Laborarte: raízes de um ideal

CESAR TEIXEIRA

1974: Josias Sobrinho e Cesar Teixeira faziam uma dupla de violeiros em encenação de “Marémemória”, espetáculo multimídia (antes de a palavra existir) baseado no livro-poema de José Chagas

Fundado oficialmente em 11 de outubro de 1972, o Laborarte completa 40 anos, mas a história da sua criação começa bem antes. A ideia original de formar um coletivo de arte integrada – reunindo teatro, música, dança, artes plásticas, fotografia etc – partiu do Movimento Antroponáutica (1969-1972), até então estruturado em cima da poesia.

Houve uma primeira convocação geral dos artistas de São Luís, em 1970, sem discriminação de tendências estéticas ou ideologia política. Foi um erro. A reunião ocorrida no prédio do Liceu, num domingo, acabou em verdadeiro tumulto, com os antroponautas subindo nas carteiras de uma sala de aula e discutindo entre si.

Uma nova convocação foi realizada em meados de 1972, tendo sido convidados grupos já constituídos e afinados com a proposta, entre eles o Teatro de Férias do Maranhão (TEFEMA), dirigido por Tácito Borralho, e o Grupo Chamató de Danças Populares, sob o comando de Regina Telles. Em uma reunião noturna nas escadarias da Biblioteca Pública (Praça Deodoro) foi decidida a programação cultural para lançar o movimento.

A manifestação seria realizada no auditório daquela biblioteca, cujas escadarias seriam ocupadas por uma exposição de artes plásticas. No auditório haveria performances com teatro, dança e música, culminando com o lançamento do livro Às mãos do dia, do poeta Raimundo Fontenele, que deveria fazer um ácido discurso-manifesto no final das apresentações.

Entre os convidados estaria o Secretário de Educação, Prof. Luiz Rego, que, conforme planejado, deveria ficar sentado num vaso sanitário. No coquetel, em vez de vinho ou guaraná, seriam oferecidos aos presentes penicos de leite e caranguejos vivos. Sem falar que em cada lance de escada que dava acesso ao auditório haveria um boneco de pano enforcado, ali representando o próprio artista marginalizado por um governo conservador.

Nada disso aconteceu, pois a Polícia Federal soube da mirabolante programação e mandou vários agentes para o local.

Houve exposição, teatro, dança e apresentação musical com a participação de Chico Maranhão e Sérgio Habibe, além do lançamento do livro. Mas o discurso ficou preso na garganta do poeta, que teve de prestar depoimento à PF, sendo liberado após intervenção da escritora Arlete Nogueira, então diretora do Departamento de Cultura do Estado.

Contudo, o movimento foi em frente, tendo sido escolhido o nome Laborarte (Laboratório de Expressões Artísticas) quando o grupo já estava instalado no prédio da Rua Jansen Müller, 42, contando ainda com a participação de alguns atores do Grupo Armação, criado por Borralho quando era seminarista em Recife.

A proposta de uma linguagem artística integrada, com identidade própria e respeitando as raízes culturais, portanto, já existia antes e se consolidaria na convergência para o Laborarte, instituído em 11 de outubro de 1972, uma quarta-feira, ocasião em que foi lançado o folheto de poesia mimeografado Os ossos do hospício, de minha autoria.

Naquele lugar se deu uma verdadeira alquimia que ajudou a quebrar alguns tabus e influenciar positivamente as artes no Maranhão. Não só a música ali produzida, mas sobretudo o teatro, apoiado nos estudos de Grotowsky, Artaud, Suassuna, Boal, Stanislavsky e Brecht. Sem esquecer de rezar nas cartilhas de Eduardo Garrido, Bibi Geraldino e Cecílio Sá, teatrólogos de verve popular.

O trabalho do Laborarte rendeu o prêmio de Melhor Plasticidade no Festival Nacional de Teatro Jovem, em Niterói (1972), com Espectrofúria, e o Troféu MEC/ Mambembe, no Rio de Janeiro (1978), com O cavaleiro do destino. Enfim, a entidade fez o dever de casa, e o que começou numa sala de aula vazia acabou virando uma escola.

Infelizmente, não posso relatar mais detalhes da história, porque fui expulso do Laborarte no início de 1975 e não vi de perto o que aconteceria depois. Mesmo assim, ainda contribuí indiretamente escrevendo o Testamento de Judas, impresso em forma de cordel (antes era mimeografado), entre 1990 e 2005, o que provocaria a fúria de muitos “herdeiros”.

[Viajando a trabalho, não cheguei a ir ao Laborarte dia 11, quando estavam previstas diversas atividades pelos festejos de suas quatro décadas; deixo com os poucos mas fieis leitores a memória e a pena afiadas de um de seus fundadores]

400 anos de São Luís: panfletagem constrange Sarney e Cia. na farra das medalhas!

DO VIAS DE FATO

Um grupo de integrantes do Grito dos Excluídos marcou presença e criou um fato político importante na cerimônia promovida pela Assembleia Legislativa do Maranhão, no Centro de Convenções Pedro Neiva de Santana, para homenagear os 400 anos de São Luís. O evento, puxado pelos deputados, foi uma grande patacoada, que tentou juntar muita gente de bem com quadrilheiros e alguns notórios picaretas. Uma noite que, nesta festa do quarto centenário, será conhecida como a farra das medalhas!

O interessante é que o clima de perturbação criado pelo singelo protesto fez com que José Sarney, Roseana e os ministros de Estado Edison Lobão e Gastão Vieira (que estavam no evento entre os 400 homenageados) saíssem pela porta dos fundos, para não cruzar com a panfletagem. Esta informação nos foi passada pelas pessoas que estavam trabalhando no local e confirmada por várias integrantes do cerimonial, que nos contavam um ou outro detalhe do embaraço, sempre com um sorriso maroto. E o bando saiu tão rápido, que nem ficou para o coquetel, que àquela altura, estava inundado pelos panfletos.

Entre os integrantes do protesto estava o poeta Cesar Teixeira, fundador do jornal Vias de Fato, que inclusive, estava na lista dos homenageados. Cesar não quis a homenagem. Ele não foi receber “sua” medalha, indo para o evento de bermuda, ficando fora do auditório, entre os manifestantes.

Logo na abertura da cerimônia, muito “chique”, cercada de pompa e circunstância, a jornalista Dulce Brito secretária de comunicação da Assembleia (ligada a Fernando Sarney), se equilibrando em cima de um salto, tentou impedir a ação política, afirmando que não seria permitida a distribuição do material gráfico. Rapidamente foi acionada a segurança e um tenente coronel da Polícia Militar, com traje de gala e acompanhado de outros militares, tentou pessoalmente recolher os panfletos. Tudo em vão! Os integrantes do Grito se recusaram a entregar, deixando claro ao oficial, que ele teria que prendê-los para impedir a ação que estavam determinados a fazer.

Foi neste clima que começou a cerimônia! De repente, com o falatório já iniciado, ninguém podia mais entrar com bolsa no auditório, pois havia um medo de que elas estivessem cheias de panfletos. Isso acabou criando problemas e houve um convidado, que não tinha nada a ver com a panfletagem, que foi barrado por causa da sua bolsa e acabou armando um barraco na porta do auditório. Diante do tumulto, uns já gritavam: “tem que revistar alguns que estão lá dentro!”.

E assim, enquanto o cínico festejo se desenrolava no auditório, os manifestantes garantiram a possibilidade da panfletagem dentro do Centro de Convenções, sob o forte argumento de que aquele era um local público, a festa era de uma instituição pública e tudo ali estava sendo pago com o dinheiro do contribuinte. E os promotores do evento foram obrigados a ceder, pois não tinham outra opção. Ou permitiam a panfletagem, ou teriam que usar da força, contra um grupo de mulheres e homens que reunia integrantes do Comitê Padre Josimo, das Irmãs de Notre Dame Namur, da União Por Moradia Popular, das CEBS, da CSP Conlutas e do jornal Vias de Fato. O deputado estadual Bira do Pindaré também reforçou o argumento do grupo, ajudando a garantir a panfletagem, que foi feita, exatamente, entre o auditório e o local onde seria servida a bóia, os comes e bebes.

E assim, a verdadeira festa aconteceu! A cidade foi homenageada! Mais de mil panfletos foram distribuídos, diante do sinal positivo de uns, da zanga de outros e do constrangimento de vários. Tudo isso acontecia, enquanto um encurralado José Sarney saía com Roseana e seu grupelho mais próximo pela porta dos fundos. E os manifestantes, de alma lavada e com a certeza do dever cumprido, saíram pela porta da frente, não sem antes, provar do pirão, pago com o dinheiro dos já citados excluídos.

Viva São Luís!

São Luís, 400 anos

(PEQUENO HINO COMPULSÓRIO)

CESAR TEIXEIRA

 

A cidade está em festa,
400 anos de amor.
É amor que nem presta
e uma fome indigesta,
já tomamos Sonrisal e não passou.

São Luís hoje é a glória
da hipocrisia universal.
As muambas da História
e o lixão da memória,
tudo é Patrimônio Cultural.

Cidade dos Azulejos,
espelho do Além Tejo ou de Paris,
Athenas Brasileira do Calvário.
Feliz aniversário, São Luís!

Cidade dos Azulejos,
favelas, sabiás e bem-te-vis,
República do Conto do Vigário.
Feliz aniversário, São Luís!

&

A letra desta marcha chamou-me a atenção no show Shopping Brazil, que Cesar Teixeira apresentou no último 3 de agosto, no Trapiche. Ao lado de São Luís do Maranhão: Corpo e Alma, livro recém lançado pela professora Maria de Lourdes Lauande Lacroix, são, até aqui, as melhores homenagens recebidas pela capital maranhense.

Errata alheia

O escritor José Louzeiro tem sua importância na literatura e cinema brasileiros, algo inegável e indiscutível.

Em Um curta de arrepiar [O Estado do Maranhão, 12 de agosto de 2012, Opinião, p. 5], o autor de Pixote – Infância dos Mortos e Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia, para citar apenas dois clássicos de sua autoria, comenta elogiosamente o filme A Ponte, curta de animação produzido pela Guarnicê Produções e Dupla Criação. Os elogios devem ser merecidos, a julgar pelos nomes envolvidos, listados no artigo pelo missivista, sobre cuja competência não há dúvidas, repita-se.

O maranhense, no entanto, erra ao creditar as músicas Carcará e Flor do Mal, trilha sonora do filme, o erro motivação deste post. Na primeira omite José Cândido, parceiro de João do Vale, corretamente creditado. Na segunda, inventa uma parceria inexistente, atribuindo a autoria a Cesar Teixeira e Papete, quando a composição é apenas do primeiro, tendo sido interpretada pelo segundo em Bandeira de Aço (1978), cuja faixa-título também leva a assinatura solitária de Cesar Teixeira.

Como nosso jornalismo diário não é afeito a erratas e quetais, fica o registro.

Shopping Brazil vai virar DVD

Show de hoje será gravado e imagens irão compor primeiro DVD de Cesar Teixeira, ainda sem data definida de lançamento

Durante o show Shopping Brazil, hoje (3), às 22h, no Trapiche, serão captadas pelo cineasta Frederico Machado imagens para compor o primeiro DVD de Cesar Teixeira. Trata-se, por mais este motivo, de uma apresentação histórica e imperdível.

Ainda sem data prevista de lançamento, anuncia-se um pacote de lançamentos do artista, incluindo DVD, disco novo e a reedição de Shopping Brazil (2004), seu único disco lançado até aqui e há muito esgotado.

Presente no disco, o compromisso do compositor com a defesa dos direitos humanos se fará presente no espetáculo de hoje: a música que lhe empresta o nome trata da questão ambiental, denunciando a situação vivida por quem habita e sobrevive em condições subumanas nos lixões do país. O público poderá doar lixo reciclado, cuja renda será revertida em favor das crianças atendidas pelo Centro Beneficente da Paróquia Nossa Senhora da Glória.

No repertório não faltarão músicas como Bandeira de Aço, Flor do Mal, Boi da Lua e Oração Latina, entre as mais conhecidas, além de inéditas. A apresentação contará com participações especiais do ator Auro Juriciê e do compositor Joãozinho Ribeiro.

Shopping Brazil, o show, tem patrocínio do Banco da Amazônia (BASA) e apoio da Fundação Municipal de Cultura (FUNC), Serviço Social do Comércio (SESC) e Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SESC).

O lixo é nosso!

[Vias de Fato nº. 34, julho/2012]

Cesar Teixeira e banda apresentam Shopping Brazil, show que leva nome do único disco do compositor, lançado em 2004. Espetáculo acontece 3 de agosto, no Trapiche (Ponta d’Areia)

Em abril de 2004, no dia em que o compositor presenteou-me com seu disco autografado

POR ZEMA RIBEIRO

Em 2004 Cesar Teixeira já contava mais de 30 anos de carreira, se considerarmos suas primeiras participações em festivais de música ou em salões de artes plásticas, datadas ainda do fim da década de 1960, com bons resultados em ambas as categorias. Ou mais de 25 anos, se levarmos em conta seus primeiros registros em disco, as músicas Boi da Lua, Flor do Mal e a faixa título do antológico Bandeira de Aço, lançado por Papete em 1978, pela gravadora Marcus Pereira, que trazia também composições de Josias Sobrinho, Ronaldo Mota e Sérgio Habibe – não por acaso a expressão “Compositores do Maranhão” aparecia na capa do vinil sob o nome do intérprete de Bacabal.

Naquele ano – 2004 – Cesar Teixeira lançaria Shopping Brazil, seu disco de estreia – e até aqui seu único gravado. Aos admiradores do compositor nascido no Beco das Minas, coração da Madre Deus, berço de bambas e palco de velha guarda boêmia da capital maranhense, pode ter soado estranho o título do trabalho: ele, tão brasileiro, tão maranhense, estampava a miséria com s de um Brazil com z, batizando o disco com o nome de um templo do consumo e da diversão fácil. O autor prefere as feiras e mercados.

Cesar Teixeira não é artista de obviedades. “Um artista de quitanda/ faz um samba no balcão/ Cesar é vida, César é arte/ Cesar é pura emoção!”, dizia eu na letra de um samba enredo com três títulos, tentativa de abarcar vida e obra do homenageado para o concurso da Favela do Samba que o homenagearia nalgum carnaval, de onde fomos, eu e Gildomar Marinho, autor da melodia, desclassificados na primeira eliminatória. Hino Latino (Oração Favelense) (A Cesar o que é de Cesar) tentava traçar uma espécie de “linha do tempo”, para usar o jargão do Facebook em que o autor de Oração Latina não tem perfil, de seu nascimento até a gravação de Shopping Brazil.

“A minha dor é artista” – Se o título soava estranho é por que precisaríamos desvendá-lo, conhecer melhor artista e sua obra, até ali gravada por diversos outros nomes da música brasileira, entre os quais cabe destacar Alcione, Célia Maria, Chico Maranhão, Chico Saldanha, Cláudio Lima, Cláudio Pinheiro, Cláudio Valente, Dércio Marques, Fátima Passarinho, Flávia Bittencourt, Grupo Fuzarca, Gabriel Melônio, Gerô, Lena Machado, Papete, Rita Ribeiro [hoje Rita  Beneditto] e Rosa Reis, para citar apenas alguns. Não que Cesar Teixeira seja um artista hermético, muito pelo contrário. Mas à época pegar o disco – hoje esgotado – e ler na capa o nome do artista, seu título e ver uma garotinha palafitada segurando uma boneca já nos obrigava a pensar. Na contracapa, uma foto de Márcio Vasconcelos (que assina as fotografias e o projeto gráfico do disco) captava Cesar Teixeira e Faustina, a mona lisa da Praia Grande, como ele batizou-a em samba inédito, entre botas de policiais, numa clara alusão à ditadura militar que tentou persegui-lo – o compositor chegou a ditar outra letra para Bandeira de Aço a um delegado de plantão em um departamento de censura da Polícia Federal; no outro dia, em um show no Teatro Arthur Azevedo, a letra cantada foi a mesma composta, o clássico que conhecemos hoje. A quem interessar possa, a fotografia da contracapa de Shopping Brazil foi publicada no primeiro número da revista Pitomba!, acompanhada da letra de Faustina, Mona Lisa da Praia Grande.

“Ninguém vai ser torturado com vontade de lutar” – “Eu já nasci sem gravata”, canta Cesar na faixa título, que abre seu disco. No texto-manifesto O lixo é nosso!, no encarte, ele dá uma geral no conceito do trabalho, demonstrando mais uma vez o seu compromisso com os direitos humanos, já conhecido dos que conheciam seu trabalho jornalístico e/ou músicas suas gravadas anteriormente, sobretudo Oração Latina, hino de resistência à ditadura militar, originalmente escrita para uma peça de teatro em 1982 e defendida três anos depois por Cláudio Pinheiro e Gabriel Melônio, em que levou o troféu de melhor música do Festival Viva Maranhão de Música Popular. Hoje em dia não há, no Maranhão, ato de trabalhadores e movimentos sociais em que não seja cantada.

Sua atividade jornalística merece detida atenção: formado pela UFMA em 1984, foi editor de Cultura de O Imparcial entre 1986 e 88, assessor de comunicação da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) entre 1989 e 2002, ano em que integrou a equipe que fundou o Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante, então encartado quinzenalmente no Jornal Pequeno, onde escrevia sobre música, cultura popular, teatro e artes plásticas. Uma série de matérias sobre Zé Igarapé, cantador do Boi da Madre Deus, rendeu-lhe prêmio da Fundação Municipal de Cultura; outra, sobre Cristóvão Alô Brasil, outro compositor madredivino, seria compilada e reproduzida anos depois por este Vias de Fato, de que figura como um dos fundadores em 2009.

“Mamãe eu tou com uma vontade louca de ver o dia sair pela boca” – Em meados do ano passado, Cesar Teixeira apresentou, sob a lona do Circo Cultural Nelson Brito, o Circo da Cidade, o show Bandeira de Aço, sucesso de público e crítica. Rara oportunidade de vê-lo em ação fora dos períodos carnavalesco e junino, em que o repertório fica restrito às festividades. Para um artista de raras aparições públicas e com apenas um disco gravado, uma chance do público ver e ouvir, mais que sambas, marchinhas e toadas, toda sua versatilidade, para além da já registrada em Shopping Brazil, que trazia a linguagem do hip-hop, choro, samba, coco, boi de zabumba, xote, baião e até mesmo ladainha cantada em latim, além das participações dos hoje saudosos Antonio Vieira e Dona Teté.

“Meto a mão no bolso e o troco não dá pra embriagar” – A dose será repetida. Cesar Teixeira apresenta Shopping Brazil, o show, 3 de agosto, às 22h, no Trapiche (Ponta d’Areia). No repertório músicas do disco que empresta o título ao show, sucessos da carreira e inéditas. Os ingressos custam R$ 20,00 (R$ 10,00 para estudantes com carteira) e o público pode doar lixo reciclável, que será vendido e a renda revertida em favor das crianças atendidas pelo Centro Beneficente da Paróquia Nossa Senhora da Glória.

“Zema, enfim o lixo vira música”, avisa o autógrafo irreverente em meu exemplar do disco. Se é do “imenso Shopping Brazil” (de novo meu samba enredo desclassificado) que parte da população brasileira tira sua diversão, moda e alimentação, o disco e o show são pirões musicais de farta sustança. Para consumir in natura e reciclar a alma. Divirta-se!

Shopping Brazil tem patrocínio do Banco da Amazônia (BASA) e apoio da Fundação Municipal de Cultura (FUNC), Serviço Social do Comércio (SESC) e Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH).

10 links para Cesar Teixeira

Em contagem regressiva, 10 links para os poucos mas fieis leitores (que convidarão outros muitos para lotar o Trapiche quando do acima) irem se aquecendo.

Discurso de Cesar Teixeira por ocasião de sua premiação com a comenda José Augusto Mochel, do PCdoB, como figura de destacada atuação em prol dos direitos humanos no Maranhão, ano passado.

A foto de Murilo Santos cujo detalhe serve de cabeçalho a este blogue, em que Josias Sobrinho e Cesar Teixeira fazem um par de violeiros em MaréMemória, peça do Laborarte baseada no livro-poema de José Chagas, em maio de 1974.

Antes da MPM, texto de Flávio Reis que viria a integrar seu Guerrilhas [Pitomba!/ Vias de Fato, 2012]; o artigo, originalmente publicado no jornal Vias de Fato, de que Cesar Teixeira é fundador, dá uma panorâmica na produção musical do Maranhão da fundação do Laborarte (1972) aos dias atuais; o compositor fundou também o Laboratório de Expressões Artísticas do Maranhão.

Para entender Cesar Teixeira, comentário de Alberto Jr. sobre Bandeira de Aço, show que o compositor apresentou ano passado no Circo da Cidade, publicado no jornal O Estado do Maranhão.

Caricatura de Salomão Jr. que enfeitou o texto acima.

Bandeira de Aço e êxtase, comentário deste blogueiro sobre o mesmo show.

A entrevista que Cesar Teixeira concedeu a Ricarte Almeida Santos e este blogueiro, no Chorinhos e Chorões (Rádio Universidade FM, 106,9MHz), antes do show de ano passado. Em quatro blocos, o programa traz amostra chorística da obra do compositor, em interpretações próprias e de grandes nomes da música brasileira.

Bandeira de aço, eterna, texto deste blogueiro que saiu no Vias de Fato de julho do ano passado, divulgando o show. Um ano depois, outro texto nosso sobre o show de 3 de agosto; o jornal chega às bancas e assinantes este fim de semana.

Cinco poemas de Cesar Teixeira publicados em um livro do poeta Herberth de Jesus Santos, o Betinho.

Hino latino (Oração favelense) (A Cesar o que é de Cesar), samba-enredo com três títulos, meu (letra) e de Gildomar Marinho (música), com que participamos (e fomos desclassificados na primeira eliminatória) do concurso da Favela do Samba quando a escola de samba ludovicense homenagearia o compositor.

Arte pela arte

Longe do descompromisso: Chico Saldanha e Josias Sobrinho fazem show hoje, no Chico Discos, em prol da próxima empreitada do Papoético.

 

Chico Saldanha e Josias Sobrinho voltam a subir juntos em um palco hoje (7), acompanhados de Marcão (violão e cavaquinho), Mauro Travincas (contrabaixo) e Jeca Jecowisky (percussão). Depois de pouco mais de mês da estreia do show DoBrado ResSonante em Brasília/DF, o espetáculo poderá finalmente ser conferido pelos ludovicenses. Os artistas já haviam se apresentado juntos em São três léguas, outros bois e muito mais, de 1999, e Noel, Rosa secular, que teve edições em 2010 e 2011, ocasião em que homenagearam o Poeta da Vila ao lado de Cesar Teixeira e Joãozinho Ribeiro.

Na capital federal foram duas apresentações. Aqui não há anúncio, ao menos por enquanto, de um bis, embora o Chico Discos, bar que abrigará o show de hoje, comporte confortavelmente apenas cerca de 60 pessoas, plateia certamente menor do que merecem os autores de clássicos como Terra de Noel e Linha puída, Josias e Chico, respectivamente.

Mas a causa é boa: a ideia inicial era angariar fundos para o I Festival de Poesia do Papoético, que após muita ralação de Paulo Melo Sousa, o Paulão, seu idealizador, e do envolvimento de mais alguns teimosos e de doações de amigos e simpatizantes, conseguiu se pagar. DoBrado ResSonante, no entanto, continua sendo um show beneficente, em prol da arte: o valor arrecadado com os ingressos vendidos para a noite de hoje será revertido para a premiação do I Concurso de Fotopoesia do Papoético, cujo regulamento será publicado em breve (aqui neste blogue). A premiação deve acontecer em setembro, mês de comemoração dos controversos 400 anos de São Luís.

Sobrinho e Saldanha estão no cenário musical desde a década de 1970. O primeiro integrou a trupe do Laborarte, o segundo correu por fora, tendo ambos participado de festivais de música desde então. Ambos estrearam em disco na década seguinte, o primeiro no rastro do reconhecimento proporcionado pela gravação de Papete para quatro músicas suas no antológico Bandeira de aço [Discos Marcus Pereira, 1978] – De Cajari p’ra capital, Dente de ouro, Engenho de flores e Catirina –, o segundo fazendo de sua Itamirim clássico imediato e retumbante, na interpretação arrebatadora de Tião Carvalho em seu disco de estreia [Chico Saldanha, 1988].

Seus discos mais recentes são Dente de ouro (2005), de Josias, e Emaranhado (2007), de Saldanha. Ambos completamente autorais, o primeiro uma mescla de grandes sucessos e músicas inéditas, com participações especiais de César Nascimento, Papete, Lenita Pinheiro (sua esposa) e Zeca Baleiro; o segundo, quase completamente inédito, a exceção é Linha puída, gravada num arranjo diverso do bumba meu boi que é originalmente, com a participação de Lenita Pinheiro. Josias, ao lado de Gerude e Inaldo Bartolomeu, canta com Saldanha em É tudo verdade, onde este conta em versos a história de seu Mário Mentira, como era conhecido um morador da Rua de São Pantaleão de sua infância e adolescência. Zeca Baleiro, diretor musical em algumas faixas, canta na faixa-título, moderno boi de zabumba.

Algumas músicas de Dente de ouro e Emaranhado estão no repertório de DoBrado ResSonante, que se completa com músicas inéditas de Josias Sobrinho e Chico Saldanha, além de releituras de conterrâneos como Cesar Teixeira [Botequim] e Zeca Baleiro [Babylon], entre outros.

Fito bem podia ser sigla de Fábrica de Invenção de Tom Zé

[antes, dois avisos: um: isso não é jornalismo; e outro: o blogueiro viajou às próprias expensas]

A plateia cantou junto o show inteiro. No repertório, várias fases da carreira

Há coisa de 10 anos, eu, menino recém-entrado na boemia, assisti a um maravilhoso show de Tom Zé no Circo da Cidade, em São Luís. A abertura ficou por conta de Cesar Teixeira e na plateia, lotada, estava o saudoso Mestre Antonio Vieira, cuja obra o baiano elogiaria durante o show.

Passei o espetáculo inteiro entre assisti-lo e conversar com dona Neusa Santana Martins, esposa e memória do gênio de Irará. Lembro que, ao saber de sua apresentação na Ilha, fiz contato com o escritório do tropicalista em São Paulo e consegui comprar alguns discos que me faltavam na coleção.

Eufórico, furei a fila dos autógrafos, levado por dona Neusa: apertei a mão da banda inteira, abracei Tom Zé, lembrei de Caetano Veloso, em seu Verdade Tropical, escrevendo algo sobre o brilho dos olhos daquele homem miúdo na estatura, gigante no que faz – pude comprová-lo pessoalmente. Peguei autógrafo em Jogos de armar – Faça você mesmo, então seu disco mais novo, cuja turnê chegava ali por 2002 ou 3 em São Luís. Algum fotógrafo, no camarim, fez um retrato nosso, eu, o fã, e Tom Zé, o ídolo – jornalismo era algo em que eu apenas engatinhava ainda e, como não ia resenhar o show, não primei pelo “distanciamento”. Na ocasião eu era tiete mesmo. O fotógrafo pegou meu telefone. Deveria me cobrar no trabalho, dias depois, e entregar a foto. Nunca cobrou. Nunca vi a foto (se ela existir e o fotógrafo por acaso estiver lendo isto aqui, ainda estou disposto a pagar).

10 anos depois ou quase isso, estou a passeio em Curitiba e, conhecendo a urbe num ônibus de turismo, próprio para tal, descemos, eu e minha esposa, no Museu Oscar Niemeyer, também conhecido como Museu do Olho, por causa de uma das formas extravagantes da arquitetura do gênio centenário e damos de cara com a programação do Fito, o Festival Internacional de Teatro de Objetos, invenção do Sesi.

O público era enorme em uma área montada ao lado do museu, com várias salas onde aconteciam os espetáculos, em que, pelos anúncios que vimos espalhados pela cidade, um saca-rolhas se transformava em uma bailarina, uma chaleira vermelha virava uma senhora irada e assim sucessivamente. Éramos turistas, minha esposa já havia concluído as obrigações de trabalho que a haviam levado à capital paranaense e agora curtíamos a cidade. Adentrando o recinto do Fito, Naná Vasconcelos encerrava um show e um locutor anunciava outras atrações. A última do dia (sábado, 26) seria Tom Zé. Em meio ao “teatro de objetos”, ele era anunciado como “música/contramúsica”, eu leria depois, no programa. “Vamos terminar o passeio e voltar para cá”, decidi sozinho pelo casal. A jardineira, um ônibus aberto que de meia em meia hora circula por nem lembro quantos pontos turísticos curitibanos, ainda nos levaria à Ópera de Arame e Pedreira Paulo Leminski – o poeta mereceria um capítulo à parte, que talvez eu escreva por aqui em breve – e em Santa Felicidade, onde degustamos lasanha e vinho artesanal deliciosos. Antes, já havíamos passado pelo Passeio Público.

Niemeyer sempre me interessa, mas, qual “os barzinhos do Largo da Ordem”, o Museu Oscar Niemeyer estava entre as dicas do amigo Ademir Assunção. “Grande Ademir!”, eu repetia enquanto passeávamos, por lá, na noite anterior, entre bonitos botecos como o Bar do Alemão e o Sal Grosso. Ali ainda voltaríamos no domingo, para comprar lembranças para as sobrinhas e uns poucos parentes, a grana era curta. “Só nós mesmo para fazermos turismo assim”, eu dizia. Felisos. Lisos, mas felizes.

Tom Zé apresentou um show bastante interessante, passeando por diversas fases da carreira: músicas compostas no período da ditadura militar, como Todos os olhos (primeiro verso: “de vez em quando todos os olhos se voltam pra mim”; último verso: “eu sou inocente”) e Augusta, Angélica e Consolação aos estudos de samba, Hein?, e pagode, O amor é um rock e ElaEu – esta, abriu o show e foi repetida no meio, a pedido de uma fã mais próxima ao palco. Em Menina, amanhã de manhã, ele lembrou, generoso mas não modesto, da gravação de Mônica Salmaso, talvez definitiva, para a canção. “Eu sou a Mônica, ele é o Salmaso”, disse apontando para Jarbas Mariz, com quem dividiu os vocais, “uma dupla caipira”, prosseguiu, “menina amanhã de manhã quando a gente acordar quero te dizer que a felicidade vai desabar sobre os homens”.

O baiano ri e faz rir, conta histórias, diverte-se divertindo. Tira sons percussivos de agogôs e esmeris – com as luzes apagadas, as faíscas-estilhaços iluminam aquela espécie de galpão, completamente lotado. Em O jingle do disco, faixa pouco conhecida de The hips of tradition, do período de sua redescoberta a partir do interesse de David Byrne por sua música na década de 1990, ele exibe réplicas de vinis, cujos cds eram vendidos por dona Neusa, além de esposa e memória, assistente, secretária, produtora, empresária e quantos ofícios ela puder dar conta, sempre simpática.

Cumprimentei-a, antes do show, comprei dois discos que ainda não tinha. Depois acompanhei, cantando, grande parte do show, gratuito. Em Xique-xique foi até possível arriscar uns passinhos de dança, ou balançar o corpo cansado, algo próximo de, o que o espaço permitia, talvez nem dois pra lá, dois pra cá, no galpão entupido de adultos e crianças, remanescentes da programação que teve início à tarde. No bis, 2001, “parceria com Rita Lee”, com a plateia cantando junto, Jimmy renda-se e Moeda falsa: Tom Zé, que já havia tirado onda com os curitibanos, mudou a letra, lembrando-se das colônias germânicas e europeias em geral que ajudaram a formar e ainda habitam a cidade. O show não terminaria com o “eles vão tomar no fiofó”, verso final de Moeda falsa. Educado, “Mister Tom Zí” – a pronúncia de seu nome pelos americanos que o (re)descobririam há algum tempo – agradeceria o carinho dos paranaenses que tão atentamente prestaram atenção em sua música e performance. Aliás, que fique o registro: não é qualquer um que faz aquilo aos quase 80. Muito pulo e jogo de perna que eu, aos 30, não arrisco.

Do Maranhão, estando ali por mera sorte, senti-me contemplado nos agradecimentos. Depois de mais ou menos hora e meia de show preferi não enfrentar a fila do camarim e arriscar finalmente ter minha foto com Tom Zé, embora tenha anunciado a vontade à dona Neusa, antes dele subir ao palco. Mas era preciso acordar cedo no domingo, data em que estava marcado nosso retorno à São Luís: no espaço de tempo que ainda sobrava, ainda havia turismo a fazer.

De Cajari p’ra Capital Federal

(OU: EMARANHADO EM BRASÍLIA)

Ali pelo final dos anos noventa, início dos zero zero, eu ‘tava começando na boemia e perdi o antológico São três léguas, outros bois e muito mais, show que reunia, no mesmo palco, o do Circo da Cidade, os compositores Chico Saldanha e Josias Sobrinho, cuja obra eu já conhecia.

Do segundo, sobretudo as quatro músicas incluídas em Bandeira de Aço (1978), clássico absoluto de Papete – De Cajari p’ra capital, Engenho de flores, Dente de ouro e Catirina; do primeiro, principalmente Itamirim, imortalizada em seu disco de estreia, Chico Saldanha (1988), por Tião Carvalho. A música, que quase fica de fora, fez tanto sucesso que Saldanha colocou a mesma faixa, de bônus, em Celebração (1998) – é de Morena de Itamirim, uma das faixas do disco, aliás, o verso-título do show.

Tempos depois eu assistiria a vários, muitos shows dos dois, separados, juntos ou em bandos, caso do premiado Noel, Rosa Secular, homenagem ao centenário de Noel Rosa que arrebatou o troféu de melhor show no Prêmio Universidade FM do ano passado, que além deles levava ao palco ainda Cesar Teixeira e Joãozinho Ribeiro, mais as participações especiais de Célia Maria, Lena Machado, Lenita Pinheiro e Léo Spirro.

Com o título DoBrado ResSonante, Josias e Saldanha voltam a se encontrar, desta vez em Brasília/DF, acompanhados de Marcão (violão e cavaquinho), Mauro Travincas (contrabaixo) e Carlos Pial (percussão). O show acontece em dose dupla: amanhã (14), no Feitiço Mineiro (CLN 306, Bloco B, Lojas 45/51, (61) 3272-3032); quarta-feira (18), no Espaço Cultural Silvino Filho/ Nosso Mar (CLN 115 – Bloco B – lojas 3,77, (61) 3349-6556), sempre às 22h – no segundo show a dupla conta com a participação especial de Erasmo Dibell. A produção não informou o valor do ingresso, mas custe o que custar, vale a pena.

Dente de ouro (2005), de Josias, e Emaranhado (2007), de Saldanha, seus discos mais recentes, estarão à venda nos shows.

Mais Cesar Teixeira

A HORA DOS ANGELUS

CESAR TEIXEIRA

Ouçam! Ouçam a voz do tempo!

Sinistros navios piratas invadiram a ilha de Tupã com seus brasões, arcabuzes e espadas para o vernissage de uma nova França. Porém a arma mais desumana foi a cruz erguida em nome de Jesus sobre o sangue Tupinambá. Oh, desgraça! Oh, infâmia! Ainda hoje os filhos de Maria continuam sendo assassinados na Terra Prometida que lhes servirá de túmulo…Do pó para o pó! Desde então, todos os dias o cadáver de Cristo é arrastado para o Calvário do Itaqui tendo cravos de ferros nas mãos e nos pés. Embarcando, atravessa o Aqueronte para ser vendido nos sujos mercados colonialistas.

Misericórdia! Misericórdia!

Há 400 anos os galos cantam Misericórdia, mas as feridas continuam abertas. Úlceras da fome e do abandono se alastram pela madrugada Como um grito de tambor execrado pelos ouvidos surdos de políticos e autoridades. Autoridades de latrina! Urubus! Por que festejar o patrimônio desumano da miséria e do luto na Hora do Angelus, quando os sinos da anunciação pedem liberdade? Cidadãos de São Luís! Os fariseus vestidos de cordeiros são os mesmos ladrões que assaltam palafitados e jantam suas vísceras no Congresso Nacional. Não vos deixeis cair na tentação do bolo confeitado da infâmia, com suas velas de sangue e de breu. A faca está nas mãos de Lúcifer e as fatias serão negociadas entre os porcos da corte. Quem de vós irá comer desse bolo de aniversário?

Cristo Ressuscitará? Cristo Ressuscitará?

Siiiiiim! Cidadãos de São Luís…É chegada a hora! A hora de libertar Anjos e Lázaros Massacrados por políticas públicas de mentira! Fortalecei a trincheira contra a corrupção e o tráfico de almas! Basta! São 400 anos de miséria, de injustiça, de mãos implorando: Esmola pelo amor de Deus! Mas Deus também está sendo vendido no mercado negro das multinacionais que fabricam miséria e cobram dízimos dos crucificados pela fome. Cidadãos de São Luís, é chegada a hora do Anjo Rebelde! A mensagem revolucionária do filho de Deus já está em nossos corações. Ora pro nobis; Sancta Dei Genetrix…

Hoje o Verbo da Liberdade se fará carne!

[Por ocasião da Via Sacra. Roubei do Vias de Fato]

Sim, eu compro livros pela capa

PREFÁCIO

Desconhecido, como se fosse um dos seus próprios personagens, Lucas Baldez voltou ao Beco das Minas para reviver as histórias de Fofi, Sabiá, e Mário Jumenta. Chegou a jogar no Graça Aranha Esporte Clube, mas somente depois de pendurar as chuteiras descobriu a sua nova vocação: a literatura. E depois de ganhar o Prêmio Graça Aranha, no Concuro Literário Cidade de São Luís, em 1980 com o conto “O Torcedor”, resolveu juntar seus contos, novos e velhos, e publicar este volume. O seu maior mérito, entretanto, foi ter penetrado no perigoso caminho da literatura com a disposição de quem já sabia pisar os espinhos da Fonte do Bispo, da Quinta do Barão, e do Apicum (onde já pernoitava o velho Erasmo Dias), mas, na verdade apenas começou a vislumbrar a sua trajetória.

Dostoiévski nos diz que “as pessoas vulgares são, em todos os momentos, a chave e o ponto essencial na corrente de assuntos humanos”, e assim são os personagens de Lucas Baldez. Note-se que aqui a palavra “vulgar” não é um termo pejorativo, pois serve para designar o homem comum, o homem simples e anônimo. E é utilizando a linguagem popular que Lucas Baldez consegue driblar as regras da Gramática em favor de uma melhor comunicação com o leitor. Por este motivo, “A Outra Face da Ilha” torna-se um livro agradável, e mais facilmente coloca em questão a problemática social do nosso povo, valorizando cada personagem em seu próprio tempo e espaço. Personagens que lutam para sobreviver nesta ilha universal onde os ditadores bebem o sangue de suas vítimas.

Cesar Teixeira

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Cesar Teixeira escreveu o prefácio de A outra face da ilha (1981) e fez sua capa e ilustrações, bem como a capa de O estranho caso do inditoso Francisco Sotero (1989), do mesmo autor, imagens que abrem-ilustram este post. Os livros, que ainda não li, encontrei-os ontem, à cata de outros, no sebo Papiros do Egito (Rua Sete de Setembro, 150, Centro, (98) 3231-0910).

Às mutucas de Cesar Teixeira

Qualquer glossário do bumba meu boi deve traduzir o termo “mutuca” por quem segue fielmente determinado grupamento. É constante ouvirmos, por exemplo, que “fulana é mutuca do boi da Maioba” ou “beltrana é mutuca do boi de Maracanã”.

Mas por que falar em uma manifestação tipicamente junina justo durante o reinado de momo? Por que Cesar Teixeira (foto) é daqueles artistas que têm repertório para o ano inteiro. Não é algo fabricado, pessoa física ou jurídica que se cria (e/ou se faz artista) apenas para catar cachês de secretarias e fundações: ele está acima disso tudo, dono de uma obra autêntica, como poucos.

Mas é carnaval e às suas mutucas, este blogueiro incluso, cabe apenas avisar de sua agenda para o período: hoje (17), às 18h, na Praça Nauro Machado; amanhã (18), às 19h, no Ceprama; domingo (19), às 19h, na Praça Deodoro; e segunda-feira (20), às 23h, no Ceprama.

A Besta Fera: uma homenagem a Maria Aragão no seu aniversário de 102 anos de nascimento

A médica e militante comunista Maria Aragão...

A médica maranhense Maria José Aragão será homenageada nesta sexta-feira, 10 de fevereiro, pela passagem dos seus 102 anos de nascimento, com a reapresentação do monólogo A Besta Fera: Uma Biografia Cênica de Maria Aragão, às 18h, no Auditório do Memorial Maria Aragão (na praça homônima), interpretado pela atriz maranhense Maria Ethel, do Grupo Xama Teatro, com direção de Gisele Vasconcelos e trilha sonora de Cesar Teixeira. A entrada é gratuita.

Segundo o grupo, o espetáculo resgata a história de Maria José Camargo Aragão (1910-1991) em meio à pobreza extrema. “Em busca da superação da fome, do preconceito, da agressão e na perseguição do sonho de libertar a humanidade, através da conquista de uma profissão, a medicina, Maria Aragão entrega-se, apaixonadamente, às causas sociais, lutando por uma sociedade justa e igualitária”.

O evento é organizado pelo Instituto Maria Aragão (IMA), que também estará completando 11 anos de atividades. Conforme a psiquiatra Ironildes Vanderlei, vice-presidente da entidade, não houve um só episódio importante na história política contemporânea do Maranhão que não contasse com a presença de Maria Aragão.

“Desde a greve de 1951, passando pelas manifestações dos estudantes, dos camponeses, dos operários, dos médicos, das mulheres, dos professores e pelas mobilizações visando à anistia e as eleições diretas, apenas para citar algumas, a figura dela se fez presente”, comenta Ironildes.

Além de ser o principal responsável pela existência do Memorial Maria Aragão, na praça que também leva seu nome, o IMA desde 2001 organiza semanas politico-culturais em torno de Maria Aragão, tendo trazido para São Luís ilustres figuras do mundo político e cultural brasileiro, como o cineasta Silvio Tendler, Clara Charf (viúva de Carlos Marighella), e Luís Carlos Prestes Filho.

Em fevereiro do ano passado Tendler retornou a São Luís para o lançamento do seu filme Utopia e Barbárie, como parte da programação da 3ª. Semana Político-Cultural do IMA.

... será interpretada pela atriz Maria Ethel em A Besta Fera

A homenagem desta sexta-feira marca ainda a passagem por São Luís da atriz Maria Ethel, atualmente radicada no Rio de Janeiro. Em 2009, ela foi escolhida como Melhor Atriz pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado do Maranhão (SATED/MA) por sua atuação em A Besta Fera, que também conquistou o prêmio de Melhor Espetáculo.

(As informações são da assessoria do espetáculo)

Gildomar Marinho se apresenta em Brasília

BRASÍLIA – Maranhense radicado em Fortaleza/CE, o cantor e compositor Gildomar Marinho se apresenta hoje em Brasília/DF.

A “noite do Maranhão”, como está sendo chamada, terá apresentação do músico, acompanhado de Carlos Pial (percussão) e Rui Mário (sanfona).

No repertório, o trio apresentará canções dos dois discos de Gildomar, Olho de Boi (2009) e Pedra de Cantaria (2010), além de sucessos do cancioneiro do Maranhão: nomes como Cesar Teixeira, João do Vale e Josias Sobrinho.

A apresentação de Gildomar terá início às 21h e integra a programação cultural do Encontro Brasileiro dos Programas de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, que acontece até sexta-feira (10) no Centro de Convenções Israel Pinheiro (Ql 29, Lago Sul, Brasília/DF).