Siba comandou baile de encerramento do BR135. Foto: ZR (12/12/2015)
Escalado para fechar a programação do BR135, o pernambucano Siba brindou o público ludovicense quase que exclusivamente com o repertório de De baile solto, seu novo e ótimo disco, passeando aqui e acolá, por outros títulos de sua carreira (todos disponíveis para download legal e gratuito em seu site).
O ex-Mestre Ambrósio abriu o show com a faixa-título do novo trabalho. Aliás, Mestre Nico (percussão) anunciou o tema instrumental, a demonstrar o peso da formação de sua banda. Com atitude roqueira ao empunhar sua guitarra, Siba canta acompanhado de bateria, percussão e tuba, com repertório calcado em gêneros da cultura popular de Pernambuco: o maracatu de baque solto com que trocadilha o nome do disco novo, a ciranda, o frevo e a marcha, entre outros. Seguiu-se Trincheira da Fuloresta, lembrando a Fuloresta do Samba, outro grupo integrado por Siba, formado por músicos populares de Nazaré da Mata, pequeno município da Zona da Mata pernambucana.
Depois veio Marcha macia, uma resposta de Siba à tentativa da burocracia estatal, em Pernambuco, de acabar com a tradição de os maracatus amanhecerem tocando: “Vossa excelência, nossas felicitações/ É muito avanço, viva as instituições!/ Melhor ainda com retorno de milhões/ Meu Deus do céu, quem é que não queria?/ Só um detalhe quase insignificante/ Embora o plano seja muito edificante/ Tem sempre a chance de alguma estrela irritante/ Amanhecer irradiando o dia”, diz a letra. O tema voltaria à baila, como veremos adiante.
Duetando com Mestre Nico, Siba mandou a real sobre as desigualdades sociais que ainda assolam o país em Quem e ninguém: “Quem tem dinheiro controla/ Radar, satélite e antena/ Palco, palanque e arena/ Onde quem não tem rebola/ Quem tem fornece a bitola/ Onde quem não tem se mede”, um direto na cara de qualquer hipocrisia.
Música dos tempos de Mestre Ambrósio, Gavião ganhou novo arranjo em De baile solto. Três desenhos e Mel tamarindo precederam a pergunta “topam entrar num carnaval?”, com que Siba anunciou A jarra e a aranha, com seu refrão trava-língua, e A bagaceira (de Avante). O público pulava e circulava pela Nauro Machado num grande trenzinho. A multidão presente à praça, tornada um grande baile (solto) de carnaval a céu aberto, fez valer os versos: “pode acabar-se o mundo/ vou brincar meu carnaval”.
A velha da capa preta tornou a passear pela Fuloresta, antes de Siba mandar Meu balão vai voar, faixa que encerra De baile solto que, por pouco, não encerra também o show. Depois dela seguiu-se Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar, do disco homônimo. Siba já sabia que não haveria bis e anunciou isso para a plateia. Não por falta de vontade sua: uma determinação ridícula – desconhecida por este blogue – impede que shows musicais passem de 1h da manhã na Praia Grande (ou em São Luís?). A produção já estava com as barbas de molho depois que a polícia tentou não deixar Curumin terminar seu show na noite anterior.
Faltava pouco para o limite e Siba tornou a entregar o comando do palco a Mestre Nico, que conduziu uma aula de balé popular para a multidão. Pouco depois, citou o exemplo de Recife e as tentativas de proibição de os maracatus amanhecerem tocando, como é tradição. Faltando sete minutos para 1h, emendou um repente que duraria até o fim do show, encerrando-o em grande estilo: “pessoal, muito obrigado/ o show já vai terminar/ outro dia eu volto aqui/ sem ter hora pra acabar”, improvisou. E entre muitos outros versos não guardados pela memória deste cronista, anunciou: “vou ficar em São Luís/ visitar Maracanã/ meu prato de juçara/ vai ser café da manhã”.
Chequei o relógio, que marcava 1h01. É preciso respeitar as regras, mas nem tanto. O exemplo dos maracatus de Recife e os versos de Marcha macia tornaram a me martelar o juízo: “não custa nada se ajustar às condições/ estes senhores devem ter suas razões/ além do mais eles comandam multidões/ quem para o passo de uma maioria?”
Que Curumin é um músico que sabe o que fazer no estúdio já estamos cansados de saber e seus três discos são a prova disso. Em Achados e perdidos (2003), JapanPopShow (2008) e Arrocha (2012), ele compõe, canta, toca, sampleia e reinventa a música pop(ular) produzida no Brasil.
Que Curumin sabe o que fazer no palco, o show dele ontem (11), na programação do Festival BR135, sua primeira vez em São Luís, não deixou a menor dúvida. Pilotando bateria e samples, trajando calça vermelha, chapéu e uma camisa quase nas cores do Sampaio Corrêa (o laranja predominava, em vez do vermelho), o artista estava escoltado pelos Aipins José Nigro (contrabaixo e samples) e Lucas Martins (guitarra e samples), “uma banda que tá há muito tempo tocando junta”, como revelou em entrevista ao Homem de vícios antigos.
Curumin canta, toca, programa, protesta, improvisa, não se dá descanso ao longo de toda a apresentação, em que emenda uma música na outra, como se fosse uma máquina de fazer música – embora não o faça mecanicamente e o prazer em tocar, e particularmente em tocar em São Luís, era perceptível. Não há vazios em sua música – ou nas poucas alheias que interpreta. É de um vigor impressionante.
Começou por Vestido de prata (Jorge Alfredo Guimarães), sucesso do novo-baiano Paulinho Boca de Cantor, regravada por ele no disco mais recente. Com quase uma década, Mal estar card atualiza o momento político cretino que o Brasil atravessa. Samba Japa traduzia o sentimento dos que lotaram a praça: na música, a menina sonhou e sambou ali, “no meio da rua na Avenida Central ela não podia parar”; os que estávamos na Praça Nauro Machado também não.
O refrão de Compacto foi cantado pela plateia, em resposta aos “Eu só quero ouvir” de Curumin. Seguiram-se Passarinho, de Russo Passapusso, Selvage e Afoxoque, com o trio esbanjando versatilidade, habilidade e alegria, esta última entrecortada pela caixa de música que abre Salto no vácuo com joelhada (que ele não cantou), preenchida por rimas improvisadas contra “a polícia que trata todo estudante como maconheiro” e a corrupção na política – não disse, mas certamente se referia à São Paulo e a guerra travada pelo governo Alckmin contra estudantes ocupando escolas para mantê-las abertas, contra projeto de “reorganização” do governador.
Mistério Stereo foi dedicada às pessoas que ainda amam, “são poucas”, disse. Vem, menina foi a única música de Achados e perdidos que compareceu ao repertório. Ao vivo, o bloco final ganhou em peso. Em Kyoto o protesto voltou à baila, contra as elites que querem decidir o destino dos menos favorecidos; em Caixa preta Zé Nigro enfiou de incidental trechos de Kátia Flávia, a godiva do Irajá, de Fausto Fawcett; Magrela fever tornou a praça uma grande festa em clube de carnaval, com direito a trenzinho e tudo.
Sabe-se lá se a polícia local tomou para si os protestos de Curumin, mas, diante das ameaças de tomarem o palco e acabar com o show na marra, após negociações com a produção, não coube bis. Policiais alegavam ter o show extrapolado o horário – o que se fosse o caso, mereceria uma honrosa exceção.
Incansável, Curumin fez quase duas horas de um show impecável, um apanhado do melhor de sua carreira. Certamente teria pique para mais, ao menos o bis, mas nem isso tirou o brilho da noite e, particularmente de sua apresentação, que ficará por muito tempo na memória dos que presenciaram esse momento grandioso e raro.
Com três discos na bagagem, o cantor, compositor e multi-instrumentista Curumin é um dos mais interessantes artistas da música brasileira surgidos nos anos zero zero. Além dos discos solo – Achados e perdidos (2003), JapanPopShow (2008) e Arrocha (2012) – é nome fácil em fichas técnicas de discos de artistas diversos.
Arrocha. Capa. Reprodução
Pilotando bateria, percussão, guitarra e/ou contrabaixo, para citar apenas a cozinha básica – a lista de instrumentos que toca é enorme – lá está Curumin, titular dos times de, entre outros, Arnaldo Antunes (Disco, Ao vivo lá em casa, Iê iê iê), Marcelo Jeneci (seu companheiro na banda do ex-Titãs, Feito pra acabar), Céu (Vagarosa), Itamar Assumpção (o póstumo Maldito vírgula), Lucas Santtana (Sem nostalgia), Rodrigo Campos (São Mateus não é um lugar assim tão longe), Rômulo Fróes (Cão, No chão sem o chão), Russo Passapusso (Paraíso da miragem), Walter Franco (Tutano), Zélia Duncan (Pelo sabor do gesto) e Anelis Assumpção (Anelis Assumpção e os Amigos Imaginários), com quem é casado.
Esse trânsito intenso torna impossível rotular a música deste descendente de espanhóis e japoneses com nome artístico indígena. Sua obra agrega elementos de samba, funk, forró, hip hop, afoxé, reggae, eletrônica e mais um rosário de referências. Seus discos são, ao mesmo tempo, dançantes e inteligentes, com letras por vezes fazendo denúncia social – Caixa preta aborda as relações entre mídia e os outros poderes e Mal estar card trocadilha a exclusão social, para ficarmos apenas nestes exemplos.
Curumin se apresenta pela primeira vez em São Luís amanhã (11), de graça, na Praça Nauro Machado (Praia Grande), na programação do Festival BR135, que acontece de hoje (10) a sábado (12). Arnaldo Antunes (que se apresenta hoje na noite de abertura), Siba (na de encerramento) e Orquestra Brasileira de Música Jamaicana são alguns dos outros nomes da grade – veja programação completa no site.
Às vésperas de baixar na Ilha, Curumin conversou com o Homem de vícios antigos.
Foto: Mauro Frasson/ Agência Fiep
Quais as expectativas para esta sua primeira apresentação em São Luís?
As minhas expectativas são as melhores. Eu conheço São Luís, eu sei que é um lugar único no Brasil, com uma mistura, uma cultura ímpar que só tem aí, e também a gente vai chegar aí com um show muito trabalhado, na ponta dos cascos, que a gente já tocou bastante, já rodou o Brasil todo, pelo mundo, é uma banda que tá há muito tempo tocando junta, então tá soando bem natural, bem tranquilo.
O que você conhece da música popular produzida no Maranhão? Destacaria algum nome?
Sinceramente não lembrava de nenhum nome e vim pesquisar com a certeza que conhecia algo daí, mas não sabia que era daí, como por exemplo, João do Vale, Nonato e Seu Conjunto, que são duas referências antigas e de sons únicos. João do Vale tem um disco maravilhoso, O poeta do povo, enfim, um som muito importante para a música popular brasileira. E além disso também os sons novos, da Rita Ribeiro [hoje Benneditto], Zeca Baleiro, Tânia Maria, não tão nova, Tião Carvalho, e toda tradição de reggae que tem aí. Então, eu sei que é um lugar muito prolífico, que respira uma cultura, como eu já disse, única. Eu tenho certeza que tem muita música aí, o tambor de crioula e todas as manifestações, a [Casa] Fanti-Ashanti também, enfim.
Em Arrocha, seu mais recente disco, você regravou Vestido de prata, de Paulinho Boca de Cantor. Em algum sentido, uma espécie de liquidificador fundindo sonoridades aproxima você da trupe, como se seu som fosse uma atualização, possivelmente o que eles estariam fazendo hoje, caso estivessem na ativa enquanto grupo. Em que medida os Novos Baianos são uma referência?
Os Novos Baianos são uma referência, sem dúvida. Eu acho que eles tinham uma coisa, uma proposta mesmo ousada para a época, à frente, tentando ver lá pra frente, tentando chutar regras antigas, tentando inovar, procurando coisas novas, misturas, que falassem a respeito da vida deles. Com certeza eu acho que os Novos Baianos são uma referência, eu escutei muito e tive aquilo muito como influência pra mim.
Você é casado com Anelis Assumpção, filha de Itamar Assumpção e sua herdeira musical. Você já o admirava? Qual a importância e o lugar em que você o coloca? É também uma referência importante?
Com certeza eu já admirava o Itamar, mas estando aqui com a Anelis eu pude admirar cada vez mais, todas as histórias que eu fui ouvindo, e todo o amor que existia em torno dele, e que ele criou na vida dele, e também a história maravilhosa, [corrige-se] quer dizer, maravilhosa, uma história difícil, mas por isso mesmo, talvez, gloriosa, de ter nadado contra o sistema, contra a maré pra conseguir seguir o caminho que ele acreditava e todos os percalços que ele encontrou na frente, mas também toda dignidade que ele teve pra botar isso em frente e fazer música no Brasil.
Você tem uma carreira solo consolidada, mas também é músico de diversos artistas importantes. É difícil conciliar as agendas? O quanto uma coisa atrapalha a outra?
Eu não sinto que atrapalha, muito pelo contrário, eu sinto que me ajuda, por que dá uma desbaratinada, você começa a fazer um trabalho, vai pra outro, isso ajuda também a tirar um pouco uma coisa só da cabeça, a pensar outras coisas, pensar outras formas, e também cada artista que você acompanha você tem uma visão diferente da música. Isso é bom, amplia o repertório, amplia as formas que eu posso me relacionar com ela.
Curumim, com m, é como se chamam as crianças indígenas. Curumin, com n, é seu nome artístico. De onde surge essa assinatura, já que você descende de japoneses e espanhóis?
Curumin foi um apelido de escola, de criança, desde pequeno eu tenho. É um apelido que foi grudando em mim de jeito que meu filho, hoje, se eu falar que meu nome é Luciano [Nakata Albuquerque] ele acha estranho [risos]. Aqui em casa todo mundo me chama de Curumin. Essa coisa do n no final, eu não sei direito em que momento eu resolvi colocar, acho que era também um jeito de diferenciar do curumim indígena, acho que é isso.
Você toca diversos instrumentos e a produção de seus álbuns é, em parte, caseira. A tecnologia favorece os experimentos, colagens. Você mexe muito numa música, seja compondo ou gravando, até decidir que ela está pronta para entrar num disco?
Cara, depende. Cada música tem meio um percurso. Compacto, por exemplo, é uma coisa que saiu assim, surgiu. Até o JapanPopShow eu fazia muito música assim, ah, pintou uma ideia, pluf, eu colocava e pronto, deixava aquela ideia bruta ali. No Arrocha já foi um processo diferente, eu pensava mais, eu fazia o groove, depois ia lapidando, lapidando. E gravando eu mexo, normal, assim, eu tenho uma coisa de ter um cuidado, às vezes eu fico meio cuidando até demais, mas eu sei também de um limite, não é uma coisa exagerada. É até um ponto que eu aguento, que não me enche o saco [risos].
O que você está preparando para o sucessor de Arrocha?
[Pensativo] Olha, o que eu tenho [interrompe-se]. Isso já veio com o Arrocha já um pouco, as experiências de tocar ao vivo com a banda que a gente tem, foi me levando a um conceito da nossa banda, do nosso elo, de como a gente soa, que tipo de música soa bem com a banda que eu tenho agora, que eu já tenho já faz tempo. Mas isso é sempre uma busca, acho que esse disco vai ter essa busca um pouquinho também. Minha banda sou eu e mais dois baixistas, só que um dos baixistas toca guitarra, eu tenho fundado muito esse disco na coisa da linha de baixo, na bateria e baixo. Eu tenho pensado todas as músicas a partir daí. Uma primeira ideia de melodia simples que vem na minha cabeça eu transformo em linha de baixo pra depois criar o resto em cima. É quase como se fosse assim a estrutura da casa, primeiro eu penso na estrutura bem firme, nas vigas, aí depois eu vou construindo o resto.
Músicas como Caixa preta e Mal estar card, de JapanPopShow, traduzem as tenebrosas transações do cenário político brasileiro e são músicas mais atuais do que nunca. Como você avalia o atual momento por que passa o país?
É claro que é um horror, né? Mas tem um lado bom, eu não sei se posso dizer que é bom, mas tem um lado que até então, até esse momento de crise que a gente vive hoje, a gente sempre soube que as coisas horríveis do país existiam. Mas agora todas as máscaras tão caindo e acho que isso, apesar do sentimento horrível que a gente tem, a desesperança, a frustração que a gente tem mesmo em relação a nosso plano de país, eu acho que tem um lado bom, que é – eu ainda tou custando a falar que é um lado bom, mas assim –, tem esse lado de caírem todas as máscaras. Tudo o que é errado está aparecendo, tá vindo à tona. Isso tem sido importante, vai ser um processo que a gente vai ter que passar, dolorido mesmo, e espero que [as coisas mudem] para melhor.
Apresentação do compositor marca encerramento da temporada Milhões de Uns, de lançamento do cd homônimo
Joãozinho Ribeiro durante apresentação da temporada Milhões de Uns. Foto: Ton Bezerra
O compositor Joãozinho Ribeiro encerra a temporada Milhões de Uns, de lançamento de seu disco de estreia, homônimo, com show amanhã (27), às 19h30min, na Praça dos Catraieiros (Praia Grande). A apresentação integra a programação cultural da Feira da Tralha, evento organizado pelos Sebos Nas Canelas e Educare. A entrada é franca.
A ocupação cultural da praça ao lado da Casa do Maranhão tem como objetivos, segundo seus organizadores, contribuir para a revitalização da Praia Grande, prolongar a vida útil de uma série de objetos, gerar trabalho e renda para trabalhadores do segmento da economia criativa, além do comércio em si, de cds, dvds, vinis, livros usados, objetos de antiquário, artesanato, artigos de coleções, instrumentos musicais e equipamentos eletrônicos, entre outros.
A Feira da Tralha acontece todas as quintas e sextas, das 16h às 21h. As sextas, conta com a apresentação do Regional Deu Branco, um dos mais jovens grupamentos de choro de São Luís, formado por Bernardino Júnior (bandolim), Cleiton Canhoto (violão sete cordas), Dudu Lima (cavaquinho solo), Erivan Nery (flauta), Jamil Cartágenes (cavaquinho centro) e Valderson de Abreu (percussão).
Nesta sexta (27), o grupo abrirá o show Milhões de Uns, de Joãozinho Ribeiro, com a participação especial do duo Criolina (Alê Muniz e Luciana Simões). Ele e os convidados serão acompanhados por Arlindo Carvalho (percussão), Arlindo Pipiu (contrabaixo), Danilo Santos (saxofone e flauta), Hugo Carafunim (trompete e flugel), Luiz Jr. (violão sete cordas), Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho) e Wanderson (percussão).
“É um prazer e um luxo poder contar com a participação do Criolina. Alê Muniz é um parceiro de longa data, e ao lado da Luciana forma um dos maiores acontecimentos da música produzida no Maranhão recentemente. Interessante também é poder contar com a presença da rapaziada do Deu Branco, valorosos garotos levando adiante o estandarte do choro”, afirmou o compositor.
Ele antecipa um balanço de 2015 e alguns projetos para 2016. “Este ano busquei conciliar a agenda de trabalho profissional com a profissão de fé da criação artística, dedicando-o a diversas apresentações, em vários palcos da cidade, ao lançamento do cd, registro que já era bastante cobrado por amigos e admiradores de nosso trabalho. Para ano que vem pretendo trabalhar no lançamento do segundo volume, além de lançar um segundo livro”, afirmou Joãozinho, que é funcionário público federal e professor universitário.
Autor de mais de 100 músicas, Joãozinho Ribeiro é um dos compositores mais gravados do Maranhão, tendo o nome em discos de artistas como Alê Muniz, Anna Cláudia, Célia Maria, Glad, Josias Sobrinho, Lena Machado e Rosa Reis. Em 2006 publicou Paisagem feita de tempo, livro-poema escrito em 1985. Milhões de Uns – vol. 1 é seu primeiro disco. Gravado ao vivo em duas noites no Teatro Arthur Azevedo, conta com as participações especiais de Alê Muniz, Célia Maria, Chico César, Chico Saldanha, Lena Machado, Milla Camões e Zeca Baleiro. Para o volume, Elba Ramalho gravou Asas da paixão em estúdio.
Quinta edição do projeto terá ainda Quarteto Instrumental e Paulo do Vale
O talento e o carisma de Flávia Bittencourt. Foto: João Rocha
A penúltima edição do projeto RicoChoro ComVida em 2015 acontece amanhã (21), às 18h, no Bar e Restaurante Barulhinho Bom (Rua da Palma, 217, Praia Grande). A noite terá como atrações o pesquisador Paulo do Vale – que prefere não ser chamado de dj –, o Quarteto Instrumental e a cantora Flávia Bittencourt.
“Para nós é uma honra poder contar com a presença de Flávia Bittencourt no palco do RicoChoro ComVida, ela que é hoje uma cantora nacionalmente reconhecida, mas que nunca esqueceu de suas raízes, sempre reverenciando os mestres da música popular produzida no Maranhão”, declarou Ricarte Almeida Santos, produtor do projeto.
A cantora tem três discos lançados: Sentido (2005), Todo Domingos (2009) e No Movimento (2014). O primeiro reuniu, entre os compositores gravados por ela, Josias Sobrinho [Terra de Noel, incluída na trilha sonora da novela global América], Cesar Teixeira [Dolores e Flor do Mal, com participação especial de Renato Braz], Chico Maranhão [Ponto de Fuga e Vassourinha Meaçaba], Zeca Baleiro [Berê] e Martinho da Vila [Ex-amor, com trecho em castelhano vertido por Natalia Mallo], entre outros; o segundo é dedicado ao repertório de Dominguinhos, que havia feito uma participação especial com sua sanfona no disco de estreia da artista; no mais recente, ela deixou aflorar sua veia de compositora, além de registrar gravações para projetos especiais, caso da versão voz e violão para Mar de rosas [versão de Rossini Pinto para Rose Garden, de Joe South], hit dos Fevers, e a gravação de Parangolé (Cesar Teixeira) com participação especial de Zeca Baleiro.
O Quarteto Instrumental reuniu-se especialmente para recebê-la no palco do Barulhinho Bom. João Neto (flauta), Luiz Cláudio (percussão), Luiz Jr. (violão sete cordas) e Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho) prometem um repertório de choro com uma pegada vibrante, mesclando clássicos do gênero a células da cultura popular do Maranhão, além de números autorais. No primeiro time, nomes como Severino Araújo, Ernesto Nazareth, Pixinguinha e Jacob do Bandolim, entre outros.
“São quatro dos mais requisitados músicos da cena musical maranhense, não apenas a chorística. Luiz Jr., por exemplo, esteve recentemente acompanhando a compositora Patativa, no lançamento de seu disco no Sesc Pompeia, em São Paulo”, atesta Ricarte.
Com atuação profissional em fotografia e cinema, campos em que seu talento é largamente reconhecido, não é comum ver Paulo do Vale atuar como dj, título que ele rejeita, em respeito aos profissionais da área. Ao projeto RicoChoro ComVida ele abre uma exceção e, antes e depois das apresentações do Quarteto Instrumental e Flávia Bittencourt, mostrará ao público o fruto de suas pesquisas e coleção.
Produção de RicoMar Produções Artísticas, RicoChoro ComVida tem patrocínio da Fundação Municipal de Cultura (Func), Gabinete do Deputado Bira do Pindaré, TVN e Galeteria Ilha Super, e apoio do Restaurante Barulhinho Bom, Calado e Corrêa Advogados Associados, Sonora Studio, Clube do Choro do Maranhão, Gráfica Dunas, Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt e Musika S.A. Produções Artísticas.
Serviço
O quê: RicoChoro ComVida – 5ª. Edição. Quem: Quarteto Instrumental, Flávia Bittencourt e Paulo do Vale. Quando: dia 21 de novembro (sábado), às 18h. Onde: Barulhinho Bom (Rua da Palma, 217, Praia Grande). Quanto: R$ 30,00 (reserva de mesas pelo telefone (98) 988265617).
França, Marçal e Dinucci, o Metá Metá. Foto: divulgação
A programação completa ainda não está fechada, mas o Sesc/MA já anunciou os shows de abertura e encerramento da programação da 10ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes, que acontece entre os próximos dias 25 de novembro e 3 de dezembro, em diversos espaços em São Luís e Raposa (este blogue voltará ao assunto em momento oportuno).
O show de abertura será do Metá Metá, formado por Thiago França (saxofone), Kiko Dinucci (guitarra, violão e voz) e Juçara Marçal (voz). É um dos mais interessantes grupos brasileiros em atividade, com um caldeirão sonoro em constante ebulição, onde cabe de tudo. Atualmente o trio prepara o terceiro disco e em maio passado liberou um EP de aperitivo para download.
O encerramento fica por conta do show Selvática, em que Karina Buhr lança seu terceiro disco – a pernambucana nascida na Bahia esteve em São Luís em outubro, quando participou da Feira do Livro. O álbum foi financiado por crowdfunding e pode ser baixado no site da artista. A ex-Comadre Florzinha é uma das mais autênticas artistas brasileiras: plural, é compositora, atriz, cantora, escritora, desenhista, feminista, enfim, uma mulher de atitude.
Encarnado. Capa. Reprodução
Uma curiosidade é que tanto Karina Buhr quanto Juçara Marçal sofreram censura por terem estampado peitos nas capas de seus mais recentes discos – no caso da integrante do Metá Metá o álbum solo Encarnado (2014, disponível para download no site de Juçara).
Selvática. Capa. Reprodução
Enquanto a capa de Selvática (2015) estampa foto da cantora com os seios à mostra e foi censurada pelo facebook, a de Encarnado traz uma mulher com o rosto coberto por um véu vermelho e os mamilos expostos. O iTunes recusou-se a disponibilizar o álbum, sugerindo à cantora modificar a capa – desenhada por Dinucci – para veiculá-lo na plataforma. Obviamente Juçara Marçal se recusou.
Os episódios envolvendo as artistas, a rede social e a plataforma refletem os tempos sombrios em que vivemos, em que avança uma onda neoconservadora, infelizmente não apenas no Brasil. Ainda bem que ainda podemos contar – e ver e ouvir – com artistas “de peito”. Literalmente!
Confiram Karina Buhr em Eu sou um monstro (Karina Buhr):
Show acontece sábado (14) no Imperial Shopping. Além do município maranhense, músicos percorrerão cinco capitais brasileiras: Teresina, São Luís, Belém, Brasília e Fortaleza
Foto: Fafá Lago
A expressão Andarilho Parador carrega em si aparente contradição. Trata-se da junção dos títulos dos mais recentes discos de Djalma Chaves e Nosly, Andarilho e Parador, respectivamente. Com o show, os músicos percorrerão seis cidades brasileiras em novembro e dezembro, lançando os trabalhos.
A turnê começa por Imperatriz/MA, no próximo sábado (14). Lá a apresentação acontece às 19h30, no Imperial Shopping (BR 010, s/n°., Jardim São Luís), com participações especiais de Karleyby Allanda e Lena Garcia, cantoras da cena local.
“Sou um andarilho por natureza, sempre o fui. Meu trabalho foi forjado nas andanças pelos palcos do mundo. Porém, todo andarilho tem sua parada para o descanso e nada melhor do que as harmonias e canções e a companhia de meu parceiro Nosly para tirar uma “siesta””, comentou Djalma Chaves sobre a apenas aparente contradição.
Como também atesta Nosly: “A contradição, se existe, é mesmo aparente [risos]. Andarilho, um ser que anda; parador, ser que viaja no trem Parador, que liga a estação Central do Brasil à Zona Norte do Rio [de Janeiro]. Ambos estão em movimento, moto contínuo [risos]. A gente achou muito legal essa coisa do antagonismo das palavras, daí deu a liga, os opostos se atraem, não é mesmo?”, revelou.
Recentemente os dois realizaram diversas apresentações em São Luís no projeto Djalma e Nosly Convidam, sempre com convidados especiais. A dupla já conta seis shows realizados no formato. “Esse convívio musical tem nos ajudado a alinhavar o repertório que apresentaremos em cinco capitais brasileiras, além da cidade de Imperatriz. Em São Luís investimos na formação de plateia para música de qualidade, sempre convidando algum nome de destaque da cena cultural local, o que continua fazendo parte desse encontro musical”, explicou Nosly. “Estes shows serviram como aprendizado e entrosamento com a banda que nos acompanhará na turnê”, concordou Djalma.
E que banda! Nosly (voz, violão e guitarra) e Djalma Chaves (voz e violão) serão acompanhados por Murilo Rego (teclados), Sued (guitarra), Mauro Travincas (contrabaixo) e Fleming (bateria).
O repertório de Andarilho Parador é baseado no dos dois discos que dão nome ao espetáculo. Além de composições de Nosly e Djalma Chaves, há espaço para reverências a artistas admirados por eles. No primeiro bloco estão músicas como Aldeia (Nosly e Celso Borges) e Santo milagreiro (Djalma Chaves e César Roberto); no segundo, I’ll be over you, sucesso da banda Toto, e Gata e leoa (Jorge Macau), já gravadas por Nosly e Djalma Chaves, respectivamente, entre outras.
A turnê tem patrocínio da Companhia Energética do Maranhão (Cemar), através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Além de Imperatriz, o show Andarilho Parador será apresentado ainda em Teresina/PI, São Luís/MA, Belém/PA, Brasília/DF e Fortaleza/CE. Em todas as apresentações os ingressos serão trocados por um quilo de alimento não perecível, que serão doados a instituições de caridade locais.
Repertório chorístico imortalizado pela cantora será lembrado por Alexandra Nicolas, acompanhada do grupo Urubu Malandro. O DJ Joaquim Zion também é convidado da terceira edição do projeto
Foto: divulgação
“Carmen Miranda é minha maior inspiração como cantora. Eu escuto Carmen Miranda desde menina, mamãe era muito apaixonada por ela, e sempre me dizia que ela era alegria pura, que cantava com os olhos, além das mãos, além da voz. Quando eu pensei nessa alegria de retomar um trabalho com Ricarte, eu pensei nela, em associá-la a essa vida, desse RicoChoro ComVida”.
A cantora Alexandra Nicolas [leia entrevista] emociona-se ao referir-se a Carmen Miranda, a quem homenageia no palco do projeto RicoChoro ComVida, e ao convite para participar de sua próxima edição, que acontecerá dia 3 de outubro (sábado), às 18h, no Barulhinho Bom (Rua da Palma, 217, Praia Grande).
Alexandra Nicolas será acompanhada pelo grupo Urubu Malandro, formado pelos músicos Arlindo Carvalho (percussão), Juca do Cavaco, Osmar do Trombone e Domingos Santos (violão sete cordas). À formação do grupo somam-se, em participações especiais, Fleming (bateria) e Rui Mário (sanfona).
O Urubu Malandro se notabilizou à época do projeto Clube do Choro Recebe, também produzido por Ricarte Almeida Santos, entre 2007 e 2010. Até seu falecimento, o grupo foi integrado por Antonio Vieira (voz e percussão, 1920-2009), também fundador, na década de 1970, do Regional Tira-Teima, mais antigo grupamento de choro em atividade no Maranhão.
“A minha relação com os integrantes do Urubu Malandro vem através de Arlindo Carvalho, que é um percussionista que eu costumo dizer que é meu mestre. É alguém que escuta as batidas de meu coração desde a escolha de meu repertório, até a hora em que eu canto a última frase em um show meu. É o músico que mais me acompanhou em shows até hoje”, revela Alexandra Nicolas. O percussionista é o único maranhense em seu disco de estreia, Festejos [2013], gravado com grandes nomes do choro brasileiro, a exemplo de Luciana Rabello (cavaquinho), Maurício Carrilho (violão) e João Lyra (violão e viola), entre outros.
Sem perder a alegria típica da homenageada, numa das características fundamentais que mantêm vivo seu legado até os dias atuais, Alexandra Nicolas centrará o repertório de seu tributo em músicas mais voltadas ao choro, principal gênero – mas não o único – do cardápio musical oferecido por RicoChoro ComVida. “Urubu malandro [Pixinguinha, João de Barro e Louro] eu não poderia deixar de fora. Ah, tem tanta coisa. Tem uma música chamada Diz que tem [Vicente Paiva e Aníbal Cruz], que é fantástica! É isso aí, a mulher brasileira, quando ela se propõe, ela tem tudo isso, “tem cheiro de mato, tem gosto de coco, tem samba nas veias, e ela tem balangandãs” [recitando trecho da letra]”, adianta.
“Eu me identifico muito com tudo o que ela fez. Tem Camisa listada [Assis Valente], Disseram que eu voltei americanizada [Vicente Paiva e Luiz Peixoto] não pode faltar. Na verdade eu estou montando uma história sobre as épocas de Carmen como cantora. Ela não é uma cantora só que canta, ela conta uma história muito boa, e por isso me identifico tanto com ela. Ela conta tanto, que ela modificou a maneira de cantar. Quando você olha para os olhos dela, ela está te contando alguma coisa e você tem que prestar atenção”, continua.
Foto: Claudia Marreiros
Quem também recebeu com alegria o convite da produção foi o DJ Joaquim Zion [leia entrevista]. Ele junta-se ao coro de Alexandra em elogios ao produtor e idealizador do projeto. “Pra mim é uma honra. Tenho imensa admiração pelo Ricarte e o projeto RicoChoro ComVida é de fundamental importância para o desenvolvimento da boa musica em nosso país”, declarou.
Clementina de Jesus, João Nogueira, Dona Ivone Lara, Gilberto Gil, Dominguinhos, Di Melo, Paulo Moura, Jorge Ben, Caetano Veloso, Djavan, Pixinguinha e Donga, além de surpresas que ele só revelará na hora, estão no set list preparado por Joaquim Zion para abrir e encerrar a festa.
O DJ também destacou a importância da homenageada da noite. “Carmen Miranda foi a primeira cantora brasileira a ter reconhecimento nos Estados Unidos, o que de alguma maneira abriu portas para a nossa música lá fora. O pioneirismo dela fez com que o mundo abrisse os olhos para o Brasil e para a nossa música”, afirmou.
Produção de RicoMar Produções Artísticas, RicoChoro ComVida tem patrocínio da Fundação Municipal de Cultura (Func), Gabinete do Deputado Bira do Pindaré, TVN e Galeteria Ilha Super, e apoio do Restaurante Barulhinho Bom, Calado e Corrêa Advogados Associados, Sonora Studio, Clube do Choro do Maranhão, Gráfica Dunas, Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt e Musika S.A. Produções Artísticas.
Serviço
O quê: RicoChoro ComVida – 3ª. edição Quem: DJ Joaquim Zion, grupo Urubu Malandro e Alexandra Nicolas Onde: Restaurante Barulhinho Bom (Rua da Palma, 217, Praia Grande) Quando: 3 de outubro (sábado), às 18h Quanto: R$ 30,00. Vendas antecipadas de mesas (R$ 120,00 para quatro pessoas) pelo telefone (98) 988265617
Há quase 20 anos, quando estreou no mercado fonográfico com Por onde andará Stephen Fry? [1997], Zeca Baleiro já mostrava a que veio. Revelou-se compositor de talento, acima da média, além de intérprete original. Em um disco quase completamente autoral, gravou Essas emoções (Donato Alves), toada do bumba meu boi de Axixá.
Parte da crítica, mais acomodada e afeita a rótulos, não hesitou em cravar no artista que então aparecia a alcunha de “o novo Zé Ramalho” ou coisa que o valha, talvez por conta da proximidade temática de Heavy metal do senhor, que abre a estreia do maranhense, e A peleja do diabo com o dono do céu, faixa título do segundo disco do paraibano – a análise, com quase duas décadas de distância, é do próprio Zeca Baleiro, em texto de apresentação de seu novo trabalho.
Em Vô imbolá [1999], seu segundo disco, Zé Ramalho daria as caras – e a voz. Cantariam juntos Bienal, música de Baleiro inspirada no universo dos repentes e violas, em que tira um sarro do mercado de artes.
Chão de giz – Zeca Baleiro canta Zé Ramalho surgiu após um desafio aceito pelo primeiro, não após certa hesitação. Com curadoria de Monique Gardenberg, o projeto BBCovers, do Centro Cultural Banco do Brasil, teria diversos artistas interpretando a obra alheia, e ao maranhense cabia justamente a obra do “admirável bardo” paraibano. Há alguns anos, Baleiro havia dividido um disco de inéditas com Fagner [Raimundo Fagner e Zeca Baleiro, de 2003], outro nome da chamada geração Nordeste 70, outro artista admirado pelo garoto nascido na terra de João do Vale na década anterior.
Lançado em cd e dvd, Chão de giz passa por grandes hits de Zé Ramalho, repetidos à exaustão por qualquer cantor em qualquer barzinho, mas traz também lados b. “Um “tributo” a um cara como Zé, com cerca de 40 anos de carreira e um repertório consolidado, não poderia omitir seus sucessos populares, concorda? Mas fazer um show só com os hits seria tedioso e acomodado. Juntei as canções-estandartes, como Avohai e Admirável gado novo a lados b que gosto muito, como Um pequeno xote e Kamikaze, além de algumas pérolas esquecidas”, contou Baleiro com exclusividade ao blogue.
Para Ave de prata, que abre Chão de giz, Zeca Baleiro (voz, violão, ukelele e guitarra) chega de capa e chapéu, acompanhado por Adriano Magoo (teclados, acordeom, violão e vocais), Fernando Nunes (contrabaixo, violão sete cordas, triângulo e vocais), Kuki Stolarski (bateria, pandeiro, zabumba, violão e efeitos), Pedro Cunha (teclados, acordeom, sampler, escaleta e vocais) e Tuco Marcondes (guitarra, violão, mandolin, sitar, banjo e vocais).
O próprio Zeca Baleiro considera a experiência curiosa, já que em sua fase de barzinhos, antes de deixar São Luís e estrear em disco, não lembra de ter cantado Zé Ramalho. “Não me lembro de ter cantado Zé quando cantava na noite. Meu repertório era muito insólito, talvez por isso não tenha feito “sucesso” como músico de bar [risos]. De todo modo, é certamente uma volta à origem, à época da minha formação, de quando começava a tocar violão e surgia essa turma do Nordeste – Zé, Belchior, Fagner, Ednardo, Alceu [Valença], Geraldo [Azevedo], Vital [Farias]”, enumera.
No dvd há projeções de Ivan, o terrível [1944], de Sergueï Einsenstein, ilustrando Kriptônia, e Powaqqatsi [1988], de Godfrey Reggio, em Admirável gado novo, num interessante diálogo visual com as músicas, de certo modo ajudando a garantir certo tom sombrio, talvez apocalíptico, profético, para ficar em adjetivos quase sempre usados para se referir ao repertório ramalheano. “É estranho, porque não é Brasil, mas tem tudo a ver”, afirmou Baleiro sobre a segunda, como nos conta a diretora Monique Gardenberg em texto de apresentação ao projeto.
Em alguns momentos Baleiro suaviza Ramalho, noutras mantém os arranjos próximos aos originais, sempre com uma pegada original, sem se contentar com o conforto da posição de cover. Ele é parceiro de Zé Ramalho em O rei do rock, música já gravada pelo homenageado em Parceria dos viajantes [2007]. “Eu escrevi a letra de O rei do rock inspirada no Zé, na sua persona artística, esse misto de caubói, profeta, justiceiro, visionário. Ele musicou e gravou, numa onda meio “rock cigano”, mas refiz o arranjo e o rock ganhou uma pitada de rap”, comentou. Em Bicho de sete cabeças [Zé Ramalho, Geraldo Azevedo e Renato Rocha], Baleiro opta pela versão instrumental, anterior à com letra, que já tinha gravado para a trilha do filme homônimo [2001], de Laís Bodanzky.
Em roteiro bem construído e edição caprichada, Chão de giz guarda ainda ótimos momentos em seus extras. Quando canta Frevo mulher cita Bob Dylan – artista reverenciado tanto por Baleiro quanto por Ramalho – e é imediata a cumplicidade da plateia; lá também está o registro da única música não composta por Zé Ramalho, mas cuja gravação definitiva, inclusão em trilha de novela e execução à exaustão, fazem muita gente crer nisso: Entre a serpente e a estrela [de Frevoador, 1992], versão de Aldir Blanc para Amarillo by morning (Terry Sttaford e P. Fraser).
O próprio Zeca, antes de aceitar o convite para reler a obra do autor de Vila do sossego, afirmou, também no texto de apresentação, a admiração pela obra de outros nomes da música brasileira, entre os quais Luiz Melodia, Martinho da Vila, Tom Zé, Jackson do Pandeiro e Sérgio Sampaio, de quem já produziu disco póstumo [Cruel, de 2005] e relançou Sinceramente [1982], por seu selo Saravá Discos.
Sabedor de sua citada admiração por outros nomes, sobretudo os nordestinos surgidos na década de 1970, indago-lhe se há algum outro artista com quem Baleiro tenha vontade de dividir disco, show e/ou se tornar parceiro. Ele responde, terminando a conversa com um sorriso: “Todos. A obra de Belchior merece um belo tributo. Mas minha carreira de “crooner da caatinga” se encerra aqui [risos]”.
*
Confiram Zeca Baleiro em Não existe molhado igual ao pranto [Zé Ramalho e Lula Côrtes]:
O Ilumiara em apresentação no Sesc/DF. Da esquerda para a direita: Leandro Cesar, Marcela Bertelli, Alexandre Gloor, Letícia Bertelli e Carlinhos Ferreira. Foto: Rafael Carmona/ Sistema Fecomércio/DF
Com mais ou menos um ano e meio de existência e um recém-lançado disco de estreia, o grupo Ilumiara abre a temporada maranhense do circuito Sesc Sonora Brasil 2015 em São Luís, hoje (12), às 19h, no Teatro Alcione Nazareth (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande), com entrada gratuita. O grupo se apresenta ainda em Caxias, dia 16 (quarta-feira), no mesmo horário, na Sala de Cultura Martinha Cruz (Sesc), também com entrada gratuita (veja programação completa ao final).
O grupo é formado por Alexandre Gloor (rabecas), Carlinhos Ferreira (percussão), Leandro Cesar (violão e marimba), Letícia Bertelli (voz) e Marcela Bertelli (voz), que conversou com o blogue.
“O Ilumiara surgiu como um grupo de pesquisa em música. Somos músicos, mas temos uma paixão muito grande pelas culturas populares, pela pesquisa. Já tínhamos, inclusive individualmente, um acervo grande de composições pesquisadas e a gente partiu desse trabalho, dessa pesquisa previamente realizada por cada um de nós”, revelou Marcela, sobre o processo de feitura de Ilumiara, o disco de estreia, e a participação no Sonora Brasil, cujo tema este ano é “Sonoros ofícios – cantos de trabalho”.
Ilumiara tem 12 faixas, que podem ser ouvidas no soundcloud do grupo. Entre os temas o Auto do fim de capina, Lavadeira, Toadas de remeiros, Canto do tropeiro, Machadeiros, Fiandeiras e Vissungo, com participação especial de Sérgio Pererê.
Além das pesquisas in loco dos próprios membros do grupo, seus integrantes levaram em conta o trabalho de importantes “desbravadores”, como Mário de Andrade [poeta, romancista, crítico literário e musicólogo], Oswaldo de Souza [compositor de obra fortemente influenciada por temas folclóricos] e Aires da Mata Machado Filho [filólogo pioneiro no registro de um dialeto crioulo falado por descendentes de escravos em Minas Gerais e vissungos – canto de trabalho exclusivamente utilizado por escravos mineradores de Diamantina].
Marcela também revelou a felicidade em integrar o projeto. “Participar do Sonora Brasil tem sido, desde o início, desde o convite, quando ele chegou, e até agora, mesmo circulando, de uma gratidão muito grande, de uma alegria imensa. Imagina, para um músico, poder circular o Brasil todo, 130 cidades, todo o território nacional, todos os estados do país. Isso para qualquer músico, apaixonado pelo Brasil, ligado à questão das culturas tradicionais do Brasil é de uma alegria gigante, uma alegria imensa”.
Com 18 anos, o Sonora Brasil é o maior projeto de circulação musical do país, tendo sido ampliado ao longo dos anos – quando o maranhense João Pedro Borges participou, ao lado do violonista gaúcho Daniel Wolff, em 2009, por exemplo, eram “apenas” 80 cidades. Aos poucos a ideia foi sendo abraçada pelas regionais do Sesc no Brasil. A cantora elogia a preocupação do Sesc com os temas eleitos a cada edição: “o Sonora não está preocupado com a divulgação do trabalho dos artistas. É uma proposta de divulgação de um repertório, de certo tipo de música, de certo repertório para formação de público, de ouvintes. O que eu acho mais interessante é que não é uma formação localizada, é uma formação cultural, mais ampla. Por isso que o Sonora sempre busca essa relação com os temas, a música informada. Isso, para nós, tem um valor imenso. Não estamos circulando com o objetivo de divulgar o Ilumiara, mas de contribuir com essa formação de plateia, essa formação de ouvintes. Por isso é um concerto muito conversado, a gente conversa com a plateia, o repertório não partiu de uma necessidade de divulgar especificamente os nossos instrumentos, a nossa voz, mas foi todo pensado com esse objetivo também de contribuir para a formação do público”, disse.
O nome do grupo é uma palavra forjada, lapidada por Ariano Suassuna, saudoso autor de O auto da compadecida, entre outros. “Já tem um tempo que ele fala essa palavra, “ilumiara”, a gente tomou emprestada dele, pedimos autorização dele para usar essa palavra como trabalho. Iara é altar, é lugar sagrado, ligado também à questão das águas, dos rios, Iara como altar de beira de rio”, revelou Marcela.
“A proposta do Ilumiara é muito lançar luz, ilumiar, iluminar uma expressão da música brasileira, uma expressão da cultura brasileira na música especificamente. A gente percebe que tem uma função de lançar luz sobre um universo que a gente entende como sagrado, que está num espaço que expressa uma condição humana, que tem uma amplitude maior que a música em si. Os cantos de trabalho expressam uma vasta cultura do homem. Ele canta para dar sentido a algo muito maior, a uma necessidade, a um desejo muito mais amplo do que simplesmente projetar a voz em canto. A função dos cantos é determinada por outros fatores muito mais amplos. Então ilumiar, essa expressão, revelar aquilo de sagrado que ela contem, por isso Ilumiara”, continua.
O Ilumiara se distingue dos outros três grupos que percorrem o país nesta edição do Sonora Brasil, “por sermos músicos, artistas que fazem uma interpretação a partir de arranjos mais elaborados, uma instrumentação específica”, explicou Marcela. O grupo também trabalha a construção dos instrumentos, com as marimbas de Leandro César, além de uma ronda, instrumento inventado por ele, e quase todos os instrumentos de percussão feitos por Carlinhos Ferreira.
Ela não poupou elogios às formações que completam o circuito com o Ilumiara. “É importante destacar o Sonora Brasil como mostra de um repertório. A gente está abrindo a mostra aqui em São Luís, mas logo depois de nós vêm os outros três grupos de tradição: As Quebradeiras de Coco Babaçu, aqui do Maranhão mesmo, inclusive, que fazem parte de um grupo muito mais amplo, mobilizado nos estados do Pará, do Piauí e do Tocantins, as trabalhadoras da cultura extrativista; também as Destaladeiras de Fumo de Arapiraca, com o Mestre Nelson Rosa [mestre de coco de roda, patrimônio vivo do estado de Alagoas], um grupo maravilhoso, muito, muito bonito, muito criador do próprio canto; e As Cantadeiras do Sisal e mais dois aboiadores de Valente, na Bahia [Ailton Aboiador e Ailton Jr., pai e filho]. Eles carregam uma força, acho que muito maior que nós, pelo fato de serem grupos de tradição, serem grupos que realizam no cotidiano, a tarefa, o ato de cantar ligado àqueles ofícios que são expressos no canto deles”, revelou.
Sesc Sonora Brasil no Maranhão – Programação (sempre às 19h, entrada franca)
São Luís/MA, Teatro Alcione Nazareth (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande)
Grupo Ilumiara/MG, 12 de setembro
Destaladeiras de Fumo de Arapiraca/AL, 15
Cantadeiras de Sisal e Aboiadores de Valente/BA, 17
Quebradeiras de Coco Babaçu/MA, 19
Caxias/MA, Sala de Cultura Martinha Cruz (Sesc)
Cantadeiras de Sisal e Aboiadores de Valente/BA, 15 de setembro
Grupo Ilumiara/MG, 16
Quebradeiras de Coco Babaçu/MA, 17
Destaladeiras de Fumo de Arapiraca/AL, 19
Agenda Ilumiara
Setembro
14 Teresina/PI
18 São Lourenço da Mata/PE
19 Goiana/PE
21 Jaboatão do Guararapes/PE
22 Limoeiro/PE
23 Surubim/PE
25 Caruaru/PE
26 Belo Jardim/PE
27 Arco Verde/PE
28 Buíque/PE
29 Serra Talhada/PE
A atriz, cantora e dançarina no show de lançamento de Cordões Umbilicais, Teatro de Santa Isabel, Recife. Foto: divulgação
Com os dois pés fincados nos terreiros da dança e do teatro, Flaira Ferro resolveu mostrar também sua faceta de cantora e compositora. Cordões umbilicais, seu disco de estreia, é um álbum autoral e autobiográfico, em que a artista dá roupagem pop a diversos elementos de sua formação cultural: frevo, cavalo marinho, caboclinho e maracatu, pernambucanidades temperadas com pitadas de erudito.
Flaira veio ao mundo no meio do carnaval do Recife, tendo se iniciado na dança ainda criança, aos seis anos de idade. Filha de pais foliões, foi aluna do lendário Nascimento do Passo, formou-se em Comunicação Social pela Unicap (Recife) e hoje é professora, pesquisadora, dançarina, atriz e cantora, ufa!, do Instituto Brincante, de Antonio Nóbrega, sediado em São Paulo, onde está radicada desde 2012.
No refrão de Atriz, cantora ou dançarina? (letra e música dela), a pergunta que muitos lhe fazem e farão, este repórter inclusive: “ô menina/ o que é que você vai ser?/ atriz, cantora ou dançarina?”. “Mundo, continente, país, estado,/ cidade, bairro, casa, eu./ Somos tantos mundos/ dentro de outros mundos mais/ e estamos ligados por/ cordões umbilicais”, comunga a letra da faixa-título, parceria de Flaira e Igor Bruno.
Ela assina letra ou música em 10 das 11 faixas, incluindo Contra-regra (pré-novo acordo ortográfico), calcada em versículos bíblicos. A única música que não assina é (mais ou menos) sobre ela. Na verdade é sobre Filhos – o título – em geral. A letra é do ex-deputado federal Fernando Ferro, seu pai: “Filhos são frutos,/ filhos são parte do nosso caminho,/ filhos são flores e são espinho,/ filhos são nós, e nós que atam e desatam./ Filhos são nossa parte, fazendo arte,/ filhos são doces pimentas do ser,/ filhos são nosso prêmio e pranto,/ filhos são surpresas,/ em cada canto./ Filhos não pedem pra nascer…”, reza a letra.
Em Me curar de mim (letra e música dela), literalmente desnuda-se: “E dói, dói, dói me expor assim/ dói, dói, dói, despir-se assim/ Mas se eu não tiver coragem/ pra enfrentar os meus defeitos/ de que forma, de que jeito/ eu vou me curar de mim?”, indaga-se/nos.
Cordões umbilicais. Capa. Reprodução
Disponível para download gratuito no site da artista, Cordões umbilicais foi gravado entre agosto de 2013 e abril de 2014 e lançado no Recife em janeiro passado, dentro da programação do Festival Janeiro de Grandes Espetáculos, em cuja 17ª. edição Flaira já havia sido premiada como melhor bailarina, por O frevo é teu?, seu primeiro espetáculo solo, dirigido por Bella Maia.
O disco tem produção musical e arranjos de Leonardo Gorosito e Alencar Martins (seu parceiro em Lafalafa e Contra-regra) e participações especiais do maestro Spok (saxofone) e Léo Rodrigues (percussão). Por e-mail ela conversou com o blogue sobre o álbum, seu trânsito livre entre a música, o teatro e a dança, a porção autobiográfica de sua obra e projetos futuros.
A artista no clique de Patrícia Black
Zema Ribeiro – O que melhor define você: atriz, cantora ou bailarina? Flaira Ferro – Essa resposta está na letra da música que te inspirou a pergunta. Meu caminho é o da busca. Nela procuro os lugares onde moram meus desafios. Quem se dispõe a olhar para dentro de si, na tentativa de entender seu papel no mundo, há de se deparar com muitas questões da existência. A dança está na minha vida há mais tempo, mas ela foi um pontapé inevitável para o teatro e para o canto. O que me interessa mesmo é a ponte que existe entre as três linguagens. Todas elas têm o corpo como instrumento e o movimento como impulso para ações e intenções. A possibilidade de me expressar misturando tudo isso é o que me define hoje.
Com uma consolidada carreira como bailarina e atriz foi preciso cortar algum cordão umbilical com aquelas artes para dedicar-se à música enquanto cantora? Ou tudo se soma e uma expressão ajuda a outra?
Elas são complementares e sem dúvida uma ajuda a outra, principalmente na compreensão de execução. Pra cantar é preciso respirar corretamente, coisa que a dança trabalha bastante. Pra interpretar uma dança ou música a atuação é um recurso importante na escolha das intenções, enfim.
Cordões umbilicais traduz uma reelaboração pop de ritmos tipicamente pernambucanos, como frevo, cavalo marinho, caboclinho e maracatu, e traz além de pitadas eletrônicas, referências eruditas. Como foi o processo de composição e gravação do álbum?
Tudo começou no final de 2012. Em um processo lento e atento às minhas verdades, juntei todas as composições que eu tinha feito ao longo da minha vida e convidei, por afinidade e entrosamento, os músicos Alencar Martins e Leonardo Gorosito para pensarmos na elaboração das músicas. Durante um ano nos encontramos semanalmente na casa de Alencar. Eu mostrava as letras e melodias e os dois criavam os arranjos. Dessa brincadeira saíram duas parcerias, Lafalafa e Contra-regra, com letras de minha autoria e música de Alencar. Depois de tudo arranjado, eles escolheram a dedo os músicos que formariam a banda para gravar no estúdio e foi quando conheci Jota Jota de Oliveira (baixo), Gabriel Zit (bateria) e Ciro de Oliveira (teclado). Fizemos alguns ensaios e gravamos o disco em dois estúdios: Cia do Gato e Ilha da Lua, ambos em São Paulo. Gustavo do Vale foi o técnico responsável pela gravação, mixagem e masterização. Além da banda, o disco contou com a participação especial dos músicos maestro Spok, Léo Rodrigues, Taís Cavalvanti, Danilo Nascimento, Sandra Oakh, Ramiro Marques e meus pais. Também tive parceiros fundamentais na autoria de algumas letras, são eles: Camila Moraes, Igor Bruno, Ulisses Moraes e minha irmã Flávia Ferro. Apesar de eu ter idealizado o projeto, Cordões Umbilicais foi feito por muitas mãos e jamais teria a cara que tem se não fossem todas as pessoas que mencionei acima. Tive a sorte de contar com músicos, familiares e profissionais que foram verdadeiros portais para esse sonho ser compartilhado.
Em Templo do tempo se indaga: “será que saberei um dia/ o que vou ser quando crescer?”. Nenhum risco de Cordões umbilicais ser teu único disco, não é? Ainda é cedo, mas já se pegou pensando no sucessor da estreia?
Sem dúvida. A composição é um exercício e uma necessidade constante. Tem muita música nascendo e em algum momento irei desaguá-las em um novo disco. Mas ainda vai levar tempo. Quero curtir esse primeiro filho com calma, rodar com shows, digerir e processar essa descoberta com carinho.
A letra de Contra-regra tem versículos bíblicos, sem nem de longe pagar de gospel. Você é religiosa? É católica? Que papel tem a Igreja em sua vida?
Até o mais ateu dos ateus não nega: deus é um tema irresistível. Não sou católica, muito menos religiosa. Levo uma vida sem misticismos ou superstições. A meu ver, dignidade vem com trabalho, bom humor e uma boa dose de teimosia. Acredito na espiritualidade como um tipo de inteligência que qualquer um pode ou não desenvolver e, para mim, a conexão com o divino é um estado de discernimento e expansão de consciência sobre o todo. Nasci num país onde os preceitos da cultura judaico-cristã predominam e de alguma forma me sinto influenciada por isso. Sou fascinada pela mensagem intrigante de amor incondicional pregada por Jesus Cristo. Quem consegue amar ao próximo como a si mesmo? Quem é capaz de dar a outra face se alguém o bater? Eu não consigo. A meu ver, o verdadeiro artista é um devoto às questões da alma. Neste sentido Jesus é pra mim um artista revolucionário e transgressor da maior ordem e, por isso mesmo, acredito que sua mensagem está longe de ser compreendida pela ganância e hipocrisia que regem o sistema político e cultural do Ocidente. Fico imaginando o que Jesus faria se presenciasse as atrocidades irreparáveis que os homens fazem em seu nome. É tanta intolerância, homofobia, racismo e violência dentro das igrejas que tenho dificuldade de me sentir representada plenamente por alguma instituição. Mas acho importante compartilhar experiências coletivas de fé para fortalecer a crença individual, seja ela qual for. Procuro me cercar de pessoas generosas que estejam dispostas a olhar a vida sem dogmas e moralismos e são nestas relações que minha igreja reside em essência. Identifico-me profundamente com a lógica de agradecimento presente nas manifestações populares como o Cavalo-marinho e o Reisado [maiúsculas dela]. Fui batizada em igreja batista, sempre que dá frequento a IBAB, o templo budista da Monja Coen e as sambadas do Instituto Brincante.
Diversas faixas têm um quê autobiográfico. O quanto dói se expor assim, como você afirma em Me curar de mim?
Não sei se existe uma dimensão para medir nossas dores. Acredito que todo processo de transformação demanda algum tipo de sofrimento, o que é saudável e natural. No meu caso, a exposição de minhas fraquezas dói o necessário para me fazer perceber o que preciso trabalhar.
Por falar em exposição, sua participação no projeto Apartamento 302, do fotógrafo Jorge Bispo, ganhou repercussão na seara política, ao que parece com veículos de comunicação querendo atingir seu pai. O que achou de participar do projeto e qual a sua opinião sobre essa repercussão enviesada?
Participar do projeto foi uma experiência interessante para lidar com a auto-imagem, o lugar do feminino e o julgamento externo. Sinto que a repercussão distorcida e maldosa só fortaleceu a importância de agir a partir da fidelidade às minhas próprias questões. O artista nem sempre vai ser compreendido, então, avante. Quando a gente se entrega de coração a alguma coisa, a paz que vem da escolha feita com verdade é absurda. O autoconhecimento é um tema que me seduz muito, desde pequena. Procuro viver atenta às minhas necessidades e todos os dias me faço a pergunta: estou investindo meu tempo tentando ser o melhor de mim mesma? A partir dela vou encontrando respostas para tomar decisões que independem do que os outros vão dizer ou achar.
Em Atriz, cantora ou dançarina você afirma: “Por ora agora gosto de cantar/ mas se amanhã isso bastar/ serei fiel ao que me der vontade”. O que Flaira ainda não fez e tem vontade? Muita coisa, né? Mas das que estão no topo da lista, tenho muita vontade de organizar uma viagem intensa pelo Brasil para fazer uma pesquisa de campo sobre os ritmos e as danças populares de cada região do país.
Célia Maria, considerada a “voz de ouro” do Maranhão, será acompanhada pelo Trítono Trio. Noite terá ainda discotecagem de Pedro Sobrinho
Robertinho Chinês (cavaquinho e bandolim), Rui Mário (sanfona) e Israel Dantas (violão), o Trítono Trio. Foto: divulgação
É grande a expectativa para a segunda edição de RicoChoro ComVida. Com edições mensais até o fim do ano no Barulhinho Bom (Rua da Palma, 217, Praia Grande) e produção de Ricarte Almeida Santos, o projeto pretende repetir o sucesso da edição inaugural, quando o restaurante ficou completamente lotado.
Desta vez os convidados são o Trítono Trio, a cantora Célia Maria e o DJ Pedro Sobrinho. O primeiro é formado pelos virtuoses Israel Dantas (violão), Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho) e Rui Mário (sanfona). A eles somam-se o talento de Mauro Sérgio (contrabaixo) e Ronald Nascimento (bateria). Sim, o trio vira um quinteto nesta ocasião.
“Na verdade, eles são nossos convidados. Junto deles podemos explorar mais sonoridades para nossa música, pelo fato de compartilharem de ideias iguais às nossas”, explica Robertinho Chinês. “Somos três solistas, precisaríamos de outros instrumentos que dessem uma cor diferente para nosso trabalho. Assim decidimos que teríamos a opção de eventualmente esse trio se tornar um quinteto, dando até uma dinâmica nas nossas apresentações. Então os convidamos, dois grandes e maravilhosos músicos”, completa Rui Mário.
O repertório promete: composições próprias e releituras de clássicos do choro e da música brasileira. Dominguinhos, Hermeto Pascoal, Ivan Lins, João do Vale, Zequinha de Abreu, Egberto Gismonti, Tom Jobim e Sivuca estão no cardápio do grupo.
O “dejota” Pedro Sobrinho. Foto: Fafá Lago
Discotecagem – Antes, o DJ Pedro Sobrinho aquece o público. Antenado, “plugado”, como se chama o programa de rádio que apresenta, ele é um dos mais requisitados “dejotas” – como ele mesmo brinca de aportuguesar a sigla de disc jockey – da ilha. Na ocasião, em sua seleção sempre calcada em pesquisa, samba rock dos anos 1960 e 70, remixes de bossa nova, samba e choro, sem fugir da essência do RicoChoro ComVida.
“Pela grandeza, é um evento de que tenho o maior prazer de participar. Agradeço o convite do seu idealizador Ricarte Almeida Santos. Espero que a plateia ouça e se divirta com esse repertório, criado especialmente para aquecer esse projeto mensal que valoriza o músico maranhense e o choro, esse patrimônio genuinamente brasileiro”, declarou Pedro Sobrinho.
Voz de ouro – Formada na escola dos programas de auditório de rádios do Maranhão, Célia Maria ganhou o nome artístico justamente ao se apresentar em um pela primeira vez: com medo de ser reconhecida, Cecília Bruce dos Reis usou o nome artístico que a acompanha até hoje. Chegou a cantar nas rádios Nacional e Mayrink Veiga, nos programas de César de Alencar e Abelardo Barbosa, o Chacrinha.
A diva Célia Maria. Foto: Ton Bezerra
No mítico Zicartola conheceu e cantou ao lado de figuras como Zé Kéti, João do Vale, Paulinho da Viola e Jackson do Pandeiro, entre outros. Conhecida como “a voz de ouro” do Maranhão, Célia Maria tem um disco gravado, o homônimo Célia Maria (2001). Naquele ano, deu ao compositor Joãozinho Ribeiro o prêmio Universidade FM de melhor composição, pelo choro Milhões de uns, com arranjo de Ubiratan Sousa.
Atualmente prepara seu segundo disco, inteiramente dedicado a sambistas da Madre Deus. O trabalho tem produção e direção musical do violonista Luiz Jr. Participou das coletâneas Memória – Música do Maranhão (1997) e Antoniologia Vieira (2001), este último lembrado entre os 12 discos mais importantes da música do Maranhão, em enquete do jornal Vias de Fato junto a produtores, radialistas, jornalistas, djs, escritores e pesquisadores. Em Milhões de uns – vol. 1, estreia fonográfica de Joãozinho Ribeiro, interpreta o choro Saiba, rapaz.
Os músicos do Trítono Trio derretem-se em elogios à diva. “Já tive a honra de acompanhá-la algumas vezes e gravar no seu cd que está em fase de elaboração. Dona Célia é uma grande dama da música, é sempre uma satisfação e um aprendizado acompanhá-la”, revelou Robertinho Chinês. “Ficamos muito felizes em saber que iríamos acompanhar essa grande cantora, grande intérprete, de uma sensibilidade rítmica e melódica incrível. A responsabilidade é imensa, mas também, vai ser um encontro maravilhoso, onde vamos fazer de tudo para que o show seja um grande espetáculo”, prometeu Rui Mário.
RicoChoro ComVida tem patrocínio da Fundação Municipal de Cultura (Func), Gabinete do Deputado Bira do Pindaré e TVN, apoio do Restaurante Barulhinho Bom, Calado e Corrêa Advogados Associados, Sonora Studio, Clube do Choro do Maranhão, Gráfica Dunas, Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt e Musika S.A. Produções Artísticas e produção de RicoMar Produções Artísticas.
Serviço
O quê: RicoChoro ComVida Quem: Trítono Trio, Célia Maria e DJ Pedro Sobrinho Quando: 5 de setembro (sábado), às 18h Quanto: R$ 20,00 (metade para estudantes com carteira e demais casos previstos em lei). R$ 120,00 (mesa para quatro lugares. Venda antecipada pelo telefone (98) 988265617) Onde: Barulhinho Bom (Rua da Palma, 217, Praia Grande) Patrocínio: Fundação Municipal de Cultura (Func), Gabinete do Deputado Bira do Pindaré e TVN Apoio: Restaurante Barulhinho Bom, Calado e Corrêa Advogados Associados, Sonora Studio, Clube do Choro do Maranhão, Gráfica Dunas, Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt e Musika S.A. Produções Artísticas Produção: RicoMar Produções Artísticas Maiores informações: (98) 988265617, 981920111 e/ou 991668162
Apresentação do compositor dá continuidade à temporada de lançamento de Milhões de uns – vol. 1, seu disco de estreia. Na ocasião será exibido curta-metragem integrante da programação do Festival Avanca-São Luís
A cantora Milla Camões aplaude o compositor Joãozinho Ribeiro em edição da temporada Milhões de uns. Foto: Ton Bezerra
O compositor Joãozinho Ribeiro volta ao palco do Restaurante Malagueta (Rua das Graúnas, 3, Renascença II) dia 28 de agosto (sexta-feira), às 20h, dando continuidade à temporada de lançamentos e noites de autógrafos do cd Milhões de uns- vol. 1, trabalho que marca sua estreia no mercado fonográfico.
Cinema – A abertura da noite fica por conta da avant-première do festival Avanca-São Luís. Na ocasião Francisco Colombo apresentará um curta-metragem que integra a programação da mostra, que acontecerá dias 2 e 3 de setembro, no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy).
O cineasta e professor universitário está cursando mestrado em Comunicação em Aveiro, Portugal, e selecionou alguns filmes de um festival local para mostrar em São Luís. “É uma oportunidade única, já que provavelmente estes filmes não chegarão ao circuito das salas de cinema no Brasil, mesmo as não comerciais”, avisa. O festival também acontecerá em Imperatriz, com produção de Marcos Fábio Belo Matos, professor da UFMA naquele município.
“Quem me conhece e acompanha minha trajetória sabe que sempre gostei de estimular o diálogo entre as mais variadas linguagens artísticas, seja como artista, seja como gestor”, afirmou Joãozinho Ribeiro, que já mesclou poesia à música das noites de Milhões de uns e agora traz o cinema para o centro das atenções.
Participações especiais – Os convidados do show são Milla Camões e Hugo Carafunim. À cantora o artista não poupou elogios quando de sua última apresentação e é conhecida a aclamação da plateia quando ela interpretou o blues Coisa de Deus (Joãozinho Ribeiro e Betto Pereira) no show de gravação do cd: escalada apenas para a primeira noite, acabou participando também da segunda, atendendo ao pedido do público.
O trompetista Hugo Carafunim é sobrinho de Joãozinho Ribeiro. Ex-aluno da Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo (EMEM) e da Banda do Bom Menino do Convento das Mercês – onde hoje dá aula –, suas primeiras aparições públicas foram justamente ao lado do tio, no circuito musical alternativo Samba da Minha Terra, que levou samba e choro a 18 comunidades de São Luís entre 2002 e 2003.
O repertório base da apresentação é o de Milhões de uns – vol. 1, mas Joãozinho Ribeiro deve interpretar ainda composições inéditas, além de outras, já gravadas por diversos artistas – convém lembrar que ele é um dos compositores mais requisitados do Maranhão. Durante a apresentação será acompanhado por Darkliwson (percussão), Elton Nascimento (flauta e saxofone), Luiz Jr. (violão sete cordas e direção musical) e Murilo Rego (teclado). Os ingressos individuais custam R$ 20,00 e podem ser adquiridos no local.
Serviço
O quê: show Milhões de uns – vol 1 e Avant-première do Festival de Cinema Avanca-São Luís Quem: Joãozinho Ribeiro, com participações especiais de Milla Camões, Hugo Carafunim e Francisco Colombo Quando: 28 de agosto (sexta-feira), às 20h Onde: Restaurante Malagueta (Rua das Graúnas, 3, Renascença II) Quanto: R$ 20,00
Show acontece sexta-feira, 31, com participações especiais de Adler São Luís, Célia Maria e Milla Camões
Divulgação
Ilha adentro, o compositor Joãozinho Ribeiro segue sua turnê-maratona de lançamento de Milhões de uns – vol. 1, gravado ao vivo no Teatro Arthur Azevedo em novembro de 2012, com a participação de diversos artistas, entre os quais Chico César e Zeca Baleiro.
Recentemente Joãozinho esteve no Bip Bip, em Copabacana, Rio de Janeiro, mítico cenário da música e boemia cariocas, ocasião em que (re)encontrou diversos amigos maranhenses, autografou seu disco e prestigiou uma roda de choro que contou com a presença de uma lenda viva da flauta: a francesa Odette Ernst Dias, radicada no Brasil, uma das fundadoras do Clube do Choro de Brasília.
A próxima aparição de Joãozinho Ribeiro com a turnê de Milhões de uns será no Restaurante Malagueta (Rua das Graúnas, 3, Jardim Renascença II, telefone: (98) 32273000), nesta sexta-feira, 31, às 21h30. Os ingressos individuais podem ser adquiridos no local e custam R$ 20,00.
Na oportunidade Joãozinho Ribeiro contará com as participações especiais de Célia Maria, Milla Camões e Adler São Luís, seu primo. Anfitrião e convidados serão acompanhados por Celso Bastos (saxofone, flauta e clarinete), Luiz Cláudio (percussão), Luiz Jr. (viola, violão sete cordas e guitarra) e Rui Mário (sanfona).
Convidados – Célia Maria iniciou sua carreira artística no tempo em que as rádios eram dotadas de auditórios, e parte da programação era preenchida com música ao vivo, entre calouros e profissionais. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde conviveu com nomes como Nelson Cavaquinho e Cartola. Seu disco de estreia – e até aqui único gravado – leva apenas seu nome e foi lançado em 2001 e rendeu, no ano seguinte, o Prêmio Universidade FM de melhor compositor a Joãozinho Ribeiro por Milhões de uns.
Carioca de nascimento, maranhense de adoção, Milla Camões está gravando seu disco de estreia. Reconhecida na noite ludovicense, já venceu o Prêmio Universidade FM na categoria Talento da Noite. Versátil, transita pelos universos do samba, da bossa, do choro e do jazz com igual desenvoltura. Em 2012 foi escalada para a primeira noite do espetáculo de gravação de Milhões de uns, disco de estreia de Joãozinho Ribeiro. Cantou Coisa de Deus, blues parceria dele com Betto Pereira. Ovacionada pela plateia, precisou ser escalada para a segunda noite, interpretando a mesma canção.
Primo de Joãozinho Ribeiro e Arlindo Pipiu, Adler São Luís deixou a cidade natal que lhe dá nome artístico após concluir o ensino médio – então segundo grau – no Liceu Maranhense na década de 1970. A ideia era cursar Engenharia Química no Rio de Janeiro. Mas a música falou mais alto. Na década de 1980 gravou Tambô de criola, com a banda de Elba Ramalho e participações de nomes como Manassés, Marcos Suzano, Paulo Moura e Luiz Melodia. Em 1981, sua música Couraça foi gravada pela potiguar Terezinha de Jesus em Pra incendiar seu coração (CBS). Em 2012 lançou o livro de poemas Substância rara. Radicado em São Paulo há 20 anos sempre vem ao Maranhão para recarregar as baterias.
Em clima de festa e reencontro a noite de autógrafos de Milhões de uns promete ser mais uma celebração à amizade e à boa música. De avalistas, o espírito agregador e a vasta obra musical de Joãozinho Ribeiro, talento reconhecido como um dos compositores mais gravados do Maranhão.
O compositor Chico Saldanha, 70, anunciou para ainda este ano o lançamento de Plano B, seu quarto disco. O aguardado sucessor de Emaranhado (2007) está praticamente pronto.
“Quando voltar de uma viagem vou colocar as últimas vozes, Zeca [Baleiro] gravará sua participação e vamos para as fases de mixagem, masterização e prensagem”, anunciou Saldanha, com exclusividade, ao blogue. Ele irá à Suíça, acompanhar o nascimento de uma neta.
Um disco novo de Chico Saldanha é sempre um acontecimento. O intervalo entre um e outro ajuda a explicar o esmero com que cada álbum é feito. Intitulado Chico Saldanha, seu vinil de estreia, gravado em São Paulo, quando o artista morou lá, foi lançado em 1988, e emplacou ao menos um hit: Itamirim, interpretada por Tião Carvalho.
Aquele álbum trazia também Linha puída, sua canção mais regravada. O segundo disco, Celebração, foi lançado 10 anos depois. O álbum começa com uma homenagem à sua cidade natal, Parabéns, Rosário (Ribamar Marques), que remonta às origens do sotaque de orquestra do bumba meu boi.
Em Emaranhado ele contou com as participações especiais de Zeca Baleiro, Josias Sobrinho, Gerude, Inaldo Bartolomeu e Lenita Pinheiro. Este terceiro disco transita por uma veia pop, sem tirar o pé do brega (Mara), passando por bolero (Babalu), bumba meu boi (a faixa título), blues (Cover de blues) e choro (Branco).
Hoje (23), amanhã (24) e segunda-feira (27) o programa Santo de Casa, na rádio Universidade FM (106,9MHz) apresentará em primeira mão três faixas de Plano B, todas de autoria de Saldanha: Afeganistão, carinhosa e divertidíssima homenagem a um saudoso bar da Madre Deus, bastante frequentado por ele, este blogueiro e outros bambas, Ella, homenagem a Ella Fitzgerald, diva do jazz, e Buriti, em que homenageia os “geniais artífices” do interior do Maranhão que transformam a fibra dessa palmeira em obras de arte. A faixa tem participação especial da cantora Lena Machado.
As três faixas enviadas pelo artista à rádio têm execução de Luiz Jr. (violão, guitarra e arranjos), Mauro (contrabaixo), Rui Mário (sanfona e teclados) e Wanderson (percussão). Afeganistão tem sopros de Daniel Miranda, Daniel Cavalcanti e Elton Nascimento.
O Santo de Casa vai ao ar de segunda a sexta às 11h, com produção de Paula Brito e apresentação de Gisa Franco.