Direitos Humanos 100% já!

[sexta e sábado, 9 e 10/12, acontece o Seminário Anual de Direitos Humanos, promoção da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) e Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente Pe. Marcos Passerini (CDMP). No clima, este blogue reproduz o artigo abaixo, publicado no jornal Zero Hora, de Porto Alegre (RS), em 2/12]

Paulo César Carbonari *

Direitos Humanos é uma daquelas questões que não se coaduna com meias verdades, com posicionamento neutro e, muito menos, com realização parcial. Por isso, direitos humanos 100% já, como quer a campanha coordenada pelo Instituto de Acesso à Justiça (IAJ). Por quê?

Porque não dá para defender direitos humanos somente dos humanos direitos. Ora, direitos humanos são direitos de todas as pessoas ou não são direitos humanos. Afinal, direitos humanos são universais. São direitos de toda gente, de todo tipo de gente, de gente sem tipo, simplesmente gente.

Mas, reconhecer a diversidade e a pluralidade é o desafio. Ora, é possível respeitar a todos/as e a cada um/a em sua singularidade, sua particularidade e sua universalidade. Afinal, cada ser humano é um sujeito de direitos que se faz sujeito na interação concreta com os outros humanos.

Porque não dá para sustentar que há direitos líquidos e certos e direitos que dependem da vontade dos governos ou das sobras do superávit primário. Ora, todos os direitos humanos (civis, políticos, econômicos, sociais, culturais, ambientais e .) são direitos humanos, indivisíveis e interdependentes. Afinal, direitos humanos são de cada pessoa, intransferíveis e indisponíveis.

Mas, é possível compreender que a realização dos direitos humanos ocorre no contexto histórico, suscetível aos conflitos e às contradições nele existentes. Ora, direitos humanos são, a um só tempo, patrimônio normativo, parâmetro político e exigência histórica a orientar os arranjos sociais e políticos. Afinal, identificar conflitos, ponderar demandas e pactuar prioridades são necessidades permanentes, nunca para protelar ou para ignorar.

Porque não dá para aceitar que os direitos humanos sejam lembrados somente quando há vítimas de sua violação. Ora, os direitos humanos exigem vigência permanente na vida de cada uma e de todas as pessoas, ou não estarão sendo respeitados. Afinal, direitos humanos exigem realização integral, com promoção de todos os direitos, proteção dos direitos dos vulneráveis e reparação/restauração às vítimas das violações.

Mas, é também necessário aprender da própria prática. Ora, monitorar e avaliar compromissos em direitos humanos é papel chave da sociedade civil; é dever exigir do Estado que respeite e realize os direitos humanos. Afinal, é assim que se poderá avançar na construção de condições mais propícias para efetivar todos os direitos humanos.

Defender direitos humanos 100% já é manter mobilizada a indignação e a solidariedade, bases de uma cultura de direitos humanos capaz de gerar novas subjetividades e novas institucionalidades, a fim de afirmar e confirmar sujeitos de direitos. Este é o desafio maior para todos/as quantos/as não abrem mão de dizer, cada vez com mais força: Direitos Humanos 100% já!

* professor de Filosofia (IFIBE) e Coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH).

No Ceará tem disso, sim!

[nossa coluna no Diário da Manhã de ontem]

A cantora e compositora Cy D’Olímpio, cearense, estréia em disco. Um punhado de canções autorais, amadurecidas no bom tempo da noite fortalezense, regravações de Cátia de França e Mano Borges. Nem Jazz, Nem Jeans. Jazz, jeans, quem disse que no Ceará não tem disso não?

Para quem (ainda) pensa que a música cearense se resume a dinossauros do quilate de Belchiores, Ednardos e Fagners (e por favor, entendam dinossauros como um elogio!) ou as desgraças que assolam as rádios (e conseqüentemente nossos ouvidos, a sofrer como penicos) – a que chamo “carinhosamente” de geração pós-mastruz-com-leite (ei, devo admitir: o Mastruz Com Leite era até bonzinho quando surgiu) – recomendo o disco de estréia da cearense Cy D’Olímpio.

“Nem Jazz Nem Jeans” é um disco assim: nem tanto ao mar, nem tanto a terra, como devem ser as coisas nas plagas de Iracema. Misturando elementos vários, com várias influências. A noite de Fortaleza/CE presente.

Faixa a faixa

Ela começa: “enfrentei fantasmas, becos, marginais / vou continuar seguindo até sentir / as suas digitais”, em “Fotossensor de Novela”, faixa que abre o disco. Passo as mãos no encarte, um luxo. Nem jeans, nem seda, algo macio, guardada uma certa aspereza, quase nada: o próprio canto de Cy D’Olímpio. E continua: “teu corpo aquarela me perdi”, em “Cá Dentro de Mim”. Quem nunca se perdeu um dia? E ela regrava “Você é Tudo”, de Mano Borges. Cy é “tudo e muito mais”.

“Absoluto”: “Toda mágoa acaba” (ainda bem, penso); “Todo amor tem direito” (à correspondência, completo). “Toda canção melodia” (eu que o diga, ouvindo este disco). Em “Taí o Samba”, inevitável citação à Noel Rosa, uma das influências da moça. Babal. Sim, o cara que fez versão de Bob Dylan com Geraldo Azevedo. Sim, regravação dele. A voz dela e um piano. Eu nunca tinha visto ninguém gravar Babal só com um piano. Agora posso dizer: “Exceto” a Cy.

A faixa-título tem belíssimas imagens (ta, talvez eu seja, por demais, saudosista): “já não vemos mais aqueles velhos lindos filmes” (agora é só a violência banalizada), “Janis Joplin já cansou de rir nessa parede” (agora é o riso falso de falsas atrizes ou cantoras, o que não é o caso de Cy), “não tem mais condição / sem Elis nem jeans / cadê nossa ilusão / viver de sombra e de tesão?” (é preciso dar vazão, meu povo!, viva Cy!) Em “Encontros”, “a arte cala tudo / e fala fundo ao coração”. É, com a verdadeira arte é assim. Fico em silêncio e prossigo ouvindo a cearense.

Em “Lembro de Ti”, “só tenho um cigarro / como companhia”. Se o gaúcho Caio Fernando Abreu, antes de subir, tivesse ouvido a estreante (estreante em disco, é bom que se diga!), ele com certeza escreveria um conto e avisaria: “para ler ouvindo Cy D’Olímpio”. “Em Cima do Tempo”, “nada vale se não for real”. E “Lá Vem Batista” fechando o disco. Cátia de França revisitada com competência, “mistura de carcará com sina de lampião”.
Então, caro leitor, você pode até “querer nem ovo”, como diz o ditado cearense, mas se quiser “Nem Jazz Nem Jeans”, eis o caminho das pedras (que dão leite): pelos telefones (85) 8855.5583, 8858.7073, e-mail gzmundodeoz@yahoo.com.br

Em tempo

Sobre a nota publicada aqui em 29/11 passado, que dava a triste notícia do falecimento de “Tia Marta”, Susalvino Viana (assíduo leitor deste blogue, e único parente que o lê com freqüência, atualmente), lembra: faltou dizer que Tia Marta, na década de 70 do século passado exerceu um mandato como vereadora em Santa Rita/MA, chegando a ser presidente da Câmara Municipal. Recado dado.

o baile da vida

[Para minha namorada. Ao som de Cy D’Olímpio; acabei de resenhar seu disco de estréia. Domingo, no Diário da Manhã]

eu não sei dançar
guie meus passos
eu não sei viver
guie meus passos
dançar
eu nunca quis aprender
viver
agora quero
só por estar contigo

Resenha

[o texto abaixo foi feito para “nota”. Explico: trata-se de atividade da disciplina Laboratório de Mídia Impressa III, ministrada pelo mestre Marcos Fábio Belo Matos (link ao lado). Confesso que não gosto de escrever para conseguir nota. Isso me castra. E confesso que sempre desconfio de livros indicados por professores. Talvez seja o trauma do ensino de literatura (de modo geral) praticado no ensino brasileiro (de modo geral). Mas Marcos Fábio tem bom gosto: foi o meu primeiro contato com a obra de José Saramago, confesso a ignorância, (im)perdoável talvez. E o professor me emprestou também, depois, o Cabeça a Prêmio, do Marçal Aquino. E vou pegar, agora, o Famílias Terrivelmente Felizes. E todo mundo diz que Marçal é melhor contista que romancista. Então deve ser ótimo: eu gostei do romance que li. Bom, basta. A resenha, pois.]

O Homem Duplicado, José Saramago

Se o mérito para se ganhar um prêmio Nobel de literatura for tão somente a literatura, eis aí um nome que o merece: José Saramago. Engenhoso, o autor consegue criar um estilo de escrita em que, no próprio texto, por vezes adverte o leitor de que aquilo é somente ficção. JS nos faz penetrar no(s) universo(s) de suas personagens, que parecem ganhar vida (ou morte) própria, apesar das advertências do mago (ou bruxo?) português ao longo da narrativa.

Dono de um estilo a que particularmente chamo “literatura de fôlego”, só percebido por mim em leituras anteriores no paulista Raduan Nassar [entre outros, Lavoura Arcaica (1975), que deu origem ao filme homônimo], JS sabe apropriar-se (e bem) de pontos e vírgulas, entremeando diálogos sem o uso de travessões, contando a história com a sofreguidão (mas nunca o nervosismo) de um assaltado ao pé do balcão duma delegacia (com o péssimo atendimento que temos cá nas nossas).

E por falar em “cá nas nossas”, vale frisar que para os países de língua portuguesa, as obras de JS não são traduzidas: vêm no português de Portugal (oh! intencional redundância…). Excentricidade? Se sim, isto é permitido ao homem que batizou o próprio cachorro com o nome Pepe, para não ser assim chamado por onde mora, na Espanha [como no Brasil todo José é Zé, por lá, todos são Pepes].

“O Homem Duplicado” [Companhia das Letras, 2002] é um mergulho profundo na(s) trágica(s) história(s) de Tertuliano Máximo Afonso, pacato professor de história em uma escola de ensino médio (classificação esta dada aqui nestas plagas). Pacato até o dia em que um amigo seu, professor de matemática na mesma escola, recomenda-lhe assistir a um filme onde Máximo Afonso [assim o protagonista prefere chamar-se] vê-se refletido: há um ator que é sua cópia fiel no vídeo, que agora mais se parece um espelho.

A partir daí, a vida de Tertuliano Máximo Afonso [e aqui repito o nome inteiro para valer-me de recurso por demais usado por JS durante o contar/correr (d)os acontecimentos] torna-se uma verdadeira obsessão por identificar, conhecer e descobrir todas as semelhanças possíveis e imagináveis (ou não) entre ambos.

Angústias, tragédias, loucuras. Surpresas a cada página. JS consegue ser folhetinesco, prendendo a atenção do leitor, despertando-lhe a vontade de seguir adiante a cada capítulo, sem dar descanso aos olhos, mente e alma: o tom detetivesco de JS em seu “O Homem Duplicado” garante a vontade de seguirmos seguindo [intencional re-redundância] os passos de homens e mulheres, flores e espinhos nascidos da fertilidade criativa de JS.

lua branca

[via msn messenger, Chico Piancó disse que isso aí parece Xico Sá; graças a isso, penduro-o aqui, de tempos antigos também]

essa lua branca
feito um furo
entre nuvens negras,
como a mata preta
de teu púbis…
ah! como eu queria
ser semente dela
e te por um fruto…

Chegou Dezembro! A Rebelião continua!

Dezembro é o mês em que faço aniversário. 24 anos dia 19 que vem. Belo presente foi saber da “inauguração” do site Rebelião na Zona Fantasma, dedicado ao disco homônimo do poeta Ademir Assunção. Tá uma beleza! Por lá é possível ler o texto que fiz sobre o disco (publicado em 10 de setembro passado no jornal O Estado do Maranhão). E é possível também ouvir três faixas do disco (vale a pena, galera!). E é possível também comprar o disco. E… vão lá clicando aqui!

Chegou Dezembro!

[texto e nota que fazem nossa coluna de hoje no Diário da Manhã; o primeiro foi publicado ainda em dezembro do ano passado no blogue que fazia antes de mudar-me para este endereço; de tanto a imprensa local recusar-se a publicá-lo, coloquei lá; como agora tenho liberdade na Diário Cultural, achei por bem reproduzi-lo. Em tempo: à época eu disse sobre O Natimorto: “a melhor ficção lida por mim em 2004”]

O “Risco: Ruído” nada Natimorto da DBA Editora

Conhecida pela produção de livros institucionais, a DBA Editora entrou certeira no mercado da (ótima) literatura de ficção. Lançou em São Paulo, ainda em 2004, sua coleção “Risco: Ruído”, cujos dois primeiros volumes são as luxuosíssimas edições de “O Natimorto”, de Lourenço Mutarelli e “Gozo Fabuloso”, de Paulo Leminski, último volume da obra do poeta paranaense deixado organizado pelo autor para publicação. Alice Ruiz, sua ex-companheira, revisou-o e assinou o prefácio.

A coleção “Risco: Ruído” tem curadoria de quatro grandes nomes da ótima – a redundância é intencional – literatura produzida atualmente no Brasil: Joca Reiners Terron, Marcelino Freire, Nelson de Oliveira e Ronaldo Bressane.

O Natimorto

Fumante inveterado e viciado em cafeína, O Agente, protagonista de “O Natimorto” – mais recente título de Lourenço Mutarelli [SP, 1964] a chegar ao mercado – tenta adivinhar a própria sorte através das imagens contidas nos maços de cigarro, fazendo destas figuras, cartas de um estranho tarô de nossos tempos.

O Agente (que não age) apaixona-se por uma cantora – A Voz – que não canta. História de amor e ódio, ele confina-se num quarto de hotel, após abandonar a esposa, que não aceitando a sua tentativa de tornar-se um ser assexuado, o trai constantemente.

Um musical silencioso escrito por um desenhista. Poderia ser apenas mais um “livro na minha estante, que nada diz de importante”, mas não é. Cinema? HQ? Poesia? Música? Teatro? Literatura? Absurdo? Trágico? Engraçado? Intrigante? Tudo isso e mais um pouco, num caldeirão fervente, temperado com a experiência mutarellica de “O cheiro do ralo” [romance de estréia do autor, Editora Devir, 2003, que está sendo filmado, como já noticiou esta coluna], que já venceu seis edições do Prêmio HQ Mix, o mais importante do gênero no país.

Se você fuma ou é viciado em café, compre este livro! Se fizer os dois, melhor ainda. Se não é nem uma coisa, nem outra, compre assim mesmo e vicie-se em ótima literatura contemporânea.Você compra os livros da DBA Editora no site da mesma:www.dbaeditora.com.br ou pelo telefone (11) 3062 1643.

Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira

E o prêmio vai para Amílcar Bettega Barbosa! Com “Os lados do círculo” (contos, Editora Cia. das Letras), ele faturou a edição de 2005 do prêmio. O escritor Joca Reiners Terron, comentou assim a vitória: “Palmas para o júri, pela coragem em investir num autor novo e por consagrar o prêmio à literatura, e não aos resultados de vendas”.

A coluna Diário Cultural torce para que isso se torne uma tendência, necessária, diga-se de passagem. Que tal se isso chegasse até a academia brasileira de letras (em minúsculas mesmo)? Por lá, o mérito menos importante para se tornar um imortal é a literatura.

dicionário

[um poema das antigas; era século vinte ainda…]

sou palavras difíceis
o mundo é uma criança
que não tem o hábito da leitura
você é o meu glossário
meu volumoso dicionário
sem você ninguém me entende

Diário Cultural de hoje

[nossa coluna no Diário da Manhã de hoje reproduz o texto escrito a pedido de Márcio Jerry, publicado no blogue dele (link ao lado) e já republicado aqui, além do texto abaixo, homenagem da coluna à Tia Marta, que subiu ontem]

Tia Marta

Faleceu ontem aos 77 anos, Marta Demes da Silva, a popular Tia Marta, como todos os conhecidos a chamavam. Residente no povoado Carema, em Santa Rita/MA (onde este colunista quase nasce), Tia Marta era famosa pela deliciosa galinha caipira que preparava (entre outras iguarias).

Naquele povoado, seu restaurante (que já não mais funcionava, dado seu estado de saúde comprometido), ficava próximo à estação ferroviária (já extinta) da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA); graças a isso, ganhou a merecida fama de ótima cozinheira entre ferroviários – maquinistas, auxiliares, agentes de estação e seus pares.

Não, não se tratava de uma estrela famosa, artista de televisão, cinema ou coisa parecida. Trata-se de um patrimônio humano, importante azulejo da história caremense. Vão aqui os pêsames à família e a homenagem desta coluna à Tia Marta.

Querem fechar o Café da Rua Oito

[ainda não conheço o espaço, mas como fã do grupo Liga-Tripa, cujo principal palco é lá, divulgo aqui, pela nobreza da causa, a carta abaixo. Aos amigos que me lêem da capital federal, o apelo: vão lá. Não deixem que isso aconteça!]

Brasília, 26 de novembro de 2005

COMUNICADO URGENTE:

QUEREM FECHAR O CAFÉ DA RUA 8!!!

NÃO VAMOS DEIXAR QUE ISSO ACONTEÇA!!!

ATO PÚBLICO EM DEFESA DO CAFÉ, às 20h, Segunda, 28 de novembro, no CAFÉ DA RUA 8 [Comercial da 408 Norte, Bloco B, fone: 3347-8334]

ENTENDA O CASO:

Em 10 de novembro, a fiscalização do Governo do Distrito Federal tentou lacrar o Café da Rua 8 alegando que seu alvará permanente de funcionamento havia sido revogado em 28 de abril. O motivo: execução de música mecânica ou ao vivo sem autorização.

Nesses quase sete meses, o Café da Rua 8 não recebeu qualquer comunicado, aviso ou notificação sobre a decisão.

Mais: o Café da Rua 8 promoveu em 10 de setembro sua tradicional festa “Salve a Pátria” e obteve junto ao GDF todo o apoio para o fechamento da Entrequadra 408/409 e alvará para a apresentação das dezenas de artistas que participaram do evento.

Mais: entre agosto e setembro, o Café executou reforma em suas instalações com o acompanhamento do GDF, especialmente o Departamento de Vigilância Sanitária, ao qual foi submetido o projeto para verificação de sua adequação às exigências sanitárias e de higiene.

A partir da notificação, o Café da Rua 8 procurou garantir seus direitos pelas vias administrativa e judicial. No entanto, o Tribunal de Justiça do DF negou seu pedido liminar na ação para anular a revogação do alvará.

Na última sexta-feira, dia 25, último dia do prazo estipulado, fiscais do GDF acompanhados de dezenas de policiais civis e militares fizeram visita ao Café para fechá-lo em razão de “reclamações da comunidade”, que teria denunciado a ocorrência de badernas, tumultos, brigas, etc, fatos que JAMAIS ocorreram desde a inauguração do Café, há mais de 9 anos.

O Café da Rua 8 continua trabalhando para evitar que seja lacrado, o que poderá acontecer nesta segunda-feira, dia 28!!!

Vamos abraçar o Café da Rua 8, em defesa da cultura de Brasília e do Brasil, em homenagem ao dias da Pátria, do Índio, da Consciência Negra, do Músico, do Samba, à Semana de Arte Moderna de 1922, a São Cosme e São Damião, entre muitas outras manifestações artísticas e culturais.

AGUARDAMOS VOCÊ NESTA SEGUNDA, COM OU SEM LACRE!!!!

Assinado: COMUNIDADE AMIGA DO CAFÉ DA RUA 8

Diário Cultural de ontem, domingo, 27/11

Mais um pecado de Papa Xico

Enquanto o papa Bento XVI condena a pornografia e a luxúria, padres pedófilos enchem os noticiários. E enquanto tudo isso acontece, Xico Sá lança, terça-feira, 29/11, o seu “Catecismo de Devoções, Intimidades e Pornografias”, obra que inaugura a Editora do Bispo, dele e de Pinky Wainer.

A apresentação da editora, no site da mesma (confira por lá outros lançamentos), diz que esta atua “em quatro segmentos mitológicos: sexo, drogas, rock n’roll e religião”. Pedidos podem ser feitos pelo e-mail contato@editoradobispo.com.br (pagamento via depósito bancário). Trechos do livro podem ser lidos no blogue de Xico

O Cheiro do Ralo

Uma boa notícia para quem gosta de filmes nacionais baseados em obras da literatura idem: “O Cheiro do Ralo”, romance de estréia de Lourenço Mutarelli [editora Devir, 2001] está sendo filmado (com previsão de lançamento para o ano que vem). Entre as “estrelas”, Selton Mello (Lavoura Arcaica, O Auto da Compadecida – coincidência ou não, outros dois filmes que vêm de livros) e o autor. Mutarelli, de reconhecida competência como quadrinhista, segue escrevendo romances; ano passado lançou, pela DBA, “O Natimorto”.

Só tenho uma dúvida: em não tendo este filme o forte lobby dos Dois Filhos de Francisco, e com o fechamento do Cine Praia Grande, onde poderemos vê-lo em São Luís?

Faustina

Caetano Veloso cantou: “a praça Castro Alves é do povo!”. Por aqui, digo o mesmo, sobre outra praça: “a praça da Faustina é do povo!”. Rebatizada assim pelos boêmios de plantão – este colunista um deles – a praça do Seresteiro (na confluência de Beco da Alfândega e ruas do Giz e João Gualberto, na Praia Grande) está sendo ocupada com arte desde a reinauguração da Base da Faustina: tambor de crioula, forró e muito mais.

Só espero que o lobby da inveja, tão sempre em voga  por aquelas bandas, não vá querer acabar com estas manifestações autênticas da cultura popular, legitimadas pela turma presente.

Lançamento

Durante a X Semana de Comunicação da UFMA, em paralelo com o II Encontro Estadual da História da Mídia Maranhense, acontece, entre outros, o lançamento de “Marketing Político Brasileiro: Ensino, Pesquisa e Mídia”, de Adolpho Queiroz, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares de Comunicação. O lançamento acontece dia 29/11, às 17h, no Auditório Central da UFMA. É o sétimo livro do autor na área de comunicação.

O Dengo de Raimundo Sodré

[texto nosso publicado no blogue de Márcio Jerry (link ao lado) sábado passado, 26/11]

Tom Zé cantou, certa vez, que “todo compositor brasileiro é um complexado”. Falava da insistência dos mesmos em serem sérios demais. Em entrevista recente, Chico Maranhão me confessa: “A nossa geração era mais ingênua, falta isso a essa geração mais nova. Ingenuidade é fundamental”.

Percebi – e concordo com – isso na recente apresentação feita nestas plagas pelo compositor baiano Raimundo Sodré [Circo da Cidade, 25/11]. Lançando disco novo, “Dengo”, nada de complexos, um moleque, que dança como se ninguém estivesse olhando, sem compromissos com o mercado, que o deixou longe do conhecimento da massa que cantou por mais de vinte anos.

Eu mesmo, nascido um ano depois do festival MPB80, promovido pela Rede Globo, só conhecia Raimundo Sodré por “A Massa” (o disco, que, orgulhosamente tenho em casa, ainda em vinil). Engraçado é que a massa – nem tanta assim – presente ao show, cantou algumas músicas, como se estivéssemos num show de algo, digamos, mais midiático, mais “massa”, para usar uma gíria ainda atual.

A noite baiana teve garantida sua porção de maranhensidade: Neto (ex-Mandorová) abriu o show, tocando xotes e baiões em sua flauta; após este, Gerude subiu ao palco, para daí chamar Raimundo Sodré, que fez uma brilhante apresentação, descontraída. Encerrou o show com… “A Massa”! No bis: Maio 68 (Jorge Portugal) e uma chula, para onde convidou o percussionista maranhense Erivaldo Gomes (que já tocou em disco do baiano).

Raimundo Sodré é axé! Em seu sentido original: energia. Axé, Raimundo Sodré!

Dor

Um professor universitário, cujo nome não cito aqui por questões éticas, certa vez cravou a seguinte frase, que me chegou ao conhecimento por terceiros (confiáveis), [eu não estava para ouvir na ocasião]:

“Diversidade cultural é você poder optar entre vários pares de sapatos de diferentes marcas e modelos na prateleira de um supermercado”.

Lembrei do pensamento (e lembro sempre) ao passar em frente ao finado Cine Passeio. Dói ver, ali, agora, uma loja de… sapatos! Assim como dói, também, ver o Cine Praia Grande fechado.