(How) wouldn’t it be nice?

Vingadora da Costa Oeste. Capa. Reprodução
Vingadora da Costa Oeste. Capa. Reprodução

Kate Bishop, a Gaviã Arqueira, é tão atrapalhada que às vezes não parece uma super-heroína, mas uma humana comum. Vingadora da Costa Oeste, o gibi da Panini Comics [2016, 122 p., R$ 28,90], reúne as edições 14, 16, 18 e 20 de Hawkeye, nome original da personagem criada por Allan Heinberg e Jim Cheung, e Hawkeye Annual 1, escritas por Matt Fraction e ilustradas por Annie Wu e Javier Pulido.

Após discutir com Clint Barton, o Gavião Arqueiro, ela ruma para Los Angeles, acompanhada do cachorro, numa aventura que inclui procura de emprego, roubo de orquídea, bico de detetive particular, encontros ocasionais em supermercado, o convívio com um casal de homossexuais (que têm a ver com a flor roubada) e uma flecha USB.

Pode parecer anacrônico, hoje, uma super-heroína usar arco e flecha, e uma curiosidade interessante é que Bishop (sobrenome de poeta), nascida em berço de ouro, toca violoncelo. A conexão com a música não para aí: nesta aventura, a protagonista ajuda um gênio da música pop dos anos 1960, numa bela homenagem a Brian Wilson, líder dos Beach Boys.

Há muito mais, mas só por esta inusitada aparição o gibi já valeria a pena.

Isabel, cômica

Isabel faz pose enquanto autografa um exemplar do álbum de retratos inventado por seus pais

O escritor Bruno Azevêdo e a jornalista Karla Freire escolheram uma forma nada convencional – mais que isso, uma forma genial – de documentar os primeiros anos de sua filha, Isabel: fotografando-a e criando histórias.

Ontem, na Livraria Leitura (Shopping da Ilha), aconteceu o lançamento de Isabel Comics! – ano dois [Pitomba, 2013, 54 p., R$ 20,00], que reúne tiras do segundo ano de vida da criança mais famosa de São Luís.

Os pais, autores de, entre outros, O Monstro Souza – romance festifud [Pitomba, 2010, 244 p., esgotado] e Onde o reggae é a lei [Edufma/ Pitomba, 2012, 304 p., R$ 45,00], respectivamente, passaram boa parte de seu tempo, nos últimos dois anos – que Isabel completou em março passado –, fotografando, escrevendo e montando as histórias mui engraçadas de sua filha.

A capa já entrega a sapequice – existe essa palavra? – da guria, ao desafiar a ordem estabelecida, tentando subir em um escorregador justo no lugar em que se deveria descer. Não se pode ser herdeira de Bruno e Karla impunemente.

Bruno Azevêdo é um quadrinhista que não desenha. Em Isabel Comics!, ele e sua esposa também são atores na fotonovela cuja personagem principal é sua filha, com pontas do Gato Marreco – um agente secreto aposentado – e de alguns parentes e amigos. Fotografam-se uns aos outros e recheiam as histórias de referências a alta e baixa cultura, distinções que aqui nem fazem sentido (e fazem nalgum lugar?).

Estão lá A Galinha Pintadinha, as “tias” da creche, o mar cheio de merda da Ilha capital (uma das páginas preferidas deste blogueiro), o sorveteiro Quantos – sucesso absoluto (há “quantos” anos?) pelos corredores da UFMA, onde os pais de Isabel cursaram graduações e mestrados –, Tony, o Troninho, a nutricionista (recomendando em alto e bom som “Mocotó pra Missu!” – seu apelido), Bob Esponja, South Park, Star Wars e os Backyardigans – “Biardigans”, na pronúncia de Missu. Sobra até mesmo para o sociólogo Pierre Bourdieu e o diabo – sim, o capeta, imortalizado em uma parede do Desterro, bairro do Centro Histórico ludovicense, e agora em uma página de Isabel Comics!.

Algumas histórias do álbum podem ser vistas no perfil da publicação no Facebook e no blogue do pai. A quem ainda não sacou o sorriso de Bebel fazendo-nos sorrir, se liguem: este ano dois é o último da publicação deste álbum de fotografias, pois como advertem os pais numa espécie de bilhete de abertura, “não queremos que você cresça como um personagem de gibi”. Será mesmo que não rolaram umas sobras?