Enquanto isso, na Federa de Nataino Sagado…

pê-Na pê-brin-pê-ca-pê-dei-pê-ra pê-do pê-pê, você insere a sílaba pê entre as sílabas das palavras. Na da UFMA, sede da reunião anual da SBPC, que começa amanhã, a onda é cortar a etra L, inúti…

Não sei de quem é a foto, a que cheguei via Sonique Mota, leitoratenta deste blogue, via facebook. Coitado do Cebolinha!

 

10 links para Cesar Teixeira

Em contagem regressiva, 10 links para os poucos mas fieis leitores (que convidarão outros muitos para lotar o Trapiche quando do acima) irem se aquecendo.

Discurso de Cesar Teixeira por ocasião de sua premiação com a comenda José Augusto Mochel, do PCdoB, como figura de destacada atuação em prol dos direitos humanos no Maranhão, ano passado.

A foto de Murilo Santos cujo detalhe serve de cabeçalho a este blogue, em que Josias Sobrinho e Cesar Teixeira fazem um par de violeiros em MaréMemória, peça do Laborarte baseada no livro-poema de José Chagas, em maio de 1974.

Antes da MPM, texto de Flávio Reis que viria a integrar seu Guerrilhas [Pitomba!/ Vias de Fato, 2012]; o artigo, originalmente publicado no jornal Vias de Fato, de que Cesar Teixeira é fundador, dá uma panorâmica na produção musical do Maranhão da fundação do Laborarte (1972) aos dias atuais; o compositor fundou também o Laboratório de Expressões Artísticas do Maranhão.

Para entender Cesar Teixeira, comentário de Alberto Jr. sobre Bandeira de Aço, show que o compositor apresentou ano passado no Circo da Cidade, publicado no jornal O Estado do Maranhão.

Caricatura de Salomão Jr. que enfeitou o texto acima.

Bandeira de Aço e êxtase, comentário deste blogueiro sobre o mesmo show.

A entrevista que Cesar Teixeira concedeu a Ricarte Almeida Santos e este blogueiro, no Chorinhos e Chorões (Rádio Universidade FM, 106,9MHz), antes do show de ano passado. Em quatro blocos, o programa traz amostra chorística da obra do compositor, em interpretações próprias e de grandes nomes da música brasileira.

Bandeira de aço, eterna, texto deste blogueiro que saiu no Vias de Fato de julho do ano passado, divulgando o show. Um ano depois, outro texto nosso sobre o show de 3 de agosto; o jornal chega às bancas e assinantes este fim de semana.

Cinco poemas de Cesar Teixeira publicados em um livro do poeta Herberth de Jesus Santos, o Betinho.

Hino latino (Oração favelense) (A Cesar o que é de Cesar), samba-enredo com três títulos, meu (letra) e de Gildomar Marinho (música), com que participamos (e fomos desclassificados na primeira eliminatória) do concurso da Favela do Samba quando a escola de samba ludovicense homenagearia o compositor.

Este blogue tem lado e diz. Que outros o farão?

(OU: SÃO LUÍS, O CAMINHO É PELA ESQUERDA)

Desde cedo aprendi que imparcialidade jornalística é quimera.

O fato é o fato; a notícia, uma forma de contar aquele. Uma forma, viram? Um repórter escreve uma matéria de um jeito, outro, de outro. Dois repórteres cobrindo determinado fato não escreverão a notícia da mesma maneira, a mesma notícia – a não ser que, prática corriqueira no jornalismo cometido no Maranhão, estejamos falando do control c control v que empesteia as redações, a blogosfera, o escambau.

Desde sempre aprendi que o compromisso do jornalismo deve ser com a verdade, com a informação, com o interesse público.

No Maranhão, notícia virou mercadoria. Este blogue, em pouco mais de oito anos de existência, nunca colocou um centavo no bolso deste que o escreve/edita. Não é a primeira vez que toma partido, declara voto, assume suas preferências, com as dores e delícias que estas envolvem.

A campanha eleitoral está nas ruas e logo chegará ao rádio e televisão. Este blogue declara apoio à candidatura de Haroldo Sabóia (PSol) à prefeitura de São Luís do Maranhão, encabeçando a chapa “São Luís, o caminho é pela esquerda” (PSol/ PCB).

O “selo” colocado à sua esquerda na página inicial permanecerá aí até o dia do pleito. O blogue não recebeu, não recebe, nem receberá um centavo por isso. Se, por acaso, a campanha da chapa PSol/PCB me encomendar algum trabalho, declararei cá no blogue, inclusive o valor da remuneração.

O que mais há no Brasil – e particularmente no Maranhão – são veículos e profissionais de comunicação que têm partido e candidato, mas não declaram. E dizem ser imparciais e assim exercer seu ofício. Este blogue o faz, como o fez, por exemplo, a revista Trip, que há tempos, pioneiramente, recusou publicidade de tabaco em suas páginas e, à época de um referendo, declarou-se a favor do desarmamento de cidadãos. No primeiro caso a atitude da revista foi um dos primeiros elementos que dariam na proibição da publicidade de cigarro no Brasil.

No Maranhão, programas de rádio e tevê, jornais e blogues são, em grande parte, instrumentos de campanha política travestidos de noticiário. Este blogue continuará suas atividades normalmente: a única coisa que faz aqui é assumir seu candidato, de que lado está nestas eleições municipais. Resta saber quantos e que outros veículos e profissionais o farão com clareza. Fica o desafio, quem topa?

Quem não gostar procure o Procon!

Jessyca Segadilha concedeu há pouco uma entrevista ao programa Balanço Geral, da TV Cidade/ Rede Record. Falava, pelo que entendi, representando o Procon/MA e a conversa com o apresentador Sérgio Murilo tinha por mote a medida da Anatel que proíbe, a partir de segunda-feira próxima (23), a venda de chips das operadoras Claro, Oi e Tim em alguns estados brasileiros. No Maranhão a proibição afeta apenas a terceira.

Não vi a entrevista inteira: quando liguei a televisão para dar aquela descansada após o almoço, o papo entre a, suponho, servidora da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Cidadania (Sedihc) e o jornalista já estava em andamento. Para além da pauta que cobria os problemas referentes aos serviços de telefonia móvel a conversa enveredou, por exemplo, por cartões de crédito e suas abusivas taxas de juros.

“Como denunciar?” À pergunta de Sérgio Murilo, Jessyca Segadilha recomendou que os clientes, particularmente no tocante às operadoras de telefonia, reclamassem primeiro junto à empresa, garantindo assim o número de protocolo e só depois reclamassem ao Procon. Passou aos telespectadores o endereço do órgão, hoje localizado na Rua do Egito, nº. 207, no Centro de São Luís.

Indagada sobre os números de telefone do Procon ela não soube dizê-los e informou que os mesmos estavam no site do órgão; questionada sobre este endereço eletrônico, “bateu um branco”, ela novamente não soube informar e recomendou aos interessados entrar no site do Governo do Estado, depois no da Secretaria de Direitos Humanos e então acessar o link do Procon.

Um tortuoso caminho – como quando você chega numa repartição e é jogado de um funcionário a outro –, burocrático e que não atende à grande maioria da população que via o misto de noticiário e entretenimento. O Procon, que deve combater, por exemplo, abusos como as infinitas transferências de ligações entre atendentes de telemarketing, “eu vou estar te transferindo para que você possa estar resolvendo seu problema”, até que você desiste, a ligação cai ou, de um modo ou outro, seu problema continua sem solução. Pela lógica da entrevistada, repito, você acessa um site, para chegar a outro e ali encontrar o link e os telefones do Procon. Isso se a internet não cair, antes de você completar a operação – o que em São Luís é muito comum, sobretudo quando chove.

Serviço – O Procon tem quatro unidades de atendimento no Maranhão (número bastante aquém do ideal. Será que adianta reclamar… no Procon?): duas em São Luís – no endereço da Rua do Egito, acima, e no Viva Cidadão da Praia Grande –, uma em Balsas e uma em Caxias. Essa informação foi dada pela Jessyca Segadilha na citada entrevista. O blogue dá aqui o que ela não soube há pouco: http://www.procon.ma.gov.br, proconsede@procon.ma.gov.br, (98) 3261-5100. Boa sorte!

Um blogueiro na biblioteca

Há quase um ano, salvo melhor juízo, tomei conhecimento do Cândido, jornal que a Biblioteca Pública do Paraná estava lançando à época. Fã confesso de Paulo Leminski, não resisti, ao ver uma caricatura sua na capa de estreia, a ligar para a BPP e ser simpaticamente atendido por um homem cujo nome não lembro agora.

Disse-lhe que era de São Luís, Maranhão, e que gostaria de receber o jornal. Ele anotou meu endereço e disse que meu nome não era estranho, que já havia lido meu blogue. Li o primeiro número do Cândido pela internet e este cuja capa é estampada pelo Leminski é o único que não tenho em minha coleção. O 2 demoraria a chegar e cheguei mesmo a pensar que aquela simpatia toda ao telefone havia sido apenas educação. O que não seria pouco.

Enganei-me, ainda bem. Mês após mês tenho recebido em minha casa um dos 5.000 exemplares de sua tiragem. Pode parecer bobagem, mas sinto-me honrado. Um jornal bonito, de capas coloridas e miolo em p&b, com conteúdo de primeira. Dedicado quase exclusivamente à literatura, já passaram por suas páginas nomes como Marçal Aquino, João Paulo Cuenca, Cadão Volpato, Sérgio Sant’Anna, Fernando Morais, André Dahmer, Joca Reiners Terron, Luiz Vilela, Luiz Alfredo Garcia-Roza e Reinaldo Moraes, entre muitos outros, para citar apenas alguns que me vêm à cabeça imediatamente, sem eu correr ali à bagunça das estantes para relembrar.

Cândido, o nome do jornal, é homenagem a “Cândido Lopes, que hoje dá nome à rua em que está localizada a Biblioteca Pública do Paraná. Lopes fundou o jornal Dezenove de Dezembro, em 1854, o primeiro impresso paranaense”, aspas extraídas de Pelas calçadas da literatura, texto assinado por Guilherme Magalhães no nº. 10 (maio de 2012, p. 13) do citado jornal literário.

19 de dezembro é a data em que nasci, quase século e meio depois, coincidência que eu só viria a descobrir ao ter em mãos aquele número do jornal. Mas não seria a primeira: em maio passado minha esposa viajou à capital paranaense para apresentar um trabalho em um seminário de Direitos Humanos. Dois dias depois, às próprias custas s/a, juntei-me a ela para um turismo na cidade em que, para meu confesso espanto, Leminski é pouco lembrado. Antes da outra coincidência, volto a Guilherme Magalhães, no citado texto: “Por outro lado, figuras de proa da literatura paranaense dos últimos 50 anos também ainda não tiveram a honra de virar logradouro, o que pode denotar o distanciamento do tempo como um critério para as homenagens. Jamil Snege, Paulo Leminski (que virou nome de pedreira e de escola, mas não de rua) e Manoel Carlos Karam (que dá nome a uma casa de leitura) ainda não foram lembrados pelos políticos curitibanos, responsáveis por propor nomes a logradouros” (p. 13). Visitei a belíssima Pedreira Paulo Leminski e sua Ópera de Arame, além de ter comido e bebido na Manoel Carlos Karam, praça de alimentação do encantador Mercado Público Municipal, passeio que recomendo a qualquer turista, com pouca grana como eu ou não.

A outra coincidência conto agora. Chegando em Curitiba, calhou de o ônibus que me levou até o hotel parar justo em frente à BPP – hospedei-me bastante perto dela –; uma visita ao órgão público já estava planejada, ao menos em minha cabeça. Num sábado de maio pela manhã – sim, em Curitiba a Biblioteca Pública funciona aos sábados de manhã – apareci por lá e pedi para falar com alguém responsável pelo Cândido. A recepção me encaminhou a Tatijane Albach, que me dispensou enorme atenção e simpatia, levou-me para conhecer parte das dependências da BPP, que passava por reforma e tinha alguns setores fechados, e ainda me deu alguns presentinhos, além de apresentar-me alguns projetos.

O Um escritor na biblioteca, a plateia conversa com um escritor, com moderação de um jornalista, é uma reedição de projeto da década de 1980; os melhores momentos dos debate-papos têm sido reproduzidos Cândido após Cândido, devendo virar livro em breve; assim como deve ganhar reedição um livro já publicado com os participantes de há 20 e poucos, 30 anos.

Tatijane brindou-me ainda com um exemplar de Helena (ano 1, número zero, junho de 2012), revistão colorido de 114 páginas, anunciada na contracapa como “um pouco de muito da nossa cultura”, o nome, uma homenagem à poeta Helena Kolody. “A gente tem uma tradição de publicações com nome de homens, o Cândido, a Joaquim [revista editada há tempos por Dalton Trevisan]”, ela deve ter citado outros, “agora a Helena, uma mulher”, explicou anunciando a publicação trimestral da BPP.

Voltei ao hotel para guardar o pacote com Helena e alguns exemplares do Cândido antes de prosseguir o passeio com a esposa; Tatijane desceu as escadas e foi comprar pão de queijo para um café com que ajudaria a espantar o frio nem tão rigoroso assim que fazia aquela manhã em Curitiba.

Tatijane e o blogueiro, quando este visitou a BPP

Grupos folclóricos serão categorizados pela Secma

É o que leio na manchete da capa do Alternativo (link para assinantes com senha), nO Estado do Maranhão de hoje. Tipo, os grupos de bumba meu boi serão classificados em categorias, A, B, C etc., como as divisões num campeonato de futebol, por exemplo.

Uns argumentarão: “ah, mas no carnaval já é assim”. O carnaval de passarela é competitivo. Nunca vi um bumba meu boi aqui ser campeão de São João, a não ser os autoproclamados, numa estratégia de marketing. Opinião do blogue: o Maranhão, de novo, vai na contramão da história.

Nem dá mais pra falar que na contramão das políticas públicas de cultura do governo federal, por que com a Ana de Hollanda lá, parece que a turma daqui sintonizou: Secma e MinC andam pra trás. Folclóricos não são os grupos de cultura popular que a Secma pretende categorizar: folclórica é esta gestão!

Carlos Junot, coordenador do Núcleo de Observação e Relatório de Eventos da Secma, setor que eu sequer sabia existir, afirma na matéria: “Alguns [grupos] se sentiam prejudicados, já que muitos requeriam apresentações nos arraiais apoiados pelo governo, não compareciam e, mesmo assim, recebiam seus cachês”. Opinião do blogue: aí não é a categorização que resolve, mas a fiscalização.

Mais na frente o mesmo servidor afirma que “queremos privilegiar aqueles que fazem um bom trabalho”. Ao dicionário: Privilégio: direito ou vantagem concedido a alguém, com exclusão de outros; Direito: o que pode ser exigido em conformidade com as leis ou a justiça. Isto para trazermos apenas uma acepção de cada verbete. Opinião do blogue: não tem que privilegiar ninguém. Tem que garantir a participação, isto é, o direito, dos que fazem um bom trabalho e punir os que recebem recursos públicos e não dão as caras nos arraiais.

Paulo de Aruanda, presidente da Federação das Entidades Folclóricas e Culturais do Estado do Maranhão, também foi ouvido pela reportagem de O Estado. Ele sugere a categorização por sotaque, mas isso já é feito de forma até natural. Ou o grupo é de um sotaque ou é de outro e mesmo grupos como Barrica e Boizinho Incantado são classificados de alternativos. Interessante na fala dele é a lembrança dos chamados bois de promessa: “Não podemos esquecer os aspectos religiosos, econômicos, sociais e de tradição destes grupos. Um exemplo são os bois de promessa, que não têm caráter econômico e que, portanto, não podem ser comparados com os que têm esta finalidade”, ou seja, o mercado, de certa forma, já categoriza os bois que a Secma quer, digamos, recategorizar, porém, provavelmente, usando os mesmos critérios do mercado. E devo dizer que isto é mero chute do blogue, já que os critérios de categorização não estão claros e é a própria federação supracitada quem reclama da falta de transparência na matéria.

Uma última provocação: a federação, dados da matéria, “congrega 700 grupos de bumba meu boi provenientes de todo o Maranhão”. Como sabemos, a capital São Luís é “privilegiada” no período junino, abarcando a grande maioria dos recursos da pasta da cultura destinada aos festejos. O que explica, por exemplo, termos 700 grupos, isso contando apenas os filiados à federação, fora os que não, e vermos, São João após São João, sempre os mesmos menos de 10% destes grupos nas programações oficiais? Isto já não é um exemplo de categorização e manutenção de “privilégios”?

Só me tornei editor porque não arrumei um!

Obra publicada em edição da revista Pitomba

Ficaria feliz em ter alguém que cuidasse de toda a parte chata do trabalho. Sobraria mais tempo pra escrever e terceirizaria o custo do material todo, que lucro mesmo eu nunca esperei. Grifes também fariam bem ao espírito, se calhasse.

Mas não calhou.

Tenho aqui tantas cartas de recusa de originais, que dava pra escrever um romance nas costas delas. Um dia uso pra alguma coisa, existe estilo, humor e sarcasmos deliciosos nelas.

A ideia da editora foi a de criar uma falácia. E se eu não fosse eu? Se me institucionalizasse? Criasse um nome de fantasia? O de batismo tinha falhado de todas as maneiras.

Meses depois, transformei o incômodo num pequeno texto chamado Manifesto Pitomba, no qual tentava enumerar problemas e soluções, mas que acabou brutalmente censurado pelo Reuben [da Cunha Rocha] e pelo Celso [Borges] — que têm mais senso do ridículo que eu — mas que insisto em colar, pequenininho, nos meus próprios livros. É no ridículo que opero.

Mas vamos lá. Ao problema.

Nossas possibilidades de edição se resumem a duas secretarias de cultura que valem menos que a merda do pombo da cumeeira do Oscar Frota. Os editais são escritos por um paquiderme, executados por um protozoário e resultam em livros tão feios que, ao longo dos anos, recusei-me a ler vários por não suportar o contato com o objeto.

Os caras não se importam com algo com o qual eu me importo muitíssimo, e isso me emputecia! Me inscrevi nesses editais por anos e anos, ganhei algumas vezes, mas nunca saía nada! É preciso que vocês entendam que um dia eu levei esse povo muito a sério. Eu até lia os poemas, porra!

Com o tempo, passou a me incomodar mais a atitude dos autores, que se sujeitam ao [Concurso Literário e Artístico] Cidade de São Luís todos os anos, sabendo do embuste, como se sujeitam aos editais da Secma (quando esta os faz). O trabalho deles ficava, ao logo dos anos, tão medíocre quanto o esquema todo. Parecia que os editais, antes de promover o tal fomento à produção, a viciava. Há de se tirar o chapéu ao funcionismo, conseguir travar gerações inteiras com uma estratégia de edição tosca e migalhenta como esta é um lance de gênio. Gente que, anos antes, tava amolando as pontas das facas aos murros.

A Pitomba é uma forma positiva de recusa à calhordice geral, ao amadorismo da oficialidade, devolvendo a ofensa na forma de livros ofensivos, porque ousamos achar que o livro é um troço importante, bonito, tesudo e tal. Também é uma maneira de existir, e qualquer existência fora das paredes das repartições, no Maranhão, é transgressora.

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Texto de Bruno Azevêdo, dono da Pitomba Livros e Discos, que publica as coisas dele [Breganejo Blues e O Monstro Souza, entre outros] e publicou, com o Vias de Fato, o Guerrilhas, do Flávio Reis. O reclame foi publicado no Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante, do Jornal Pequeno, sábado passado (30/6).

A Pitomba edita também a Pitomba. Digo, o selo/editora publica a revista, editada por Bruno com os citados Celso e Reuben, que também publicaram textos sobre a Pitomba, a revista, no Guesa. O do último tá no blogue dele (donde roubei a ilustração do post). O do remanescente da Guarnicê, se ele me mandar, que ver mesmo o Jornal Pequeno de sábado, eu não vi, eu penduro cá no blogue.

Tião Carvalho faz show no Papoético

Depois do sucesso de Chico Saldanha e Josias Sobrinho, que se apresentaram quando o Papoético ainda tinha como palco o Chico Discos, o projeto idealizado pelo poeta e jornalista Paulo Melo Sousa leva ao palco do Restaurante Cantinho da Estrela (Rua do Giz, 175, Praia Grande), o compositor Tião Carvalho.

É uma segunda empreitada mais arrojada de produção de um acontecimento semanal que já soma mais de 70 encontros, desde sua primeira edição, em novembro de 2010. Maranhense de Cururupu, o cidadão paulistano – vive em SP há mais de 25 anos – Tião Carvalho mostrará em Tiãozinho e sua gente, título do espetáculo, músicas autorais e sucessos de nomes do Maranhão, a exemplo de João do Vale, cujo repertório gravou em seu mais recente disco, Tião canta João, inteiramente dedicado à obra do mestre pedreirense.

O show acontece dia 5 de julho (quinta-feira), às 21h. Os ingressos custam apenas R$ 15,00. O evento tem apoio cultural da Livraria Poeme-se e da Banca de Revistas da Praia Grande. Na ocasião Tião Carvalho (voz) será acompanhado de Ana Flor (voz), Noel Carvalho (percussão), Ariel Coelho (percussão), Netinho (violão e guitarra), Tiago Lindoso (bateria) e Renata Amaral (contrabaixo, do grupo A Barca).

A abertura fica por conta da discotecagem de Victor Hugo, tocando música maranhense direto do vinil, num primoroso trabalho de pesquisa.

Aula de percussão com Zé da Chave

Figura fácil em festas, shows, vernissages e quetais, Zé da Chave batuca em qualquer coisa, em geral para desespero de artistas e plateia: de latas de cerveja a talheres em pratos vazios, sendo o mais comum seu molho de chaves, atire a primeira pedra o transeunte da Praia Grande que nunca tenha visto a cena.

Abaixo, pelas lentes do blogueiro, ele ensina um turista a percutir o chaveiro, depois tomando-o para si e acompanhando o grupo de bumba meu boi que se apresentava no Canto da Cultura, no dia de São Pedro.

Dom Xavier Gilles celebra 50 anos de ordenação sacerdotal

Dom Xavier recebeu de Dona Teté um presente por seu aniversário de ordenação

Missa celebrada na manhã de ontem (30/6), na Igreja do Bonfim, na Vila Nova, em São Luís, marcou o início das comemorações de 50 anos de ordenação sacerdotal de Dom Xavier Gilles, 77, bispo emérito de Viana, bispo referencial da Cáritas no Maranhão e presidente da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC).

A celebração contou com as presenças de Dom José Belisário, arcebispo de São Luís, Dom José Carlos Chacorowski, seu auxiliar, além de diversos padres, seminaristas e ex-seminaristas.

Com a igreja lotada, o bom humor dominou o ato que durou uma hora e 15 minutos, com diversas histórias e lições de Dom Xavier sendo relembradas. A missa no Bonfim, onde ele reside atualmente, marca o início de uma maratona pela efeméride: as celebrações continuarão dia 2 de julho em Viana, 5 em Buriticupu, 7 em São Benedito do Rio Preto e 8 em Urbano Santos.

Na foto que abre o post, ao reencontrar Dona Teté, 80, liderança católica da Vila Passos, Dom Xavier, ex-pároco do bairro, imediatamente lembrou um quase acidente há muitos anos: “Quase a gente morre abraçados”, brincou, relembrando a história já ouvida de ambos, uma ultrapassagem mal calculada por um frei que conduzia o veículo que lhes levava a algum município na região de Balsas. Ambos estão vivos e animados, professando a fé católica, graças a Deus, amém!

Outro viés da notícia no contexto da imprensa maranhense

“Atualmente, o governo do Estado está sob a direção de Roseana Sarney Murad, filha de José Sarney, que assumiu a gestão em abril de 2009, após a cassação do mandato do então governador Jackson Lago (2007-2009) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Roseana concluiu o mandato de Jackson e foi reeleita governadora em 2010. O processo eleitoral que a reelegeu tem sua legitimidade e lisura questionados enfrentando três processos de cassação impetrados por seus opositores. As análises feitas pelos grupos de oposição, pelos cientistas políticos, pesquisadores e movimentos sociais e legitimadas pelos dados oficiais revelam um estado cada vez mais empobrecido, em relação assimétrica e inversa com os discursos do “progresso e do desenvolvimento” alardeado nas propagandas oficiais e no impresso oficial da família, O Estado do Maranhão”.

Quarta irmã Cajazeiras, o presidente do Senado sempre soube utilizar a mídia

“Para além da meteórica atividade jornalística, antes de ingressar na Academia Maranhense de Letras e de iniciar sua carreira política, Sarney desde o começo da vida pública, relaciona-se e utiliza-se estrategicamente dos meios de comunicação. A aproximação com a linguagem do cinema, à época um importante instrumento de transmissão da informação em se tratando da realidade maranhense onde a televisão ainda estava se afirmando e muitas cidades interioranas dispunham de salas de projeção, a utilização de jingles de campanha com direito a produção de disco com artistas de renome no rádio brasileiro, a utilização da Rádio Timbira, estatal onde eram veiculados spots e informações do governo, foram passos iniciais na direção do que viria a se constituir mais tarde”.

“Com tal histórico de concentração dos meios de comunicação nas mãos de um grupo político dominante e/ou de grupos políticos e empresariais (que estão ou já foram) vinculados ao primeiro, onde a maioria das concessões, no caso das mídias eletrônicas, e as estruturas, no caso da mídia impressa, foram implementadas a partir de práticas patrimonialistas, o discurso que prevalece nos noticiários é um discurso hegemônico e bipolar, ora com o predomínio de fatos que se banalizam com o passar do tempo: os buracos no período chuvoso, os engarrafamentos, os assassinatos, os assaltos a bancos; notícias em torno de pautas sazonais/comemorativas, ora a exaltar as “singularidades” da cultura e da natureza do Maranhão. São raríssimas as inserções de temas considerados importantes e estratégicos para a sociedade maranhense em trabalhos jornalísticos que possam revelar investigação e análise, motivando assim um debate público e que possibilite aos leitores capacidade de interpretação, de discernimento, de criação de sentidos para a compreensão da realidade do estado. E quando temas mais complexos aparecem, são externados como fatos contados de forma recortada, incompleta, a esconder a sua verdadeira natureza, implicações, causas e personagens.

Nessa perspectiva, o campo da comunicação que deveria ser instrumento de fortalecimento da pluralidade de vozes, do contraditório, da liberdade de expressão, o espaço democrático das diversas versões e olhares, torna-se, majoritariamente, apenas um campo das repetições dos padrões de manipulação dos discursos, das verdades parcialmente construídas ou ocultadas no processo de reconstrução da realidade através das narrativas”.

“José Sarney funda O Estado do Maranhão enquanto um “instrumento político”: o instrumento é um objeto inanimado, algo a ser manipulado. Emílio Azevedo, refere-se ao Vias de Fato como uma “iniciativa política”: iniciativa refere-se a ação, movimento, e sendo político, a algo que está intrínseco ao elemento humano que constrói um espaço e debate públicos. A análise, que não é simplesmente uma questão semântica, repercute nas formas de operacionalização das experiências. No primeiro caso, o jornal é instrumento político, objeto empresarial de obtenção de lucro e também de manutenção do poder político. No segundo caso, abre espaço para setores e tema sociais obscurecidos, negados, e favorece a democratização não tão somente do acesso à informação, mas também às formas de construção dessa informação.

A apresentação da notícia no Vias de Fato, além do predomínio do gênero opinativo, adquire características do formato de revista dado que a experiência não tem compromisso com o “furo de reportagem”, mas com o aprofundamento e a investigação dos temas que lhes são caros e complexos”.

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Trechos da monografia Vias de Fato: outro viés da notícia no contexto da imprensa maranhense, que a cantoramiga Lena Machado apresentou ontem ao curso de Comunicação Social, habilitação em jornalismo, da Faculdade São Luís, sob orientação de meu orientador Francisco Colombo. O trabalho foi aprovado pela banca examinadora com nota 10.

Ao publicar os trechos acima, do trabalho que teve revisão deste blogueiro, repetimos os parabéns já transmitidos à autora por telefone, ontem, logo após sua defesa. Íntima do palco, Lena Machado preferiu não ter amigos assistindo-a perante a banca e preferimos respeitar a vontade de sua timidez. Com o título, o jornalismo soma-se à música para fazer ecoar sua voz na defesa dos direitos humanos e justiça social no Maranhão e em qualquer lugar por onde ande, cante e escreva.

Coerência na lambança

Na página do jornal O Estado do Maranhão na internet, cheguei, via tuiter, à seguinte notícia: Pistas em blog podem ajudar a esclarecer morte de Décio Sá. Publicada hoje (13), às 10h38min, quase uma hora antes de eu acessá-la a partir do microblogue e vir acá tecer estas consideranções, a reação imediata do blogueiro, foi, confesso: “agora contem uma novidade!”.

Li a matéria inteira e seu título é o óbvio ululante, o que mostra a lentidão da polícia do Maranhão: em 10 dias se completam dois meses do assassinato de Décio Sá. O nome da operação da polícia é ridículo: “detonar” era o verbo constantemente usado pelo jornalista para dizer que iria publicar algo contra alguém, ou seja, a Operação Detonando exalta o que havia de mais execrável no ex-funcionário do Sistema Mirante.

Embora a matéria não esteja assinada alguns jornalistas destas plagas deviam cursar Direito: é o primeiro passo para ser juiz. Entre seu título e o parágrafo final há uma contradição: como é que as pistas no blogue podem “ajudar a esclarecer” o assassinato se os assassinos do jornalista serão “apresentados” hoje à tarde durante uma coletiva de imprensa na Secretaria de Estado de Segurança Pública?

Não posso reclamar é da falta de coerência: lambança na polícia, lambança no jornalismo.

Nossa miséria cultural (ou: acorda, serpente!)

[Do Vias de Fato de maio]

Pode haver luz no fim do túnel, será um trem vindo na direção oposta?, Nossa Senhora da Vitória, rogai por nós!

POR ZEMA RIBEIRO

Um texto revoltado da cantora Nathália Ferro, publicado primeiro em sua conta no Facebook e depois repercutido por alguns periódicos locais, ganhou certa repercussão, apontando diversos problemas por que passa nossa produção cultural, digo, da Ilha de São Luís do Maranhão e do estado como um todo.

Criticava o marasmo a que está relegada a cena artística na capital maranhense, cujo aniversário de 400 anos se avizinha e sobre o que nada foi feito – aquele relógio ridículo na cabeceira da ponte do São Francisco, não conta.

A cantora criticava a tudo e a todos – e suas críticas, claro, eram merecidas, tendo sido repercutidas e comentadas também pelo poeta e compositor Joãozinho Ribeiro, ex-secretário de cultura do Estado do Maranhão, em sua coluna semanal no Jornal Pequeno.

Keyla Santana, atriz, também colocou a boca no trombone. Ela buscou o financiamento de uma peça em que atuava pela internet, num sistema de crowdfunding, financiamento coletivo já bastante utilizado no centro-sul do país, que aqui sequer engatinha, com razão: a iniciativa estatal aposta em mais do mesmo, a privada faz jus ao trocadilho. Como incentivar pessoas comuns, como este que escreve, o caro leitor, a cara leitora, a enfiar a mão no bolso e bancar o que quer que seja?

Diversos agentes culturais envolvidos com a feitura do projeto BR-135, capitaneado pelo casal Criolina, Alê Muniz e Luciana Simões, têm discutido propostas e possibilidades para que se avance no rumo da implementação de efetivas políticas públicas de cultura por estas plagas. Além de reuniões e debates, a galera está fazendo, se movimentando, mostrando nomes e coisas interessantes, misturando, experimentando. É daí e assim que pode surgir o novo.

Foi justamente o mote para o texto de Nathália Ferro: o pouco público presente às edições do BR-135, realizadas no Circo Cultural da Cidade, fruto inclusive, segundo ela, da desunião da classe artística local – alguns certamente mais preocupados com “meus projetos” e a procura por financiamentos (quase sempre estatais) para “meu próximo disco”, “meu próximo livro”, “minha próxima peça de teatro” ou mesmo para a inclusão de “meu show” no circuito junino.

O BR-135 tem a ideia de mostrar o que de novo a cena ilhéu tem produzido, numa demonstração de altruísmo digna de louvor: com o reconhecimento nacional que têm hoje, Alê Muniz e Luciana Simões sequer precisariam morar em São Luís. No entanto, preferem ficar, tentar fazer algo diferente e mostrar que é possível conquistar o país a partir da Ilha (sem qualquer daqueles adjetivos cuja maioria perdeu completamente o sentido).

Keyla Santana, pela internet, conseguiu algo próximo da metade dos três mil reais de que necessitava para botar seu bloco na rua, isto é, sua peça no palco de um teatro da capital, uma pequena temporada de dois dias. Para não perder o que alguns haviam investido, seu marido completou, do próprio bolso, a outra metade do valor restante.

Experiência bem sucedida de crowdfunding, fora da rede mundial de computadores, foi a realização do I Festival de Poesia do Papoético – Prêmio Maranhão Sobrinho, organizado pelo poeta e jornalista Paulo Melo Sousa. O Papoético, tertúlia semanal realizada no Bar Chico Discos, no centro da capital maranhense, é um espaço privilegiado para a discussão de assuntos relativos à arte e cultura, tendo aberto uma trincheira para os insatisfeitos com o status quo.

Paulão, como é mais conhecido seu mentor, levantou os fundos necessários à realização do festival principalmente entre os frequentadores habituais do debate-papo semanal, além de entre amigos, professores universitários e artistas em geral. O festival, cuja final será realizada dia 31 de maio no Teatro Alcione Nazaré, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, na Praia Grande, premiará em dinheiro os primeiros lugares em poema e interpretação e os segundos e terceiros lugares em cada categoria com livros, discos, revistas e outros produtos culturais, tudo arrecadado entre aqueles citados doadores e com a realização de rifas.

A organização solicitou ao Comitê Gestor dos 400 anos de São Luís, integrado por secretarias e órgãos públicos municipais e estaduais, apoio para a realização do festival, de orçamento modestíssimo. Sequer recebeu resposta, mostrando o desinteresse generalizado dos poderes públicos para qualquer iniciativa criativa que não parta de sua burocracia interna. O problema é que nada criativo parece vir dali. O festival recebeu mais de 100 inscrições de diversas cidades do Brasil e custou menos de 3 mil reais, com cortes em gorduras como material de divulgação (folders e cartazes), importantes em qualquer empreitada cultural.

Teimosos, os organizadores do Papoético já anunciam sua próxima invenção: um concurso de fotografia terá regulamento anunciado já em junho, com base no mesmo esquema. Dia 7, Chico Saldanha e Josias Sobrinho apresentam, no Chico Discos, o show DoBrado ResSonante, que estreou em Brasília/DF. Os ingressos custam R$ 20,00 e podem ser adquiridos antecipadamente no local. Toda a renda será revertida para a realização do concurso de fotografia.

O Estado – tanto faz ler prefeitura e/ou governo – é tímido e continua apostando apenas em grandes festas populares, quais sejam, os períodos carnavalesco e junino, salvo raríssimas exceções. É o que dá mídia, é, em tese, o que dá voto – sobretudo, embora pareça óbvio, em ano eleitoral.

Faltam cerca de 100 dias para o aniversário da cidade. Não se ouve falar ainda em programação ou, antes, em planejamento de quaisquer ações comemorativas. Mas não é por isso, ou não só por isso, que clamam os artistas revoltados, aqueles que não se satisfazem com o tilintar de umas poucas moedas nos pires, um tapinha nas costas, a logomarca de um órgão público em seu disco, livro ou programa, e, no fundo, um grande “cala a boca” em qualquer vírgula que se oponha às péssimas gestões que hoje têm o Maranhão e sua capital São Luís. E aqui o comentário não se restringe ao aspecto cultural.

O que estes artistas requerem, com propriedade, é a pulsação constante da Capital Americana da Cultura, é que ela faça jus ao título. Mais que um troféu, um papel, um certificado, um evento, São Luís e o Maranhão precisam deixar o passado e a teoria de lado. É preciso viver o presente e vivê-lo na prática: já não somos Athenas Brasileira – se é que um dia fomos – e mais que bumba meu boi e/ou tambor de crioula para turista ver, é preciso que nossos logradouros sejam ocupados por arte permanentemente. É capital da cultura ou não é?

São Luís e o Maranhão não estão as maravilhas anunciadas na televisão pelas gestões municipal e estadual. Na propaganda, tudo parece correr às mil maravilhas, de propaganda nossos gestores são bons – pudera, é preciso descarregar toneladas de maquiagem para ludibriar o povo e garantir a perpetuação dos grupos no poder. A realidade é outra e é esta que precisa ser enfrentada para que algo mude. Que não emudeçam os artistas que estão corajosamente tocando as feridas para curá-las. E que ao coro dos descontentes somem-se cada vez mais artistas. Ou não, que cultura é coisa de todos nós.

A nossa miséria cultural está exposta, fratura que carece de urgente cura. Só não sente nem vê quem não quer. Já é mais que hora dessa serpente acordar!

Sarau de Bailados, hoje, no Laborarte

Com destaque para os ritmos populares do Maranhão, o Sarau de Bailados reúne diversas expressões, como mostra o cartaz acima. Confira a programação de hoje, que acontece na sede do Laborarte (Rua Jansen Müller, 42, Centro): 19h: Roda de Capoeira com os mestres Patinho e Nelsinho, na Sala Cecílio Sá > 20h: Exposição de fotos e cartazes, vídeos sobre a Ilha de São Luís e estórias e casos sobre a cidade > 21h: Performance Inversões (de Gonçalves Dias a Nauro Machado), com Keyla Santana; Roda de Cacuriá com Cecé Ferreira; grupo de BBoys Cidade Operária Crew > 22h: DJ Pedro Sobrinho; grupo Bambaê de Saias e show Bailados com Rosa Reis e a Quadrilha do Vai Quem Quer.

A produção não informou o valor dos ingressos.

Fito bem podia ser sigla de Fábrica de Invenção de Tom Zé

[antes, dois avisos: um: isso não é jornalismo; e outro: o blogueiro viajou às próprias expensas]

A plateia cantou junto o show inteiro. No repertório, várias fases da carreira

Há coisa de 10 anos, eu, menino recém-entrado na boemia, assisti a um maravilhoso show de Tom Zé no Circo da Cidade, em São Luís. A abertura ficou por conta de Cesar Teixeira e na plateia, lotada, estava o saudoso Mestre Antonio Vieira, cuja obra o baiano elogiaria durante o show.

Passei o espetáculo inteiro entre assisti-lo e conversar com dona Neusa Santana Martins, esposa e memória do gênio de Irará. Lembro que, ao saber de sua apresentação na Ilha, fiz contato com o escritório do tropicalista em São Paulo e consegui comprar alguns discos que me faltavam na coleção.

Eufórico, furei a fila dos autógrafos, levado por dona Neusa: apertei a mão da banda inteira, abracei Tom Zé, lembrei de Caetano Veloso, em seu Verdade Tropical, escrevendo algo sobre o brilho dos olhos daquele homem miúdo na estatura, gigante no que faz – pude comprová-lo pessoalmente. Peguei autógrafo em Jogos de armar – Faça você mesmo, então seu disco mais novo, cuja turnê chegava ali por 2002 ou 3 em São Luís. Algum fotógrafo, no camarim, fez um retrato nosso, eu, o fã, e Tom Zé, o ídolo – jornalismo era algo em que eu apenas engatinhava ainda e, como não ia resenhar o show, não primei pelo “distanciamento”. Na ocasião eu era tiete mesmo. O fotógrafo pegou meu telefone. Deveria me cobrar no trabalho, dias depois, e entregar a foto. Nunca cobrou. Nunca vi a foto (se ela existir e o fotógrafo por acaso estiver lendo isto aqui, ainda estou disposto a pagar).

10 anos depois ou quase isso, estou a passeio em Curitiba e, conhecendo a urbe num ônibus de turismo, próprio para tal, descemos, eu e minha esposa, no Museu Oscar Niemeyer, também conhecido como Museu do Olho, por causa de uma das formas extravagantes da arquitetura do gênio centenário e damos de cara com a programação do Fito, o Festival Internacional de Teatro de Objetos, invenção do Sesi.

O público era enorme em uma área montada ao lado do museu, com várias salas onde aconteciam os espetáculos, em que, pelos anúncios que vimos espalhados pela cidade, um saca-rolhas se transformava em uma bailarina, uma chaleira vermelha virava uma senhora irada e assim sucessivamente. Éramos turistas, minha esposa já havia concluído as obrigações de trabalho que a haviam levado à capital paranaense e agora curtíamos a cidade. Adentrando o recinto do Fito, Naná Vasconcelos encerrava um show e um locutor anunciava outras atrações. A última do dia (sábado, 26) seria Tom Zé. Em meio ao “teatro de objetos”, ele era anunciado como “música/contramúsica”, eu leria depois, no programa. “Vamos terminar o passeio e voltar para cá”, decidi sozinho pelo casal. A jardineira, um ônibus aberto que de meia em meia hora circula por nem lembro quantos pontos turísticos curitibanos, ainda nos levaria à Ópera de Arame e Pedreira Paulo Leminski – o poeta mereceria um capítulo à parte, que talvez eu escreva por aqui em breve – e em Santa Felicidade, onde degustamos lasanha e vinho artesanal deliciosos. Antes, já havíamos passado pelo Passeio Público.

Niemeyer sempre me interessa, mas, qual “os barzinhos do Largo da Ordem”, o Museu Oscar Niemeyer estava entre as dicas do amigo Ademir Assunção. “Grande Ademir!”, eu repetia enquanto passeávamos, por lá, na noite anterior, entre bonitos botecos como o Bar do Alemão e o Sal Grosso. Ali ainda voltaríamos no domingo, para comprar lembranças para as sobrinhas e uns poucos parentes, a grana era curta. “Só nós mesmo para fazermos turismo assim”, eu dizia. Felisos. Lisos, mas felizes.

Tom Zé apresentou um show bastante interessante, passeando por diversas fases da carreira: músicas compostas no período da ditadura militar, como Todos os olhos (primeiro verso: “de vez em quando todos os olhos se voltam pra mim”; último verso: “eu sou inocente”) e Augusta, Angélica e Consolação aos estudos de samba, Hein?, e pagode, O amor é um rock e ElaEu – esta, abriu o show e foi repetida no meio, a pedido de uma fã mais próxima ao palco. Em Menina, amanhã de manhã, ele lembrou, generoso mas não modesto, da gravação de Mônica Salmaso, talvez definitiva, para a canção. “Eu sou a Mônica, ele é o Salmaso”, disse apontando para Jarbas Mariz, com quem dividiu os vocais, “uma dupla caipira”, prosseguiu, “menina amanhã de manhã quando a gente acordar quero te dizer que a felicidade vai desabar sobre os homens”.

O baiano ri e faz rir, conta histórias, diverte-se divertindo. Tira sons percussivos de agogôs e esmeris – com as luzes apagadas, as faíscas-estilhaços iluminam aquela espécie de galpão, completamente lotado. Em O jingle do disco, faixa pouco conhecida de The hips of tradition, do período de sua redescoberta a partir do interesse de David Byrne por sua música na década de 1990, ele exibe réplicas de vinis, cujos cds eram vendidos por dona Neusa, além de esposa e memória, assistente, secretária, produtora, empresária e quantos ofícios ela puder dar conta, sempre simpática.

Cumprimentei-a, antes do show, comprei dois discos que ainda não tinha. Depois acompanhei, cantando, grande parte do show, gratuito. Em Xique-xique foi até possível arriscar uns passinhos de dança, ou balançar o corpo cansado, algo próximo de, o que o espaço permitia, talvez nem dois pra lá, dois pra cá, no galpão entupido de adultos e crianças, remanescentes da programação que teve início à tarde. No bis, 2001, “parceria com Rita Lee”, com a plateia cantando junto, Jimmy renda-se e Moeda falsa: Tom Zé, que já havia tirado onda com os curitibanos, mudou a letra, lembrando-se das colônias germânicas e europeias em geral que ajudaram a formar e ainda habitam a cidade. O show não terminaria com o “eles vão tomar no fiofó”, verso final de Moeda falsa. Educado, “Mister Tom Zí” – a pronúncia de seu nome pelos americanos que o (re)descobririam há algum tempo – agradeceria o carinho dos paranaenses que tão atentamente prestaram atenção em sua música e performance. Aliás, que fique o registro: não é qualquer um que faz aquilo aos quase 80. Muito pulo e jogo de perna que eu, aos 30, não arrisco.

Do Maranhão, estando ali por mera sorte, senti-me contemplado nos agradecimentos. Depois de mais ou menos hora e meia de show preferi não enfrentar a fila do camarim e arriscar finalmente ter minha foto com Tom Zé, embora tenha anunciado a vontade à dona Neusa, antes dele subir ao palco. Mas era preciso acordar cedo no domingo, data em que estava marcado nosso retorno à São Luís: no espaço de tempo que ainda sobrava, ainda havia turismo a fazer.