Mais um poema (?) sobre fim…

 

nosso último encontro
resultou em óbito

estou morto
e só agora percebo
o quanto fui patético

***

“Bota aquela música do ‘olho no espelho’; é a seis”
Andrew (lê-se “Êndrio”), sete anos, enteado de meu irmão, um meio-dia desses, depois de ter ouvido uma única vez o disco “Rebelião na Zona Fantasma”, de Ademir Assunção.

Para Fada Jane

 

Fico devendo um poema pelo aniversário de São Luís. É o “Patrimônio Cultural Profano”, de Cesar Teixeira. Por enquanto, um trecho de Vital Farias, em homenagem à Jane Maciel, que foi fazer intercâmbio na França e fica um ano por lá. Um beijo e saudades.

Caso Você Case (trecho)
Vital Farias

“É necessário tudo, mudo, surdo, absurdo
é necessário nada, fada, fanada, nada em fá
é necessário nada, tudo, mudo, surdo, absurdo
nada em fá-fazer”

Eu e Marco Pólo, de novo, e muito +

 

Provavelmente só volto ao blogue na sexta-feira. Tô precisando arrumar umas coisas no micro de casa e só tô blogando do trabalho. Mas, enfim, não sei, talvez apareça antes por aqui. E então, vamos à programação da 3ª Semana Cultural do Desterro:

7/9, quarta
manhã e tarde
= oficinas e exposições (Sede da Flor do Samba, CEDUC, Convento das Mercês e Fundação Dilú Melo)
20h = sessão de cinema II (Sede da Flor do Samba)
21h = Projeto Bumba Cultural: relançamento de “Uma crônica e um punhado de poemas de amor crônico” e “O segredo de um mistério”, com performances poéticas, teatrais e musicais. (Bumba Lanches, em frente ao Convento das Mercês)

8/9, quinta
manhã e tarde
= oficinas e exposições (nos mesmos locais do dia 7)
20h = procissão dos Orixás: culto afro-religioso e feira de comidas típicas e artesanato (Largo da Igreja do Desterro)

9/9, sexta
manhã e tarde
= oficinas e exposições (local: ver dia 7)
18h = show “Santos de Casa II”, com teatro infantil, roda de capoeira, Banda do Bom Menino, Chico Serra, Nato Araújo, Rogéryo du Maranhão, Grupo Foliões, Dança Portuguesa Rainha de Portugal, Chiquinho França, Josias Sobrinho e Daffé (Praça da Flor do Samba)

10/9, sábado (encerramento)
17h
= passeio turístico pelas ruas do Centro Histórico (rua do CH)
18h = show “Santos de Casa III”, com teatro infantil, roda de capoeira, Moisés Nobre, Coqueiro da Vila e Bateria da Flor do Samba, Bloco Tradicional Os Feras, Barriquinha, Arlindo Pipiu, Cesar Teixeira e Cacuriá de Dona Teté

+ 3ª Semana Cultural do Desterro

 

Segue…

amanhã, terça, dia 6/9:

manhã: exposições (Sede da Flor do Samba, CEDUC, Fundação Dilú Melo e Convento das Mercês);
16h: oficinas (idem);
18h: Rufou Tambor II (tambor de crioula na Praça da Flor do Samba);
19h: Teatro em cena, “De volta ao passado” (Largo da Igreja);
20h: Jogos Abertos do Desterro, Torneio de Damas (Sede da Flor do Samba).

E pra quem perdeu

o lançamento dos livretos “Uma crônica e um punhado de poemas de amor crônico”e “O segredo de um mistério”, há um mês, durante a reinauguração d’A Faustina, pode participar dia 7/9, às 21h, no Bumba Lanches (em frente ao Convento das Mercês), dentro da programação da 3ª Semana Cultural do Desterro.

E por aqui vou ficar avisando o que tá rolando, assim, devagar. Outros assuntos, em breve, espero.

Tá rolando!

 

3ª Semana Cultural do Desterro. E estivemos lá, na Missa em Ação de Graças, hoje pela manhã. E, em seguida, no Café da Manhã Comunitário, na Sacristia da Igreja, provavelmente a mesma onde Chico Maranhão gravou, em 1978, o clássico Lances de Agora.

Amanhã: exposições e oficinas pela manhã e tarde. Às 15h, Jogos Abertos do Desterro: vôlei e queimado (feminino), na quadra anexa à Sede da Flor do Samba; e às 20h, Sessão de Cinema, na Sede da Flor do Samba.

E mais sobre a programação por aqui, em breve.

Porque te amo

 

Meu amor.

Hoje, acordei encapetado. E me ganiu, profunda, alta, uma vontade de brigar contigo, te chutar a barriga, sua marafona engalicada! Vontade, não: gana. Urrar e vomitar sobre você. Você e tu. Mijar na tua cabeça, tronco e membros, te socar contra a parede, te fazer sangue. Ao te beijar ficou perdido de amor é o cacete. Pelas manhãs tu és a vida a cantar é uma pinóia, uma ova, uma bosta. A tua cara decadentosa parece o mapa do Chile, estrepe velho, tralha, cadela arrombada, esmerdeada, meu horror.

Mas és para ser entendida só por aqueles que não tiveram dinheiro nem para comer um prato feito. E, isto sim, é a pior das sacanagens.

E eu te bato porque te amo.

[João Antonio num pré-algo em “Ô, Copacabana” (1978). Notas do blogueiro: 1) comecei a ler JA por influência de outro João, o Paulo Cuenca; 2) a citação ao Chile no texto nada tem a ver com a goleada brasileira de hoje à tarde; e 3) o título aí é do post, já que no livro o texto não o tem.]

Das Cinzas à Paixão

 

Mais Cesar Teixeira, presença importante e constante por aqui. Letra de música sobre “fim”, apesar de eu estar, digamos, numa fase de “(re)começos”. Esse samba tá no disco de estréia de Serrinha e Cia.

Para Chico Piancó, Flaésia e eu mesmo

Não, não é proibido
um peito ferido
cantar sua dor
sei que o teu carinho
é um espinho e machucou.

Só fez derramar no chão
este copo de ilusão
em que eu me embriaguei
riscou meu vinil
meu peito se abriu
não sei o pranto que chorei.

Nunca mais o meu fracasso
será seu elevador
não quero ser o palhaço
de um circo que incendiou
meu pranto apagou
a chama sem querer
das cinzas
espero uma nova paixão renascer.

Eterno

 

Em breve, espero poder revelar sua identidade. Por enquanto, um poema cometido hoje, para M. M.:

de efêmero,

só quero

teu beijo

que dura

o tempo

do desejo

até o próximo

beijo-capítulo

de nossa novela

de final (?) feliz

 

de eterno

te quero

 

de passageiro

quero carona

do estrangeiro

talvez lembranças

dança?

só se for

pra aproveitar

teu abraço

 

de eterno

te quero

ao menos

enquanto dure

mas

que dure

pra sempre

um poema (?)

 

esse eu fiz tempos atrás, para Diana Melo.

teus olhos, duas pedras raras
me deixam mudo
com tua beleza me calas
e se sou teu, tenho tudo

aos quarenta e sete do segundo tempo…

… fiquem com Cesar Teixeira. Versos de “Dolores”, música gravada por Flávia Bittencourt em seu disco de estréia.

(…)
seu pai caiu por terra
crivado de flores
sua mãe bebeu as trevas
e morreu de amores
nos olhos de Dolores
era tanta chuva
que seu pranto fez-se um rio
onde a vida era viúva
(…)

E em breve: 3ª Semana Cultural do Desterro. E em breve mais detalhes por aqui.

[formatação prejudicada por conta do micro que estou usando. Pra quem não vai ao re-lançamento de Alguma Trilha Além, logo mais, até amanhã!]

Estilhaço(s)

 

Pra mesma garota que disse “olho de boi ponto zip ponto net”. Um poema inspirado em comentários. É isso aí:

estilhaçou meus óculos de grau
entre a sola de seu calçado
e os paralelepípedos do chão
sei que não fez isso “de mal”
e assim, me fez recuperar a visão

e assim, pude vê-la, plena, bela
e assim pude dizer-lhe que não
que já não amava mais ninguém
além dela, a quem de agora em
diante só chamaria “meu bem”

DA PAIXÃO DO CRONISTA

 

Nova edição do Almanaque JP Turismo nas bancas. No Quintal Poético desta edição, assino a presente, já lançada em “Uma crônica e um punhado de poemas de amor crônico”. Dia 7 de setembro, relançamento da (s)obra, no Bumba Lanches (em frente ao Convento das Mercês), durante a realização da 3ª Semana Cultural do Desterro [Mais detalhes por aqui, em breve].

***

O amor dói, é claro, mas dá prazer. É droga que vicia, é igreja que liberta. Sacro e profano no mesmo altar/terreiro. A antítese mais gostosa, como nos versos de Camões, musicados pela Legião Urbana. O cronista está apaixonado. “Mais uma vez”, aporrinham alguns amigos. “Mas dessa vez é pra valer”, retruca.

O destino nos prega peças agradáveis. Digo isso por que é vontade do cronista namorar alguém que detesta as músicas que ele ouve; e pior: ele detesta as músicas que ela ouve. Tem andado com cara de bobo e bebido um bocado, arranhando os cotovelos no balcão de um bar vizinho à faculdade onde ambos estudam, à espera de sua musa; enquanto espera, ouve música ruim. O cronista tem escrito poemas quase diariamente; ela lê, e demonstra gostar.

Cansado de escrever sobre uma mulher diferente a cada revista, o cronista quer fazer de sua musa, a musa eterna – ao menos enquanto dure, como já diria o saudoso poetinha. Fazê-la personagem. A sua “baixinha de olhos graúdos e brilhantes”, como a “menina triste de olhos verdes” das crônicas de João Paulo Cuenca. Ela receia, “não serei mais uma?”, deve se perguntar. O cronista imagina, pois vive também de ficção, embora saiba o quanto é real tudo o que sente por ela.

O cronista não consegue se concentrar em nada. Começa a ler diversos livros, mas pensa tanto nela, que acaba desistindo antes do fim do primeiro capítulo; isso, quando consegue vencer a barreira da primeira página, por mais interessante que seja o livro. Só um romance interessa: o próprio. Outrora, palavrões em cada frase. Agora, só diz poemas. Não consegue escrever outra coisa que não poemas para a musa. E da redação, ligam: “cadê a crônica?”. Detesta ser irresponsável e decepcionar. Mas desta vez não haverá crônica. Desistam, o cronista não mais escreverá. Virou poeta.

Hoje

Encerramento da Semana de Cultura Popular. Na Casa do Maranhão, Praia Grande:
18h: dvd-documentário sobre Mestre Antonio Vieira
19h: show com o próprio.
Nos vemos por lá!

A Divina Comédia dos Malucos

 

Este é o título dum poema que cometi, tempos atrás, para Vivi Queiroz. Éramos, à época, psicológos, um do outro. Dois “loucos” se consultando. Ninguém nunca sabia quem era o médico e quem era o paciente. Apesar da distância entre Fortaleza/CE (a mineira mora lá) e São Luís. Mas ela tá na Ilha, e publico aqui o poema:

sob seus pés o céu
de são luís vai parar no chão
paralelepípedos viram nuvens
como as pedras irregulares
do calçamento de alcântara.
o sol a pino; seu suor mata-me a sede
bebo do perfume que escorre
embriago-me e já só sei andar
pelas curvas exóticas de seu corpo.

seu tato fino e hábil, pele seda
minha incômoda barba por fazer
escultura divina, boneca, menina,
santa pecadora, me leva ao inferno
do calor de seu corpo-paraíso.
entras pelo meu sorriso
porta aberta pelo teu.
mãos dadas, dois corpos unidos,
nus, onde a gente se meteu?

15/2/2005

Terça-feira

 

Finalmente. A Secretaria de Estado da Cultura vai lançar as obras contempladas no plano editorial em 2003 (isso mesmo!). A noite coletiva de autógrafos acontece no Museu (Rua do Sol). Terça-feira, 19h.

De lá, o poeta Eduardo Júlio comanda outra festa no Bagdad Café, algo tipo 22h,Alguma Trilha Além.

E dia 7 de setembro, Joãozinho Ribeiro (finalmente, digo eu novamente!) lançaPaisagem Feita de Tempo. E em tempo: na mesma ocasião eu relanço Uma crônica e um punhado de poemas de amor crônico. Na 3ª Semana Cultural do Desterro. E em breve: mais detalhes por aqui.