Senado

Ouvi há pouco na Rádio Senado (em São Luís desde 11 de novembro na frequência 96,9MHz) o programa Curta Musical, cuja edição de hoje era dedicada ao mítico guitarrista Lanny Gordin, um dos nomes fundamentais da Tropicália.

O programa faz jus ao nome, é uma pílula com entre seis e sete minutos e produção de Guilherme Miquelutti, sempre abordando algum tema dentro do universo que é a música popular brasileira – numa busca no portal da Rádio Senado encontram-se rapidamente para audição programas dedicados ao Dia Nacional do Forró, aos 20 anos do falecimento de Tom Jobim ou ao lendário Paebirú, disco de Zé Ramalho e Lula Cortez, hoje raríssimo, entre outros.

Curta Musical tem uma pesquisa interessante e a apresentação flui bem. No entanto, ao abordarem Lanny Gordin e sua importância para a música brasileira esqueceram-se do fundamental disco de estreia de Jards Macalé (cuja capa abre este post, ilustrando Revendo amigos, uma das faixas do disco) – tudo bem, ali ele toca contrabaixo, formando um power trio vigoroso com o próprio Macalé (ao violão) e Tutty Moreno (bateria). Mas não é qualquer contrabaixo: Jards Macalé [1972], o disco, traz algumas das melhores linhas de baixo da história da música ainda que impopular brasileira.

De todo modo, o programa trouxe a colaboração de Lanny com nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa – o núcleo central da Tropicália, por assim dizer –, além da retomada da carreira nos anos 2000, quando a Baratos Afins lançou seu primeiro disco solo e deu vazão a outros projetos do guitarrista nascido na China. Novamente a pesquisa do programa esqueceu-se de Aos vivos, estreia de Chico César, lançado em 1994, em que Gordin comparece em algumas faixas.

Apesar da ranzinzice inicial, destaco a qualidade acima da média da programação musical da Rádio Senado e a importância da FM chegar a mais cidades – São Luís é a 10ª. capital a receber seu sinal, que chega também a outros 19 municípios do Maranhão –, permitindo a quem interessar possa acompanhar pautas e sessões legislativas, incluindo o comportamento de nossos representantes na casa.

As sessões e reuniões de comissões são transmitidas ao vivo, na íntegra, sem edição, garantindo transparência aos atos. A instalação da rádio na capital maranhense foi possível graças a uma parceria com a Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão, que dispõe de um vistoso complexo de comunicação, cuja programação tem dado espaço a pautas por vezes ignoradas pela mídia tradicional. Isto é, a TV Assembleia tem cumprido seu papel de emissora pública.

Engana-se quem pensa que o ouvinte da Senado será passivo. Diversos canais de comunicação estão à disposição da população: e-mail (radio@senado.leg.br), facebook (radiosenado), tuiter (@radiosenado) e whatsapp (61-86119591), além do site da rádio, onde é possível visualizar a grade e ouvir a íntegra de sua programação.

Bem vinda, Rádio Senado! E que cheguem logo outras rádios e tevês públicas a São Luís e mais e mais cidades do Brasil!

Danilo Caymmi volta à São Luís para encerrar temporada de homenagens ao pai

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Filho de Dorival Caymmi, músico se apresentou na capital em agosto passado. Show acontece sábado (20), no TAA

Divulgação

Entre tantos eventos e efemérides, 2014 marcou o centenário do compositor baiano Dorival Caymmi, dono de monumental obra talhada ao longo de quase oito décadas de carreira, ele responsável por um sem número de sucessos e por uma das proles mais musicais do Brasil.

Caymmi projetou a musical Bahia que hoje todos conhecemos tendo sido hit na voz de Carmem Miranda. A O que é que a baiana tem?, imortalizada pela brazilian bombshell, seguiu-se obra lapidar que todo mundo, vez em quando assobia, mesmo às vezes desconhecendo seu autor. “Quem não gosta de samba bom sujeito não é”, cravou certeiro numa delas.

O ano foi de muitas homenagens e não faltaram exposições, debates e, principalmente, shows. Juntos ou em espetáculos solo, os irmãos Nana, Dori e Danilo, herdeiros diretos de Dorival, percorreram bons pedaços de Brasil, mostrando o que é que os Caymmi têm.

Danilo Caymmi volta à São Luís para um show inteiramente dedicado à obra do pai. Dorival 100 Anos, o espetáculo, será apresentado no próximo sábado (20), às 20h, no Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol, Centro). Os ingressos custam entre R$ 40,00 e 60,00 e estão à venda na Bilheteria Digital (Rio Poty Hotel, até o dia 18) e bilheteria do TAA (na véspera e no dia do show).

Cantor, compositor, flautista e arranjador, Danilo Caymmi esteve em São Luís em agosto passado, quando se apresentou no projeto Ponta do Bonfim – Música e Por do Sol. Com cerca de 40 anos de carreira, era a primeira visita do artista à Ilha, que o encantou.

Danilo Caymmi integrou as míticas Som Imaginário, com Wagner Tiso e outros, e a Banda Nova, do maestro soberano Tom Jobim, tendo feito diversas excursões internacionais, integrando-a. É autor da trilha sonora da minissérie Riacho Doce, baseada na obra de José Lins do Rego, que foi ao ar em 1990 pela Rede Globo, além do clássico Andança, parceria com Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, gravada, entre outras, por Beth Carvalho e Maria Bethânia.

O repertório de Dorival 100 Anos concentra-se na produção musical de Dorival Caymmi, mas Danilo não deixará de lembrar sucessos seus, inclusive músicas como Vamos falar de Tereza (tema de Teresa Batista Cansada de Guerra, minissérie baseada na obra de Jorge Amado), parceria dele com o pai.

Dorival 100 Anos tem patrocínio de Potiguar Casa OK, Terra Zoo, Marcos Peixoto Arquitetura, UVA/IDEM, Calado e Correa Advogados Associados e apoio do jornal O Imparcial e Opus Estúdio.

Serviço

O quê: show Dorival 100 Anos
Quem: Danilo Caymmi
Onde: Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol, Centro)
Quando: dia 20 de dezembro (sábado), às 20h
Quanto: R$ 60,00 (plateia), R$ 50,00 (frisa e camarote) e R$ 40,00 (balcão e galeria)
Maiores informações: (98) 991170970, 996036525 e 991168736

Debates e lançamentos marcam 66 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos em São Luís

É amanhã (10) de manhã, no auditório do Sindicato dos Ferroviários.

Detalhes na matéria no site da SMDH.

Para ouvidos, mentes e corações abertos

[Sobre Hein?, show de Bruno Batista e Claudio Lima, Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy), 27/11]

Foto: Aparecida Batista
Foto: Djalma Raposo

 

Hein? não é para surdos. É para ouvidos atentos, ávidos. Não é para quem está acostumado a mesmice. Ou é, se se quiser sair desta zona de conforto.

É um show em que Bruno Batista e Claudio Lima divertem-se no palco e nós nos embevecemos na plateia. Em determinada altura, ao agradecer carinhosamente a presença de todo mundo, o segundo comenta a importância do público: “sem vocês nós não estaríamos aqui cantando, fazendo música. Estaríamos em casa, estudando”.

Parece simples a ideia de reunir um amontoado de canções, subir no palco e cantar. Pode até parecer, mas está longe disso. Há uma preocupação em reinventar, em recriar, em recompor.

Claudio Lima está cantando cada vez melhor, no palco sua entrega é total, seus elegantes suspensórios não contêm o talento que lhe cabe. Bruno Batista, a despeito de ainda bastante jovem, já é um senhor compositor, sua boina deve ser a primeira a saber das ideias musicais originais que estão sempre a fervilhar sua cabeça.

A poesia forte de Gonzaguinha é recitada ao final de Comportamento geral, que abre o show. Uma música forte, que parece dizer que, apesar de estarem se/nos divertindo e deliciando, a dupla não está para brincadeira.

Noturno (Graco/ Caio Silvio), sucesso de Fagner, ganha clima jazzy na interpretação límpida de Claudio Lima. Sozinho, acompanhando-se com um maracá, canta Kaô (Gilberto Gil/ Rodolfo Stroeter), o risco e a experimentação marcas deste inspirado artista.

Zanza (Carlinhos Brown) ganha grand finale de boi de zabumba, no arranjo inspirado acompanhado pela banda, enxuta e competente: Rui Mário (teclado e sanfona), Luiz Jr. (violões de seis e sete cordas e viola) e João Simas (guitarras).

Antes de cantarem Guaraná Jesus (versão de Carlos Careqa para Chocolate Jesus, de Tom Waits) Bruno Batista contou a história de como chegou à música, de como chapou com À espera de Tom, o disco em que Carlos Careqa canta apenas versões de Tom Waits, ele “fãzaço” declarado de ambos.

Claudio Lima brinca com a voz e torna sublime o fecho de Menina amanhã de manhã (Tom Zé), cantada por ambos e acompanhada por Bruno Batista ao violão – o que ele faz em boa parte do show.

Vê se me esquece (Itamar Assumpção/ Alice Ruiz) é uma música que Bruno Batista escolheu para chamar de sua. Ciranda para Janaína (Kiko Dinucci/ Jonathan Silva) demonstra sua inserção na cena paulistana, onde reside.

“A culpa é dele”, Claudio Lima acusa Bruno Batista ao interpretar Teu corpo (parceria de Bruno com Paulo Monarco e Dandara Modesto), uma das inéditas da ótima safra recente do compositor. Também foram reveladas Madrigal (também parceria de Bruno com Monarco e Dandara) Senhora da alegria – cantada como se rezassem, linda oração que a música é –, O queixo, um tango engraçado, e Caixa preta. Coisas lindas que eu espero que eles gravem logo nos discos prometidos em entrevista, pois não é justo ficarmos reféns de apresentações que não acontecem com tanta regularidade – infelizmente.

O show foi fechado com Hein? (Tom Zé/ Vicente Barreto), que batiza o show. Bruno Batista e Claudio Lima apresentaram a banda e agradeceram novamente aos patrocinadores e apoiadores e a presença do público. Voltaram para o bis: Rosa dos ventos, com que venceram um festival há dois anos, em São Luís, se juntou a Tarantino, meu amor, únicas autorais já gravadas pelo compositor.

Esqueceram-se de comentar o belo cenário, assinado por Claudio Lima: formado por espelhos, um ponto de interrogação em forma de orelha – ou vice-versa –, espécie de logomarca de Hein?, usada também na divulgação do espetáculo desde sua primeira edição, em 2008.

Que venham temporada e turnê, como também prometido em entrevista. Mais gente precisa ouvir e conhecer Bruno Batista e Claudio Lima, dentro e fora do Maranhão.

p.s. (como na música de Itamar e Alice): houve certo exagero no uso de gelo seco, às vezes mais de um jato por música. A máquina faz muito barulho.

Chorografia do Maranhão: Osmarzinho

[O Imparcial, 5 de janeiro de 2014]

Radicado há três anos em Belo Horizonte/MG, onde cursa bacharelado em Música na UFMG, Osmarzinho é o 23º. entrevistado da série Chorografia do Maranhão

TEXTO: RICARTE ALMEIDA SANTOS E ZEMA RIBEIRO
FOTOS: RIVÂNIO ALMEIDA SANTOS

Foto: Rivanio Almeida Santos
Foto: Rivanio Almeida Santos

 

Acompanhado do pai coruja Osmar do Trombone [Chorografia do Maranhão, O Imparcial, 23 de junho de 2013], o saxofonista Osmarzinho recebeu a chororreportagem no aconchegante Cafofo da Tia Dica, botequim-restaurante por detrás da Livraria Poeme-se, na Praia Grande.

A cidade andava a passos lentos, no recesso entre o Natal e o Ano Novo e no Centro Histórico não era diferente: o movimento era fraco para uma tarde de sexta-feira. A Chorografia do Maranhão aproveitou a passagem do músico pela Ilha: ele veio visitar e passar as festas de fim de ano com a família.

Osmar Pereira Furtado Junior nasceu em 4 de março de 1982, em São Luís. Filho de Osmar Pereira Furtado, o Osmar do Trombone, e Anete Lauleta Furtado, dona de casa, hoje sócia-proprietária da Lauleta’s Pizzas, na Cohab.

Osmarzinho – como era chamado nas rodas de choro em São Luís – ou Osmar Jr. – como é conhecido nas de Belo Horizonte –, como preferir o freguês, cursa Bacharelado em Música na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com o saxofone como instrumento específico. O primeiro entrevistado da série em 2014 mora há três anos na capital mineira e terminará a graduação no fim deste ano.

Antes de resolver dedicar-se integralmente à música, com o apoio da família, cursou ainda quatro períodos de Administração e, antes, arriscou-se num curso técnico em Eletrônica, de nível médio. Mas confessa: entrou no Cefet [hoje Ifma] só por causa da banda de música: “passou dois anos, eu não toquei nem uma vez, aí eu larguei o curso”.

A entrevista que Osmarzinho concedeu à Chorografia do Maranhão foi musicalmente ilustrada por Natureza, de Saraiva, e Saxofone, por que choras?, de Ratinho, imortalizada por Abel Ferreira, referências para seu fazer musical. Os irmãos Almeida Santos seguraram as lágrimas ao lembrar-se de Raimundo Juruca, para quem o primeiro era simplesmente “o rei do sax soprano”. Afinal de contas, é ao falecido pai que devem a paixão pelo choro.

Foto: Rivanio Almeida Santos
Foto: Rivanio Almeida Santos

 

Além de músico você tem outra profissão? Hoje em Belo Horizonte você está trabalhando profissionalmente com música? Não. Só músico mesmo. Eu trabalho com música. Estou em Belo Horizonte só com música mesmo. Profissionalmente com música. Em vários grupos.

Não tem uma pensão do Osmar [do Trombone, pai de Osmarzinho]? De vez em quando ajuda. Eu ganho uma bolsa da faculdade, mas quando a coisa aperta eu digo “opa, manda uma grana aí que o negócio apertou!”

[Osmar do Trombone] Tu fizeste ainda o quarto período de Administração.

[Osmarzinho] É, fiz o quarto período, mas minha cabeça estava voltada só para a música. Aí eu não consegui, peguei e tranquei, falei lá em casa: “ó, o meu lance é música. Eu vou estudar pra fazer o vestibular de música”. Aí eu lembrei que tinha Belo Horizonte, eu tinha pegado uma aula com um professor de saxofone, o Dilson Florêncio. Aí passei na primeira etapa, fui fazer a segunda, voltei pra São Luís, pra receber o resultado, passei, e fui embora em definitivo, pra começar o ano letivo.

Você tinha parentes em Belo Horizonte? Não.

Osmarzinho, o fato de você vir de uma família musical, ajuda ou atrapalha? Ajuda muito. Eu tive muito contato, no ambiente familiar, muito contato com a música a partir daí. Ouvindo muita música instrumental, principalmente samba, choro. Eu peguei o choro e o samba como referências.

Como é que o sax apareceu para você? Como é que foi essa decisão? Desde quando você começou a estudar música e a partir de quando você escolheu o sax? Foi aos 14 anos. Eu comecei a ter o contato com a música mesmo. Eu aprendi a ler partitura, primeiro, com meu avô, aí eu comecei a tocar teclado. Comprava revistinhas. Aí fui passar as férias na casa de meu avô e ele chegou pra mim: “meu filho, tu não quer aprender a tocar saxofone?” “Eu quero!”. Aí eu me interessei, ele me passou a escala do instrumento, eu fui praticando, peguei afinidade com o instrumento. Já com o trombone, antes de eu pegar saxofone eu tentei soprar o trombone, mas não tinha jeito, não tinha embocadura nenhuma.

[Osmar do Trombone] Eu fiquei frustrado com isso [risos dos chororrepórteres].

[Osmarzinho] Até hoje eu tou só no saxofone.

[Osmar do Trombone] Todos os saxes, né, Junior?

[Osmarzinho] Isso, todos os saxes.

Osmarzinho, não teve nenhuma restrição à tua atividade musical? Ou sempre teve apoio? No sentido de que você vem de uma família musical em que todos desenvolveram atividades musicais paralelas, teu pai na Cemar, teu avô, salvo engano tinha outra profissão. Não teve um negócio do tipo “vai fazer outra coisa” e música ficar em segundo plano? Eu comecei a fazer Administração e minha mãe queria que eu seguisse outra profissão pra ver se eu tinha um retorno financeiro mais rápido, mais seguro. Só que eu comecei a fazer, achava que era isso que eu queria. Mas acho que a gente tem que escolher uma profissão que a gente goste realmente. Por que se não a gente não consegue fazer nada.

Você se sente feliz? Eu me sinto feliz ao fazer música. Independentemente de ganhar muito ou pouco ela está em primeiro lugar para mim.

Como é tua vida de músico profissional em Belo Horizonte? Com que frequência você toca e como é conciliar isso com as atividades acadêmicas? Lá eu toco mais nos fins de semana, nas sextas e sábados. Durante a semana, de segunda a sexta, eu fico mais na faculdade. Lá dentro eu participo de vários grupos, de formações diferentes. A gente tem esse trabalho, tem as disciplinas em que a gente pode se inscrever.

Um desses grupos é o Quarteto de Saxofones, que participou do disco de Osmar [do Trombone, Cinco Gerações, 2013], não é? É. O Quarteto de Saxofones é uma das disciplinas do meu curso, que eu posso ou não participar em cada semestre.

A tua chegada à universidade, sendo um cara que já tocava, inclusive muito bem, em vários grupos aqui em São Luís, como é que foi a acolhida junto a outros músicos, a professores? Como é que eles avaliaram a tua chegada e qual foi a repercussão imediata quando te viram tocar? Assim que eu cheguei lá eu escolhi um grupo, a Big Band. Fiz um teste para bolsista, passei, desde o primeiro semestre. Comecei a fazer os ensaios. Começaram a me ver tocar, com uma pegada já bem desenvolvida no instrumento, e fui aprimorando a cada semestre. Eles gostaram muito. Ficaram meio admirados, por eu vir do Nordeste, um lugar tão longe.

Você toca os quatro tipos de saxofone, não é? Sim. O sax soprano é o que eu toco, o que eu comecei. O saxofone alto é o que eu estudo no curso de bacharelado. Eu faço meu curso todo com o saxofone alto. Se eu quisesse optar pelos outros, em cada semestre fazer um tipo de saxofone, eu poderia. Mas eu optei pelo alto até acabar o curso. Mas nas outras disciplinas, em outras formações, outros grupos, eu toco sax tenor e o último saxofone, que eu estou passando a tocar agora, é o sax barítono, tem seis meses.

Para um leigo em música, além do timbre, quais as diferenças entre estes instrumentos? Sax soprano é o instrumento mais agudo. É sax soprano, contralto ou sax alto, tenor e barítono. Como se fosse a classificação da voz humana. Em questão de adaptação é mais a questão da boquilha mesmo, de jogar o ar pra dentro do instrumento, é de forma diferente. O timbre de cada um: mais agudo, mais grave, mais médio. Cada tipo de música a gente adapta para um instrumento diferente.

Você pretende fazer logo mestrado? Como você está encarando a questão acadêmica? Ou, terminando, pretende voltar logo para cá? Pra eu voltar pra cá, só se eu tiver uma coisa garantida, algum concurso.

O mercado lá é melhor pra você? O mercado lá é melhor. A gente ganha até mais, tocando na noite. Tem uma tabela, não se pode pagar menos. Com relação ao mestrado acho que vou fazer mais lá pra frente. Eu quero apostar mais na vida profissional, tocar em um grupo em que eu seja reconhecido. Estou apostando nisso.

Outro maranhense que está lá é [o flautista] João Neto. Vocês se encontram? Como é o convívio? Tem uma colônia maranhense? O João Neto foi pra lá agora recente e já está se enturmando. Eu o apresentei a algumas rodas de choro, ele enturmou com a galera, já está tocando em grupos de samba. Eu sempre ligo pra ele: “e aí, Neto, dá pra gente ir lá na roda hoje?”, e ele: “vamos lá, eu cheguei, não dá pra ficar sem tocar aqui, não”. O pessoal está gostando muito do trabalho dele.

Qual a importância do teu pai nas tuas escolhas musicais, na tua carreira? É muito importante. Dos quatro filhos eu fui o único que escolheu o lado da música e abraçou. Eu escolhi a música para seguir como profissão. No caso dele, ele teve que fazer outras coisas para sobreviver. Era outra época. Ele me influenciou muito no ambiente familiar, eu sempre escutei música através dele. Isso me influenciou bastante para eu ter uma escolha musical assim.

Quem foram os teus grandes mestres do sax, além de teu avô, José Furtado? Assim que eu entrei na Escola de Música [do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo], eu tive o professor Cleômenes Teixeira, que chegou a dar aula lá, depois faleceu. Depois a Javandilma [Ferreira], peguei muita aula com ela, está em Recife agora. E teve Tomaz de Aquino, mestre Tomaz. Depois disso a convivência com meu avô e com meu pai, tocando em rodas de choro, música carnavalesca.

Você falou há pouco que participa de vários grupos dentro da universidade, entre eles o Quarteto de Saxofones. Eu queria que você falasse dos outros e mesmo de grupos de que você participou aqui em São Luís e participa lá em Belo Horizonte, fora do universo acadêmico. Lá dentro da universidade eu toco na Big Band, no Quarteto de Saxofones. Tem um grupo, em uma matéria em que a gente toca as músicas do Moacir Santos…

[Os chororrepórteres interrompem, espantados] Moacir Santos é uma matéria? Isso é sensacional! É. Tem dois anos que eu tou fazendo essa disciplina. São esses grupos em que eu trabalho dentro da universidade. E fora da universidade eu toco em banda de samba rock, Joãozito e A Parceria. Joãozito é o nome do cantor e o resto do conjunto é A Parceria. Também fazemos banda de baile. Tem um grupo instrumental, Os Oito, é bem recente, tem um ano agora, são seis sopros, três saxofones, um trompete, dois trombones, um baixo e uma bateria. A gente toca só música brasileira. No último evento em que a gente tocou Silvério [Pontes, trompetista] veio, tocou uma música dele, o grupo fez o arranjo para ele tocar, foi muito bacana. Lá em Belo Horizonte é isso.

E antes, em São Luís? De que grupos você participou? Em São Luís eu participei de bandas de forró, Fogo da Paixão, Cana com Uva, bumba meu boi, Osmarmanjos, Os Cinco Companheiros.

O que significou para você, como músico, tocar nOs Cinco Companheiros? Foi o primeiro grupo em que eu pratiquei o repertório de choro e samba. Isso me ajudou muito a pegar experiência como músico. Até meu pai, quando eu tocava, bem no começo, eu tocava só lendo partitura. E ele falou: “rapaz, tem que tocar de ouvido, se não tu vai ficar bitolado”. Aí eu fui desenvolvendo o ouvido. Me ajudou bastante.

Você acha que Os Cinco Companheiros acabou ou está de recesso? [Osmar do Trombone] Ele [o grupo] está adormecido.

[Osmarzinho] É, ele está de recesso, adormecido. Aqui [em São Luís] eu acho que o Clube do Choro ainda vai voltar a juntar a galera. Não pode deixar morrer. Tem que juntar os grupos, mesmo que não tenha retorno financeiro, nem que seja uma vez por mês, numa praça.

O que significou para você tocar neste disco [Cinco Gerações]? Achei muito importante. Pelo fato de eu ter saído para Belo Horizonte, eu já fui divulgar a nossa música, maranhense, como resgatar as coisas da minha família. Foi uma coisa que eu conquistei durante esse tempo que eu estou lá. É a realização de um sonho, não só meu, mas de meu pai também, da família toda.

[Osmar do Trombone] Fala do último dia 4 [de dezembro de 2013], que a gente foi homenageado lá no Palácio das Artes.

[Osmarzinho] No Palácio das Artes meu pai foi entrevistado. Eu fiz uma prova para ser bolsista de um grupo de choro do Palácio das Artes. A diretora do Palácio das Artes, Patrícia Avelar, deu oportunidade para cada componente, se tivesse uma música autoral, inserir no repertório. Eu peguei e coloquei uma música do meu pai, que é o título do cd, Cinco Gerações. Ela pegou e falou: “tu não quer fazer uma entrevista com teu pai? Contando a história das cinco gerações?” Eu topei na hora, marcamos os dias, coincidiu de meu pai estar lá na data. Ele deu a entrevista, falou sobre as cinco gerações, tocou a música. No dia 4 teve um show no teatro do Palácio das Artes, eles mostraram a entrevista no vídeo, aí eu chamei meu pai para tocar a música junto comigo.

Você falou de sua receptividade em Belo Horizonte, mas a gente percebe que teu pai também foi muito bem acolhido. Como você percebe, como filho, a chegada de teu pai na capital mineira? Antes de meu pai ir à Belo Horizonte eu já falava de meu pai: papai toca trombone, toca choro pra caramba. Ele foi lá e a primeira roda que eu levei foi lá no Mosteiro [bar, reduto chorístico da capital mineira]: “esse aqui que é meu pai”. “Ah, rapaz, tu trouxe teu pai mesmo. Tu vivia falando, agora eu quero ver”! Aí ele tirou o instrumento e mandou ver.

[Osmar do Trombone] Apareceram vários anjos da guarda lá, inclusive gente que patrocinou o cd.

Cinco Gerações foi tua primeira experiência de estúdio ou você já tinha feito outros discos? Eu já tinha gravado outras músicas em outros CDs, de amigos. Mas experiência de produzir um cd, é a primeira vez, assim. E não é muito fácil, não. Fazer arranjos, pensar um monte de instrumentos.

Por falar nisso, além de instrumentista, que outras habilidades você desenvolve na música? Eu gosto de interpretar, estudo pra isso. Composição tem um choro em que eu comecei a trabalhar. Faço arranjos, principalmente de sopro.

[Osmar do Trombone] Tem uma disciplina [de arranjo, na faculdade].

Você falou em discos de amigos nos quais gravou. Pode citar alguns? Gravei disco de vários estilos: brega, Tatau Matos, Fuzileiros da Fuzarca, Vagabundos do Jegue, Gabriel Melônio, Boi Brilho da Ilha, Boi de Palha. Basicamente foram esses.

O que é o choro para você? E qual a importância dessa música, na tua opinião? É um dos gêneros musicais que eu mais aprecio e mais tenho prazer em tocar, mais me satisfaz musicalmente. Apesar de eu tocar outros gêneros.

O choro é uma escola, para você? É uma escola. A gente pode pegar técnica, sonoridade, improviso. Se eu for escolher uma música para improvisar eu prefiro improvisar dentro do choro.

Osmarzinho, você se considera um chorão? Considero. Hoje eu me considero. Por essa jornada, esse mergulho que a gente deu. Hoje tenho uma identidade de chorão.

Em algumas rodas de choro, toda a experiência musical por que você passou, você foi levado por seu pai, suponho. Quando você faz isso com ele em Belo Horizonte, tem uma retribuição aí? Ele te apresentou ao mundo da música e você agora apresenta a ele a Minas da música. Tem. Até hoje eu tenho aprendido com ele. A gente nunca deixa de estar aprendendo. Todo dia a gente está aprendendo alguma coisa com alguém. Você tem um conhecimento, eu tenho outro, a gente troca e está sempre aprendendo.

Você viveu o choro em São Luís e agora vive o choro em Belo Horizonte. Dá para fazer um comparativo? As diferenças estão mais nas composições. As daqui vão puxar para o lado mais rítmico da região, eu já observei isso. Lá de Minas já puxa mais pro lado do congado, das danças mais tradicionais.

Você acha que a cultura popular influencia o choro tanto lá quanto aqui? Influencia muito. As células rítmicas, como têm aqui, no bumba meu boi, até as composições de meu pai, ele coloca algumas frases. Influencia bastante, está dentro da alma da pessoa, da cultura de cada região. Foi mais nesse aspecto que percebi.

Você acha importante atualizar o choro, renovar? Ou é importante ter as duas coisas: o tradicional e os inovadores? É importante renovar, mas com cuidado. Para não fugir da proposta que o choro passa. Às vezes as pessoas confundem tocar choro e inserir outros estilos dentro do choro, e começa a fugir um pouco da tradição do choro. Eu acho que não é muito interessante, não.

Você tem alguma influência do jazz no fazer musical, saxofonístico? Eu escuto mais jazz do que toco. Acaba que a gente pega uma influência, de tanto escutar. É como perguntaram para o Silvério Pontes: “você toca jazz?” E ele: “não, eu só escuto”. Chet Baker, Miles Davis, eu gosto de escutar, direto. Mas acaba que a gente vai absorvendo isso e a gente vai pegando umas frases naturalmente, sempre vêm. Não tem como deixar de ter [influência].

Os três anos que você está fora coincidem com o fim do [projeto] Clube do Choro Recebe. Você tem acompanhado a cena do Maranhão? O que você tem percebido depois disso? Em relação a cenário, comportamento de donos de bares e grupos, que não deixaram de existir, mas deixaram ao menos de se apresentar? Eu estou meio por fora. Quando as coisas estão acontecendo em um lugar, tem um movimento, a gente fica sabendo, logo de imediato, de um jeito ou de outro. Nunca mais eu ouvi falar nada de São Luís. Eu acho que está um pouco apagado, adormecido. Eu estava conversando com João Soeiro [violonista, integrante dOs Cinco Companheiros], ele disse que ia armar algo pra gente se encontrar.

Osmar, qual é a sensação para um pai, ver o filho fazer essa escolha e seguir a profissão do pai e ir além? [Osmar do Trombone, emocionado] Tu é doido? Sem palavras!

É motivo de orgulho? [Osmar do Trombone, chorando] Demais! Inexplicável, indescritível a emoção que a gente sente, de ver. Os outros filhos cada um seguiu uma profissão. Mas o filho que segue a profissão que você abraça, que você incorpora, a musicalidade. Isso aí é indescritível.

Noite de gala para Patativa

[texto escrito às pressas, ontem, a pedido do amigo Gutemberg Bogéa. Saiu no JP Turismo, Jornal Pequeno, hoje]

Emoção e autenticidade marcaram show em que a sambista de 77 anos lançou Ninguém é melhor do que eu, seu disco de estreia

TEXTO: ZEMA RIBEIRO
FOTOS: MARISTELA SENA

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Há certas facetas de que só Patativa é capaz. Lotar o Porto da Gabi em plena quarta-feira, por exemplo. Mas o motivo era dos mais justos: o lançamento de seu tão aguardado disco de estreia, que finalmente chegava aos ouvidos de quem aprecia a música de qualidade produzida no Maranhão.

O Samba na Fonte, grupo que ocupa com música a Fonte do Ribeirão, um dos cartões postais do Centro Histórico ludovicense, foi reverenciá-la. Vez por outra ela dá canjas na paisagem.

Os DJs Joaquim Zion e Marcos Vinicius, residentes da casa, misturaram reggae, merengue e música brasileira para recebê-la. A noite era dela, a diva, a madredivina dama, em noite de estreia e gala, aos 77 de idade, que nunca é tarde e “quem espera por Deus não cansa”, como ela mesmo não cansa de dizer.

Pelas mãos de Luiz Jr., produtor musical, e Zeca Baleiro, diretor artístico, Ninguém é melhor do que eu, o disco, chega ao mercado pela Saravá Discos, selo que Baleiro inventou e em que investe energia e um punhado de dinheiro do próprio bolso para lançar nomes em que acredita, que valem a pena. Foi assim com Antonio Vieira, com Lopes Bogéa e agora com Patativa, entre outros.

Ninguém é melhor do que eu tem participações especiais de Zeca Baleiro em Santo Guerreiro, Simone em Saudades do meu bem querer e de Zeca Pagodinho na faixa-título. No repertório, além de Xiri meu, por demais conhecida em rodas boêmias da Ilha, estão ainda Rosinha, gravada por Fátima Passarinho no único disco do grupo Fuzarca (integrado ainda por Rosa Reis, Cláudio Pinheiro, Inácio Pinheiro e Roberto Brandão), e Colher de chá, gravada por Lena Machado em Samba de Minha Aldeia (2009).

Após samba e discotecagem, a exibição de Xiri meu, documentário curta-metragem de Tairo Lisboa preparava o público – como se precisasse – para o que viria a seguir. A noite era dela, repita-se. Na tela, depoimentos de amigos e admiradores: o compositor e jornalista Cesar Teixeira, o ator e incentivador Fumaça, o sociólogo e radialista Ricarte Almeida Santos, o feirante Corintiano. Patativa caminha tranquilamente pela Feira da Praia Grande, ruas da Madre Deus e da Vila Embratel, onde mora atualmente. Tudo isso regado a seus sambas, trechos do que se ouviria completo no show.

Escudada por Luiz Jr. (violão sete cordas e direção musical), Robertinho Chinês (cavaquinho), Elton (flauta e sax), Davi (contrabaixo), Oliveira Neto (bateria), Lambauzinho (percussão), Wanderson (percussão), Philippe Israel (vocais) e Lena Machado (vocais), Patativa mostrou, sem ser arrogante, por que Ninguém é melhor do que eu.

Cantou quase o disco inteiro, um apanhado de sambas acima da média, além de cinco inéditas. Sua espontaneidade e jovialidade marcantes contagiaram o público, em uma noite realmente mágica. Tudo jogava a favor: o vento das margens do Bacanga, a qualidade do som, o ambiente, cuja proprietária e seu marido, Gabi e Josemar, são personagens de Samba dos seis, uma das músicas do repertório.

A noite foi coroada ainda com as participações mais que especiais de Lena Machado, que dividiu Colher de chá com a autora, e Zeca Baleiro, que cantou e fez graça com ela em Santo guerreiro e na faixa-título.

O som dos tambores dos Filhos de Dadinha (outro apelido da compositora, este da intimidade de sua casa) encerraram a noite em grande estilo. Até nisso Patativa surpreende: em vez de botar uma saia e rodar, mostrou ao público mais uma composição, no ritmo das batidas frenéticas de Josemar, Peixinho e cia.

*

Confiram Patativa em Ninguém é melhor do que eu (com participação especial de Zeca Pagodinho)

Utilidade pública

Cássio Loredano. piauí, #98, novembro/2014

 

“O declínio dos Sarney”. A manchete de capa da piauí #98, de novembro/2014, anuncia a ótima reportagem em que Malu Delgado relata a derrota eleitoral do mais longevo grupo político brasileiro.

Fui assinante da revista, em seu início, por dois ou três anos. Hoje é das que compro em banca, sempre.

Neste novembro já passei por Dácio (Praia Grande), Angela (Deodoro), seu João (João Lisboa) e outras bancas Ilha adentro. Nem sinal da publicação.

Pode ser uma espécie de último suspiro antidemocrático da oligarquia, como já fizeram com a Caros Amigos, quando a revista trazia “A candidata que virou picolé”, sobre o aborto das intenções presidenciais de Roseana Sarney, matéria de Palmério Dória (que depois transformou o texto num livrinho, que saiu pela mesma editora Casa Amarela que publicava a revista). À época também desapareceu das bancas maranhenses.

Diante de meus reclames, amigos e amigas ofereceram-se a comprar a revista em outros estados e me enviar, me ceder seu código de assinante, colar a matéria em word e me enviar e até mesmo me ensinar: “digite quaisquer nove números no campo do código de assinante e dá pra ler a íntegra do texto”.

Com o texto em mãos, colei-o na íntegra do facebook, anunciado por boa parte desse texto que colo aqui de novo. Sabe-se lá por que, talvez algum limite de caracteres por post que eu desconheça, a rede social publicou-o incompleto. Pois baixem-no aí em pdf e espalhem!

Festival BR 135 será lançado quinta-feira (20) no MHAM

Divulgação

 

Nesta quinta-feira (20), às 19h, no Museu Histórico e Artístico do Maranhão (MHAM, Rua do Sol, 302, Centro), o duo Criolina, em evento para convidados, lança o Festival BR 135 e o Conecta Música, que ocorrerão em paralelo, em dezembro, na capital maranhense, e prometem sacudir a Ilha.

Já estão anunciados nomes como Céu, Dona Onete, Felipe Cordeiro e Mombojó, além dos selecionados pelo festival (lista completa na imagem acima).

Idealizador do Festival ao lado de Luciana Simões, Alê Muniz afirma que a intenção é mapear os vários Brasis existentes unindo-os através da música. Para ela é preciso “repensar o Centro Histórico, reconhecido patrimônio cultural da humanidade pela Unesco, mas abandonado pelo poder público”. “Nosso maior patrimônio não é o conjunto arquitetônico, mas sua relação com as pessoas da cidade”, provoca Luciana.

Shows – Céu abre o Festival BR 135 dia 18 de dezembro, no Teatro Arthur Azevedo. Os demais shows acontecem na Praça Nauro Machado (Praia Grande), dias 19 e 20. A programação do Conecta Música inclui palestras, oficinas e workshops. O blogue voltará ao assunto.

Confiram Céu em Retrovisor:

Obituário: Marco Cruz

Foto: Fernando Motta (facebook)
Foto: Fernando Motta (facebook)

Faleceu ontem (10), vítima de um câncer no estômago, o compositor Marco Cruz. Soube ao ligar o rádio para ouvir o Santo de Casa, na Universidade FM (106,9MHz). Não entendi direito – ou não quis acreditar – e liguei para a produção perguntando.

Tocaram duas músicas suas, em sequência: Bangladesh, em que ele divide os vocais com Mano Borges na faixa-título do disco que este lançou há aproximadamente 20 anos – justamente a primeira vez que ouvi sua bela voz e falar em Marco Cruz – e a toada Moderna Mocidade, do Boi da Mocidade de Rosário, grupo para o qual forneceu outras crias para o repertório.

As últimas menções ao nome de Marco Cruz em minha memória estão ligadas aos shows de gravação – de que integrei a equipe de assessoria de comunicação – e lançamento do disco ao vivo Milhões de uns, estreia de Joãozinho Ribeiro no mercado fonográfico. Este resgatou do cofo de parcerias Cidade minha, que interpretou junto com o Coral São João, e Tá chegando a hora, marchinha carnavalesca que encerra o disco fruto dos shows, em que, com todos os convidados, Joãozinho canta: “tá chegando a hora/ de anunciar a despedida”.

Há algum tempo não surgiam notícias que relacionassem o recém-falecido compositor, também técnico em informática, à música. No entanto, o também parceiro Zé Lopes anunciou que Marco Cruz deixa inacabado um disco em que estava gravando Salmos que havia musicado.

Reverberando na #Felis

Marcelino Freire voltou à Ilha. Premiado escritor, autor do ótimo Nossos ossos, entre outros, ministrou oficina de criação literária, pelo projeto Quebras, e de quebra participou da 8ª. Feira do Livro de São Luís.

Eu que sempre imaginei entrevistá-lo, acabei entrevistado por ele, baita honra e responsabilidade, para o quadro Reverbera, do Quebras. Outros personagens da cultura do Maranhão também foram entrevistados por ele, como Bruno Azevêdo e Celso Borges.

Confiram!

Bisbilhotando na #8Felis

O bisbilhoteiro das galáxias. Capa. Reprodução

O livro que abre este post merece atenção especial, inclusive deveria ser bibliografia das disciplinas de jornalismo cultural nas faculdades. Depois digo mais dele, num post específico.

Logo mais este que vos perturba debato o “jornalismo cultural nos bastidores da cultura pop” com seu autor, Jotabê Medeiros, repórter e crítico do jornal O Estado de S. Paulo, e aproveito para pegar meu autógrafo. Ele trouxe uns exemplares na mochila e lança esta coletânea de histórias de bastidores fartamente ilustrada, contando encontros, às vezes inusitados, com nomes como Bob Dylan, Axl Rose, Zé Ramalho e Manu Chao, entre muitos outros.

Vai ser às 16h, no Café Literário Odylo Costa, filho, no térreo do Convento das Mercês, na programação da 8ª. Feira do Livro de São Luís.

Amanhã estaremos entre os bastidores e a plateia de Edvaldo Santana.

Obituário: Léo Capiba

Foto: Rivanio Almeida Santos
Foto: Rivanio Almeida Santos

Neste domingo de finados a música do Maranhão amanheceu mais triste: perdeu o sorriso largo e fácil de Léo Capiba, falecido na noite de sábado (1º.), vítima de ataque cardíaco.

Cearense do Crato, radicado em São Luís há quase 30 anos, Capiba tinha 67 anos e chegou a adiar, por problemas de saúde, o show Desde que o samba é samba, anunciado para 17 de outubro passado.

O Regional Tira-Teima, que deve lançar em breve o disco de estreia, registrou duas composições suas: Pra ser feliz, dedicada à esposa Sandra Tavora, com quem teve três filhos, e Zona do agrião, que usa metáforas futebolísticas para falar de amor.

No disco Memória – Música no Maranhão, lançado em 1997, sob direção musical e arranjos de João Pedro Borges, Léo Capiba cantou e tocou pandeiro em Não vá deixar o samba da vila, do compositor madredivino Henrique Martiniano Reis, o Sapo.

Confiram o depoimento que Léo Capiba deu à série Chorografia do Maranhão em abril passado. Continue Lendo “Obituário: Léo Capiba”

Blogosfera no dial

Acervo Rádio Universidade FM

Ontem participei, com o camarada Alberto Jr. (como eu gostaria que ele tivesse um blogue para linkar no nome dele), do quadro Roda de Conversa, no Santo de Casa, na Rádio Universidade FM (106,9MHz), capitaneado por Gisa Franco.

O tema era “a importância dos blogues na difusão da música maranhense”, mas creio que fomos além.

Comentamos de nossas experiências como blogueiros, citamos blogues importantes, fiz cobranças públicas a quem já teve blogues e precisa voltar a ter e a quem nunca teve mas tem muito o que dizer, rimos um bocado e aproveitei para fazer o meu comercial, divulgando a 9ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes (termina hoje, 30) e shows de Chiquinho França (hoje, 30), Edvaldo Santana (7/11) e Patativa (19/11).

Quem perdeu no rádio pode ouvir o papo aqui, agora. Mais uma vez agradeço a atenção e paciência dos/as ouvintes e o carinho dos/as que fazem a Rádio Universidade FM.

O rádio, Parafuso e eu

Começo de setembro passado, a trabalho em Brasília/DF, meu celular toca. Era Valéria Santos, produtora da Rádio Universidade FM. Disse-me rapidamente que estavam produzindo um Janela Cultural em homenagem ao mestre José de Ribamar Elvas Ribeiro, mais conhecido como Parafuso. De cara topei dar um depoimento e ela gravou na hora, pelo telefone. Ela tornaria a ligar, já que as operadoras de telefonia não ajudam e a ligação caiu.

No dia em que o programa foi ao ar, eu estava novamente viajando. Hoje, com o amigo Alberto Jr., fui ao Santo de Casa, na mesma Universidade FM, falar com Gisa Franco no quadro Roda de Conversa sobre a relação entre a blogosfera e a difusão da música do Maranhão. O papo rolou agradabilíssimo. Reencontrei amigos e amigas e conheci Valéria pessoalmente. Ela me avisou que o programa dedicado a Parafuso estava disponível, na íntegra, no youtube.

Lembro que o lendário sonoplasta havia lançado recentemente, em concorrida noite de autógrafos no Bar do Léo, o livro Memórias de um Parafuso, de título autoexplicativo.

A quem interessar possa, aí está o programa: