um agitado fim de semana

abaixo, em itálico, a “vencida” coluna do zema, no diário da manhã de ontem:

Ligeiras dominicais

Notas ligeiras para o leitor que não quer perder muito tempo neste domingo. Tanta coisa interessante lá fora, ficar aqui lendo jornal?

III Parada do Orgulho pela Diversidade Sexual de São Luís

Após o sucesso do III Seminário GLBT (apesar de algumas ausências injustificáveis), realizado dias 12 e 13 de julho, acontece hoje a III Parada do Orgulho pela Diversidade Sexual de São Luís, na Avenida Litorânea. A produção/promoção é do Grupo Gayvota. A concentração acontece às 14h, entre a Praça do Pescador e o São Luís Park Hotel. Entre diversas atrações, destaque para a cantora Vanessa da Mata. A Coluna do Zema se fará presente, torcendo pelo sucesso do acontecimento e esperando que ele seja muito mais que mera festa e/ou palanque político/eleitoral. A Parada é – e assim deve ser – bem mais que isso.

Cinema grátis no SESC

O SESC promove durante a semana, o Cine Arte SESC: com entrada franca, dez sessões de cinema (duas por dia) de segunda a sexta. Ao meio-dia e às 18h, no auditório do SESC Deodoro. Na programação, destaques para os brasileiros “Nina”, com Mateus Nachtergale e Selton Melo, que será exibido terça-feira 18, e “Se eu fosse você”, com Toni Ramos, Glória Pires, Glória Menezes e Thiago Lacerda, na quinta-feira 20.

Mão no Gatilho!

Claro que essa coluna prega a paz. O subtítulo aí é só pra avisar: organizada por mestrandos em Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora/MG (UFJF), a Revista Gatilho está recebendo colaborações para o seu próximo número. Os textos, que passarão por uma seleção, devem ser inéditos e enviados até o próximo dia 28: artigos, resenhas e textos de criação artística (contos, crônicas e poemas). Maiores informações no site da revista:
http://www.gatilho.ufjf.br

Prêmio em São Luís

As inscrições para o XXX Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís foram prorrogadas e podem ser feitas na sede da Fundação Municipal de Cultura (FUNC) até o próximo dia 31. Nas diversas categorias, os vencedores receberão dez salários mínimos cada, ficando o(s) segundo(s) lugar(es) com cinco salários mínimos. O regulamento pode, também, ser conferido na sede da fundação, na Rua Isaac Martins, em frente à Fonte do Ribeirão, esquina com a Rua do Ribeirão.

Prêmio em Recife

Também está com inscrições abertas (até o próximo dia 3 de agosto) o concurso “Prêmios Literários Cidade do Recife”, que premiará obras de ficção (novela, romance, contos), poesia, ensaio e peça teatral. O vencedor de cada categoria receberá R$ 3 mil. Maiores informações no site
http://www.recife.pe.gov.br

e uns comentários ligeiros, só aqui no blogue [antes um aviso: isso não é jornalismo!].


capital na capital

o capital inicial apresentou-se mais uma vez em são luís do maranhão [sábado, 15/7]. segundo “auditado” pela própria banda, seis mil pessoas lotaram o estacionamento do jaracati shopping. ingressos: r$ 25,00, apesar de alguns jornais terem dado um preço menor (r$ 20,00). ingresso caro e nós, com as vistas poluídas de tanta propaganda (o que, em tese, deveria garantir um ingresso mais barato). dinho ouro preto já não tem mais vinte e cinco anos, mas ainda não aprendeu isso. a pose de rebelde sem causa, dominou o garoto: “valeu, são luís! do caralho!”, repetiu, como a um mantra.

o repertório do show mesclou aborto elétrico / legião urbana, além de canções do capital inicial. o boneco gigante (aludindo a outra turnê da banda) e a boneca natasha (que batiza hit radiofônico/chiclete da mesma, no caso a banda) foram ridiculamente desnecessários (desnecessariamente ridículos?).

tudo bem que a cultura do atraso impere no maranhão, mas três horas e vinte minutos é um pouco demais, não? e nem uma banda local para abrir. 1h40min de show, incluindo o bis.

nem tudo são flores

uma ligação, sábado de manhã, me avisa: homossexual desaparecido é encontrado e levado ao socorrão i, vítima de violência. em estado de coma. só muito depois, descubro que o fato foi noticiado [tive acesso aos jornais pequeno e o estado do maranhão]. o que os jornais não dizem é que a “vítima” é homossexual. mas quando o “acusado” é um “travesti“, isso vem dito na manchete.

sobre a “vítima”, o estado do maranhão fica em evasivas do tipo “morava só, e sua casa era muito freqüentada por rapazes”. sobre os “acusados”, a notícia (na mesma página) abre assim: “os travestis geovane pereira rodrigues, o jack, e manoel fernandes cerqueira lopes, o samire, foram conduzidos ao plantão central etc”. o jornal pequeno também insinua, mas não afirma, que a “vítima” é homossexual.

não há motivos para comemorar. mas a 3ª parada do orgulho pela diversidade sexual de são luís do maranhão, doravante denominada “3ª parada gay” mostrou-se apenas mais um carnaval fora de época.

coloridos e barulhentos trios elétricos, faziam propaganda eleitoral. “garotos” “sensuais” seminus, em danças “sensuais” e gestos “mais sensuais” ainda, reforçavam estereótipos.

“abalou, alexandra tavares”, lia-se, nas costas da camisa “oficial” da parada. vestir a camisa da causa é, portanto, vestir a camisa de alexandra tavares?

“alexandra tavares, madrinha de nossos desejos e direitos”, lia-se, no trio onde vanessa da mata cantou, no encerramento do evento. os desejos e direitos dessa parcela da população lá precisam de madrinha?

[antes que me “acusem”: não, eu não sou sarneysta, e também não concordo com o “batizar bois” de roseana sarney. rápida “explicação”, já que no maranhão, quem não está de um lado, está de outro, politicamente, só não pode é ficar “em cima do muro”]

[aliás, o que mais se condena, acaba virando prática, não é?]

“marafolia e forró fest perderam feio”, ouço de uma transeunte. é, a parada gay acabou, repito, transformando-se em mero carnaval fora de época.

[manchete na capa do jornal pequeno de hoje: “jovens são esfaqueados em evento da ong gayvota na av. litorânea”. fosse o evento só flores e sucesso, a manchete não daria destaque aos organizadores.]

benditos sejam maria e seus filhos

[antes, um off-topic, que sem chatice não é zema: no diário da manhã de ontem, uma nota sobre o armazém da estrela foi somada ao texto original da coluna do zema. nada contra o local, que já divulguei em outras ocasiões, nem contra o jornal, mas preciso esclarecer até onde e o que escrevi. dito isso, vamos ao que interessa]

referências são fundamentais. eu já disse isso e cito, sempre que posso e devo, e até quando não posso e não devo, as minhas. em seu “crônica: modo de usar”, xico sá cita algumas das dele: joão antonio, joão do rio, bukovsky e antonio maria, não necessariamente nessa ordem.

xico pratica, hoje, um jornalismo e uma literatura únicos. e para além dos “modos de macho & modinhas de fêmea, amores platônicos & phodas homéricas, jornalismo picareta & gonzolendas, fábulas & carapuças”, consegue escrever sobre política, sem ser chato. quem não acreditar (até agora), pode conferir a ponte aérea sp, no no mínimo. (aí ao lado, mais xico: além do blogue, o blônicas, antes desta ponte aérea).

abaixo, antonio maria, bendito seja!, no original. última hora (rj) de 8 de junho de 1960. [“benditas sejam as moças: as crônicas de antônio maria” / joaquim ferreira dos santos, organização. – rio de janeiro: civilização brasileira, 2002].

[antes de maria, outra fala deste outro maria, zé maria, zema, o blogueiro: o texto, entre tantos outros tão bons, foi escolhido por conta da frase, certeira, de manoel de barros, que ainda me martela a cabeça: “o que é bom para o lixo é bom para a poesia”]

poesia perdida

não sei onde deixei minha poesia. deve ter sido em um desses bares, por aí. ou no olhar, na carne, no breve dia feliz da mulher amada. sei que a perdi e, se era tão pouca, foi bom que se perdesse, porque poesia é como areia – só merece menção quando é muita; exemplo: praia e deserto.

que me lembre, senti-a pela última vez em um amanhecer do cais de hamburgo. era a noite curta de um fim de primavera e, já às três da madrugada, começava a clarear. aos nossos pés, faxinando o seu barco, um marujo cantava uma canção de palavras engroladas, mas muito bonita, a canção. a alguma distância sobre o horizonte do amanhecer, a silhueta de bismarck. foi a última madrugada da minha poesia.

deus, bem haja as viagens que me deste!

de lá para cá, as coisas têm acontecido fora de mim. sinto-as imensamente mas nada nasce, como outrora nascia, dentro do meu coração – um universo à parte. ao contrário do que possam pensar, essa mudança não me desgasta. digo-me, muitas vezes: que bom não ser poeta! que alívio interior, que descanso, o de não gerar! a poesia é, agora, o acontecimento fugaz e ocasional em minha volta. eu só o temo, depois de escolher.

mas há uns dois ou três dias, distraído, ia-me encrencando com um desses acontecimentos exteriores. era uma festa. a porta se abriu e entrou uma mulher. bem, já tem havido isso, de portas se abrirem e, por elas, entrarem mulheres. mas, embora a porta fosse igual a todas as outras, a mulher não era. as mulheres deviam ser como os caranguejos – todas iguais. entanto, para desgraça nossa, não o são. é verdade que é bom ter-se uma mulher por quem se faça barba todos os dias, por quem se mande fazer um terno azul de casimira, por quem se encomende uma gravata na dominique france, por quem se deixe de comer pão, arroz, batata e manteiga. todavia…

quando a porta se abriu e aquela mulher entrou, porque ela fosse alígera ou, simplesmente, míope, uma sensação já minha conhecida vibrou no peito esquerdo. algum mal estaria me acontecendo: poesia ou burrice? deus queira que tenha sido este último… poesia só leva ao que não serve.

literatura em blogues

não, não vou traçar aqui nenhuma tese ou coisa que o valha sobre o assunto. nem discutir se blogue é literatura, ô negocinho chato.

aos infelizes, saudosistas e similares, só quero dizer o seguinte: apesar de não existirem mais gracilianos, machados e que tais por aí (e não sei se isso é ruim, creio que não, cada qual no seu cada qual), ainda há, sim, boa literatura no brasil. aliás, só há.

aos que me perguntam onde ela está, eu sempre respondo: em parte, nos blogues. muita gente torce o nariz, por saber que eu sou blogueiro. mas peraí: eu não faço literatura. uma ou outra tentativa desastrada aqui e acolá. algo bissexto. mesmo.

deixando o blá-blá-blá pra lá, quero dizer o seguinte: dois amigos blogueiros, ambos linkados ao lado, foram indicados ao prêmio jabuti, um dos maiores prêmios literários do brasil. o que me deixou muito contente.

são eles ivana arruda leite e marcelino freire. e clica aí ao lado para saber mais.

Prêmio Mídia, no MA; HQ maranhense no RS

[coluna do zema, diário da manhã, hoje]

Prêmio Mídia Pelos Direitos da Infância será lançado hoje e valoriza profissionais e estudantes de Comunicação que trabalhem a temática. Quadrinhos maranhenses em blogue gaúcho: os comentários de Augusto Paim [link ao lado] sobre “Corpo de Delito”, que já ocupou a Coluna do Zema, à época, Diário Cultural.

Prêmio Mídia pelos Direitos da Infância 2006

Será lançado hoje, às 19h, no Complexo de Proteção à Criança e ao Adolescente (CPCA) (Praça Maria Aragão, s/n), o Prêmio Mídia pelos Direitos da Infância 2006, iniciativa do Projeto Rompendo o Silêncio, com patrocínio da Petrobrás. É a segunda edição do prêmio – a primeira foi lançada em 2004 e tinha como objetivo – mantido – reconhecer a atuação de profissionais e estudantes de Comunicação no Estado do Maranhão, no que diz respeito à cobertura da temática “infância e adolescência”, com destaque, nesta edição, para abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes.

Poderão concorrer matérias veiculadas/publicadas entre 1º de novembro de 2005 e 31 de outubro de 2006. A premiação – em quatro categorias: jornalismo impresso, fotojornalismo, telejornalismo e radiojornalismo – será de R$ 500,00 (por categoria).

É importante lembrar que hoje – data do lançamento do prêmio – o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 16 anos de instituído (Lei nº. 8.069, de 13 de julho de 1990).

As inscrições – gratuitas – podem ser feitas na Agência de Notícias da Infância Matraca, Rua Isaac Martins, 63A. Maiores informações pelo telefone (98) 3254-0210.

“Corpo de Delito” em blogue gaúcho (ou: Navegar é preciso!)

No dia 17 de março, a Coluna do Zema – então Diário Cultural – noticiou o lançamento da revista Corpo de Delito, com aventuras do delegado Augusto “Caolho” dos Anjos, ambientadas em São Luís do Maranhão. A idéia, de Iramir Araújo e uma “gangue” de bons desenhistas, como escrevi na ocasião, ganha destaque, agora, em blogue gaúcho. O “Cabruuum” – com três “u”, em sua definição “um blog bem redondinho sobre quadrinhos” – destaca a HQ ambientada nesta “Paisagem feita de tempo”, como tasca, certeiro, outro poeta, ele, Joãozinho Ribeiro.

Em tempo: Beto Nicácio, que participa do “delito” aqui (e lá, no blogue gaúcho) tratado, é responsável pela capa e diagramação do livro de Joãozinho.

A revista e o livro podem ser adquiridos em diversas bancas de revista e livrarias da cidade: Banca do Dácio (Estacionamento, Praia Grande), Papiros do Egito (Rua da Cruz, 150, Centro), Chico Discos (Fonte do Ribeirão), Poeme-se (Rua João Gualberto, 52, Praia Grande), entre outros/as.

O texto de Augusto Paim, editor do Cabruuum, pode ser lido no endereço http://cabruuum.blogspot.com

Em tempo, também: o Cabruuum está no Top10, isto é, entre os dez melhores do Coke Ring, um concurso de blogues, dividido por categorias (ele, é claro, em “quadrinhos”), promovido pela Coca-Cola. Mais sobre isso, você pode saber também no endereço acima.

Colunas do Zema

[tentei postar aqui, ontem, o colunão de domingo. não consegui. abaixo, coluna do zema de hoje, no diário da manhã, e ele, o colunão do dia 9. melhor dizendo, nossa modestíssima colaboração ao colunão do dia 9]

Pós-Graduação e Seminário

[coluna do zema, diário da manhã, hoje]

Aula inaugural da primeira Pós-Graduação em Gestão Cultural em São Luís acontece hoje, na Faculdade São Luís (Unidade Renascença); amanhã, tem início o III Seminário GLBT, uma das atividades preparatórias para a III Parada Do Orgulho Pela Diversidade Sexual de São Luís do Maranhão.

Gestão Cultural

Acontece hoje, às 19h, no Auditório da Faculdade São Luís (Unidade Renascença), a aula inaugural do Curso de Pós-Graduação em Gestão Cultural, que será ministrada por Américo Córdula, Gerente da Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura.

O curso tem início amanhã e a primeira disciplina do primeiro módulo – “Teorias da Cultura: História e Crítica” – será ministrada pela professora convidada Verônica Aravena Cortes, da Universidade Metodista de São Paulo. O módulo terá prosseguimento com a disciplina “História da Arte”, com o professor Paulo César Alves de Carvalho.

Coordenada pelo poeta, compositor e professor universitário Joãozinho Ribeiro, a pós-graduação é uma iniciativa pioneira no Maranhão e está em perfeita sintonia com o momento pelo qual passa o Brasil e o mundo: o Plano Nacional de Cultura, inserido na Constituição Federal através da Emenda Constitucional nº. 48, promulgada em agosto do ano passado, prevê a necessidade da “formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas dimensões”.

Homofobia é crime!

Como parte das atividades preparatórias para a III Parada do Orgulho Pela Diversidade Sexual de São Luís, o Grupo Gayvota realiza dias 12 e 13 de julho, o III Seminário GLBT. Com os temas “Homofobia é crime” e “DST/HIV/Aids no SUS”, o seminário acontecerá das 19 às 22h, no Auditório Che Guevara, do Sindicato dos Bancários (Rua do Sol, 413, Centro).

A III Parada do Orgulho Pela Diversidade Sexual de São Luís acontecerá na Avenida Litorânea, no domingo, 16/7, com concentração a partir das 14h, entre o São Luís Park Hotel e a Praça do Pescador.

Para o acontecimento, os organizadores anunciam, entre diversas outras atrações, show da cantora e compositora Vanessa da Mata.

Maiores informações pelo telefone (98) 3222-5005 e/ou e-mail grupogayvota@yahoo.com.br

Criativo e brasileiríssimo

[colunão, 9 de julho]

O desejo de Jarbas Mariz, de mudar “Do Cariri Pro Japão” (Atração Fonográfica/Pôr do Som, 2005) não representa minimamente qualquer indício de anti-ufanismo ou coisa que o valha: seu quarto disco é brasileiríssimo. Primeiro trabalho solo após “Forró do Gogó ao Mocotó” (2000) – onde tributava o mestre Jackson do Pandeiro –, este novo disco segue uma linha musical alegre, dançante – o que não representa “vazio” nas letras, algo por vezes indissociável, hoje – talvez herdada do pilar supra, a quem Jarbas homenageia – novamente – dedicando-lhe a música “No Mundo dos Peixes”.

“Diga-me com quem andas e eu te direi quem és”. O dito popular nunca valeu tanto. Jarbas Mariz é daqueles artistas que (quase) ninguém ouviu falar, mas cuja presença foi fundamental para o desenho de diversas obras-primas da música brasileira. Para citar alguns, lembremos dos últimos trabalhos de Tom Zé (após sua re-descoberta por David Byrne no início da década de noventa do século passado), o “Estilhaço” (1980) de Cátia de França (paraibana, conterrânea de Jarbas), e o raro “Paêbiru” (1975), de Lula Côrtes e Zé Ramalho.

Entre diversos nomes importantes com quem Jarbas já dividiu o palco, podemos citar Alceu Valença, Chico César (com quem Jarbas divide a autoria do xote “Fulutiado”, neste disco), Demônios da Garoa, Dominguinhos, Elba Ramalho, João do Vale, Lenine, Lourival Tavares, Mestre Ambrósio, Pedro Osmar e Tom Zé, sendo integrante da banda que acompanha este último em turnês nacionais e internacionais.

As influências dos já citados Jackson do Pandeiro e Tom Zé são inevitáveis, o que leva Jarbas Mariz a percorrer diversos ritmos ao longo das doze faixas – sozinho ou em parcerias, ele assina onze delas. Sem fugir ao(s) ritmo(s) do disco, há a regravação de “Severina Cooper (It’s Not Mole Não)”, de Accioly Neto, sucesso de outrora na voz de Paulo Diniz.

Em tempos de forrós eletrônicos, roquinhos descartáveis e letras paupérrimas, “Do Cariri Pro Japão” é doce para ouvidos cansados. Corpos, não; estes, cansados, cansem mais no “Fulutiado” de Jarbas Mariz.

querem fechar o bar do léo!

antes, um aviso: isso aqui não é jornalismo!

não dá pra ficar calado diante de certas aberrações. os que me conhecem sabem que não me importo em atrair alguns ódios, em correr alguns riscos. sigo meu caminho, embora isso signifique, às vezes, não ter grana para uma cerveja no fim de semana. ou para uma revista, ou livro, ou disco, ou o que quer que seja.

acredito muito numa coisa: “a insatisfação move o homem“. ainda tenho capacidade de me sentir insatisfeito. e de me emocionar também. quando um homem perde a capacidade de se sentir insatisfeito e/ou sentir emoções, está morto. penso assim. e me sinto vivo. com pouco dinheiro no bolso, mas vivo. e feliz. (insatisfação não é sair por aí dizendo que nada presta etc. e não fazer nada para mudar isso. ao contrário…)

o post anterior é fruto de minha insatisfação: não dá para ver a semthurb chegar e fazer o que quiser contra quem quer que seja e aceitar isso calado. e há outros exemplos, não só com relação ao órgão de urbanismo da prefeitura ludovicense. os motivos são vários e não vou listá-los aqui para não me tornar (mais) chato (ainda).

há pouco, márcio jerry (link ao lado) entrou no msn e me fez um convite, que multiplico aqui (alô, poucos leitores, poucos mas fiéis, deste blogue!):

hoje, 6 de julho, às 21h, no bar do léo, exibição do documentário phono 73 (phutuca aí o “phono 73” para ler mais sobre ele).

o acontecimento será, também, um ato contra a tentativa de culturicídio que um burocratinha do governo (municipal? estadual?) quer cometer: fechar o bar do léo.

soa absurdo, não? pois é. como afirmo acima, isso aqui não é jornalismo! portanto, não vou julgar os méritos da questão. se está certo leonildo martins (o léo, proprietário do bar-museu-academia musical) ou o governo, via bu(r)rocrat(inh)as de gabinete. não sei. mas isso cheira mal. muito mal.

até a noite!

querem apagar o brilho d“o luar”

[coluna do zema de hoje, de volta após uma semana de interrupção por estes e/ou aqueles problemas/motivos]

Há um ano a SEMTHURB tentou silenciar o espetáculo semanal “A Vida é uma Festa!”, na Praia Grande. Tentou. Continua agindo com truculência, e assim, continua sem ter sucesso. Após reforma, barraca O Luar será reinaugurada com novo nome e sob nova administração, sobre o que a coluna falará em breve.

Quando todas as atenções maranhenses se voltavam para os festejos juninos e a Copa do Mundo, agentes da Secretaria Municipal de Terras, Habitação e Urbanismo (SEMTHURB) agiram, mais uma vez, de forma truculenta, comportamento típico do órgão. No último dia 27 de junho, mais de dez homens se identificaram – embora sem apresentar documentos – como agentes da citada secretaria, da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual, providenciando a imediata derrubada de um muro de arrimo – que já existia há quatro anos – reformado pelos proprietários da barraca O Luar (vizinha ao Arpoador, outra barraca, próxima ao posto de atendimento do Corpo de Bombeiros, no Calhau).

Os agentes alegaram que o muro era de alvenaria, quando deveria ser de madeira e, por isso foi derrubado. Essa informação, porém, não foi dada na hora da derrubada – por volta de 18h30min da data acima – e, sequer, foi apresentada qualquer documentação que os autorizasse a tal. Isso só viria acontecer depois. A coluna não contesta a legalidade ou não do muro; é contra, apenas, a forma como os atos do órgão municipal de urbanismo são praticados.

Segundo informações obtidas pela Coluna do Zema, outra alegação apresentada pelos agentes é a de que o muro de arrimo – algo ubíquo ao longo da Avenida Litorânea, vide outras barracas – estava sendo preenchido com areia da praia, o que caracterizava “destruição das dunas” e, conseqüentemente, “crime contra o meio-ambiente”.

Próxima à barraca, uma vala para o escoamento de águas pluviais – de responsabilidade da Prefeitura – foi consertada pelos proprietários; esta não foi derrubada. Um advogado, que estava no local e intermediava a construção/preenchimento do muro-“problema”, teve sua prisão decretada – por “crime contra o meio-ambiente” – e está em liberdade provisória, graças a um habeas-corpus.

Procurado pela coluna, o Sr. Fernando Barreto, Titular da 1ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, do Ministério Público, informou desconhecer a ação: “Essa operação não teve a minha participação e nem prévio conhecimento. Na área dos bares da Avenida Litorânea vigora um Termo de Ajustamento de Conduta entre o Ministério Público Federal e os proprietários de bares e restaurantes, que rege a ocupação do solo. Portanto, se o muro de arrimo era ou não era legal, somente o MPF, o SPU (Serviço de Patrimônio da União) ou a SEMTHURB podem esclarecer”.

A coluna procurou a secretaria, em insistentes telefonemas durante dois dias: foi atendida por porteiro e secretárias.

tem culpa eu?

uma gargalhada sonora para abrir este post. a capa acima é hilária, né? peguei no blogue da trip (link ao lado). e li coisas interessantes sobre a despedida brasileira da copa da alemanha nos blogues (também linkados ao lado) de (em ordem alfabética) franciel cruz, idelber avelar e joca reiners terron. deste último imprimi o texto e preguei na porta da geladeira.

como bom brasileiro (todo brasileiro é um técnico de futebol em potencial), escrevi o texto abaixo para o diário da manhã de amanhã. como foge do assunto da coluna do zemacultura – não será publicado. então o faço por aqui.

volto ao diário na próxima quinta-feira, pois. e ao colunão, domingo. e, espero, antes, por aqui. até!

a culpa é de quem?

nelson rodrigues, acertadamente, disse: “toda unanimidade é burra”. a frança mandou o brasil embora da copa do mundo. a piadinha sobre a melhor partida da copa – a da argentina para casa – perdeu a graça. a partida do brasil para casa teve tanta graça quanto a de nuestros hermanos.

seguindo o conselho rodrigueano, fujo, às vezes, de certos assuntos. sabia que, no dia seguinte – ou não, já que jornais no maranhão são fechados muito cedo – toda a imprensa estaria falando disso: a desclassificação do brasil da copa da alemanha. e o comentário, em botecos e butiques seria algo do tipo “resta-nos torcer por felipão”, técnico da seleção portuguesa.

e na missa de sábado à noite, o padre adentra a igreja e afirma: “o brasil não perdeu, o brasil ganhou”, e toca o discurso já tão conhecido e batido de que enquanto nos preocupamos com a copa, políticos nos roubam, irmãos passam fome etc.

que o futebol é um ópio do povo, todos sabemos. cada qual com seus vícios. evitei o assunto. unanimidades não me atraem, sinceramente. mas como todo brasileiro se mete a ser técnico de futebol, sempre e, principalmente em época de copa do mundo, tento ser, agora, de maneira bastante pretensiosa, comentarista de futebol.

o brasil perdeu. “a culpa é do parreira!”, bradam, unânimes, os revoltados com o resultado pífio da “melhor seleção do mundo”. “a culpa é do parreira, também”, penso.

do parreira e da mídia (leia-se rede globo), que, num “show de transmissão” nada deixava faltar, em se tratando de “informação”, aos telespectadores: fulano fez graça no treino, beltrano fez exame de ressonância, cicrano isso, não-sei-quem aquilo, o ônibus chegou, o ônibus saiu etc.

do parreira e dos patrocinadores. ora, ora, nem preciso dizer, não é?

do parreira e nossa, que sempre pensamos que por sermos o brasil precisamos ganhar tudo.

do parreira e do parreira: é sim possível ganhar jogando bonito. ou mesmo perder com decência. alguém se esquece das seleções de 1970 e 1982? perder jogando feio é resultado merecido.

a derrota adia um sonho dos 180 milhões de brasileiros que monitoravam o ônibus da seleção – em frase escrita no mesmo –, que conduziu a “constelação de craques” até o aeroporto, de onde muitos deles sequer voltariam ao brasil, já que a maioria nem joga por aqui.

nem bonito, nem feio: contra a frança do quase aposentado zidane, o brasil despediu-se da copa do mundo sem fazer o que deveria, ou seja, jogar futebol.

mais que “sexo puro”: a música de suely mesquita

[coluna do zema, dia de são pedro]

Muito mais que sexo, música pura, prazer enfim. Pérolas, na estréia em disco de Suely Mesquita, cantora e compositora carioca, parceira de nomes como Pedro Luís e Zeca Baleiro.

““Sexo Puro” é tudo o que você quiser”. A resposta de Suely Mesquita à pergunta “O que é Sexo Puro?” pode enganar leitores/ouvintes por acaso desavisados acerca de seu trabalho. Não, não se trata de um disco erótico ou coisa parecida. Ou não somente isso. “Sexo Puro”, seu disco de estréia, foi lançado em 2002 e tem, agora, nova tiragem pelo selo Duncan Discos, de Zélia Duncan. Aliás, guardadas as devidas proporções, as amigas vêm de turnês vitoriosas: Suely rodou o Brasil numa das caravanas do Projeto Pixinguinha (não chegou à São Luís, infelizmente); Zélia, o mundo na re-união dos Mutantes.

Quem pensa nunca ter ouvido falar de Suely Mesquita, pode estar enganado: parceira constante de Pedro Luís, já compôs com Zeca Baleiro, Kali C. e Mathilda Kóvak, entre outros, tendo sido gravada por nomes como o próprio Pedro Luís, Patrícia Ahmaral, Ney Matogrosso e, recentemente, participado – como backing vocal – do disco (póstumo) “Cruel”, de Sérgio Sampaio, produzido por Zeca para o seu selo Saravá Discos.

Sobre esta última experiência, ela diz: “O Sérgio eu não conheci pessoalmente, mas admirei muito sua obra desde minha adolescência. Cantar sobre a voz dele nesse disco [o citado “Cruel”] foi muito emocionante. É como se a música fosse um lugar de encontro, onde não importam a distância, o tempo e a morte. Na música, a gente se cruza como numa festa, se aproxima de alguém que não conhece e puxa assunto, descobre afinidades, novos amigos e parceiros. Essa comunicação sem fronteiras é libertadora”.

Suely Mesquita, 45, fez seu primeiro show solo em 1979. Cinco anos depois, começou a dar aulas de canto. Hoje, dedica-se em tempo integral à música – dando aulas, em shows ou compondo – coisa que, aliás, vem fazendo muito bem. Indagada sobre predileção por este ou aquele parceiro – algo como a relação entre Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito – ela responde: “O Lenine diz que existem dois tipos de compositor: o monogâmico e o promíscuo. Sou do segundo tipo. As preferências até existem, mas são momentâneas. O bom mesmo é variar”.

Suas influências são as mais diversas. “Minhas primeiras lembranças de impacto com a música adulta são Elis Regina e Barbra Streisand, discos de minha mãe. Ouvi muita música brasileira a partir da adolescência. Na verdade, o que me puxa para a música são os timbres, quando o artista explora isso e escolhe as sonoridades que mexem comigo, fico refém. Acredito que, embora a gente fique muito marcada pelas coisas que ouvia muito nos anos de formação, as influências conseguem chegar para sempre e o tempo todo. Uma das minhas influências mais recentes e importantes é uma cantora mais nova do que eu: Cássia Eller”, afirma Suely, que ainda cita, entre outros, Ella Fitzgerald, Carole King, Beatles, Bee Gees, Carpenters, Zap Mamma e Take 6.

“Sexo Puro” não deve ser reduzido ao que, erroneamente, o título pode nos levar a pensar: o próprio título, sexo puro ou puro sexo. “Genitalizar” reduz. “É muito mais que isso”, coloca Suely. O batismo do biscoito está na faixa “Samba”. Pergunto: “Sexo é samba? Na hora tem que saber “dançar pra não dançar”? É riso e gargalhada? [como diz a letra da música]”. Ela completa: “Sexo é samba, jazz, rock, e tudo isso é sexo [“Sexo puro”, como o título do disco]. O prazer com qualquer coisa é sexo. Não fui eu que disse isso, Freud lá atrás mudou os pensamentos de todos nós. Meu trabalho fala sempre do prazer e da dor. E a música, o ato de cantar e de criar, me dá muito prazer. Daí o sexo estar presente sempre”.

não veja a veja! vê a revista v!

uma vez, zé patrício neto escreveu assim no orkut, num depoimento sobre este que vos perturba: “zema é desses caras que nos ganham fácil. em meia hora de conversa, em meia dúzia de e-mails é nosso amigo de infância.” agradeço e fico lisonjeado, mas, no fundo, eu me acho um chato. e um triste. mas uma coisa é certa: eu tenho uma facilidade demasiada para acreditar que as pessoas são meus amigos. não sei se isso é bom ou ruim e prefiro seguir acreditando que é bom.

assim sendo, amigos e ídolos, pois, é o que eu mais tenho. e algumas pessoas residem/transitam entre as duas “classes”. e tenho muitos amigos que não conheço (pessoalmente; só por e-mail) e outros que só conheci depois (ou seja, primeiro virtualmente, depois, o amigo de carne-e-osso).

por exemplo: minha amizade virtual de mais idade (a amizade, não a pessoa) é o xico sá, que conheci logo que comecei o estágio no banco do nordeste (e essa história praticamente todo mundo já conhece). xico é amigo. e ídolo. e diz assim, modesto: “deixa disso, rapá! a gente é tudo farinha do mesmo saco…”

bem, deixando o blá-blá-blá de lado, quero atentar para três amigos/ídolos que estão na revista v deste mês:


1. o próprio xico sá, travestido (ops!) de mcbode, ou homem-outdoor, numa matéria sobre o assunto (tudo em nome de um jornalismo original, vivas!);

2. ronaldo bressane, que escreve sobre uma farra com o mito-vivo jaguar, um dos homens do pasquim. rb é editor ou qualquer coisa que o valha da revista que engana quem pensa que se trata de uma publicação voltada exclusivamente para clientes volkswagen: é muito mais que isso, meus caros! tanto é que não desata a falar só de gols (em tempos de copa, nada mais óbvio) e/ou outros modelos da montadora. aliás, a trip, ainda uma das melhores revistas do país, era ainda melhor quando o autor de 10 presídios de bolso era seu sub-editor; e

3. marcelino freire, que entrevista outro mito-vivo, ariano suassuna.

corri olhos, ligeiro, na revista, e por isso não dou mais detalhes. vão atrás! vale a pena, a caneta, a grana…*

2

abaixo, dois textos.

um, meu, resenha de “a timidez do monstro”, livro de poemas do paulo scott com ilustrações do guilherme pilla.

outro, de cesar teixeira, análise lúcida sobre esta onda (já nem tão nova) de batismo de “bois”.

o primeiro foi publicado ontem no diário da manhã, coluna do zema.

o segundo, não sei se chegou a ser publicado em algum lugar. talvez o seja amanhã, na mesma coluna do zema.

em tempo: meu texto para o colunão de ontem (o colunão passa, agora, a ser quinzenal, mais detalhes no blogue de wr, link ao lado) não foi publicado, por motivo de força maior. é sobre “sexo puro”, disco de estréia da cantora carioca suely mesquita. fica para o próximo número, que deve circular dia 9 de julho.

em tempo, e não menos importante: hoje é dia internacional de luta contra a tortura.

– um –

A violência do monstro

Em “A timidez do monstro”, o gaúcho Paulo Scott dilacera. Tendo ou não uma opinião formada sobre “poesia”, (não) é hora de rever seus conceitos (?).

O “cara” passa ligeiro andando de skate. Corre o risco de te atropelar e machucarem-se, os dois, o cara e você – e/ou vice-versa. Raspa e, zum!, passa. “Filho da puta!”, você pensa em dizer/gritar, mas não diz/grita. E não por covardia. Antes que você o consiga fazer, ele se esborracha: nada tão grave, um pouco de sangue aqui e ali. Longe da morte ainda, ele se levanta e vai embora, skate na mão. O que não significa a derrota, o abandono, a desistência. Só uma pausa. E mais rápida do que você pensa.

“A timidez do monstro” (Editora Objetiva, 2005) é isso aí. A poesia de Paulo Scott é isso, essa velocidade toda, toda essa violência. Páginas em preto – não há espaço para páginas em branco na literatura de Elrodris, pseudônimo do poeta-skatista – parecem esconder o monstro tímido do título. Ou economizar mais violência, uma ou outra ilustração de Guilherme Pilla a menos, no “violento” projeto gráfico.

Sobre o autor, a advertência do poeta Fabrício Carpinejar é certeira – e por que não dizer?, violenta: “Scott não veio para brincar, satisfazer egos, brindar com espumantes. É um profeta, paranoicamente criativo como um profeta, com estratégias militares de um profeta. Não peça que leia sua mão, ele vai cortá-la”.

O monstro – o próprio autor? – no escuro, o poema “Luz” diz assim:

lambe
lambe
é aqui

Certeiro, não? Certeiro também em batismos, “Padre” Scott já publicou “Histórias curtas para domesticar as paixões dos anjos e atenuar os sofrimentos dos monstros” – seriam os monstros uma obsessão? – sob o citado pseudônimo, antes, e na última bienal do livro em São Paulo botou “Senhor Escuridão” na praça. (uma praça escura? Nunca é demais perguntar, a escuridão, outra obsessão).

Querem mais e estão tímidos, com medo do monstro e com medo de pedir? Tomem:

avião decola e se inclina em direção ao Uruguai
estendo a ponta do canivete contra a janela
rasgo Porto Alegre ao meio

Acima, “Pão com osso duro”; sobre o skate, lá em cima, “Skate”, abaixo:

rápido, só enxergo vogais
quando tento sorrir
o pescoço dá um rabo
de azulejos quebrados

Num P. S. (post scriptum), poderia dizer: ninguém fica im(p)une à poesia de P.S. (Paulo Scott).

– dois –

A política do couro de boi e a beatificação de Sarney

por Cesar Teixeira*

Em meados de junho a TV Mirante exibiu cenas do batizado do Boi de Axixá na Igreja da Sé, onde a madrinha Roseana exalta a devoção dos maranhenses aos santos padroeiros “homenageados no próprio couro do boi”. Surge então a imagem do boi dançando. Junto com São João Batista, no couro bordado em miçanga e canutilho, está José Sarney à sombra da bandeira do Estado.

O boi de Francisco Naiva é um dos raros no sotaque de orquestra que conseguiram manter a beleza coreográfica, rítmica e melódica originais do folguedo, além de priorizar os brincantes da comunidade de Axixá. Porém, é doloroso ver mais uma vez o patrimônio cultural do povo maranhense ser utilizado como outdoor de interesses políticos ou disfarçada moeda de troca.

Ninguém é proibido de receber ou prestar homenagens, batizar ou prover brincadeiras juninas e carnavalescas, como tem se dado ao longo dos anos. Tal prática, no entanto, se torna intolerável quando as lantejoulas políticas ofuscam o brilho da festa, sobretudo em tempo de campanha eleitoral.

Pode-se enxergar no couro do boi a cangalha onde, ao reverenciar o amo por admiração ou visando alguma graça, os personagens reais colocam o seu pescoço. Nele já se insinua a publicidade feita por Sarney em torno de sua autobeatificação, patente no caso do Convento das Mercês, onde pretende sepultar-se no jazigo ali construído.

“Trata-se do meu mausoléu, que as pessoas irão visitar em peregrinação”, disse o senador em entrevista de rádio reproduzida pela sua emissora de TV em novembro do ano passado, onde condenava a aprovação da lei que devolvia o convento ao Estado, inviabilizando o seu enterro.

Crendo-se imortal, por pertencer à Academia Brasileira de Letras, talvez considere justo candidatar-se a padroeiro. Mas o Congresso das Alturas é bem diferente daquele de Brasília. A julgar pela lista de maldades que cometeu na terra, no mínimo terá suas orelhas puxadas em Plenário e será obrigado a pular fogueira perpétua só pela saliência. Não terá votos nem ex-votos.

Essa obsessão de se tornar santo – que poderia ser caso de psiquiatria ou exorcismo – se ajusta melhor no campo da esperteza política, e também revela o maniqueísmo da classe burguesa ao transfigurar símbolos culturais para a afirmação de uma hierarquia social. A malversação da estética popular, em prol de uma ideologia reacionária, atinge agora o jardim-suspenso da sacralização.

As obras públicas, com ou sem fachadas, há muito têm servido de couro de boi, ou outdoor, para os rajados da família Sarney, que abusam desse artifício como merchandising político sem gastar um tostão do bolso. Essa doença hereditária contagia órgãos estaduais e municipais, craques em utilizar o dinheiro da população como se fosse de sua propriedade.

Por ser inconstitucional e antiética, tal prática já deveria ter sido punida com rigor por vias judiciais e administrativas, obrigando seus autores a indenizar a sociedade, depois de terem seus nomes retirados de tribunais, pontes, escolas, avenidas, ruas, creches, hospitais, rodoviárias, favelas, etc., da capital e do interior do Maranhão (sem falar de outros estados).

Após 40 anos contribuindo para o agravamento das desgraças sociais do Maranhão, a propaganda da oligarquia Sarney beira à crueldade, sobretudo quando passa a desvirtuar a história, através do estelionato político. O currículo mais superficial do senador pelo Amapá bastaria para bani-lo para sempre dos palácios, ou do mais humilde casebre de taipa e palha.

Sarney foi aluno de Vitorino Freire, um dos políticos mais ladinos do País. Superou o mestre, passando-lhe a perna. Mentiu aos camponeses quando em 1965 candidatou-se ao governo do Estado, sendo muitos deles mortos, exilados e torturados pelo regime militar, de quem o senador foi aliado. Para preservar o status político, quando a ditadura expirava, virou encosto de Tancredo. Entrou pela janela e saiu pelos fundos do Palácio do Planalto, depois beijou a mão de Collor, Itamar, FHC, Lula…

Mas continua perseguindo sem dó seus adversários, inclusive os que pertenceram ou estão sendo descartados do seu grupo parafolclórico.

A dinastia Sarney não seria inteligente ao utilizar a cultura popular como mídia política em prejuízo de quem a produz, fazendo crer o contrário, além de chamuscar a alma de muitos artistas no fogo das vaidades? Bobagem. Trata-se de um artifício medieval hoje digitalizado pela academia marqueteira. Não tem nada de novo, é pura esperteza!

Foi assim que a sorridente madrinha do Boi de Axixá completou a obra do pai em oito anos de governo, condenando o Maranhão à indigência. A oligarquia transformou o Estado num imenso outdoor da miséria, num couro de boi onde Catirina prega as miçangas da fome depois de provar o fel de outra língua de mentira – a língua de Sarney.

*Jornalista e compositor

santa ignorância apresenta “a morte do boi desmiolado”

[de release recebido por e-mail]

o grupo teatral santa ignorância – cia de artes apresenta “a morte do boi desmiolado” na praça maria aragão, neste sábado, às 19 horas. com texto e roteiro musical de cesar teixeira, a peça é uma recriação do tradicional auto do bumba-meu-boi, onde, através do humor e da irreverência dos personagens, são enfocados os conflitos sociais vividos numa fazenda do maranhão.

formado por rosa ewerton, césar boaes, erivelto viana e lauande aires, o próprio elenco da companhia idealizou os figurinos e dirigiu o espetáculo, que conta ainda com as participações especiais de urias de oliveira, na confecção dos adereços, e do músico chileno francisco jara, responsável pela coordenação musical.

essa montagem tem sido um raro prazer, não só pela riqueza e graça dos personagens, mas também pela sua importância simbólica no contexto social. tivemos de nos superar com apenas quatro atores, quando a peça exige mais de vinte, incluindo músicos. a solução cênica foi preservar as figuras principais e fazer o revezamento de papéis e fantasias. creio que todos vão gostar”, explica rosa ewerton.

os atores também cantam e tocam alguns instrumentos durante o espetáculo, embora parte da trilha sonora tenha sido gravada em cd. segundo a atriz, “a morte do boi desmiolado” será reapresentada após os festejos juninos nos teatros da cidade e, se o grupo conseguir patrocinadores, deverá percorrer alguns terreiros do país.

cesar teixeira, autor da comédia, avisa aos amantes das brincadeiras juninas e do teatro popular: “esse boi não é batizado e nunca será. não pode ter madrinha, nem padrinho. vai continuar desmiolado e pagão”.

[devido a problemas de natureza política, o compositor não tem se apresentado ultimamente nos arraiais de são luís]

santa ignorância apresenta "a morte do boi desmiolado"

[de release recebido por e-mail]

o grupo teatral santa ignorância – cia de artes apresenta “a morte do boi desmiolado” na praça maria aragão, neste sábado, às 19 horas. com texto e roteiro musical de cesar teixeira, a peça é uma recriação do tradicional auto do bumba-meu-boi, onde, através do humor e da irreverência dos personagens, são enfocados os conflitos sociais vividos numa fazenda do maranhão.

formado por rosa ewerton, césar boaes, erivelto viana e lauande aires, o próprio elenco da companhia idealizou os figurinos e dirigiu o espetáculo, que conta ainda com as participações especiais de urias de oliveira, na confecção dos adereços, e do músico chileno francisco jara, responsável pela coordenação musical.

essa montagem tem sido um raro prazer, não só pela riqueza e graça dos personagens, mas também pela sua importância simbólica no contexto social. tivemos de nos superar com apenas quatro atores, quando a peça exige mais de vinte, incluindo músicos. a solução cênica foi preservar as figuras principais e fazer o revezamento de papéis e fantasias. creio que todos vão gostar”, explica rosa ewerton.

os atores também cantam e tocam alguns instrumentos durante o espetáculo, embora parte da trilha sonora tenha sido gravada em cd. segundo a atriz, “a morte do boi desmiolado” será reapresentada após os festejos juninos nos teatros da cidade e, se o grupo conseguir patrocinadores, deverá percorrer alguns terreiros do país.

cesar teixeira, autor da comédia, avisa aos amantes das brincadeiras juninas e do teatro popular: “esse boi não é batizado e nunca será. não pode ter madrinha, nem padrinho. vai continuar desmiolado e pagão”.

[devido a problemas de natureza política, o compositor não tem se apresentado ultimamente nos arraiais de são luís]

são joão, literatura e crítica

[coluna do zema de hoje, no diário da manhã]

“A morte do boi desmiolado” será encenada sábado na Praça Maria Aragão; dissertação de mestrado discute a produção literária brasileira contemporânea. E a coluna está aberta a críticas. Faça a sua!

A morte do boi desmiolado

Este é o título do espetáculo junino que o Grupo Teatral Santa Ignorância apresenta neste sábado, 24 de junho, dia de São João, às 19h, na Praça Maria Aragão. O texto, de autoria do jornalista e compositor Cesar Teixeira, recria o tradicional auto do bumba-meu-boi com humor e irreverência tecendo críticas às contradições sociais vividas na zona rural do Maranhão.

A direção e os figurinos do espetáculo são assinados pelos próprios atores da Companhia Teatral, cujos integrantes são Rosa Ewerton, César Boaes, Erivelto Viana e Lauande Aires. Os adereços foram confeccionados pelo ator Urias de Oliveira. As músicas originais da trilha sonora do espetáculo também são de autoria de Cesar Teixeira, sob a regência do músico chileno Francisco Jara.

Maiores informações com Rosa Ewerton, pelos telefones (98) 3222-8990 ou 8813-0222.

Inferno pós-moderno

“O inferno é um mundo sem livros”. A frase, de Joca Reiners Terron, parece ser verdadeira aos que se negam a olhar um pouco ao redor de seus próprios umbigos e mentes “brilhantes”. Uma das grandes desculpas usadas pela maioria das pessoas que não tem o costume de ler é a falta de tempo. Outra desculpa – esfarrapada – é a velha comparação entre o antigamente e o atualmente: hoje já não se fazem livros e escritores como ontem. Balela.

No próximo dia 3 de junho, às 10h30min, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Adriano Quadrado defenderá a dissertação de mestrado intitulada “Inferno Pós-Moderno – Marcas da Contemporaneidade em Hotel Hell e outras obras da geração 90”, onde analisa as obras do autor da frase que abre esta nota e outros contemporâneos.

Aos interessados, é possível ler e baixar as quase duzentas páginas do texto no endereço http://www.quadrado.com/MESTRADO_Adriano_Quadrado.pdf

Aos fãs do autor de “Hotel Hell”, um presente: o primeiro capítulo do romance – inédito – “A solidão segundo o astronauta”, que Joca deverá publicar ano que vem.

Críticas, interatividade

Sou sabedor de que não existe um “dono da verdade”. Por mais que por aí, muita gente se coloque como tal. Sei também, que todo ser humano é passível de erros. Como ser humano, não fujo à regra.

A Coluna do Zema – outrora Diário Cultural – está aberta a todo tipo de intervenção por parte de seus leitores, através dos canais de diálogo disponibilizados desde sempre: o correio eletrônico (e-mail) do colunista e seu blogue, onde esta coluna é sempre transcrita no espaço virtual.

Sugira, critique, discorde, retruque e, até mesmo, elogie. O verbo é participar! Qualquer pessoa que faça uso de um espaço para sua escrita, tem que, antes, ler. E qualquer leitor deve estar apto a criticar aquilo que lê. Resumindo ao campo de nossa prática diária, acreditamos: só assim se fará um jornalismo melhor no Maranhão e no Brasil. Os endereços estão aí, esperando suas valiosas contribuições para que façamos este espaço melhorar a cada dia.

sobre notas em jornais

sou sabedor de que “de boas intenções, o inferno está cheio“. mas quando escrevo para um jornal (ou para um/a jornalista) é sempre com a melhor das intenções. doa a quem doer.

nota na coluna “conversa franca“, de aquiles emir, no jornal pequeno do dia 20 de junho, dizia: “zico telefona para parreira e pergunta: dá para o brasil, já classificado, aliviar para o japão?; e parreira: tá bom, vou escalar os reservas, mas zico se desespera: não, mantenha os titulares![minúsculas por minha conta]

e-mail enviado por este estudante de jornalismo ao jornalista titular da coluna, dizia, sob o título “chatice zêmica hodierna“: “aquiles: sobre a notinha que trata de um telefonema trocado entre zico e parreira, pergunto: é verídico o telefonema? se não, trata-se de uma “piada”, e o leitor deveria ser avisado disso, para que o mesmo não confunda isso com a prática jornalística diária.[novamente, minúsculas por minha conta; transcrevo apenas trecho do e-mail, que era endereçado a outra jornalista com quem já “discuti” anteriormente; tratava de uma crítica a algo que me desagradava na coluna dela de ontem]

gente, isso pode até ser chato, mas na qualidade de leitor, em tempos de interatividade, acho justo o alerta. aquiles demonstra ter gostado da atenção e, hoje, a primeira nota da seção “francamente“, dentro de sua coluna, trazia: “a coluna aceita a crítica de zema ribeiro sobre a falta de advertência de que a nota sobre o telefonema de zico para parreira era uma piada, pois, como ele muito bem observa, o leitor poderia ser levado a confundir a informação como uma verdade[minúsculas idem, ibidem]

para não dizerem que não é verdade a minha fala inicial (sobre boas intenções e coisa e tal), parabenizo aqui, publicamente, o aquiles, por aceitar, com humildade, a crítica deste também humilde estudante de jornalismo. não, meus caros, isso não é babação de ovo ou coisa parecida.

a jornalista de que falo acima, sobre a crítica tecida ao texto dela de ontem, responde-me assim [novamente, transcrevo apenas trecho do e-mail]: “quando você ia com o milho, euzinha já vinha com a pipoca“.