fim de semana

abaixo, textos do diário cultural (no diário da manhã) e do colunão de ontem (a agenda não é transcrita), além do convite de joca reiners terron (link ao lado) para o lançamento da revista da mercearia.

1.
Cultura ocupa agenda da AL

Assembléia Legislativa do Estado do Maranhão inclui a pauta “cultura” na agenda de discussões da casa. De forma democrática e transparente. Com a participação de membros do legislativo e da sociedade civil, avança a discussão sobre o decreto regulamentador da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. A próxima reunião acontece dia 30, às 15h, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho.

Entre jornalistas, pesquisadores, estudantes, produtores culturais e artistas, um público variado se fez presente à audiência pública realizada no Auditório Fernando Falcão, na Assembléia Legislativa, na última quarta-feira, 24 de maio. Previamente convocada pela Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia, o objetivo da citada audiência era discutir a regulamentação da Lei nº 8.319, de 12 de dezembro de 2005.

Presidida pelo deputado Luiz Pedro, a discussão foi fruto de um requerimento do deputado Aderson Lago e contou ainda com a presença da deputada Helena Heluy. Para compor a mesa, foram convidados o poeta e compositor Joãozinho Ribeiro, o ator e produtor cultural Nélson Brito e o arquiteto e assessor parlamentar Ronald Almeida.

Durante a discussão, destacou-se a importância de regulamentar-se a Lei urgentemente, tendo como objetivo impulsionar a produção cultural maranhense como um dos maiores ativos para o desenvolvimento econômico do Estado do Maranhão. Assim, destacou-se o que segue: na próxima terça-feira, dia 30 de maio, às 15h, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, reunião aberta ao público para a finalização da proposta de minuta de decreto regulamentador; encaminhamento da minuta finalizada do decreto regulamentador e do relatório da I Conferência Estadual de Cultura, realizada em dezembro de 2005, ao Governador José Reinaldo pela Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia da Assembléia Legislativa; formação institucional da Frente Parlamentar de Cultura da Assembléia Legislativa.

Este colunista recebeu cópia da minuta do decreto, com três capítulos e vinte e nove artigos tratando da regulamentação e regimento do Subsistema de Incentivo à Cultura (SINC), alvo da Lei aqui tratada. Assim, convida os leitores interessados a participar da reunião acima, enriquecendo as discussões.

Pela primeira vez a questão da cultura é incluída na agenda de discussões da Assembléia Legislativa, sendo a Frente Parlamentar da Cultura um importantíssimo instrumento de interlocução entre o poder público e os agentes culturais – artistas e produtores. Ícone das discussões culturais no Estado, o militante Joãozinho Ribeiro mostra-se satisfeito com os resultados até aqui obtidos: “É preciso paciência e tolerância, sem que isso comprometa os objetivos maiores de nossa luta. Demos um exemplo de amadurecimento, até por saber que o resultado alcançado é fruto de uma longa lida, que já passou por diversos fóruns, seminários e conferências. Por isso aposto na capacitação dos sujeitos da cultura, em todos os níveis. Tenho certeza que o avanço do movimento cultural em nosso Estado depende basicamente de dois fatores: do crescimento do nível de consciência dos militantes culturais e da organização social e política dos grupos e das pessoas, o que envolve também a capacitação profissional, para a qual, até pouco tempo, nossos artistas e produtores torciam o nariz e viravam as costas”.

A quem interessar possa, a minuta do decreto pode ser disponibilizada por e-mail. Basta escrever para esta coluna (zemaribeiro@gmail.com). E lembrando: a próxima reunião para a discussão – aberta ao público – dos temas aqui expostos acontece na próxima terça-feira, dia 30, às 15h, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande.

2.
Doses de poesia na medida

O poeta Marcelo Sandmann, com apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Curitiba, publica “Criptógrafo Amador”, que reúne sua produção poética a partir de 2000. A pequena editora Medusa é a mesma que fará chegar ao mercado “Música”, livro/cd do maranhense Celso Borges, que de São Paulo tem mandado novas ao Colunão.

Se você acredita que já não há vida inteligente na atual poesia produzida no Brasil, como fazem certos críticos desprovidos de qualquer senso (auto-)crítico, não leia Marcelo Sandmann. Se você acha impossível que se produza boa poesia, hoje, no Paraná, terra de Paulo Leminski – justamente por isso –, idem. Se você crê que não é possível encontrar vida inteligente fora de grandes editoras, ibidem. Caso consiga pensar no contrário de todo o até aqui exposto, encare “Criptógrafo Amador” (Editora Medusa, 2006).

Ao contrário do que possa sugerir o título, o autor curitibano não tem nada de amador; é, sim, um profissional da palavra: é graduado em Letras pela Universidade Federal do Paraná, onde defendeu a tese de mestrado “A poesia de José Paulo Paes”. Lá, é professor de Literatura Portuguesa desde 1992. Em 2004, Sandmann concluiu, na Unicamp, o doutorado em Teoria e História Literária, com a tese “Aquém-além-mar: presenças portuguesas em Machado de Assis”.

Não pensem os caros leitores que o excesso de informação contido no poeta – se é que assim se pode falar – torna sua obra, e conseqüentemente a leitura da mesma, desinteressante e/ou cansativa. Longe disso: ele sabe o que fazer com a informação e coloca cada palavra no lugar preciso, numa precisão hoje raramente vista, talvez influência de seu lado músico, já que é também compositor.

Seu poema – duas palavras apenas, em inglês – “E-mail a um jovem poeta (da lavra de um velho medalhão)”, que compõe o trecho do livro intitulado “15 paesianas (à paisana) reunidas ao acaso”, diz simplesmente: “Fuck you!”, talvez – ou não – uma recusa ouvida pelo próprio, em algum passado (talvez) não muito distante. Talvez, repito, uma mensagem criptografada, ininteligível para seus códigos (à época): ainda bem, Marcelo Sandmann fez ouvidos de mercador.

Serviço

O quê: Criptógrafo Amador, livro de poemas
Quem: Marcelo Sandmann
Quanto, onde: sob consulta com a Editora Medusa, pelo e-mail editoramedusa@hotmail.com

3.
Um convite de Joca Reiners Terron, link ao lado

recado aos (ex?-)órfãos

uma vez, em conversa pelo msn com reuben, disse-lhe que o hoje finado trompetista gago era o que havia de melhor na blogosfera maranhense. claro que a opinião era/é, como muitas coisas que saem da minha cabeça/boca/dedos, equivocada. não que eu não achasse/ache muito bom o blogue que ele fazia (infelizmente fechou as portas em 22 de abril passado, presente nada agradável ao brasil [maranhão? são luís?] ou moara, ambos descobertos na mesma data, com alguns séculos de diferença). o equívoco reside pura e simplesmente na impossibilidade (ao menos eu acho impossível) de se comparar blogues (tão bons e) tão díspares como o “cá já” citado e, por exemplo, o de walter rodrigues. ou gisele brasil. ou carolina libério. ou outro blogue qualquer, feito no maranhão (e olhe que aqui citei apenas blogues de que gosto. e gosto de [muitos] outros não-citados, percebam, lista ao lado).

bom, vamos deixar o blá-blá-blá de lado, que eu vim só dar um recado. aos órfãos d’o trompetista gago (cujo link permanece ao lado com arquivos de um passado não tão distante até que eu encha o saco com a falta de novidades e resolva apagá-lo, o link, não o blogue). sim, o recado: reuben está escrevendo uma coluna quinzenal no site clara on-line (já devidamente linkado). o link direto pra coluna de estréia dele é esse aqui, ó: http://www.claraonline.com.br/coluna.php?id_coluna=173

um paliativo à orfandade deixada pel’o trompetista, que se é/era gago, de desafinado tinha/tem nada. recado dado, vão lá!

alguém publica?

Mandei o texto (e as fotos) abaixo para diversos jornais (e rádios e tevês) ludovicenses. Não sei se algum vai publicar. Então o faço por aqui. O amigo Paulo Melo Sousa, vulgo Paulão, escreve no suplemento JP Turismo, encartado às sextas-feiras no Jornal Pequeno e vem fazendo um bom trabalho na temática quilombola e em jornalismo “ambiental”.

Ato de vandalismo contra lavradores em Vargem Grande

por Paulo Melo Sousa, da Assessoria de Comunicação da CONAQ

Numa reunião articulada às pressas pela Associação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Maranhão (ACONERUQ/MA), no último dia 23 de maio, em sua sede, localizada na rua do Sol, nº 363 – Altos, em São Luís, contando com a presença de diversas entidades, tais como a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), o Movimento Negro Unificado (MNU), Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (ITERMA), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Central Única dos Trabalhadores (CUT), ONG Terra de Preto – Comunicação e Educação, Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Maranhão (FETRAF/MA), Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN/MA), Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vargem Grande, entre outras, além de advogados, jornalistas, políticos e de dois lavradores da Comunidade de São Malaquias, em Vargem Grande, seu João Cirilo e seu João Portugal, discutiu-se a invasão, destruição e queima das casas dos lavradoresa da referida comunidade, no último dia 19 de maio.

Os moradores da comunidade de São Malaquias são lavradores, de origem negra, considerados quilombolas, e moram na área há mais de 100 anos, vivendo pacificamente ali extraindo o sustento a partir da lavoura, cultivando a mandioca, o arroz e outros produtos, e da criação de pequenos animais. Porém, não possuem documentos e, dessa forma, as terras por eles ocupadas não foram desapropriadas pelo INCRA. A partir dessa informação, um senhor chamado Antônio Rodrigues Dias, portando vários documentos que o apontam como proprietário das terras, cada um dos quais apresentando limites diferentes e confusos da área em questão, há mais de um ano vinha ameaçando os moradores da comunidade, até que no dia 30 de outubro do ano passado, contando com a ajuda de policiais e pistoleiros, invadiu a área, destruindo as casas e queimando as mesmas. Devido à insistência dos lavradores em permanecer no local, reconstruindo suas moradias, novo ato de vandalismo aconteceu na semana passada e o grileiro, contando com a ajuda de 60 policiais e de 20 pistoleiros, entrou novamente à força no local, deixando ali, vigiando as terras, um grupo de jagunços fortemente armados. Os policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar, segundo testemunhas, foram transportados em um ônibus escolar da Prefeitura de Itapecuru-Mirim, cidade vizinha a Vargem Grande, em cumprimento a um mandado de manutenção de posse expedido pela juíza da Comarca, Dra. Janaína de Araújo de Carvalho.

Na rua da amargura – Os lavradores, desabrigados e assustados, estão vivendo à custa da ajuda de sindicalistas e de amigos, recebendo doações de algumas entidades. As suas plantações foram destruídas e os animais, tais como galinhas e porcos, dentre outros, estão sendo abatidos e consumidos pelos pistoleiros. O grileiro, por sua vez, que está arrendando o pasto para criadores locais, ameaça soltar os animais na plantação de mandioca dos lavradores, o que causará um prejuízo ainda maior a essas pessoas.

Conforme declarações prestadas pelo deputado estadual Domingos Dutra, que visitou o local e constatou a gravidade da situação, “o que aconteceu foi um despejo parcialmente judicial, que é ilegal porque transformaram uma ação de interdito proibitório, onde a punição para a comunidade seria uma multa de 50 reais por dia, em uma ação de reintegração de posse, com despejo. Juridicamente, isso não poderia acontecer, pois já existe uma decisão transitada em julgado; além disso, o processo se refere a apenas 10 famílias, e a execução desse despejo ilegal atingiu 30 famílias. Infelizmente, nós convivemos no Maranhão, ainda, com essa realidade brutal, com um Poder Judiciário insensível, com um Poder Executivo que não negocia com os movimentos sociais e com uma visão absolutista da propriedade privada”. Uma outra ilegalidade visível é que, no processo, não consta em nenhum momento ordem de demolição ou de queima das casas.

Despejo de defunto – Na ocasião do despejo forçado dos lavradores, um dos moradores, que havia falecido no dia 19, estava sendo velado em sua casa. Por conta da truculência dos policiais e dos jagunços, os parentes do morto tiveram que transferir o corpo do lavrador para que o defunto continuasse a ser velado em outra comunidade; enquanto acontecia o traslado do corpo, a casa do lavrador morto foi demolida e queimada.

Segundo Depoimento de José Pereira da Silva, da Secretaria de Agricultura do município de Nina Rodrigues, “as famílias estão desamparadas, existem muitas pessoas de idade avançada que estão sem lugar para morar e sem condições de reconstruírem suas casas; aliás, elas nem têm para onde ir. Quando eu fui conversar com a Juíza que autorizou isso tudo, informando que aquela era uma área quilombola, ela disse que nem sabia o que era um quilombola. Nós tivemos que abrigar as famílias no Sindicato, mas elas estão passando necessidade”. A questão é muito grave e já foi denunciada na Assembléia Legislativa do Maranhão, nesta semana, na última terça-feira. Conforme depoimento prestado por seu João Ferreira Portugal, um dos lavradores que teve sua casa destruída e líder da comunidade, “tive que sair às pressas do local, pois estavam dando tiros para cima, e me ameaçaram de prisão; nós temos nossa plantação de mandioca, e ainda mandioca de molho que está se estragando tudo. Eu estou ajudando um pouco o meu pessoal, pois tem gente de idade que está sem amparo de ninguém”. Existem pessoas adoentadas, dentre os integrantes das famílias, que também estão na dependência de assistência médica.

Durante a reunião na sede da ACONERUQ, houve consenso no que se refere às medidas a serem tomadas com relação ao abuso. Um advogado acompanhará o processo, e algumas entidades presentes se manifestaram no sentido de apoiar as ações legais. Ao final da reunião, foi redigido um documento manifestando apoio aos lavradores e condenando a ação arbitrária operacionalizada contra os trabalhadores rurais atingidos. Nesta sexta-feira, 26 de maio, a partir das 9 horas, em Vargem Grande, haverá a realização de um Ato Público na cidade, além da manutenção de contato com a Procuradoria de Justiça local visando a resolução do problema.

Publicações e apresentações

[Diário Cultural de hoje]

Livro com produção em jornalismo cultural de autores maranhenses será lançado em Alagoas; Casulo, jornal de literatura, está recebendo colaborações para o seu terceiro número; Café do Armazém encerra mês de maio com variado repertório; e Los Hermanos apresentam-se pela primeira vez na capital maranhense.

Obra com autores maranhenses será lançada em Alagoas

Sábado, 27 de maio, acontece em Maceió/AL, o VIII Simpósio de Comunicação do Nordeste. O evento é promovido pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação e organizado pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Durante o acontecimento será lançado o livro “Jornalismo Cultural: da memória ao conhecimento”, coletânea de artigos de dezesseis autores que concluíram a especialização em Jornalismo Cultural da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), coordenada pela professora Ester Marques. A obra foi lançada em São Luís em dezembro passado, durante o I Encontro Norte-Nordeste de Comunicação e Cultura, organizado pelo Instituto de Comunicação e Cultura Chamamaré. Em Alagoas, o radialista Rogério Costa, diretor-geral do Núcleo Artístico e Cultural da Cidade Operária (NACCO), representará os demais co-autores, por ocasião do lançamento. Para maiores informações: artenacco@ig.com.br e/ou (98) 3247-2410.

Casulo

O Casulo, jornal de literatura do Projeto Identidade está recebendo colaborações para o seu terceiro número, que será lançado em julho. Poemas (entre três e cinco por autor, com no máximo uma lauda cada) e contos (até três contos de no máximo duas laudas) inéditos devem ser enviados até o dia 16 de junho. Os trabalhos serão analisados pelo conselho editorial; os aprovados receberão um e-mail de notificação e deverão fazer um depósito no valor de R$ 20,00 em conta indicada para a publicação de seus trabalhos. Cada autor publicado receberá até cem exemplares do jornal, cuja tiragem é de 3.500 exemplares.

Finda maio no Café do Armazém

O Café do Armazém da Estrela encerra o mês de maio com as seguintes apresentações, sempre às 22h: hoje, Luciana Bittencourt; amanhã, Sérgio Habibe; e sábado, Alberto Trabulsi. A produção não informou o preço do couvert artístico. Esta coluna publicará outras agendas da casa, que fica na Rua da Estrela, Praia Grande. Maiores informações e reservas pelo telefone (98) 3231-7431.

Los Hermanos em São Luís

Os fãs da melancolia da banda carioca – muito mais que o hit Anna Júlia, graças a Deus! – terão a oportunidade de vê-los/ouvi-los pela primeira vez na Ilha. O show dos hermanos cariocas acontece no Ginásio do Colégio Dom Bosco, dia 3 de junho, às 22h. A abertura fica por conta das bandas The Mads e Teto de Zinco. Os ingressos estão sendo vendidos nas lojas Music Play (Rua Grande e Shoppings Tropical e São Luís) por R$ 25,00 (estudante com carteira paga metade). Maiores informações com a Bastidores Produções, pelo telefone (98) 3227-8245.

preso pela chuva

acabo de chegar das lojas americanas, onde fiquei preso pela chuva/chuvisco pós-almoço. inacreditável e imperdível: por apenas quatro reais e noventa e nove centavos, corpo presente de joão paulo cuenca, link ao lado. só não comprei nenhum por dois motivos: 1. já tenho o livro e já dei vários exemplares de presente; e 2. não tinha cinco reais no bolso. fica a dica. corram!

No Diário da Manhã de hoje

Abaixo, o Diário Cultural de hoje. Em tempo: amanhã, às 15h, no Auditório Fernando Falcão, da Assembléia Legislativa do Estado do Maranhão, será discutida a operacionalização dos projetos e ações de incentivo à cultura maranhense, objeto da Lei nº 8.319, de 12 de dezembro de 2005, que institui o Sistema de Gestão e Incentivo à Cultura (SEGIC). O debate é aberto ao público.

Ponto a ponto

Shows, revista e debate. Música, prosa e TV Digital. Dicas para todos os gostos, abrindo a semana aqui no Diário Cultural.

Bossa n’jazz

Acontece hoje, no Teatro Arthur Azevedo, “Uma Noite de Bossa e Jazz”. O show do Quarteto Insensatez está marcado para as 21h. No palco, além de Luiz Mochel, Arlindo Carvalho, Pedro Duarte e Henrique Duailibe – o quarteto –, participações especiais do Coral de São João, Fernando de Carvalho, Marco Duailibe e Cecília Leite. No repertório, clássicos da bossa nova e pérolas do jazz. A produção não informou o preço do ingresso.

O Maranhão tem concerto

Não, não há erro aí. Neste domingo, 28 de maio, às 19h, na Igreja da Sé, acontece o Concerto Cantus Firmus, que misturará música a poemas de Castro Alves e Luis Augusto Cassas. No palco, as sopranos Carol Campos e Silvia Seixas, o tenor Victor Vieira, o pianista Carlos Renan Ramos e o flautista Zezé Alves. O espetáculo conta com a participação especial do ator Josué da Luz e o ingresso custa apenas um quilo de alimento não-perecível, em prol da casa Sonho de Criança, que abriga crianças portadoras do vírus HIV. A produção de Moraes Jr. conta com o apoio do DAC/PROEX/UFMA e da Plotagem & Cia.

Autofagia

O maranhense Reuben, 21, que há pouco abandonou a blogosfera ao fechar seu O Trompetista Gago (http://www.otrompetistagago.zip.net), integra o time da Revista de Autofagia, publicada este mês em Belo Horizonte (MG). A revista traz nomes de sete estados brasileiros expressando-se das mais variadas formas: poesia, prosa, cartoon etc. Para adquirir um exemplar (25x25cm, 64 págs.), que custa R$ 15,00, escreva para revistadeautofagia@yahoo.com.br

Movimentos sociais

Hoje, às 18h, na Agência Matraca, diversos representantes de movimentos sociais estarão reunidos para discutir um tema importantíssimo, à margem da mídia, que insiste em apequená-lo: TV digital. A idéia é organizar o Movimento da TV Digital em São Luís, partindo para discussões mais profundas sobre o tema. A Agência Matraca fica na Rua Issac Martins, Centro. Fone: (98) 3254-0210.

Overmundo no Colunão

E o Colunão chegou, ontem, ao quarto número da nova fase. Abaixo, meu texto dessa edição. Por lá também, nomes como o editor WR, Ed Wilson Araújo, Celso Borges, Rogério Tomaz Jr. e Zeca Baleiro, que, em artigo transcrito de seu site, defende o presidente Lula, como já o fez em entrevista, Chico Buarque: artistas inteligentes.

Este número do Colunão inaugura a Agenda Cultural do Semanário, editada por mim; portanto, produtores, artistas etc.: notas para a agenda até a quarta-feira, data em que fecharei, semanalmente, o espaço.

Abaixo, o texto, pois; não vou transcrever a agenda, pois alguns eventos já “venceram”.

Um jeito novo de ler o Brasil

Na contramão da grande mídia e alicerçado em um novo modelo de direitos autorais, Overmundo busca fazer mapeamento cultural do Brasil.

por Zema Ribeiro*

Um site colaborativo onde qualquer um possa escrever sobre cultura brasileira. Dicas, agenda, sons e imagens, um verdadeiro mapeamento cultural do país, em toda sua imensidão. Sonho? Utopia? Não. Ou, ao menos, não mais. Essa é a proposta do Overmundo, idealizado e capitaneado por Hermano Vianna, um dos mais respeitados antropólogos brasileiros da contemporaneidade.

No projeto, todos os estados brasileiros têm correspondentes, que buscam cobrir o cenário cultural que não tem espaço na grande mídia, mídia convencional ou qualquer outro nome que se queira dar à massificação regada a jabá promovida por grandes grupos, midiáticos, políticos ou empresariais.

Com patrocínio da Petrobrás, através da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) do Ministério da Cultura, o conteúdo do site é licenciado em Creative Commons, uma revolução em termos de direitos autorais, que permite o uso e/ou a modificação de textos, imagens, sons e demais formatos disponibilizados no Overmundo, sem a necessidade de um pedido prévio de autorização, desde que os fins não sejam comerciais.

Você, “repórter”! – Você também pode ser colaborador do Overmundo. Para tanto, basta fazer um cadastro simples (nome, e-mail, cidade etc.) no site e, a partir daí, habilitar-se a publicar textos, fotos, sons e outras mídias. É possível também elaborar um guia de sua cidade e votar nas matérias prediletas, fazendo com que elas ganhem destaque na homepage e até mesmo criar um blogue por lá.

Creative commons – A licença creative commons lança um novo olhar na legislação de propriedade intelectual. Você pode licenciar sua obra permitindo o seu uso não comercial, ou seja, continua detendo os direitos autorais sobre a mesma. Sobre o assunto, o estudioso Lawrence Lessig publicou “Cultura Livre”, que tem como subtítulo “Como a grande mídia usa a tecnologia e a lei para bloquear a cultura e controlar a criatividade”, disponível para download no site Trama Universitário.

* estudante de Comunicação Social (Jornalismo); correspondente Overmundo no Maranhão; escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com, já licenciado em creative commons.

Diário Cultural de ontem

Posição

A leitora Ana Cristina parabeniza o Diário da Manhã pela seqüência de matérias e editoriais mostrando a insegurança que tomou conta do Maranhão. Ela aproveita e diz que a pobreza é um dos fortes incentivadores da bandidagem. Eu (e não o Diário da Manhã) sempre discordei dessa teoria, nascida da idiotia de esquerda. Fosse verdade, todos os pobres seriam ladrões. Mais: só pobres seriam ladrões. E sabemos muito bem que isso não é verdade. Basta dar uma olhada nos políticos.

Posição 2

Por isso eu (e não o Diário da Manhã) sou favorável à criação da seguinte lei: todo assaltante deveria ter as mãos amputadas. Sendo lei, não poderia ser classificada como tortura, impiedade ou desrespeito aos tais Direitos Humanos. Amputar as mãos dos assaltantes, assim, seria mero cumprimento da lei. E ninguém poderia dizer que não tinha conhecimento.

***

As notas acima foram publidadas na “Coluna do Kenard” em 12 de maio de 2006 e motivaram-me a escrever o texto abaixo, publicado em minha coluna, no Diário da Manhã, o jornal do Kenard, ontem; não o fiz antes, motivo exposto abaixo, por conta da viagem ao Rio (devo texto). Minhas colaborações ao Colunão de ontem (nº 4 da nova fase), boto aqui mais tarde. Ao texto, pois.

Triste tópico

Após uma semana de ausência, a coluna está de volta. Pede desculpas aos leitores e já chega interrompendo a programação.

É com satisfação que voltamos a ocupar este espaço, suspenso durante toda a semana passada por motivo de viagem deste que vos escreve. Estive participando do encontro de Correspondentes do Overmundo no Brasil. O site (http://www.overmundo.com.br) – sob o comando do antropólogo Hermano Viana – pretende um mapeamento cultural do Brasil, e tem caráter colaborativo: qualquer pessoa pode publicar conteúdo nele; para tanto, basta fazer um cadastro simples (nome, localidade, e-mail).

Mas vou ter que deixar o assunto – Overmundo – para uma próxima ocasião e, mais uma vez, interromper a programação normal desta coluna para tratar de algo não menos importante, que não comentei anteriormente pelo motivo exposto acima – a viagem.

No dia 12 de maio, na Coluna do Kenard, o Diretor de Redação deste matutino publicou duas notas sobre a “insegurança que tomou conta do Maranhão”, sob os títulos “Posição” e “Posição 2”.

A primeira nota trata dos parabéns enviados ao jornal por uma leitora, acerca de sucessivas matérias e editoriais que tratavam do assunto. Até aí, nada de mais, embora o Sr. Roberto Kenard mostre mais uma vez o seu preconceito explícito contra a “esquerda”.

A segunda é no mínimo retrógrada – para não usar outro termo –, transcrita na íntegra, a seguir: “Por isso eu (e não o Diário da Manhã) sou favorável à criação da seguinte lei: todo assaltante deveria ter as mãos amputadas. Sendo lei, não poderia ser classificada como tortura, impiedade ou desrespeito aos tais Direitos Humanos. Amputar as mãos dos assaltantes, assim, seria mero cumprimento da lei. E ninguém poderia dizer que não tinha conhecimento”.

O jornalista trata a luta pela defesa dos Direitos Humanos – algo já bastante difícil no Maranhão – de forma pejorativa: “os “tais” Direitos Humanos”. Pergunto-me: quantos países, mundo afora, têm leis que desrespeitam os “tais” Direitos Humanos? Infelizmente, não são poucos. Não defenderei aqui que sejam amputadas as mãos de quem escreve tais impropérios, ou a decapitação de quem pensa dessa maneira: cairia no mesmo erro cometido por ele. Antes, coloco o espaço que a mim foi confiado neste veículo, a serviço do povo, abrindo-o ao debate.

Sabendo disso, Sadoquenn Matos, estudante de Direito da UFMA, comenta, via e-mail: “Se existe algo em que devemos acreditar, não por constatação científica, mas por posição filosófica ou moral, é que violência não é solução para violência. Pelo contrário, só gera ódio e ressentimento. A civilização tem se esforçado em demonstrar que é viável a substituição da lógica da vingança pela lógica da ressocialização. Sei que é difícil compreender porque devemos defender os direitos do criminoso, mas temos que ter em mente que tal atitude é um fator de humanização. Essa é a função primordial dos Direitos Humanos: humanizar todo aquele que se encontra brutalizado”.

Aos que porventura queiram acusar este colunista de fugir do assunto “cultura”: o olhar da população sobre temas como o acima exposto é cultural. A função da imprensa não é apenas informar: deve, antes de tudo, formar (para o bem); o desenvolvimento de um povo – ou de um Estado – passa necessariamente pelo desenvolvimento da imprensa.

duas e quase três

1.
já estou atendendo novamente no celular.

2.
o conteúdo deste blogue está licenciado em creative commons. saiba mais clicando aqui.

2,5.
sobre a viagem, conto depois.

de volta

caros, já estou de volta à ilha. por enquanto, os dois textos que publiquei no colunão nº 3: o primeiro, uma nota no senadinho (que aguarda suas colaborações) sobre o décimo quarto número da revista coyote; o segundo, sobre o encantador livro “memórias inventadas – a segunda infância”, do poeta manoel de barros. e sobre a viagem, conto depois.

[um]

O 14º uivo do Coyote

por Zema Ribeiro

É fato: fazer jornalismo independente no Brasil é difícil. É fato também: fazer jornalismo independente no Maranhão é mais difícil ainda. Mas as dificuldades, no caso do Colunão, só fortalecem sua equipe. Dificuldade também, no país, é fazer revista independente de/sobre literatura. Mas o time formado pelos poetas Ademir Assunção, Marcos Losnak e Rodrigo Garcia Lopes (editores) e Joca Reiners Terron (projeto gráfico) não esmorece. Ainda bem!: com periodicidade trimestral e tiragem de mil exemplares, a revista Coyote chega ao 14º número, trazendo, entre outras letras, o dossiê Chacal, no ano em que o poeta completa 55 anos de idade e 35 de poesia. A Coyote é distribuída nacionalmente (em livrarias) pela Editora Iluminuras e custa apenas R$ 10,00.

[dois]

De quando literatura e prazer caminham de mãos dadas

Entre lembranças de suas iniciações sexuais e apontamentos para uma linguagem perfeita – sem possíveis ou esperados didatismos chatos e/ou intenções – Manoel de Barros, lido pela primeira vez pelo colunista, provoca neste uma vontade de adolescer como o bom velhinho que ainda é criança.

por Zema Ribeiro

Ficção ou não, as “Memórias Inventadas – A Segunda Infância” (Editora Planeta, 2006), prosas poéticas de Manoel de Barros, são “música para os olhos”. O homem que disse que “o que é bom para o lixo é bom para a poesia” recorda com leveza fatos da infância, como quem acabou de sair dela – o poeta completa noventa anos em dezembro.

Dezessete historinhas compõem a obra, de edição luxuosa: folhas soltas casando a poesia do mato-grossense com iluminuras da filha, Martha Barros. Uma fita, envolvendo tudo. E uma caixa, ao que parece indicando ao leitor: dê de presente, e dê por ter gostado.

Com leveza, inocência e simplicidade, o homem tece memórias infantis, sem mostrar a angústia de “bons tempos aqueles, hein?!”; ao contrário, parece ter prazer no que faz. E prazer tem o leitor, ao encontrar lá relatos/lembranças da empregada que o ensinou a foder aos quinze anos; ou a lacraia descarrilada (meninos separaram os “gomos” de uma lacraia, como se se tratasse de um trem); ou de quando o léxico de um menino não tem mais que oito palavras.

Embora seja “prosa”, esse livro de Manoel de Barros – que diz não ter tido adolescência e por isso nos brinda com “A Segunda Infância”, no rastro da primeira (“Memórias Inventadas – A Infância” foi publicado em 2003) – traz momentos de pura poesia. Como a tentativa de desenhar uma manhã e cometer um desenho erótico, com a manhã de pernas abertas para o sol; ou nos trechos (a seguir, entre aspas, transcritos diretamente da obra): “eu não sei nada sobre as grandes coisas do mundo, mas sobre as pequenas eu sei menos”; “os verbos servem para emendar os nomes […] bentevi cuspiu no chão. O verbo cuspiu emendava o bentevi com o chão”; “que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós”.

Mais que prosa, poesia, música ou qualquer outro rótulo que se possa aplicar ao trabalho de Manoel de Barros, está ali – sem exageros – a linguagem perfeita, mesmo que não tenha sido esta sua intenção. No livro: “quisera uma linguagem que obedecesse a desordem das falas infantis do que as ordens gramaticais […] desfazer o normal há de ser uma norma”.

até!

tou viajando no domingo. depois conto mais. sem internet em casa, é bem provável que eu só volte a ler e-mail, usar o messenger e atualizar o blogue na quinta-feira. deixo vocês com um aviso: dia 18 (quinta-feira, repito) acontece em bh, o lançamento do primeiro número da revista de autofagia, maiores informações aqui, aqui e/ou aqui. o amigo (ex)-blogueiro maranhense reuben tem narrativas na revista. repito: na volta conto mais.

Diário Cultural de hoje

Um texto “fraquinho”. Não sei se a greve de ônibus atrapalhou a apresentação de ontem; espero que não. Nossa torcida também para que tudo corra bem na de hoje. E que Marcelo Nova chegue logo à Ilha.

Duplo Xangai

Xangai em duas apresentações em São Luís: uma ontem, outra hoje, PUB e Armazém da Estrela, respectivamente. A Ilha, de diversos shows marcados e não-realizados recebe (mais uma vez) o cantador que imortalizou o “ABC do preguiçoso” e “Kukukaya” (de Cátia de França), que não são seus únicos “sucessos”.

Quando São Luís parece ter se transformado na capital brasileira onde mais se marcam shows que não chegam a se realizar – consigo lembrar-me de Cidade Negra, Nação Zumbi, Chico César, Marcelo Nova e Billy Paul –, ouço burburinhos sobre uma apresentação – duas, na verdade – de Eugênio Avelino, mais popularmente conhecido como Xangai, artista importantíssimo na formação “musical” deste que vos escreve. Ele tocaria no PUB, em 10 de maio, ontem, e no Armazém da Estrela (Rua da Estrela, Praia Grande) no dia seguinte, hoje, data desta coluna. A primeira casa, agora em novo endereço (Av. Beira-Mar, próximo ao posto de gasolina, em frente ao plantão central da RFFSA), contribui com a lista acima, já tendo marcado por duas vezes a vinda de Marcelo Nova à Ilha. Para quem não sabe, o roqueiro baiano nunca tocou em São Luís, com ou sem o Camisa de Vênus.

Não sei de quem é a culpa: se falta público (não creio), se falta uma “ajudinha” da mídia para divulgar (estamos aqui, companheiros, o espaço é de vocês!) ou outro motivo qualquer. O fato é que essa rotina já está ficando chata e a coluna (fechada sempre até às 16h do dia anterior à publicação) torce para que o show no PUB tenha acontecido e que o de hoje aconteça e que corra tudo bem em ambas.

Memória ligeira sobre outra apresentação de Xangai na Ilha

Compositor bissexto e intérprete inspirado/ousado, Xangai (Eugênio Avelino) é um artista muito maior que “o ABC do preguiçoso”, adaptação sua para tema de domínio público que muitos chatos insistem em pedir-lhe em shows deste o instante em que ele adentra o palco. Pedido inútil já que ele sempre apresenta a música em questão. O escriba aqui já presenciou o fato (e não só uma vez): em sua última vinda, no Circo da Cidade, Xangai interrompeu o script (lembremos Elomar) – que andava lá pela segunda ou terceira música – e anunciou: “ela é a última música que toco no show; se você quiser, posso tocá-la agora…” O chato teve que calar-se: o povo queria mais. E (muito) mais tinha Xangai a mostrar. De Elomar a Jackson do Pandeiro, de Luiz Gonzaga a Cátia de França, de João do Vale a Renato Teixeira: a arte de Xangai, plural e coerente.

Xangai ganhou projeção nacional a partir dos discos “Cantoria” (1984, Kuarup Discos), gravados por ele com os menestréis Elomar, Geraldo Azevedo e Vital Farias. É certo que ele não vende como quem vai ganhar discos de ouro, mas tem público cativo, se não em quantidade, em qualidade. Fiel, ele – o público – estará lá. Sempre, pois Xangai segue a máxima de outro compositor, Milton Nascimento: “todo artista tem de ir aonde o povo está”.

Que disco mudou sua vida?

Diário Cultural de hoje. E você: que disco mudou sua vida?

Uma coluna com defeito de fabricação

Plagiando – sem combinação (?) – o jornalista Pedro Alexandre Sanches, o colunista escreve sobre “o disco que mudou sua vida”. O texto abaixo reúne duas “teorias” tra[du]zidas na obra em questão: a estética do plágio e os diversos defeitos de fabricação (e estrada) que tornam este colunista humano.

Ao ler “O homem da gravata florida” no blogue de Pedro Alexandre Sanches, corri para casa e me botei a ouvir Jorge Ben, “A Tábua de Esmeralda” (1974), coisa que faço sempre, de vez em quando – e não há, aqui, contradição. E pensei em fazer a mesma coisa: “que disco mudou a sua vida?”, perguntei-me.

Ano passado, numa saudável “brincadeira” proporcionada pelo blogue do professor Idelber Avelar, elaborei uma lista com “os dez melhores discos de música brasileira produzidos entre 1950 e 2005”. A lista, bastante pessoal e apaixonada, conforme afirmei à época – e reafirmo hoje –, era cheia de falhas e trazia algumas ausências injustificáveis: Nelson Cavaquinho, Cartola, Caetano Veloso, Tom Zé e o próprio Jorge Ben ficaram de fora.

Corta. Ano 2000. O escriba aqui era estagiário do Banco do Nordeste e, à época, apenas sonhava em um dia estudar jornalismo. Algo que eu gostava muito de fazer – ainda hoje – é visitar o sebo Papiros do Egito, da amiga Moema (Rua da Cruz, 150, Centro); lembro de freqüentar o espaço desde criança, quando, em 1992 fui morar no Centro da Ilha. Sempre foi garantia de bom papo estar ali. Nesse aspecto, pouca coisa mudou de lá para cá.

Quem também tinha um sebo também na Rua da Cruz era o professor Carlos Menezes, aficionado por música, fã extremado dos Beatles e colecionador de discos de bumba-meu-boi que, para não se desfazer de certas paixões – este(s) ou aquele(s) disco(s) – colocava preços altos em suas mercadorias. O sebo, também ambiente de boa conversa sobre música – quase sempre vazio, o que garantia diálogos ainda melhores –, fechou pouco depois.

Numa dessas tardes mágicas, vi um disco que, inicialmente, julguei caro: ainda no plástico original, da loja, com reproduções de opiniões de veículos como New York Times, Rolling Stone e Village Voice, estava lá, acenando para mim o “Com Defeito de Fabricação” (1998), Mr. Tom Zé. Já estava mais que na hora de eu conhecer o autor de “Parque Industrial”, cuja versão com Gil, Gal, Caetano e Mutantes eu já conhecia. Sem pestanejar, peguei o disco, paguei, levei, ouvi. Dali a sair, louco, procurando tudo o que encontrasse de Tom Zé, foi um pulo só. Corta, para uma fala ligeira da (minha) imodéstia: o relatado aqui foi “meu primeiro tom zé”; hoje, tenho todos os discos do baiano lançados em formato digital.

Mais que um disco, “Com Defeito de Fabricação” é um conceito; defende-se a idéia de que somos operários terceiro-mundistas mais baratos que robôs fabricados na Alemanha ou Japão, porém cheios de defeitos para o patrão primeiro mundo; alguns deles – catorze – as canções do disco (na ordem): O Gene, Curiosidade, Politicar, Emerê, O Olho do Lago, Esteticar (Espinha Dorsal), Dançar, Onu: Vendem-se Armas, Juventude Javali, Cedotardar, Tangolomango, Valsar, Burrice e Xiquexique. O disco trazia ainda as faixas bônus “Curiosidade”, em remix de Amon Tobin, e “O Olho do Lago”, esta reinventada por Sean Lennon, sim, o filho do beatle.

Outro conceito defendido no conceito que é o disco, é a estética do plágio: “podemos concluir, portanto, que terminou a era do compositor, a era autoral, inaugurando-se a era do plagiocombinador, processando-se uma entropia acelerada”. Na pauta do dia – hoje, 2006 – a discussão sobre os “creative commons”.

A partir dos “arrastões” – nome dado a uma técnica de roubo urbano muito em voga no Brasil há alguns anos – Tom Zé re(cria) sua obra e a de outros nomes: Martinho da Vila, Gilberto Gil, Caetano Veloso, a poesia concreta, Alfred Nobel (sim, o homem com que batizaram o prêmio), o músico que toca na noite paulistana (e, por que não?, brasileira) e outros e outros mais.

Engraçado este disco de Tom Zé – ou qualquer outro, genial que ele sempre é, rima não-intencional – não ter figurado entre os do meu top10. No encarte do “disco que mudou minha vida”: “A arte de tecer foi uma grande ousadia. Pensar sempre será”.

Óbvio: este texto foi escrito ao som de “Com Defeito de Fabricação” (Luaka Bop, 1998), de Tom Zé.