O artista plástico Fransoufer inaugura amanhã a exposição São Luís, minha eterna São Luís, conforme a ilustra abaixo:
Panorama plástico-poético em exposição na Galeria Hum

13 poetas somam-se a 13 artistas plásticos, ou vice-versa: a poesia atravessando as artes plásticas, ou vice-versa. Um panorama dos últimos 30 anos da produção poética e plástica do Maranhão. Para o poeta Celso Borges, “a ordem é e será a de expandir a língua, alimentar trocas, exercitar o atrito”, conforme afirma no release que recebi por e-mail. Ele, ao lado da marchand Ana Luiza Nascimento, curador da exposição TrezeAtravésTreze, cuja abertura se dá hoje, às 19h, na Galeria Hum (São Francisco), ficando em cartaz até o próximo 31 de janeiro.
Lista completa de poetas e artistas plásticos e maiores informações aqui.
Flores, letras & músicas: um buquê de emoções
As flores de Fernando Mendonça não são de plástico, mas não morrem. Eram o jardim suspenso nas paredes a perfumar nossos olhos – os ouvidos também o seriam, em sequência. Cuidado, flores!, a exposição, preparava o terreno, fértil, como adubo para poesia & música, com que nos depararíamos em instantes.
O poeta Fernando Abreu diz um poema e Nosly, violão em punho, ouve, a plateia pequena, idem. Ao fim, o músico entoa uma versão musicada do texto lido pelo primeiro. Monótono? De jeito nenhum.

Para uma grande dama
Os olhos verdes
da atriz pornô
quando dançam fora de órbita
disparam no céu incolor
lampejos
de uma arte rara
flashbacks
de tragédia grega
e teatro nô
sacerdotisa fast-food
a preferida do imperador
Os olhos verdes
da atriz pornô
são duros como
os olhos da virgem
não cabem
no discurso marginal
sua obra é sua moral:
pura vertigem
Os olhos verdes
da atriz pornô
anulam toda teoria
longe das luzes & ohos vorazes
despem as lentes verdes de contato
e encaram nus a luz do dia.
*

Poema de Fernando Abreu, de seu novo livro, aliado involuntário [Exodus, 2011]. O poema virou música, pelas mãos de Nosly, com quem o poeta divide o palco em Letra & Música, espetáculo poético-musical-plástico com as participações especiais de Lúcia Santos e Fernando Mendonça, que inaugura, na ocasião, a exposição Cuidado, flores!, além de dar uma canja no palco, ele que já assinou projeto gráfico de disco de Nosly (Nave dos sonhos) e, músico bissexto, já musicou coisas de Fabreu. Detalhes no Overmundo e/ou no cartaz abaixo:
Em tempo: o poema que batiza este post não está em Parador, disco novo de Nosly, que traz outra parceria da dupla: Você vai me procurar.
Em tempo 2: ainda escreverei acá sobre aliado involuntário e Parador. Questão de tempo.
Tudo vai ficar da cor que você quiser
O poeta e jornalista Ramon Mello está à frente de uma campanha para arrecadar fundos para a montagem de uma exposição com telas do artista plástico, poeta, romancista etc. Rodrigo de Souza Leão, subido em 2009.
Mello é curador da obra de Leão, que vem sendo (re)lançada pela editora Record. “A cada mergulho em seu universo – seja nos livros, na peça que estou em cartaz, nos vídeos e em tantas outras coisas que ele deixou – reafirmo a minha vontade de tornar a sua criação mais conhecida. Foi com grande surpresa que me dei conta de que em poucos meses de EAV ( Escola de Artes Visuais do Parque Lage), Rodrigo produziu mais de 40 telas, algumas chegando a medir 3 metros, numa impressionante imersão em seu universo de inúmeras vozes e imagens”, conta-nos por e-mail.
O Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro se interessou em expor as telas e poemas de Leão, já tendo agendado a exposição que batiza este post para entre 12 de novembro de 2011 e 15 de janeiro de 2012. Sem patrocínio, Mello está correndo atrás de viabilizar a grana para o projeto, na raça, na cara e na coragem.
No vídeo abaixo ele conta um pouco mais da empreitada:
Para colaborar e saber mais, aqui.
Obituário: Ana Rodrigues
Bom te ver (2005), documentário de Francisco Colombo que abre este post, é o melhor e mais profundo retrato de Ana Rodrigues, atriz e artista plástica falecida na noite de ontem (20), após lutas contra câncer e tumor no cérebro.
Tinha 66 anos. Apesar de aparições em filmes e novelas da TV Globo (lista alguns no curta), além de algumas exposições no currículo, muitos a viam apenas como mais uma “porra-louca”, andarilha ilheu, mais uma na multidão.
Não era. Desbocada, e eis o grande trunfo do filme: deixá-la à vontade, tinha classe, categoria. Era, antes de tudo, autêntica. Não chegava a ser seu amigo, embora a conhecesse. Encontramo-nos algumas vezes no sebo Papiros do Egito, que visito com frequência.
Deixa saudades e uma lacuna enorme nas artes do Maranhão, mais uma vez enlutadas.


