Por Todos Os Lados

[na coluna Diário Cultural de hoje]

Acontece hoje (24) e amanhã (25), o espetáculo Música Por Todos Os Lados, às 21h30min, no Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande). A idéia é dar visibilidade a músicos estrangeiros que residem em São Luís, além de músicos que têm outras atividades profissionais. No palco, estarão reunidos Augusto Pellegrini (cantor, professor de ingês e jornalista), Anders Kurtsin (flautista dinamarquês, agrônomo, especialista em manguezais), Danúzio Lima (funcionário da prefeitura de Miami/EUA), Pedro Massa (guitarrista português, técnico em informática), Arlindo Carvalho (percussionista, engenheiro, professor). A banda se completa com Júlio Pinheiro (flauta, sax), Serra de Almeida (flauta), Jim Howard (trompete), Sabrina Reis, Léo Espirro, Zeca do Cavaco (vocal), Celson Mendes (violão, guitarra, direção musical), Madson Peixoto (percussão), Carlinhos Carvalho (teclados), Paulo Lima (contrabaixo) e Ticiana (atriz).

O anfitrião da apresentação será Danúzio Lima, que é também presidente do Clube do Choro de Miami. No repertório, jazz, samba, bossa, choro, baladas e funk autênticos. Ingressos: R$ 10,00 (estudante com carteira paga metade) à venda no local.

Mr. Buk

Fernando Koproski traduziu mais de quarenta poemas de Charles Bukowski e, pelaeditora 7Letras, acaba de ser publicado “Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo, amém”. Do volume, o poema abaixo, pescado do blogue do Ademir Assunção:

Os Substitutos

Jack London bebendo a vida toda enquanto
escrevia sobre homens estranhos e heróicos.
Eugene O’Neil bebendo até se anestesiar
enquanto escrevia sua obra
sombria e poética.
agora nossos escritores
discursam em universidades
de terno e gravata,
os aluninhos atentos e sóbrios,
as aluninhas de olhos vidrados
olhando
admiradas,
a grama tão verde, os livros tão chatos,
a vida tão morrendo de
sede.

Errata

Noticiamos domingo passado, nesta coluna, que o show do compositor baiano Raimundo Sodré aconteceria dia 26/11. Erramos: é sexta, dia 25, às 22h, no Circo da Cidade. Trata-se do lançamento de seu novo disco: “Dengo”. Os ingressos estão à venda no local: R$ 20,00 (meia para estudantes com carteira). É mais um bom nome trazido pela Muito Mais Produções. E o homem já está atingindo “as massas” virtuais: confira seu site:http://www.raimundosodre.com.br

Diário Cultural de hoje (publicada no jornal Diário da Manhã)

[antes que me perguntem: nem uma coisa, nem outra. Nem o Diário Cultural é uma versão impressa do blogue, nem o blogue é uma versão on-line da coluna]

Promovido pela AMARTE (Associação Maranhense de Apoio à Música e à Arte) e já integrado ao calendário cultural da cidade de São Luís, acontece nos próximos dias 29 e 30 de novembro, no Convento das Mercês, o VII Congresso de Música do Maranhão. Confira abaixo a programação completa do evento.

29 de novembro
Manhã: 08h30min – Solenidade de Abertura / Momento Cultural: Antonio Vieira
09h – Palestra: “Experiência com o sucesso da música baiana através do rádio”. Palestrante: João Maurício Almeida (Produtor Musical da GAL/Polydisc). Mediador Geral: Luís Mochel (Cantor e Compositor).
10h30min – Intervalo / Momento Cultural: Josias Sobrinho
10h45min – Debates.
Tarde: 14h30min – Momento Cultural: Teresa Canto
14h45min – Abertura das Mesas de Trabalho sobre o tema “Pra tocar no rádio”.
Coordenação Geral: Luís Mochel (Cantor e Compositor). Temáticas: 1) “Espaço para a música maranhense: valorização e promoção” 2) “É preciso pagar pra tocar no rádio?” 3) “Rádios maranhenses: comprometimento com a cultura local” 4) “Direitos autorais: relação rádio X ECAD” 5) “Produção fonográfica maranhense: qualidade e mecanismos de distribuição”
16h15min – Intervalo / Momento Cultural: Ronald Pinheiro
16h30min – Apresentação dos resultados das Mesas de Trabalho.
17h30min – Reunião de assinaturas para composição de documento de conclusão das Mesas de Trabalho.

30 de novembro
Manhã: 08h30min – Momento Cultural: IN(VERSO)s: Luciana Pinheiro, Ana Teixeira e Ruber.
08h45min – Palestra: “Incentivos fiscais à cultura: leis, fundos e demais mecanismos”. Palestrante: Joãozinho Ribeiro (Poeta/Compositor, Produtor Cultural e Professor Universitário). Mediador Geral: Luís Mochel (Cantor e Compositor).
10h15min – Intervalo / Momento Cultural: Grupo Regional 310
10h30min – Debates.
Tarde: 14h30min – Momento Cultural: Chiquinho França.
14h45min – Palestra: Câmaras Setoriais: novas ferramentas para o desenvolvimento cultural brasileiro”. Palestrante: Ana de Hollanda (Diretora do CEMUS – Centro de Música da Funarte). Mediador Geral: Luís Mochel (Cantor e Compositor).
16h – Intervalo / Momento Cultural: Zé Lopes e Célia Sampaio.
16h15min – Assembléia para a criação do Fórum Permanente de Música do Maranhão. Coordenação Geral: Josias Sobrinho (Cantor e Compositor).
18h – Show de Encerramento: “Oficina da Música” e “Som do Mará” (Aberto ao público).

Maiores informações e inscrições: (98) 3232-2821 e/ou lobopriscilla@hotmail.com emarciaamar@hotmail.com

20/11/2005

ve(r)(se)(jo)-(me)

verme
roendo o poema.
roí tudo,
sou traça.
traço poetas
e não chego aos pés de nenhum deles
pra te fazer um poema (de amor)

[poema cometido após a leitura, “de um só tapa”, na madrugada da data que o batiza, de “o camaleão no espelho”, de roberto kenard. é sobre a minha incompetência (ou impossibilidade[?]) de escrever poemas de amor para ela: nada chega aos pés do que ela merece. ela sempre merecerá mais]

Um pouco de Sérgio Natureza

[nossa estréia no Diário da Manhã. Texto publicado na “Diário Cultural” de domingo passado, 20/11/2005. A coluna será publicada aos domingos, terças e quintas-feiras]

Um pouco de mim. Capa. Reprodução

Discos-tributo ou celebrações (aniversário de carreira, por exemplo) são geralmente chatos. Não é o caso deste “Um Pouco de Mim”, de Sérgio Natureza. Ele inaugura o projeto Poetas da Canção, que terá continuidade com o registro da obra de outros compositores. A iniciativa é do SESC/RJ, através do selo SESCRIO.SOM.
Reunindo novos nomes a outros nem tão novos assim, intérpretes consagrados a outros nem tanto, a poesia e a música de Sérgio Natureza garantem a unidade do disco, longe das colchas de retalho comumente vistas/ouvidas por aí.

No fino biscoito, parcerias com Sérgio Sampaio, Paulinho da Viola, Tunai, Paulo Baiano, Lenine, Marcos Leite, Zé Luiz Mazziotti, Cristóvão Bastos, Rosa Passos, Liliane e Guinga, nas vozes de Zeca Baleiro (também parceiro de Sérgio em composições não registradas aqui), Marcos Sacramento (um dos mais importantes e interessantes intérpretes de samba da atualidade), Luanda Cozetti (que rompe com as estruturas de “Frisson”, cantando-a de um jeito “estranho” e belíssimo com sua voz firme), Gladston Galliza (dono de bela voz que só vim conhecer neste disco), Leny Andrade, Luiz Melodia, Lenine, Amélia Rabello, Edinho Queiroz, Ju Cassou, Admar Branco, Ná Ozzetti, Guima Moreno, Mônica Salmaso, Tânia Bicalho e Elis Regina, em trechos da gravação original de “As Aparências Enganam”. Somente nesta música, que encerra o disco, aparece a voz de Sérgio Natureza.

“Um Pouco de Mim – Sérgio Natureza e Amigos”, tem edição luxuosa lembrando os lançamentos da gravadora Biscoito Fino. Há no encarte, a história de algumas das canções registradas, momentos que contam, por exemplo, o surgimento das parcerias de Sérgio Natureza com Paulinho da Viola e Tunai, duas das mais constantes ao longo de sua carreira. Uma bela iniciação à obra do compositor de “Frisson”. Está provado aqui que ele é muito mais que isso.

Raimundo Sodré em show para a massa ludovicense

Como Sérgio Natureza com Frisson, Raimundo Sodré é lembrado, infelizmente, apenas por “A Massa”, canção que o compositor baiano defendeu no festival MPB80, promovido pela Rede Globo de Televisão. Ele estará em São Luís no próximo dia 26/11, em show no Circo da Cidade. Uma realização da Muito Mais Produções.

Ceumar no Prêmio Universidade

A cantora mineira Ceumar estará em São Luís em dezembro. Ela participa, dia 14, da festa do Prêmio Universidade FM, no Espaço Renascença. A premiação, realizada anualmente, é tida como a mais importante da música maranhense. Em breve, aqui no Diário Cultural, os concorrentes em cada categoria.

Abertas inscrições para Seminário de Direitos Humanos

Dia 10 de dezembro comemora-se o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas em 1948. Para celebrar a data, acontecerá o Seminário Anual de Direitos Humanos, dias 9 e 10 de dezembro no Auditório Che Guevara, do Sindicato dos Bancários (Rua do Sol, Centro). Promovido pela Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) e pelo Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente Pe. Marcos Passerini (CDMP), o acontecimento integra a Campanha Sem Segurança Não Há Futuro, que chega ao seu terceiro ano e traz como lema “Direitos Humanos: O Avesso da Impunidade”, que é tema do Prêmio de Redação Estevão Rafael de Carvalho, voltado para estudantes universitários, cujo edital será lançado na ocasião.

Para maiores informações e inscrições: por e-mail (smdh@terra.com.br), tele-fax ([98] 3231-1601, [98] 3231-1897) e/ou pessoalmente na sede da SMDH (Rua Sete de Setembro, 160, Centro).

Programa BNB de Cultura recebe inscrições

O Banco do Nordeste do Brasil está recebendo projetos para patrocínios culturais em 2006. Ao todo, serão destinados dois milhões de reais em cinco áreas: música, literatura, artes cênicas, artes visuais e audiovisual. Maiores informações, edital e fichas de inscrição podem ser obtidas na página da instituição financeira na internet:http://www.bnb.gov.br

Menestrel baiano remasterizado

Um dos mais importantes compositores brasileiros acaba de ter três de seus mais representativos discos remasterizados. “Na Quadrada das Águas Perdidas”, “Cartas Catingueiras” e “Árias Sertânicas”, de Elomar Figueira de Melo acabam chegar novamente ao mercado através da gravadora Kuarup Discos, com autorização de seu autor. Mesclando o canto sertanejo – ou sertanês, como Elomar prefere dizer – à música de tradições medievais, o autor de “Arrumação”, dividiu, em 1984, o palco com Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai, no espetáculo Cantoria, transformado numa série de três discos por aquela gravadora. O terceiro volume traz Elomar solo. Acompanhado de seu filho, o violonista João Omar, Elomar apresentou-se em São Luís em agosto passado. Os relançamentos podem ser adquiridos no site da Kuarup, http://www.kuarup.com.br ao preço médio de R$ 30,00.

Marçal Aquino na Cia. das Letras

Marçal Aquino talvez seja, por incrível que pareça, mais conhecido por sua atuação como roteirista de cinema. Literatura com características cinematográficas é seu forte: acaba de sair pela Companhia das Letras, seu mais novo romance: “Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios” (R$ 28,90 + frete em http://www.submarino.com.br).  Tomara que finalmente o roteirista de O Invasor (filme de Beto Brant a partir de texto de Aquino) torne-se um best-seller.

[publicado no Diário da Manhã de sexta-feira passada]

As Memórias Nada Tristes das Putas de García Márquez

[texto nosso publicado no Diário da Manhã de hoje. Por lá, domingo que vem, 20/11, começo a fazer a coluna Diário Cultural]

Afastado dos romances há dez anos, o colombiano, que já recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, retorna com uma narrativa que insere-se na tradição de ninfetas à altura da Lolita de Nabokov.

Memória de minhas putas tristes. Capa. Reprodução

Antes de tudo, ou de mais nada, “Memória de Minhas Putas Tristes” (2005, Ed. Record, 127 págs., R$ 25,00 em média), mais recente título da lavra de Gabriel García Márquez é uma história de amor. Engana-se quem pensa que o autor colombiano foi acometido da síndrome de Nick Hornby em Alta Fidelidade (nenhuma crítica aqui ao autor inglês) e desate a sair por aí fazendo listinhas das cinco melhores ou piores noites de sexo pago que já teve.

Um cronista dominical, de gosto refinado e gozando de certo prestígio junto aos leitores do jornal onde escreve, no dia do aniversário de seus noventa anos, resolve presentear-se com algo no mínimo inusitado: “uma noite de amor louco com uma adolescente virgem”, como escreve GGM já na primeira página da narrativa. Recorre a Rosa Cabarcas, sua alcoviteira de longa data. E daí se desenrola a história numa literatura que exige fôlego do leitor: curta e com a edição agradável, é impossível parar antes de chegarmos ao fim, se é que há fim.

Findando um período de dez anos longe dos romances, o escritor, Prêmio Nobel de Literatura presenteia-nos com essa narrativa que chega para, ao menos na aparência, como frisado na orelha do livro, ser colocada ao lado da Lolita de Nabokov. Em Memória de Minhas Putas Tristes (título mantido do original pelo conceituado tradutor Eric Nepomuceno), há espaços ainda para citações d’A Bela Adormecida e o mote, confessa GGM, vem de “A Casa das Belas Adormecidas”, de Yasunari Kawabata.

Ainda o desencarte do Colunão

Sem o Colunão, JP desequilibra
Ed Wilson Araújo *

As leituras dominicais seguem temporariamente sem o Colunão, uma das últimas reservas de debate e exercício do contraditório no jornalismo maranhense. O semanário editado pelo jornalista Walter Rodrigues, encartado no Jornal Pequeno, deixa de circular no matutino dos Bogéa por uma decisão unilateral do comando do JP.

Em 25 anos de jornalismo no Maranhão Walter Rodrigues acumulou méritos e também desafetos, fruto do trabalho de investigação que denunciou delegados torturadores, esquemas de corrupção, crime organizado, nepotismo no Judiciário e um rol de irregularidades no sarneísmo ou nos diversos espectros da oposição. Recentemente, enfrentou quase solitário uma posição contrária aos interesses da Companhia Vale do Rio Doce na instalação do pólo siderúrgico na ilha de São Luís e, por fim, criticou o projeto expansionista da Alumar em frontal desrespeito aos direitos trabalhistas.

As divergências editoriais entre o Colunão e o JP já vinham ocorrendo. Aos poucos, as manchetes do semanário e até o selo saíram da capa do diário. Mas o maior motivo, segundo Rodrigues, foi a pressão do gerente extraordinário do Médio Mearim, José Vieira, ex-prefeito de Bacabal. Vieira é aliado do diretor-geral do Jornal Pequeno, Lourival Bogéa, na eclética “cruzada” oposicionista que se forma para derrotar o sarneísmo.

Aos 54 anos, o glorioso Jornal Pequeno aproxima-se da maturidade abrindo atalhos no caminho traçado pelo seu fundador, Ribamar Bogéa. Focado no anti-sarneísmo, o jornal aderiu à Frente de Libertação do Maranhão virando pregoeiro do governador José Reinaldo, que vinha combatendo desde a eleição de 2002, acusando-o de abuso de poder econômico na campanha.

Não há como negar que em toda a sua construção simbólica o JP encampou boas causas. Cobriu com objetividade crítica vários episódios da política maranhense, acolheu os opositores da implantação da Alumar na década de 1980, denunciou os desvios de verbas públicas e projetos fantasmas da oligarquia, teve papel destacado na cobertura da CPI do Crime Organizado e em muitas ocasiões foi o único a abrir espaço e repercutir os temas sugeridos pelos movimentos sociais. Em síntese, o diário dos Bogéa tem um papel importantíssimo na resistência ao coronelismo midiático no Maranhão.

Mas a compulsão pela derrota da oligarquia a qualquer custo leva o JP a cometer equívocos, como o desencarte do Colunão. No percurso informativo das manhãs de domingo o semanário de Walter Rodrigues tornou-se leitura obrigatória para balizar opiniões, informações e interpretações veiculadas pelos diários. O Colunão veio a ser a espinha dorsal encartada no JP, dando sobriedade à apaixonada tendência pedetista-reinaldista do jornal. A investigação perspicaz, o texto refinado e o humor sutil de Walter Rodrigues passaram a compor um ponto de referência, um porto seguro no vendaval de manchetes muitas vezes maniqueístas e fantasiosas, filtrando interesses de grupos políticos que se apropriam dos meios de comunicação.

O desencarte do Colunão deixa muitos leitores “órfãos” do jornalism o independente. E deste episódio tiram-se muitas reflexões. Uma delas sobre a forma como atuam jornais e jornalistas reféns de linhas editoriais guiadas por interesses privados. No Maranhão não há empresários no ramo da mídia. Existem políticos que controlam as empresas e tentam submeter os profissionais de comunicação aos interesses dos proprietários dos jornais, rádios e TVs. Mas nem todos aceitam a submissão ou passam a ser coniventes com os interesses dos financiadores. Aqui e acolá, jornalistas experientes e novatos resistem às imposições dos donos dos meios de comunicação.

Breve retorno ao combatente Walter Rodrigues e vida longa ao JP, torcendo para que o diário dos Bogéa não se apequene na luta para derrotar o sarneísmo.

* Ed Wilson Araújo é jornalista

Maranhense vence Prêmio Nacional de Poesia

Cesar Teixeira foi o vencedor do 3º Prêmio Nacional de Poesia Cidade de Ipatinga (MG) pelo conjunto de poemas intitulado “Hóstias de Sal e Paixão”. Realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, o Prêmio faz parte do Circuito de Literatura do Clube dos Escritores de Ipatinga (CLESI), tendo uma média anual de 2.500 participantes de todo o Brasil. A festa de premiação está marcada para o dia 19 de novembro, no Teatro do Centro Cultural Usiminas, em Ipatinga-Minas Gerais.

Zumbi está vivo, o quilombo é aqui!

[texto nosso publicado no Diário da Manhã de ontem]
Diversas manifestações movimentam o mês da Consciência Negra em todo o país. Maranhão leva trezentos à Marcha Zumbi + 10 em Brasília, no próximo dia 16/11. Pólos, em São Luís e Paço do Lumiar, promovem atos para a leitura de cartas de reivindicação.
Diversas entidades do movimento social preparam-se para celebrar, dia 20 de novembro próximo, o Dia Nacional da Consciência Negra. A data, já tradicionalmente festejada pelo Movimento Negro, esse ano ganha forças: seu maior ícone, o líder Zumbi dos Palmares, assassinado em 1695 pelas tropas do governo colonial brasileiro, chega aos 310 anos de imortalidade.

Na próxima quarta-feira, 16/11, acontece em Brasília/DF, a Marcha Zumbi + 10, que levará até a capital federal as reivindicações da população afrodescendente, visando, principalmente, a aprovação do estatuto da igualdade racial. A delegação maranhense é composta por trezentas pessoas, eleitas em atividades prévias à realização da manifestação. Estas atividades aconteceram através da reunião de várias entidades: Centro de Cultura Negra (CCN/MA), Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), Pré-Vestibular para Negros e Carentes (PRENEC), Grupos de Mulheres Negras Mãe Andresa, Grupo de Dança Afro-Malungos (GDAM) e Conselho Municipal das Populações Afrodescendentes (COMAFRO).

Após a realização da Marcha Zumbi + 10, em Brasília, as celebrações/reivindicações continuam, localmente, em cinco pólos das periferias de São Luís e Paço do Lumiar, que estão organizando uma série de atividades alusivas ao dia da consciência negra. São eles: Coroadinho, Divinéia, Itaqui-Bacanga e Liberdade na capital; e o pólo do Maiobão, em Paço do Lumiar. (veja abaixo locais e horários das atividades). Os pólos farão a leitura de cartas de reivindicação específicas, que serão entregues dia 21/11 na Assembléia Legislativa e Governo do Estado do Maranhão, além das Câmaras e Prefeituras Municipais de São Luís e Paço do Lumiar.

“Pelo Direito à Vida” é o principal grito dessas manifestações, tendo em vista a situação das populações pobres e negras do estado, massacradas diariamente pela ausência de políticas que possibilitem educação, cultura, saúde, esporte, lazer, oportunidades efetivas de geração de emprego e renda, acesso à terra, moradia digna, saneamento básico e, principalmente, garantia de respeito à diversidade étnico-racial, cultural e religiosa.
Locais e horários dos atos nos pólos

Coroadinho: Praça do Coroadinho, próximo à Fundação Bradesco, 16h.
Divinéia: Avenida Brasil, ponto final da linha de ônibus, 16h.
Itaqui-Bacanga: Praça Viva Vila Embratel, 16h.
Liberdade: Concentração para a Marcha: Praça da Fé em Deus às 14h. Ato-show Zumbi + 10: Praça Mário Andreaza, final da linha de ônibus, às 19h.
Maiobão: Associação de Moradores do Residencial Zumbi dos Palmares, 17h.

um inédito do roberto kenard

[de seu próximo livro, “ozerodacidade”, a ser publicado ano que vem]

o vitral

anjos confabulam
por trás do branco

um rio nasce
e estende sua magreza

pombos descem
sobre a estátua comem a tarde

Toque

Amanhã, 9/11, às 19h30min, no Kitaro (Lagoa), noite de autógrafos d”As melhores crônicas do claraonline“. Na obra, Celso Borges, Gisele Brasil e Itevaldo Jr., entre outros.

O Túmulo de Merneptah

[Matéria publicada no Jornal Pequeno/S.Luís-MA, em 6/11/2005. Disponibilizada pelo autor para divulgação]

O projeto de um deputado maranhense que reintegra o Convento das Mercês ao patrimônio público deverá ser votado a qualquer momento pela Assembléia Legislativa do Maranhão. Relíquia do séc. XVII inaugurada pelo Pe. Antônio Vieira, o prédio colonial foi grilado em 1990 pelo senador José Sarney, que ali decidiu construir o seu próprio mausoléu – o que motivou o repúdio da população de São Luís e uma ação do Ministério Público Federal.

por Cesar Teixeira *

A vaidade de José Sarney tornou-se faraônica morbidez quando ele decidiu se apropriar de um prédio do séc. XVII que pertenceu à Ordem dos Mercedários, no centro histórico de São Luís, para ali construir o seu mausoléu e dar continuidade ao delírio da oligarquia. Assim, após sua morte, eleitores desenganados e fiéis puxa-sacos para lá levariam ex-votos e círios, quitando as promessas feitas àquele que a si próprio beatificou para perpetuar-se num trono de mármore. Causa mortis: apoplexia por abuso de ato ilegal.

O Convento da Assunção da Real e Militar Ordem de Nossa Senhora das Mercês e da Redenção dos Cativos foi inaugurado em 1654 pelo Padre Antônio Vieira, missionário jesuíta que haveria de enfrentar a fúria da Inquisição, citado pelo Papa João Paulo II em sua homilia quando passou pelo Maranhão há quatorze anos: “Este monumento nos lembra um dos marcos fundamentais da evangelização na América Latina”.

Lá também funcionou o Pequeno Seminário de N. S. das Mercês na segunda metade do séc. XIX. O prédio, medindo na época 5.605 m2 de área construída, foi vendido ao Estado por quatro contos de réis, em 1905, aquartelando a Polícia Militar por várias décadas, e, desde 1974, está no livro de tombos do Patrimônio Histórico da União. No fim dos anos 80, depois 9,5 milhões de dólares gastos na sua restauração, o governo doou ilegalmente o imóvel à Fundação da Memória Republicana, criada em fevereiro de 1990 por Sarney, às vésperas de devolver a faixa presidencial.

Queria voltar com cetro de ouro, feito um novo Merneptah, o Faraó do Êxodo (no Egito eram os hebreus, no Maranhão são os trabalhadores rurais que fogem da fome e da escravidão instituída pela dinastia Sarney).

Com o aval da Assembléia Legislativa – que aprovou em 1990 e 1993 as leis forjadas nos governos Cafeteira, João Alberto e Lobão –, a Fundação José Sarney recebeu de mão beijada, e sem contrapartida, um monumento colonial recuperado com dinheiro público para depositar um acervo de envergadura, que traz agregado restolhos da Nova República, objetos pessoais e álbuns de família, obtendo ainda do Estado uma subvenção de 80 mil reais por mês.

Sem falar nos prêmios do orçamento federal despejados diretamente em sua cripta; nas festas juninas da Vale do Rio Doce (Projeto “Vale Festejar”) e do Banco do Brasil para o marketing político da filha Roseana Sarney, e no aluguel do Convento das Mercês para shows, festivais e até casamentos, sem qualquer prestação de contas – segundo tabela vigente, o aluguel para uma festa de casamento, por exemplo, custa até R$ 6 mil reais.

Ali também foi realizada a mostra “Brasil 500 Anos”, administrada pela empresa Brasil Conection, do banqueiro Edemar Cid Ferreira (Banco Santos), padrinho do casal Roseana-Jorge Murad. Vale ressaltar que a Fundação José Sarney é dirigida por uma associação formada por parentes, amigos e correligionários de Sarney, que é o seu presidente vitalício.

LUTA PELO RESGATE

Após longo silêncio da imprensa e das autoridades, o Ministério Público Federal ajuizou em agosto de 2004 uma Ação Civil Pública pedindo a reintegração do prédio ao patrimônio estadual com base em decreto-lei de 1937, que impede a doação de bens tombados pela União a instituições privadas. Na Assembléia, o deputado estadual Aderson Lago (PSDB-MA) apresentou projeto revogando as leis que transferiram o Convento para a Fundação José Sarney, violando a Constituição do Estado.

O projeto recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça, devendo ser colocado na pauta de votação do Plenário a qualquer momento.

Há poucos dias, vassalos do Faraó chegaram a mobilizar incautas crianças e mães do bairro do Desterro, onde está localizado o Convento, para protestar contra o projeto de Lago em frente à Assembléia, alegando que sua aprovação inviabilizaria os programas culturais da Fundação José Sarney – tudo divulgado pela TV Mirante, propriedade da dinastia. Circulou ainda um manifesto de igual teor assinado por intelectuais e artistas amigos do “estadista” fora-da-lei.

Não falaram dos tapumes colocados numa rua ao lado, segundo denúncias, para ampliar ilegalmente os limites do imóvel, cujo pátio hoje serve de estacionamento privativo para um restaurante pertencente a Jorge Murad e à senadora Roseana Sarney, pondo sob suspeita os objetivos da Fundação.

Caberia então ao governador José Reinaldo, após a devolução do prédio ao Estado, manter em atividade a Escola de Música do Bom Menino, que funciona lá, e já recebe apoio do Poder Público. Desde que administrado democraticamente, o Convento das Mercês pode ser otimizado como espaço cultural para abrigar projetos comunitários, bibliotecas, exposições, concertos, oficinas profissionalizantes, seminários, espetáculos etc. Sem desfigurar as manifestações folclóricas (manipuladas para fins eleitoreiros) e privilegiar igrejinhas.

O que não tem sentido manter é a Fundação José Sarney, ou a “sua” Memória Republicana. O senador tem que procurar outro canto para guardar seus mimos e construir mausoléu. Por que não a ilha de Curupu? O museu republicano, por sua vez, seria mais adequado ao Distrito Federal, talvez ao Rio de Janeiro, por razões históricas. De qualquer forma, vários articulistas posicionaram-se nacionalmente contra a apropriação do Convento pelo oligarca.

VOZES DO ALÉM

No artigo “Vontade de Liberdade”, publicado no jornal O Globo (Opinião-12/03/05), Luís Carlos Prestes Filho, coordenador do Núcleo de Estudos da Economia da Cultura da PUC-Rio, exalta a arquitetura do Convento das Mercês, mas protesta contra a “grilagem” de espaço público para a construção, ainda em vida, do mausoléu para José Sarney. “Túmulo nada humilde, se comparado às lápides de chão doadas por benfeitores de antigas igrejas e catedrais”, escreve.

Quando esteve recentemente em São Luís para a I Conferência Municipal de Cultura, Prestes Filho observou, com ironia: “No mesmo momento em que na Rússia se faz um movimento para deixar Lênin no seu mausoléu, aqui no Maranhão o movimento é para tirar Sarney do seu”.

Essa indignação além-fronteira ratifica por que centenas de estudantes, no final de janeiro, carregaram em passeata o caixão dos 40 anos da oligarquia, fazendo o seu enterro simbólico no portão do Memorial José Sarney. Aliás, o fato de pôr seu nome em tudo – pontes, tribunais, viadutos, escolas, praças, ruas, avenidas e creches – revela uma obsessão doentia da família em eternizar suas máscaras terrenas, burlando leis e fabricando méritos.

Desta vez a dinastia pretende transformar um monumento público de 351 anos em cemitério particular, antecipando banquetes fúnebres, enquanto uma população de 68, 42% de miseráveis jaz faminta, sem terra, emprego ou escola, em guetos e favelas – muitas delas com nomes da família Sarney. População que constitui a base da triste pirâmide social que o Faraó ajudou a construir em 40 anos, e no alto da qual pretende reinar para além da morte.

A falta de ética política e a extensa folha de maldades provam que Sarney é, e sempre foi, o seu próprio túmulo. Se ele não for duplamente sepultado nas Mercês, o risco que corre o povo de São Luís é cruzar todas as sextas-feiras com uma múmia enlouquecida, assombrando a cidade no velho Galaxie Landau de 199 cavalos herdado do regime militar, depois de ter cassado o mandato de Ana Jansen e levado sua carruagem de bestas decapitadas para um desmanche.

Cabe ao parlamento e à justiça exorcizar esse fantasma. Ou teremos que invocar o Padre Antônio Vieira, inimigo nº 1 das mentiras que se abateram sobre o Maranhão como pragas do Egito, cobrindo-o de trevas por mais de três séculos. Para a redenção definitiva dos cativos, não faria mal um novo puxão-de-orelha (com sermão e tudo) no tubarão mercenário, o dono do mar – qui devorant plebem meam –, antes que desapareça no lodo dos subterrâneos.

*Poeta e Jornalista / DRT-MA nº 788
contatos: cesarte@elo.com.br