Geraldo Vandré está de volta

Geraldo Vandré. Capa. Reprodução
Geraldo Vandré. Capa. Reprodução

 

“Incluindo Pra não dizer que não falei das flores (Caminhando) proibida desde 1968”, anuncia uma faixa no canto superior esquerdo da capa do LP homônimo de Geraldo Vandré lançado em 1979, ano da controversa lei da anistia.

Geraldo Vandré, o disco, recentemente relançado em cd, abre e fecha com versões ao vivo e em estúdio da música que acabou símbolo da resistência à ditadura militar, defendida pelo artista no 3º. Festival Internacional da Canção, em 1968, no Maracanãzinho, ocasião em que foi feita a foto da capa.

Geraldo Vandré, o artista, é uma das mais radicais e controversas figuras da música popular brasileira a qualquer tempo. Seu completo sumiço, ainda na década de 1970, contribuiu para a proliferação de uma mitologia particular ao redor de sua figura.

Com toda a discografia fora de catálogo este álbum certamente contribuirá para a redescoberta (de parte) da obra do artista, por vezes injustamente tratado como um one hit wonder, além dessa mitologia de almanaque ao redor do personagem.

O repertório demonstra a versatilidade de Vandré para além do estigma de cantor de protesto. Ardoroso defensor da cultura nacional, estão ali, com o acompanhamento do Trio Novo (Airto Moreira, Heraldo do Monte e Théo de Barros, que se tornariam Quarteto Novo após o ingresso de Hermeto Pascoal), a apropriação de temas nordestinos (Canção nordestina e Fica mal com Deus), a evolução da bossa nova, superando estereótipos de sua origem, como os diminutivos e a paisagem carioca (Quem quiser encontrar o amor, parceria com Carlos Lyra, com o violão de Baden Powell), o carnaval (a belíssima marcha rancho Porta estandarte, parceria com Fernando Lona) e o diálogo com Guimarães Rosa (Réquiem para Matraga, da trilha sonora de A hora e a vez de Augusto Matraga [1966], filme de Roberto Santos baseado em conto do mineiro).

Réquiem para Matraga, aliás, está na trilha sonora da novela global Velho Chico: é tema do personagem Santo dos Anjos (Domingos Montagner). Originalmente lançado pelo selo Som Maior, da RGE, o disco é relançado pela Som Livre, braço fonográfico das organizações Globo, que apoiou o golpe militar de 1964 – que obrigaria artistas como Vandré e outros ao exílio.

“As músicas deste álbum tornaram mais leve a vida do brasileiro e mais encorajada a vontade de liberdade daqueles que viveram em um dos períodos mais obscuros da nossa história”, diz, no entanto, um trecho de um cínico texto na parte interna da embalagem.

Apesar de tudo, o relançamento e a transposição de sua trilha são mais uma possibilidade de mais gente conhecer a obra de Vandré, que segue recluso, fazendo raríssimas aparições públicas. Bem poderia esta reedição ser o início da de toda sua breve discografia.

Em show hoje Karleyby Allanda reverencia Josias Sobrinho

A cantora Karleyby Allanda. Foto: divulgação
A cantora Karleyby Allanda. Foto: divulgação

 

As trajetórias de Josias Sobrinho e Karleyby Allanda guardam ao menos uma semelhança: se ele, moço, veio “de pra lá da Ponta d’Areia”, fixando residência na capital e tornando-se um dos mais reconhecidos compositores do Maranhão, ela, já gozando de certo prestígio em sua Imperatriz natal, há oito anos sentou praça na Ilha, onde torna-se cada vez mais conhecida.

Hoje (28), às 21h, ela sobe ao palco do Taberna da Bossa (Praça dos Catraieiros, Praia Grande) para apresentar o show O cancioneiro de Josias Sobrinho, em que interpretará 20 músicas do compositor, entre consagradas, lados b e inéditas.

Em Renascer, disco de estreia que deve lançar mês que vem, ela catou, no cofo do penalvense, Meu amanhã e Requebra no compasso, que o público conhecerá em sua voz, a intérprete somando-se ao vasto time dos que já gravaram sua obra: A 4 Vozes, Betto Pereira, Ceumar, Chico Maranhão, Cláudio Lima, Cláudio Pinheiro, Diana Pequeno, Flávia Bittencourt, Leci Brandão, Lena Machado, Papete, Salomão di Pádua e Xuxa, entre outros.

Com a faixa-título do futuro lançamento, de sua autoria, Karleyby Allanda foi recentemente classificada no Festival de Música do Sintsep. Aos poucos as coisas estão acontecendo para a artista que ama cantar e se divide entre os ofícios da música, do ensino (é professora da rede pública estadual) e da graduação em Direito, que cursa após ter se graduado em Letras e se especializado em Literatura Contemporânea.

Outra semelhança entre o compositor homenageado na noite de hoje e a intérprete está num verso de Terra de Noel, uma das músicas do repertório: “não vou tirar meu chapéu pra qualquer vagabundo”. Com seu chapéu e seu violão, Josias reverencia mestres como o Noel Rosa que homenageia já no título de uma de suas mais conhecidas criações. Karleyby lembra o ensinamento de outros ícones, Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, e dá a Josias “flores em vida”, como ensinou o par.

Completam a noite de celebração Wilson Zara – amigo de Karleyby desde os tempos de Caneleiros Bar, em Imperatriz, onde ela fez suas primeiras apresentações –, que fará o show de abertura, o também imperatrizense Chico Nô e Zé Paulo, que farão participações especiais. Karleyby Allanda sobe ao palco acompanhada de Carlos Raqueth (contrabaixo), Fofo (bateria), Guilherme Raposo (teclados) e Jayr Torres (violão, guitarra e direção musical). O couvert artístico individual custa R$ 10,00.

No rastro do Bandeira de aço

[O Imparcial, ontem]

Como o LP de Papete tentou ser imitado por uma geração, que acabou presa a um rótulo-sigla e a herança às novas gerações

ZEMA RIBEIRO

Bandeira de aço. Capa. Reprodução
Bandeira de aço. Capa. Reprodução

No rastro da repercussão do LP Bandeira de Aço [Discos Marcus Pereira, 1978], em que Papete interpretava composições de quatro compositores maranhenses, elementos da cultura popular do Maranhão foram definitivamente absorvidos pelas classes médias e elites locais. Antes, era “folclore” de um lado e música erudita ou popular para outro.

As primeiras experiências de hibridização vieram justo de um grupo de artistas que, alguns anos antes, fundou o Laboratório de Expressões Artísticas do Maranhão (Laborarte) e mergulhou na pesquisa de nossas raízes. Como se as missões folclóricas de Mário de Andrade passassem pelo Maranhão com 50 anos de atraso.

O compositor Josias Sobrinho. Foto Fafá Lago
O compositor Josias Sobrinho. Foto Fafá Lago

“Quando me incluí no grupo, no primeiro semestre de 1973, a turma já estava integrada. O trabalho girava em torno do teatro, mas cada um de nós compositores fazia sua parte, em sua busca individual de um trabalho próprio. A reação do público tinha os componentes do momento histórico: cenário político, preconceito social, de gênero, de pele, de cultura. Por minha parte ouvi algumas vezes que essas músicas não eram adequadas”, relembra Josias Sobrinho, autor de quatro faixas do Bandeira de aço.

No rastro, toda uma geração acreditou estar ali uma fórmula para o sucesso, apesar de o ex-publicitário Marcus Pereira não produzir com a cabeça no mercado. “A impressão que eu tenho é de que a geração do Bandeira de aço é uma espécie de Clube da Esquina desunido, sem continuidade”, provoca o músico Pablo Habibe, sobrinho de Sérgio Habibe, outro dos compositores gravados por Papete.

“O mercado aqui ainda é pequeno e devia ser insignificante na época. Gosto de pensar que o Bandeira de aço poderia ter sido grande nacionalmente se eles agissem como os mineiros e lutassem juntos pelo disco, divulgando no sul do país e tudo mais. Quem sabe, um Bandeira de aço II poderia ter saído. Tio Sérgio, Chico Maranhão [compositor não gravado em Bandeira de aço, mas que lançou no mesmo ano, também pela Marcus Pereira, o igualmente antológico Lances de agora], Josias e Papete, juntos, como uma banda, teria sido incrível”, continua.

O fato é que, aprisionados pelo rótulo da “Música popular maranhense” e a sigla bastarda MPM, nenhum disco lançado por um artista ou banda no Maranhão, ao longo dos próximos quase 20 anos alcançaria o nível estético de Bandeira de aço, não à toa eleito o melhor disco da música produzida no Maranhão em todos os tempos em enquete realizada pelo jornal Vias de Fato.

Pablo Habibe aposta em uma explicação. “Enquanto o pessoal do Bandeira de aço tem bossa nova, folclore, Clube da Esquina, incluindo uma inconfessável dose de rock progressivo e Beatles, a MPM era voltada para a ideia de fazer sucesso no rádio pela imitação imediata da programação. Eles atiravam pra todo lado: ora faziam reggae, imitavam Alceu Valença e sua trupe, voltavam para João do Vale, músicas românticas que soavam de novela… Tinham e têm todo o direito de fazer isso e conseguiram produzir algumas músicas bem bacanas, mas quero dizer que é uma geração, a da MPM, marcada pela perseguição do sucesso e não por uma estética musical especifica. O foco era outro”, defende.

Curiosamente, as coisas só parecerão mudar de figura quase 20 anos depois, com as estreias fonográficas de dois maranhenses que rumaram para o eixo Rio-SP, caminho natural de quase todos os maranhenses que alcançaram alguma repercussão nacional: Zeca Baleiro e Rita Ribeiro [hoje Benneditto], que em 1997 lançaram Por onde andará Stephen Fry? e Rita Ribeiro, respectivamente, ambos pela MZA Music, de Marco Mazzola, lenda viva da indústria fonográfica nacional.

Alê Muniz e Luciana Simões convergiram suas estradas musicais quando juntos inventaram o duo Criolina, hoje com dois discos e um EP gravados, responsáveis por tributos ao LP Bandeira de aço ocorridos desde 2013, quando o LP completou 35 anos, reunindo seus compositores (exceto Ronaldo Mota, o único que mora no Rio de Janeiro) e a nova geração, de nomes como Afrôs, Bruno Batista, Dicy Rocha e Madian e o Escarcéu. Hoje vivendo em São Luís do Maranhão, o casal Criolina é responsável por uma importante movimentação da cena autoral a partir do Festival BR-135, sucesso de público, crítica e intercâmbio – e frisamos o último aspecto pelo fato de o festival tanto trazer artistas de fora para deleite do público maranhense quanto servir de vitrine para artistas locais que, a partir dele, acabam conquistando outros palcos.

O cantor e compositor Tiago Máci. Foto Carla Pedraça
O cantor e compositor Tiago Máci. Foto Carla Pedraça

Onde e em quê isso vai dar, difícil responder. O jovem compositor Tiago Máci aponta, entre as principais diferenças entre aquela e sua geração, fatores como o mercado. “O mercado é uma coisa que mudou totalmente e isso acaba mudando todo o contexto de plateia, formação de plateia, não o talento ou a qualidade musical”, aponta.

“Isso de MPM talvez tenha trancado um pouco a própria música daqui, regionalizando uma coisa que na verdade é universal. Tanto que outros produtos musicais que talvez não se enquadrassem na MPM não é considerado MPM mesmo sendo feito aqui ou por gente daqui: Zeca Baleiro, Rita Ribeiro, Alcione. É uma coisa que parece que, saindo daqui, já não é mais regional, ficando aqui é regional”, confunde Máci, artista confessadamente influenciado por Cesar Teixeira, autor da faixa-título de Bandeira de aço.

Entre outras influências, Máci comenta: “o mais massa é que geralmente nossos ídolos de referência estão quase todos mortos, como Sérgio Sampaio, Noel [Rosa], Gonzaguinha. E [Marcos] Magah é um desses [ídolos], mas com ele eu tomo um café, compomos juntos, e ainda diz que é meu fã [risos]. E não menos que isso: está vivo [mais risos]”. A recíproca é verdadeira.

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Ouça o disco Bandeira de aço:

Belchior invocado

Jotabê Medeiros e o blogueiro na Feira do Livro de São Luís em 2013, quando ele lançou "O bisbilhoteiro das galáxias". Foto: Talita Guimarães
Jotabê Medeiros e o blogueiro na Feira do Livro de São Luís em 2013, quando ele lançou “O bisbilhoteiro das galáxias”. Foto: Talita Guimarães

 

Amanhã (23) em São Paulo, o jornalista Jotabê Medeiros reúne diversos amigos para celebrar a obra de Belchior, artista cearense de quem está escrevendo a biografia Pequeno perfil de um cidadão comum, título de uma conhecida canção sua, parceria com Toquinho.

E-flyer de divulgação do evento. Arte: André Kitagawa
E-flyer de divulgação do evento. Arte: André Kitagawa

Invocação Belchior – debate-canção sobre a vida e a obra de um grande artista, o evento, reunirá, além do organizador, o jornalista Pedro Alexandre Sanches, seu colega de Farofafá, o compositor Jorge Mello (parceiro de Belchior e fonte de Jotabê na biografia) e Josy Teixeira, doutora em Belchior pela USP, além de músicos revisitando clássicos e lados b do cearense: Edvaldo Santana, Juliano Gauche, Assucena Assucena (vocalista de As Bahias e a Cozinha Mineira), Mário Bortolotto e o próprio Jorge Mello.

“Eu tenho diversos amigos que partilham comigo essa paixão pela obra do Belchior e pela coerência artística dele. Me ocorreu que é legal manter uma obra como a dele, que está agora, talvez, um tanto quanto esquecida, pelo fato de que ele deu um sumiço, que seria legal reunir as pessoas que têm algo a dizer e fazer umas provocações. Os beatniks faziam muito isso, houve uma tradição uma época no mundo cultural, reunir as pessoas, o dadaísmo se reunia no Cabaret Voltaire, lá em Zurique, e lá eles realizavam suas provocações artísticas. A gente esqueceu um pouco essa tradição, tá tudo muito ligado a questões como showbiz, a realização de um show, achei até que essa coisa da extinção do Ministério da Cultura liberou um pouco pras pessoas fazerem ações coletivas sem fins outros que não a própria ação. Esse encontro, Invocação Belchior, é uma coisa assim, eu até brinquei, como tinha essa coisa lá nos beatniks, os belchniks vão se reunir no dia 23 aqui em São Paulo”, anuncia Jotabê.

Biógrafo e biografado têm trajetórias parecidas, como lembra Belchior na autobiográfica Fotografia 3×4, “pois o que pesa no norte/ pela lei da gravidade/ disso Newton já sabia/ cai no sul, grande cidade”, ele cearense de Sobral, Jotabê paraibano de Sumé, o primeiro desce para o eixo Rio-SP em busca de um lugar ao sol na MPB da época dos grandes festivais, o segundo forma-se em jornalismo em Londrina/PR e fixa residência em São Paulo, onde consolida-se como um dos mais importantes jornalistas culturais em atividade no país.

“Belchior tratou em algumas músicas da questão da migração, tem também entrevistas que tratam dessa coisa, o fato do cidadão migrante, principalmente do Nordeste, ser visto como um pária, às vezes, aqui no Sul, Sudeste, ser visto como um ser, eles fazem essa confusão, geralmente é o porteiro ou é o pedreiro, no Rio de Janeiro chamam todo mundo de Paraíba, aqui em São Paulo chamam de baiano, sempre com um tom meio agressivo, e o Belchior sentiu isso na pele e fez algumas músicas maravilhosas sobre esse sentimento. Eu sou migrante, mas vim beber pra cá pro Sudeste, conheço esse sentimento meio transversalmente, mas reconheço a grande poesia que nasce desse estado de preconceito. Belchior fez maravilhas, Fotografia 3×4 é a história de todos nós”, prossegue Jotabê.

A Belchiorgrafia em progresso e o evento de amanhã são exceções no noticiário relativo ao artista nos últimos anos, seu bigode grisalho tingido pelo marrom da imprensa sensacionalista, especulando sobre dívidas, motivações e até seu quadro psicológico. Jotabê trabalha com afinco, em meio a uma agenda intensa de compromissos profissionais, atuando como jornalista independente há pouco mais de um ano, escrevendo regularmente em seu blogue, no site Farofafá e no portal Uol.

“Seria ótimo poder falar com ele, cotejar alguns temas da obra dele, perguntar, por exemplo, eu tou tendo que ir a fontes, parceiros, para chegar, por exemplo, por que o desespero era moda em 73?, um verso famoso dele [de A palo seco]. O desespero era moda em 73 por que naquela época quem mandava no país era um general chamado Emílio Garrastazu Médici, era linha dura, a perspectiva para artistas e pessoas que eram vítimas da censura era muito dura, então ele cunhou esse verso em relação a esse período do Médici, e pouca gente sabe disso. Eu gostaria de falar com ele e perguntar para ele, diretamente. Não vai ser possível”, contenta-se.

Em 2016 Alucinação completa 40 anos. O disco de Belchior foi eleito o melhor da música produzida no Ceará, em enquete do jornal O Povo. Em outubro, o compositor completa 70 anos, quando deve ser lançado Pequeno perfil de um cidadão comum. “Vai estar na mão do editor daqui a um mês, então acho que sai. Tá previsto, vai sair”, garante. Segundo livro de Jotabê Medeiros, o aguardado sucessor de O bisbilhoteiro das galáxias – No lado b da cultura pop [Lazuli, 2013], será certamente um presente e tanto para Belchior, seus fãs e interessados em música e jornalismo cultural em geral.

Ouça o álbum Alucinação:

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O texto toma por base entrevista concedida por Jotabê Medeiros ao blogueiro no programa Conversa à Beira Mar da última quarta-feira (20), na Rádio Timbira AM (1290KHz).

Samba original aprofunda a pesquisa iniciada por Pedro Miranda em seus discos anteriores

Samba original. Capa. Reprodução
Samba original. Capa. Reprodução

 

Um meio sorriso de malandro e um bigode cortado fino, o retrato de Pedro Miranda estampado na capa de Samba original [independente/Tratore, 2016], seu terceiro disco solo, anuncia o duplo sentido ali contido.

Duplo sentido no bom sentido: o adjetivo do título, longe de pedante, dá conta do criterioso trabalho de pesquisa do sambista, exercício a que Pedro Miranda já se propunha desde os anteriores Pimenteira [independente/Tratore, 2009] e Coisa com coisa [Deckdisc, 2006].

Sua voz miúda dá conta do recado, com ginga de sobra, ele, revelado como percussionista do grupo Semente, que acompanhou o início da carreira de Teresa Cristina e colaborou para a revitalização da cena musical da Lapa carioca, cujos nomes ganharam o Brasil. O samba de Pedro Miranda é original tanto pela abordagem quanto por remontar às origens do gênero, recuperando raridades em baús musicais diversos.

Parceria de Elton Medeiros e Zé Keti, a faixa-título, que abre o disco, cita possíveis clichês do universo do samba sem cair no clichê. “Meu samba/ é um samba diferente/ pois, de fato, minha gente/ ele é muito original/ não fala/ das cadeiras da mulata/ do murmúrio da cascata/ ou do amor no carnaval”, desconversa a letra.

Caetano Veloso endossa o talento de Miranda, dividindo com ele os vocais em A razão dá-se a quem tem, parceria de Noel Rosa, Ismael Silva e Francisco Alves. O próprio Noel é citado em Garota dos discos (Wilson Batista e Afonso Teixeira), música de tempero saudosista, que traz à tona um universo em extinção, o das lojas de discos, cada vez mais raras, sob o prisma do compositor que se apaixona pela lojista: “Garota, garota/ diga pra essa madame/ essa é a nossa canção/ garota, garota/ ai, eu queria ser disco/ pra viver na sua mão/ e no seu coração”.

Passeio por cenários do Rio, Santo Amaro (Franklin da Flauta, Luiz Claudio Ramos e Aldir Blanc) evoca paisagens e nomes fundamentais para a música do Brasil. Destaque para o pianista Ernesto Nazareth [18??-1934], cujo Ameno Resedá – rancho carnavalesco homenageado pelo compositor em uma peça – é citado textual e musicalmente.

Noel e Nazareth são personagens também de Meu pandeiro, que fecha o disco citando Apanhei-te cavaquinho (Ernesto Nazareth), um raro samba da lavra do rei do baião, Luiz Gonzaga, em parceria com Ary Monteiro. “Ao chegar lá no céu/ serei bem recebido/ sempre fui bom sujeito nesse mundo/ e no outro serei bem acolhido/ falarei com São Pedro/ que é meu santo de fé/ vou fazer serenata/ com o velho Noel e Nazareth”, vaticina a letra.

Do lamento Imitação da vida, do baiano Oscar da Penha, vulgo Batatinha, ao samba de roda Samba de dois-dois, parceria de Roque Ferreira e Paulo César Pinheiro, várias categorias de samba fazem-se presentes ao repertório.

Luís Filipe de Lima (violões de seis e sete cordas) assina a produção de Samba original, em que modernidade e tradição dançam agarradinhas. Desfilam por suas 12 faixas nomes como Alberto Continentino (contrabaixo), Arto Lindsay (guitarras em Batuca no chão, parceria de Assis Valente e Ataulfo Alves), Beto Cazes (percussão), Carlos Fuchs (piano em Santo Amaro), Henrique Cazes (violão tenor em Se passar da hora, parceria de Baiaco e Ventura), Luis Barcelos (cavaquinho), Marcos Suzano (berimbaus em Samba de dois-dois), Nicolas Krassik (violino em Samba de dois-dois), Oscar Bolão (bateria em Amanhã eu volto, parceria de Roberto Martins e Antonio Almeida), Paulino Dias (percussão), Pedro Sá (guitarras em Batuca no chão), Pretinho da Serrinha (percussão em Quero você, parceria de Wilson Moreira e Nei Lopes), Rui Alvim (saxofone e clarone) e Thiago da Serrinha (percussão em Lola crioula, parceria de Geraldo Babão e Roberto Mendes), entre outros.

Entre compositores e instrumentistas, um time de primeira linha para atestar a originalidade do samba de Pedro Miranda.

Era domingo: pop para qualquer hora do dia, qualquer dia da semana

Era domingo. Capa. Reprodução
Era domingo. Capa. Reprodução

 

Aos quase 20 anos de carreira, isto se contarmos apenas a partir do lançamento de seu disco de estreia, Zeca Baleiro é um dos maiores trabalhadores da música popular brasileira. Desde Por onde andará Stephen Fry? [1997], o maranhense nunca se acomodou, nem nunca fez dois discos iguais. Ou seja: sempre se arriscou a testar o gosto, a paciência e a fidelidade do público que cativou desde então. Ainda remontando ao início de sua carreira discográfica, basta lembrarmos as quebras que significaram entre si os seguintes Vô imbolá [1999] e Líricas [2000].

Estas rupturas seguem presentes: após um disco infantil [Zoró – Bichos esquisitos, de 2014], um disco especial dividido com Paulo Lepetit e Naná Vasconcelos [Café no bule, de 2015] e outro dedicado ao repertório de Zé Ramalho [Chão de giz – Zeca Baleiro canta Zé Ramalho, também de 2015], Baleiro apresenta ao público seu disco mais pop: Era domingo [Fidellio/Som Livre, 2016].

Todas as 11 faixas são facilmente assobiáveis e plenas candidatas a hits de rádio – imaginemos um mundo livre do jabá. Quando parece não haver o que inventar, o artista se reinventa e lança a si mesmo o desafio: cada faixa tem um produtor diferente. Ou um par. Sim, o disco tem mais de 11 produtores/arranjadores: Tuco Marcondes, Pedro Cunha, Rogério Delayon, Kuki Stolarski, Marcelo Lobato, Marcos Vaz, Fernando Nunes, Haroldo Ferreti, Henrique Portugal, André Bedurê, Rovilson Pascoal, Érico Theobaldo e Adriano Magoo. O resultado, no entanto, é coeso.

Era domingo, a faixa-título, abre o disco, traduzindo o granulado voyeurismo de celular estampado na capa: uma foto praieira feita pelo próprio Baleiro. “Toda beleza/ na Fortaleza/ de um céu cheio de azuis/ música bela/ pela janela/ soava feito um blues”, diz a letra.

Ela parou no sinal e seu naipe de sopros ecoa os momentos mais dançantes dos dois volumes de O coração do homem bomba [2008]. De mentira lembra o adágio do poeta português Fernando Pessoa: “você se diz poeta/ mas é só um fingidor/ finge tão completamente/ que até crê na sua dor/ tanta é a dor que mente”, arremata.

A presença de outro poeta no repertório do disco é mais uma prova de que Zeca Baleiro não se contenta com caminhos fáceis ou atalhos para o sucesso. A letra de Desesperança, penúltima faixa do disco, parceria dele com Paulo Monarco, é trecho do poema homônimo do maranhense Sousândrade, do livro Harpas selvagens [1857]. A outra parceria do disco é Deserta, com Lokua Kanza.

A hiperbólica Pequena canção remete ao Roberto Carlos de Eu te darei o céu [Roberto e Erasmo Carlos]: “eu te daria o Polo Norte/ qualquer brinquedo/ o meu segredo/ o samba-enredo/ das minhas penas/ te dava a Grécia/ te dava Troia/ a maior joia do meu garimpo/ o meu cavalo, o meu Olimpo”, promete a letra.

Desejo de matar é dor de cotovelo digna de Lupicínio travestida de rock’n roll: “você me transformou/ num cão vulgar e sujo/ um fulano vagabundo/ um maldito o dito cujo/ de quem todos falam/ sem nenhum respeito/ o pilantra, o pilintra/ o vilão, o feio, o mau sujeito” é o cartão de visitas do protagonista da letra que cita Charles Bronson.

Em Homem só, O amor é invenção e Ultimamente nada, com seus femininos gritos de gozo no grand finale, Baleiro tira um sarro da vida pequeno-burguesa, cujas ambições rotineiras parecem bobagens para poetas, sonhadores e que tais. “Os amigos falam que é isso, brou?/ nunca mais passou no café, no bar/ tenho trabalhado pra caramba e/ o trabalho é que/ pode nos salvar”, afirma o artista, que apenas finge se contentar.

Ouça Desejo de matar:

O axé político de Wado

Ivete. Capa. Reprodução
Ivete. Capa. Reprodução

 

Artista catarinense/alagoano remonta às origens do axé em Ivete, seu nono disco, recém lançado. Ele conversou com o blogue

Alagoano nascido em Santa Catarina Wado acaba de lançar o nono disco de sua carreira, descontada uma coletânea. O título, fina e ousada ironia, Ivete [independente, 2016]. Sim, uma homenagem a Ivete Sangalo, musa do axé, gênero a que o álbum presta uma espécie de tributo – ligeiro, o disco todo não tem 25 minutos.

São 15 anos de carreira desde a estreia com O manifesto da arte periférica [2001]. Ouvintes mais atentos – os que lhe acompanham a trajetória desde sempre – encontrarão links entre Ivete e Atlântico negro [2009], no som, na estética e no forte componente político dos álbuns – aliás, todos os álbuns de Wado estão disponíveis para download gratuito e legal em seu site.

Alabama (Wado e Thiago Silva), com seu “sangue nas folhas, sangue na raiz”, primeira música de trabalho do disco novo, remete ao açoite e linchamentos denunciados pelos versos de Abel Meeropol (sob o pseudônimo de Lewis Allan) em Strange fruit [1939] – o “fruto estranho” de que se apropria a letra, entre outros versos – gravada por, entre outras, Billie Holyday.

Acompanhado por Vitor Peixoto (guitarra e voz), Rodrigo Peixe (bateria), Dinho Zampier (teclado e programações), Bruno Rodrigues (contrabaixo), China Cunha (percussão) e Luciano Brandão (percussão), o axé de Wado (guitarra e voz) não soa estranho, isto é, não soa alheio ao conjunto de sua obra. Quer dizer: é axé, mas continua sendo Wado. Não tem “tira o pé do chão” ou “mexe a bunda para lá ou para cá”.

O axé de Wado, mesmo homenageando Ivete Sangalo no título do disco, remonta às origens do gênero, e seu tom de denúncia social, sobretudo contra o racismo e de exaltação à negritude, logo desvirtuado pela indústria, que fabricou ídolos tão descartáveis quanto despolitizados.

Em meio às 10 faixas do disco, releituras do hit Jesus é palestino (Carlinhos Brown, Gerônimo Santana e Alain Tavares), citada em meio a Terra santa (Jesus é palestino) (Wado, Junior Almeida e Dinho Zampier), Filhos de Gandhi, homenagem de Gilberto Gil ao bloco baiano de carnaval homônimo, e Um passo à frente (Moreno Veloso e Quito Ribeiro). As guitarras em profusão, desde o segundo inicial de Alabama, remetem ao Armandinho dos primeiros álbuns solo do também baiano Moraes Moreira, outra influência confessa.

Também desfilam parcerias por Ivete: Thiago Silva (Alabama e Sexo), Zeca Baleiro (em Mistério e Nós), Momo e Marcelo Camelo (em Você não vem, autores também de Samba de amor, sem Wado) e Beto Bryto (em Amanheceu). Sobre o disco, Wado conversou com exclusividade com Homem de vícios antigos.

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Foto: Alzir Lima/HollyShot

Wado, você foi um dos primeiros artistas, de qualquer geração, a disponibilizar seus discos para download gratuito, logo no lançamento. O que te levou a esta postura e a mantê-la?
Acho que a música tem de chegar nas pessoas. Acho que até agora há pouco, antes das plataformas de streaming, essa era a melhor forma de chegar nas pessoas. Dinheiro ganhamos nos shows.

Como surgiu a ideia de um disco sobre o universo do axé?
É uma coisa que faz parte da minha formação, ouvi muito isso em Maceió no meio dos anos oitenta. É meio que um axe utópico de dentro da minha cabeça, adoro a estética, os temas.

E o título, Ivete?
Ele é um lance bem humorado mas respeitoso. É como se fosse uma tentativa de ser ela, sabendo que não chegaremos nunca lá. Como é um disco de axé e ela é um ícone, achei divertido e corajoso o título.

Sua música não soa nem pretende fácil como o axé, digamos, comercial. Reside aí uma fina ironia. É de propósito?
Acho que é verdadeiro em tentar ser, mas, também, verdadeiro em ser consonante com as minhas coisas. Ele é axé respeitando o gênero e sou eu também.

O repertório tem um forte componente político, inclusive nas regravações de Jesus é palestino e Filhos de Gandhi, meio que como uma volta às origens do axé. O gênero foi desvirtuado pela indústria?
Acho que nos anos noventa ele foi pra uma coisa super pop, mas a cultura é assim volátil. É bom que seja, mas o nosso foi bastante inspirado no início do gênero.

Outra referência citada no texto que apresenta o disco em teu site são os primeiros discos solo de Moraes Moreira. Terá o axé nascido ali?
Eu também fico pensando isso. O Moraes é um mestre da música festiva do Brasil e nesse primeiro disco solo dele já tinha Armandinho na guitarra baiana.

É um disco de axé, mas é um disco de Wado, no sentido de isso poder ser percebido, de cara, na primeira audição do disco. Alabama, primeira música de trabalho, remete a Strange fruit, retomando o elo do gênero predominantemente baiano com questões raciais e sociais. De algum modo, se lembrarmos Atlântico negro, mas não só, o axé e a política sempre estiveram presentes em teu trabalho, não é?
Sim, você pegou bem. Esse é meio que um desdobramento do disco Atlântico negro.

Quanto dessa preocupação social deriva do fato de você ser jornalista?
Deve ter isso sim embutido, nós somos esponjas, né?

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Ouça Alabama:

De Holanda para Holanda

Samba de Chico. Capa. Reprodução
Samba de Chico. Capa. Reprodução

 

De gerações distintas, são dois craques da música brasileira. Um, gênio da composição, letrista e melodista esmerado, que também interpreta; outro, instrumentista inventivo e habilidoso, renovador de seu instrumento, inventor do bandolim de 10 cordas, que também compõe.

Dois de Holanda, ambos cariocas, o tributado Chico Buarque, e Hamilton, que lhe presta homenagem. O encontro – literal, já que o homenageado canta em duas faixas – não poderia ser diferente do ousado Samba de Chico [Biscoito Fino, 2016].

Se por um lado, a quem lê o repertório na contracapa, antes de ouvir o disco, pode parecer o que de fato é, um best of Chico Buarque, com todas as músicas por demais conhecidas e bastante assobiáveis – com exceção da faixa que dá título ao disco, da lavra de Hamilton de Holanda –, é justamente aí que mora o perigo, explicado em texto no encarte: “o desafio foi grande e agradável. Gravar um disco de músicas com letra, todas bastante conhecidas, sem letra, instrumental. O objetivo era encontrar um novo caminho para chegar ao mesmo destino: a emoção”. Missão cumprida.

Chico Buarque é autor solitário de quase todo o repertório. Em parceria apenas Piano na Mangueira (com Tom Jobim), Atrás da porta e Trocando em miúdos (ambas com Francis Hime). Ele próprio volta a temas que há tempos não cantava e afaga as mãos que lhe homenageiam: empresta sua voz a A volta do malandro e Vai trabalhar, vagabundo, endossando o álbum.

No geral mantendo-se fiel aos arranjos originais, Hamilton de Holanda (bandolim 10 cordas e direção musical) é acompanhado por Thiago da Serrinha (percussão), Guto Wirtti (contrabaixo acústico) e André Vasconcelos (contrabaixo acústico). Além do homenageado outros convidados são o pianista italiano Stefano Bollani (em Piano na Mangueira e Vai trabalhar, vagabundo) e a cantora catalã Silvia Perez Cruz (em Atrás da porta e O meu amor), garantindo charme extra com seu português com sotaque.

O projeto gráfico de Samba de Chico tem um mercado como locação. “Claro que não foi uma fácil escolha de repertório, daria pra gravar vários discos com sambas de Chico”, adverte o mesmo texto. Não faça ouvidos de mercador a esta seleção, eis o cofo com as escolhas de Hamilton de Holanda, no ano em que se celebram seus 40 anos de vida e os 100 anos de samba.

João Donato: vivo, jovem e musical

Donato elétrico. Capa. Reprodução
Donato elétrico. Capa. Reprodução

 

Quando Marc Fischer, em sua busca frenética pelo outro João inventor da bossa nova, o baiano Gilberto, espantou-se ao encontrar o acriano Donato vestido em uma camisa florida e fumando: “você deve ser o último brasileiro que fuma”, disse, referindo-se à diminuição, nos últimos anos, nos índices de consumo de cigarros no país. “E provavelmente devo ser o último brasileiro vivo também”, respondeu-lhe o pianista e compositor.

Cito de cabeça a história contada pelo escritor alemão em Ho-ba-la-lá – à procura de João Gilberto [Companhia das Letras, 2011], que ele não chegou a ver publicado: suicidou-se antes.

Uma das provas da verdade na resposta de Donato é seu mais novo álbum, Donato elétrico [Selo Sesc/SP, 2016], cujo título é outra: a eletricidade-vida, que afinal de contas, move quem pensa em música o tempo inteiro.

Aos 81 anos, João Donato esbanja jovialidade, frescor e originalidade, ao juntar-se a um timaço de jovens músicos com que gravou o álbum novo, de ficha técnica extensa, todos, de algum modo, influenciados pelo som “donatural”: Cris Scabello (guitarra), Cuca Ferreira (saxofones e flautas), Daniel Gralha (trompete), Daniel Nogueira (saxofone), Décio 7 (bateria), Douglas Antunes (trombone), Gustavo Cecci (percussão), Marcelo Dworecki (contrabaixo), Mauricio Fleury (guitarra), Rômulo Nardes (percussão) – o Bixiga 70 –, Anderson Quevedo (flauta e saxofone) – que fez participações especiais em todas as faixas de The Copan connection, mais recente álbum da super big band –, Aramis Rocha (violino), Beto Montag (vibrafone e percussão), Bruno Buarque (bateria), Daniel Pires (viola), Guilherme Kastrup (percussão), Gustavo Ruiz (guitarra), Mauro Refosco (percussão), Renato de Sá (violoncelo), Richard Fermino (trombone e flauta), Robson Rocha (violino) e Zé Nigro (contrabaixo).

Completamente autoral, Donato elétrico ecoa – longe de reduzir João Donato a mero cover de si mesmo – momentos antológicos de sua lavra, como o fundamental A bad Donato e álbuns divididos com Eumir Deodato, outro mago das brancas e pretas.

Produzido por Ronaldo Evangelista, cujo texto elegante no encarte remonta a gênese do álbum, em Donato elétrico optou-se pelo uso de instrumentos antigos, para valorizar a sonoridade de uma época, embora seja impossível o álbum soar mais atual, desde o título de faixas como Here’s JD, Urbano e Frequência de onda.

É um disco em que cabe de tudo: para registrar seu “jazz tupiniquim” (para usarmos a expressão que dá nome à música de Glorinha Gadelha e Sivuca, outro ás da sanfona, instrumento no qual Donato começou e único que ele não toca no álbum), o garoto Donato diverte-se com Fender Rhodes, Farfisa, Pro-One, Moog e Clavinet, além de usar a voz em Tartaruga e G8.

Com arranjos de Anderson Quevedo, Bixiga 70, Cuca Ferreira, João Donato, Laércio de Freitas e Marcelo Cabral, em Donato elétrico João Donato é um membro da grande banda. Em Xaxado de Hércules, por exemplo, destacam-se os saxes de Cuca Ferreira e Daniel Nogueira, como se Coltrane dançasse solando para o bando de Lampião dançar. Combustão espontânea exala a latinidade afro-cubana, outra marca da obra do acriano, e traduz o espírito coletivo em que o disco foi realizado: o título dessa música explica o que acontece (e cujo resultado ouvimos) quando um naipe de feras assim se encontra.

O pife é pop

Chego já. Capa. Reprodução
Chego já. Capa. Reprodução

 

Quando Gilberto Gil lançou Expresso 2222, em 1972, gravou Pipoca Moderna, do alagoano Sebastião Biano com letra de Caetano Veloso: “e era nada de nem noite de negro não/ e era nê de nunca mais”, anunciava a letra, cujo fecho era a aurora: “pipoca ali, aqui/ pipoca além/ desanoitece, amanhã tudo mudou”.

Os pífanos da Banda de Pífanos de Caruaru, desde muito antes liderada pela família Biano, ganhavam mais ouvidos brasileiros que os a que sempre estiveram acostumados. O instrumento rústico, primo da flauta, mais conhecido no meio rural, onde anima festas religiosas e profanas, tornava-se pop.

Anos depois os parceiros pernambucanos Carlos Fernando e Geraldo Azevedo prestaram bela homenagem aos Biano e à Banda de Pífanos de Caruaru, saudando-os como “os Beatles de Caruaru” em Forrozear, gravada pelo segundo em Futuramérica (1996).

Com 97 anos recém completados na última véspera de São João, Sebastião Biano e Seu Terno Esquenta Muié – assim assinam o disco, com expressões usadas como sinônimos de banda de pífanos – acabam de lançar Chego já [2016, com incentivo do Proac/SP e realização da Maracá Cultura Brasileira], com 17 faixas, quase completamente autoral – a exceção é Bendito de Nossa Senhora Aparecida, tema de domínio público que encerra o disco, o segundo solo da longeva carreira de Biano (o primeiro foi lançado ano passado).

A ele (pífano e voz) somam-se Junior Kaboclo (pífano), Filpo Ribeiro (viola, rabeca e marimbau), Renata Amaral (contrabaixo) e Eder “O” Rocha (zabumbateria). O grupo assina a direção musical, sob produção musical de André Magalhães.

Predominantemente instrumental, o disco passeia por dobrados, arrasta-pés, marchas, sambas e valsas, demonstrando a versatilidade do pífano – ou “pife”, como se costuma simplificar a pronúncia do nome do instrumento protagonista de Chego já.

Nas faixas faladas, Biano conta histórias. “Nós fazia [sic] música no compasso, era o compasso do toque do chocalho no pescoço do animal, que ele vai andando e o sonzinho vai saindo; nós trabalhávamos para fazer a música em cima daquele som; o compasso é o estilo da música, chamava o compasso; hoje em dia tem a palavra de ritmo, era o compasso”, revela em A zabumba, antes de entrar propriamente no método de construção do instrumento de percussão, com couro de bode e madeira de imburana, de que seu pai era um ás.

O trecho acima transcrito é uma aula de simplicidade. Como o que não carece ser complexo para ser bonito, qual um baile animado a pífano – ou pife –, Chego já é uma aula de musicalidade suprema, de sensibilidade posta à prova, onde qualquer coisa se transforma em beleza, servindo de inspiração.

Veja trecho do show de lançamento de Chego já:

Esse livro é uma pedra!

Da terra das primaveras à ilha do amor. Capa. Reprodução
Da terra das primaveras à ilha do amor. Capa. Reprodução

 

Não à toa Ademar Danilo fala em “pioneirismo desbravador” em A primeira pedra, texto de introdução à reedição de Da terra das primaveras à ilha do amor: reggae, lazer e identidade cultural [Pitomba!, 2016, 143 p.], de Carlos Benedito Rodrigues da Silva, o Carlão.

Fruto da dissertação de mestrado defendida na Unicamp pelo professor campinense radicado em São Luís desde 1981, o livro foi publicado pela primeira vez em 1995, pela Edufma. Também não foi à toa que os lançamentos de Onde o reggae é a lei, de Karla Freire, e O reggae no Caribe brasileiro, de Ramusyo Brasil, ambos da Pitomba!, requentaram a busca pela obra inaugural, até então alçada também ao status de raridade.

Carlão dá um mergulho profundo tentando compreender – e fazer seu leitor – o trinômio do subtítulo. Militante do movimento negro, aborda o preconceito sem soar panfletário. Fato é que passados 20 anos da publicação em livro da pesquisa do professor do programa de pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), o reggae pode ter deixado as páginas policiais para ganhar as de cultura. Ainda enfrenta, no entanto, a resistência dos que insistem em se incomodar com o epíteto de Jamaica brasileira atribuído à São Luís.

Saudosistas de um passado que não houve – São Luís nunca foi uma cidade bem servida de livrarias e/ou leitores, e hoje, creio, o quadro é ainda pior – apegam-se a uma Atenas brasileira que a capital maranhense nunca foi, de fato. Nisso também reside o preconceito abordado por Carlão: mais fácil (e bonito) descender da Europa que da África, para quem nisso crê.

Para o autor, entender o reggae enquanto lazer e identidade cultural é libertador, tendo em vista que a maioria dos estudos sobre o negro e a negritude, em geral aborda a herança africana de modo a relegar-lhes à condição de ex-escravos ou descendentes de.

A pesquisa de Carlão alia a abordagem acadêmica – as referências dão um belo catatau a quem quiser se aprofundar no tema – a um trabalho de campo de imersão, que resultou em etnografia capaz de traduzir a realidade daquele momento, em que clubes como Pop Som, Toque de Amor e Espaço Aberto, e radiolas como Estrela do Som, Voz de Ouro Canarinho e Águia do Som davam o tom regueiro à cidade.

Carlão remonta às origens, refazendo o percurso dos primeiros Jimmy Cliff que soaram por estas bandas, passando pelas lendas envolvendo donos de radiola e DJs quanto à exclusividade de determinadas “pedras”, a verdadeira guerra travada por clubes e programas de rádio no sentido de garantir atrativos à massa regueira, quase tão fiel quanto as torcidas de futebol (digo quase por que eventualmente um “torcedor” de determinada radiola podia frequentar uma festa em que outra tocasse).

A necessária reedição de Da terra das primaveras à ilha do amor chega em boa hora, enriquecida, como é padrão da Pitomba!, por vasta iconografia, podendo o leitor perceber melhor a estética do período abordado pelo livro.

Disco de Cesar Teixeira esgotado há anos, Shopping Brazil é finalmente relançado

Shopping Brazil. Capa. Reprodução
Shopping Brazil. Capa. Reprodução

 

Lançado em 2004, Shopping Brazil, disco de estreia de Cesar Teixeira, era o primeiro registro do artista interpretando sua própria obra, a despeito de ser um dos compositores mais gravados do Maranhão.

À época, o LP Bandeira de aço já contava mais de um quarto de século: lançado pela Discos Marcus Pereira em 1978, era o primeiro registro fonográfico com músicas de autoria de Cesar: Boi da lua, Flor do mal e a faixa-título, interpretadas por Papete, as duas últimas regravadas pelo autor em Shopping Brazil.

Mas a trajetória musical de Cesar Teixeira, versado em outras expressões artísticas, como a poesia, as artes plásticas e, por que não?, o jornalismo, havia começado ainda antes, quando participou de festivais ainda em fins da década de 1960.

Tudo isso fazia de Shopping Brazil um disco bastante aguardado. Ao longo de 14 faixas – incluindo dois excertos de Dona Elza (do Caroço de Tutóia) e Mestre Felipe (do Tambor de Crioula homônimo), além de uma ladainha de Antonio Rayol, cantada em latim por Dona Teté (do Cacuriá homônimo) – Cesar atestava a quem ainda ousasse duvidar sua versatilidade como compositor e sua qualidade como intérprete. Não à toa venceu, no ano do lançamento, diversas categorias do Prêmio Universidade FM, o mais importante da música produzida no Maranhão.

Como não poderia deixar de ser, Shopping Brazil veio embalado em protesto. Um texto no encarte (reproduzido neste relançamento) e a faixa-título, composta ainda na década de 1970 e atualizada por Cesar para o hip hop à base de latas recicladas e transformadas em instrumentos musicais pela trupe do Som na Lata, denunciavam os lixões brasileiros como verdadeiros shopping centers de onde populações vulneráveis e marginalizadas retiram seu sustento, alimentação e moda.

Mas havia ainda espaço para o choro (Ray-ban), o samba (Vestindo a zebra), o coco (Parangolé), o bumba meu boi (Mutuca), o xote (Xaveco) e o “bolero de Waldick Soriano” (verso de Namorada do cangaço).

12 anos depois, Shopping Brazil [R$ 25,00 na Livraria Poeme-se] é relançado, de forma independente, dando fim a uma longa espera e respondendo à pergunta recorrente, sobre uma nova tiragem, sempre feita por quem nunca teve o disco, por quem teve e perdeu ou simplesmente por quem gostaria de presentear alguém querido ou algum amigo de passagem pelo Maranhão.

Uma pergunta tão ouvida por Cesar quanto “e o segundo disco, sai quando?”.

A guinada tropixelada de Céu

Tropix. Capa. Reprodução
Tropix. Capa. Reprodução

 

Bastam algumas gotas, ou segundos, de seu Perfume do invisível, faixa de abertura de Tropix, novo disco da cantora Céu, para inebriar os ouvintes: “no dia em que eu me tornei invisível/ passei um café preto ao teu lado/ fumei desajustada um cigarro/ vesti a sua camiseta ao contrário”, revela-se, “para me despir/ e ser quem eu sou”, prossegue, provocativa, inaugurando seu quarto disco de estúdio, o quinto da carreira, com este incontestável hit.

Os tons de cinza do projeto gráfico revelam um disco orgânico, calcado em timbres eletrônicos, em boa parte graças ao tecladista Hervé Salters (General Elektriks), um dos produtores do disco – o outro é o baterista Pupillo (Nação Zumbi). A banda se completa com Pedro Sá (guitarra) e Lucas Martins (contrabaixo). Tropix tem ainda participações especiais de Tulipa Ruiz (vocais em Etílica/Interlúdio) e Rosa Morena (vocais em Varanda suspensa), filha da cantora, a quem Céu dedica A menina e o monstro e o disco.

Arrastarte-ei (sic) é uma espécie de Dorival Caymmi feminino em pleno século XXI, o mar como metáfora para um flerte, um caso de amor. Céu é autora solitária de quase todo o repertório, lírico, noturno, “anunciando a noite néon”, como diz um verso de Varanda suspensa (parceria com Salters). Em Amor pixelado promete: “saiba, meu amor/ cuidarei de nós/ mesmo quando eu for/ em busca de mim”.

Outros parceiros são Lira, na abolerada Sangria, e Fernando Almeida, em Camadas. De Jorge Du Peixe Céu registra A nave vai e recria, do repertório pouco revisitado da oitentista Fellini, Chico Buarque song (Ricardo Salvagni/ Cadão Volpato/ Jair Marcos Vieira/ Thomas Pappon), a única do disco cantada em inglês.

Com bonito videoclipe, disponibilizado na rede antes mesmo do lançamento do disco, a faixa de abertura parece ligar este aos discos anteriores de Céu. Mas a maior parte das 12 faixas de Tropix pode soar um pouco mais difícil a fãs menos acostumados a guinadas. Pois é justamente o que este novo disco representa: uma guinada na carreira da artista, cujo talento incontestável é reafirmado com este tipo de ousadia.

Assista o clipe de Perfume do invisível:

Xote 220 volts

Criolina e o Xote Elétrico. Foto: divulgação
Criolina e o Xote Elétrico. Foto: divulgação

 

Sempre escrevo duo ou casal ao me referir ao Criolina, par musical formado por Alê Muniz e Luciana Simões. As denominações não lhes bastam: os parceiros, após temporadas em São Paulo, resolveram fincar pé no Maranhão, produzindo a partir daqui, sem, no entanto, perder a interlocução com outros eixos, configurando-se em uma espécie de catalisador da cena autoral local.

O BR 135, que em pouco tempo configurou-se como um dos mais importantes festivais (não competitivos) do Maranhão é apenas um exemplo disso. Mas as atitudes engajadas do Criolina e a criação musical sempre afiada e interessante, antenada com o mundo ao redor, nunca meramente mirando o próprio umbigo, tampouco sem perder as raízes, demonstram o papel crucial que seu pas de deux para além da música tem cumprido – embora, talvez, eles nem reivindiquem tal lugar e responsabilidade.

Com tantos arraiais oficiais e gratuitos espalhados pela cidade é essa agregação – sonora, inclusive – justamente o que explica valer a pena trocar, por uma noite, justo a de São João (leia-se: hoje), ou ao menos parte dela, por prestigiar o show Criolina e o Xote Elétrico, que Alê Muniz (voz e guitarra) e Luciana Simões (voz) apresentam acompanhados de um time de feras que me pedem antecipar perdões pelo clichê: a atriz Áurea Maranhão (voz), Rui Mário (sanfona), João Paulo (contrabaixo), João Simas (guitarra), Sandoval (sintetizador) e Erivaldo Gomes (percussão).

A noite contará ainda com a discotecagem de Pedro Sobrinho. O repertório orbita em torno de músicas autorais do Criolina e reverências a velhos mestres do cancioneiro nordestino: João do Vale, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Messias Holanda, Jackson do Pandeiro e João Madson (tio de Alê, recém-falecido), todos passados entre a raiz pé de serra e as antenas rockeiras, regueiras e eletrônicas. Um hit que certamente comparecerá ao repertório é Maguinha do Sá Viana, parceria de Alê Muniz e César Nascimento.

O show acontece na sede do Tambor de Crioula de Mestre Amaral (esquina da Praça D. Pedro II com a rua Montanha Russa, Centro), com produção de Lety’s Go Produções Artísticas. Os ingressos custam R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia).

O baile da Banda Mirim

Cena de Sapecado. Foto: Georgia Branco

 

Oito anos depois de sua montagem original, o espetáculo Sapecado, da Banda Mirim, chega à São Luís nesta quarta-feira (15), graças ao apoio da Petrobras – a montagem original foi possível graças ao apoio do Programa de Ação Cultural, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.

Em 2008, ano da primeira montagem, Sapecado levou diversos prêmios: Associação Paulista de Críticos de Arte de melhor texto e melhor espetáculo, Femsa de Teatro Infantil e Jovem de melhor trilha sonora original e melhor espetáculo infantil, Cooperativa Paulista de Teatro de melhor espetáculo juvenil e melhor trilha original, Júri Guia da Folha de melhor espetáculo infantil e Revista Veja de melhor espetáculo infantil.

A trilha sonora e direção musical, um espetáculo à parte, são assinadas por Kléber Albuquerque e Tata Fernandes. A trupe é formada por elenco estelar, que mescla atores e músicos, entre os quais nomes que figuram em fichas técnicas de discos e shows de artistas como Ceumar, Chico César, Itamar Assumpção e Zeca Baleiro, todos figuras de destaque na música brasileira, parceiros dos autores da trilha.

Marcelo Romagnoli assina texto e direção do espetáculo. Baseada em São Paulo, a selva de aço e concreto, a Banda Mirim, 12 anos de estrada, cai na estrada com um espetáculo que tem uma estrada por cenário: Assunta Felizarda de Jesus (Claudia Missura) vive sozinha na roça, acompanhada apenas por seu cachorro Rex (Edu Mantovani). Um dia recebe um convite, trazido pelo carteiro Adauto (o excelente cantor Rubi), para ser madrinha do casamento da comadre Dete Mandioca. Juntos, os três cruzam a estrada do Bromongó até a Vila do Sapecado para participar do baile.

Parte dos 70 minutos do musical infantil se passa na viagem até a festa. As lembranças de uma infância vivida no interior forneceram elementos para Romagnoli construir o texto. “Lá a música rodeava tudo. Era dupla que cantava, era baile na igreja, sanfoneiro pelo caminho, rádio AM. Tinha história de mata cerrada, rio, bicho, noite escura, estrada de terra, que nem a estrada do Bromongó, onde a alma é grande e a gente é pouca”, conta o diretor em release distribuído aos meios de comunicação.

Cena de Sapecado. Foto: Andrea Pedro
Cena de Sapecado. Foto: Andrea Pedro

Amizade, fraternidade e respeito são valores que permeiam o espetáculo, no fundo pensado para crianças de qualquer idade. “São temas que para nós, da Banda Mirim, são legados importantes, para dizer às crianças o que nós acreditamos como adultos: que o amor, a amizade e o sublime ainda são possíveis”, continua.

A ida de Assunta, Adauto e Rex ao baile é ilustrada musicalmente por parcerias de Kléber e Tata, entre um fox de trilha sonora para o namoro de vacas e sapos no brejo ou o desafio-repente entre a Benzedeira e o Coisa-Ruim na mata fechada. “Uma das coisas mais prazerosas deste trabalho foi podermos mergulhar musicalmente nesse universo da música caipira, na poesia, no humor, nas danças, nos ritmos deste Brasil profundo, desse lugar que é um outro tempo”, revela Albuquerque.

Com elenco formado por 11 artistas, a apresentação da Banda Mirim acontece nesta quarta-feira (15), às 15h e às 19h, no Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol, Centro), ambas com entrada franca – ingressos devem ser retirados com uma hora de antecedência na bilheteria do teatro.

A primeira sessão é voltada a alunos de escolas públicas e instituições de defesa dos direitos da criança e do adolescente; a segunda, aberta ao público em geral. A trupe realizará ainda em São Luís dois encontros artísticos: um com grupos de teatro, músicos, estudantes de artes cênicas e agentes locais dedicados às artes para crianças e jovens, no espaço Re(o)cupa (Rua Afonso Pena, 20, Centro); outro com crianças, mestres e brincantes do tradicional Bumba Meu Boi de Maracanã, na sede da agremiação, na comunidade homônima.

Na passagem pela Ilha a Banda Mirim fará ainda doações de CDs, livros e revistas a escolas públicas, instituições, associações comunitárias, grupos de teatro e cultura popular participantes dos encontros, artistas, músicos e entidades envolvidas nas atividades realizadas nas cidades da turnê, que passa também por Belo Horizonte, Brasília e Goiania.

Assista clipe do musical:

Ficha Técnica

Texto e direção: Marcelo Romagnoli
Trilha sonora e direção musical: Kléber Albuquerque e Tata Fernandes
Elenco: Claudia Missura, Rubi, Tata Fernandes, Simone Julian, Nina Blauth, Nô Stopa, Foquinha, Olívio Filho, Lelena Anhaia, Edu Mantovani e Alexandre Faria
Figurinos: Verônica Julian
Assistente de figurinos: Maria Cristina Marconi
Cenário e desenho de luz: Marisa Bentivegna
Cenotécnicos e contrarregras: Luiz Cláudio Fumaça, Jean Marcel e Rodrigo Oliveira
Engenheiro de som: Ernani Napolitano
Danças brasileiras: Silvia Lopes
Consciência corporal: Gisele Calazans
Direção de movimento: Cláudia Missura
Produção executiva: Andrea Pedro
Assistente de produção: Bianca Muniz
Apoio: Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura, Programa de Ação Cultural (PAC) de 2008
Patrocínio Circulação 2016: Petrobras

Serviço

O quê: Musical Infantil Sapecado
Quando: quarta-feira (15), 15h (sessão especial para alunos de escolas públicas e crianças e adolescentes atendidos por instituições de defesa dos direitos da criança e do adolescente) e 19h (sessão aberta ao público). Apresentações com intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras)
Onde: Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol, Centro)
Quanto: entrada franca. Retirada de ingressos na bilheteria uma hora antes do início da apresentação.
Classificação indicativa: livre. Recomendado a partir de cinco anos.
Duração: 70 minutos