia do eixão” em disco da legião urbana lançado após o falecimento de renato russo. na ocasião, glauco diz ainda que tomou conhecimento do poema num dos cinco livros com que foi presenteado o amigo comum, jornalista e músico mineiro nelson luiz de oliveira, também radicado na “bras-ilha“, como diria o também amigo e também jornalista rogério tomaz jr., hoje em brasília, mas que roda mais que “juízo de doido”. a propósito, por ocasião de minha viagem, é que conheci pessoalmente glauco e nelson, com quem já trocava palavras e sons na infovia. gracias, ! (rojão eu já conhecia de quando fomos contemporâneos no banco do nordeste).

em resposta ao e-mail de glauco, nelson afirma ter sido presenteado por nicolas, por ter lhe prestado homenagem com o poema abaixo, de sua autoria:

suspiro de brasiliense

deus do céu
como é bom sonhar.
um pé de pequi
na beira do mar.

o poema de nicolas behr é este:

l2 noves fora w3 [1980]

naquela noite
suzana estava
mais w3
do que nunca
toda eixosa
cheia de l2

suzana,
vai ser superquadra
assim lá na minha cama.

[tá no livro “vinde a mim as palavrinhas“, coletânea lançada pela lge editora, de brasília, ano passado; quem fez a foto (em 8/6/2005), na musical center, foi o rojão; comigo aparece a também amiga e também paraibana, yanna nóbrega, além de um cliente não-identificado]

satisfação(ões)

modestamente, sei que há leitores que vêm ao blogue para ver o que ando “aprontando” na imprensa, já que tudo o que publico lá é pendurado aqui também. ao carinho desses leitores, devo uma satisfação quando isso não acontece. pois vamos lá!

o colunão não circulou ontem e chegará às bancas e assinantes, amanhã, terça-feira. seu editor, o jornalista walter rodrigues, adoeceu. pode parecer mera desculpa, mas não é: o colunão, dada a independência, falta de grana e motivos outros, tem uma equipe reduzidíssima (além do próprio editor, o jornalista ed wilson araújo e este blogueiro, que em contribuições ainda pequenas, tem produzido um texto semanal para a página de cultura e, iniciou recentemente a agenda cultural do semanário). então: amanhã, posto aqui o texto dessa semana.

o diário da manhã circulou. mas não sei por que, minha coluna (diário cultural), não. entreguei o texto (uma resenha fora-de-época sobre o “braseiro“, disco de estréia de roberta sá) em disquete, na sede do jornal, dentro do prazo (antes do meio-dia de sábado). enviei e-mail ao diário e estou aguardando resposta, o que não aconteceu até agora. com esse texto lá, nada produzi para amanhã, esperando a publicação do de domingo. sendo publicado ou não no diário, posto ele aqui, amanhã.

e enquanto tudo isso (não) acontecia no domingo, ó qui, ó!

até!

o almanaque jp turismo de maio já está (há muito tempo!) nas bancas

ainda lembro o dia (ou melhor, a noite) em que gutemberg bogéa, em alguma festa no bagdad café (praia grande) me deu um exemplar do primeiro número do almanaque jp turismo. na contracapa da publicação, manuscrita, a pergunta (manuscrita a pergunta, não a publicação): “zema, você gostaria de escrever na revista?”; de pronto, aceitei. faria uma coluna de meia página. começamos a pensar o nome. lembro de sugerir “etilírica paisagem”, entre outros. reza a lenda (ao menos é o que conta gutemberg) que houve uma eleição e “quintal poético” foi o nome vencedor. um nome interessante, já que meu texto sai, sempre, numa das páginas finais da publicação. a edição de maio já está nas bancas; ainda não vi/li, mas meu texto é o que segue abaixo.sobre ele, guto já comentou: “ô, broxada linda!”

Fênix

por Zema Ribeiro

Uma broxada. Como poderia ter acontecido? Logo ele? Amava a mulher até demais; não, não era esse o problema. Idade não era, era até jovem. Ao menos para broxar, pensava. Não fumava. Seria o álcool? Decidiu reduzir o consumo, drástica e imediatamente. Melhor não arriscar. Mais uma experiência para contar. Na mesa do bar. Quem é que nunca broxou?, perguntava-se. Tinha certeza de que a maioria dos amigos mentia. “Pois eu já”, diria, com um sorriso que deixaria os colegas de copo na dúvida. Mas isso não poderia virar um hábito. Não para ele. Pensou bastante no assunto e dispôs-se a começar a fazer exercícios físicos. Mas tudo isso era muito chato. E começar agora, quando toda hora é chuva? Saco! Pensou. E desistiu dos exercícios físicos, antes mesmo de começá-los. Vai ver estava mesmo era estressado, com alguns problemas no trabalho, pouco dinheiro no bolso e muitas – e altas – contas para pagar.

A esposa andava zangada. Mal falava com ele. Ao menos não jogava piadinhas, ele se consolava. E o que fazer? Já estava há alguns dias sem sexo, merecido castigo dado pela senhora. Filmes pornôs nunca o excitaram, nem quando era adolescente. “Oh!, amor, não faz isso comigo…”, choramingava pelos cantos. E ela provocava: vestia-se de forma excitante e não desistia da “greve”. Não tinham filhos. Pensou, e pensou. Manuais do tipo “‘n’ maneiras de enlouquecer uma mulher na cama” também não o apeteciam. “Pura bobagem, tipo auto-ajuda”, pensava.

O que fazer? “Benzinho, pensei que…” “Não!”, ela cortava logo, antes mesmo de saber qual seria a proposta. Isso o deixava ainda mais nervoso. E triste. Quando estava sozinho, no apartamento, que se tornava tão grande quando ela saía para trabalhar, acariciava sua fotografia, sobre a estante da sala, ainda dos tempos em que namoravam. Passava assim, muito tempo, estava de férias. Livros, discos, filmes, nada o consolava.

Traído, tinha certeza que não era. “Tu pensas mesmo nisso?”, ela perguntou, feição zangada. “Sinceramente, não… vem cá!”. Envolveu-a num longo beijo, de início a contragosto, transaram e dormiram ali mesmo, no sofá da sala. Sonhou e riu. Mesmo com todos os muitos e grandes problemas, já não havia, para ele, problema nenhum.

o primeiro diário cultural de junho

completei, dia 20 de maio, seis meses de diário cultural, com raras interrupções. o de hoje segue abaixo, quatro notinhas ligeiras; a última, sobre assunto já tratado aqui: blogues que disponibilizam música na rede [quem quiser ler a matéria da folha, pode pedir por e-mail a este blogueiro]. aos interessados: na caixa de comentários do tópico ilegal, imoral ou engorda?, há mais um endereço, e novidades que eu for descobrindo, vou postando por lá. até!

Rapidinhas

Literatura, música e teatro. Opções para todos os gostos dos leitores do Diário Cultural. Confira!

Lançamento

O poeta Bioque Mesito, que edita o blogue Central da Poesia, convida para o lançamento do livro “Argos da Matéria”, de Geane Lima Fiddan. A noite de autógrafos acontece nesta sexta-feira, 2 de junho, às 19h, na Casa do Maranhão (Praia Grande). Maiores informações no endereço acima.

Armazém de sons

O Armazém da Estrela varia a programação musical de hoje até sábado, sempre às 22h: Ruber (hoje), Sérgio Habibe (amanhã) e o saxofonista Pedro Duarte (sábado) farão as noites da casa. No domingo, a partir das 16h, é a vez do Samba de Mesa do Grupo Espinha de Bacalhau. Nas quartas-feiras, a programação fixa da noite apresenta um forró pé-de-serra, também às 22h. Maiores informações e reservas pelo telefone (98) 3231-7431.

TAA, 189

O Teatro Arthur Azevedo completa hoje 189 anos. Aqui, os parabéns da coluna ao espaço. Em comemoração, será apresentado, hoje (às 20h) e amanhã (às 16h), o Balé Dom Quixote, que tem direção de Olinda Saul, com a participação de bailarinos locais e convidados. Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados com antecedência na portaria do teatro. Maiores informações pelo telefone (98) 3219-9900.

Marisa Monte e Chico Buarque vs piratas

Após longo hiato, Marisa Monte colocou recentemente dois discos novos no mercado: um, “pop”, “Infinito Particular”, outro, de sambas, “Universo Ao Meu Redor”. Os trabalhos possuem um dispositivo que impede os usuários de baixar as faixas para seu computador ou para mp3 players, para uso próprio; a alegação da “indústria fonográfica”: o combate à pirataria. Não adiantou. Matéria do jornal Folha de São Paulo de segunda-feira passada, dia 29, dava conta: “Blogs colocam na rede raridades da música brasileira”. Na verdade, não são só raridades: é possível baixar os discos novos de MM e Chico Buarque, apenas para ficar em exemplos de trabalhos que chegaram caros ao mercado (os dois primeiros custam, em média, R$ 39,99 em lojas de São Luís; o terceiro, R$ 36,99). É clicar e baixar. Os endereços: http://aisporecords.zip.net, http://aisporecords2.zip.net, http://aisporecords.opus666.com, http://brnuggets.blogspot.com, http://saravaclub.blogspot.com, http://vinilvelho.blogspot.com, http://musicadobem.blogspot.com e http://mercadodepulgas.blogspot.com

alguém se habilita?

a amiga jornalista Francinne Amarante, que em Brasília apresenta o programa Balaio Cultural, escreveu a resenha abaixo sobre o show que Suely Mesquita, parceira de Pedro Luís e Zeca Baleiro, fez na capital federal, pelo Projeto Pixinguinha. Francinne está com uma ótima idéia: trazer o show de “Sexo Puro” para São Luís e pisar por aqui para lançar seu “Constância”, livro de poemas. Algum produtor local se habilita?

***

A cantora e compositora carioca Suely Mesquita, em sua primeira apresentação em Brasília, pelo projeto Pixinguinha, no SESC Taguatinga, deu oportunidade ao público do Distrito Federal, de ter contato com sua verve poética e musical.

Durante o show, Suely se apresentou de maneira original e ousada com canções de seu “Sexo Puro”, lançado pela gravadora Duncan, além de inéditas, nada próximo do que estamos acostumados a ver/ouvir. Manteve uma presença de palco consciente, cênica e cortante como suas letras, além, é claro, de uma voz afinada e visceral, algo bem ao seu estilo.

O grande momento da noite ficou por conta das canções “Pisca”, em parceria com Zeca Baleiro, e “Sacumé Baby”, um samba cool de sua autoria. Suely estava acompanhada por músicos de altíssimo nível, os violonistas Pedro Braga e Fernando Caneca (que já gravou um disco dedicado à obra do não menos genial Canhoto da Paraíba).

[Francinne Amarante, Revista Nova]

rosa e montserrat

até eu sair de casa, às 8h, o jornal ainda não tinha chegado por lá. aqui vai o texto que eu mandei e que deve ter sido o diário cultural de hoje.

Brasil e Espanha em palcos maranhenses

Não é duelo de Copa do Mundo ou coisa parecida. A cantora maranhense Rosa Reis e a espanhola Montserrat fazem shows em São Luís, hoje e amanhã. A primeira apresenta uma espécie de avant-première do que fará na temporada junina, com músicas recolhidas em festas diversas, Brasil afora; a segunda, mostra ao público maranhense o repertório de seu primeiro disco, composto de clássicos da música latina.

Flor da mangueira: diversão e diversidade

Na contramão da música veiculada pela grande mídia, quem sobe ao palco do Teatro Arthur Azevedo hoje e amanhã, é a cantora Rosa Reis, que mostrará no show “Flor da Mangueira”, um repertó um repert Rosa Reis, que mostrar Arthur Azevedo, rio composto por diversas músicas recolhidas em terreiros populares: festa do divino, terreiro de mina, bumba-boi, festas de santos, rodas de capoeira, além de ritmos de outras localidades brasileiras, como é o caso do jongo e do maracatu.

No espetáculo de hoje, que terá a renda destinada aos Centros Assistenciais do Centro Espírita Jardim da Alma, a cantora terá como convidados os cantores Cláudio e Inácio Pinheiro; amanhã é a vez de Dona Teté do Cacuriá abrilhantar a apresentação.

As apresentações serão uma espécie de avant-première daquilo que Rosa Reis mostrará Maranhão afora durante o período junino. A “turma” escalada é formada por Jayr Torres (guitarra), Jonas Torres (baixo), Claudiomar (bateria), Júnior Gaiato (rabeca), Erivaldo Gomes, Marquinhos e Robson Serra (percussão), Cecé Ferreira, Camila, Flávia e Lucimara (vocais), Luana Brito e Rose (capoeiras), o elenco do Cacuriá de Dona Teté (dançarinos/as). “Flor da Mangueira” tem figurinos de Rosa Reis, bordados de Bárbara, cenário de Nelson Brito e Rosa Reis e iluminação de Júlio César “Jarrão”.

Com direção musical de Jayr Torres, direção-geral de Rosa Reis e realização do Laborarte, as apresentações acontecem às 21h e os ingressos custam R$ 10,00 (platéia e frisas) e R$ 8,00 (camarote, balcão e galeria).

Outro palco, outra nação

Outra cantora que sobe em palcos maranhenses amanhã é a espanhola Montserrat, que está lançando seu disco Añoranza. O espetáculo, com produção de Ópera Night, terá, no repertório, clássicos da música latina: Años (Pablo Milanéz, que participa do disco nessa faixa), Tu Me Acostumbraste (Frank Dominguez, com participação, ao piano, de Chucho Valdés), Bésame Mucho (Consuelo Velásquez) e Quizás, quizás, quizás (Oswaldo Farrés) entre outras.

O disco, que conta com influências de bossa nova, jazz e tango, foi gravado em Havana, Cuba. No palco, a cantora será acompanhada pelos músicos brasileiros Lucas Vargas (piano e acordeom), Tomas Howard (violão sete cordas), Fábio Atorino (baixo e viola caipira) e Pixú (percussão).

Vale lembrar que “Añoranza” é o disco de estréia de Montserrat. Os ingressos estão à venda no local e custam R$ 20,00 (estudantes com carteira pagam metade). Maiores informações: (98) 9992-7636.

ilegal, imoral ou engorda?

não sei responder ao título. mas sei que é possível economizar mais de cem reais, pra falar de apenas três títulos “recém”-lançados: “carioca”, de chico buarque, e “universo ao meu redor” e “infinito particular”, de marisa monte. estão todos lá. entre “clássicos” e populares, rocks e sambas, raros ou fáceis, fora de catálogo e lançamentos, diversos títulos compõem o repertório. como não sou egoísta, é só sair clicando por aí:
http://aisporecords.zip.net
http://aisporecords2.zip.net
http://aisporecords.opus666.com
http://brnuggets.blogspot.com
http://saravaclub.blogspot.com
http://vinilvelho.blogspot.com
http://musicadobem.blogspot.com
http://mercadodepulgas.blogspot.com

fim de semana

abaixo, textos do diário cultural (no diário da manhã) e do colunão de ontem (a agenda não é transcrita), além do convite de joca reiners terron (link ao lado) para o lançamento da revista da mercearia.

1.
Cultura ocupa agenda da AL

Assembléia Legislativa do Estado do Maranhão inclui a pauta “cultura” na agenda de discussões da casa. De forma democrática e transparente. Com a participação de membros do legislativo e da sociedade civil, avança a discussão sobre o decreto regulamentador da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. A próxima reunião acontece dia 30, às 15h, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho.

Entre jornalistas, pesquisadores, estudantes, produtores culturais e artistas, um público variado se fez presente à audiência pública realizada no Auditório Fernando Falcão, na Assembléia Legislativa, na última quarta-feira, 24 de maio. Previamente convocada pela Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia, o objetivo da citada audiência era discutir a regulamentação da Lei nº 8.319, de 12 de dezembro de 2005.

Presidida pelo deputado Luiz Pedro, a discussão foi fruto de um requerimento do deputado Aderson Lago e contou ainda com a presença da deputada Helena Heluy. Para compor a mesa, foram convidados o poeta e compositor Joãozinho Ribeiro, o ator e produtor cultural Nélson Brito e o arquiteto e assessor parlamentar Ronald Almeida.

Durante a discussão, destacou-se a importância de regulamentar-se a Lei urgentemente, tendo como objetivo impulsionar a produção cultural maranhense como um dos maiores ativos para o desenvolvimento econômico do Estado do Maranhão. Assim, destacou-se o que segue: na próxima terça-feira, dia 30 de maio, às 15h, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, reunião aberta ao público para a finalização da proposta de minuta de decreto regulamentador; encaminhamento da minuta finalizada do decreto regulamentador e do relatório da I Conferência Estadual de Cultura, realizada em dezembro de 2005, ao Governador José Reinaldo pela Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia da Assembléia Legislativa; formação institucional da Frente Parlamentar de Cultura da Assembléia Legislativa.

Este colunista recebeu cópia da minuta do decreto, com três capítulos e vinte e nove artigos tratando da regulamentação e regimento do Subsistema de Incentivo à Cultura (SINC), alvo da Lei aqui tratada. Assim, convida os leitores interessados a participar da reunião acima, enriquecendo as discussões.

Pela primeira vez a questão da cultura é incluída na agenda de discussões da Assembléia Legislativa, sendo a Frente Parlamentar da Cultura um importantíssimo instrumento de interlocução entre o poder público e os agentes culturais – artistas e produtores. Ícone das discussões culturais no Estado, o militante Joãozinho Ribeiro mostra-se satisfeito com os resultados até aqui obtidos: “É preciso paciência e tolerância, sem que isso comprometa os objetivos maiores de nossa luta. Demos um exemplo de amadurecimento, até por saber que o resultado alcançado é fruto de uma longa lida, que já passou por diversos fóruns, seminários e conferências. Por isso aposto na capacitação dos sujeitos da cultura, em todos os níveis. Tenho certeza que o avanço do movimento cultural em nosso Estado depende basicamente de dois fatores: do crescimento do nível de consciência dos militantes culturais e da organização social e política dos grupos e das pessoas, o que envolve também a capacitação profissional, para a qual, até pouco tempo, nossos artistas e produtores torciam o nariz e viravam as costas”.

A quem interessar possa, a minuta do decreto pode ser disponibilizada por e-mail. Basta escrever para esta coluna (zemaribeiro@gmail.com). E lembrando: a próxima reunião para a discussão – aberta ao público – dos temas aqui expostos acontece na próxima terça-feira, dia 30, às 15h, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande.

2.
Doses de poesia na medida

O poeta Marcelo Sandmann, com apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Curitiba, publica “Criptógrafo Amador”, que reúne sua produção poética a partir de 2000. A pequena editora Medusa é a mesma que fará chegar ao mercado “Música”, livro/cd do maranhense Celso Borges, que de São Paulo tem mandado novas ao Colunão.

Se você acredita que já não há vida inteligente na atual poesia produzida no Brasil, como fazem certos críticos desprovidos de qualquer senso (auto-)crítico, não leia Marcelo Sandmann. Se você acha impossível que se produza boa poesia, hoje, no Paraná, terra de Paulo Leminski – justamente por isso –, idem. Se você crê que não é possível encontrar vida inteligente fora de grandes editoras, ibidem. Caso consiga pensar no contrário de todo o até aqui exposto, encare “Criptógrafo Amador” (Editora Medusa, 2006).

Ao contrário do que possa sugerir o título, o autor curitibano não tem nada de amador; é, sim, um profissional da palavra: é graduado em Letras pela Universidade Federal do Paraná, onde defendeu a tese de mestrado “A poesia de José Paulo Paes”. Lá, é professor de Literatura Portuguesa desde 1992. Em 2004, Sandmann concluiu, na Unicamp, o doutorado em Teoria e História Literária, com a tese “Aquém-além-mar: presenças portuguesas em Machado de Assis”.

Não pensem os caros leitores que o excesso de informação contido no poeta – se é que assim se pode falar – torna sua obra, e conseqüentemente a leitura da mesma, desinteressante e/ou cansativa. Longe disso: ele sabe o que fazer com a informação e coloca cada palavra no lugar preciso, numa precisão hoje raramente vista, talvez influência de seu lado músico, já que é também compositor.

Seu poema – duas palavras apenas, em inglês – “E-mail a um jovem poeta (da lavra de um velho medalhão)”, que compõe o trecho do livro intitulado “15 paesianas (à paisana) reunidas ao acaso”, diz simplesmente: “Fuck you!”, talvez – ou não – uma recusa ouvida pelo próprio, em algum passado (talvez) não muito distante. Talvez, repito, uma mensagem criptografada, ininteligível para seus códigos (à época): ainda bem, Marcelo Sandmann fez ouvidos de mercador.

Serviço

O quê: Criptógrafo Amador, livro de poemas
Quem: Marcelo Sandmann
Quanto, onde: sob consulta com a Editora Medusa, pelo e-mail editoramedusa@hotmail.com

3.
Um convite de Joca Reiners Terron, link ao lado

recado aos (ex?-)órfãos

uma vez, em conversa pelo msn com reuben, disse-lhe que o hoje finado trompetista gago era o que havia de melhor na blogosfera maranhense. claro que a opinião era/é, como muitas coisas que saem da minha cabeça/boca/dedos, equivocada. não que eu não achasse/ache muito bom o blogue que ele fazia (infelizmente fechou as portas em 22 de abril passado, presente nada agradável ao brasil [maranhão? são luís?] ou moara, ambos descobertos na mesma data, com alguns séculos de diferença). o equívoco reside pura e simplesmente na impossibilidade (ao menos eu acho impossível) de se comparar blogues (tão bons e) tão díspares como o “cá já” citado e, por exemplo, o de walter rodrigues. ou gisele brasil. ou carolina libério. ou outro blogue qualquer, feito no maranhão (e olhe que aqui citei apenas blogues de que gosto. e gosto de [muitos] outros não-citados, percebam, lista ao lado).

bom, vamos deixar o blá-blá-blá de lado, que eu vim só dar um recado. aos órfãos d’o trompetista gago (cujo link permanece ao lado com arquivos de um passado não tão distante até que eu encha o saco com a falta de novidades e resolva apagá-lo, o link, não o blogue). sim, o recado: reuben está escrevendo uma coluna quinzenal no site clara on-line (já devidamente linkado). o link direto pra coluna de estréia dele é esse aqui, ó: http://www.claraonline.com.br/coluna.php?id_coluna=173

um paliativo à orfandade deixada pel’o trompetista, que se é/era gago, de desafinado tinha/tem nada. recado dado, vão lá!

alguém publica?

Mandei o texto (e as fotos) abaixo para diversos jornais (e rádios e tevês) ludovicenses. Não sei se algum vai publicar. Então o faço por aqui. O amigo Paulo Melo Sousa, vulgo Paulão, escreve no suplemento JP Turismo, encartado às sextas-feiras no Jornal Pequeno e vem fazendo um bom trabalho na temática quilombola e em jornalismo “ambiental”.

Ato de vandalismo contra lavradores em Vargem Grande

por Paulo Melo Sousa, da Assessoria de Comunicação da CONAQ

Numa reunião articulada às pressas pela Associação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Maranhão (ACONERUQ/MA), no último dia 23 de maio, em sua sede, localizada na rua do Sol, nº 363 – Altos, em São Luís, contando com a presença de diversas entidades, tais como a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), o Movimento Negro Unificado (MNU), Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (ITERMA), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Central Única dos Trabalhadores (CUT), ONG Terra de Preto – Comunicação e Educação, Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Maranhão (FETRAF/MA), Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN/MA), Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vargem Grande, entre outras, além de advogados, jornalistas, políticos e de dois lavradores da Comunidade de São Malaquias, em Vargem Grande, seu João Cirilo e seu João Portugal, discutiu-se a invasão, destruição e queima das casas dos lavradoresa da referida comunidade, no último dia 19 de maio.

Os moradores da comunidade de São Malaquias são lavradores, de origem negra, considerados quilombolas, e moram na área há mais de 100 anos, vivendo pacificamente ali extraindo o sustento a partir da lavoura, cultivando a mandioca, o arroz e outros produtos, e da criação de pequenos animais. Porém, não possuem documentos e, dessa forma, as terras por eles ocupadas não foram desapropriadas pelo INCRA. A partir dessa informação, um senhor chamado Antônio Rodrigues Dias, portando vários documentos que o apontam como proprietário das terras, cada um dos quais apresentando limites diferentes e confusos da área em questão, há mais de um ano vinha ameaçando os moradores da comunidade, até que no dia 30 de outubro do ano passado, contando com a ajuda de policiais e pistoleiros, invadiu a área, destruindo as casas e queimando as mesmas. Devido à insistência dos lavradores em permanecer no local, reconstruindo suas moradias, novo ato de vandalismo aconteceu na semana passada e o grileiro, contando com a ajuda de 60 policiais e de 20 pistoleiros, entrou novamente à força no local, deixando ali, vigiando as terras, um grupo de jagunços fortemente armados. Os policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar, segundo testemunhas, foram transportados em um ônibus escolar da Prefeitura de Itapecuru-Mirim, cidade vizinha a Vargem Grande, em cumprimento a um mandado de manutenção de posse expedido pela juíza da Comarca, Dra. Janaína de Araújo de Carvalho.

Na rua da amargura – Os lavradores, desabrigados e assustados, estão vivendo à custa da ajuda de sindicalistas e de amigos, recebendo doações de algumas entidades. As suas plantações foram destruídas e os animais, tais como galinhas e porcos, dentre outros, estão sendo abatidos e consumidos pelos pistoleiros. O grileiro, por sua vez, que está arrendando o pasto para criadores locais, ameaça soltar os animais na plantação de mandioca dos lavradores, o que causará um prejuízo ainda maior a essas pessoas.

Conforme declarações prestadas pelo deputado estadual Domingos Dutra, que visitou o local e constatou a gravidade da situação, “o que aconteceu foi um despejo parcialmente judicial, que é ilegal porque transformaram uma ação de interdito proibitório, onde a punição para a comunidade seria uma multa de 50 reais por dia, em uma ação de reintegração de posse, com despejo. Juridicamente, isso não poderia acontecer, pois já existe uma decisão transitada em julgado; além disso, o processo se refere a apenas 10 famílias, e a execução desse despejo ilegal atingiu 30 famílias. Infelizmente, nós convivemos no Maranhão, ainda, com essa realidade brutal, com um Poder Judiciário insensível, com um Poder Executivo que não negocia com os movimentos sociais e com uma visão absolutista da propriedade privada”. Uma outra ilegalidade visível é que, no processo, não consta em nenhum momento ordem de demolição ou de queima das casas.

Despejo de defunto – Na ocasião do despejo forçado dos lavradores, um dos moradores, que havia falecido no dia 19, estava sendo velado em sua casa. Por conta da truculência dos policiais e dos jagunços, os parentes do morto tiveram que transferir o corpo do lavrador para que o defunto continuasse a ser velado em outra comunidade; enquanto acontecia o traslado do corpo, a casa do lavrador morto foi demolida e queimada.

Segundo Depoimento de José Pereira da Silva, da Secretaria de Agricultura do município de Nina Rodrigues, “as famílias estão desamparadas, existem muitas pessoas de idade avançada que estão sem lugar para morar e sem condições de reconstruírem suas casas; aliás, elas nem têm para onde ir. Quando eu fui conversar com a Juíza que autorizou isso tudo, informando que aquela era uma área quilombola, ela disse que nem sabia o que era um quilombola. Nós tivemos que abrigar as famílias no Sindicato, mas elas estão passando necessidade”. A questão é muito grave e já foi denunciada na Assembléia Legislativa do Maranhão, nesta semana, na última terça-feira. Conforme depoimento prestado por seu João Ferreira Portugal, um dos lavradores que teve sua casa destruída e líder da comunidade, “tive que sair às pressas do local, pois estavam dando tiros para cima, e me ameaçaram de prisão; nós temos nossa plantação de mandioca, e ainda mandioca de molho que está se estragando tudo. Eu estou ajudando um pouco o meu pessoal, pois tem gente de idade que está sem amparo de ninguém”. Existem pessoas adoentadas, dentre os integrantes das famílias, que também estão na dependência de assistência médica.

Durante a reunião na sede da ACONERUQ, houve consenso no que se refere às medidas a serem tomadas com relação ao abuso. Um advogado acompanhará o processo, e algumas entidades presentes se manifestaram no sentido de apoiar as ações legais. Ao final da reunião, foi redigido um documento manifestando apoio aos lavradores e condenando a ação arbitrária operacionalizada contra os trabalhadores rurais atingidos. Nesta sexta-feira, 26 de maio, a partir das 9 horas, em Vargem Grande, haverá a realização de um Ato Público na cidade, além da manutenção de contato com a Procuradoria de Justiça local visando a resolução do problema.

Publicações e apresentações

[Diário Cultural de hoje]

Livro com produção em jornalismo cultural de autores maranhenses será lançado em Alagoas; Casulo, jornal de literatura, está recebendo colaborações para o seu terceiro número; Café do Armazém encerra mês de maio com variado repertório; e Los Hermanos apresentam-se pela primeira vez na capital maranhense.

Obra com autores maranhenses será lançada em Alagoas

Sábado, 27 de maio, acontece em Maceió/AL, o VIII Simpósio de Comunicação do Nordeste. O evento é promovido pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação e organizado pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Durante o acontecimento será lançado o livro “Jornalismo Cultural: da memória ao conhecimento”, coletânea de artigos de dezesseis autores que concluíram a especialização em Jornalismo Cultural da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), coordenada pela professora Ester Marques. A obra foi lançada em São Luís em dezembro passado, durante o I Encontro Norte-Nordeste de Comunicação e Cultura, organizado pelo Instituto de Comunicação e Cultura Chamamaré. Em Alagoas, o radialista Rogério Costa, diretor-geral do Núcleo Artístico e Cultural da Cidade Operária (NACCO), representará os demais co-autores, por ocasião do lançamento. Para maiores informações: artenacco@ig.com.br e/ou (98) 3247-2410.

Casulo

O Casulo, jornal de literatura do Projeto Identidade está recebendo colaborações para o seu terceiro número, que será lançado em julho. Poemas (entre três e cinco por autor, com no máximo uma lauda cada) e contos (até três contos de no máximo duas laudas) inéditos devem ser enviados até o dia 16 de junho. Os trabalhos serão analisados pelo conselho editorial; os aprovados receberão um e-mail de notificação e deverão fazer um depósito no valor de R$ 20,00 em conta indicada para a publicação de seus trabalhos. Cada autor publicado receberá até cem exemplares do jornal, cuja tiragem é de 3.500 exemplares.

Finda maio no Café do Armazém

O Café do Armazém da Estrela encerra o mês de maio com as seguintes apresentações, sempre às 22h: hoje, Luciana Bittencourt; amanhã, Sérgio Habibe; e sábado, Alberto Trabulsi. A produção não informou o preço do couvert artístico. Esta coluna publicará outras agendas da casa, que fica na Rua da Estrela, Praia Grande. Maiores informações e reservas pelo telefone (98) 3231-7431.

Los Hermanos em São Luís

Os fãs da melancolia da banda carioca – muito mais que o hit Anna Júlia, graças a Deus! – terão a oportunidade de vê-los/ouvi-los pela primeira vez na Ilha. O show dos hermanos cariocas acontece no Ginásio do Colégio Dom Bosco, dia 3 de junho, às 22h. A abertura fica por conta das bandas The Mads e Teto de Zinco. Os ingressos estão sendo vendidos nas lojas Music Play (Rua Grande e Shoppings Tropical e São Luís) por R$ 25,00 (estudante com carteira paga metade). Maiores informações com a Bastidores Produções, pelo telefone (98) 3227-8245.

preso pela chuva

acabo de chegar das lojas americanas, onde fiquei preso pela chuva/chuvisco pós-almoço. inacreditável e imperdível: por apenas quatro reais e noventa e nove centavos, corpo presente de joão paulo cuenca, link ao lado. só não comprei nenhum por dois motivos: 1. já tenho o livro e já dei vários exemplares de presente; e 2. não tinha cinco reais no bolso. fica a dica. corram!

No Diário da Manhã de hoje

Abaixo, o Diário Cultural de hoje. Em tempo: amanhã, às 15h, no Auditório Fernando Falcão, da Assembléia Legislativa do Estado do Maranhão, será discutida a operacionalização dos projetos e ações de incentivo à cultura maranhense, objeto da Lei nº 8.319, de 12 de dezembro de 2005, que institui o Sistema de Gestão e Incentivo à Cultura (SEGIC). O debate é aberto ao público.

Ponto a ponto

Shows, revista e debate. Música, prosa e TV Digital. Dicas para todos os gostos, abrindo a semana aqui no Diário Cultural.

Bossa n’jazz

Acontece hoje, no Teatro Arthur Azevedo, “Uma Noite de Bossa e Jazz”. O show do Quarteto Insensatez está marcado para as 21h. No palco, além de Luiz Mochel, Arlindo Carvalho, Pedro Duarte e Henrique Duailibe – o quarteto –, participações especiais do Coral de São João, Fernando de Carvalho, Marco Duailibe e Cecília Leite. No repertório, clássicos da bossa nova e pérolas do jazz. A produção não informou o preço do ingresso.

O Maranhão tem concerto

Não, não há erro aí. Neste domingo, 28 de maio, às 19h, na Igreja da Sé, acontece o Concerto Cantus Firmus, que misturará música a poemas de Castro Alves e Luis Augusto Cassas. No palco, as sopranos Carol Campos e Silvia Seixas, o tenor Victor Vieira, o pianista Carlos Renan Ramos e o flautista Zezé Alves. O espetáculo conta com a participação especial do ator Josué da Luz e o ingresso custa apenas um quilo de alimento não-perecível, em prol da casa Sonho de Criança, que abriga crianças portadoras do vírus HIV. A produção de Moraes Jr. conta com o apoio do DAC/PROEX/UFMA e da Plotagem & Cia.

Autofagia

O maranhense Reuben, 21, que há pouco abandonou a blogosfera ao fechar seu O Trompetista Gago (http://www.otrompetistagago.zip.net), integra o time da Revista de Autofagia, publicada este mês em Belo Horizonte (MG). A revista traz nomes de sete estados brasileiros expressando-se das mais variadas formas: poesia, prosa, cartoon etc. Para adquirir um exemplar (25x25cm, 64 págs.), que custa R$ 15,00, escreva para revistadeautofagia@yahoo.com.br

Movimentos sociais

Hoje, às 18h, na Agência Matraca, diversos representantes de movimentos sociais estarão reunidos para discutir um tema importantíssimo, à margem da mídia, que insiste em apequená-lo: TV digital. A idéia é organizar o Movimento da TV Digital em São Luís, partindo para discussões mais profundas sobre o tema. A Agência Matraca fica na Rua Issac Martins, Centro. Fone: (98) 3254-0210.