Bob Dylan: “No Direction Home”

[Diário Cultural de hoje]

Em mais de três horas de documentário, o diretor Martin Scorsese mostra um Bob Dylan pouco conhecido do grande público. Misturam-se canções, depoimentos – do mito vivo e de amigos – e vasto material inédito. A trilha sonora apresenta o sétimo volume de “The Bootleg Series” e traz um punhado de canções conhecidas em novas roupagens. Não, não se trata de mero caça-níquel.

No direction home. Capa. Reprodução

É óbvio não esperar, nunca, o óbvio de Bob Dylan. E muito bem fez isso o diretor Martin Scorsese. Em “No Direction Home” (EUA, 2005) mais que um documentário. Uma bela pintura sobre a trajetória musical do “maior poeta da música popular mundial em todos os tempos”, como atesta o insuspeito bamba Zeca Baleiro.

O filme – um dvd duplo, que é muito assunto! – foca a carreira de Mr. Robert Zimmerman – nome de pia de Dylan, que assim se assumiria por causa do poeta Dylan Thomas – de seu início até o ano de 1966, quando este admite a “eletricidade” em sua música e passa a se apresentar acompanhado de uma banda, tocando guitarra e “desagradando” seu público.

“Judas!”, grita um fã em determinada cena. “Eu não acredito em você”, responde Dylan, à altura. Entrecortam-se cenas depoimentos dele, hoje, e de amigos, apresentações dele, de amigos e de ídolos. Destaque para as aparições de Joan Baez, Allen Ginsberg e Woody Guthrie, este último em imagens antigas, em p&b, um dos responsáveis pelo que Dylan iria fazer com sua música.

Histórias se misturam. Como o encontro entre Dylan, os Beatles e o poeta Allen Ginsberg num camarim. Clima sério e o autor de “Uivo” senta no colo do jovem John Lennon e logo tudo muda de figura. Ou quando numa entrevista, perguntam ao mito vivo: “Quantas pessoas estão fazendo música de protesto hoje?”, e ele sarcástico responde: “136… ou 142”. Dylan detestava o rótulo de “cantor de protesto”. Talvez por não se enquadrar em rótulo nenhum. Talvez por ir além de qualquer rótulo. Ou a gravação do primeiro disco de Dylan. Um monte de músicas conhecidas. “House of The Rising Sun” está lá. Era um Dylan intérprete, meramente. Que podia muito bem desagradar, já que sabemos, sua força está nas letras que faz, além do modo como toca violão e gaita. Mas não foi um fracasso e a carreira continuou sólida. E ele começou – e continuou – a compor. Ainda bem.

A amizade de Scorsese com Dylan ajudou bastante na realização deste filme. O segundo abriu seu baú ao primeiro, de onde saiu muito material inédito. O resultado, nada maçante, é visto em mais de três horas de uma comprida e interessante aula sobre rebeldia. Com boas causas.

A trilha sonora

Em cd duplo, um passeio musical por Bob Dylan entre 1959 e 1966. Gravações ao vivo, demos, material inédito, raridades enfim. A caixa, luxuosa, traz além dos discos, um livreto colorido com fotos inéditas, textos e detalhes sobre as gravações, em mais de sessenta páginas. Chega-se assim ao sétimo volume da série “The Bootleg Series”.

Estão lá os clássicos onipresentes de Dylan, como “Blowin’ in the Wind”, “Mr. Tambourine Man”, “Like a Rolling Stone” e “It’s All Over Now Baby Blue”, em roupagens diferentes das conhecidas, além de canções menos “populares”, como “When I Got Troubles” e “Rambler, Gambler”, entre outras.

Cds e dvds são vendidos separadamente. Levar esses Dylans para casa custa, em média, R$ 100,00. Valem cada centavo.

Na cozinha

Não, não tenho a mínima habilidade nesta parte da casa. Lá, eu só entendo de comer, e olhe lá. Mas aqui vão duas receitas muito fáceis. Tão fáceis que andei praticando-as, nos últimos dias.

Molho de Pimenta Murici

Um punhado de pimenta murici (a gosto); coloque as pimentas num recipiente (por exemplo, um vidro de molho de pimenta usado; lave, para não pegar o sabor da pimenta velha) e cubra-as com leite de coco. Deixe descansar por oito dias, no mínimo, sacudindo o recipiente sempre que lembrar. Após isso, é só apreciar o leve ardor numa carne de sol, peixe ou outro prato escolhido por você.

Gasosa de Bacuri

Tem que ser da fruta. Há tanto tempo eu só tomava suco da polpa do bacuri que já nem sabia que a fruta ainda existia. Brincadeiras à parte, o negócio é o seguinte: com a fruta você faz sucos, cremes e outras iguarias. As cascas, em vez de ir para o lixo, terão o seguinte destino: a parte externa será lavada com água (para tirar a terra, poeira e essas coisas) e depois serão cobertas com água filtrada (num balde ou outro recipiente grande e com tampa); daí ficam de molho por três dias (isso, setenta e duas horas). Depois, as cascas são retiradas e aí sim, vão pro lixo. A água que fica, passa por um crivo e pode ser armazenada em garrafas pet usadas (também lavadas, para não interferir no sabor). É só adicionar açúcar a gosto (geralmente muito!) e tomar este delicioso e “inusitado” suco.

É por aí…

“Tomo meus venenos, mas não fico falando por aí que isso é bacana: sei o preço que vou pagar por isso. Minha assessora de imprensa que não me ouça – mas já tomei tudo o que você possa imaginar. Hoje meus únicos venenos são o tabaco, o café, o lorax[tranqüilizante que o “bife” ingere desde os 21 anos] e o nanquim. É hipocrisia você querer distanciar o homem de seus venenos. Precisamos falar abertamente sobre essa questão, com responsabilidade. Todos precisamos de venenos.”

Lourenço Mutarelli, em “Bife que desenha”, matéria/entrevista de Ronaldo Bressane para a Revista Trip, junho de 2001

Mais um domingo de pré-carnaval

(ou: O “pancadão” madredivino, volume dois)

[Tá, talvez eu esteja ficando chato. Talvez? Ficando? Tá, eu sei que eu SOU chato. “Tá incomodado? Se mude!”, recomendaria algum adepto da lixeira musical. Não acredito que eu esteja errado, como os críticos que disseram que o rock era lixo, em sua gênese; será que um dia hão de me mostrar e provar que a “nova” onda é que é a verdadeira música feita por verdadeiros gênios para o consumo de pessoas verdadeiramente inteligentes? Não creio, sinceramente. Abaixo, o Diário Cultural de hoje.]

“Finalmente um domingo de pré-carnaval de verdade”, pensou o cronista pela manhã, ao ouvir, ao longe, o batuque de um bloco tradicional. Engano, ele perceberia à noite, enquanto namorava e bebia algumas cervejas na Praça da Saudade. Soubesse, teria aproveitado a missa para rezar para que o carnaval maranhense tenha uma boa morte (na UTI ele já está!). Ao menos o cemitério fica próximo. Que a terra lhe seja leve!

Há razão em dizer que, no Brasil, o ano só começa depois do carnaval. A turma tem muito pique. Era mais um domingo de pré-carnaval. Gastei-o em curtir a preguiça natural das manhãs dominicais e em curar uma leve ressaca adquirida numa ótima festa em que estive presente no dia anterior, emendando-a com a madrugada de domingo. Música e literatura como companhia, eu esperava a tarde/noite para ir à missa com a namorada e depois “cair no frevo”.

Manhã. Tambores, ao longe, me (des)enganavam. Sim, eu estava ouvindo um batuque de carnaval. De carnaval maranhense. “Opa, hoje estaremos livres dos pancadões”, pensei. Um sorriso percorreu-me a face. Era o “terceiro domingo comum”, conforme a igreja católica me diria mais tarde; e somente agora, carnaval de verdade.

Tarde. Após um delicioso peixe cozido no almoço, mais um pouco de sono, para ficar inteiro de vez. E mais literatura. E mais música. Missa às 18h. Depois, Madre Deus. Sim, hoje seria diferente.

Noite. “Cair no frevo” é força de expressão. “Acho que estou ficando velho”, eu dizia para a namorada. “Já não tenho mais o mesmo ânimo para o carnaval”. Ela concordava. São Pantaleão, Norte, Praça da Saudade, Largo do Caroçudo. Tudo cheio demais e nada nos agradava. É, estávamos meio ranzinzas. Optamos por um bar em frente à “praça do cemitério” – como é mais conhecida a citada Praça da Saudade – observando o movimento. Na verdade não optamos pelo bar: foi o único onde encontramos uma mesa e duas cadeiras desocupadas. Providencial. “É isso que eu gosto de fazer: escolher um local, me posicionar e ver ‘o bloco passar’”, eu disse. “Uma cerveja!”.

Uma aparelhagem de som na praça anunciava, deduzi: logo um bloco se apresentaria por ali. “Carnaval de verdade”, pensei mais uma vez, apesar de tudo: carros, parados ou passando, com porta-malas abertos em alto volume (na verdade os porta-malas de carros mudaram de lugar, já que hoje os “malas”, em sua grande maioria, ocupam o volante), dvds exibindo as porcarias da música baiana ou do pseudoforró cearense ou de qualquer outra coisa que a renitência e a chatice deste cronista costuma chamar de “lixo musical”.

Os tambores de um bloco “tradicional” (entre aspas, já não sei se minha antipatia ainda permite designá-lo assim) aqueciam pelas mãos de “foliões” (entre aspas pela mesma razão). Logo estava formada uma babel sonora, para tristeza de meus ouvidos. Iludido, eu ainda esperava ver um carnaval de verdade, quando conseguia, no baralho auditivo, distinguir sons vários: o dos carros, o dos dvds, o batuque do bloco, além de alguns outros que, assim como apareciam, sumiam.

Dali a pouco, o tal bloco entrava em cena definitivamente, com o vocalista assumindo o microfone ligado à aparelhagem instalada na praça. Qual não foi minha surpresa, durante os pouco mais de quinze minutos em que conseguimos permanecer ali, enquanto terminávamos a última cerveja: em ritmo de carnaval maranhense (quem nunca ouviu o batuque de um bloco tradicional não saberá do que estou falando), foram interpretados diversos “sucessos” do “monturo” musical que assola o país.

Cronista de TERNO, a experiência

“Não diria que eu tenho um sonho de consumo, mas gostaria de um dia poder viver da escrita e poder fazê-lo em casa, de calção e chinelos”, costuma repetir o cronista. Contente com o “dez” na monografia de uma prima da mulher amada, no Curso de Medicina da Federal, e apaixonadíssimo, num gesto inédito, botou um terno e foi ao baile. Não foi barrado e gostou muito da experiência. “Mas vou propor à minha turma que faça a festa de formatura com todos vestidos de forma simples, com churrasco, à beira de uma piscina”, adianta. A foto que ilustra este texto está disponível em meu fotoblogue (link ao lado).

Os que conhecem o cronista sabem de sua preferência pelo simples. No vestir, não é diferente: calção, chinelos, de preferência havaianas (sem merchandising), camiseta regata, “São Luís é quente, pra quê mais que isso?”, pergunta/argumenta, e suapochete, inseparável. “Sem a pochete é como se eu perdesse uma parte de meu corpo”, costuma dizer ele sobre o quase-apêndice.

Quando soube que iria à formatura de uma prima da namorada, “em medicina”, ficou agoniado. “Terno?, carece mesmo tudo isso?”, “Claro! É só uma noite”. Tudo bem. O que não fazia o amor? Pensou em comprar um. Duzentos paus, em média. “Não usarei um termo tão cedo”. Aluguel: quarenta e cinco. Resolvido.

Na locadora, experimenta daqui, experimenta dali. Tá apertado. “A gente folga”. Tá folgado. “A gente aperta”. Estica daqui, puxa dali, “como é que folga essa gravata? E o lance do nó?”, não tinha experiência nenhuma com estes trajes. A moça da locadora teve toda paciência e o cronista saiu dali, “paga a metade agora e a outra metade no recebimento”, deixando reservado o terno.

Era o dia da festa. “Você não está esquecendo o terno, está?”, uma mensagem no celular, sua namorada perguntava. “Estou chegando à locadora”, respondeu. Era quase meio-dia, a velha mania de deixar as coisas para a última hora. Deixou o terno em casa, encontrou dois amigos e tome cerveja a tarde toda. Voltou para casa, cochilou. Com a velha mania de deixar as coisas para a última hora, levantou-se e foi procurar pilhas para a máquina fotográfica. Alguns amigos ficaram sabendo das vestes e “não acredito! Não deixe de tirar retratos, quero ver essa cena única”. Foi em duas farmácias, “sou do tempo em que farmácias só vendiam remédios”, costumava lembrar-se da canção de Zeca Baleiro, quase um dito popular para ele, perto de sua casa e não achou as tais pilhas. “Compro no caminho”. Não comprou.

Vestiu o terno e suou em bicas. Misto de nervosismo, “será que estou bem?”, agonia e calor. Mais um pouco e a namorada o apanharia em casa para o baile.

Na festa, sentou-se à mesa com a namorada, a irmã da namorada e seu namorado, uma prima da namorada – não era a nova médica – e seu namorado e mais um casal que só conheceu ali. A namorada sentada à sua direita; à esquerda, o namorado da prima da namorada. Com este, portou-se como uma velha comadre: “olha só que à toa” e apontava para este ou aquele desalinhado que adentrava o grande salão.

Sempre com a namorada, dançou um pouco de tudo o que a banda tocou. Embora não soubesse dançar. “E você diz não saber dançar, hein?”, ela dizia. “Mas eu não sei”, ele respondia. E dançava. E dançavam. Gostou bastante da festa, serviço de primeira, “não consegui secar meu copo em nenhum instante”.

Chegou em casa, galos cantando ao longe. Logo raiaria um domingo de pré-carnaval, o terceiro domingo comum para a igreja católica. Tirou o traje festivo e pôs logo a beca no plástico (acompanhado da cruzeta) em que a mesma veio da locadora. Na segunda-feira, devolveria tudo, prevendo um diálogo com o rapaz ou a moça do balcão, onde um deles mostraria algum defeito novo na roupa e querendo que ele pagasse a fortuna prevista no termo de responsabilidade assinado por ele: quatrocentos paus o terno, cem a calça, cento e oitenta o sapato, trinta a gravata e por aí vai. O diálogo não aconteceu, ainda bem.

Diário Cultural de ontem: quatro toques ligeiros

[observações em itálico]

Regar a Terra

Acontece amanhã (hoje, no caso), sexta-feira, 20/1, o lançamento de “Regar a Terra”, disco que celebra os vinte anos do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST) do Maranhão. O espetáculo começa às 20h30min, no Circo da Cidade e tem entrada franca. Passeando por diversos estilos, vários artistas mostrarão, ao vivo, os talentos que compuseram o trabalho: Cesar Teixeira, Fátima Passarinho, Lobo de Siribeira, Tutuca, Zé Lopes, Zé Cláudio, Gildomar Marinho, Nando Cruz, Wilson Zara e Zeca Tocantins, entre outros. O disco foi produzido por Iguaracira Sampaio e gravado nos estúdios Pê, com Pepê Jr. assinando a maioria dos arranjos. O espetáculo terá a direção de Mestre Saci e mesclará música, dança e teatro.

Caravana Laborarte

O Laboratório de Expressões Artísticas do Maranhão – Laborarte, realiza nos próximos dias 20 (hoje) e 27/1 uma caravana com várias atrações, a serem apresentadas na Praça Valdelino Cécio (Praia Grande), com início às 19h. A programação inclui Roda de Capoeira da Escola de Capoeira Angola do Laborarte, coordenada por mestre Patinho e samba de roda, seguidos pela apresentação do espetáculo teatral “Auto da Estrela Esperança”, com texto de Nonato Pudim e direção e roteiro de Nelson Brito. Dona Teté comandará uma roda de cacuriá e a(s) noite(s) se encerra(m) com show(s) de Rosa Reis, que terá como convidados Josias Sobrinho, Cesar Teixeira, Joãozinho Ribeiro, Jayr Torres, Chico Nô e Junior Aziz. Entrada franca. Para maiores informações: (98) 3232-2677, 3232-7570.

CantaCut

Seguem até 10 de março as inscrições para o I Festival da Nova Canção Brasileira, o CantaCut. O Festival dividiu o país em seis regiões, de acordo com o regulamento, para a fase classificatória; a grande final acontecerá dias 29 e 30 de abril, em São Paulo. As inscrições são gratuitas e o regulamento está disponível no endereço eletrônicohttp://www.cut.org.br (podendo também ser solicitado via e-mail a esta coluna); os vencedores serão premiados com R$ 10 mil (1º lugar), R$ 5 mil (2º lugar), R$ 5 mil (melhor letra), R$ 3 mil (melhor intérprete) e R$ 3 mil (júri popular).

Coyote # 13

Com caprichado dossiê sobre o poeta Paulo Leminski, já está a venda a 13ª edição de uma das melhores revistas literárias (em circulação, parece óbvio, mas não é!) do país: a Coyote. Como a publicação não é vendida em bancas, pedidos podem ser feitos pelo e-mail zonafantasma@uol.com.br, onde pode ser adquirido, também, o ótimo “Rebelião na Zona Fantasma”, disco de estréia do poeta Ademir Assunção.

[publicou-se, na edição de ontem do Diário da Manhã, uma propaganda, ao pé de minha coluna. Não se trata de patrocínio para ela; estou correndo atrás (ainda). Interessados em patrocinar podem entrar em contato. Agradecemos.]

Ceumar pro Brasil

Tá, eu não gosto da Hebe Camargo. E não me importo se aparecer algum comentário aí dizendo o que quer que seja sobre minha opinião, tipo, “nossa, como ele é esnobe”.

Tá, eu adoro a Ceumar. Na minha opinião ela é simplesmente a melhor cantora do mundo em todos os tempos. E também não vou me importar com comentários do tipo “mas e a Elis?” ou “mas e aquela diva americana?” ou “mas…” e blá-blá-blá. Acho e p(r)onto. Tenho o direito de achar. Ou, nesse caso, de ter certeza.

Calma! Uma coisa tem sim a ver com a outra: neste sábado, 21/1, no programa da Hebe (pô, eu nunca pensei em recomendar a Hebe um dia!), a partir das 22h (horário de verão), Ceumar e outros nomes da “nova mpb”: Tereza Cristina, Roberta Sá e Quinteto em Branco e Preto, entre outros.

Por compromissos outros, não poderei ver o programa. Não sei o que Ceumar disse (o programa é gravado), nem o que cantou. Mas uma coisa é certa: vale a pena. Portanto: não percam!

Em tempo (a quem interessar possa): a mineira (sim, Ceumar!) gravou dois discos, excelentes, à venda em seu site: Dindinha e SempreViva!. Ouçam!

2005 e até hoje de 2006

[conforme prometido em post de 11/1/2006; trago livros, discos e filmes; listinha bem pessoal, onde a ordem de aparição não representa maior ou menor grau de importância. as obras aqui apresentadas não necessariamente foram “publicadas” ano passado]

pra ler

1. ô, copacabana!, joão antonio;
2. corpo presente, joão paulo cuenca;
3. reminiscências do sol quadrado, mário lago;
4. budapeste, chico buarque;
5. memória de minhas putas tristes, gabriel garcía márquez;
6. morangos mofados, caio fernando abreu.

pra ouvir

1. de uns tempos pra cá, chico césar;
2. real grandeza, jards macalé;
3. dente de ouro, josias sobrinho;
4. clodo ferreira interpreta sinhô, clodo ferreira;
5. no direction home, (duplo) bob dylan.
6. rebelião na zona fantasma, ademir assunção.

pra ver

1. anti-herói americano;
2. pantaleão e as visitadoras (baseado na obra de mario vargas llosa);
3. chico buarque (a série, seis dvds);
4. no direction home (duplo), documentário sobre dylan [a trilha figura na lista “pra ouvir”]
5. sideways [com o impagável paul giamatti, do 1º filme da lista “pra ver”]
6. buena vista social club.

Trânsito

E hoje pela manhã fui atravessar uma faixa de pedestres com ela, e carro parar que é bom, nada. Lembrei do poema abaixo, cometido há tempos:

Banalidade de Trânsito

Por sobre a faixa
atravessa o pedestre.
Por sobre o pedestre
atravessa o automóvel.

aí eu virei para ela e disse:

“eu te amo muito, apesar de mim”

[tá: alguém com certeza já disse isso antes, mas eu disse (novamente), e daí?]

Dum breve papo

com Xico Sá, via msn messenger

Zema Ribeiro – Você se considera um representante do jornalismo gonzo?
Xico Sá – não, do gozo-jornalismo
Zema Ribeiro – risos
Xico Sá – jornalismo no qual o repórter goza no meio da matéria… ou da apuração…

Problema carcerário do Maranhão

Nota de Conclamação às Autoridades à Sociedade Maranhense

Considerando a situação das presas e presos de justiça, sentenciados ou não sentenciados do Estado do Maranhão, enquanto pessoas humanas, sob a guarda e proteção do Estado, tratadas e tratados de forma indigna, fato recorrentemente denunciado pelas entidades de Direitos Humanos;

Considerando a ausência de condições básicas de higiene e salubridade nas unidades prisionais do Estado, de um quadro de agentes, inspetores penitenciários e da Polícia Judiciária incompatível com o número de encarcerados;

Considerando também a lentidão crônica de todo o Sistema Prisional, desde a fase do inquérito até o desfecho dos processos judiciais, que nega aos encarcerados e encarceradas direitos e benefícios previstos em Lei, fundamentais para uma política de socialização;

Considerando essa realidade desumana, evidenciada pela superpopulação, não somente na Penitenciária de Pedrinhas, mas Também nas Delegacias de Polícia, de todo o Estado, o que motivou a recente decisão judicial de interdição da Penitenciária de Pedrinhas;

O Fórum Estadual de Direitos Humanos conclama:

Que o Poder Executivo implemente um quadro de defensores públicos que possa atender a todas as pessoas necessitadas, especialmente os encarcerados, que têm direitos e benefícios previstos na Lei de Execução Penal; Que execute políticas públicas de educação, saúde, trabalho e cuidados voltados às crianças e a adolescentes das famílias dos reclusos (as), com o objetivo de contribuir para a sua ressocialização; Que fortaleça a segurança dos presídios, com a ampliação do quadro e concurso publico para agentes e inspetores penitenciários e policiais civis, devidamente qualificados na área dos Direitos Humanos.

Que o Poder Judiciário implemente as orientações previstas em lei para o cumprimento de penas alternativas por parte dos condenados em processos judiciais; Que atue com maior rigor na adoção dos critérios legais para a submissão dos condenados e condenadas nos regimes prisionais, tendo em vista que prisão deve ser reservada aos presos que apresentem maior periculosidade social; Que os juízes criminais atuem com maior preocupação em relação à situação do cumprimento de penas pelos condenados e condenadas, aproximando-se da realidade dos presídios e unidades prisionais;

Que o Ministério Público, observando o que lhe assegura a Lei, acompanhe e fiscalize a situação dos presídios e Delegacias denunciando a violação dos Direitos Humanos e exigindo o cumprimento da Lei de Execução Penal;

Que a Sociedade Maranhense, de modo geral, vença a indiferença acerca da situação aos presos e presas da Penitenciaria de Pedrinhas e das Delegacias do Maranhão, com o objetivo de fortalecer a solidariedade e a formação de uma nova mentalidade, para a construção de uma sociedade em que os condenados e condenadas possam voltar ao convívio social, como pessoas portadoras de dignidade humana.

São Luís (MA), 13 de janeiro de 2.006

Fórum Estadual de Direitos Humanos

É por isso que Lester Bangs era necessário

[Diário Cultural de hoje]

“O escrever rock (que não é simplesmente escrever sobre rock)”, do prefácio de “Reações Psicóticas”. Era isso que Lester Bangs fazia. E é isso que faz a coleção “iê iê iê”, da Conrad Editora: “apresenta aos leitores brasileiros a obra de grandes críticos musicais do mundo todo. Rock and roll como literatura e literatura como rock and roll”, conforme a orelha da obra – comprovada/aprovada pela coluna. (O título acima foi tirado do texto “Vamos Agora Louvar os Famosos Duendes da Morte”, onde se lê: “É por isso que Lou Reed era necessário”, p. 79).

Reações psicóticas. Capa. Reprodução

“Mas, ao mesmo tempo, todas as pessoas que conheço estão completamente alienadas, de saco cheio, enojadas com tudo, e sei que boa parte daqueles que trabalham na mídia e nos impingem essas coisas está tão alienada quanto o público. O público compra só porque não lhe é oferecida outra coisa. E, pessoalmente, eu me pergunto quando as pessoas vão começar a dizer: ‘Não! Eu me recuso, não quero mais isso!’” (Lester Bangs, entrevista ao News Blimp, 1980, citado no prefácio de “Reações Psicóticas”).

É claro que o contexto era outro e que o jornalista ianque se referia a outra(s) coisa(s), mas daqui, digo a(s) mesma(s) coisa(s) sobre a audição incansável e ad infinitum que se faz do pseudoforró cearense (leia-se geração “pós-mastruz-com-leite”), do calipso paraense e do pseudofunk, o pancadão carioca. E pergunto-me ainda: o que diria Lester se vivo fosse e ouvisse isso? (É verdade: não sei qual era a relação dele com música brasileira; nem sei se existia, para ser sincero).

Não, a coluna não está se repetindo. Não estamos aqui para falar (mais uma vez) do pré-carnaval madredivino, conforme fizemos na última terça-feira (“O Pancadão Madredivino”, Diário Cultural de 10/1/2006), embora saibamos que o espetáculo funkeiro se repetiu. E não é que o assunto não mereça atenção: um espernear até se faz necessário, mas a pauta é outra.

Reações Psicóticas

Saiu pela Conrad Editora, Reações Psicóticas (R$ 19,90, em média), coletânea de textos do polêmico, drogado, alcoólatra e ex-testemunha de Jeová (de onde ele dizia vir a vocação para querer que as pessoas gostassem da mesma coisa que ele) – entre outras “qualidades” – Lester Bangs (1948 – 1982), um dos mais importantes críticos de música do planeta em todos os tempos – não é exagero: alguns chegam a afirmar que ele foi o maior escritor dos Estados Unidos da segunda metade do século vinte, embora tenha escrito “apenas” análises de discos.

No volume, textos publicados entre 1972 e 1980, em diversos veículos: Creem, Los Angeles Times, Village Voice, por onde passeiam várias personagens: The Guess Who, John Lennon, Elvis Presley, Iggy Pop, Jethro Tull e Van Morrison, entre outros. Lester escreveu também para a Rolling Stone e para o New Musical Express (NME). “Reações Psicóticas” é coletânea da coletânea: trata-se de uma seleção de artigos tirada de “Psychotic Reactions and Carburetor Dung”, organizada por Greil Marcus em 1987. Mas isso não tira o brilho da obra, que integra a coleção “iê iê iê”, da Conrad.

Gonzo, Serviço

Lester Bangs era um autêntico representante do “jornalismo gonzo”, gênero “inventado” por Hunter S. Thompson. No Brasil, o único “remanescente da gonzolândia” é o repórter “excepcional” da revista Trip, Arthur Veríssimo. Ótimas referências para os novos que querem/queiram se aventurar nessas trilhas/faixas tortuosas. Mas Bangs – que faleceu vítima de overdose de medicamentos, quando tentava se livrar do alcoolismo – não cansou de avisar: “não imitem a mim”.

Para ler mais sobre Reações Psicóticas: no blogue de Reuben.
Para comprar Reações Psicóticas: (11) 3346-6088, (11) 3346-6078 e/ou no site da Conrad Editora.

Diário Cultural de domingo, 15/1/2006

Avant Première

Este colunista teve a honra de participar do avant-première de “Regar a Terra”, disco comemorativo dos vinte anos do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST) do Maranhão. O chá – com produtos oriundos de assentamentos maranhenses – aconteceu na Cia. Circense de Teatro de Bonecos (Praia Grande), na última sexta-feira, 13/1. Na ocasião, estiveram reunidos os artistas – compositores, intérpretes, instrumentistas – que, com seus talentos, realizaram um belo trabalho, que com certeza entrará para a história, tanto do movimento, quanto da música popular produzida no Estado. Estiveram presentes Chico Nô, Lobo de Siribeira, Cesar Teixeira, Joãozinho Ribeiro, Fátima Passarinho, Daffé e Tutuca, entre outros. O trabalho teve a produção de Iguaracira Sampaio e o lançamento acontece na próxima sexta-feira, 20/1, às 20h30min, no Circo da Cidade, festa sobre a qual Diário Cultural conta mais detalhes em breve. Mas já soubemos que está garantida a participação da “turma de Imperatriz” – leia-se Gildomar Marinho, Nando Cruz, Zé Cláudio e Zeca Tocantins (todos participaram do disco).

Prestação de contas

Os delegados de todo o país que foram à Brasília/DF, em dezembro passado, participar da I Conferência Nacional de Cultura, têm agora uma árdua e grandiosa missão: ajudar o Ministério da Cultura a implantar o Sistema Nacional de Cultura país afora. Os maranhenses estão às voltas com os preparativos do I Fórum Regional de Cultura, a ser realizado em Bacabal nos próximos dias 3 e 4 de fevereiro (aqui corrige-se data anunciada anteriormente pela coluna). E os delegados ludovicenses farão, na próxima terça-feira, 17/1, às 19h, no Circo da Cidade, a prestação de contas política da I CNC, apresentando um resumo do que ocorreu por lá, além das trinta propostas prioritárias, eleitas durante o acontecimento.

Samba com mandiga

Chico Nô, Vandico e Regional apresentam, nesta terça-feira o show “Samba com Mandinga”, a partir das 20h, na Cia. Paulista (Praia Grande). A idéia é apresentar sambas da velha guarda para a turma que está de férias na Ilha. “Após a estréia, a idéia é fazer todas as terças, durante as férias”, afirma Chico. E a chuva? “Se chover, tocaremos na parte coberta do bar, mas a apresentação acontecerá”, completa. (A produção não informou o valor do couvert artístico).

Prêmio Estêvão Rafael de Carvalho de Redação

Estão abertas, até o próximo dia 31/1 (28/1 para envio pelos Correios), as inscrições para o IV Prêmio Estêvão Rafael de Carvalho de Redação, que premiará estudantes universitários (de qualquer período e curso) com R$ 1.000,00 (hum mil reais), R$ 800,00 (oitocentos reais) e R$ 600,00 (seiscentos reais), respectivamente primeiro, segundo e terceiro lugar. O tema para este ano é “Direitos Humanos: O Avesso da Impunidade”. A premiação acontecerá durante a comemoração do 27º aniversário da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) – entidade que promove o prêmio – em 12 de fevereiro, sobre o qual a coluna falará, em momento oportuno. Para maiores informações sobre o Prêmio: Rua Sete de Setembro, 160, Centro, (98) 3231-1601, 3231-1897 e/ousmdh@terra.com.br